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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Instituto Royal fecha suas portas. Ativistas comemoram, Beagles agradecem !!!


TODA VIDA É SAGRADA.






NOTA DO INSTITUTO ROYAL




Em assembleia geral extraordinária realizada entre seus associados, o Instituto Royal, por meio de seu Conselho Diretor, vem a público informar a decisão de interromper definitivamente as atividades de pesquisa em animais, realizadas em seu laboratório de São Roque.

Tendo em vista as elevadas e irreparáveis perdas e os danos sofridos em decorrência da invasão realizada no último dia 18 - com a perda de quase todo o plantel de animais e de aproximadamente uma década de pesquisas -, bem como a persistente instabilidade e a crise de segurança que colocam em risco permanente a integridade física e moral de seus colaboradores, os associados concluíram que está irremediavelmente comprometida a atuação do Instituto Royal para dar continuidade à realização de pesquisa científica e testes mediante utilização de animais.

Por este motivo, o Instituto decidiu encerrar suas atividades na unidade de São Roque.

A interrupção acarretará o desligamento de funcionários, todos já comunicados da decisão. Mantém-se, por ora, o Comitê de Ética formado por colaboradores do laboratório, que conta com veterinários, biólogos e membros da Sociedade Protetora dos Animais, conforme a legislação vigente. A decisão, por ora, não afetará a unidade Genotox, de Porto Alegre, onde não se faz experimentação animal.

Com o intuito de preservar a integridade dos animais remanescentes que ainda estão sob seus cuidados, o Instituto Royal tomará as providências necessárias junto aos órgãos regulatórios competentes, para assegurar que continuem sendo dados a eles tratamento e destinação adequados.

Desde 2005, o Instituto Royal realiza testes pré-clínicos com vistas ao desenvolvimento de medicamentos para o tratamento de doenças como câncer, diabetes, hipertensão, epilepsia, entre outros. Com essa decisão, interrompe-se o trabalho do único Instituto laboratorial do Brasil capacitado e regulamentado para exercer este tipo de pesquisa. A partir de agora, qualquer empresa interessada na realização de testes para registro de medicamento será obrigada a realizar suas pesquisas fora do País, até que outro laboratório seja credenciado pelo CONCEA (Conselho Nacional de Controle e Experimentação Animal) para essa atividade.

Todos os testes desenvolvidos no Instituto Royal atendiam aos princípios de boas práticas de laboratório (BLP) e também às normas para cuidados dos animais do CONCEA, estando também regulamentadas por protocolos internacionais, tais como o da European Medicines Agency e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

O Instituto Royal acredita que as ações violentas ocorridas no dia 18 de outubro são resultado de dois fatores complementares: as inverdades disseminadas de forma irresponsável - e por vezes oportunista - associadas à falta de informação pré-existente. As consequências dos atos advindos dessa equação resultaram não somente em prejuízo para a instituição, que fecha suas portas, mas também e mais gravemente para a sociedade brasileira, que assiste à inutilização de importantes pesquisas em benefício da vida humana.

É inquestionável o direito de todo cidadão ou instituição expressar suas opiniões e propor à sociedade brasileira o debate sobre temas de interesse público. Não se pode anuir, contudo, com as atitudes de violência que cercaram os episódios envolvendo o Instituto Royal. Uma sociedade organizada e civilizada não pode aceitar que a pesquisa científica seja constrangida por grupos de opinião que preferem o uso da força e da violência em detrimento das vias institucionais e democráticas para travar debates.

O ambiente de insegurança gerou – e continuará gerando - prejuízos para a ciência brasileira, na medida em que não assegura aos cientistas um ambiente institucional adequado para o desenvolvimento de pesquisas cujo objetivo, em última análise, é o de salvar vidas. A consequência deste cenário de hostilidade é o desestímulo à fixação e permanência das melhores mentes científicas em nosso País.

O prejuízo causado ao Instituto Royal não é mensurável. Mas é certo que o Brasil inteiro perde muito com este episódio, lamentavelmente.



Instituto Royal




terça-feira, 22 de outubro de 2013

O Resgate dos Beagles e a indústria de horrores


A VERDADE E A MENTIRA SOBRE OS TESTES EM ANIMAIS



" (...) sofrimento atrai sofrimento. Os testes submetem nossos parceiros de vida na Terra a dores e incômodos inauditos. Não se trata de feridas apenas. Muito menos a barbárie é só a de arrancar um olho ou forçar um animal a comer até explodir. O que ocorre é a produção de tumores cancerígenos, deformações internas e externas, mal estar durante toda uma vida. Esse sofrimento todo é pago no altar do bem estar humano? Não! A maior parte dos laboratórios que lidam com testes, no mundo todo, fazem pesquisas encomendadas direta ou indiretamente antes pelos setores militares que pelos ditos setores da saúde. 

