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terça-feira, 29 de maio de 2012

VEJA mente! Não compre, não assine, não leia!




Atestado de idiota


Laerte Braga


A revista VEJA e o grupo GLOBO (jornal, revista, rádio e tevê) imaginam que os brasileiros sejam todos idiotas e engolirão sem questionar as declarações de Gilmar Mendes afirmando que Lula pediu que o julgamento do mensalão fosse adiado em troca de não envolver Gilmar com a construtora Delta e os negócios de Carlos Cachoeira.

É simples entender isso. Basta voltar um pouco no passado, quando William Bonner, apresentador do JORNAL NACIONAL, rotulou o telespectador daquela revista televisiva de “Homer Simpson”. Alusão a um personagem de uma série da tevê americana apresentado como idiota, mais precisamente como ingênuo.

Gilmar é useiro e vezeiro nesse tipo de expediente. Fez o mesmo quando concedeu dois habeas corpus a Daniel Dantas e se valeu de VEJA para tentar desmoralizar o delegado Protógenes Queiroz. O personagem escolhido para coadjuvar foi Demóstenes Torres e agora envolve outra figura complicada, Nélson Jobim, em sua história, em sua mentira.

Jobim já desmentiu, lógico, é esperto para cair nessa, ou se deixar envolver por um bandido sem qualquer escrúpulo, que virou ministro do Supremo Tribunal Federal para garantir a impunidade de FHC e seus parceiros. Como ele Jobim que foi para o STF e se declarou, em sua posse, “líder do governo” naquela Corte. Começou ali a desmoralização da Casa.

É um erro imaginar que Lula – sem análise de mérito de seu governo, mas de sua capacidade como político – fosse agir dessa forma, ou se dirigir a uma figura repulsiva como Gilmar Dantas para pedir alguma coisa, qualquer coisa que fosse, ou seja. Mas é crível imaginar que a visita a Jobim foi marcada com antecedência e aí deu a cara a tapas, não é possível que não saiba quem é Jobim.

VEJA e os veículos GLOBO apostaram no fato, a revista ao inventá-los e os parceiros a replicá-lo insistentemente, naquela convicção que basta noticiar que a dúvida fica lançada e alguém, certamente, vai dar crédito.

Tal e qual a história da apresentadora Xuxa com os “abusos sexuais”. Foram muitos, não sabe quem abusou e ao perceber a reação negativa junto à opinião pública, a repercussão nas redes sociais, não quis mais tocar no assunto.

O que está em jogo é grande demais para que bandidos deixem barato.

O esquema Cachoeira é apenas uma ponta de um iceberg que mais que políticos corruptos envolve empresas corruptoras e um mundo institucional falido. É evidente, políticos corruptos são substituíveis por outros, empresas, bancos, latifundiários não. São sempre os mesmos e seus herdeiros desde tempo imemoriais.

O modelo político e econômico arrombado pela porta da frente e a dos fundos. Não interessa  aos três maiores partidos políticos brasileiros que os fatos sejam apurados na sua totalidade, nem PT, nem PSDB e nem PMDB, pois cria uma realidade impensável para esse clube de amigos e inimigos cordiais.

Bronco, acostumado a se cercar de capangas, de pistoleiros, principalmente em sua cidade Diamantino, Gilmar Dantas, entendeu de dar um empurrão no esquema, criar um fato político que se sobreponha a toda e qualquer contestação a esse esquema, gerando até uma frase interessante do ministro Marco Aurélio Melo – “estamos vivendo num mundo esquisito”.

O que fazem é passar atestado de idiota para o leitor, o ouvinte, o  telespectador, no jornalismo de esgoto que é a rotina dessa gente.

Há uma charge perfeita que define o tipo de mídia que temos, a de mercado. O cidadão diz a Carlos Cachoeira que é sempre bom comprar uma revista numa banca, Cachoeira responde que sim e fala que compra no banco.

Compra VEJA, paga VEJA para mentir. A diferença entre VEJA e o grupo GLOBO é que os Marinhos pensam que têm sangue azul. É tão vermelho quanto qualquer outro e pior, as mãos estão sujas da participação na ditadura militar, na omissão da tortura, dos assassinatos, de toda a sorte de barbáries cometidas àquela época.

O grupo na dimensão que tem hoje é produto da ditadura e dos interesses de bancos, empresas e latifúndio.

VEJA é rastaquera, só isso.

Há um trem aí, no entanto, complicado. É perfeitamente possível que Nélson Jobim, intimamente ligado a FHC e publicamente eleitor de José Serra – atolado em negociatas com a Delta e suas ramificações – tenha armado toda essa farsa em conluio com Gilmar Mendes. Por que não?

