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Editoria/Sônia Amorim: ativista, blogueira, escritora, professora universitária, palestrante e "canalhóloga"
Desafinando o Coro dos Contentes...
Malala Yousafzai e Kailash Satyarthi dividem o Nobel da Paz
A jovem paquistanesa defende direitos das meninas à educação. O ativista indiano Kailash Satyarthi atuana luta contra o trabalho infantil desde a década de 1980
Malala Yousafzai em imagem de 17 de setembro, durante evento
em Dublin, na Irlanda. Ela se tornou mundialmente famosa
ao manter sua luta por direitos mesmo após ser baleada
na cabeça por integrantes do Talibã paquistanês
O Comitê norueguês do Nobel anunciou nesta sexta-feira 10 que a paquistanesa Malala Yousafzai é a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2014. A jovem ativista luta pelo acesso à escola de meninas no Paquistão e sobreviveu a uma tentativa de homicídio por parte de talibãs. Malala, de 17 anos, é a mais jovem ganhadora do prêmio até o momento. Desde os 11 anos, ela luta pelos direitos das meninas à educação no Paquistão.
Junto com Malala, o indiano Kailash Satyarthi foi nomeado covencedor do Nobel da Paz. O ativista de direitos humanos, de 60 anos, libertou milhares de crianças do trabalho escravo na Índia. Ele abandonou a profissão de engenheiro elétrico e fundou o movimento Save the Childhood (Salve a Infância) em 1980.
O Comitê do Nobel decidiu homenagear Malala e Satyarthi por sua "luta contra a supressão de crianças e jovens e pelo direito de todas as crianças à educação". "Crianças devem ir à escola, e não serem exploradas", destacou.
"[O prêmio] é uma honra a todas as crianças que ainda sofrem com a escravidão, trabalho forçado e tráfico humano", disse Satyarthi (na foto abaixo) à emissora de TV CNN-IBN após o anúncio do prêmio.
O prêmio, no valor de cerca de 1,1 milhão de dólares, será entregue em Oslo no dia 10 de dezembro, o aniversário de morte do sueco Alfred Nobel, que fundou a premiação em 1895.
Antes de Malala, o ganhador mais jovem de um Nobel era o cientista de origem australiana Lawrence Bragg, que tinha 25 anos ao dividir o Nobel de Física com seu pai, em 1915.
Em 2013, Malala lançou sua autobiografia, intitulada Eu sou Malala: a menina que os talibãs queriam matar por lutar pelo direito à educação, pela qual foi laureada pelo Parlamento Europeu com o Prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento.
A autobiografia foi lançada exatamente um ano após ela ter sido atacada e ferida gravemente por talibãs. Em 9 de outubro de 2012, Malala voltava da escola para casa com amigas em sua terra natal, o Vale do Swat, quando radicais islâmicos invadiram o ônibus em que estavam e dispararam um tiro contra a cabeça da adolescente. Após uma operação de emergência, ela foi transportada de avião para a Inglaterra onde, durante os meses seguintes, lutou para sobreviver ao atentado.
Antes disso, em 2009, Malala escreveu um blog para a emissora britânica BBC, usando o pseudônimo Gul Makai, tornando-se, então, muito popular. Nele, Malala descreveu as ações das milícias islamistas no Vale do Swat, contestando o fechamento de escolas para meninas pelos talibãs.
Além da homenagem no Parlamento Europeu e do Nobel da Paz, Malala tem sido celebrada no Ocidente e laureada com numerosos prêmios por seu engajamento incansável. Em 2013, no dia de seu aniversário, 16 de julho, ela falou à Assembleia Jovem da ONU em Nova York, onde foi aplaudida de pé. Ela também recebeu o Prêmio Internacional da Paz da Infância e foi nomeada Embaixadora da Consciência pela ONG Anistia Internacional.