(...) mas uma parte dos laboratórios que se utiliza de testes em animais o faz em função das demandas do setor de saúde, não é verdade? Não! A parte da pesquisa que não é direta ou indiretamente atrelada ao campo militar, serve antes ao dinheiro que à saúde. (...) mais de 70% das pesquisas que envolvem testes com animais, e que se diz desligada da área militar, se faz não em torno da busca para curas de doenças, mas em torno da criação de variações de produtos que possam induzir novos consumos. (...) As drogarias são supermercados - todos sabem disso. Mas os conservadores fingem não ver. (...)

As indústrias de cosméticos e higiene pessoal, alimentos, suplementos alimentares, drogaria para a geriatria e mesmo a indústria da produção de remédios trabalham com a perspectiva de lucro imediato como prioridade, colocando a questão da descoberta da cura de doenças que realmente nos aflige em segundo plano - às vezes em plano nenhum. (...)

Não há lado bom nessa história. Não há mocinho nesse faroeste."


Indústria de Horrores, Indústria da Morte, Indústria da Dor e do Sofrimento, 
Indústria do Dinheiro...

"Animais & Solidariedade"/Facebook

Juntos somos fortes!

Boicote produtos de empresas que promovem testes em animais!

Assine as petições!


A verdade (e a mentira) sobre utilidade dos testes com animais


Para filósofo, as pesquisas realizadas com animais servem mais para estimular o mercado de consumo com novos produtos que para melhorias na saúde dos seres humanos

A “revolução dos beagles de São Roque” está rendendo. E muito bem. Já estava mesmo na hora de discutirmos nacionalmente também essa questão, a da utilidade ou não de determinados tipos de pesquisa e o envolvimento com a educação para a crueldade, que pode muito estar atrelada ao modo como se prepara a mão de obra para os laboratórios.

Coloquemos então na mesa a questão objetiva do debate: os testes com animais são mesmo uma necessidade?

Os testes de laboratório com animais, de um modo geral, apontam para uma única “moral da história”: sofrimento atrai sofrimento. Os testes submetem nossos parceiros de vida na Terra a dores e incômodos inauditos. Não se trata de feridas apenas. Muito menos a barbárie é só a de arrancar um olho ou forçar um animal a comer até explodir. O que ocorre é a produção de tumores cancerígenos, deformações internas e externas, mal estar durante toda uma vida. Esse sofrimento todo é pago no altar do bem estar humano? Não! A maior parte dos laboratórios que lidam com testes, no mundo todo, fazem pesquisas encomendadas direta ou indiretamente antes pelos setores militares que pelos ditos setores da saúde.

O que se quer saber é o que é que pode dizimar o homem, fazer o homem sofrer, e quanto o homem pode aguentar tendo ingerido substâncias X ou Y. O que se quer é saber como matar de modo mais eficiente. Isso é tão verdade que, hoje, nenhum cientista responsável arrisca afirmar que o HIV, que provoca a AIDS, não foi produzido em laboratórios ligados a tarefas militares.

Bem, mas uma parte dos laboratórios que se utiliza de testes em animais o faz em função das demandas do setor de saúde, não é verdade? Não! A parte da pesquisa que não é direta ou indiretamente atrelada ao campo militar, serve antes ao dinheiro que à saúde. Os próprios cientistas têm insistido nesse dado: mais de 70% das pesquisas que envolvem testes com animais, e que se diz desligada da área militar, se faz não em torno da busca para curas de doenças, mas em torno da criação de variações de produtos que possam induzir novos consumos. Em muitos casos, até parecem ter a ver com doenças. Mas não tem. O que ocorre é que, criado o produto, aí então se inventa uma deficiência orgânica, ou seja, alguma “doença”, e em seguida mostra-se a cura. Em alguns casos a doença é criada junto com a cura! As drogarias são supermercados - todos sabem disso. Mas os conservadores fingem não ver.

As indústrias de cosméticos e higiene pessoal, alimentos, suplementos alimentares, drogaria para a geriatria e mesmo a indústria da produção de remédios trabalham com a perspectiva de lucro imediato como prioridade, colocando a questão da descoberta da cura de doenças que realmente nos aflige em segundo plano - às vezes em plano nenhum. Mesmo as universidades públicas, no mundo todo, têm trabalhado nesse sistema. Os financiamentos saem antes para a pesquisa que busca criar produtos para a indução de consumo que para a pesquisa que visa a solução de problemas de saúde da população. Nem mesmo as pesquisas para “doenças de ricos” têm prioridade diante da prioridade da criação de produtos que possam ampliar as possibilidades de consumo.

