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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

SP: Blogueira e Blog sob risco constante


DIREITOS HUMANOS



Cidadãos comuns, que "ousam" defender seus direitos, inclusive o direito de denunciar, ativistas e defensores de direitos humanos e outras causas, cuja ação corajosa acaba por ferir interesses mesquinhos e inconfessáveis, vivem sob constantes ameaças, intimidações, constrangimentos e outras tantas violências.

Há quase quatro anos esta cidadã blogueira vem enfrentando forte esquema que viola seus direitos, e há pouco mais de dois anos passou a relatar, vez por outra, neste brioso blog, as violências de que vem sendo vítima.

Esta blogueira, que tem sua vida pessoal, material e profissional totalmente desorganizada por estas violências, vem procurando se proteger de várias formas. Primeiramente, claro, buscando apoio nas instituições que combatem o crime: Judiciário, Ministério Público, Polícia. 

No início das perseguições que começou a sofrer, em fevereiro de 2010, esta cidadã, pasmem!, precisou deixar sua casa por seis meses (!!!), diante do acirrado assédio que passou a colocar sua vida e integridade física em risco.

Quando voltou à sua casa, a cidadã criou o blog e foi desenvolvendo "técnicas para driblar" seus perseguidores no dia a dia. Por exemplo: sair para um lado e mais adiante mudar de direção. De carro ou a pé, essa tática livrou a cidadã blogueira de interceptações e atentados. Há outras, mas a blogueira não pode contar aqui, pois seus perseguidores "viraram" assíduos leitores do blog. Amanhece o dia e eles já estão aqui, escarafunchando cada vírgula que a blogueira escreve...

Além dos relatos que publica no blog, a blogueira encaminha informações a amigos, conhecidos, simpatizantes, ex-professores, intelectuais, juristas, autoridades dos três poderes, jornalistas e blogueiros, ativistas e defensores de direitos humanos, ongs nacionais e internacionais, veículos de comunicação daqui e de fora e outros.

A própria Anistia Internacional recomenda isso: que o cidadão que sofre violação de direitos não se amedronte, não se cale, e procure tornar pública sua condição de vítima de violência.

Abaixo, mais dicas de autoproteção.






PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
Secretaria Especial de Direitos Humanos


Cartilha de Autoproteção para Defensores de Direitos Humanos


A presente Cartilha procura abordar, de forma simples e prática, algumas técnicas de 
autoproteção, para Defensores de Direitos Humanos, que estejam em situação de risco iminente ou atual.

A proposta é fornecer subsídios relativos a condutas e procedimentos, que possibilitem 
reduzir ao máximo a potencialidade das agressões e sua concretização.

A defesa dos Direitos Humanos, muitas vezes, gera o descontentamento em alguns 
segmentos, o que torna os Defensores alvos de agressões, nas mais diversas modalidades.

Proteger a vida destes Defensores é sobremaneira importante, para a continuidade 
de sua missão, sempre visando a melhoria de nossa sociedade, através de efetivas práticas de cidadania.

As medidas presentes nesta Cartilha são genéricas, podendo e carecendo de adaptações 
pessoais, visando atender, muitas vezes, as necessidades específicas de cada Defensor. Em especial nas diversas localidades onde possa se encontrar.

Contudo, é uma ferramenta poderosa contra ações que possam vir em detrimento da 
integridade física e psicológica dos Defensores de Direitos Humanos.

A sistemática expositiva consiste em recomendações, acerca das mais variadas formas 
e métodos de autoproteção, tendo sido elaborada através de pesquisas realizadas com especialistas e pessoas que já tenham passado por situações de risco, desta natureza.

1. Muito cuidado com seus deslocamentos. Procure estabelecer rotas seguras para 
se deslocar de um ponto a outro. Sempre que possível, promova a alteração dos caminhos percorridos.

A manutenção de um mesmo caminho adotado possibilita que os agressores tracem 
um plano de ataque nos pontos mais vulneráveis da rota adotada. Ademais, permite que tenham tempo para planejar o ataque com maior precisão e efetividade.

Mude seus trajetos com frequência, procurando não realizar alterações que também 
guardem uma sistemática rotineira entre si. Dentro das possibilidades trace, mesmo mentalmente, rotas de fuga. Caso disponha de tempo, explore as vizinhanças dos trajetos percorridos, procurando conhecer bem o local por onde você realiza seus deslocamentos.

Procure andar em locais bem iluminados e que não sejam ermos ou isolados. Dentro 
do possível, não se desloque sozinho. A presença de mais pessoas geralmente intimida os agressores, que não desejam testemunhas para suas ações.

Cuidado ao parar o veículo em cruzamentos e semáforos. Quando o veículo está 
parado, sua vulnerabilidade aumenta. Tranque sempre as portas e procure andar com a abertura do vidro reduzida, em especial quando da parada do veículo.

Quando chegar aos destinos, observar bem o local de parada antes de efetivamente 
estacionar. Muitas vezes, os agressores ficam próximos dos portões de entrada, aproveitando o momento da chegada para atacar. Caso perceba alguma pessoa parada próximo dos portões de entrada, atrás de postes, não pare.

Outro ponto importante é o fechamento de portões automáticos. O tempo diferencial 
entre a total entrada do veículo e o término do fechamento do portão constitui elevado risco.

Procure parar o veículo em cruzamentos e sinais, sempre na faixa central e nunca 
muito próximo a outro veículo. Cuidado com esquinas que possuam muros ou objetos que impeçam a visão ampla.

