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domingo, 9 de novembro de 2014

O Bolsa Família e as "divindades togadas"


O JUDICIÁRIO NOSSO DE CADA DIA



Desembargadora que criticou Dilma defendia Bolsa-Família. Família dela, no Tribunal

Fernando Brito


O Judiciário brasileiro é um espanto.

Depois do juiz da carteirada, agora surge a desembargadora da árvore genealógica.

Justamente a Excelentíssima Doutora Elizabeth Carvalho, presidenta do TRE de Alagoas, aquela que despiu a toga e foi às redes sociais se dizer decepcionada com “as pessoas esclarecidas” que “esqueceram de si mesmas e dos seus filhos e dos seus irmãos” e votaram em Dilma Rousseff.

A ínclita magistrada, fico sabendo pelo Twitter, não esquece de si mesma, dos seus filhos, dos seus irmãos e nem dos cunhados e primos.

Em 2006, quando finalmente o Judiciário proibiu o nepotismo, a Doutora Elizabeth lamentou pelos DEZ parentes que empregava no Tribunal de Justiça das Alagoas.

“Eu tenho dez pessoas nessa situação. Então vou tirar pessoas da minha família, que são pessoas da minha confiança e colocarei pessoas amigas, mas que sejam dignas e honestas porque, evidentemente, que inimigo é que eu não vou colocar”, disse ela a Globo.com, àquela altura.

Eu, francamente, não estou decepcionado, não sei porque…

A “divindade” judicial, como foi evidente na condenação da agente que foi condenada por dizer que um deles “não era Deus” ao ser parado numa blitz, parece ser um fenômeno se não generalizado, ao menos bem frequente.

O exemplo, infelizmente, veio de cima.

Em lugar do magistrado austero, silencioso e recatado, desde a atuação de figuras como Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa no Supremo, grosseria, espalhafato e prepotência passaram a ser glorificados como sinais de poder para os juízes pela mídia.

Em lugar de reputações sólidas, construídas com trajetórias de coerência, discrição e saber jurídico, há muitos procurando seus quinze minutos de fama.

Talvez porque não tenham aprendido, apesar dos latinismos que usam, o que é “sic transit gloria mundi”.




Destaque do ABC!

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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Dilma: "Nossa luta é a dos construtores do futuro"


ELEIÇÕES 2014





Trechos do discurso da vitória no primeiro turno


Quero agradecer a presença de todos, a essa hora, desse domingo, mas é um momento especial pra todos nós. Mais uma vez o povo brasileiro me honrou em dar essa vitória nesse primeiro turno.

Minhas primeiras palavras ao celebrar essa vitória, são antes de tudo, de agradecimento, porque a gente tem a obrigação de agradecer aqueles eleitores anônimos que saíram de casa e registraram seu voto. Deles, eu recebo um recado simples: de que eu devo continuar na luta pra mudar ainda mais o Brasil.

Falando em luta, quero saudar a militância guerreira do meu partido e dos partidos aliados. Quero agradecer meu querido amigo e líder, o presidente Lula. Sem o presidente Lula eu não teria realizado meu sonho de fazer um Brasil melhor.

A luta continua. E a luta será mais uma vez gloriosa, porque é a luta da maioria do povo brasileiro. Essa luta é a luta dos construtores de futuro. Que não deixarão jamais o Brasil voltar pra trás.

Quero dizer pra vocês que entendi completamente os recados das ruas. O povo brasileiro anseia por mais avanços. É uma responsabilidade que nós que defendemos esse projeto temos que assumir perante a história.

Eu sou a primeira pessoa a querer mais. A querer fazer sempre mais. Meu compromisso é que a vida de cada brasileiro e brasileira melhore cada vez mais.

O meu governo tem um fundamento moral, baseado em dois valores: o primeiro é igualdade de oportunidades e o outro o combate à corrupção.

E tenho certeza, certeza absoluta, que temos que fazer a reforma política. Essa é a reforma das reformas. O primeiro passo é mobilizar a população num plebiscito popular.

O povo brasileiro vai dizer no dia 26/10 que não quer os fantasmas do passado. Teremos novamente uma disputa com o PSDB que, no passado, governou para 1/3 da população.

Jamais promoveram políticas sociais inclusivas. Não fizeram isso quando puderam. O PSDB, que sucateou as universidades federais, elitizando-as.

O PSDB, que no passado não defendeu aposentados, e, com o perdão da palavra, eles chamavam de vagabundos.