Desse modo, o supérfluo do supérfluo governa de um lado, o necessário para a indústria da morte governa do outro. Os animais sofrem para que nós, depois, possamos sofrer com a ideia da “guerra segura” e com a péssima ideia de que precisamos comprar mais coisas do que necessitamos. Não há lado bom nessa história. Não há mocinho nesse faroeste.

É bobagem dizer “isso é o capitalismo”. Sim, é. E daí? Dizer isso é dizer o nada. Ou melhor, é dizer o tudo em um grau tão genérico que é dizer o nada. O que é necessário é perceber que nenhum dos dois grandes blocos de interesses - o militar e o financeiro - que sustentam os laboratórios que, por sua vez, causam sofrimentos nos animais, diz a verdade sobre a necessidade de testes em animais. Ter animais em laboratórios nem é uma solução “a mais barata”. Os animais estão lá porque o tipo de pesquisa que se faz não é para nos curar de algo, mas para a guerra e para a ampliação inchada do mercado.

Estamos diante da maior mentira do século. Uma mentira contada por gente que está atrelada à fabricação da paz, que é na verdade a indústria da guerra e da morte. Uma mentira também contada por gente que está atrelada à fabricação do bem estar, que é na verdade a indústria do dinheiro e do falso bem estar.
Os estudantes que entram nas universidades em cursos que fornecem mão de obra para os grandes laboratórios do mundo todo devem falar a mesma língua. O jogo é duro. Uma única pequena conversa dissidente, questionando o sofrimento dos animais, e o estudante que a promoveu é visto como “não tendo vocação”. É fundamental que o estudante seja antes de tudo um vocacionado para a tortura, caso não, é tido não como uma pessoa sadia mentalmente, mas como um incompetente para as ciências. Os que negam isso são, dentro dos departamentos das universidades, os que mais zelam para que isso aconteça. O policiamento nesse ambiente é uma constante.

Não é necessária uma revolução mundial comandada por algum Che Guevara para parar isso de modo a redirecionar tal indústria de horrores. Basta que a cada dia possamos fazer protestos como os que foram feitos contra o Royal, e que apavorou toda a parte da mídia mais à direita (calando a esquerda, que não raro, na sua parte tradicional, é adepta de um iluminismo tacanho). Ali, no protesto contra o Instituto Royal, um nível de consciência pelos direitos dos animais reapareceu em novo patamar. São passos assim que criam níveis diferenciados e ampliados de consciência. É comum que pessoas de formação científica, inteligentes, diante dos protestos, voltem para as suas casas e comecem a pesquisar sobre o assunto, e então entrem para as fileiras dos que já não podem mais admitir o espalhamento da crueldade como algo banal.

Os protestos não clareiam as coisas somente de um lado, mas de todo tipo de lado. E o número de pessoas que acha que sairá ganhando com a indústria da morte e com a indústria do dinheiro-que-falseia-a-felicidade paulatinamente decresce - isso é uma tendência mundial. Nosso desenvolvimento moderno tem sido assim. Temos reformulado e melhorado nossas práticas de vida, em vários setores, dessa maneira.

Deixaremos de usar animais em teste do mesmo modo que temos procurado nos livrar de agrotóxicos e do mesmo modo que não suportamos ver uma pessoa pertencente a uma minoria ser humilhada. Faremos isso exatamente porque sabemos onde está a mentira, e vamos, em cada luta setorial, conquistar mais gente pelo coração, e integrá-los no trabalho da razão. Essas coisas vão andar mais rápido do que se imagina. E a ciência não vai perder com isso, ao contrário, vai sair ganhando.

Nietzsche dizia que a ciência não pode ser deixada sozinha, sem comando. É verdade! Temos de tirá-la do comando que hoje está nas mãos da Morte e do Dinheiro. Temos de colocá-la sob o nosso comando, os que não querem que para se criar um esmalte ou um tônico capilar fajuto para uma seborreia fajuta, um cão tenha que ter o fígado inchado durante 6 anos, mantido no cativeiro com dores intensas.


Paulo Ghiraldelli, 56, filósofo, escritor, cartunista e professor da UFRRJ

IG

Destaques do ABC!