Ele talvez tenha sido o último escritor com o carisma dos grandes literatos. Morreu aos 87 anos, vítima de um câncer, depois de escrever mais de 30 livros. Vendeu mais de 40 milhões de exemplares em 30 idiomas.
Gabriel García Márquez viveu plenamente a literatura, dentro e fora dos livros. Quando tinha 17 anos e ainda lutava com as palavras, leu “A Metamorfose”, de Kafka, a história de um homem que um dia acorda transformado em um inseto. “Pode-se escrever desse jeito? Então eu quero ser escritor”.
Mas só muito mais tarde, com 39 anos, é que seguiu a lição de Kafka, a partir de algo que ouviu de seu avô sobre a guerra dos Mil Dias na Colômbia. “Muitos anos depois, em frente ao pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendia haveria de se recordar daquela tarde remota em que seu pai o levou a conhecer o gelo”.
Essa é a primeira frase do livro “Cem Anos de Solidão”, que leva a Macondo, reprodução literária de Aracataca, uma aldeia perdida no caribe colombiano, onde nasceu e viveu a infância. Representa o auge do realismo fantástico, uma das responsáveis pelo boom internacional da literatura latino-americana.
“A maioria dos críticos não percebe que ‘Cem Anos de Solidão’ é uma espécie de piada, cheia de referências para amigos próximos”, disse ele. Em 1982, premiado com o Nobel, aos 55 anos, era um dos mais jovens escritores a ganhar o prêmio — no qual apareceu vestido com um “liquiliqui”, típica roupa dos homens colombianos, quebrando o protocolo da sisuda academia. Na cerimônia de entrega do prêmio, perguntaram se esse era o dia mais importante da sua vida. “Não”, respondeu ele secamente. “Esse dia foi quando eu nasci”.
Gabo, como foi chamado a vida toda, era um escritor de rituais, capaz de passar 12 horas debruçado sobre uma velha máquina de escrever — desde que tivesse uma rosa amarela sobre a mesa “para espantar os demônios da literatura”. Falava que “a realidade é muito difícil de interpretar e é sempre melhor do que a ficção”, mas qualquer um que conheça sua obra sabe que ele rompeu essa fronteira sem deixar vestígios. Chegava a fumar até seis maços de cigarro por dia enquanto escrevia, tresloucado, suas histórias.
Saiu de Aracataca para estudar direito em Bogotá, mas, durante o curso, começou a praticar jornalismo — profissão que exerceu até o estrondoso sucesso de “Cem Anos de Solidão”. Ao mesmo tempo, iniciou uma das atividades que conduziu por quase toda a vida: a política. Seu ativismo de esquerda e a amizade que tinha com Fidel Castro fizeram com que se exilasse no México e colecionasse inimigos por todas as partes.
Talvez isso explique a célebre briga que teve com o até então dileto amigo e colega de letras Mario Vargas Llosa. Em 1976, diante de um cinema no México, os dois se encontraram e, ao contrário do abraço que García Márquez esperava, recebeu um direto de direita e caiu no chão. Até hoje não há uma versão oficial para a célebre briga — há quem diga que foi por mulher, outros por política.
Em 1999, ele foi diagnosticado com um câncer linfático, mas já sofria de demência senil, anunciada pelo seu irmão em 2012. Foram anos de luta. Gabo queria escrever, mas sofria com as palavras e, principalmente, com a falta de memória. Nos últimos anos, não conseguia dar continuidade às suas histórias porque esquecia-se delas.
Passou a última década recolhido em sua casa na Cidade do México, pouco aparecendo para dar entrevistas ou falar de literatura. Estava fraco, seu olhar não tinha a mesma vivacidade. No ano passado, no dia em que completou 86 anos, 6 de março, fez sua última aparição pública, por alguns minutos. Mas não falou nada, a não ser para rechaçar os jornalistas: “vão caçar notícia em outro lugar”, resmungou.
