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sábado, 18 de outubro de 2014

Mino Carta: "Se Aécio vencer, o Demônio é brasileiro"


EDITORIAL




"Imaginar o retorno a FHC, em caso de vitória de Aécio, é inevitável. De lancinante obviedade. Donde a ameaça da tragédia, e creio não exagerar em vaticiná-la. Trágico seria o retorno ao passado, com a vitória da reação mais medieval do mundo, empenhada em manter de pé a casa-grande e a senzala. No debate de terça-feira 14, Aécio pretendeu que os adversários insistissem no conflito entre dois Brasis. São os tucanos, no entanto, que proclamam a desinformação dos pobres no mesmo instante em que avulta a desinformação dos ricos. Ou a hipocrisia. E, de todo modo, clamorosamente, o ódio de classes."



Retorno a FHC

Se Aécio Neves vencer, teremos de admitir que brasileiro é o Demônio

Mino Carta


Sérgio Lima/Folhapress

Se ele dá risada, é hora do pavor

Ao entrevistar Lula na semana passada, recordei dois episódios do passado que envolvem Fernando Henrique Cardoso. Tempos da greve de 1980 em São Bernardo e Diadema, momento da mais expressiva resistência pacífica à ditadura. A primeira lembrança me coloca ao lado de Lula em um bar de São Bernardo, às costas da fábrica da Volkswagen. Chega FHC, faço menção de me retirar, e Lula diz “fica, fica”. Em silêncio, ouço a peroração do príncipe dos sociólogos a favor da moderação. Está claro que as arengas às dezenas de milhares de trabalhadores aglomerados na Vila Euclydes o deixam bastante incomodado.

Orgulho-me de ter percebido no então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos uma liderança capaz de transcender o papel que então desempenhava. FHC também percebeu, mas isto não o alegrou. A segunda lembrança confirma a primeira. O episódio começa pela conversa telefônica Rio-São Paulo que costumava manter com Raymundo Faoro nas manhãs de domingo. O amigo caríssimo gostaria de galgar o palanque da Vila Euclydes e eu propus: “Venha, será uma honra escoltá-lo”.

À chegada de Faoro no Aeroporto de Congonhas um estranho indivíduo surgiu em cena. Emissário de FHC, e até hoje não sei como soubera dos propósitos do meu amigo. Convidou-nos para parar, a caminho de São Bernardo, na casa da mãe do sociólogo, onde o próprio nos esperava e onde tomamos um chá em louça de Sèvres. Ele sugeria que Faoro desistisse do seu intento. Não o convenceu, e ao cabo nos comunicou que uma assembleia de autoridades nos aguardava no Paço Municipal de São Bernardo. Fomos. Sentado à cabeceira de uma longa mesa perfeitamente encerada, FHC reeditou seu apelo. Levantei-me e disse: “Esta conversa não me diz respeito, eu estou aqui para cobrir um evento relevante e vou cumprir minha tarefa”. Faoro seguiu-me, sem pronunciar uma única, escassa palavra.

Aquele que, 18 anos após, compraria votos de parlamentares para conseguir sua reeleição à Presidência da República, esforçava-se com insólita paixão para impedir a presença de uma personalidade do porte de Faoro no epicentro da greve, a avalizar a ascensão de Lula. Passados 34 anos, FHC aí está, sombra compacta por trás de Aécio Neves. Condescendente, generoso, ao esquecer uma frase fatídica de vovô Tancredo: “Fernando Henrique é o maior goela da política brasileira”. Não sei, aliás, se ao adversário de Dilma Rousseff convém citar o ilustre avô: ele não tinha especial apreço pelo tucanato.

Imaginar o retorno a FHC, em caso de vitória de Aécio, é inevitável. De lancinante obviedade. Donde a ameaça da tragédia, e creio não exagerar em vaticiná-la. Trágico seria o retorno ao passado, com a vitória da reação mais medieval do mundo, empenhada em manter de pé a casa-grande e a senzala. No debate de terça-feira 14, Aécio pretendeu que os adversários insistissem no conflito entre dois Brasis. São os tucanos, no entanto, que proclamam a desinformação dos pobres no mesmo instante em que avulta a desinformação dos ricos. Ou a hipocrisia. E, de todo modo, clamorosamente, o ódio de classes.

Uma vitória de Aécio significaria o enterro de uma política social nunca dantes praticada, por mais insuficiente. De uma política exterior habilitada a desatrelar o Brasil dos interesses de Washington em proveito dos nossos. Bem como o retorno a uma política econômica de desbragada inspiração neoliberal, com todas as implicações, a começar pelo corte do salário mínimo e a alteração da CLT, de resto já anunciadas pelo candidato a ministro da Fazenda de Aécio, Arminio Fraga, presidente do BNDES no governo do eterno goela. E já que se fala de ameaça a uma herança getulista, não nos obriga a espremer as meninges imaginar o triste destino reservado à Petrobras, que o ex-presidente sociólogo pretendia privatar quando no poder, e ao pré-sal, de súbito lotizado.

Há, nisso tudo, exercícios de puro humorismo. Muitos, a bem da verdade factual. Citaria um apenas, retumbante. Sustenta o aludido Arminio que a crise econômica global arrefeceu de cinco anos para cá. Confia na ignorância dos nativos abastados. Se houver dúvidas, sugiro uma investigação elementar junto às Bolsas de todo o mundo diante do recrudescimento de uma situação encerrada, conforme o ex-discípulo de George Soros e Fernando Henrique Cardoso. O qual entende de economia como eu de numismática.



CartaCapital

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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Dilma: "Nossa luta é a dos construtores do futuro"


ELEIÇÕES 2014





Trechos do discurso da vitória no primeiro turno


Quero agradecer a presença de todos, a essa hora, desse domingo, mas é um momento especial pra todos nós. Mais uma vez o povo brasileiro me honrou em dar essa vitória nesse primeiro turno.