Aí Lula foi ingênuo. Com esses caras – Gilmar e Jobim – só se conversa com pelo menos dez testemunhas idôneas e em local público.

De maneira diferente, dentro do escritório de Jobim, é oferecer a cabeça à forca.

No duro mesmo Lula caiu numa armadilha. Consequência até dessa sabedoria política, a arte da sobrevivência, esse jogo de alianças com bandidos. Escorregou na sabedoria popular, esperto come esperto.

Muita coincidência Lula visitar Jobim e Gilmar Dantas estar lá.

Nessa arte de golpes de gabinete e jogadas como essa, nessa Lula não tem sido sábio, pelo contrário. Volta e meia se encrenca. Mas é óbvio que o ex-presidente jamais tocaria no assunto mensalão com alguém como Gilmar Mendes. Por mais amigo – azar dele – que seja do ex-ministro chefe do Gabinete Civil José Dirceu.

Lula tem o instinto da sobrevivência, falhou dessa vez, mas tem. Se viu presa de duas raposas e enrolado na mentira de VEJA e GLOBO.

O fato principal hoje é o esquema de Carlos Cachoeira, menos pelo banqueiro e mais pelo que ele arrasta consigo. A hipótese que a CPMI possa trabalhar sério é impensável para o governo, a oposição e os que corrompem.

Estão envolvidos governadores, José Serra, empreiteiros, banqueiros e mídia de mercado, VEJA então de forma escancarada. Obras do PAC, todo o esquema do clube de amigos e inimigos cordiais.

São funcionários dos corruptores deputados e senadores, a maioria, dos principais partidos com assento no Congresso Nacional. O que o brasileiro vai assistir é jogo de cena. Cada um jogando pedra no outro e todos permanecendo impunes, corruptos e corruptores.

Já imaginaram nas obras de Belo Monte, onde há trabalho escravo e Belo Monte em si é um absurdo, envolver os grupos envolvidos na construção? Ou as casas do programa Minha Casa Minha Vida que o próprio Lula quando presidente questionou a qualidade? São só dois exemplos.

Atrás de Cachoeira estão Norberto Odebrecht, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez, OAS e todas as grandes construtoras do País. Banco, inclusive o BNDES. As revelações que empresários brasileiros participaram do golpe contra Salvador Allende mostram o caráter dessa gente. São amorais.

Para esquentar mais o assunto está o Código Florestal, Dilma vetou, mas não mudou nada, apenas retardou um processo que vai depender de muita luta para evitar que o Brasil se torne um enclave do agronegócio, do latifúndio.

Em jogo também a Comissão da Verdade e as apurações sobre tortura, assassinatos à época da ditadura militar, Operação Condor e outras barbaridades mais.

Nelson Jobim e Gilmar Dantas passaram atestado de idiota para Lula e VEJA e GLOBO passam atestado de idiota para os brasileiros. Só isso, nada mais.

O  que Lula fez foi dar munição para os bandidos.  

É o que pensam. Que somos idiotas.



Ilustrações do blog Tudo em Cima do jornalista e blogueiro André Lux.


*

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Gilmar e o Manicômio Judiciário


Artigo histórico, publicado em maio de 2002 na Folha de S. Paulo, em que o grande jurista Dalmo Dallari faz um alerta à sociedade brasileira sobre o sinistro Gilmar Mendes e a decomposição do Poder Judiciário. 



Degradação do Judiciário

DALMO DE ABREU DALLARI

Nenhum Estado moderno pode ser considerado democrático e civilizado se não tiver um Poder Judiciário independente e imparcial, que tome por parâmetro máximo a Constituição e que tenha condições efetivas para impedir arbitrariedades e corrupção, assegurando, desse modo, os direitos consagrados nos dispositivos constitucionais.


Sem o respeito aos direitos e aos órgãos e instituições encarregados de protegê-los, o que resta é a lei do mais forte, do mais atrevido, do mais astucioso, do mais oportunista, do mais demagogo, do mais distanciado da ética.


Essas considerações, que apenas reproduzem e sintetizam o que tem sido afirmado e reafirmado por todos os teóricos do Estado democrático de Direito, são necessárias e oportunas em face da notícia de que o presidente da República, com afoiteza e imprudência muito estranhas, encaminhou ao Senado uma indicação para membro do Supremo Tribunal Federal, que pode ser considerada verdadeira declaração de guerra do Poder Executivo federal ao Poder Judiciário, ao Ministério Público, à Ordem dos Advogados do Brasil e a toda a comunidade jurídica.


