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domingo, 9 de novembro de 2014

O Bolsa Família e as "divindades togadas"


O JUDICIÁRIO NOSSO DE CADA DIA



Desembargadora que criticou Dilma defendia Bolsa-Família. Família dela, no Tribunal

Fernando Brito


O Judiciário brasileiro é um espanto.

Depois do juiz da carteirada, agora surge a desembargadora da árvore genealógica.

Justamente a Excelentíssima Doutora Elizabeth Carvalho, presidenta do TRE de Alagoas, aquela que despiu a toga e foi às redes sociais se dizer decepcionada com “as pessoas esclarecidas” que “esqueceram de si mesmas e dos seus filhos e dos seus irmãos” e votaram em Dilma Rousseff.

A ínclita magistrada, fico sabendo pelo Twitter, não esquece de si mesma, dos seus filhos, dos seus irmãos e nem dos cunhados e primos.

Em 2006, quando finalmente o Judiciário proibiu o nepotismo, a Doutora Elizabeth lamentou pelos DEZ parentes que empregava no Tribunal de Justiça das Alagoas.

“Eu tenho dez pessoas nessa situação. Então vou tirar pessoas da minha família, que são pessoas da minha confiança e colocarei pessoas amigas, mas que sejam dignas e honestas porque, evidentemente, que inimigo é que eu não vou colocar”, disse ela a Globo.com, àquela altura.

Eu, francamente, não estou decepcionado, não sei porque…

A “divindade” judicial, como foi evidente na condenação da agente que foi condenada por dizer que um deles “não era Deus” ao ser parado numa blitz, parece ser um fenômeno se não generalizado, ao menos bem frequente.

O exemplo, infelizmente, veio de cima.

Em lugar do magistrado austero, silencioso e recatado, desde a atuação de figuras como Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa no Supremo, grosseria, espalhafato e prepotência passaram a ser glorificados como sinais de poder para os juízes pela mídia.

Em lugar de reputações sólidas, construídas com trajetórias de coerência, discrição e saber jurídico, há muitos procurando seus quinze minutos de fama.

Talvez porque não tenham aprendido, apesar dos latinismos que usam, o que é “sic transit gloria mundi”.




Destaque do ABC!

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domingo, 2 de novembro de 2014

Os babacas da Paulista e a Nova Dilma


GOVERNO NOVO, IDEIAS NOVAS




No Tijolaço:    


Babacas pedem golpe, espertos exigem lucro e o Brasil quer governo



Fernando Brito



Logo após as eleições escrevi um post com o título “Nós perdemos, mas exigimos ganhar, entende?”, onde procurava demonstrar que os grupos dominantes brasileiros, embora tenham sofrido uma derrota eleitoral, querem impor ao novo governo sua própria pauta.

Não se enganem com os mil ou dois mil babacas que fizeram, ontem, a patética manifestação do “perdi e não brinco mais de democracia”.
Eles são o que são, apenas uns babacas com quem a vida foi e é gentil e que respondem a isso com intolerância e brutalidade.

O importante é entender em que caldo de cultura brotam estes cogumelos e que forças os adubam, e com que fins.

Para que insuflar dúzia e meia de ressentidos, agressivos e autoritários?

Simples, como simples foi o que fizeram com as senhoras carolas das “Marchas com Deus pela Família e pela Liberdade”, com que acusavam um tolerante e pacífico fazendeiro, João Goulart, de pretender implantar o comunismo e o confisco generalizado de bens.

Porque ganham dinheiro com isso.

Muito, e afinal é isso o que querem.

Querem, por acaso, uma governante mais austera e “pão-dura” com os gastos públicos desnecessários?

Procurem por aí e terão imensa dificuldade, impossibilidade até, de encontrar alguém que tenha mais este perfil que Dilma.

Ou um Presidente mais avesso às composições de interesses dos políticos?

Novamente não acharão.

Não, o que querem é apenas uma governante fraca, débil, incapaz de implementar um programa econômico que não seja integralmente o seu.

Nem mesmo um golpe militar, como aquele em que nossas Forças Armadas amarraram a vaca do Estado para que os grupos econômicos a ordenhassem.

Sabem que isso não sobrevive no mundo moderno, onde não há – exceto dos babacas da Avenida Paulista – o medo ao “comunismo ateu e apátrida” com que justificaram o autoritarismo de há 50 anos.

E, como não há fundamentalistas islâmicos disponíveis no Brasil para usarem como sucedâneos dos “russos de Moscou”, não há na praça quem possam usar, senão a genérica categoria dos “corruptos”, à qual se agarram. Como fazia-se os papagaios repetirem a única palavra que seus cérebros minúsculos poderiam reter.

A história só se repete como farsa.

Estão enganados os que, amanhã, quando começa de fato seu segundo governo, esperam encontrar uma Dilma dócil por assustada.

Tão enganados quanto os que esperam uma Dilma agressiva por desespero.

Dilma fará gestos de boa-vontade inequívocos em relação aos agentes econômicos e à deplorável realidade do nosso sistema parlamentar.

Mas a “nova Dilma” que começa a se mostrar amanhã será bem diferente da primeira.

Vai apelar à serenidade, à normalidade, mas não vai oferecer tibieza em troca.

Dilma viveu décadas neste ano de campanha.

Entendeu, com profundidade, a diferença em ser a administradora dura, exigente e austera – o que sempre foi e seguirá a ser – e ser uma líder política que simboliza desejos, sentimentos e aspirações sociais.

É isso o que alguns, ao exigirem que ela tenha uma agressividade que não pode ter – porque a marca da agressividade e da intolerância, afinal, é a marca e o estigma de seus adversários – não compreendem.

Podem crer que ninguém será mais dura com os erros que, no primeiro mandato, cometeu - ao achar que intenções, esforços e resultados bastariam para suprir a polêmica política – do que ela própria.

Mas sabe que, de imediato, o povo brasileiro quer o final da campanha eleitoral, que a direita e a mídia tentam prolongar, com suas patéticas manifestações, e o início do Governo que elegeu.

É pensando nisso – e no que é necessário para que isso aconteça – que Dilma chega hoje a Brasília, para a “posse informal” de seu segundo governo.

Que começa amanhã mesmo.

