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sábado, 19 de julho de 2014

Fernando Haddad: chegou a vez da cidade


CIDADANIA




Aprovado o Plano de Desenvolvimento Estratégico de São Paulo. Sai a especulação imobiliária. Entra a cidade para seus moradores.

Simples assim.



Um desenho para São Paulo



FERNANDO HADDAD*


O mercado imobiliário, que sempre elegeu o bairro da vez, é chamado a participar de um processo em que a vez é da cidade



São Paulo aprovou o mais ousado e inovador Plano Diretor Estratégico (PDE) de sua história. Pelos próximos 16 anos, conviveremos com diretrizes urbanísticas que reorientam o desenvolvimento da cidade na direção do equilíbrio socioambiental e econômico.

Desde o Renascimento, as cidades ocidentais bem-sucedidas se organizam pelo alargamento da sua dimensão pública. O encontro das pessoas para a produção de mercadorias e serviços, de cultura ou de ciência, essência da vida urbana, depende disso. Na contramão, desde Prestes Maia, a cidade de São Paulo vem sendo privatizada, ou seja, negada enquanto cidade.

A começar por sua superfície. O solo de São Paulo é privado. As ruas pertencem aos carros. As calçadas são adaptadas para que automóveis tenham acesso às garagens. Os térreos dos prédios são vestíbulos desérticos que separam os moradores das ruas ameaçadoras.

A terra nua não dá lugar a parques ou equipamentos públicos, mas é tratada como estoque especulativo de riqueza.

Tudo muda com o PDE. O solo é tornado público. As ruas dão lugar ao transporte público e às bikes por meio de faixas exclusivas e ciclovias. As calçadas terão largura mínima nos novos empreendimentos para atender aos pedestres. Os térreos ganharão vida com a ativação das fachadas e comércio de rua.


O subsolo muda com a inversão de prioridades: em vez de número mínimo de vagas de garagens, o PDE impõe número máximo.

O "sobressolo" ou solo criado é integralmente municipalizado. Os proprietários fundiários terão direito a construir o equivalente a apenas uma vez a área do terreno.

Para atingir o potencial construtivo máximo de duas vezes no miolo dos bairros (que são preservados), ou quatro vezes nos eixos de transporte público (que são adensados), os empreendedores terão de adquirir esse potencial adicional mediante o pagamento de outorga à municipalidade. Com isso, a especulação imobiliária perde sentido, e a cidade se apropria da chamada mais-valia fundiária.

A outorga paga compõe um fundo de desenvolvimento urbano. De seus recursos, 30% serão destinados à moradia popular e outros 30% ao transporte público, mediante ampliação da capacidade de suporte.

A área destinada à produção de moradia popular é duplicada, com a demarcação de novas Zonas de Interesse Social (Zeis), e são definidos alinhamentos viários que garantam recuos destinados ao transporte público, ciclovias e calçadas largas.

Como o adensamento é induzido a deixar o miolo dos bairros para os eixos estruturantes, as avenidas radiais ganham nova função. Passam a ser vetores de deslocamento do desenvolvimento no sentido centro-bairro(s). A geração de empregos e oportunidades econômicas assumirão uma distribuição mais linear e centrífuga, rompendo os muros que separam centro e periferia. Avenidas perimetrais como Jacu-Pêssego e Cupecê ganharão importância.

O mercado imobiliário, que sempre elegeu o bairro da vez, com as consequências conhecidas, é chamado a participar de um processo em que a vez é da cidade. A visão de empreendimento privado como enclave dará lugar à produção de vida urbana com equilíbrio econômico e socioambiental.

Por fim e não menos importante: os rios. O PDE se reapropria das margens dos rios e define o conjunto de arcos que dará lugar a uma nova São Paulo: os arcos Tietê, Pinheiros, Jurubatuba e Tamanduateí.

É no Arco do Futuro que ocorrerá a maior transformação de São Paulo. Delineá-la é a próxima tarefa. As diretrizes estão dadas.


* FERNANDO HADDAD, 51, advogado, mestre em economia, doutor em filosofia e professor licenciado da USP, é prefeito de São Paulo pelo PT. Foi ministro da Educação (governos Lula e Dilma Rousseff).



FSP Online


Destaque do ABC!