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domingo, 20 de outubro de 2013

O Resgate dos Beagles: "Não Matarás"


TODA VIDA É SAGRADA



Não podemos compactuar com atrocidades como esta.




Chega de crueldade contra animais indefesos!

Ativistas da proteção animal desempenham papel fundamental para acabar com estes testes medievais.



Não deixem de conhecer e se possível apoiar o trabalho extraordinário da ativista Nina Rosa Jacob em defesa dos animais, em seu Instituto Nina Rosa, clicando aqui.


Documentário: "Não Matarás"




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sábado, 17 de dezembro de 2011

O assassinato do Yorkshire e a barbárie no Facebook



Eu queria mesmo tratar deste assunto.


Eu queria compartilhar com vocês o sentimento de revolta e indignação que me tomou ontem quando "passei os olhos" sobre aquela violência estúpida, de uma enfermeira covarde e doente, contra um animalzinho indefeso, estampada em vários sites e portais.


Falo que "passei os olhos" porque não consigo ler este tipo de notícia. E muito menos ver o vídeo do assassinato cometido por esta besta enfurecida.


A indignação é imensa diante da atrocidade contra o animal, mas ao mesmo tempo brota em mim o estranhamento pela reação irracional de internautas que promovem um verdadeiro linchamento público e sumário da assassina.


Espero que a Polícia, o Judiciário, o Ministério Público cumpram com suas obrigações constitucionais, façam valer a Lei de Crimes Ambientais e outros dispositivos legais e sancionem este ser estúpido e ignorante, que cometeu esta barbaridade e ainda se vangloria nas redes sociais (apologia a crime). E alerto para que fiquemos atentos às nossas atitudes, para não nos deixarmos contaminar pela atmosfera de bestialidade e enveredarmos por insanidades semelhantes.


Toda Vida é Sagrada!




Civilização e barbárie
A era dos homo facers

Durante algum tempo, homens e animais dividiram os mesmos espaços e as mesmas angústias. Não existiam gandulas de supermercado, mas, em compensação, não havia outras preocupações na vida a não ser “o que vou comer no almoço”, “o que devo caçar”, “como conseguir o alimento com menos tempo e menos esforço”.

Era o tempo da racionalidade. O corpo tinha fome e o instinto nos levava à caça, à pesca, à colheita de frutos. Homens e iguanas poderiam sentar numa mesma mesa de bar, se houvesse bar naquele tempo, para compartilhar as mesmas queixas sobre um dia árduo. “Rapaz, deixei aquele mosquito escapar, mas foi por pouco. Tive que me contentar com um caqui podre que já estava no chão. Meu filho ficou puto porque não aguenta mais comer caqui”.



O homo facer: de dia compartilha bons sentimentos, à noite, pede sangue em nome de justiça

Ambos eram caça, ambos eram caçadores (a onça corria mais, mas os dois podiam se esconder na árvore).

E assim não caminhava a humanidade até o dia em que o sujeito de barba, ereto, observou um osso jogado no chão e percebeu que podia fazer daquele instrumento uma arma. Foi quando resolveu domesticar os animais para a sua alimentação e companhia. De um lado, atendia aos apelos do estômago, que teimava em sentir fome; de outro, atendia ao apelo da alma, para que desse um jeito na solidão.

Deste último grupo não havia melhor representante que os cães, que eram mais leais que o vizinho barbudo da casa ao lado. Eram tão dóceis quanto os elefantes e menos pegajosos do que as iguanas; só eles tinham porte para cuidar do nosso quintal e vigiar nossas posses sem estragos além dos inevitáveis. Criou-se o conceito de amizade.

Passa a fita e o sujeito barbudo abandona o osso e passa a fabricar armas. Fabrica também casas, indústrias, estradas, dutos, aviões e até lâminas de barbear. Fabrica também noções de justiça e regras de convivência. Quando viu, o homem já não era o lobo do homem, mas um ser atento a um novo jogo de sobrevivência. Permanecia falso como um camaleão, mas ciente de que um passo errado o colocaria em problemas com o delegado, com o juiz e até mesmo com o advogado, que viu naquilo tudo um negócio mais rentável do que vender ossos a prestação.

Era o tempo da evolução. Enquanto isso as iguanas e os cães seguiam lá: leais, mas à espera de que alguém os alimentasse.