Minhas primeiras palavras ao celebrar essa vitória, são antes de tudo, de agradecimento, porque a gente tem a obrigação de agradecer aqueles eleitores anônimos que saíram de casa e registraram seu voto. Deles, eu recebo um recado simples: de que eu devo continuar na luta pra mudar ainda mais o Brasil.

Falando em luta, quero saudar a militância guerreira do meu partido e dos partidos aliados. Quero agradecer meu querido amigo e líder, o presidente Lula. Sem o presidente Lula eu não teria realizado meu sonho de fazer um Brasil melhor.

A luta continua. E a luta será mais uma vez gloriosa, porque é a luta da maioria do povo brasileiro. Essa luta é a luta dos construtores de futuro. Que não deixarão jamais o Brasil voltar pra trás.

Quero dizer pra vocês que entendi completamente os recados das ruas. O povo brasileiro anseia por mais avanços. É uma responsabilidade que nós que defendemos esse projeto temos que assumir perante a história.

Eu sou a primeira pessoa a querer mais. A querer fazer sempre mais. Meu compromisso é que a vida de cada brasileiro e brasileira melhore cada vez mais.

O meu governo tem um fundamento moral, baseado em dois valores: o primeiro é igualdade de oportunidades e o outro o combate à corrupção.

E tenho certeza, certeza absoluta, que temos que fazer a reforma política. Essa é a reforma das reformas. O primeiro passo é mobilizar a população num plebiscito popular.

O povo brasileiro vai dizer no dia 26/10 que não quer os fantasmas do passado. Teremos novamente uma disputa com o PSDB que, no passado, governou para 1/3 da população.

Jamais promoveram políticas sociais inclusivas. Não fizeram isso quando puderam. O PSDB, que sucateou as universidades federais, elitizando-as.

O PSDB, que no passado não defendeu aposentados, e, com o perdão da palavra, eles chamavam de vagabundos.

O povo brasileiro não quer de volta aqueles que trouxeram o racionamento de energia. Aqueles que envolveram nossas empresas em privatização, como Petrobras, Banco do Brasil e Furnas.

Se junte a nós nessa caminhada que já começou!

Conclamo, antes de tudo, vocês que melhoraram de vida nos últimos 12 anos, venham se juntar a nós. Para mantermos e ampliarmos as conquistas desses 12 anos.

É um orgulho para todos nós que as eleições tenham ocorrido bem.

Vamos lutar, porque a luta é o modo do Brasil avançar. Precisamos de vocês!



Vídeo do discurso 





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sábado, 4 de outubro de 2014

Lula: "Como era o Brasil antes de Lula governar o País?"


ELEIÇÕES 2014





"Um gênio da política" (Maria da Conceição Tavares).



Lula aos indecisos: Como era o Brasil antes do PT?

Saul Leblon, na Carta Maior



Lula pede que o último dia da campanha não seja o derradeiro da militância. E que a partir desta sexta-feira, comece um mutirão boca a boca, porta a porta.


Ex-presidentes costumam dar expediente em institutos e fundações de carpete macio, gabinetes de mogno e mesas de vidro com aço escovado.

Telefonemas bajuladores e audiências reverenciais compõem uma rotina colorida, fatiada de almoços elegantes e recepções requintadas. Amenidades bocejam 24 horas por dia no seu entorno.

Bons negócios, comendas, lavanda inglesa e gravatas de seda italiana.

Mas tem um deles que destoa do figurino de voz macia e boutades autocentradas.

Debaixo da garoa fina desta quinta-feira, protegendo a cabeça branca com chapéu de boiadeiro que destoa do blusão esportivo, a voz rangendo idade, cansaço, estrada, o rosto vincado, lá está ele em Diadema, no cinturão vermelho de São Paulo, em cima de uma carroceria, puxando a carreata que fecha o primeiro turno da campanha de 2014.

Alguém poderia imaginar que estamos falando de FHC?

Não. Quem está ali com uma mão agarrada ao microfone e a outra a gesticular, alternando uma e outra, a voz rouca modulando altos e baixos de ironia e indignação, mestre na oralidade, é o único ex-presidente capaz de fazer isso como se fosse um novato, a suar a camisa para provar que suas ideias pertencem ao mundo através da ação.

O novato no caso é o político que alia a garra de um jovem militante à experiência de maior líder popular do Brasil.

Duas vezes presidente da República, ele dá o exemplo da volta às origens que cobra do PT.

Levar a disputa às ruas.

Definir o campo de classe dos interesses em jogo.

Voltar às bases, ouvir, falar, engajar e aí nunca mais se omitir.

É isso que ele tem feito com intensidade assustadora para a idade e o susto de um câncer diagnosticado há três anos , em 29 de outubro de 2011.

Lula fará 69 anos no dia seguinte ao pleito de 5 de outubro próximo. A contrariar o fardo dos outubros, nos últimos nove dias ele visitou nove cidades, fez mais de 15 comícios.

Na terça feira, de dia, estava na Capela do Socorro; à noite em Cidade Tiradentes, agora em Diadema. Fala duas, três vezes por dia. Como fazia no governo.


Fosse FHC, as câmeras de televisão estariam formando uma parede entre o orador e a plateia reunida em frente a um supermercado em Diadema.


Mas é Lula; e sendo Lula quem é, tem que ser escondido pelo que representa, pelo que já fez, pelo que ainda fará e hoje, sobretudo, pelo que ainda fala e faz.


Ele faz coisas do seguinte tipo: na carreata em Diadema levou anotações com dados do site Manchetômetro, um monitoramento de mídia feito por pesquisadores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) sobre a cobertura das eleições de 2014.