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quarta-feira, 16 de julho de 2014

Copa 2014: Brasil é sucesso mundial


COPA DAS COPAS



The New York Times: 

"A torcida foi colorida, barulhenta e comportada e os jogos variaram de entretenimento a absolutamente brilhante, tudo devorado pelo público recorde na televisão e nas mídias sociais".



segunda-feira, 14 de julho de 2014

Copa 2014: Seleção perde; Brasil conquista o mundo


COPA DAS COPAS


" (...) o Brasil conquistou o mundo ao organizar a melhor Copa da Fifa de todos os tempos, segundo a opinião unânime da imprensa internacional, e a seleção brasileira pentacampeã mundial perdeu o respeito de quem ama o futebol.

Dentro de campo, assistimos a jogos fantásticos, uma chuva de gols, defesas espetaculares, emoção do começo ao fim das disputas, uma festa permanente nos estádios lotados, um bilhão de pessoas no mundo todo assistindo a esta maravilhosa ópera do futebol. A grande decepção ficou por conta da seleção brasileira, tão endeusada por nossa imprensa antes do evento começar. Deu vergonha. 

Fora de campo, não só tudo funcionou perfeitamente, do acesso aos estádios aos aeroportos, da segurança aos serviços públicos, bem ao contrário das previsões catastrofistas desta mesma imprensa, como fomos capazes de promover uma grande confraternização universal, que o mundo todo curtiu e aplaudiu durante um mês. Deu orgulho."





Brasil conquista o mundo e seleção perde o respeito


Resumo da ópera: o Brasil conquistou o mundo ao organizar a melhor Copa da Fifa de todos os tempos, segundo a opinião unânime da imprensa internacional, e a seleção brasileira pentacampeã mundial perdeu o respeito de quem ama o futebol.

A derrota por 3 a 0 para a Holanda neste sábado serviu apenas para mostrar que os 7 a 1 que a Alemanha meteu nos meninos de Felipão, quatro dias antes, não foi um acidente de percurso, um "apagão", como quis demonstrar com planilhas a indigente comissão técnica formada pela CBF sob o comando de um provecto senhor chamado José Maria Marin, de triste memória.

Escrevo antes da final entre Alemanha e Argentina, no Maracanã, e de ler o noticiário do dia porque, qualquer que seja o resultado, a Copa no Brasil para mim já terminou e agora não adianta chorar o leite derramado.

Foram, na verdade, duas Copas do Mundo, bem distintas para nós.

Dentro de campo, assistimos a jogos fantásticos, uma chuva de gols, defesas espetaculares, emoção do começo ao fim das disputas, uma festa permanente nos estádios lotados, um bilhão de pessoas no mundo todo assistindo a esta maravilhosa ópera do futebol. A grande decepção ficou por conta da seleção brasileira, tão endeusada por nossa imprensa antes do evento começar. Deu vergonha.

Fora de campo, não só tudo funcionou perfeitamente, do acesso aos estádios aos aeroportos, da segurança aos serviços públicos, bem ao contrário das previsões catastrofistas desta mesma imprensa, como fomos capazes de promover uma grande confraternização universal, que o mundo todo curtiu e aplaudiu durante um mês. Deu orgulho.


Com estes sentimentos contrastantes, somos obrigados a reconhecer: foi uma grande vitória da presidente Dilma Rousseff, que soube segurar o peão a unha e entregou o que o governo brasileiro prometeu, superando todas as expectativas.

E representou, mais uma vez, a derrota da turma do contra liderada pela grande mídia familiar, incapaz de aceitar até agora que errou feio, antes e durante a copa, passando do terrorismo ao oba-oba, e terminando no chororô de forma melancólica, sem ter em nenhum momento apontado as causas da decadência estrutural do futebol brasileiro, entregue aos que com o esporte apenas querem faturar, faturar, faturar.

Uma rara exceção na nossa imprensa do pensamento único, que é preciso registrar: "O Brasil do eu acredito _ Na grande tragédia da seleção brasileira nesta Copa do Mundo não há inocentes, nem mesmo a torcida", de Eliane Brum, texto definitivo publicado na "Folha de S. Paulo", sexta-feira, dia 11 de julho.

Desta forma, tanto faz Felipão ficar ou se aposentar, se os que mandam continuam os mesmos, sobrevivem os mesmos interesses legais ou escusos, os campos de várzea acabaram e não há projetos nem privados nem públicos para a formação de novos jogadores, como a Alemanha vem fazendo há muitos anos com dedicação e competência.