Fração acentuada dos crimes praticados quando do deslocamento de veículos em 
via pública atualmente, são realizados utilizando-se de motocicletas. Geralmente, o passageiro (garupa) pratica a ação delituosa, ocorrendo em seguida a fuga. Esta fica facilitada, pelo fato das motocicletas não ficarem retidas em congestionamentos, devido ao seu porte reduzido.

2. Possua sempre à mão um equipamento de telefonia. Caso não seja possível, um 
equipamento de rádio ou outro sistema de comunicação eficaz. Tenha sempre programado diversos números de emergência. Combine com outras pessoas códigos que, mesmo com palavras comuns, permita expressar que você está em perigo.

Lembre-se sempre de estar com bateria suplementar para situações de risco.

Observe sons de chiados e estalos na linha telefônica. Isto pode significar que a linha 
está sendo monitorada (grampeada). Caso perceba tal situação evite combinar encontros e tratar de temas que permitam a obtenção de informações que possam ser utilizadas em seu desfavor.

Dentro do possível, grave as ligações que tragam caráter de ameaça. Procure, embora 
seja difícil, sustentar a conversa, fazendo com que o ameaçador fale o mais possível. Estas informações podem ser úteis para as investigações policiais.

Mesmo nas ligações em que os agressores nada falam, procure observar se há um 
som de fundo, que caracterize o local de onde está sendo feita a ligação.

O uso de aparelhos que localizam o número de onde se está fazendo a chamada é 
muito importante. Mesmo que estejam sendo realizadas de aparelhos pré-pagos ou telefones públicos, pode a ciência destes números ser muito útil nas investigações.

Ao perceber que está sendo seguido ou observado, procure manter a calma. Embora 
isto pareça quase impossível. Entre em locais movimentados e procure estar perto de muitas pessoas. Não entre em banheiros e locais reservados.

Procure tirar proveito da situação. Passe a observar quem lhe observa, verificando 
suas características, placa do veículo, estatura, cor, idade, traços físicos, etc. Anote tudo e repasse à autoridade policial e a mais uma ou duas pessoas de sua confiança.

Esta atitude intimida o agressor.

3. É recomendável, sempre que possível, o uso de cães, em casa ou nos deslocamentos 
a pé. Eles são excelentes instrumentos de defesa. Além disso, são ótima companhia e dão, com grande eficácia, o alarme, em caso de violação ou presença de estranhos.

Os alarmes eletrônicos também são muito importantes. Sensores de presença, por 
exemplo, têm um custo reduzido e informam com muita precisão a presença de pessoas e movimentação nos ambientes monitorados.

4. Tenha sempre em casa a posse de equipamentos de emergência. Dentre os
quais, recomendamos: lanterna com baterias sobressalentes, conjunto de primeiros socorros, etc. É aconselhável possuir um local da casa com segurança reforçada.

Um cômodo de difícil acesso, com trancas, porta reforçada e, muito importante, telefone 
e água.

5. Procure conhecer as forças policiais que atuam em seu Estado. E nos demais, por 
onde esteja atuando ou visitando. Tal conhecimento visa minimizar tentativas de abordagem nas denominadas falsas blitze.

6. Muita atenção quando for se hospedar em local estranho. Procure hotéis, pousadas 
ou instalações diversas, que chamem o mínimo de atenção. Restrinja, no que for possível, dados acerca de sua identificação e atividades, bem como demais informações.

7. Caso as ameaças estejam em nível muito acentuado, em sendo recomendável a 
alteração de endereço, aja com a maior brevidade possível. Não forneça o novo endereço, ao menos provisoriamente, aos entes próximos. Tal medida, inclusive, estará contribuindo com a segurança destes. Muito cuidado quando for visitar parentes, amigos e locais que sejam de importância notória para você. Fique atento para possíveis armadilhas. A recomendação é marcar encontros em locais diversos, sempre tendo cuidado para que a conversa não esteja sendo monitorada.

8. Tenha muito critério para frequência de locais públicos. Festividades, aglomerações 
de pessoas, locais onde seja realizada queima de fogos, são de risco acentuado.

Caso o comparecimento seja inevitável, fique atento e solicite que mais pessoas 
auxiliem na sua segurança. Não vá aos sanitários, comprar produtos, etc. desacompanhado.

9. Cuidado com o seu lixo. Evite jogar no lixo documentos e outros materiais que possam trazer informações a serem utilizadas em seu desfavor.

10. Muita atenção com envenenamento. Cuidado ao receber pessoas em casa, mesmo identificadas. Uniformes de empresas de prestação de serviço (correios, 
companhia de água, luz, etc.) têm sido utilizados para conseguir adentrar nas residências. Exija sempre uma identificação antes de permitir o acesso.

11. Altere suas rotinas de frequência. Estabelecimentos comerciais, locais públicos, 
etc., necessitam ter rotina de frequência alterada. Intercale dias, horários, visando não estabelecer uma rotina rígida.

12. Muito cuidado com o recebimento de encomendas. Analise bem a caixa, abra em 
local seguro.

13. Repasse para pessoas de sua confiança as informações sobre sua atuação, pessoas que estejam lhe ameaçando, e todos os demais dados que possam auxiliar 
as investigações. Monte dossiês das informações e repasse a pessoas de confiança.

14. Acredite nos seus sentimentos e sensações.


Brasília, 02 de setembro de 2003.
Comissão, Portaria 66/03 SEDH.