Leia também:

‘Prende e arrebenta’

A morte no caminho
Indiferença, linguagem universal 

Fato é que, tanto tempo depois, o ser humano já aprendeu a lidar com quase tudo. Já foi pra Lua, começou e encerrou muitas guerras, construiu a ponte estaiada sobre a marginal, botou muito vírus e muita bactéria para correr. Só não aprendeu a lidar com o elemento humano que definitivamente o diferencia do animal que domestica. Porque o animal, quando tem fome, come; quando tem sono, dorme; mas o ser humano, desde que o mundo é mundo, tem mania de complicar tudo. Por isso, toma remédios para emagrecer quando deve comer, e bebe energético ou café com guaraná quando precisa dormir.

É o ser humano que, movido a paixões, mata pai, mãe, tio ou irmão quando é contrariado. Só ele possui propriedades ainda inexistentes no mundo mineral e animal, como o ciúme, a ingratidão, a raiva, a vingança, a indignação. Por isso gasta-se tanto tempo para entender, em vão, atitudes impensadas (ou pensadas, mas fora do script do que se considera normal), como jogar a filha pela janela do apartamento ou invadir um haras para matar a tiros a amante.



O cão, que assiste de camarote 
à involução humana




Anos de evolução e revoluções (da industrial à tecnológica) e páginas impressas de vã filosofia não bastaram para eliminar as barbáries do período primitivo. As barbáries, como os animais, foram apenas domesticadas. Estão sob eterna vigilância de um conjunto de regras e noções sobre ação e reação – que impedem, ou deveriam impedir, que irmãos matem irmãos impunemente. Mesmo assim, não impedem.


E quando não impedem, quando voltamos a nos comportar como animais, tentamos entender e racionalizar o que aconteceu. Quando isso é impossível, a coisa trava. Como uma máquina. Não conseguimos emitir resposta, a cabeça começa a esquentar, a soltar fumaça, como um computador à espera do Control + Alt + Del para começar tudo de novo.

Mergulhados numa era de competição feroz, e cansados de apertar os parafusos que nos garantem o orgulho de ser alguém na vida, entramos de cabeça num período confuso, de pura contradição. Lemos livros de auto-ajuda e falamos de bons sentimentos, mas damos cotoveladas homéricas em quem se aproximar do nosso parafuso e nossos quintais. O outro, o vizinho, o colega e até a esposa e o marido são sempre uma ameaça. Sempre podem produzir algo que não consta do script, da trairagem à traição. Porque são humanos, e não devolvem sorrisos quando fazemos cafuné neles. Alguns te engolem no dia seguinte, e ainda ameaçam colocar no YouTube aquele vídeo em que você aparece em posição constrangedora.

Vai ver é por isso que, para compensar nossa incapacidade de se desanimalizar (tenho a impressão de que essa palavra não existe), façamos tanto esforço para humanizar aqueles que ainda têm jeito na vida. No caso, os animais – aquele parceiro de caça de outrora e que hoje nos distrai e nos faz companhia na hora da novela, da sopa, e na hora em que precisamos quebrar o gelo da casa para não lembrar que somos sozinhos, vazios e incapazes de nos relacionar com alguém da nossa espécie.

É compreensível. Um animal bem cuidado jamais vai ser traiçoeiro. Vai, enquanto for vivo, cumprir tudo o que se espera dele. Jamais vai te contestar nem esperar seu sono para ligar para outros donos. Vai ser sempre leal, parceiro, dócil. Um ser, enfim, que devolve amor quando a ele dedicamos amor. Bem diferente dos filhos, para passarem metade da vida ouvindo regras e a outra metade as descumprindo. Adão e Eva estão aí para mostrar que não existe paraíso que compense a delícia de ser oposição (com o perdão a Machado de Assis).

Com quase 30 anos nas costas, não me lembro até hoje de ter conhecido ser humano mais leal do que o Tupi, um pastor belga parceiro de dias e noites num dos períodos mais saudosos da minha infância. E não me lembro até hoje de ter sentido uma tristeza mais aguda do que o dia em que nos despedimos dele, num centro veterinário de Jaboticabal, onde meus pais foram informados de que não havia outra cura para seus tumores a não ser sacrificá-lo. Nunca me esqueci do Tupi, que uma hora dessas deve estar roçando as pernas de São Francisco de Assis.

Mesmo assim, acho que até ele se preocuparia se visse, do céu, a reação de bípedes conectados que, numa ação conjunta articulada pela internet, resolveram pedir o linchamento público de uma mulher filmada agredindo um cão até a morte. A cena é lamentável e a comoção, como diante de qualquer crime, parece inevitável.

O crime é, como qualquer crime, um ponto fora da curva das regras de convivência. Racionais que somos, não estamos preparados para absorver algo que não faça sentido (um ser humano maltratar até a morte um ser indefeso). E, como uma máquina de computador que não codifica a mensagem e passa a soltar fumaça, voltamos à pré-história. O tal Control + Alt + Del.