Por isso, vou torcer daqui a pouco para a Alemanha, que hoje está jogando o melhor futebol do mundo, e também porque veio de lá a minha família materna, que merece este título por tudo o que fez, dentro e fora do campo, na inesquecível Copa no Brasil.

Tinha planejado uma feijoada para este domingo da grande final, mas já que não chegamos lá, vou reunir a família em torno de um belo almoço alemão. Gostaria de convidar todos vocês a esquecer a tristeza pelas acachapantes derrotas que sofremos nos últimos dias e comemorar a grande conquista do povo brasileiro que, com sua hospitalidade e alegria, conquistou o mundo.

A festa acabou, vida que segue.



R7

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Destaques

domingo, 13 de julho de 2014

Dilma: "Fizemos a Copa das Copas"


Em carta à Seleção Brasileira, a Presidenta Dilma Rousseff afirma que as lições trazidas pela derrota poderão ser aproveitadas para melhorar o futebol brasileiro e que o Brasil realizou a Copa das Copas.



A carta na íntegra


Queridos jogadores e querida Comissão Técnica,

Vocês – e o futebol brasileiro – são maiores do que quaisquer resultados passageiros.

O que permanecerá mais forte no coração do nosso povo serão os momentos de alegria que vocês nos proporcionaram nesta Copa e que, seguramente, irão nos garantir em Copas futuras.

Principalmente porque todos nós, sem exceção, saberemos aproveitar as lições de agora para melhorar ainda mais o nosso futebol, dentro e fora dos estádios.

É assim que vamos ampliar a história de sucesso da nossa seleção.

Nós, brasileiros, não levamos a Taça, mas fizemos a Copa das Copas.

Sem vocês, isso jamais seria possível.

Recebam nosso carinho e nosso sincero agradecimento,



Dilma Rousseff

Presidenta da República

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Dilma fala do 7 a 1, das vaias da elite branca e do seu governo


COPA DAS COPAS



sexta-feira, 11 de julho de 2014

Copa 2014: O ódio aos argentinos, o complexo de vira-lata e a eleição de Dilma


COPA DAS COPAS



Mistério argentino


Implicância com Seleção Argentina tem origem no complexo de vira-lata, que substituiu Fuleco como mascote da Copa

Falando com clareza: uma das provas definitivas de subdesenvolvimento mental consiste em torcer contra a Argentina na final de domingo.

Toda pessoa tem seu gosto e sua preferência. Os povos têm sua identidade, sua história e sua cultura, que uns podem admirar ou não.

É claro, é legítimo torcer a favor da Alemanha, também.

Mas se é para procurar motivos para implicar com um país...

Eu me pergunto pela motivação interna, profunda, de quem diz que "não gosta dos argentinos". Seria uma forma de racismo?

A implicância de uma parte de brasileiros com a Argentina tem sua origem num velho conhecido da Copa das Copas. Ele mesmo, o complexo de vira-lata.

Deixando de lado, por um minuto, o 7 a 1, o único fracasso da Copa das Copas de 2014 foi o mascote Fuleco. O verdadeiro bichinho de estimação é o vira-lata.

Embora o Brasil tenha um PIB infinitamente maior do que o da Argentina, e ocupe um lugar no Continente de liderança não mais questionada, etc. etc. etc., os argentinos provocam um sentimento de insegurança e inferioridade que acompanha muitos brasileiros.

Estes ficam felizes quando o vizinho enfrenta dificuldades. Dizem bem-feito até para a cobiça de fundos abutres que ameaçam derrubar a economia do país e até atingir o Brasil e outras partes do mundo.

Vira-latas têm raiva de espelhos que ajudam a mostrar algumas de suas verdades e preferem olhar-se em imagens que confirmam seus enganos e confortos.

Estamos falando de um vizinho que em certos aspectos ajuda a lembrar nosso próprio atraso, o que poderia ser útil para debater a formação dos dois países, mas nem sempre é agradável. Reformas sociais que o Brasil sequer alcançou nos dias de hoje são uma conquista histórica dos argentinos. Os índices de educação são infinitamente superiores. O país é menos desigual.