Se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional. Por isso é necessário chamar a atenção para alguns fatos graves, a fim de que o povo e a imprensa fiquem vigilantes e exijam das autoridades o cumprimento rigoroso e honesto de suas atribuições constitucionais, com a firmeza e transparência indispensáveis num sistema democrático.


Segundo vem sendo divulgado por vários órgãos da imprensa, estaria sendo montada uma grande operação para anular o Supremo Tribunal Federal, tornando-o completamente submisso ao atual chefe do Executivo, mesmo depois do término de seu mandato. Um sinal dessa investida seria a indicação, agora concretizada, do atual advogado-geral da União, Gilmar Mendes, alto funcionário subordinado ao presidente da República, para a próxima vaga na Suprema Corte. Além da estranha afoiteza do presidente — pois a indicação foi noticiada antes que se formalizasse a abertura da vaga –, o nome indicado está longe de preencher os requisitos necessários para que alguém seja membro da mais alta corte do país.


É oportuno lembrar que o STF dá a última palavra sobre a constitucionalidade das leis e dos atos das autoridades públicas e terá papel fundamental na promoção da responsabilidade do presidente da República pela prática de ilegalidades e corrupção.


É importante assinalar que aquele alto funcionário do Executivo especializou-se em “inventar” soluções jurídicas no interesse do governo. Ele foi assessor muito próximo do ex-presidente Collor, que nunca se notabilizou pelo respeito ao direito. Já no governo Fernando Henrique, o mesmo dr. Gilmar Mendes, que pertence ao Ministério Público da União, aparece assessorando o ministro da Justiça Nelson Jobim, na tentativa de anular a demarcação de áreas indígenas.


Alegando inconstitucionalidade, duas vezes negada pelo STF, “inventaram” uma tese jurídica, que serviu de base para um decreto do presidente Fernando Henrique revogando o decreto em que se baseavam as demarcações. Mais recentemente, o advogado-geral da União, derrotado no Judiciário em outro caso, recomendou aos órgãos da administração que não cumprissem decisões judiciais.


Medidas desse tipo, propostas e adotadas por sugestão do advogado-geral da União, muitas vezes eram claramente inconstitucionais e deram fundamento para a concessão de liminares e decisões de juízes e tribunais, contra atos de autoridades federais.


Indignado com essas derrotas judiciais, o dr. Gilmar Mendes fez inúmeros pronunciamentos pela imprensa, agredindo grosseiramente juízes e tribunais, o que culminou com sua afirmação textual de que o sistema judiciário brasileiro é um “manicômio judiciário”.


Obviamente isso ofendeu gravemente a todos os juízes brasileiros ciosos de sua dignidade, o que ficou claramente expresso em artigo publicado no “Informe”, veículo de divulgação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (edição 107, dezembro de 2001). Num texto sereno e objetivo, significativamente intitulado “Manicômio Judiciário” e assinado pelo presidente daquele tribunal, observa-se que “não são decisões injustas que causam a irritação, a iracúndia, a irritabilidade do advogado-geral da União, mas as decisões contrárias às medidas do Poder Executivo”.


E não faltaram injúrias aos advogados, pois, na opinião do dr. Gilmar Mendes, toda liminar concedida contra ato do governo federal é produto de conluio corrupto entre advogados e juízes, sócios na “indústria de liminares”.


A par desse desrespeito pelas instituições jurídicas, existe mais um problema ético. Revelou a revista “Época” (22/4/ 02, pág. 40) que a chefia da Advocacia Geral da União, isso é, o dr. Gilmar Mendes, pagou R$ 32.400 ao Instituto Brasiliense de Direito Público — do qual o mesmo dr. Gilmar Mendes é um dos proprietários — para que seus subordinados lá fizessem cursos. Isso é contrário à ética e à probidade administrativa, estando muito longe de se enquadrar na “reputação ilibada”, exigida pelo artigo 101 da Constituição, para que alguém integre o Supremo.


A comunidade jurídica sabe quem é o indicado e não pode assistir calada e submissa à consumação dessa escolha notoriamente inadequada, contribuindo, com sua omissão, para que a arguição pública do candidato pelo Senado, prevista no artigo 52 da Constituição, seja apenas uma simulação ou “ação entre amigos”. É assim que se degradam as instituições e se corrompem os fundamentos da ordem constitucional democrática.


Dalmo de Abreu Dallari, 70, advogado, é professor da Faculdade de Direito da USP. Foi secretário de Negócios do município de São Paulo (administração Luiza Erundina).