Durante quase dez minutos Lula dissecou o sentido político dos números frios colhidos pelo Manchetômetro.

Fez manchetes com notícias que não saem nos jornais.

Ao mencionar o tempo ocupado por escaladas negativas contra a presidente Dilma Rousseff no Jornal Nacional ( 1h46m), por exemplo, recorreu à metáfora futebolística e disparou para ninguém mais esquecer: ‘A Globo na campanha presidencial de 2014 dedicou mais tempo dando manchetes contra a Dilma do que a duração de uma partida de futebol’.

Pronto. Não precisava mais nada.

Mas para reforçar ele não hesitou em sacudir a anotação no ar: sabem quantos minutos de noticiário negativo a candidata do PSB teve no mesmo período? Nenhum.

Um mestre na pontuação oral.

Sobrou também para os jornalões da ‘gloriosa imprensa brasileira’, como ele gosta de alfinetar com ironia ácida.

Um número resume todos os demais.

Desde o início da disputa, em 6 de junho, lembrou a voz rouca, mais afiada que nunca, os jornais Folha de SP, Globo e Estadão deram nada menos que 490 manchetes negativas contra Dilma.

Uma intensidade mais de quatro vezes superior a soma das manchetes negativas atribuídas a Aécio e Marina juntos (114).

A conclusão disso tudo altera a voz rouca, que agora adquire um sentimento de indignação diante do qual é impossível ficar indiferente.

Imagine essa cena no Jornal Nacional.

Não acontecerá.

Porque Lula não é FHC e porque FHC jamais diria o que ele vai disparar em seguida. ‘Isso acontece porque neste país não existe liberdade de imprensa, mas sim a doutrina de nove famílias que dominam a comunicação e nutrem ódio pelo PT. Não pelos erros que o PT possa ter cometido’, fuzila a rouquidão indignada. ‘O PT tem defeito? Tem’, prossegue depois de uma pausa. ‘Mas eles nos odeiam não pelos nossos defeitos. E, sim, porque o PT promoveu a ascensão social dos pobres neste país. É por isso que desde o início da campanha eles atacam a Dilma com o equivalente a três manchetes negativas por dia cada um’.

A indignação contra esse cerco, cujo núcleo duro está arranchado no estado de São Paulo, fez o ex-presidente intensificar a campanha de rua no interior e na região metropolitana da capital.

Sua determinação extrai força de uma certeza: é preciso enfrentar e romper o torniquete de aço contra Dilma, contra Padilha e, sobretudo, contra o PT e contra ele próprio. Ou a restauração conservadora pode fechar de vez as portas e frestas sociais e geopolíticas arduamente abertas a unha nos últimos doze anos.


Ao final da carreata, esse orador empenhado faz um apelo acalorado. Lula pede que o último dia da campanha não seja o derradeiro da militância. Que ela continue a falar o que a sua voz já não poderá mais dizer na boleia de um caminhão. E que a partir desta 6ª feira, comece um mutirão boca a boca, porta a porta, voto a voto para buscar o eleitor indeciso e decisivo na arrancada final para a urna.

A senha que ele sugere à militância diante dos recalcitrantes é a sua convicção de que a memória é um pedaço precioso do futuro a ser conquistado nestas eleições.

É com essa certeza que ele faz sua despedida como quem sacode o país pelos ombros para espantar o torpor criado pela doutrinação midiática conservadora e diz: ‘Perguntem às pessoas se elas se lembram como era o Brasil antes de o Lula governar este país’.


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sábado, 20 de setembro de 2014

Com Lula e Dilma, o sonho de Betinho virou realidade


ELEIÇÕES 2014 - O BRASIL QUE QUEREMOS



"O relatório global da Organização das Nações Unidas (ONU) para Alimentação e Agricultura (FAO), divulgado na última terça-feira (16), informa que, entre 2002 e 2013, houve queda de 82% na população de brasileiros considerados em situação de subalimentação. Isso mesmo, oitenta e dois porcento de brasileiros saíram do mapa da fome!"




Finalmente, o sonho de Betinho é realidade #DilmaemAlta




O relatório global da Organização das Nações Unidas (ONU) para Alimentação e Agricultura (FAO), divulgado na última terça-feira (16), informa que, entre 2002 e 2013, houve queda de 82% na população de brasileiros considerados em situação de subalimentação. Isso mesmo, oitenta e dois porcento de brasileiros saíram do mapa da fome!

Mas como conseguimos em pouco mais de uma década, sair do mapa da fome, mal que nos acometeu por quase toda história de nossa nação?

Para quem tem menos de 20 anos e nunca passou fome, pode ser difícil ter a dimensão exata do que essa conquista representa para aqueles que lutaram durante toda a vida pra atingir esse objetivo. Alguns, inclusive, morreram antes de ter esse sonho realizado, como é o caso de um dos mais notórios membros dessa luta.

Herbert José de Souza (link is external), conhecido como Betinho, criou o Ibase (link is external) (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), que surgiu com a finalidade de analisar as realidades sociais, econômicas e políticas do país. Em 1993 fundou a Ação da Cidadania, programa de luta pela vida e contra a miséria, combatendo a fome e o desemprego através da democratização da terra. Betinho morreu antes de ver as conquistas da sua luta. No entanto, seu filho, Daniel de Souza, emocionou a muitos de nós ao dizer: "Meu pai, o Betinho, não viu o combate à fome virar programa de governo e nem o Brasil sair do mapa da fome. Mas sei que em algum lugar, ele está sorrindo".

O programa de governo ao qual Daniel de Souza refere-se é o Bolsa Família, que se tornou uma referência de combate à fome no mundo e foi uma das formas criadas por Lula para cumprir a promessa feita em sua posse: zerar a fome no Brasil. Por estabelecer como metas manter as crianças matriculadas e com vacinação em dia, o programa foi responsável ainda por proezas como manter 15 milhões de alunos com presença monitorada nas escolas, e reduzir em 19,4% o índice de mortalidade de crianças de até 5 anos de idade.