Embora boa parte de sua riqueza tenha sido dizimada por delírios liberais iniciados na ditadura de 1976 e prolongados quando o governo Carlos Menén estabeleceu relações carnais com o império americano, entrando numa fase de regressão em vários setores, o país não deixou de acumular novidades que mexem com a estima – já baixa – de quem precisa da desgraça alheia para ter certeza de que tudo vai bem em casa.

Os argentinos acumularam quatro Prêmios Nobel. Também fizeram um papa. Brasil é zero nestes quesitos. Tem gente que se sente menor por isso. Pode?

Claro que pode. Essa é a esperança de quem sonha em transformar uma vitória argentina, domingo, numa derrota brasileira.

Após a derrota fora do campo, pela Copa das Copas, bem sucedida até para investigar mafiosos dos ingressos, o que nunca se fez em nenhuma outra Copa, nem na da Alemanha, o que se quer é estimular baixos instintos para ganhar votos em outubro.

Honestamente... nem o mais pessimista iria imaginar um programa de campanha tão rasteiro. Enquanto se estimula de todas as formas uma rejeição contra os argentinos, se torce secretamente pela vitória de Messi & seus companheiros na esperança de prejudicar Dilma Rousseff.

É com este tipo de debate político que a oposição quer chegar ao Planalto? Deve ser.

Não custa lembrar que a rivalidade entre brasileiros x argentinos (e vice-versa) tem origem externa. Interessados desde o século XIX em dividir para reinar na América do Sul, Estados Unidos e Inglaterra sempre trabalharam para estimular competições inúteis e conflitos desnecessários, jogando uns contra os outros para que a melhor parte do butim ficasse com os outros.

Um dos ganhos da democratização ocorrida nas últimas décadas foi a descoberta de que os dois maiores países da América do Sul só têm a ganhar quando se aproximam. Suas economias se complementam, os mercados têm escala e atraem investimentos. Muitos empregos brasileiros dependem de compras feitas do outro lado da fronteira. A recíproca também é verdadeira.

Viajando ao país por todos os meios a seu alcance, hospedando-se em todas as alternativas de seu bolso, as centenas de milhares de argentinos ajudaram a escrever algumas das mais belas páginas desta Copa que termina. E é preciso muito – mas muito – complexo de vira-lata para não perceber a importância de tudo isso.


ISTOÉ

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quarta-feira, 9 de julho de 2014

Copa 2014: Seleção toma uma surra, mas Brasil vence fora do campo


COPA DAS COPAS



"Eis que, novamente, os abutres sobrevoam a carniça nacional. Tentam, agora, transformar o fiasco de um time de futebol mal convocado, mal treinado e mal escalado por seu treinador num vexame nacional. Mas o que aconteceu ontem no Mineirão nada tem a ver com a capacidade brasileira de organizar grandes eventos, com os destinos da nação e muito menos com as eleições presidenciais de outubro. Foi apenas um jogo, onde quem se preparou melhor e, por isso, jogou melhor, venceu. Nada mais justo e merecido."





Tragédia mesmo seria perder fora de campo

LEONARDO ATTUCH



O que aconteceu ontem no Mineirão foi apenas um jogo de futebol, onde quem se preparou melhor e jogou melhor venceu. Apenas isso

Eis que, novamente, os abutres sobrevoam a carniça nacional. Tentam, agora, transformar o fiasco de um time de futebol mal convocado, mal treinado e mal escalado por seu treinador num vexame nacional. Mas o que aconteceu ontem no Mineirão nada tem a ver com a capacidade brasileira de organizar grandes eventos, com os destinos da nação e muito menos com as eleições presidenciais de outubro. Foi apenas um jogo, onde quem se preparou melhor e, por isso, jogou melhor, venceu. Nada mais justo e merecido.

Tragédia real mesmo seria perder o jogo fora de campo. E nada disso aconteceu. A Copa do Mundo, sim, merece ser chamada de #copadascopas, porque, a despeito de todas as previsões catastróficas desses mesmos abutres, tudo funcionou a contento. Vários aeroportos foram reformados, as arenas encantaram o mundo e o nível técnico, salvo o da seleção brasileira, foi, talvez, o melhor desde a Copa de 1970. Os estrangeiros que aqui vieram se encantaram com a alegria do povo brasileiro, com a hospitalidade dos voluntários e também com a organização do evento. Certamente, a grande maioria está disposta a voltar. Nunca, em toda sua história, o Brasil obteve tanta propaganda positiva como durante o Mundial, um período em que até jogadores alemães como Schweinsteiger e Podolski se renderam ao fascínio brasileiro, postando mensagens favoráveis em suas redes sociais.