Um governo novo, com ideias novas.


Destaques do ABC!

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terça-feira, 14 de outubro de 2014

Mangabeira Unger: Por que votar em Dilma?


ELEIÇÕES 2014: GOLPE EM ANDAMENTO



Como já foi dito aqui, não estamos vivendo um processo eleitoral normal, democrático, mas um verdadeiro golpe branco para retomada do poder pelas forças mais retrógradas e sinistras que já arrebentaram com este País ao longo de anos, aglutinando setores ultraconservadores e reacionários da grande mídia, Judiciário e outras instituições, tentando interferir na vontade popular, disseminando mentiras e calúnias, criando um clima de terror econômico, fabricado artificialmente por mentes insanas, sem qualquer escrúpulo, e historicamente desprovidas de compromisso com o Brasil, com o Povo Brasileiro e com o Estado Democrático de Direito.

É preciso, sim, mobilização geral das forças progressistas da sociedade, num combate diário e duro contra a direita raivosa, que novamente mostra suas garras. 

E divulgação ampla dos programas de governo e histórias de vida de ambos os candidatos.

Quem sempre esteve do lado de endinheirados, quem votou contra aumento de salário mínimo, quem pisoteou professores em Minas, quem amordaçou a imprensa mineira e quem construiu aeroporto em fazenda da família com dinheiro público, estaria, agora, "regenerado"?


Por que votar em Dilma?

Roberto Mangabeira Unger, filósofo e professor universitário


O povo brasileiro escolherá em 26 de outubro entre dois caminhos.

As duas candidaturas compartilham três compromissos fundamentais, além do compromisso maior com a democracia: estabilidade macroeconômica, inclusão social e combate à corrupção. Diferem na maneira de entender os fins e os meios. Diz-se que a candidatura Aécio privilegia estabilidade macroeconômica sobre inclusão social e que a candidatura Dilma faz o inverso. Esta leitura trivializa a diferença.

Duas circunstâncias definem o quadro em que se dá o embate. A primeira circunstância é o esgotamento do modelo de crescimento econômico no país. Este modelo está baseado em dois pilares: a ampliação de acesso aos bens de consumo em massa e a produção e exportação de bens agropecuários e minerais, pouco transformados. Os dois pilares estão ligados: a popularização do consumo foi facilitada pela apreciação cambial, por sua vez possibilitada pela alta no preço daqueles bens. Tomo por dado que o Brasil não pode mais avançar deste jeito.

A segunda circunstância é a exigência, por milhões que alcançaram padrões mais altos de consumo, de serviços públicos necessários a uma vida decente e fecunda. Quantidade não basta; exige-se qualidade.

As duas circunstâncias estão ligadas reciprocamente. Sem crescimento econômico, fica difícil prover serviços públicos de qualidade. Sem capacitar as pessoas, por meio do acesso a bens públicos, fica difícil organizar novo padrão de crescimento.

O país tem de escolher entre duas maneiras de reagir. Descrevo-as sumariamente interpretando as mensagens abafadas pelos ruídos da campanha. Ficará claro onde está o interesse das maiorias. O contraste que traço é complicado demais para servir de arma eleitoral. Não importa: a democracia ensina o cidadão a perceber quem está do lado de quem.

1. Crescimento econômico. Realismo fiscal e manutenção do sacrifício consequente são pontos compartilhados pelas duas propostas. Aécio: Ganhar a confiança dos investidores nacionais e estrangeiros. Restringir subsídios. Encolher o Estado. Só trará o crescimento de volta quando houver nova onda de dinheiro fácil no mundo. Dilma: Induzir queda dos juros e do câmbio, contra os interesses dos financistas e rentistas, sem, contudo, render-se ao populismo cambial. Usar o investimento público para abrir caminho ao investimento privado em época de desconfiança e endividamento. Apostar mais no efeito do investimento sobre a demanda do que no efeito da demanda sobre o investimento.

Construir canais para canalizar a poupança de longo prazo ao investimento de longo prazo. Fortalecer o poder estratégico do Estado para ampliar o acesso das pequenas e médias empresas às práticas, às tecnologias e aos conhecimentos avançados. Dar primazia aos interesses da produção e do trabalho. Se há parte do Brasil onde este compromisso deve calar fundo, é São Paulo.

2. Capital e trabalho. Aécio: Flexibilizar as relações de trabalho para tornar mais fácil demitir e contratar. Dilma: Criar regime jurídico para proteger a maioria precarizada, cada vez mais em situações de trabalho temporário ou terceirizado. Imprensado entre economias de trabalho barato e economias de produtividade alta, o Brasil precisa sair por escalada de produtividade. Não prosperará como uma China com menos gente.

3. Serviços públicos. Aécio: Focar o investimento em serviços públicos nos mais pobres e obrigar a classe média, em nome da justiça e da eficiência, a arcar com parte do que ela custa ao Estado. Dilma: Insistir na universalidade dos serviços, sobretudo de educação e saúde, e fazer com que os trabalhadores e a classe média se juntem na defesa deles. Na saúde, fazer do SUS uma rede de especialistas e de especialidades, não apenas de serviço básico. E impedir que a minoria que está nos planos seja subsidiada pela maioria que está no SUS. Na segurança, unir as polícias entre si e com as comunidades. Crime desaba com presença policial e organização comunitária. A partir daí, encontrar maneiras para engajar a população, junto do Estado, na qualificação dos serviços de saúde, educação e segurança.

4. Educação. Aécio: Adotar práticas empresariais para melhorar, pouco a pouco, o desempenho das escolas, medido pelas provas internacionais, com o objetivo de formar força de trabalho mais capaz. Dilma: A onda da universalização do ensino terá de ser seguida pela onda da qualificação. Acesso e qualidade só valem juntos. Prática empresarial, porém, tem horizonte curto e não resolve. Os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia indicam o caminho: substituir decoreba por ensino analítico. E juntar o ensino geral ao ensino profissionalizante em vez de separá-los. Construir, do fundamental ao superior, escolas de referência. A partir delas, trabalhar com Estados e municípios para mudar a maneira de aprender e ensinar.