Destaques do ABC!


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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Marina Silva: caos e confusão


ELEIÇÕES 2014



OPINIÃO



Como entender Marina?

A candidata do PSB, sem ser socialista, é um poço de confusão e contradições

Mino Carta


                                                                                                       Vagner Campos

Vale confiar em uma candidata que atribui a sua chance à Providência Divina?

Volto de viagem ao exterior e retomo meu espaço habitual. Em Roma, li uma análise a respeito da candidatura de Marina Silva que coincide com a avaliação de CartaCapital. No jornal La Repubblica, dos três de circulação realmente nacional, o de maior tiragem juntamente com o Corriere della Sera, e, na minha opinião, o melhor de todos.

Diz o diário que Marina Silva tem um passado honroso e nem por isso as qualidades necessárias ao exercício da Presidência de um país do tamanho e da importância do Brasil. Sua formação política é precária e suas ideias, quando manifestadas com um mínimo de clareza semântica, são confusas e contraditórias, de sorte a ressaltar a dramática incógnita que a candidata representaria se eleita.

O texto do La Repubblica confirma as nossas previsões, feitas nesta página no momento em que ficou assentada a substituição de Eduardo Campos por Marina Silva. Ou seja: ela seria tragada pelo apoio da mídia nativa, autêntico partido de oposição, porta-voz da casa-grande, e por esta arrastada inexoravelmente para a direita mais retrógrada.

E aí começam a confusão e a contradição da candidata do PSB sem ser socialista. Ela passou a ocupar a cena política brasileira como inimiga do latifúndio e da devastação ambiental, o que implica uma postura oposta àquela dos seus atuais arautos e conselheiros, adeptos, além de tudo, da involução globalizada, dita neoliberalismo, a desencadear a crise mundial. Eis perfilada a ameaça: o retorno à política econômica do governo de Fernando Henrique Cardoso, quando, em nome da estabilidade, o Brasil quebrou impavidamente três vezes e foi entregue ao presidente Lula com as burras à míngua.

Uma ação leva a outra, e haveria a se temer também pela renúncia a uma política exterior que, depois de FHC, desatrelou o Brasil dos interesses de Washington. Há quem diga que o fenômeno Marina Silva de certa forma repete deploráveis momentos históricos vividos em 1960 com Jânio Quadros e em 1989 com Fernando Collor. Com o endosso maciço da mídia, o homem da vassourinha e o caçador de marajás foram eleitos. A Presidência de ambos redundou em desastre.

CartaCapital acredita que nas mãos da ex-seringueira o destino do Brasil não seria promissor. Mas acredita também que desta feita o País saberá evitar o risco, e não receia abalar-se a um vaticínio que muitos reputarão prematuro. Nadar contra a corrente estimula quem dá a braçada honesta.

Vale registrar, de todo modo, que esta nossa ribalta se oferece a personagens singulares, ou, se quiserem, peculiares, prontamente engolfados pela direitona sempre disposta a agarrar em fio desencapado. Não me permito incluir no rol de alternativas desesperadas o já citado Fernando Henrique, habilitado a tornar-se paladino de quaisquer ideias e tendências ao sabor do que entende como conveniência pessoal.

Nunca esquecerei aquela noite em Rafard, interior de São Paulo, na campanha para a primeira eleição a governador do estado em 1982. O príncipe dos sociólogos concedia sua arenga aos boias-frias da área enquanto a brisa noturna sussurrava nos canaviais, e Mario Covas sentou-se ao meu lado na amurada da boleia de um caminhão transformada em palanque. Meneava a cabeça, a significar: “Quantas besteiras...”

O mesmo Covas que ameaçou largar o PSDB caso FHC aceitasse o convite de Collor para ser seu chanceler. E não é que o homem quase embarcou na canoa furada? Sobra minha surpresa ao constatar que dentro do próprio ninho tucano o candidato Aécio, que me mereceu simpatia desde o tempo em que carregava a pasta do avô Tancredo, confia no ex-presidente. Tancredo, aliás, dizia do sociólogo: “É o maior goela da política brasileira”.

Ao cabo, pergunto aos meus botões se vale confiar, em contrapartida, em uma candidata que, ao se apresentar como tal, atribui a sua chance à Providência Divina. Teríamos de entender que a mesma manifestação do Altíssimo determinou a morte trágica de Eduardo Campos? Os botões, como Mario Covas, exprimem o oxímoro do espanto resignado.


Destaques do ABC!

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domingo, 14 de setembro de 2014

"Coitadismo de marketing": as "lágrimas de crocodilo" de Marina Silva


ELEIÇÕES 2014 - MARKETING ELEITORAL



Usada pelas elites para retirar do poder um governo popular e trabalhista, voltado aos interesses da maioria da população, a candidata Marina Silva mente, dissimula, finge, ignora perguntas incômodas, se vitimiza e agora, pasmem!, passou a apelar também para o coração mole do brasileiro debulhando lágrimas (de crocodilo, claro!) em plena praça pública, tentando iludir o povo mais ingênuo.

Que decadência! Que ridícula! 

Não consegue conduzir a si mesma e pretende conduzir o Brasil...


A "Coitadinha", rindo da sua cara, que acredita 
nas patacoadas dela...



No Tijolaço:


A “tadinha” da floresta, onde vive a direita selvagem


Fernando Brito



Marina Silva é uma mulher com inegáveis méritos.

Saiu das profundezas da pobreza para o primeiro plano da vida nacional e não faria isso se não tivesse qualidades, persistência e capacidades.