Apesar de tudo, ele não esteve completamente inativo na última década. Seu último livro, “Memórias de minhas Putas Tristes”, fala de um homem que vive uma velhice safada — como a que ele talvez estivesse vivendo. Mas ainda há uma obra a ser publicada, segundo conta seu editor Cristóbal Pera. “Ele ficou corrigindo obsessivamente o livro e escreveu seis finais”, disse. Tudo indica, no entanto, que terminou o livro, chamado “Em agosto Nos Vemos”, mas com a recomendação de que só fosse publicado depois da sua morte.
“A vida não é o que vivemos, mas o que o lembramos e como contamos o que lembramos”, disse ele em uma de suas últimas entrevistas.
LIBERDADE DE EXPRESSÃO Joan Baez, 73 anos, cantora e ativista americana, impedida de cantar pela ditadura militar brasileira, em 1981, volta a São Paulo para duas apresentações, hoje e amanhã, 33 anos depois. Ditadura Nunca Mais !!!
Nasci com um dom. Posso falar de meus dons com pouca ou nenhuma modéstia, mas com tremenda gratidão. Precisamente porque são dons e não coisas que eu criei, ou ações que me deixariam orgulhosa. Meu maior dom, brindado a mim por forças que contradizem genética, ambiente, raça ou ambição, é uma voz para cantar. Meu segundo grande dom, sem o qual eu seria uma pessoa inteiramente diferente, com uma história inteiramente diferente para contar, é um desejo de compartilhar aquela voz, e aquelas recompensas que ela me trouxe, com outras pessoas. Daquela combinação de dons, criou-se uma riqueza incomensurável – uma riqueza de aventuras, de amizades e de alegrias.
A ativista brasileira Ana Paula Maciel, detida há um mês na Rússia após protestar junto com outros 29 integrantes do Greenpeace em uma plataforma de petróleo no Ártico, ganhará liberdade provisória após pagamento de fiança, anunciou a organização ambientalista nesta terça-feira (19) em seu Twitter.
A reação da mãe de Ana Paula, Rosangela Maciel, ao receber a sentença: Esta é a mais bela notícia que eu recebo nos últimos dois meses, mas a Justiça só será feita quando todas as acusações absurdas forem derrubadas. Uma pessoa que só faz o bem pelo planeta, como minha filha, precisa ser reconhecida pelos seus atos, não acusada injustamente. Somente assim podemos ter fé no futuro.
Alma Ativista: atrás das grades, em prol da causa...
Banco de Imagens: Greenpeace
Brasileira detida na Rússia ganha liberdade provisória, diz Greenpeace
Ana Paula Maciel será 1ª estrangeira do grupo a ter liberdade concedida. Na segunda (18), três russos foram libertados sob pagamento de fiança.
Ativista brasileira Ana Paula Maciel é escoltada por policiais russos nesta terça
(Foto: Evgeny Feldman/AP)
A ativista brasileira Ana Paula Maciel, detida há um mês na Rússia após protestar junto com outros 29 integrantes do Greenpeace em uma plataforma de petróleo no Ártico, ganhará liberdade provisória após pagamento de fiança, anunciou a organização ambientalista nesta terça-feira (19) em seu Twitter.
"Ana Paula Maciel vai ganhar liberdade provisória, sob fiança. A decisão acaba de ser anunciada em audiência. Mais detalhes em breve", diz o texto. A brasileira será a primeira ativista estrangeira do grupo a ser libertada.
De acordo com o Greenpeace, ela deve deixar o local onde está detida ainda esta semana.
Nesta terça, também deverão ganhar a liberdade provisória os ativistas David Haussmann, da Nova Zelândia, Miguel Orsi, da Argentina, e Tomasz Dziemianczuk, da Polônia. Outras cinco audiências vão acontecer ainda nesta terça.
Na segunda-feira (18), a Justiça russa concedeu possibilidade de fiança para outros três ativistas, todos russos: a médica Yekaterina Zaspa, o fotógrafo Denis Sinyakov e o porta-voz do Greenpeace Andrei Allakhverdov. Eles poderão sair mediante pagamento de 2 milhões de rublos cada (cerca de R$ 143 mil).