*

Escaramuças na Pinoquiolândia



A VEJA publicou. Nelson Jobim não confirmou. A blogosfera militante desembainhou a espada e saiu em defesa de Lula. O ex-presidente não se pronunciou.


Cautela e caldo de galinha...


A revista, ao que parece, está atolada até o pescoço no esquema Cachoeira. O ministro tem lá suas "fragilidades" e precisa esclarecer alguns episódios. 


Estamos aguardando a versão de Lula sobre o suposto diálogo com Gilmar Mendes, insinuando uma eventual barganha que envolveria o julgamento do Mensalão no STF e o envolvimento de Mendes com o Chefe de Quadrilha Cachoeira.



Pinoquiolândia. Mendes tenta atingir Lula e Jobim vira testemunha-chave


Foto CartaCapital: ministro 

Gilmar Mendes

O ministro Gilmar Mendes já foi pego na mentira. Isto quando sustentou o “grampeamento” de conversas telefônicas com o senador Demóstenes Torres, seu grande amigo. Para a Polícia Federal, por meio de perícias, não houve interceptações e gravações de conversas. Na perícia realizada, não atuaram os peritos Ricardo Molina e nem Badan Palhares.

À época, Gilmar Mendes, que estava na presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), saiu atirando pela mídia. Disse que chamaria o presidente Lula às falas. Por suspeitar da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), Gilmar Mendes exigiu a saída imediata do seu diretor-geral, que era o íntegro delegado Paulo Lacerda, de relevantes serviços ao país, em especial quando dirigiu a Polícia Federal. A propósito, Lula, vergonhosamente, entregou a cabeça de Lacerda e o ofertou com um asilo na embaixada do Brasil em Lisboa.

Para dar sustentação à afirmação de Gilmar Mendes, entraram em cena (1) Demóstenes Torres, – que confirmou o diálogo com Gilmar Mendes e o teor de uma gravação transcrita pela revista Veja –, e (2) Nelson Jobim, que é aquele que confessou, em livro laudatório e promocional, haver colocado na Constituição da República artigos desconhecidos e não aprovados pelos seus pares (deputados) constituintes. Sobre isso, colocou, quando o escândalo veio a furo, a culpa em Ulisses Guimarães, que, por estar morto, não podia responder. Atenção: no livro laudatório, Jobim não mencionou Ulisses Guimarães e o escândalo foi revelado porque, pasmem !!!, algum ingênuo entendeu em ler o escrito por Jobim.

Segundo Jobim, então ministro da Defesa e para apoiar Gilmar Mendes, as Forças Armadas tinham emprestado um aparelho, cujas especificações mostrou aos jornalistas, para “grampeamentos telefônicos” à Agência Brasileira de Inteligência (ABIN).

As Forças Armadas desmentiram o ministro Jobim ao revelar que não houve o empréstimo e que Jobim havia apresentado, quanto ao equipamento que teria sido emprestado, catálogos de empresas vendedoras de equipamentos de segurança. Catálogos que eram distribuídos em lojas de shopping-center.

Como se percebe, a dupla Mendes-Jobim seria qualificada numa Comissão Apuratória, pelos antecedentes mendazes com trânsito em julgado, como suspeita de não estar a falar a verdade.

Com efeito, Mendes, agora, sustenta ter encontrado Lula no escritório de advocacia de Nelson Jobim.

Como dizia Carl Gustav Jung, pai da psicanálise, coincidências não existem. Sobre isso, Jobim afirmou que o encontro no seu escritório de advocacia foi uma coincidência, pois restou visitado por Lula quando Gilmar Mendes estava por lá.

Lula aparecer de surpresa no escritório de Jobim não dá para acreditar. E o estava a fazer um ministro do STF num escritório de advocacia?

Para Mendes, o ex-presidente Lula o pressionou para adiar o julgamento do Mensalão e insinuou saber da sua presença, na cidade alemã de Berlim, em companhia de Demóstenes Torres. Não bastasse a insinuação, Lula teria assegurado que tal fato não seria apurado, pelo seu poder de mando, pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). Em outras palavras, não entraria na apuração a suspeita de encontro em Berlim sob patrocínio financeiro de Carlinhos Cachoeira.

Jobim diz à revista Veja que não ouviu essa parte da conversa. Talvez, – imagina este colunista depois de conversas com a sua caneta-falante –, tenha Jobim desligado o seu invisível aparelho de surdez ou ingressado no banheiro. Ou, talvez, esteja Jobim reservando-se para uma eventual convocação, como testemunha, à CPMI ou a juízo. Nesse ínterim, pode até “pintar” um mistério para Jobim, apesar de já ter sido defenestrado pela presidente Dilma.