5. Política regional. Aécio: Política para região atrasada é resquício do nacional-desenvolvimentismo. Tudo o que se pode fazer é conceder incentivos às regiões atrasadas. Dilma: Política regional é onde a nova estratégia nacional de desenvolvimento toca o chão. Não é para compensar o atraso; é para construir vanguardas. Projeto de empreendedorismo emergente para o Nordeste e de desenvolvimento sustentável para a Amazônia representam experimentos com o futuro nacional.

6. Política exterior. Aécio: Conduzir política exterior de resultados, quer dizer, de vantagem comerciais. E evitar brigar com quem manda. Dilma: Unir a América do Sul. Lutar para tornar a ordem mundial de segurança e de comércio mais hospitaleira às alternativas de desenvolvimento nacional. E, num movimento em sentido contrário, entender-nos com os EUA, inclusive porque temos interesse comum em nos resguardar contra o poderio crescente da China. Política exterior é ramo da política, não do comércio. Poder conta mais do que dinheiro.

7. Forças Armadas.
Aécio: O Brasil não precisa armar-se porque não tem inimigos. Só precisa deixar os militares contentes e calmos. Dilma: O Brasil tem de armar-se para abrir seu caminho e poder dizer não. Não queremos viver em um mundo onde os beligerantes estão armados e os meigos indefesos.

8. O público e o privado. Aécio: Independência do Banco Central e das agências reguladoras assegura previsibilidade aos investidores e despolitiza a política econômica. Dilma: A maneira de desprivatizar o Estado não é colocar o poder em mãos de tecnocratas que frequentam os grandes negócios. É construir carreiras de Estado para substituir a maior parte dos cargos de indicação política. E recusar-se a alienar aos comissários do capital o poder democrático para decidir.

Aécio propõe seguir o figurino que os países ricos do Atlântico Norte nos recomendam, porém nunca seguiram. Nenhum grande país se construiu seguindo cartilha semelhante. Certamente não os EUA, o país com que mais nos parecemos. Ainda bem que o candidato tem estilo conciliador para abrandar a aspereza da operação.

Dilma terá, para honrar sua mensagem e cumprir sua tarefa, de renovar sua equipe e sua prática, rompendo a camisa de força do presidencialismo de coalizão. E o Brasil terá de aprender a reorganizar instituições em vez de apenas redirecionar dinheiro. Ainda bem que a candidata tem espírito de luta, para poder aceitar pouco e enfrentar muito.

Estão em jogo nossa magia, nosso sonho e nossa tragédia. Nossa magia é a vitalidade assombrosa e anárquica do país. Nosso sonho é ver a vitalidade casada com a doçura. Nossa tragédia é a negação de instrumentos e oportunidades a milhões de compatriotas, condenados a viver vidas pequenas e humilhantes. Que em 26 de outubro o povo brasileiro, inconformado com nossa tragédia e fiel a nosso sonho, escolha o rumo audacioso da rebeldia nacional e afirme a grandeza do Brasil.


Destaques do ABC!

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sábado, 6 de setembro de 2014

"Delação Premiada" atinge PSB, Eduardo Campos e Marina Silva, claro!


"NOVA POLÍTICA"




A que posa de "Imaculada", a que nunca sabe de nada, a que diz uma coisa hoje e outra amanhã, aquela que muda de ideia como quem troca de roupa, diz, obviamente, que tudo é "ilação", na relação de nomes de políticos fornecida pelo ex-diretor da Petrobras à Polícia Federal, em "delação premiada", vazada parcialmente ontem pela revista Veja. A lista incluiu o ex-governador Eduardo Campos (PSB), falecido recentemente em acidente aéreo.

A Polícia Federal, claro, vai pedir comprovações. Não basta, há 30 dias das eleições, sair proferindo nomes e sujando reputações. Mas essa grana da propina viria bem a calhar para comprar "jatinhos" sem dono, sem contrato de compra e venda, sem seguro, sem se saber de onde vieram os milhões de reais para a vultosa aquisição. 

Por enquanto, só vazaram nomes ligados ao PT, PP e PMDB, base aliada da Presidenta Dilma, claro! E o PSB, DEM e PSDB? Só "anjos"?

Vazamento seletivo.

Em investigações sigilosas, pode-se vazar nomes???

E que estória é essa da Veja ter informações que o Supremo Tribunal Federal ainda vai receber???!!!

E a mídia golpista está só de esguelha, procurando um jeito de botar Dilma no imbróglio...

Mas o Fernando Brito nos mostra abaixo que a Presidenta Dilma já queria botar pra correr da Petrobras o tal do Costa, desde o começo do seu governo!!!


Leia mais no TIJOLAÇO:



Delação de Costa é batata “quentíssima” para o PSB, para Marina e para a mídia

Fernando Brito




Os jornais estão cheios de dedos diante deste escândalo provocado pela estranhíssima “delação premiada” de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras.

Porque a ninguém mais ela atinge em cheio que a Eduardo Campos, tão próximo e devedor de Costa que este chegou a arrolá-lo como testemunha de defesa, do que só desistiu após complexas negociações – imagine-se quais – entre os advogados de ambos, segundo testemunha o insuspeito Lauro Jardim, na Veja.

Não é delírio imaginar que Costa, ao ver que não seria defendido pelo governo Dilma, tenha se voltado para pressionar Campos, tanto que o juiz do caso, Sérgio Moro, estranhou seu arrolamento como testemunha de defesa e tentou bloquear sua convocação, da qual o ex-diretor “desistiu” provisoriamente.

Muito menos que tenha sido a morte de Campos – e, com isso, o desaparecimento daquele que Costa havia apontado como seu defensor – que tenha levado o ex-diretor a negociar o possível em sua situação desesperadora.

Além das relações pessoais entre ambos, há as com o PSB – o candidato a senador em Pernambuco, Fernando Bezerra, tem um irmão, cunhada e sobrinho na lista de Alberto Youseff – e com os dirigentes do PP e com Sérgio Cabral, aliados de Aécio.

De todos, inclusive os petistas, é Dilma Roussef quem tem uma prova, fornecida por seus próprios adversários, como se lê na revista Época na edição da penúltima semana de março: "A presidente Dilma Rousseff, que não gostava de Costa, tentava derrubá-lo desde o começo de seu governo. Encontrava resistências de todos os políticos, mesmo, indiretamente, de Lula. Conseguiu apeá-lo apenas em 2012, para desespero da base aliada."