Por outro lado, o ativista australiano Colin Rusell teve sua prisão preventiva estendida por mais três meses. Segundo o Greenpeace, o grupo é acusado de vandalismo e pirataria.
Brasileira Ana Paula Maciel deixa corte em São Petersburgo, na Rússia
(Foto: Dmitry Lovetsky/AP)
Além disso, de acordo com a ONG, a Justiça russa ainda não divulgou quais serão as restrições para os ativistas em liberdade provisória. "Ainda não se sabe, portanto, se Ana Paula poderá deixar o país ou receber visitas. Os detalhes devem ser esclarecidos nos próximos dias. As autoridades também não justificaram o porquê de apenas alguns integrantes do grupo terem a liberdade concedida", diz o Greenpeace em nota.
"O pedido de fiança ter sido aceito para alguns de nossos amigos foi uma ótima notícia. Mas só vamos celebrar quando todos estiverem livres para voltar para casa e quando suas acusações forem retiradas", afirma no texto Mads Christensen, do Greenpeace Internacional.
A nota da ONG também cita a reação da mãe de Ana Paula, Rosangela Maciel, ao receber a sentença: "Esta é a mais bela notícia que eu recebo nos últimos dois meses, mas a Justiça só será feita quando todas as acusações absurdas forem derrubadas. Uma pessoa que só faz o bem pelo planeta, como minha filha, precisa ser reconhecida pelos seus atos, não acusada injustamente. Somente assim podemos ter fé no futuro". O grupo do qual a brasileira faz parte foi primeiro detido em Murmansk e, na semana passada, transferido para São Petersburgo, onde ocorrerão as audiências até o fim desta semana. Os tribunais russos ainda vão decidir se mantêm ou libertam sob fiança os outros 26 tripulantes do navio "Artic Sunrise". A prisão provisória do grupo termina, em princípio, no dia 24 de novembro.
Na sexta-feira (15), o Greenpeace anunciou que o Comitê de Investigação russo queria manter os ativistas detidos por mais três meses. G1 Destaques do ABC! *
Não se pode aceitar a Injustiça. É um dever não cooperar com o Mal. Gandhi, o Mahatma (a Grande Alma)
Andava na direção contrária. Pensava o que ninguém pensava. Fazia o que ninguém estava fazendo. É compreensível que tenha sido assassinado.
Gandhi
T. S. Eliot, poeta, escreveu o seguinte aforismo: "Numa terra de fugitivos, aquele que anda na direção contrária parece estar fugindo." É fácil entender os que andam na direção em que todos andam. Seus pensamentos e atos têm suas origens no tempo e são expressões da teia das relações sociais em que estão enraizados. Eles pensam e falam aquilo que a linguagem "gregária" os obriga a pensar e falar. A linguagem gregária é como um jogo de xadrez, com uma lógica rigorosa e desenvolvimento previsível. As instituições e os jornais se fazem com ela. Assim, basta que as primeiras palavras sejam ditas para que se possa adivinhar quais serão as últimas.
Os que andam na direção contrária, entretanto, são aqueles que dizem o que não se pode adivinhar e que não era previsto. Seus pensamentos e palavras são sempre um susto, uma surpresa, um lapsus freudiano. Estes são os hereges, os poetas, os místicos, os visionários, os palhaços, os profetas, os loucos, as crianças (antes de terem sido normatizadas pelas escolas...) Não são seres desse mundo. O que dizem sugere que suas raízes estão fora do tempo. Estarão na eternidade? Seria esta a razão por que a notícia envelhece logo e é logo esquecida (quem seria tolo de ficar lendo jornais do mês passado?), enquanto a fala dos que andam na direção contrária atravessa os séculos? Isso explicaria também os sentimentos de solidão e exílio que são a sua marca. De Cecília, Drummond disse que "distância, exílio e viagem transpareciam no seu sorriso benevolente". E ela mesma disse que o seu principal defeito era "uma certa ausência do mundo". Também Nietzsche lamentava a sua solidão e exílio. Desesperado de não ser entendido, disse que nunca mais falaria ao povo; só falaria aos amigos... e às crianças...