Ninguém, a não ser a elite que a bajula agora, jamais a desqualificou por isso.

A mesma elite que desqualifica Lula – “o molusco”, como o chamam – por ser um operário que chegou a Presidente e a líder nacional.

Não a vejo, e tenho certeza de que todos reagiríamos, ser criticada por ter sido pobre ou empregada doméstica.

Eu, pelo menos, que devo o que sou a um pintor de paredes, seria o primeiro a fazê-lo.

O que se critica, ao contrário, é seu trânsito para os salões desta elite que se acostumou a chamar o povo com um estalar de dedos.

E que a fazem desfilar, como um exotismo bem-comportado, que não contesta o sistema que massacra milhões de antigas marinas, sob seus candelabros.

Ninguém a perseguiu, D. Marina.

O PT, partido pelo qual construiu sua carreira, deu-lhe cargos: o de vereadora, o de deputada estadual, o de senadora e o de Ministra.

Não foi ele quem a expulsou de nenhum deles, foi a senhora que se afastou deles.

Saiu de seu partido, e filiou-se a outro para ser candidata imediatamente, não para ser uma militante. Tanto que saiu do PT poucos dias antes do prazo limite para registrar candidaturas.

Do PV também não foi expulsa, saiu para ter um partido só seu, depois de não ter conseguido que este fosse assim.

O que a senhora fez hoje, no Ceará, é deprimente.

Dizer que “oferece a outra face”, como Cristo, apenas porque foi criticada politicamente, é de uma hipocrisia sem tamanho.

Dizer que chorou ao ser criticada por Lula, a quem a senhora abandonou depois de seis anos em que ele a manteve como ministra é deprimente.

A senhora se considera legítima para criticar, contestar, acusar, ofender.

Mas não aceita que lhe tratem senão como uma figura angelical.

A “fadinha”.

E, quando lhe criticam idéias e atitude, se transmuda.

É a “tadinha”.

O “coitadismo de marketing” , D. Marina, é uma abjeção, porque é hipócrita, é falso e é perverso, porque se trata de um estelionato contra os bons sentimentos coletivos, de uma fraude à compaixão de nossos semelhantes.

Podemos e devemos chorar. De dor, de tristeza, por solidariedade.

Jamais por sermos criticados na política.

Porque o povo brasileiro não quer chorar, nem se ajoelhar, nem suplicar.

Essa nação não é “tadinha”, nem precisa de um “tadinho”.

Precisa de líderes, de gente altiva, que levanta a cabeça como o Brasil secularmente genuflexo precisa levantar.

O povo brasileiro, que precisa se por de pé, não precisa de alguém que não sabe sequer defender nem a si mesma.

Precisa de quem possa defendê-lo e não de quem, lubrificado pelas lágrimas de crocodilo, ajude fazê-lo ser engolido, outra vez, pelas elites.

Que, no fundo, D. Marina, também a desprezam. Mas a usam

Papel ao qual, com inegável prazer, a senhora se entrega.

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domingo, 17 de agosto de 2014

O funeral-comício de Eduardo Campos


Lamentável.

Um disparate sem tamanho.

Nem todos mantiveram a compostura devida no velório e enterro do ex-governador de Pernambuco e candidato à Presidência da República, Eduardo Campos, morto em acidente aéreo na última quarta-feira. Houve vaias e aplausos à Presidenta Dilma e Lula; houve os que, como o senador Jarbas Vasconcellos, danou-se a fazer declarações estapafúrdias sobre a presença da Presidenta; houve os que mantiveram uma postura sóbria, evitando falar de política e eleições; e houve os que transformaram despudoradamente, desrespeitosamente, o funeral em vigoroso comício, proferindo gritos de "Fora, Dilma! Agora é Marina!"

Parece que até a própria Marina Silva, tão comedida e circunspecta em tantas ocasiões, andou cometendo seus deslizes, dando sorrisinhos inoportunos e até fazendo selfie!

Absolutamente grotesco.

O Brasil e muitos cidadãos brasileiros, inclusive da classe política, têm, mesmo, que caminhar muito na senda da civilidade, antes de se arvorarem em mentores dos destinos do País.


FUNERAL VIRA COMÍCIO: "FORA DILMA, AGORA É MARINA"


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As cerimônias fúnebres para homenagear o ex-governador Eduardo Campos, falecido em um acidente aéreo na última quarta-feira 13, terminaram como ato político em torno das candidaturas de Marina Silva, que ocupava a vaga de vice na chapa de Campos, e de Paulo Câmara, candidato socialista ao governo de Pernambuco; do lado de fora, militantes gritavam: "Fora Dilma, agora é Marina"; no carro do corpo de bombeiros, além dos familiares de Campos, estavam os candidatos Marina e Paulo Câmara

Leia a matéria completa no Brasil 247.

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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Lula e Dilma: muito além do Bolsa Família


CIDADANIA




Dilma é Lula e Lula é Dilma


Força de Lula e Dilma no interior está longe de ser só o “Bolsa Família”


Fernando Brito


Brizola contava, volta e meia, seu diálogo com o líder da independência de Moçambique, Samora Machel, quando perguntou-lhe quantos eram, afinal, os moçambicanos, já que havia incerteza quanto à população do país.

Machel disse-lhe: bem, os das cidades sabemos. Os outros são como os elefantes: só os vemos quando saem da selva.

O Brasil das metrópoles – imenso – não conhece mais o Brasil das pequenas cidades, dos sertões e matas, que é imenso também.

Tornaram-se escondidos e seguiam esquecidos.

A ausência do poder público federal – nas grandes cidades, município e estado suprem, em parte, este vácuo – deixou-os fora do processo de modernização da vida do país.

Os governos Lula e Dilma impulsionaram as parcerias diretas com os mais de 5.500 municípios brasileiros.