O povo brasileiro não quer de volta aqueles que trouxeram o racionamento de energia. Aqueles que envolveram nossas empresas em privatização, como Petrobras, Banco do Brasil e Furnas.

Se junte a nós nessa caminhada que já começou!

Conclamo, antes de tudo, vocês que melhoraram de vida nos últimos 12 anos, venham se juntar a nós. Para mantermos e ampliarmos as conquistas desses 12 anos.

É um orgulho para todos nós que as eleições tenham ocorrido bem.

Vamos lutar, porque a luta é o modo do Brasil avançar. Precisamos de vocês!



Vídeo do discurso 





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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Lula e Dilma: muito além do Bolsa Família


CIDADANIA




Dilma é Lula e Lula é Dilma


Força de Lula e Dilma no interior está longe de ser só o “Bolsa Família”


Fernando Brito


Brizola contava, volta e meia, seu diálogo com o líder da independência de Moçambique, Samora Machel, quando perguntou-lhe quantos eram, afinal, os moçambicanos, já que havia incerteza quanto à população do país.

Machel disse-lhe: bem, os das cidades sabemos. Os outros são como os elefantes: só os vemos quando saem da selva.

O Brasil das metrópoles – imenso – não conhece mais o Brasil das pequenas cidades, dos sertões e matas, que é imenso também.

Tornaram-se escondidos e seguiam esquecidos.

A ausência do poder público federal – nas grandes cidades, município e estado suprem, em parte, este vácuo – deixou-os fora do processo de modernização da vida do país.

Os governos Lula e Dilma impulsionaram as parcerias diretas com os mais de 5.500 municípios brasileiros.


90% deles têm menos de 50 mil habitantes e, somados, reúnem um terço da população brasileira.

Em entrevista publicada hoje [ontem] no Estadão, o cientista político Vitor Marchetti diz que é um erro atribuir a popularidade de ambos, nas pequenas cidades – os famosos “grotões” – ao Bolsa Família.

Para ele, é “pouco verdadeiro atribuir ao Bolsa Família o avanço que o PT teve em regiões mais pobres, em municípios pequenos e médios do interior do País.”

- O que tem impacto eleitoral é um conjunto de políticas públicas que começaram a ser adotadas no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que são focadas em regiões onde a presença do Estado sempre foi muito fraca, como o Norte e o Nordeste do País. Falam do Bolsa Família mas esquecem do Luz Para Todos, que leva energia elétrica para o sertão nordestino, para as regiões mais esquecidas da região Norte. Esse programa é um exemplo do movimento que intensificou a presença do governo federal nas regiões mais carentes. O fenômeno político importante a ser analisado no momento é esse: o gigantesco aumento das parcerias do governo federal feitas diretamente com os municípios. Isso aconteceu porque os municípios tinham assumido várias prerrogativas que não tinham condições de cumprir. (…) Os municípios assumiram a responsabilidade, entre outras coisas, pela construção de creches e os serviços básicos de saúde. Mas eles não têm condições para isso. O que o Lula fez, então? Intensificou as alianças do governo federal com os municípios. O repasse direto de recursos federais para eles, nas áreas da saúde e educação, aumentou muito. Quase todos os municípios estão construindo creches atualmente, mas quem verificar com atenção a origem dos recursos irá constatar, quase invariavelmente, que provêm de algum programa específico do governo federal para o setor. Eles revelam o quanto o governo federal pegou atalhos para se tornar mais presente na vida do cidadão, no seu cotidiano. Isso aconteceu principalmente em municípios do Norte e Nordeste.

O Brasil “invisível” começou a ser visto, e é isto que o conservadorismo brasileiro não vê.

Num país com a nossa extensão e complexidade, o Governo Federal não pode ser apenas o gestor da macropolítica ou da macroeconomia, como querem os tecnocratas, e mero repassador de recursos para os municípios.

Tem de fazê-lo, mas, ao mesmo tempo, tem de ser o indutor da aplicação destes recursos, direcionando-os de forma exclusiva, com contrapartidas administrativas e direcionamento de projetos.

O “Mais Médicos” é um dos muitos exemplos de programas operacionalizados pelas prefeituras, com recursos federais, e regras definidas.

Do contrário, a simples descentralização de recursos e da administração será, como sempre foi, um mero processo de cooptação de chefes políticos locais.


Tijolaço

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