O grampo sem áudio que vitimou Paulo Lacerda e a ABIN envolveu Mendes, Jobim, Demóstenes e a revista Veja (a revista transcreveu a conversa interceptada entre Mendes-Demóstenes, mas não exibiu o vídeo). Como favorecido pelo escândalo aparecia o banqueiro Daniel Dantas, solto por liminares de Gilmar que contrariavam até súmula do STF.

Agora, a história do encontro casual (para a revista Veja o encontro foi a pedido de Lula) e a chantagem envolve Jobim, Mendes, revista Veja e Lula. A quem aproveita essa história, ainda não está claro. Como pano de fundo, a revista Veja coloca o "Mensalão". O certo é que Jobim, Mendes e Lula estiveram num mesmo escritório, no mês de abril passado.

Pano rápido. Lula, – que não é ingênuo e parece frequentar qualquer lugar –, pode ter caído numa armadilha, com Jobim a funcionar como testemunha-chave. Prefiro a conclusão da minha caneta-falante, ou seja, “pelos envolvidos, e num episódio típico de bas-fond francês de quinta categoria, não existem balas perdidas”.

Wálter Fanganiello Maierovitch, ex-desembargador e jurista, em seu blog Sem Fronteiras/Portal Terra 
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domingo, 27 de maio de 2012

A Cidadania Planetária e a Alegria de Viver



Enquanto os brucutus* usam da corrupção, da mentira, de trapaças e de avançadas tecnologias para lesar e tentar calar a Blogueira Cidadã...


Um vídeo artesanal, não profissional, despretensioso, mambembe, até, nos traz uma mensagem extraordinária, de Fraternidade Universal, de Confraternização Mundial. 


Mesmo não querendo, seu astral irá para as alturas... 


Cante e dance também!


Celebremos a Revolução Mundial, a Cidadania Planetária e a Alegria de Viver!




Link do vídeo


Praan 

Garry Schyman

Bhulbona ar shohojete
Shei praan e mon uthbe mete
Mrittu majhe dhaka ache
Je ontohin praan

Bojre tomar baje bashi
She ki shohoj gaan
Shei shurete jagbo ami

Bojre tomar baje bashi
She ki shohoj gaan
Shei shurete jagbo ami

Bojre tomar baje bashi
She ki shohoj gaan
Dao more shei gaan

Shei jhor jeno shoi anonde
Chittobinar taare
Shotto-shundu dosh digonto
Nachao je jhonkare!

Bojre tomar baje bashi
She ki shohoj gaan
Shei shurete jagbo ami

Bojre tomar baje bashi
She ki shohoj gaan
Shei shurete jagbo ami

Bojre tomar baje bashi
She ki shohoj gaan
Dao more shei gaan 

Aquilo que se olha

 Garry Schyman

Não vou esquecer facilmente
A vida na qual a mente dança com alegria
Escondido entre a morte que é
A vida que nunca termina

Krishna, você toca a sua flauta
Em uma canção muito fácil
Em que a melodia vai surgir 

Krishna, você toca a sua flauta
Em uma canção muito fácil
Em que a melodia vai surgir 

Krishna, você toca a sua flauta
Em uma canção muito fácil
Dá-me esta canção

Parece que a tempestade treme na felicidade
Através das cordas da mente
Os sete mares e os dez horizontes
dançam com a linda música que você fez

Krishna, você toca a sua flauta
Em uma canção muito fácil
Dá-me esta canção ah

Krishna, você toca a sua flauta
Em uma canção muito fácil
Em que a melodia vai surgir

Krishna, você toca a sua flauta
Em uma canção muito fácil
Dá-me esta canção



* Brucutu - termo muito usado nos anos 70 para significar gente ignorante, bruta, grosseira, caipira, tacanha, troglodita, que se comporta como homens das cavernas. Gentalha.
*

sábado, 26 de maio de 2012

A Semana, por Laerte Braga

A SEMANA

GOLPE NO CHILE – A REVISTA VEJA – DILMA VETA  


Laerte Braga


José Serra foi preso por autoridades chilenas no dia do golpe militar no Chile e levado para o Estádio Nacional de Santiago. Poucos dos que para lá foram saíram vivos e os que saíram foram massacrados pela tortura, pela barbárie da ditadura militar de Augusto Pinochet. Fernando Henrique Cardoso exilado no Chile à época e amigo de Serra de convivência diária sequer foi molestado.