Dos que andaram na direção contrária lembro-me agora de um de forma especial, porque no dia 30 de janeiro se completarão 53 anos da sua morte. No dia 30 de janeiro de 1948 Gandhi foi assassinado. Os que andam na direção contrária são sempre sacrificados, de um jeito ou de outro. Releio um livrinho que escrevi sobre ele. Foi uma experiência estranha. Ao escrevê-lo tive a nítida impressão de estar num transe. Sem que eu fosse vegetariano fiquei incapacitado de comer carne enquanto escrevia. A carne que antes eu comia com prazer passou a causar-me repugnância. Vou transcrever, em memória a Gandhi, uns curtos trechos do que escrevi. Não creio que o que eu pudesse escrever agora, sem estar em transe, pudesse ser melhor...
Olhar para os animais e as plantas me enchia de alegria. Eu queria cuidar deles como quem cuida de algo frágil e precioso. Aí o mandamento cristão do amor me parecia pouco exigente. Pedia apenas amor ao próximo. Os cristãos entenderam que esse ‘próximo’ se referia apenas às pessoas. Eu, ao contrário, penso que todas as coisas que vivem são minhas irmãs. Elas possuem uma alma. (...) Amarás à mais insignificante das criaturas como a ti mesmo. Quem não fizer isso jamais verá a Deus face a face. (...) Agora digam: acham que eu poderia me alimentar da carne de um animal que foi morto e sentiu a dor lancinante da faca, para que eu vivesse? Que alegria poderia eu ter em tamanha crueldade? A natureza foi generosa o bastante, dando-nos frutas, verduras, legumes, cereais. Por mais que tentem me convencer de que as maneiras ocidentais são as melhores para a saúde, sempre as encarei com horror. Antes morrer que matar. Em nenhuma hipótese causar medo ou dor a coisa alguma. (...) Nosso destino espiritual passa por nossos hábitos alimentares. Estou convencido de que a saúde depende de uma condição interior de harmonia com tudo o que nos cerca. Comer demais é uma transgressão dessa harmonia. (...) Quando nos abstemos estamos silenciosamente dizendo às coisas vivas: ‘Podem ficar tranquilas. Não as farei sofrer desnecessariamente. Só tomarei para mim o mínimo necessário para que meu corpo viva bem. Foi o que fiz. Vivi frugalmente. Fiz jejuns enormes. E minha saúde foi sempre boa. (...) Toda vida é sagrada, porque tudo o que vive participa de Deus. E se até mesmo o mais insignificante grilo, no seu cricri rítmico, é um pulsar da divindade, não teríamos nós, com muito mais razão, de ter respeito igual pelos nossos inimigos? (...) Sempre acreditei que no fundo dos homens existe algo de bom. Como poderia eu odiar qualquer pessoa, mesmo os que me tinham por inimigo? Dirão que não é assim. Há crueldade, o ódio, a morte... Será que algumas gotas de água suja serão capazes de poluir o oceano inteiro? Que força do mal poderá apagar o divino que mora em nós? (...) Parece que os ocidentais não acreditam que os homens sejam naturalmente bons e belos. É por isso que se tornaram especialistas em meios de coerção e sabem usar o dinheiro e os fuzis como ninguém mais... É por isso que estão sempre tentando melhorar os homens por meio de adições: a comida em excesso, a roupa desnecessária, a velocidade da máquina, a complicação da vida...