É muito difícil tratar de política quando as coisas começam a se inscrever no Código Penal, porque tudo toma a forma do que não é.

E você passa a contar apenas com raciocínio e intuição, para ver sinais estranhos no ar, como o que este blog destacou aqui, há uma semana, quando começavam os depoimentos de Costa: “Merval pede que não abandonem Aécio. Avisa que algo pode “abalar Marina”.
Será Paulo Roberto Costa o segundo jatinho de Campos, do qual a providência – como ela própria diz – não terá como desembarcar?

Isso pode destruir a ascensão de Marina sem, porém, ter força para ressuscitar Aécio, e este temor fica claro no “conselho” que o mesmo Merval dá a Aécio hoje, com uma comparação – será? – entre a lista de Costa e o caso Lunus, que derrubou Roseana Sarney:

Aécio estaria fazendo o mesmo esforço inútil que o tucano José Serra fez em 2002, destruindo, com sucesso, as candidaturas de Roseana Sarney e Ciro Gomes, para depois ser derrotado por Lula no segundo turno. Há no entorno do PSDB quem defenda uma “renúncia branca” de Aécio, que deveria se dedicar mais à eleição de Minas para garantir seu cacife político.


Destaques do ABC!

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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Programa de Governo de Marina: um verdadeiro "bundalelê"


ELEIÇÕES 2014




Vêm aí mais emendas no Programa de Governo de Marina Silva, aquele que tem diversos trechos copiados de programas do Lula, do PNDH do FHC  e outros textos oficiais, sem oferecer créditos aos autores.

Agora é o pessoal do agronegócio, que sempre foi execrado pela "Velha Marina", que quer (exige?): o fim da desapropriação de terras improdutivas, criado não pelos "comunistas do PT", mas pelo regime militar, e depois revisado no governo FHC.

Alguém acredita que quem mudou de lado, abandonando as origens, as lutas dos povos da floresta, vive de trololó com Neca Setúbal (Itaú), se aliou a outros banqueiros e sistema financeiro e baixa a cabeça pro Silas Malafaia, dando uma banana pro movimento LGBT, vai falar grosso com fazendeiros e empresários do agronegócio?

Esse programa marinista de governo é uma colcha de retalhos, está mais pra uma zoada, um "bundalelê", em que todo mundo põe a mão, mete a colher, faz o que quer... como bem observou o jornalista Fernando Brito.




Blablárina, rindo do Povo Brasileiro, achando 
que somos 202 milhões de otários...



No TIJOLAÇO:



Lá vem outra “emenda” no programa de Marina. Agora, o latifúndio “é de Deus”


Fernando Brito



Excelente a matéria do repórter Roldão Arruda, do Estadão, sobre as águas profundas da passagem de Marina Silva pela Expointer, ontem, no Rio Grande do Sul.

Agora, segundo ele, é a definição de índice de produtividade dos latifúndios, para fins de desapropriação de terras ociosas, que passou a ficar “pendente de revisão” no programa marinista.

Marina anunciou - junto dos outros pontos “já falecidos”, como a união homoafetiva – que iria revisar estes índices, que datam dos anos 70, quando a tecnologia agrícola engatinhava.

E ontem, o agronegócio exigiu que Marina passe a foice na promessa.

Aliás, querem mesmo é que se “avance” para o fim da desapropriação de terras improdutivas. Dizem que “o mercado” resolve isso sozinho:

- Viu que o produtor rural, quando fica com a produtividade abaixo da média, quebra. É o mercado que desapropria. Não precisa de um índice especial. Tem índice para fábrica? Cinema? Restaurante? Não. Porque numa economia liberal, competitiva, quem não for produtivo, quebra.”

Quem fala é o ex-ministro Roberto Rodrigues, que conseguiu que Lula não fizesse a revisão e agora, com Marina, percebe a chance de sepultar de vez a ideia de desapropriar terras. Sim, porque cinema e restaurante quem quiser e puder abre um até nos fundos do quintal. Terra é uma só.

O curioso é que estes índices não são uma perigosa invenção dos comunistas ou do MST. Foram fixados pelo governo militar e a lei tem hoje a forma que tomou em 1993, em pleno neoliberalismo.

O “programa” de Marina virou um “bunda-lelê”, como naquela música do Latino: todo mundo põe a mão, dos pastores aos latifundiários.



Tijolaço

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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

PSB e Quadrilha do Jatinho zombam do País


CASO DE POLÍCIA




Código Eleitoral? Não!

Código Penal.



No Tijolaço:


Quadrilha do jatinho e PSB zombam do país com “contrato papel de pão”



Fernando Brito






A Folha revela hoje o que é, aos olhos até de um adolescente, uma fraude.

O “contrato” de compra do Cessna que servia à campanha de Eduardo Campos e Marina Silva é, obviamente, uma falsificação primária.

Um contrato de mais de R$ 20 milhões se resume a uma “carta de intenção” apócrifa, porque traz uma assinatura de “alguém” (ou de ninguém) que sequer se identifica.

Não é preciso mais que os dois fragmentos exibidos pelo jornal para que se veja que é uma montagem, onde uma pessoa física (“me proponho”, sic) não identificada manifesta a “intenção de compra” do avião.

Bastou isso para “levar” um aparelho de US$ 8,5 milhões de dólares e passar a empregá-lo nos deslocamentos de Eduardo Campos e Marina Silva pelo país.

Detalhe sórdido da falsificação: a “validade” da ” intenção de compra” é o mesmo dia em que se a assina.

Portanto, não haveria “intenção de compra”, mas compra.

Os advogados ouvidos pela Folha classificam o documento de “papel de pão”, algo sem validade jurídica.

Não seria preciso ouvir advogados, basta imaginar se você entregaria um automóvel apenas com um papel assim.

Não é um “papel de pão”, porém, é um documento forjado.

Ou forjado depois do acidente, na esperança de dar “cobertura” a um negócio escuso ou, forjado na ocasião, para dar formalidade a uma transação onde o nome do verdadeiro comprador não poderia aparecer.