José Serra foi solto no mesmo dia e levado a um local seguro por interferência direta do embaixador do Brasil naquele país, Antônio Castro da Câmara Neto, responsável pela cooptação do general Pinochet para o golpe. As primeiras reuniões, preparativas do golpe, foram realizadas na embaixada do Brasil, que já vivia sob o tacão dos militares desde 1964.

O golpe militar no Chile derrubou o presidente constitucional Salvador Allende, primeiro socialista eleito pelo voto direto para a presidência de um país em todo o mundo.

A história da participação brasileira é vergonhosa e está contada pelo site OPERA MUNDI depois de entrevistas realizadas entre outubro de 2011 e maio de 2012.


A ditadura militar brasileira foi ponta de lança dos interesses norte-americanos na América Latina em todo o processo golpista que culminou na derrubada de Allende. O OPERA MUNDI relata que, a partir de depoimento dos protagonistas da história, empresários paulistas contribuíram com 100 milhões de dólares para o movimento de extrema direita PATRIA y LIBERTAD.

Os militares brasileiros exportaram para os militares chilenos know how de tortura e assassinato de adversários. Em 1970 o general francês Paul Aussaresses, de extrema-direita e com larga experiência na guerra da independência da Argélia, instalou no Brasil um centro para treinamento de torturadores com recursos da CIA – Agência Central de Inteligência.

O OPERA MUNDI revela que por ali passaram os principais torturadores e assassinos das ditaduras militares. A escola preparava torturadores e assassinos para todos os governos ditatoriais da América Latina, fato revelado num trabalho da jornalista francesa Marie-Monique Robin no documentário ESQUADRÃO DA MORTE – A ESCOLA FRANCESA. O trabalho, premiado, revelou a ação de franceses nessa parte do mundo. Esquema laranja dos norte-americanos.

A escritora chilena Mónica Gonzáles corrobora o trabalho de Marie-Monique no livro LA CONJURA – OS MIL E UM DIAS DO GOLPE.

Empresários brasileiros freqüentavam a escola de tortura do general francês e foram responsáveis por fartos recursos para a “instituição”.

É um dos primeiros desafios da Comissão da Verdade à medida que os documentos e fatos vão surgindo e sendo comprovados. O golpe militar no Brasil que depôs o presidente João Goulart foi uma ação de fora para dentro e os militares golpistas estavam a serviço de potência estrangeira.

Em todo esse processo de boçalidade a mídia de mercado foi cúmplice, alguns ao extremo, caso das ORGANIZAÇÕES GLOBO e do jornal FOLHA DE SÃO PAULO, que emprestava caminhões de entrega para a desova de corpos de vítimas da tortura.

Fernando Henrique Cardoso, o mais oferecido dos políticos brasileiros e no exílio no Chile, já havia se alinhado com os setores de extrema-direita dos EUA, empresários golpistas no Brasil e em toda a América Latina. A razão de José Serra ter sido solto no próprio dia do golpe, por interferência direta do embaixador brasileiro, foi exatamente essa. Mais ou menos o seguinte – “pode soltar que ele é nosso, está infiltrado na esquerda”.

Político oferecido? Se ofereceu a Collor para salvar o seu governo, antes a Tancredo Neves para “dar prestígio internacional a seu governo” e se não pode servir a Collor e por extensão aos interesses de golpistas agora na farsa democrática, se foi recusado por Tancredo que ironizou seu oferecimento, fez com Itamar Franco caísse em sua lábia e acabou virando presidente da República. Em 1998 deu o golpe branco da emenda constitucional da reeleição.

Hoje se oferece aos EUA para ajudar a derrubar Chávez e cumprir as missões que lhe forem dadas. No Chile, no tempo do exílio, a Mercedes Benz bancava as despesas de FHC, Serra e seu grupo de “anselmos”.

A revista VEJA decidiu partir para o contra ataque e na edição desta semana acusa Lula de ter procurado Gilmar Mendes para pedir que o mensalão não fosse julgado agora em troca de blindagem do ministro na CPMI do Cachoeira.

O mesmo expediente sujo e rasteiro usado quando Gilmar precisava de um escudo para proteger-se das críticas feitas e da repercussão negativa dos dois habeas corpus concedidos ao banqueiro Daniel Dantas, um dos mais perigosos criminosos brasileiros, preso pelo delegado Protógenes Queiroz.

VEJA, à época, participou da montagem de uma gravação supostamente feita por autoridades da ABIN – Agência Brasileira de Informações – no gabinete de Gilmar. Uma conversa com quem? Com quem? Com o senador Demóstenes Torres.