Eu nunca quis entender de política. Só quis entender da bondade e dos seus caminhos. A política foi uma consequência e não a inspiração... Eu teria feito as mesmas coisas, ainda que não houvesse consequência alguma. (...) Os políticos, acostumados a usar o poder da força, desconhecem o poder das sementes... (...) Não haverá parto se a semente não for plantada, muito tempo antes... Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses... (A magia dos gestos poéticos, Ed. Olho D’Água.)
A multidão de políticos que andavam na mesma direção só viam, pensavam e falavam sobre uma única coisa, sobre como libertar a Índia do poder inglês – politicamente? Gandhi percebia que esse seria um ato inútil – como abrir o casulo antes que a borboleta estivesse com asas para voar.
Político, nunca pertenceu a partido, nunca se elegeu para nada, nunca inaugurou obras. Sabia que a grande tarefa do líder político, anterior a todas as outras, não era a de administrar o poder mas a de formar um povo. E um povo se forma quando as pessoas tomam consciência da beleza e da bondade que nelas existe.
Andava na direção contrária. Pensava o que ninguém pensava. Fazia o que ninguém estava fazendo. É compreensível que tenha sido assassinado. (Folha de S. Paulo, Tendências e Debates, 31/01/2001.)
Lutar pelos mais frágeis, humanos ou não. Falar pelos que não têm voz. Defender direitos de muitos, de vários, de todos, e não apenas os interesses próprios, nem sempre legítimos.
Assim são os ativistas.
Indignados, inconformados.
Nem sempre compreendidos, por sua ação firme, incansável, ousada, eles desestabilizam, perturbam, inquietam, põem o dedo na ferida, "desafinando o coro dos contentes".
É assim que o mundo avança.
Nina Rosa Jacob
De família rica, ex-modelo internacional, a extraordinária ativista e protetora Nina Rosa Jacob fundou o Instituto Nina Rosa, que com carinho e coragem e sob o lema "Projetos por Amor à Vida" atua vigorosamente na defesa dos animais.
Quando era pequena, tinha uma cadela dogue alemã, chamada Nora. Ela era uma grande paixão. Não me lembro muito bem da minha infância, mas meus irmãos contam que eu fiquei bem deprimida quando ela morreu. Eu tinha uns sete anos. Depois disso, nunca mais tive nenhum bicho de estimação, até os 40 anos de idade. Foi quando uma das minhas irmãs se mudou para a França e meus sobrinhos pediram que eu ficasse com sua cocker de estimação, que se chamava Cléo. Resisti um pouco, mas acabei aceitando. Ela deu cria e fiquei com um dos filhotes, a Chica. Gostava muito das duas, mas tinha uma vida muito enlouquecida como produtora de moda, e não podia dar tanta atenção. Talvez fosse o medo de me entregar e sofrer com uma nova perda. Mas quando a Cléo ficou doente e morreu, caiu a ficha. Na verdade, era mais uma tampa de bueiro! (risos). Mudei minha relação com a Chica e me entreguei totalmente. Foi até um exagero. Aí foi a vez da Chica adoecer e morrer. Sofri tanto, que me propus a não colocar tanto amor numa relação com um ser só. Decidi distribuir esse amor ao máximo de animais que pudesse. Foi o início do que seria muitos anos depois o Instituto Nina Rosa. Ele nasceu com o nome de Chicleo, a junção do nome das duas cadelinhas, mas uma amiga me convenceu a colocar meu nome.
Como descobriu sua vocação de protetora dos bichos?
Estava no auge da minha carreira de produtora de moda, organizando grandes desfiles. Mas sentia a necessidade de buscar algo que não sabia o que era. Era uma sensação. Decidi largar meu emprego com 47 anos. Passou um tempo e comecei um trabalho de protetora independente. Apareceu um cão sarnento na minha rua e levei-o a um veterinário. Como moro num apartamento, eu convenci um vizinho a deixá-lo no quintal de sua casa, onde eu poderia visitá-lo todos os dias para levar comida, dar injeção. O cachorro ficou tão lindo que ganhou o nome de Capitão. Ele andava todo imponente na rua. O dono da casa se apaixonou pelo Capitão e o adotou. Na mesma época, procurei uma organização de defesa dos animais para ser voluntária. Fui a uma entidade que hoje se chama Arca Brasil.