90% deles têm menos de 50 mil habitantes e, somados, reúnem um terço da população brasileira.

Em entrevista publicada hoje [ontem] no Estadão, o cientista político Vitor Marchetti diz que é um erro atribuir a popularidade de ambos, nas pequenas cidades – os famosos “grotões” – ao Bolsa Família.

Para ele, é “pouco verdadeiro atribuir ao Bolsa Família o avanço que o PT teve em regiões mais pobres, em municípios pequenos e médios do interior do País.”

- O que tem impacto eleitoral é um conjunto de políticas públicas que começaram a ser adotadas no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que são focadas em regiões onde a presença do Estado sempre foi muito fraca, como o Norte e o Nordeste do País. Falam do Bolsa Família mas esquecem do Luz Para Todos, que leva energia elétrica para o sertão nordestino, para as regiões mais esquecidas da região Norte. Esse programa é um exemplo do movimento que intensificou a presença do governo federal nas regiões mais carentes. O fenômeno político importante a ser analisado no momento é esse: o gigantesco aumento das parcerias do governo federal feitas diretamente com os municípios. Isso aconteceu porque os municípios tinham assumido várias prerrogativas que não tinham condições de cumprir. (…) Os municípios assumiram a responsabilidade, entre outras coisas, pela construção de creches e os serviços básicos de saúde. Mas eles não têm condições para isso. O que o Lula fez, então? Intensificou as alianças do governo federal com os municípios. O repasse direto de recursos federais para eles, nas áreas da saúde e educação, aumentou muito. Quase todos os municípios estão construindo creches atualmente, mas quem verificar com atenção a origem dos recursos irá constatar, quase invariavelmente, que provêm de algum programa específico do governo federal para o setor. Eles revelam o quanto o governo federal pegou atalhos para se tornar mais presente na vida do cidadão, no seu cotidiano. Isso aconteceu principalmente em municípios do Norte e Nordeste.

O Brasil “invisível” começou a ser visto, e é isto que o conservadorismo brasileiro não vê.

Num país com a nossa extensão e complexidade, o Governo Federal não pode ser apenas o gestor da macropolítica ou da macroeconomia, como querem os tecnocratas, e mero repassador de recursos para os municípios.

Tem de fazê-lo, mas, ao mesmo tempo, tem de ser o indutor da aplicação destes recursos, direcionando-os de forma exclusiva, com contrapartidas administrativas e direcionamento de projetos.

O “Mais Médicos” é um dos muitos exemplos de programas operacionalizados pelas prefeituras, com recursos federais, e regras definidas.

Do contrário, a simples descentralização de recursos e da administração será, como sempre foi, um mero processo de cooptação de chefes políticos locais.


Tijolaço

Destaques do ABC!

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sábado, 7 de dezembro de 2013

Lula: mídia fala de Dirceu e esconde 445 kg de cocaína


JORNALISMO DE ESGOTO



Me incomoda a preocupação da imprensa com os condenados, sobretudo com o emprego do Zé Dirceu. E essa mesma imprensa, que em nome da moral fala tanto do Zé Dirceu, esconde o outro lado que estava com 445 quilos de cocaína num helicóptero.                                                                                               
                                                                              Lula

Jornalismo ou Política?

Veículo de Comunicação ou Partido Político?

PIG. Partido da Imprensa Golpista.



247 – O ex-presidente Lula comparou, na noite desta sexta-feira 6, a diferença de tratamento dado pela imprensa quando se refere ao ex-ministro José Dirceu, condenado na Ação Penal 470, e ao helicóptero do deputado estadual Gustavo Perrella (SDD-MG), flagrado transportando 445 quilos de cocaína.

"Me incomoda a preocupação da imprensa com os condenados, sobretudo com o emprego do Zé Dirceu. E essa mesma imprensa, que em nome da moral fala tanto do Zé Dirceu, esconde o outro lado que estava com 445 quilos de cocaína num helicóptero", disse Lula, durante encontro de vereadores do PT paulista em Itupeva (SP) para promover a pré-candidatura a governador do ministro Alexandre Padilha.

O ex-presidente se referia, no caso de Dirceu, à denúncia veiculada pelo Jornal Nacional sobre o hotel Saint Peter, de Brasília, que ofereceu emprego ao ex-ministro. Segundo o jornal da TV Globo, a empresa tem como um dos sócios um "laranja", o panamenho José Eugenio Silva Ritter, que, conforme mostrou o noticiário, mora num bairro pobre do Panamá e trabalha como auxiliar de escritório.

Depois da denúncia, Dirceu desistiu do emprego em defesa da proteção aos empresários e aos funcionários da empresa. De acordo com o advogado do ex-ministro, José Luis Oliveira Lima, houve um "linchamento midiático" contra seu cliente. Oliveira Lima também lembrou, na última quinta-feira, que a constituição societária da empresa não diz respeito a Dirceu – e nem a seus 400 funcionários.



Eleições em São Paulo

Sobre a disputa ao comando do Palácio dos Bandeirantes, Lula voltou a afirmar que o PT nunca esteve tão perto de ganhar as eleições no estado. Mas lembrou a Padilha, ao seu lado, que "a arte de convencer é muito difícil". "Precisamos quebrar a base conservadora que há 30 anos nos derrota em São Paulo. Perdemos as eleições aqui várias vezes porque nos faltou 20% dos votos", disse. O ex-presidente ressaltou, em seguida, que fará de tudo para eleger o ministro governador e reeleger a presidente Dilma Rousseff.


Brasil 247

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sábado, 14 de setembro de 2013

A morte do guerreiro e a "justiça" brasileira


Na vida e na morte, se portou com altivez e coragem.

Gushiken Vive!