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domingo, 13 de outubro de 2013

A Inveja, o Ódio e o Mundo do Crime


Movidos e fortalecidos por um coquetel de Cobiça e Inveja, eles executam contra a cidadã as mais torpes vilanias.

Unidos e irmanados pelo Ódio, que há muito transbordou de suas entranhas, dardos pontiagudos são disparados por suas línguas enfurecidas.

Por que ela auferiu três títulos na U.S.P. (ó letras malditas!) e nós tivemos que amargar a compra de diplomas em escolas de quinta categoria?

Por que ela é articulada, fala bem, escreve melhor ainda, tem ideias originais, e nós tropeçamos no mais comezinho do idioma?

Por que ela cuida da vida dela, é independente, livre e desimpedida, e não tiramos o nariz da casa dela o tempo todo, mantendo-a sob cerrada vigilância?

Por que assassinamos cães amorosos e indefesos e ela tentou protegê-los, e, ousadia das ousadias, desferiu denúncias contra nós na Sociedade Protetora dos Animais e Delegacia de Crimes Ambientais?

Quem essa mulher pensa que é ao ter a petulância de dar opinião sobre Direito, Justiça, Advocacia e Poder Judiciário?

Por que precisamos assassinar a reputação e a imagem dela, enxovalhando seu nome e caráter, difamando-a e caluniando-a, sempre verbalmente, sem deixar provas?

Por que alguns de nós retribuímos com o Mal o Bem que ela nos fez?

Por que essa mulher nos incomoda tanto e precisamos satanizá-la, fabricando e incitando crimes contra ela?

Por que esta cidadã provoca em nós tamanha aflição, a ponto de nos fazermos delinquentes para exterminá-la?

Por que ocultamos o bom currículo que ela construiu de modo íntegro ao longo dos anos e espalhamos mentiras e achincalhes sobre ela, corrompendo pessoas para nos ajudar nessa infâmia?

Por que ela insiste em se manter no Mundo das Letras e da Cultura e nós enveredamos pela Senda do Crime?

Por que tentamos nos apropriar do que é dela e precisamos tachá-la de louca para escaparmos das punições da Lei?

Por que nos tornamos neonazistas e a perseguimos com violências inconfessáveis?

Por que nos sentimos no "direito" de invadir seu quintal e envenenar suas árvores?

Por que nos achamos no "direito" de promover contra ela linchamento moral e julgamento sumário?

Por que acreditamos ter o "direito" de armar emboscadas e ciladas para ela?

Por que ela deve pagar por nossas mazelas e imperfeições morais?

Por que emitimos energia de destruição, enquanto ela vive sua vida simples, não nos incomoda e não faz mal sequer a uma barata?

Por que precisamos exibir posses, carros de luxo, roupas de grife, iphones, ipads, ipods... enquanto ela, mesmo violentada por nossas cotidianas patifarias, continua vivendo tranquilamente sua vida simples e despojada?

Por que precisamos TER para ser, enquanto ela simplesmente É?

Por que ela nos causa tanta dor e aflição, a ponto de nos transformarmos em linchadores?

Que Doença da Alma é essa que nos acometeu, a ponto dela construir um baita muro para se proteger de nossa ação nociva, deletéria?





O culto e espirituoso Leandro Karnal, filósofo, historiador e professor da Unicamp, em palestras leves e divertidas, nos conta o que se passa nas almas tristes, obscuras e degradadas.

Vídeo 1:  Sobre a Inveja



Vídeo 2: Sobre o Ódio










Malala, a futura Primeira-Ministra do Paquistão


ALMA ATIVISTA



Há centenas de ativistas de direitos humanos e sociais que não estão só falando por seus direitos, mas que estão lutando para atingir objetivos de paz, educação e igualdade. 

Nós não podemos esquecer que milhões de pessoas estão sofrendo com pobreza, injustiça e ignorância. 

Nós percebemos a importância de luz quando vemos a escuridão. Nós percebemos a importância de nossa voz quando somos silenciados. 

Na noite de 9 de outubro de 2012, o Talibã atirou do lado esquerdo da minha cabeça. Atiraram nos meus amigos também. Eles pensaram que a bala iria nos silenciar, mas eles falharam. E no lugar do silêncio vieram milhares de vozes. Os terroristas pensaram que iam mudar meus objetivos e parar minha ambição, mas nada mudou na minha vida com exceção disso: fraqueza, medo e falta de esperança morreram; força, poder e coragem nasceram.

Eu sou Malala - A garota que defendeu a educação 
e levou um tiro do Talibã

"Já tive medo de morrer. Agora não tenho mais"

Malala Yousafzai diz querer ganhar o Nobel "no futuro" e afirma que adora o futebol brasileiro

Tania Menai - especial para O Estado de S. Paulo


Como boa paquistanesa, ela ama o futebol brasileiro. E como toda menina de 16 anos, adora escutar Justin Bieber e Selena Gomez. Também não perde um capítulo de Ugly Betty e faz questão de contar que levanta a voz para os irmãos. Esse é o lado menina da ativista Malala Yousafzai.