Estamos diante de uma quadrilha, que não apenas age para violar as leis – eleitorais, comerciais e fiscais – como se associa para encobrir aos olhos da Justiça este crime.

A Folha, certamente, está “guardando” para novas matérias os detalhes desta carta “de más intenções” que revela hoje.

Já não é o caso de pedir, como determina o Procurador Geral da República, os documentos desta transação.

É o de apreendê-los, porque se tratam, evidentemente, de provas de crimes.


O de obter e incorporar a uma campanha política um bem de mais de 20 milhões, de uma empresa que, em recuperação judicial, agiu em fraude aos seus credores.

E o de quem, simulando esta compra e sustentando diante da opinião pública desculpas e justificativas pueris, está fraudando a formação de consciência de todo um país.

Se não o fizerem, estarão deixando 203 milhões de brasileiros serem vítimas de um estelionato sem comparação em um país democrático.

O PSB tem 24 horas, prazo de sua segunda prestação de contas parcial, para declarar e comprovar a origem do avião.

E para decidir se vai se associar – a si como partido e à sua candidata – a crimes que vão além do Código Eleitoral.

Que são, inapelavelmente, do Código Penal.



Tijolaço


Destaques do ABC!

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sábado, 30 de agosto de 2014

Salvadora da Pátria, Marina Silva é o "Collor de Saias"


GOLPE EM ANDAMENTO - O BRASIL À BEIRA DO ABISMO



O analfabeto político, conceito criado pelo poeta e dramaturgo alemão Bertolt Brecht (leiam!), se orgulha de não gostar de política e, não gostando, se vangloria de não participar da vida política de seu país, ignorando que o emprego, o salário, o aluguel, os juros do cartão, os preços na feira e no supermercado, a criminalidade, a prostituição, as drogas e demais questões da vida em sociedade são determinados pela política e políticos, por aqueles que estão no poder.

Mas o analfabeto político brasileiro de nossos tempos vai além. Não só desconhece que Tudo é Política e que não se chega ao "Fim da Política" por decreto de aventureiros e obscurantistas, como ignora também a história recente do País: Fernando Collor de Mello, o "Caçador de Marajás", incensado e alçado ao poder por esta mesma mídia elitista e apátrida, que nos últimos anos vem armando todo tipo de golpe para derrubar o governo trabalhista e popular de Lula e Dilma, tentando tachá-lo de "governo de corruptos e ladrões" e ocultando todos os avanços conquistados.

Uma tentativa malograda se deu com o ministro Joaquim Barbosa, o "Nosso Batman", endeusado pela grande mídia e chamado até pela revista Veja, em reportagem de capa, no auge do julgamento do Mensalão, de "O Menino Pobre que Mudou o Brasil". 

Agora os cidadãos politizados e as cabeças pensantes estão estarrecidas. Do nada, verdadeiramente do nada de um "blablablá" sem qualquer consistência, aliada ao que há de mais retrógrado e obtuso na sociedade, surge a nova Salvadora da Pátria: Marina Silva, o "Collor de Saias".

Não ficará pedra sobre pedra.



Há um novo Collor na praça



Fernando Brito, Tijolaço


Há menos de um ano, Marina Silva não conseguia reunir meio milhão de assinaturas para formar sua Rede Sustentabilidade.

Hoje, diz o Datafolha, ela teria 100 vezes mais pessoas – 51 milhões de brasileiros – dispostos a entregar-lhe não o comando de um partido, mas o comando de suas vidas e seu destino.

Mesmo que a gente já saiba que pode haver aí alguma “bonificação” das pesquisas, é um fato concreto que ela é a candidata de uma parcela expres
siva de brasileiros.
A ilusão de que não há um fato real turbinado no irrealismo estatístico das pesquisas é um erro que só nos leva à confusão e à perda da capacidade de combate.

Os números podem ser irreais, o que importa? É apenas parte da máquina de propaganda que já se enfrentou e sabia-se que não seria diferente agora.

O projeto de Brasil justo e desenvolvido está, de fato, em perigo.

O que produziu isso?

A resposta é a mais simples possível, evidente a todos: a mídia.

Nada se parece mais com Marina Silva que a eleição de Fernando Collor de Mello.

É um factóide destinado a produzir um único efeito: derrotar Dilma e Lula, como Collor destinava-se apenas a derrotar Brizola e o próprio Lula em 1989.

Só que agora, para derrotar o projeto nacional-desenvolvimentista que ambos representam.

O que era Collor, senão um político local transformado pela mídia em “caçador de marajás”, tanto quanto a “nova política” diz ser a negação dos vícios da democracia brasileira, não importa que reproduzindo e empolgando tudo o que há de mais retrógrado neste país que, sem cerimônia, migra de Aécio Neves para ela?

É um cogumelo – que brotou mais rapidamente, é verdade, porque a mídia, na esteira de uma tragédia, a transformou, em 15 dias, em tudo o que ela não é – mas também algo sem densidade, sem projeto, sem nada que seja a sua imagem de mulher autoritária, sempre capaz de projetar-se como não-política, embora o seja há 20 anos, e uma moralista.

Marina ainda pode ser evitada, mas não com uma campanha insossa e “propositiva”.

Marina não propõe coisa alguma senão o que já propunha Aécio Neves, sem o mínimo sucesso.

Seu trunfo é, além da exposição nauseante na mídia, a despolitização do país.


Despolitização que boa parte do PT ajudou a se construir.

O Datafolha solidifica o que já está claro para todos.

Marina é a candidata da direita e a sua penetração na juventude e na classe média emergente é fruto de uma visão limitada de que o progresso social, sem polêmica, sem debate, é o bastante para fazer vitorioso um projeto político.

Só há um discurso correto para enfrentá-la: é dizer claramente ao povo brasileiro que ela é a negação deste progresso.

Que, por detrás de sua figura frágil, estão as forças que fizeram tudo o que este país procurou vencer nestes 12 anos.

Mas o PT e o Governo comportam-se de forma tímida e covarde diante disso.

Tornaram-se “pragmáticos” e não reagem com a coragem que a hora exige.

Parece que há um temor reverencial que, no máximo, permite-lhes dizer que é inexperiente.

Pode não ser experiente em administração, embora o mais correto seja dizer que nisso é desastrosa.