Em coro, juntamente até com o novelista da tevê, vamos às redes sociais com tridentes, escopetas, facas nos dentes para pedir justiça. Não a justiça resultante de anos de evolução, com processo, direito de defesa, ressocialização, espaço para o arrependimento, ação corretiva. Mas a justiça dos antepassados, que expurgavam os pontos fora da curva com apedrejamento e sangue.

Na era virtual, não basta cobrar justiça. É preciso expor a agressora, mostrar a cara, o número do celular, o endereço e o aviso: procura-se viva ou morta. Se amanhã ela for presa, processada e punida, não sentiremos a menor saciedade. Sangue se paga com sangue, e é assim desde que homens e animais engatinhavam juntos nos tempos áureos.

Nada mais representativo dos nossa era atual. Nos últimos anos, o Twitter e o Facebook permitiram que encontrássemos eco para nossas ideias mais pessoais, algumas inconfessáveis em períodos normais da história.

Fosse vivo, Benito Mussolini mediria sua popularidade pelo botão de “curtir”, e não seria pouca. O usuário da internet, sabendo que é uma legião, perdeu até a vergonha de relinchar em público. Ganhou uma plateia para as causas justas (como a defesa da dignidade dos animais) e para as suas causas duvidosas (como uma certa vontade, assumida ou não, de passar o trator na cracolândia). O meio é a mensagem e a mensagem é, no mínimo, estranha: por que vemos tanto espírito no pet e nenhum no marginal?

A verdade é que, juntos, o sentimento de revolta e o compartilhamento de simpatias pela barbárie deram outra dimensão à ideia de justiça. Em defesa dos animais, passamos a pedir a eliminação do ser humano, numa tentativa vã de extirpar do nosso convívio o elemento humano, aquele imprevisível, ingrato, incompreensível, que nos leva ao crime e à barbárie.

A indignação e a revolta nos ajudam a lembrar que somos humanos, e não máquinas indiferentes. Mas, como humanos, nos lembram que estamos sujeitos à mesma barbárie, seja como vítimas, seja como carrascos. Contra a covardia, respondemos com mais covardia. E assim a humanidade segue, no seu inevitável caminho de volta ao tempo em que ainda rastejava.



Matheus Pichonelli


CartaCapital 


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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Paulistanos na Paulista, em defesa dos animais



Cidadãs e cidadãos paulistanos, protetores independentes, indignados, foram ontem à Avenida Paulista, cidade de São Paulo, para abrir a boca e protestar contra maus-tratos aos animais e a falta de punições contra este crime.


Esta é uma causa importantíssima. Que diz respeito a todos nós, e não apenas aos que têm e/ou amam os animais. Esta blogueira já fez muitos inimigos ao denunciar donos que maltratavam seus animais, inclusive uma sobrinha, ser desprezível, covarde e cafajeste, de nível universitário, maior de idade (e bota "maior" nisso!), responsável pelo sofrimento e morte cruel de VÁRIOS cachorros, com o apoio de familiares (marido, mãe, irmã, cunhado...) e advogadas. E da banda podre do Judiciário, que arquivou minha denúncia. Raça maldita. Estes, sim, todos eles, verdadeiros quadrúpedes vira-latas...




Bom... já perceberam minha indignação, não é?


Uma sociedade verdadeiramente civilizada protege seus animais e coíbe qualquer tipo de violência contra estes seres indefesos. Lutemos, todos, também por esta causa! Contem com o Abra a Boca, Cidadão! e com esta "blogueira-cachorreira".


Abaixo, a notícia.


Manifestação na Avenida Paulista repudia 
maus-tratos a animais


Protesto foi convocado na internet após caso Lobo, cachorro que morreu após ser arrastado pelo dono em Piracicaba




                    Concentração de manifestantes aconteceu em frente ao MASP Foto/AE


Cerca de 300 manifestantes participaram neste domingo de uma passeata pela Avenida Paulista em repúdio aos maus-tratos contra animais. O grupo, que estava reunido no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), seguia, junto com um carro de som, pela faixa da direita da avenida, no sentido Consolação, em direção ao Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo.


O movimento, que teve início nas redes sociais, é resultado da indignação dos protetores de animais com relação aos últimos casos de maus-tratos a animais, como o caso de Lobo, um rottweiler que foi arrastado pelo dono por ruas de Piracicaba, no interior do Estado, e acabou morrendo esta semana, após ter uma pata amputada.