Ambição. Malala quer ser premiê do Paquistão

Gary Cameron/Reuters

Na quinta-feira, ela concedeu, ao lado de seu pai, Ziauddin Yousafzai, uma entrevista à apresentadora da CNN Christiane Amanpour perante uma plateia de centenas de convidados, na instituição cultural judaica 92Y, em Manhattan. Simpática, Malala divertiu o público, mas também arrancou lágrimas ao declarar que pretende ser a primeira-ministra do Paquistão. O evento foi aberto com o discurso de Samantha Power, a embaixadora americana para as Nações Unidas, que ressaltou o status de celebridade que Malala tem hoje - mas não uma celebridade de reality show. "O reality show dela é bem diferente", disse Power, ao dar um breve panorama da vida de crianças paquistanesas.

A entrevista será televisionada hoje, às 20 horas, horário de Brasília, pela CNN International, como parte do documentário The Bravest Girl in the World [A Garota mais Corajosa do Mundo]. Ao mesmo tempo, o evento comemorou o lançamento de sua biografia, I am Malala, cuja página oficial no Facebook tem mais de 25 mil seguidores. Essa foi sua primeira visita a Nova York, cidade que ela definiu como uma "Karachi desenvolvida". "Tem muito tráfego e muita gente buzinando a toda hora. Na Grã-Bretanha não é assim - lá só há silêncio", disse ela, que vive há um ano em Birmingham e foi convidada a visitar, em breve, a rainha Elizabeth no Palácio de Buckingham.

Talvez isso seja um pouco demais para uma menina que nasceu no distrito pashtun de Swat, de 1.250 habitantes, perto da fronteira com o Afeganistão, e há pouco tempo fazia feira com a mãe - analfabeta. "Minha mãe pedia para eu cobrir o rosto, porque os meninos estavam me olhando. E eu falava: ‘Mas eu também estou olhando para eles, mamãe!’".

A semana passada marcou o aniversário de um ano do atentado, ocorrido em 9 de outubro de 2012, que quase lhe tirou a vida. Ao voltar para casa em um ônibus escolar, Malala levou um tiro na cabeça que a deixou em coma por sete dias. "Não lembro de nada daquele dia. Mas me recordo que estávamos preocupadas, comparando as nossas notas de um teste, quando dois meninos entraram no ônibus. Um foi falar com o motorista. O outro estava muito perto de mim e gritou: ‘Quem é Malala?’. Quando descobriu, disparou dois tiros e um deles pegou do lado esquerdo da minha cabeça. A bala desceu pelo ombro e afetou também a minha audição. É um milagre eu estar viva", disse Malala, que usa vocabulário adulto e fala de forma articulada.

"Durante o coma, eu sonhava com aquele ônibus. Queria falar, mas não conseguia", recordou. "Quando acordei, estava com um tubo na minha garganta. Notei que eu não estava no Paquistão, porque lá só se falava inglês. Aí, pedi um papel e escrevi: ‘Onde está o meu pai e a minha mãe?’. Disseram-me que meu pai chegaria em breve. Então logo pensei: ‘Ele deve estar se endividando, pedindo dinheiro emprestado para pagar tudo isso. Será que ele deve estar vendendo aquele terreno que ele tem? Mas é apenas um terreninho, o dinheiro jamais vai pagar a conta deste hospital’."

A declaração arrancou risadas da plateia, mas um ano depois do atentado, Malala não tem mais que se preocupar com contas a pagar. Hoje ela é um fenômeno de mídia, coleciona condecorações, como o Prêmio Humanitário de Harvard e da Anistia Internacional, além de ter uma fundação em prol da educação com seu nome, a Malala Fund. Sua passagem pelos EUA foi documentada pelos mais importantes entrevistadores da televisão e a fila para o evento da CNN dava voltas no quarteirão, seguindo regras rígidas de segurança, como não levar bolsa.

Malala tem sido constantemente ameaçada de morte pelo Taleban, mas, pelo menos em discurso, ela diz que isso não a afeta. "Eles não me ameaçam - eles apenas me dão uma lembradinha. Eu já tive medo de morrer, agora não tenho mais. Um tiro pode até afetar o meu corpo. Mas não os meus sonhos", afirmou. "Ninguém imaginava que eu seria um alvo do Taleban. Pensávamos que eles iriam atrás do meu pai. Eu achava que eles teriam um pouco de ‘bons modos’ e não atacariam crianças diretamente, algo que eles normalmente não fazem", disse Malala, que tem um irmão mais velho e um mais novo.

Seu pai, um poeta, professor e ativista na área de educação, revelou que, mesmo depois do atentado, não se arrependeu de ter incentivado a filha, desde pequena, a ser porta-voz das meninas de seu país, onde apenas uma em cada cinco vai para a escola. Ele mesmo criou um colégio, em 1994, com quatro alunos e, hoje, soma 1,1 mil estudantes.

"Normalmente é uma vergonha em nossa cultura ter filhas. Mas eu nunca pensei assim", disse Ziauddin Yousafzai. "Quando me perguntam o que eu fiz pela minha filha, eu falo o que eu deixei de fazer: deixei de cortar suas asas", declarou ao Estado. "Não só o governo tem de dar escola, mas a sociedade tem de querer."

Ao receber alguns convidados em coquetel após a entrevista, Malala foi saudada por meninas da sua idade, executivos da editora que publicou seu livro e recebeu presentes. Ali, disse efusivamente ao Estado: "Adoro o futebol brasileiro".

Malala cumprimenta, escuta mais do que fala e olha nos olhos, sempre sob a supervisão dos responsáveis por sua biografia. A jovem ativista só perde o bom humor quando fala de mão de obra infantil e, principalmente, casamento infantil - situações que provocam evasão escolar. "Uma das minhas melhores amigas, Sara, sumiu da escola. Dois anos mais tarde, ela me ligou dizendo que foi obrigada a se casar com um homem muito mais velho. Hoje, ela tem a minha idade e dois filhos. Vocês podem imaginar?"