Como era trabalhar com moda?
Antes de ser produtora, eu fui modelo fotográfica durante oito anos. Comecei essa carreira depois de me separar. Eu me casei com 27 anos - se bem que minha idade mental era de 17 - e fiquei três anos com meu marido. Como modelo, fiz muitos comerciais de TV e algumas fotos de moda. Não existiam agências de modelos no Brasil, e eu tinha que fazer tudo: arrumar trabalho, cobrar, fazer preço. Trabalhava bastante e foi uma época bem próspera. Fui morar em Nova York com intenção de trabalhar, mas senti que deveria reavaliar minha vida, como está acontecendo agora. Voltei quatro meses depois ao Brasil porque meu pai estava doente. Aqui, não quis continuar trabalhando como modelo, mesmo tendo até uma campanha negociada. Em 80, a Yeda Amaral, da Santista, me chamou para ser produtora de moda. Comecei uma empresa com o Paulo Ramalho, que idealizava os grandes desfiles de moda. Ele seria como o Paulo Borges de hoje (organizador da São Paulo Fashion Week). Mas sou sagitariana e, para mim, liberdade é a coisa mais importante do mundo. Então resolvi sair da sociedade e trabalhar como freelancer. Produzi durante quatro anos seguidos desfiles na Alemanha Oriental e na Hungria. Levei alguns modelos brasileiros, como a Sílvia Pfeiffer e o Vítor Fasano. A Sílvia acabou se tornando uma grande amiga pessoal. Nessa época, eu usava o nome de Nina de Almeida. Porém, o trabalho não tinha nada a ver comigo. Eu me dedicava muito, mas não me sentia realizada. Os desfiles eram como filhos que eu paria e enterrava logo depois de acabar. Foi o contato com os animais que trouxe de volta algo que estava embutido em mim. Tenho um amor incondicional pelos bichos, não importa quão doentes ou feios eles sejam.
Quando se tornou vegetariana?
Em 76, quando estava em Nova York. Uma pessoa da alta sociedade reunia alguns artistas para um lanche nas noites de domingo. Lá, conheci uma garota que como eu estava sempre sozinha, e combinamos de almoçar no dia seguinte num restaurante vietnamita. Olhando o cardápio, a menina disse a seguinte frase: "Não como carne, pelos animais". Tinha amigos vegetarianos, mas jamais havia ouvido algo que fizesse tanto sentido. Desde então, nunca mais comi carne. A aceitação da minha família foi difícil. Meu pai era do Sul e fazia churrasco todos os domingos. Meu irmão cria bois como hobby! Mas me mantive firme e, com o tempo, comecei a perceber que não só a carne, mas outros produtos de origem animal também provinham da crueldade. Há 16 anos, virei vegana (vegetariana radical, que não come laticínios ou outros produtos de origem animal). Nunca mais vi aquela colega de Nova York, mas tenho muita gratidão por ela ter me aberto os olhos.
Comer carne é necessariamente participar da crueldade contra os bichos?
Sim. Temos responsabilidade se consumimos um produto que provém da violência. Os animais criados nascem, crescem e morrem de forma cruel. E a questão é muito mais dramática que apenas o bem estar animal. Um dos maiores prejuízos do onivorismo é para o meio-ambiente, que está adoecendo tanto quanto as pessoas que comem carne. A pecuária extensiva causa muitos desmatamentos para criação de pastos. A imensa quantidade de bois que são criados provoca desequilíbrios: seus dejetos poluem os lençóis freáticos e até sua flatulência, que contém gás metano, contribui para o aumento do efeito estufa. Fora todos os malefícios para a saúde humana. Os animais ficam tão aterrorizados na hora do abate, que isso passa para o sangue e para a carne. Quem come carne come um cadáver.