A derrota nos gramados, no entanto, deveria servir para algumas reflexões e autocríticas. A começar pelo próprio jornalismo. Antes da Copa, dizia-se que o Brasil chegava mal preparado fora de campo, mas com uma ótima seleção. O que se viu foi o contrário. Do lado de fora, as coisas funcionaram, mas o jogo da seleção foi sofrível. Basta recordar como foram os jogos. Contra a Croácia, o Brasil precisou de um pênalti inexistente para desempatar. Contra o México, teve menos tempo de posse de bola e não saiu do zero a zero. Na vez de Camarões, o Brasil goleou, mas enfrentou um adversário já desclassificado. No primeiro mata-mata, o Chile só não venceu porque se acovardou, tentando levar a decisão para os pênaltis. Apenas no primeiro tempo contra a Colômbia, houve algum lampejo de futebol. Quando chegou a vez da tricampeã Alemanha, menosprezada pelo Brasil (!!!), a realidade se impôs de forma dura, porém pedagógica.

Assim como erraram antes da Copa, ao dizer, iludidos que estavam com a vitória na Copa das Confederações, que a seleção chegava bem preparada para o Mundial, os cronistas esportivos erram novamente ao demandar uma guinada de 180 graus no futebol brasileiro, como se tudo aqui estivesse errado. O Brasil ainda é um dos maiores celeiros de craques do mundo e tem agora, com suas novas arenas, totais condições de trazer de volta os torcedores e suas famílias aos estádios. Com uma preparação consistente, ou seja, trabalho, a seleção terá plenas condições de conquistar novos títulos.

E nem mesmo à Confederação Brasileira de Futebol deve ser debitado o fracasso da seleção. Eleito para um mandato tampão após a tormentosa saída de Ricardo Teixeira, o presidente José Maria Marin buscou o caminho mais seguro, ao apostar no técnico Felipão. Pentacampeão em 2002, ele parecia ser, de fato, o nome mais propício para inspirar confiança na equipe e também na própria sociedade brasileira, que cobra resultados de sua seleção como se disso dependesse sua autoestima. Se tivesse sido derrotado com Mano Menezes, por exemplo, Marin seria criticado por não apostar num técnico experiente. Agora, com um horizonte de quatro anos pela frente até o Mundial da Rússia, o novo presidente da CBF, Marco Polo del Nero, terá o tempo e a tranquilidade necessárias para organizar uma boa equipe.

Erros graves mesmo foram os de Felipão. Um técnico que não se reciclou, que chamou jogadores desconhecidos dos brasileiros e não foi capaz sequer de dar uma chance a Éverton Ribeiro, meia cruzeirense, que, nos últimos anos, tem sido o melhor jogador do Brasileirão, atuando na melhor equipe do País. Apostar em Fred e ter no banco Jô era, realmente, flertar com a tragédia. Escalar Ramires, Fernandinho e William, deixando Hernanes no banco, também parece ilógico.

Mas o grande erro mesmo foi a pressão psicológica imposta à equipe. Antes mesmo da Copa, o assistente Carlos Alberto Parreira afirmou que o Brasil era favorito absoluto, adotando o discurso "ganhar ou ganhar". Mais prudente teria sido dizer que a seleção passava por uma renovação e que os jogadores dariam o melhor de si. Apenas isso. Colocar sob os ombros de jovens de vinte e poucos anos a responsabilidade de apagar o "Maracanazo de 1950", do qual ninguém mais, salvo os cronistas esportivos, se recordam, foi outro equívoco.

Toda essa pressão psicológica se refletiu em campo, seja no choro antes dos pênaltis contra o Chile, nas lágrimas de Julio Cesar após defendê-los, no hino cantado agarradinho, na camisa de Neymar segurada por David Luiz no Mineirão e no apagão sofrido contra os alemães, que talvez nem tenha sido um apagão, mas o próprio retrato da realidade. Nos últimos quatro anos, os alemães se prepararam para chegar onde chegaram. O Brasil acreditou que poderia vencer no embalo. Perdeu dentro de campo, mas venceu fora dele. E é isso que deve dar orgulho ao povo brasileiro nesta #copadascopas.



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