Malala acredita ainda ser muito jovem para ganhar o Prêmio Nobel. Ela diz que pretende colocar muita gente na escola e, aí sim, merecer o prêmio. "Quando eu era pequena, eu queria ser médica, porque era o que todas as meninas da minha classe diziam. Mas se eu for política, posso cuidar de muito mais gente."

Estadão Online

Destaques do ABC!

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sábado, 12 de outubro de 2013

Ensaio sobre a Inveja


A inveja é sempre negativa.

Inveja é tristeza pela felicidade do outro, alegria pela sua adversidade, aflição pela sua prosperidade, pelo seu brilho.

Inveja é dor diante do sucesso alheio.

O invejoso não se conhece. O invejoso não se olha. O invejoso só vê o outro. 

A inveja não vê a si. É uma espécie de cegueira.

Mozart e Salieri.

A inveja pode ser extremamente destrutiva.

As qualidades do outro me afligem tanto que eu preciso exterminá-lo.

"Que alegria ver (e até promover) a queda alheia!"


Como diz a sabedoria popular, a inveja é uma M...



O "evil eye": proteção contra o olhar demoníaco.


Ria, se divirta e entenda na palestra do filósofo Leandro Karnal como funcionam a mente, o coração e a ação nefasta dos invejosos.






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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A irresistível sedução da política


OPINIÃO



"É delegado virando deputado. É juiz virando vereador. É ministro virando prefeito. É bilionário virando senador. A política deve ter alguma coisa que interesse 'muito'. Mas muito mesmo. Ou então vive-se um momento de altíssima dedicação sôfrega e cidadania eleitoral potencializada à qual figuras ilustres aceitam ganhar menos e se sacrificar pela melhoria de vida do povo com a contribuição pessoal na política."




Brito, Calmon, JB, Luislinda: o Judiciário vai fechar!


JEAN MENEZES DE AGUIAR



É delegado virando deputado. É juiz virando vereador. É ministro virando prefeito. É bilionário virando senador. A política deve ter alguma coisa que interesse "muito"

Vive-se uma crise ética. Ou moral. Até aí nada de mais. A sociedade se acostumou a dizer "dane-se" para qualquer coisa, ou sua corruptela que começa por "f" mais deliciosa de se falar. Mas a quarentena que garantia certa compostura a "autoridades", jamais cumprida, deveria ser algo de foro íntimo. Para muitos continua sendo. Entretanto, para outros, não poucos, além de não existir, é o próprio cargo público que estranhissimamente é usado como trampolim.

Ayres Brito, Eliana Calmon, Joaquim Barbosa, Luislinda Valois são meros exemplos de magistrados que, ao que tudo indica, se lançaram às coxas quentes da política e sua sedução hipnótica. Algo aí está errado. Tanto mais estará quanto a defesa para a possibilidade política for formalista e autoritária. Do tipo: "não há nada ilegal, não há crime, a lei não proíbe".

O problema com certos cargos não é o que a lei proíbe, mas o que uma moral média deve nortear. Não se buscam santos. Não se tenta o primarismo mental farisaico da santidade ou da pureza. Mas uma dose visível de comedimento com a política partidária. Sim, ela. A menos que tudo já tenha virado um oba oba e esqueceram de avisar.

Por que a imprensa vem "denunciando" essas situações eleitorais de autoridades como escândalos jornalísticos? Será que a imprensa enlouqueceu? Há aí uma carniçaria jornalística demente? Certamente não. Um quantum de indecorosidade indefensável está no ar com essas situações.

Ou então estipula-se um combinado social: acabou, de vez, a tal respeitabilidade de certos cargos públicos no sentido de que há um vale tudo. O sujeito pode estar trabalhando no seu pomposo cargo, exigindo respeitosidades venerandas, quase papais, e estar de olho mundano e popular, bem popular, numa preocupação carnal com sua candidatura, cabos eleitorais, reuniões, jantares, conchavos e favores. Mais conchavos e favores do que tudo o mais. O ambiente normal da política. Tempo para isso parece não ser o problema. Nem um pouquinho.

O "famigerado" site Conjur fez a "odiosa" conta que causou tanta revolta, ira e ódio em não poucas "autoridades". Lê-se, sobre o cálculo temporal das delícias e folgas: "A revista Consultor Jurídico já fez de quantos dias o juiz trabalha por ano, de acordo com a previsão legal. Subtraídos finais de semana, feriados, férias, recessos e outras folgas, sobram apenas seis meses por ano para o Judiciário trabalhar". Quiseram prender os jornalistas, fechar o site, demonizar o editor. O segredo revelado foi infame. Mas aí deve estar um exemplo matemático de que a matemática erra. Certamente foi isso, erro de matemática, e ficamos combinados.

E o CNJ? Vai bem, obrigado.

É delegado virando deputado. É juiz virando vereador. É ministro virando prefeito. É bilionário virando senador. A política deve ter alguma coisa que interesse "muito". Mas muito mesmo. Ou então vive-se um momento de altíssima dedicação sôfrega e cidadania eleitoral potencializada à qual figuras ilustres aceitam ganhar menos e se sacrificar pela melhoria de vida do povo com a contribuição pessoal na política.