Leia também: Morre cão que foi arrastado pelo dono em Piracicaba

O tutor do animal foi identificado por testemunhas e indiciado pela Polícia Civil de Piracicaba. Ele alegou ter arrastado o cachorro por acidente, mas duas testemunhas contaram à Polícia que o mecânico Cláudio César Messias disse que queria matá-lo.


Foram eles que gritaram para que o mecânico parasse o veículo enquanto arrastava o cão. Ele não foi preso e, se condenado, terá que pagar apenas uma multa de R$ 1.500,00. O mecânico, no entanto, pode recorrer.


Na última quinta-feira, um dia depois da morte de Lobo, um grupo de pessoas revoltadas com o crime e com a impunidade se aproximando lançou um abaixo-assinado, no site Petição Pública, pedindo punições mais severas para casos de maus-tratos a animais como abandono, violência e até morte, como no caso de Lobo.


Outro caso que causou indignação foi também de uma rottweiler, com nome Jade. Um garoto jogou gasolina na cadela e em seus filhotes e ateou fogo. Ela foi resgatada e está sendo mantida sob efeito de morfina para aliviar a dor. Um dos filhotes também foi resgatado com vida.


Portal iG

sábado, 29 de outubro de 2011

Diga "não" à crueldade contra animais


Eu já disse aqui no blog que além de atuar na esfera da cidadania e direitos humanos, me é muito cara também a proteção dos animais, esses seres indefesos, muitas vezes vítimas de pessoas covardes, que sentem prazer submetendo-os a falta de cuidados, fome, frio, abandono e crueldades que só uma mente psicopática pode explicar.

Anos atrás, fiz várias denúncias contra uma sobrinha, ser trevoso, criatura desprezível, que assassinou friamente vários cães, ao longo de alguns anos. A cafajeste tinha à época mais de 20 anos, não era nenhuma criancinha, e sabia muito bem o que fazia.

Numa das denúncias,  acolhida por delegacia de crimes ambientais, a canalha foi agraciada pelo promotor público com "arquivamento por falta de provas", depois de ter descaradamente mentido e atacado a denunciante, e sem apresentar provas materiais de que o animal continuava vivo.

Numa outra denúncia, contra clínica veterinária que assassinou meu cãozinho Leonardo, ocorreu o mesmo: o poder econômico falou mais alto que a Lei de Crimes Ambientais.

É este o país em que vivemos. É esta a "Justiça" que temos. 

Não podemos nos conformar com isso. Só a educação e a "indignação justa" de que falava Gandhi, expressa de forma educada, cordial, legal, pode um dia reverter este descalabro.

Exerça sua cidadania! Não se cale! Denuncie maus-tratos contra animais!



Leozinho, assassinado dentro
de clínica veterinária.


Abaixo, divulgo campanha da Sociedade Mundial de Proteção Animal.



WSPA Brasil - Outubro 2011
Apoie a Campanha Coleiras Vermelhas nas Redes Sociais
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WSPA Brasil


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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Violência contra animais: cadê o Judiciário ???



A humanidade não merece a vida.
                                                                             José Saramago




A alma ativista se mobiliza com todo tipo de injustiça. 


Pelo menos é assim com esta blogueira. E mais ainda quando se trata de  violência contra seres indefesos, leais, amorosos... violência desferida por covardes, energúmenos, trastes mal resolvidos... gentalha.


A indignação é tanta que as palavras pra desqualificar estes canalhas não são suficientes pra dar conta de tanta ignomínia.


Ao longo da vida já fiz muitas denúncias contra estes patifes. A Delegacia do Meio Ambiente da cidade de São Paulo, no bairro da Consolação, acolheu minhas denúncias, abriu inquéritos... mas quando entra em cena o Judiciário... há o risco de entrar em cena também a "banda podre", movida a $$$ e não a Justiça. E aí aquela palavrinha mágica também pode dar o ar da graça: "Arquivamento".


É preciso que o Judiciário, poder criado para promover a legalidade e a Justiça, faça sua parte também na violência contra os animais, punindo rigorosamente estes excrementos, que se acham gente, mas se comportam como quadrúpedes irracionais e predadores.


Não adianta lei de crimes ambientais, como a que já temos e que inclui maus-tratos a animais domésticos. Não adianta a cidadã e o cidadão saírem de suas casas, entrarem numa delegacia e fazerem denúncias. Não adianta autoridades policiais abrirem inquéritos. Nada disso adianta, enquanto o Judiciário abrigar "bandidos de toga", como disse a ministra-corregedora Eliana Calmon, e outras excrescências do gênero.