Mas Marina não é inexperiente, porque há uma década constrói um processo pessoal de poder, pulando de galho em galho e não hesitando em conspirar contra tudo que a tornou uma personagem conhecida.

É preciso dizer claramente ao povo brasileiro o que sua candidatura significa, ainda que isso possa não ser o mais “simpático” eleitoralmente.

Que ela é a candidata das elites que Aécio Neves não conseguiu ser e que suas poucas propostas em nada diferem das do tucanato em ocaso: liberdade total ao capital financeiro, destruição da “era Vargas” que Lula representou, ruína do projeto nacional.

O povo brasileiro não a identifica com isso, até porque ninguém o diz.

Porque a construção da Marina candidata é feita de vazio e não se derrota o vazio sem conteúdo.

Não é desaparecendo ou calando que vamos contribuir para que o povo brasileiro compreenda o que está em jogo.


Nem tratando Marina Silva como uma “pobre coitada” a quem faltaria capacidade.

Ela a tem, sobretudo a de se emprestar às piores causas sob o discurso da moralidade.

Quem não tiver coragem de enfrentar o que ela representa, não merece representar algo diferente.

Destaques do ABC!

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Sininho e Sheherazade: musas da direita mais reacionária


OPINIÃO


Sininho não é Che Guevara, é a Sheherazade esquerdóide. E a direita gosta.



Fernando Brito




“Num país que ostenta incríveis níveis de pobreza, onde os direitos da população são frequentemente esquecidos e que sofre de uma politicagem endêmica, a atitude dos depredadores é até compreensível”.

A frase acima, há de concordar o estimado leitor e a arguta leitora, é absolutamente compatível com o que diria qualquer “blackbloquista”, destes que admitem como legítimo o exercício da violência em manifestações, antes ditas populares e agora restritas a quantidades dignas de seitas.

Esta frase, no entanto, é apenas uma versão que fiz da declaração da apresentadora Rachel Sheherazade, ao defender o bárbaro espancamento de um rapaz negro por um grupo de jovens imbecis no Flamengo, tempos atrás.

Disse ela, ipsis litteris:

“Num país que ostenta incríveis 26 assassinatos a cada 100 mil habitantes, arquiva mais de 80% de inquéritos de homicídio e sofre de violência endêmica, a atitude dos ‘vingadores’ é até compreensível”.


Assim como não defendo o vandalismo, nem o linchamento de ninguém, muito menos de Sininho ou Sheherazade, porque não sou um imbecil justiceiro, também não concordo com o movimento de “vitimização” de pessoas sobre as quais há fortes indícios que tenham planejado atos que vão além de qualquer “tática de autodefesa”, como preparar coquetéis molotov ou levar galões de gasolina para pretender incendiar próprios públicos.

Elisa Quadros e Sheherazade, uma em cada hemisfério, são adeptas do exercício arbitrário das próprias razões, que acreditam legítimas.

Já levei algumas borrachadas de PM e funguei com gás lacrimogênio, o suficiente para não gostar absolutamente nada dos que, em minha juventude, chamávamos de “samangos”. A princípio, claro, na militância já os despersonalizamos para um genérico “repressão”.

E, perdoem-me as senhoras da sala, polícia é foda, desde que o mundo é mundo.

A diferença é que, hoje, a regra é poder se manifestar. Os abusos, brutalidades e selvageria policiais, diante de manifestações pacíficas, seriam, agora, o que estaríamos discutindo se e como punir.

Mas, não.

Estamos discutindo os “musos e musas” de manifestações que, por interesses políticos – e por conta, também, de tal selvageria policial – foram, a princípio, glamourizados pela mídia.

Caetano ganhou capa de jornal com máscara preta.

Boechat defendeu os quebra-quebras.

Jabor os saudou como mais que os “carapintadas”.

Agora, os garotos e nem tão garotos, abandonados pelo sistema conservador que os viu como ferramenta de desestabilização do governo - muito mais como porta-vozes de anseios por educação, saúde, dignidade que não deram ao povo em seu secular domínio do Brasil – estão aí, largados ao chão como laranja espremida, da qual não pode ser tirado mais caldo algum e que, portanto, merecem ser lixo.

Pessoas não são lixo, não importa o que tenham feito.

Seja o garoto que roubou um cordão ou a mocinha que planejou um pueril e irresponsável incêndio.

Como também não são heróis, nem ele da distribuição da riqueza, nem ela com a fogueira “revolucionária”.

Houve uma confusão imensa entre direito de manifestação e direito de provocação e quem saiu cambeta disso foi a liberdade de as pessoas se expressarem.

Hoje, para o bem e para o mal, manifestação tem de ser feita em meio a cordões policiais.

O que, ainda que fossem todos frades capuchinhos – e estão a léguas disso – já é um constrangimento e um elemento de afastamento das pessoas.

Mas têm de estar ali, porque já se adotou como norma que, numa manifestação qualquer, meia-dúzia tem o direito de quebrar, vandalizar, incendiar.

Como escreveu um amigo: “os caras fazem bombas, quebram lojas, bancos, orelhões, pontos de ônibus – que são usados por trabalhadores para ir e voltar do trabalho todo dia! – e aí quando a força policial vai contra eles isso é perseguição política?”

A esquerda não é isso.

Sobretudo porque, divergindo de um governo social-democrata “manso e silente”, como tantas vezes nos irrita que este seja, jamais serve de combustível à máquina de propaganda de uma direita que os insuflou e que, agora, ainda tenta tratá-los como criminosos de alta periculosidade, o que não são.

São brotos tortos e deformados do lodo político a que vem sendo levado este país, lama formada por uma política que apodreceu.

O conservadorismo reage como fera às mudanças que isso precisa sofrer, numa reforma que não é possível acontecer dentro das estruturas parlamentares convencionais, parte da podridão.

Só um movimento extraordinário – mas dentro da regra suprema da democracia, o voto – pode fazê-la.

Mas não há nada que deixe mais histérica a direita do que a ideia de uma constituinte exclusiva para reforma política e de um plebiscito para legitimá-la.

Porque isso, ao contrário das vidraças quebradas e dos “ativistas queimados” é que muda a vida brasileira.