Não há qualquer sinal de mudança ou melhora neste quadro complicado. Ao contrário, a crise se agudiza a cada dia. A "vingança" social é a revelação pública dos fatos numa imprensa livre. Pelo menos com a democracia eles podem ser contados.


Brasil 247

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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Ativista Malala ganha prêmio internacional


E é forte candidata ao Nobel da Paz.

Agora, o mundo todo sabe da luta pessoal de Malala pela educação de meninas no Paquistão, do atentado que sofreu dos Talibãs, que a alvejaram com um tiro na cabeça, do seu histórico e emocionante discurso na Assembleia das Nações Unidas.

Malala ensina ao mundo que não se pode silenciar diante de ignorância, violência e injustiça.




Garota paquistanesa Malala ganha Prêmio Sakharov do Europarlamento


Menina levou um tiro na cabeça em um atentado do Talibã. Ela milita pelo direito às meninas a receber educação formal.








A jovem paquistanesa Malala Yousafzai, militante pelo direito à educação, ganhou nesta quinta-feira (10) o respeitado Prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, do Parlamento Europeu.

"Ao conceder este prêmio a Malala Yousafzai, o Parlamento Europeu reconhece a incrível força desta jovem mulher. Malala defende com bravura o direito de todas as crianças a ter uma educação. Este direito que muitas vezes é negado às mulheres", destacou o presidente do Parlamento, Martin Schulz, em um comunicado.

Schulz faz o anúncio oficial no plenário de Estrasburgo (leste da França, sede do Parlamento) nesta quinta-feira.

Os líderes dos grupos políticos do Parlamento escolheram por unanimidade a adolescente, vítima de um atentado a tiros do movimento fundamentalista islâmico talibã há um ano, por seu trabalho a favor da educação das meninas.

Malala, considerada uma das favoritas para vencer o Prêmio Nobel da Paz, será convidada a receber o prêmio em 20 de novembro em Estrasburgo.

Os líderes do Parlamento Europeu escolheram a jovem paquistanesa em uma lista que também tinha o nome do americano Edward Snowden, que revelou a vigilância sistemática dos Estados Unidos a nível mundial, e dos ativistas detidos de Belarus Ales Bialiatski, Eduard Lobau e Mykola Statkevich.

O prêmio Sakharov para a liberdade de consciência, que tem o nome como homenagem ao cientista e dissidente soviético Andrei Sakharov, foi criado em 1988 pelo Parlamento Europeu para reconhecer pessoas ou organizações que dedicam suas vidas ou ações à defesa dos direitos humanos e das liberdades.



Adolescente paquistanesa Malala Yousafzai (Foto: AFP)

G1

Destaques do ABC!

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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Malala: a pequena-grande cidadã ativista


ALMA ATIVISTA


Há centenas de ativistas de direitos humanos e sociais que não estão só falando por seus direitos, mas que estão lutando para atingir objetivos de paz, educação e igualdade. (...)

Nós não podemos esquecer que milhões de pessoas estão sofrendo com pobreza, injustiça e ignorância. (...)

Nós percebemos a importância de luz quando vemos a escuridão. Nós percebemos a importância de nossa voz quando somos silenciados. (...)

Na noite de 9 de outubro de 2012, o Talibã atirou do lado esquerdo da minha cabeça. Atiraram nos meus amigos também. Eles pensaram que a bala iria nos silenciar, mas eles falharam. E no lugar do silêncio vieram milhares de vozes. Os terroristas pensaram que iam mudar meus objetivos e parar minha ambição, mas nada mudou na minha vida com exceção disso: fraqueza, medo e falta de esperança morreram; força, poder e coragem nasceram.



Malala Yousafzai, ativista, escritora e blogueira


Um ano depois de tomar um tiro do Talibã, menina Malala reconstrói sua vida e vira símbolo internacional

Kiko Nogueira*


Publicado originalmente na BBC Brasil.



Há um ano, a estudante paquistanesa Malala Yousafzai foi atingida por um tiro na cabeça, disparado por um membro do Talibã. O “crime” dela foi ter defendido o direito das meninas à educação.

O mundo reagiu com indignação, e Malala sobreviveu, após semanas em tratamento intensivo. A história completa de Malala pode agora ser contada.

Malala Yousafzai teve a vida transformada pelo tiro que levou no dia 9 de outubro de 2012, aos 15 anos.

Hoje ela é a adolescente que marcou seu 16º aniversário com um discurso para o mundo na sede da ONU e é conhecida internacionalmente por seu primeiro nome.

É também uma estudante em Birmingham, na Grã-Bretanha, tentando se adaptar a uma nova escola, preocupando-se com deveres de casa e listas de leituras, enquanto sente falta de seus antigos amigos no Paquistão.



"Suíça do Paquistão"

A região do Vale do Swat, onde ela nasceu em 1997, já se orgulhou de ser conhecida como “a Suíça do Paquistão”. É uma região montanhosa, fresca no verão e com neve no inverno, com acesso fácil à capital, Islamabad. E em 1997 ainda estava em paz.

Historicamente, o noroeste do país é uma das regiões menos desenvolvidas do Paquistão. Mas o Swat, curiosamente, há muito tempo é mais avançado em termos de educação.

Até 1969, a região era um principado semiautônomo, com um governo chamado Wali. O primeiro de seus governantes foi Miangul Gulshahzada Sir Abdul Wadud, apontado por um conselho local em 1915.