Nota da Presidenta Dilma Rousseff


A morte de meu amigo Luiz Gushiken é um momento de dor e de reverência. Dor pela ausência que ele fará para todos os que tiveram a felicidade de conhecê-lo, que puderam compartilhar da sua sabedoria e capacidade de pensar como o Brasil poderia ser uma nação mais justa para todos.

Reverência pela serenidade como viveu a vida e enfrentou a morte.

Fundador do PT, deputado federal por três legislaturas, meu colega de ministério no governo Lula, Luiz Gushiken partiu como viveu. Com coragem.

Aos familiares e amigos, deixo as minhas condolências e homenagens a este grande brasileiro.



Dilma Rousseff
Presidenta da República Federativa do Brasil



quinta-feira, 25 de julho de 2013

Dilma, Lula e PT: mais 10 anos


O POVO NO PODER


Queremos fazer mais e podemos fazer mais. Justamente porque fizemos o que está de melhor aí agora. Quem fez o que nós fizemos é capaz de promover ainda mais melhorias e aprimorar nosso trabalho pelo povo. Democracia gera anseio por mais democracia. Tudo o que nós fizemos é apenas o começo. Um começo de novas transformações, de transformações mais avançadas. Nossa estratégia de desenvolvimento exige mais. Isso é o que nos diferencia. Por isso podemos ter certeza de que 10 anos virão. Mais dez anos de transformação são possíveis.

                                                                              Presidenta Dilma Rousseff




Com discurso longo e firme, a presidente Dilma Rousseff encerrou nesta quarta-feira em Salvador as comemorações dos 10 anos de governo do PT e não decepcionou quem esperava posicionamento sobre as manifestações populares que continuam a acontecer em todo o país.

A presidente voltou a falar do pacto (composto de cinco itens) proposto como medida para atender às demandas do povo e responsabilizou diretamente "os antecessores do (ex) presidente Lula" pela "falta de desenvolvimento urbano e social do Brasil nos 25 anos" antes do petista.

Dilma seguiu a linha do ex-presidente e dos petistas em geral de que a população está indo cobrar mais porque foi o governo do PT quem proporcionou vida melhor.

"Queremos fazer mais e podemos fazer mais. Justamente porque fizemos o que está de melhor aí agora. Quem fez o que nós fizemos é capaz de promover ainda mais melhorias e aprimorar nosso trabalho pelo povo. Democracia gera anseio por mais democracia. Tudo o que nós fizemos é apenas o começo. Um começo de novas transformações, de transformações mais avançadas. Nossa estratégia de desenvolvimento exige mais. Isso é o que nos diferencia. Por isso podemos ter certeza de que 10 anos virão. Mais dez anos de transformação são possíveis".


A presidente falou sobre mobilidade e citou como exemplo "absurdo um trabalhador gastar três horas para ir trabalhar e mais três para voltar para casa em São Paulo" e reforçou a importância do programa Mais Médicos para suprir a demanda nas cidades do interior e nas áreas carentes das metrópoles.

"Nós garantimos que a prioridade será sempre para preencher as vagas com médicos brasileiros e formados no Brasil, sem necessariamente ser de nacionalidade brasileira. O médico estrangeiro só será contratado se não conseguirmos preencher o quadro do programa".

Sobre "a tão pleiteada, tão debatida e adiada reforma política", a presidente responsabilizou o Congresso por ela não acontecer. "Só o presidente Lula já mandou duas vezes uma reforma de proposta ao Congresso. Não foi, presidente?". Lula respondeu que foram duas.

"Propus e enviei para o Congresso itens que poderão promover a reforma política com consulta popular, através de um plebiscito. O povo tem que balizar sobre o que quer que seja mudado. Sabemos que a estrutura política precisa ser mudada e o PT tem o dever de liderar esse processo. A melhoria de vida vem com a reivindicação. Precisamos urgentemente de uma mudança no sistema político brasileiro, como resposta às manifestações. A população tem queixas e isso faz parte do processo de transformação".

A comandante do Executivo comentou sobre os ataques da oposição sobre a instabilidade econômica e também fez comparação com os antecessores do PT. "Vemos alguns falando e alarmando sobre os riscos da inflação, mas a verdade é que há exatamente dez anos a inflação está absolutamente sob controle no Brasil. Esse é o governo do PT".



Atraso e confusão do lado de fora

Marcado para as 17  h, a festa só teve início depois das 19 h e desde cedo manifestantes do Movimento Passe Livre, médicos, pescadores e marisqueiros faziam protesto em frente ao hotel Othon Palace, inclusive com interdição da Avenida Oceânica.

Duas confusões aconteceram, mas nenhuma relacionada às manifestações. Um grupo do MST foi impedido de entrar porque estava sem credenciamento. Houve empurra-empurra e os seguranças não conseguiram contê-los.

No outro episódio, Daniele Ferreira, da União Nacional de Estudantes (UNE), acusou seguranças de racismo. Acompanhada por dois negros, ela reclamou da revista feita nos rapazes. Segundo ela, foram os únicos revistados.


Bahia 247

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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

"Globo quer derrubar Dilma", alerta PHA



ENTREVISTA


O jornalista e blogueiro Paulo Henrique Amorim (PHA), da Rede Record e do blog Conversa Afiada, concedeu entrevista ao site Panorama Mercantil, mais uma vez alertando para as manobras da grande imprensa que visam derrubar a presidenta Dilma Rousseff.

"Liberdade de expressão – que é outra coisa, mais ampla, mais profunda – só na blogosfera."

"A imprensa brasileira é sofrível."

"A Globo quer derrubá-la [Dilma], como ajudou a matar Vargas e a derrubar Jango. Só não derrubou o Lula porque foi mais esperto que ela."