A farsa está hoje provada, como provado o envolvimento de VEJA com o banqueiro Carlos Cachoeira, como todo o Brasil sabe o que de fato representa o ministro Gilmar Mendes. Há dias, um dos seus parentes, aquinhoado com um programa de televisão numa emissora do ministro, disse ao vivo que as crianças de rua deveriam ser mortas e se prestariam a matéria prima para sabão.

É o perfil dessa gente.

De quebra tenta envolver o ministro Ayres Brito.

O ex-presidente é raposa velha na política e jamais iria conversar com Gilmar Mendes sobre esse tipo de assunto, ou fazer esse tipo de pedido, ainda mais no escritório do ex-ministro Nélson Jobim, principal acessório de FHC em seu governo no Supremo Tribunal Federal, camaleão que sobrevive a tudo e todos em seu roteiro político de serviços ao que há de pior no País.

VEJA tenta sair do esgoto valendo-se do próprio material do esgoto, Gilmar Mendes. Desnecessário dizer que o ministro “confirmou” a conversa com Lula. É um jogo de cartas marcadas e Gilmar teme que, se aprofundadas as investigações do caso Carlos Cachoeira, todas as suas trapaças venham a público.

Nessa agitada semana a presidente Dilma Roussef vetou artigos do Código Florestal aprovado pelo Congresso Nacional, contrariou interesses de ruralistas, o Planalto fala em alterações em vários itens do Código e numa Medida Provisória para a matéria.

O veto tem o mérito de evitar a destruição das florestas e rios do País de imediato, além de proporcionar um tempo maior para a discussão em torno do assunto, conscientização dos perigos oferecidos pelo latifúndio, pelo agronegócio, os tais transgênicos e assim permitir maior mobilização dos setores populares, pois como está vetado ou não, o dano acontece. A diferença é que numa situação em curto prazo, noutra a médio e longo prazo.

O País some, gera desertos em breve período de tempo.

O veto de Dilma, debaixo de grande pressão popular para isso, recoloca o tema em discussão. E uma pergunta. Como fica o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, do PC do B, já que foi ele o relator do projeto de Código Florestal e inteiramente alinhado com os latifundiários e as empresas que operam e controlam a agricultura no Brasil. MONSANTO, DOW CHEMICAL, etc?

A participação de empresários brasileiros no golpe contra Salvador Allende no Chile não surpreende ninguém, vem agora comprovada e detalhada. Foram co-autores junto com os norte-americanos do golpe no Brasil, na Argentina, no Uruguai, em todos os golpes na América Latina e continuam sendo o que são. Empresas multinacionais, essas, então, é o óbvio.

O que se percebe é que a inquietação dos militares golpistas na reserva, que lutam pelo “patriotismo”, ou convocam o “poder moderador”, na prática, reflete apenas a covardia de torturadores e mostra o caráter objeto/abjeto desses militares diante de forças maiores a movimentá-los, ou seja, usá-los, sob comando de militar estrangeiro (Vernon Walthers) para ocupar o governo do País, de outros países e moldá-los ao sabor de seus interesses.

Os torturadores se percebem, neste momento, pequenos demais diante do que aconteceu, nem por isso menos bárbaros, estúpidos e criminosos, assassinos lato senso.

*

O Poder dos Cidadãos



A tecnologia trouxe muitos males, mas também a ágora para dentro de casa. E a consciência da responsabilidade de cada um faz com que as praças do mundo inteiro se tornem a ágora comum, para a afirmação de uma humanidade que parecia perdida.


Um poder adormecido começa a despertar, aqui e no mundo: o poder dos cidadãos.



Ao povo, o que é do povo

Mauro Santayana

As tentativas de apaziguamento e de acordos discretos não reduziram o medo, quase pânico, que sacode as glândulas de numerosos homens públicos. A miniaturização dos processos de captação de voz e de imagem torna qualquer conversa um risco. Muitos deles começam a buscar, na memória, frases ditas sem cuidados e sem malícia, pelo telefone, ou pessoalmente, a pessoas de pouca confiança. Teme-se, e com alguma razão, que a manipulação dos registros de voz torne qualquer conversa um libelo. Não obstante o medo, e, provavelmente, o surgimento de suspeitas infundadas contra homens honrados, o vendaval será saudável.

Há décadas que o público e o privado se tornaram uma coisa só, na vida brasileira. Apesar da luta permanente de inúmeros representantes do povo, nas casas parlamentares e no poder executivo, e de magistrados de lisura incontestável, contra o assalto ao bem comum, todos os poderes republicanos se encontram infestados, principalmente a partir do desmonte do Estado, pelo neoliberalismo. Para que isso fosse possível, mudaram-se as leis, para que tudo fosse permitido em favor do mercado, até mesmo a entrega dos bens nacionais aos aventureiros.