Apesar de não ter tido educação formal, ele estabeleceu as bases para uma rede de escolas no vale – a primeira escola primária para meninos apareceu em 1922, seguida alguns anos depois pela primeira escola para meninas.

O padrão continuou com seu filho, Wali Miangul Abdul Haq Jahanzeb, que chegou ao poder em 1949 e criou escolas secundárias e faculdades, incluindo o Jahanzeb College, fundado em 1952, onde o pai de Malala, Ziauddin Yousafzai, estudaria muitos anos depois.

Diante desse histórico, o destino que recaiu sobre as escolas do Swat nos primeiros anos do século 21 é particularmente trágico.

Quando Malala nasceu, seu pai havia realizado o sonho de fundar sua própria escola, que começou com apenas alguns alunos e se transformou em um estabelecimento com mais de mil meninas e meninos.


Grandes aspirações

Na escola é possível ver que a ausência de Malala é profundamente sentida. Do lado de fora de sua antiga classe, há um recorte de jornal a respeito dela. Dentro, sua melhor amiga, Moniba, escreveu o nome Malala em uma cadeira da primeira fila.

Esse era o mundo de Malala – não de riqueza ou privilégios, mas uma atmosfera dominada pela educação. E ela cresceu uma jovem precoce, autoconfiante e assertiva.

Nisso, ela não estava sozinha. Em sua antiga classe, o foco e a atenção são absolutos, com grandes aspirações. Muitas das meninas querem ser médicas, e uma delas diz querer um dia comandar o Exército do país.

Parte da razão para essa motivação é que apenas empregos qualificados permitirão a essas meninas uma vida fora de seus lares. Enquanto meninos com pouca educação podem esperar encontrar trabalhos pouco qualificados, suas colegas do sexo feminino terão seu poder de ganhar dinheiro restrito ao que podem fazer dentro das quatro paredes de suas casas – talvez costura.

“Para meus irmãos, era fácil pensar sobre o futuro”, diz Malala. “Eles podem ser o que quiserem. Mas para mim era mais difícil, e por isso queria me tornar educada e ganhar força com meu conhecimento.”

Esse futuro ficou ameaçado quando os primeiros sinais da influência do Talibã apareceram, em meio a uma onda de sentimentos antiocidentais no Paquistão, nos anos imediatamente depois dos ataques de 11 de setembro de 2001 e a consequente invasão do vizinho Afeganistão, liderada pelos americanos.

Como em outras partes do noroeste do Paquistão, o Swat sempre foi uma região devota e conservadora, mas o que estava acontecendo em 2007 era muito diferente – anúncios de rádio ameaçando punições no estilo da Sharia (a lei islâmica) para quem não seguisse as tradições muçulmanas locais. E que, de forma ameaçadora, lançavam normas contra a educação.


Educação interrompida

O pior período foi ao final de 2008, quando o líder Talibã local, Mullah Fazlullah, emitiu uma advertência aterrorizante: toda a educação feminina deveria ser interrompida em um prazo de um mês, ou as escolas sofreriam consequências.

Malala lembra bem daquele momento: “ ‘Como eles podem nos impedir de ir à escola?’, eu pensava. ‘É impossível, como eles podem fazer isso?’ ”.

Mas Ziauddin Yousafzai e seu amigo Ahmad Shah, que administrava outra escola próxima, tinham que reconhecer isso como uma possibilidade real. O Talibã sempre cumpria suas ameaças.

Os dois discutiram a situação com os comandantes militares locais. “Perguntei quanta segurança eles nos garantiriam”, lembra Shah. “Eles disseram: ‘Nós garantiremos a segurança, não fechem suas escolas’.”

Mas era mais fácil falar do que fazer.

Nessa época, Malala tinha apenas 11 anos, mas estava bem atenta a como as coisas estavam mudando.

“As pessoas não precisam saber dessas coisas com 9, 10 ou 11 anos, mas nós estávamos testemunhando terrorismo e extremismo, então precisávamos estar atentas”, diz.

Ela sabia que seu modo de vida estava ameaçado. Quando um jornalista do serviço em urdu da BBC perguntou ao seu pai sobre jovens que estariam dispostos a dar sua perspectiva sobre a vida sob a ameaça do Talibã, ele sugeriu Malala.

O resultado foi o “Diário de uma Estudante Paquistanesa”, um blog publicado pela BBC Urdu, no qual Malala relatava sua esperança de continuar frequentando a escola e os temores pelo futuro do Swat.


"Defender os meus direitos"


Ela viu o blog como uma oportunidade. “Eu queria defender meus direitos”, diz ela. “E também não queria que meu futuro fosse estar sentada entre quatro paredes, apenas cozinhando e dando à luz a filhos. Não queria ver minha vida daquele jeito.”

O blog era anônimo, mas Malala também não tinha medo de falar em público sobre o direito à educação, como fez em fevereiro de 2009 para o apresentador de TV paquistanês Hamid Mir.

“Fiquei surpreso de saber que havia uma menina no Swat que podia falar com grande confiança, que era muito corajosa e articulada”, diz Mir. “Mas ao mesmo tempo estava preocupado com sua segurança e com a segurança de sua família.”

Naquela época, o pai de Malala parecia estar sob maior risco. Ativista social e educacional conhecido, ele sentia que o Talibã se moveria das áreas tribais do Paquistão para o Vale do Swat.

A própria Malala estava preocupada com ele. “Eu pensava: ‘O que eu faria se um Talibã vier à minha casa? Vamos esconder meu pai em um armário e chamar a polícia’ ”, lembra.