Abaixo um artigo para estimular reflexões sobre o comportamento destas bestas travestidas de gente.


Não é só um caso de polícia

A semana seguinte ao Dia Mundial pelo Fim da Crueldade contra os Animais (8 de outubro) não poderia ter começado de modo mais triste. O responsável pelo novo espetáculo de atrocidades que muitas vezes define a relação entre homens e animais possui sobrenome de um ser humano cuja benevolência deveria sugerir ação oposta à cometida pelo sujeito: Evaldo dos Santos Jesus.

Morador de Araçatuba, interior de São Paulo, o rapaz de 19 anos amarrou uma cadela sem raça definida em sua moto e acelerou o veículo por várias quadras. A crueldade resultou em ferimentos profundos nas patas do animal, que está sendo tratado no Hospital Veterinário da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

A decisão de torturar a cadela foi tomada pelos bizarros motivos que levam seres humanos a tratar seres irracionais como objetos. Segundo testemunhas ouvidas pelos veículos de comunicação que acompanharam o caso, o animal invadiu o condomínio onde Evaldo trabalhava como porteiro.

O rapaz responderá pelo crime na Justiça, mas segue a vida em liberdade. E assim deverá continuar porque, como costuma ocorrer nos casos de abusos cometidos contra os animais e o meio ambiente, dificilmente há condenação. Mesmo que seja condenado, passará no máximo um ano na cadeia – pena prevista para esse tipo de crime.

Casos bizarros como esses, como tantos que pipocam diariamente por todo o Brasil, justificam a adoção de medidas rigorosas e urgentes das autoridades públicas. Não apenas porque são atrozes, mas sim porque estão se tornando assustadoramente comuns. E, tão grave como isto, porque geralmente são consequência direta da violência doméstica na infância, especialmente dos abusos sexuais.

Os dados a respeito deste problema assombram. De acordo com a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, uma criança é vítima de abuso sexual a cada oito minutos. O Disque 100 (serviço criado para facilitar as denúncias de abusos sexuais contra crianças) contabilizou 4.205 registros apenas nos três primeiros meses do ano. Mantida a média, pode bater a casa dos 17 mil em 2011. Em 2010, foram 12 mil casos.

Não se engane. Não se trata de uma questão menor. É consenso entre os psiquiatras forenses – entre eles o respeitado pesquisador brasileiro Guido Palomba e o norte-americano Robert K. Resler – que o assunto merece ser tratado com muito mais seriedade do que supomos.

Não sem motivos. Estudo feito em 1983, nos Estados Unidos, confirmou a relação entre violência contra seres humanos e animais. Apontou que em 88% das famílias nas quais houve abuso sexual infantil pelo menos um dos seus integrantes havia cometido atos de zoofilia antes.

Mais. Pesquisa feita pelo FBI (o serviço de investigação federal dos EUA), na década de 70, comprovou que 80% dos assassinos em série tiveram um histórico de violência e crueldade contra os animais na infância.
Evidentemente, estes dados não significam que todas as crianças vítimas de agressões físicas ou de abusos sexuais são potenciais criminosos. O que os números sinalizam, de forma contundente, é que atrocidades como estas podem provocar graves sequelas psicológicas nas suas vítimas.
Dizem-nos, ainda, que a sociedade brasileira precisa criar um vigoroso aparato de proteção a estes menores para evitar que sofram estes abusos. E ainda para que, caso ocorram, seja possível evitar que eventuais sequelas psicológicas graves provocadas por barbarismos como estes comprometam seu futuro.

Não há outro modo de se fazer isto a não ser tornando muito mais rigorosas as penas por abusos sexuais contra crianças e pelas agressões aos animais. Mais: é urgente que a União, Estados e Prefeituras adotem políticas públicas massivas de Educação que visem a proteção ao menor e o respeito aos animais, bem como a toda forma de vida.

No último dia 8, a escritora paranaense Karin Birckholz lançou, em Curitiba, uma obra importante no campo da literatura infantil: “Bicho não é lixo”. Em 35 páginas emolduradas por belas ilustrações da artista plástica Michelle Bear, a autora faz uma defesa contundente da guarda responsável de animais e da necessidade urgente de que os homens tratem a natureza e os seres vivos – todos eles – com o mais profundo respeito. É gente de bem fazendo a sua parte no sentido de inspirar as autoridades públicas a cumprir o desafio de se construir a Nação mais harmônica, sustentável e solidária que o Brasil quer e precisa.