                        
“A Globo quer derrubar Dilma Rousseff” 

Paulo Henrique Amorim - Apresentador do programa Domingo Espetacular e fundador do blog Conversa Afiada


Panorama Mercantil - O senhor é um dos jornalistas mais experientes do país, conhecendo bem o funcionamento de vários veículos de comunicação do Brasil. Com essa bagagem toda, pode afirmar que existe liberdade de imprensa ou isso é uma grande utopia?

Paulo Henrique Amorim - É uma utopia. A liberdade de imprensa é dos donos da imprensa. Liberdade de expressão – que é outra coisa, mais ampla, mais profunda – só na blogosfera.


Panorama - Como enxerga o jornalismo que é feito por aqui comparando com outras nações como por exemplo a Argentina, que muitos consideram ter uma imprensa mais qualificada e diversificada do que a nossa?

Amorim - A imprensa brasileira é sofrível. É a pior das “jovens democracias”, como a Argentina, Portugal, Espanha. Só no Brasil ainda tem “coluna social” ilustrada e em nenhum outro lugar do mundo há mais colunas do que reportagens, como aqui.

Panorama - Todo mundo sabe que a obsessão do líder da Igreja Universal Edir Macedo é fazer a Rede Record ser a emissora número um do país. O senhor é uma das estrelas da emissora, acha que isso será possível enquanto tempo, já que a Globo ainda é líder com uma margem considerável mesmo perdendo muito da sua audiência nos últimos tempos?

Amorim A Globo é um tigre de papel (expressão antiga da cultura chinesa, muito usada pelo líder chinês Mao Tsé-tung para qualificar o seu rival Chiang Kai-shek. Seria algo que parece ameaçador mas que na verdade é inofensivo). Especialmente o seu jornalismo.

Panorama - O deputado Federal do PT pelo estado de Pernambuco, Fernando Ferro, criou a sigla PIG (Partido da Imprensa Golpista), que o senhor popularizou. Claramente quem são os membros do PIG, e eles hoje são a verdadeira oposição política do país?

Amorim - As Organizações Globo, a revista Veja, que chamo de "detrito sólido de maré baixa" [!!!], e os jornais Estadão e Folha de S. Paulo. E seus penduricalhos – portais na internet, revistas, rádios etc. Sim, eles são uma parte importante da oposição.

Panorama - O senhor afirmou em setembro de 2007 que a absolvição do senador alagoano Renan Calheiros foi a maior derrota da imprensa brasileira depois da reeleição do presidente Lula. Continua com a mesma opinião? E se continua, nos explique por que chegou a tal conclusão?

Amorim - Porque, como agora, em janeiro de 2013, o PIG quer destruir o Renan, pelo fato de ele ser da base da presidenta Dilma Rousseff. Quando era Ministro da Justiça do FHC, Renan era um santinho do pau oco.

Panorama - Quando alguns dizem que o senhor é um jornalista vendido, ou melhor, um jornalista governista, não fica ofendido com isso?

Amorim - Quem disse isso foi processado (o ex-colunista polêmico da revista Veja Diogo Mainardi), me deve R$ 300 mil e fugiu para a Itália.

Panorama - Por que o senhor acredita que grande parte da imprensa tenta desqualificar o ex-presidente Lula, mesmo ele tendo sido reeleito e saído da presidência com uma aprovação popular elevadíssima?

Amorim - Por preconceito racial e de classe. Porque ele é de origem pobre e nordestino – duas circunstâncias que põem fogo no rabo dos “liberais” brasileiros.

Panorama - O senhor acredita que uma parte da imprensa boicotou o livro ‘A Privataria Tucana’, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., para não prejudicar o então candidato a prefeitura de São Paulo, José Serra?

Amorim - Sim. O Cerra, Padim Pade Cerra (aqui trocando o S pelo C como faz intencionalmente em seu blog), devido à sua tardia conversão à Fé, tem o melhor PIG do Brasil. Ele pode fazer qualquer coisa – inclusive chefiar o clã Privateiro – que o PIG perdoa.

Panorama - Dilma Rousseff foi derrotada pela Globo?

Amorim - Ela e o Lula ganharam. Mas, se ficarem quietos, ela pode vir a ser derrubada. A Globo quer derrubá-la, como ajudou a matar Vargas e a derrubar Jango. Só não derrubou o Lula porque foi mais esperto que ela.

Panorama - Qual a real força de um colunista de um veículo impresso atualmente perante aos leitores depois da popularização da internet e sobretudo dos blogs, como o famoso e reconhecido Conversa Afiada que lhe pertence?

Amorim - Os colonistas (não se refere a cólon. Mas a jornalistas que se prestam ao serviço de serem piores que os patrões, como diz o fundador da revista Carta Capital Mino Carta) do PIG fazem a agenda política. Imprensam o Congresso Nacional contra a parede e amedrontam o Governo. Não ajudam a ganhar eleição, mas ajudam a dar o Golpe.

Panorama - Muita gente diz que a qualidade editorial na era digital piorou, acredita que isso é um fato?

Amorim - Piorar em relação à imprensa escrita é impossível.

Panorama - Muitos jornalistas que já entrevistamos nos dizem que a revista Veja é desonesta. Se ela é isso, porque continua sendo o farol da classe média, e a revista mais vendida do Brasil?

Amorim A Veja fala a língua de uma facção pré-fascista da classe média brasileira, especialmente a de São Paulo. Eles se entendem. Com a provisória interrupção das atividades do trio sertanejo Caneta-Cachoeira-Demóstenes, a Veja caiu muito – na visão desses Falangistas.

Panorama - Sabemos que foram muitas, mas nos fale de uma matéria em especial que o fez pensar: “Puxa, valeu escolher a profissão de jornalista”?

Amorim - A que eu vou fazer amanhã.


Panorama Mercantil, com adaptações.

Destaques do ABC!

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