Ninguém pensava que o Talibã alvejaria uma criança. Houve, porém, incidentes notórios nos quais eles haviam atacado mulheres como exemplo. No começo de 2009, uma dançarina foi acusada de imoralidade e assassinada. Seu corpo foi colocado em praça pública no centro de Mingora. Pouco depois, houve um escândalo em todo o Paquistão após o aparecimento de um vídeo de Swat que mostrava o Talebã chicoteando uma menina de 17 anos acusada de “relações ilícitas” com um homem.

Com o secretário-geral da ONU Ban Ki-Moon


"Voz mais poderosa"

Ziauddin Yousafzai sabia que a notoriedade de Malala no vale a colocava em risco, mesmo não podendo prever o que aconteceria.

“A voz de Malala era a mais poderosa no Swat porque a maior vítima do Talibã eram as meninas estudantes e a educação das garotas, e poucas pessoas falavam sobre isso”, ele diz. “Quando ela falava sobre educação, todo mundo prestava atenção.”

Quando Malala foi alvejada, em 2012, os piores dias do poder do Talibã sobre o Swat já tinham ficado para trás. Uma grande operação militar havia expulsado da região a maioria dos militantes, mas alguns permaneceram, discretamente.

“A vida era normal para as pessoas normais, mas para aqueles que levantaram suas vozes, era um período arriscado”, diz Malala. Ela era uma dessas pessoas.

Na tarde do dia 9 de outubro, ela deixou a escola, como sempre fazia, e subiu em um pequeno ônibus escolar.

Era um trajeto curto até sua casa, mas sua mãe insistia para que ela fosse de ônibus ou de carro por segurança.

No caminho de volta, Malala notou algo diferente. “Perguntei a Moniba: ‘Por que não há ninguém na rua?’ ”

Instantes mais tarde, ainda a poucos metros do colégio, dois jovens entraram no ônibus. Segundo Moniba, eles pareciam estudantes.

Um deles perguntou, em voz alta, ‘Quem é Malala?’. Inicialmente, pensou-se que eram jornalistas, atrás da conhecida estudante. Mas Malala sentiu o perigo. “Ela ficou muito assustada”, Moniba lembra.

As outras meninas no ônibus olharam para Malala, inocentemente identificando-a. Começaram os disparos. As meninas sentadas no lado oposto ao de Malala, Shazia Ramzan e Kainat Riaz, também seriam feridas. Ao ver Malala ensanguentada na cabeça, Moniba desmaiou.

Passaram-se 10 minutos até que o socorro chegasse. As quatro foram levadas, três delas feridas.


"Orgulho de você"

Ao saber do atentado, o pai de Malala correu para o hospital, onde encontrou a filha em uma maca.

“Quando olhei para a face dela, desabei, beijei a testa dela, o nariz, as bochechas”, ele conta. “E aí eu disse, ‘Você é minha orgulhosa filha, e eu tenho orgulho de você.”

Baleada na cabeça, Malala corria alto risco. Um helicóptero a levou para o hospital militar de Peshawar, o melhor da região. Sem esperança, Ziauddin Yousafzai preparava-se para o pior e ligava para parentes, para que começassem a organizar o funeral. “Foi o momento mais difícil da minha vida.”

“Ela estava inicialmente consciente, mas muito agitada”, lembra o neurocirurgião coronel Junaid Khan, que a atendeu, já na unidade militar.

A bala havia entrado sobre a sobrancelha esquerda e se alojado no fundo do crânio.

Depois de algumas horas, as condições da menina se deterioraram muito. Uma tomografia mostrou inchaço no cérebro e necessidade de uma cirurgia urgente. A parte do cérebro envolvida é a que responde pela fala e por movimentos de pernas e braços.

O crânio foi aberto e a cirurgia entrou em curso. Até aquele momento, Khan conta, ele não tinha ouvido falar de Malala. Mas a chegada de hordas de jornalistas e equipes de TV deu a dimensão da revolta com o caso no Paquistão e no resto do mundo. Havia a sensação de que, se o Talebã fez isso com uma menina, poderia fazer com qualquer um.


"Um livro e uma caneta podem mudar o mundo"

No dia 12 de julho, nove meses depois do disparo, viria a maior conquista. Malala chegaria à Assembleia da ONU para discursar. Era o dia do 16º aniversário dela.

“Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo”, ela disse a 400 jovens na assembleia.

Ziauddin Yousafzai crê que o discurso da filha foi um ataque contra as percepções negativas em relação a pashtuns, paquistaneses e muçulmanos.

“Ela estava dizendo ao mundo: nós não somos terroristas, nós somos pacíficos, nós amamos educação.”

Agora até especula-se se Malala deveria receber o Prêmio Nobel da Paz.

A menina de Swat se tornou conhecida globalmente, mas ela ainda acredita que deve voltar ao Paquistão. Poucos recomendariam que ela o fizesse tão cedo. Ainda há temores de segurança, já que ela atrai muita atenção.

Mas Malala não parece disposta a se esconder. “Eles (os críticos) têm o direito de expressar o que sentem, e é meu direito dizer o que quero. Quero fazer algo pela educação, este é meu único desejo”.

E quando questionada sobre o que os militantes do Talibã conseguiram no dia em que dispararam contra ela, Malala sorri.

“Acho que eles devem ter se arrependido. Agora, sou ouvida no mundo inteiro.” 



* Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.


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