Embora em casos isolados, comprovou-se também a canalhice de juízes vendedores de sentenças, quando não cúmplices de superfaturamento de obras do Poder Judiciário, como ocorreu com conhecido magistrado trabalhista de São Paulo. Os juízes podem errar, e erram, mas os seus votos não podem submeter-se a outra instância que não seja a da reta consciência.


A mais grave infecção é a que afeta o Poder Legislativo. Ainda que, no imaginário popular, o mais alto poder se localize na Presidência da República, ele está no Congresso Nacional. O Congresso é, em sua missão republicana, o povo reunido, para ditar as leis, fiscalizar seu cumprimento pelo poder executivo, e decidir, com o seu consentimento, a formação do mais alto tribunal da República, encarregado de assegurar o cumprimento dos preceitos constitucionais, o STF. Os vícios de nossos ritos eleitorais comprometem a composição das casas parlamentares. Não são os partidos que formam as bancadas, mas, sim, os interesses corporativos, e até mesmo as associações de celerados. Como estamos comprovando, o crime organizado também envia aos parlamentos os seus representantes.


Enganam-se os que supõem ser possível domar a Comissão; ela vacila nessas primeiras horas, mas isso não indica claudicação duradoura. Há alguns meses, neste mesmo espaço, lembramos que um poder adormecido começa a despertar, aqui e no mundo: o poder dos cidadãos.

A tecnologia trouxe muitos males, mas também a ágora para dentro de casa. E a consciência da responsabilidade de cada um faz com que as praças do mundo inteiro se tornem a ágora comum, para a afirmação de uma humanidade que parecia perdida. A Grécia volta a ser o exemplo da razão política, que deve prevalecer sobre o que Viviane Forester chamou de “l’horreur économique”. O povo grego está vencendo, com seu destemor, a poderosa coligação de banqueiros, sob a proteção da Alemanha, e se recusando a pagar, com o desemprego e a miséria, a crise atual do capitalismo predador.

A ação investigatória, entre nós, não pode conduzir-se pela insensatez das caças às bruxas, nem os protestos dos cidadãos serem manipulados pelo poder econômico. Não estamos mais no tempo das fogueiras, mas na civilização dos direitos fundamentais do homem. Toda punição aos culpados, se a culpa for estabelecida, terá que obedecer aos mandamentos da lei, com o pleno direito de defesa. E, confirmado o peculato, os valores desviados devem ser devolvidos ao Tesouro.

Os principais envolvidos nas investigações da Polícia Federal e do Ministério Público estão sendo assistidos por advogados caros e reputados como competentes. Eles cumprem o seu dever, definido por uma carta famosa de Ruy Barbosa a Evaristo de Moraes: qualquer réu tem o direito de defesa, e seu advogado deve empregar todo seu conhecimento e toda sua inteligência no cumprimento do mandato.

Sem o furor dos savanarolas, mas com o rigor da lei e da justiça, a CPI e, em seguida, o Poder Judiciário, são chamados a restabelecer a ordem do estado republicano e democrático, que se fundamenta na administração transparente dos bens comuns, no benefício de todos. É hora de reconstruir o Estado e, assim, devolver ao povo o que só ao povo pertence.



JB Online
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Dilma, o Código Florestal e o "anjo" Gabriel



O dia de ontem foi muito importante para os brasileiros e teve pelo menos dois pontos altos para a presidenta Dilma Rousseff: o veto a 12 artigos e outras relevantes modificações no Código Florestal, e um momento de ternura da presidenta e avó. Ou seria da avó e presidenta?


Dilma aparece com o neto Gabriel no Palácio do Planalto

Presidenta apareceu discretamente na rampa com a criança no colo durante cerimônia da bandeira

A presidente da República, Dilma Rousseff, levou o neto Gabriel para ver a apresentação da banda dos Dragões da Independência durante a cerimônia de arriamento da bandeira no Palácio do Planalto. Hoje, Dilma decidiu vetar 12 pontos do Código Florestal, mas mandou os ministros fazerem o anúncio.

A presidenta apareceu discretamente na rampa do Planalto com o neto no colo. Gabriel está com 1 ano e 8 meses e Dilma, sempre que pode, assume o papel de vovó coruja: ou visita o neto em Porto Alegre ou recebe a visita da criança em Brasília.

Em dia de Código Florestal, Dilma aparece no Planalto com o neto Gabriel
Foto: Agência Estado