Quanto aos meninos, meninas e aos nem tanto assim, não precisam de solidariedade política, porque esta não merecem, pelo mal que fizeram ao direito político de livre manifestação.

Precisam de um julgamento justo, sem manipulações ou situações forjadas e, se culpados, de penas que não os brutalizem.

Porque, do contrário, seremos como a Sininho ou a Sheherazade, donos absolutos e intransigentes de verdades inquestionáveis e mais preocupados em linchar os divergentes do que em consertar e avançar coletivamente.

Quando um país deixa de olhar o futuro e de discutir como chegar a ele e passa a viver exclusivamente da manchete do jornal de hoje, perde o rumo como quem anda de bicicleta olhando para o chão apenas.

E quando um país perde o rumo, é parte de sua juventude, que ainda não conhece tanto as pedras do caminho, a primeira a bater com a cabeça.



Tijolaço

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sexta-feira, 30 de maio de 2014

Joaquim Barbosa: deus do ódio e da intolerância


OPINIÃO



"Joaquim Barbosa virou, sim, herói.

Herói dos homens pequenos, cuja ideia de Justiça é a da imposição de sua vontade e de humilhação do diferente, do divergente, em lugar de, ainda assim, respeitar a sua honra, o seu direito, a sua condição de humano e, por isso, igual. (...)

E o furor de construir-se assim, o deus dos intolerantes, afinal, acabou por levá-lo ao melancólico isolamento com que se encerra sua carreira na Suprema Corte."


A saída de Joaquim Barbosa preenche uma lacuna no Judiciário brasileiro

Fernando Brito


A anunciada saída do Ministro Joaquim Barbosa pode ser um alívio, mas não é uma alegria para quem deseja que o Judiciário brasileiro evolua para a plenitude institucional de uma Corte a quem cabe, sobretudo, guardar o respeito à Constituição.

Não é uma alegria porque a sua presença no cargo de presidente do Supremo Tribunal Federal poderia ser, enfim, a afirmação da diversidade étnica deste país tão marcado pelo preconceito e pelas injustiças com nossos irmãos negros.

Não é uma alegria porque Joaquim Barbosa, por todas as dificuldades que lhe deu sua origem humilde, poderia também mostrar que as oportunidades da educação podem transformar em iguais aqueles que vêm de famílias pobres, trabalhadoras e sacrificadas em nome do desejo de educar seus filhos.

Não é uma alegria, sobretudo, porque sua cátedra no STF, em lugar de ser o júbilo geral por alguém que carregava em si o látego que se abateu – e que se abate, figurativamente – sobre negros e pobres deste país demonstrasse a grandeza de ser firme com suavidade, diferente sem teatralidades, humano e generoso sem fraqueza, tornou-se, essencialmente, um retrato do ódio e da intolerância.

A magistratura exige – e a mais alta magistratura, sempre e muito mais – exige discrição, exige tolerância, exige ponderação e quantas vezes isso faltou ao Dr. Joaquim.

Não se quer dele ou de qualquer outro a infalibilidade, a perfeição, uma condição sobre-humana.

Ao contrário, foi ele quem sempre procurou mostrar-se assim, agradado de comparações com a figura de um “Batman”, vingador, justiceiro.
Joaquim Barbosa virou, sim, herói.

Herói dos homens pequenos, cuja ideia de Justiça é a da imposição de sua vontade e de humilhação do diferente, do divergente, em lugar de, ainda assim, respeitar a sua honra, o seu direito, a sua condição de humano e, por isso, igual.


O Dr. Barbosa não hesitava, inclusive, em tentar desmoralizar publicamente todo aquele com quem discordava.

E o furor de construir-se assim, o deus dos intolerantes, afinal, acabou por levá-lo ao melancólico isolamento com que se encerra sua carreira na Suprema Corte.

Mesmo os que lhe aplaudem, por conveniência política, em voz baixa o tem na conta de um homem sem equilíbrio.


Ou do homem mau, como disse dele o jurista Celso Bandeira de Mello.


Sai, assim, sem deixar alegrias, mas provocando alívio.

Porque restaura um mínimo de equilíbrio na Corte Suprema brasileira, a quem ele publicamente desonrou ao, derrotado, atribuir-lhe uma intenção subalterna de uma “sanha reformadora” de uma “maioria de ocasião”.

Barbosa não percebeu que a toga deve ter o condão de reduzir o homem e ampliar a alma de quem a enverga.



Tijolaço


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segunda-feira, 26 de maio de 2014

A Copa do Mundo e a estupidez humana


VAI TER COPA



"Por que será que no Brasil, terra da jabuticaba, um movimento por melhores salários do magistério se expõe a aventuras como essa de hostilizar os jogadores da Seleção em sua apresentação na Granja Comary? (...)

É claro, por exemplo, que o ex-jogador Ronaldo combinou com Aécio Neves a divulgação de seu apoio eleitoral, logo depois de chamar a atenção da mídia dizendo que tinha vergonha do Brasil.

Até fevereiro, dizia que a “Copa é um grande negócio para o país”. (...)


Está ficando evidente para todo o povão que a Copa, primeiro, e a Seleção, agora, estão sendo exploradas com finalidades eleitorais.



Como se tornar um estúpido


Fernando Brito


Em qualquer parte do mundo, qualquer movimento político ou sindical quer o apoio da sociedade.

Por que será que no Brasil, terra da jabuticaba, um movimento por melhores salários do magistério se expõe a aventuras como essa de hostilizar os jogadores da Seleção em sua apresentação na Granja Comary?

Diz a Folha que “no local havia aproximadamente 200 pessoas entre manifestantes do Sindicato Estadual dos Professores do Rio e militantes do PSTU, e do PSDB e torcedores, segundo a polícia. Eles entoam cânticos e exibem faixas contra a realização da Copa do Mundo no Brasil. “Brasil vamos acordar, professor ganha menos do que o Neymar”, era um dos cânticos.”

Por isso tomei emprestado o título do ótimo livro de Martin Page (recomendo a quem quiser ótima literatura moderna) para definir o que essa turma está fazendo.

Tirante os coxinhas inveterados e os tucanos empedernidos, não há um cidadão que olhe com gosto um time de futebol nacional ser engolfado pela política.

E, curiosamente, não é o Governo quem está fazendo isso.

É claro, por exemplo, que o ex-jogador Ronaldo combinou com Aécio Neves a divulgação de seu apoio eleitoral, logo depois de chamar a atenção da mídia dizendo que tinha vergonha do Brasil.

Até fevereiro, dizia que a “Copa é um grande negócio para o país”.


Fez muito bem a polícia de controlar, sem violência, o grupo levado pela estranha aliança PSTU-PSDB e anarquistas tipo “black-bloc” ao local. Então podem ir para a porta do ônibus da seleção gritar e se recusar a ir à audiência de negociação convocada pelo STF, que mediou o acordo no ano passado?

Está ficando evidente para todo o povão que a Copa, primeiro, e a Seleção, agora, estão sendo exploradas com finalidades eleitorais.

E também não é preciso ser gênio para saber que este tipo de atitude tem consequências terríveis para quem o faz.


Tijolaço

Destaques do ABC!

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sábado, 19 de abril de 2014

Mídia golpista para Dilma: "Apanhe quieta! E agradeça!"


Essa mídia golpista!... 


Parece uma quadrilha que a blogueira conhece. Rouba, frauda, mente, promove atentados, ameaça, tenta intimidar, violenta moral e psicologicamente sua vítima... e quando ela tenta reagir, contra-atacar, denunciando os quadrilheiros, os meliantes tentam processar a vítima por Calúnia, Difamação, Dano Moral...

Facínora processando vítima por "dano moral" pelo fato da vítima chamar facínora de facínora. 

Pausa para risos.

A imprensa golpista não age muito diferente destes quadrilheiros ao tentar intimidar a Presidenta Dilma Rousseff. E não seria tão estapafúrdio, no Brasil kafkiano em que vivemos, se resolvessem processar a Presidenta por dano moral, tentando calar Dilma...



Brava Dilma

“Apanhe quieta”, diz a mídia a Dilma. Só falta pedir para dizer “obrigado”...


Fernando Brito



A Folha de hoje [ontem] noticia que “Dilma atende Lula e parte para o ataque“.

Título impróprio, pois o próprio texto diz que as recomendações feitas por Lula seriam de que “a ordem agora é não deixar nenhuma crítica sem resposta”.

Portanto, a de defender-se. E, no máximo, partir para o contra-ataque.

Ou seja, interromper este longo calvário em que seu Governo vem sendo impiedosamente espancado pela mídia – o que é o “natural” neste “antinatural” sistema de comunicação brasileiro.

Defender-se com vigor, por incrível que pareça, não é a regra dos manuais de política.

Embora seja estranho, é mais comum do que parece a reação das pessoas na vida pública de “não reagir, não responder”.

Milhões de vezes ouvi que “não desse cartaz”, “ninguém leu isso”, ”se responder só aumenta a divulgação do problema” e outras coisas semelhantes.

Erro grosseiro.

Um governo tem de se defender todo o tempo. De seus adversários e, até, de seus próprios integrantes, porque não é raro que as disputas internas vão parar nos jornais, na forma de “derrubar” desafetos.

É claro que a forma de fazê-lo tem de guardar sintonia com a natureza do próprio governo.

Mas, neste caso, caberia perguntar se os brasileiros que elegeram Dilma elegeram “aquela moça calminha, cordata, pacata”…

Ela até pode e deve ser assim diante dos ataques políticos, que são próprios da democracia e devem ser tratados com a mais absoluta civilidade, exclusivamente no plano das ideias.

Mas não é o que está ocorrendo.

Vejam os exemplos citados na reportagem como reações “bateu, levou” do Governo Dilma e julguem se isso é o natural do embate político:

- “a reclamação disciplinar contra a promotora que pediu quebra de sigilo de celulares do Planalto”


Meu Deus, será isso uma reação violenta ou se é, isto sim, uma violência inominável – e um crime! – uma promotora servir-se de um estratagema cartográfico para fazer o Supremo Tribunal Federal quebrar o sigilo telefônico da Presidente da República, dos integrantes do Congresso e, até, dos seus próprios ministros? Esta senhora deveria, a esta altura, estar respondendo não a uma reclamação disciplinar, mas a um processo-crime!

- a elaboração de uma propaganda oficial contra alegação do governo de Minas de que o governo federal seria responsável pelo aumento da conta de luz no Estado


Ué, uma empresa pública estadual vai à televisão dizer que é o Governo Federal o responsável por um aumento de tarifas que ela própria solicitou e em valores dobrados em relação ao concedido e isso deve ser aceito calado? Ainda mais quando usa, sordidamente, uma linguagem traiçoeira, ao dizer que o reajuste era coisa “lá de Brasília”?

Não recordo de ter havido uma reação indignada da imprensa, procurando saber quem eram os responsáveis por isso, quanto tinha sido gasto para fazer politicagem na TV nem a posição dos patronos políticos do governo mineiro.

Por último, discute-se a realização de uma campanha publicitária sobre a Copa do Mundo…

Ora, o que se deveria estar discutindo, em forma de crítica ao Governo Dilma, era a ausência, até agora, desta campanha, que será tão menos eficiente quanto mais se aproxime a Copa, porque a competição será o mote de, praticamente, toda a atividade publicitária comercial do país e, é evidente, o impacto de uma campanha institucional sobre ela tenderá a se diluir na “multidão” de mensagens.

Então, será que querem o governo Dilma para Cristo, sofrendo aquilo que se lê em Isaías 53:7: Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca.

Tudo o que se quer – e todos querem, inclusive Lula, a quem a matéria atribui “intervenção”, mesmo depois dizendo que é "recomendação" – é que o Governo Dilma Rousseff abra a boca e preste contas à sociedade do que fez e do que faz e não, simplesmente, deixe por conta da mídia dizê-lo.

Porque é tão grande o partidarismo desta mídia que, a depender dela, a impressão que se tem é a de que não faz quase nada e aquilo que faz, faz errado.

Até reduzir o preço da energia elétrica já virou “grave erro”.

Aqui no Brasil não querem apenas o diálogo do lobo com o cordeiro. Querem que o cordeiro, de preferência, seja também amarrado e amordaçado.


E que nem berre enquanto as presas do lobo o destroem.


Tijolaço

Destaques do ABC!

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