Consumir outros produtos de origem animal também é prejudicial para a natureza?
Sim. A maioria das pessoas não sabe que adquire produtos da dor. A ordenha mecânica das vacas, por exemplo. Se a vaca tem alguma dor ou uma inflamação nas tetas, ninguém vê. Os criadores injetam hormônios para elas produzirem dez vezes mais leite do que produziriam para um filhote. Aliás, os bezerros são brutalmente separados das mães quando nascem. O mel das abelhas também não é inocente, assim como a lã das ovelhas. Muitos produtos da indústria farmacêutica, cosmética e até de limpeza são testados em bichos. Há chimpanzés que são infectados várias vezes com o vírus HIV. Coelhos e gatos são envenenados, forçados a ingerir altas quantidades de produtos para os cientistas comprovarem se são tóxicos ou não. No entanto, os testes com bichos já se provaram inseguros. Eles muitas vezes não têm reações que os humanos podem ter, ou reagem a substâncias que podem ser importantes para a saúde humana. Mas as empresas continuam utilizando, com o objetivo de se proteger de possíveis processos judiciais. Se alguém tem algum problema de saúde por conta de um produto, as indústrias alegam que testaram diversas vezes. Alguns animais são usados em tantos testes que seria preferível que morressem.
Há alternativas para os testes em animais?
Testar em cobaias humanas é uma ideia. Mas ninguém ainda tem a resposta dessa pergunta. A ciência tem de pesquisar. O que se sabe é que testes em animais simplesmente não funcionam.
Qual é o papel do Instituto Nina Rosa?
É valorizar a vida animal através da educação humanitária. Damos apoio e incentivo a outras ONGs de proteção aos bichos também. Não adianta só ficar recolhendo animais na rua. É preciso trabalhar com a educação da população. Temos um vídeo chamado "Fulaninho, o cão que ninguém queria", que ensina as crianças que os bichos são seres que merecem respeito e afeição. Desde 2000, mais de 400 mil crianças assistiram ao filme. Já o documentário "A carne é fraca", que tem feito sucesso, tem como objetivo dar liberdade de escolha para as pessoas na hora de se alimentar. Se ela não conhece a produção de carne, não pode escolher ser vegetariana. O objetivo não é converter as pessoas para esse estilo de vida, mas informar. Muitas pessoas que assistiram a "A carne é fraca" fizeram o seguinte raciocínio: "nunca mais vou querer participar disso". Cada um faz o que sente que deve fazer.
É verdade que a senhora era fumante?
Sim, fumei durante uns 30 anos dois maços de cigarro por dia e parei ainda depois de virar vegetariana. Sempre tive interesse na espiritualidade, em buscar auto-conhecimento. Antes de ser protetora dos animais, tentei me encontrar fazendo vários cursos, trabalhei com vidas passadas, fiz o processo Hoffman (curso de reeducação emocional). Comecei a pensar que meus anjinhos não iam conseguir ficar perto de mim com a fumaça do cigarro (risos). Na mesma época, minha cadelinha Chica estava viva e tinha um problema pulmonar. Parei de fumar pouco antes da Chica morrer, em 94. Queria muito parar. Quando percebi que fumar era um ato inconsciente, que acendia cigarro quando atendia o telefone, por exemplo, comecei a comprar fumo e a fazer meus próprios cigarros. Então, para fumar, eu precisava das duas mãos. Aos poucos fui diminuindo o cigarro, mas tive um sonho que foi fundamental. Se eu te contar o que sonhei, não vai fazer sentido algum. Mas sei que acordei e nunca mais toquei num cigarro.
É adepta de alguma religião?
Fui criada como católica e até casei na igreja, mas procurei diversas religiões tentando me encontrar. Frequentei o espiritismo de Alan Kardec, a igreja Seicho No Iê, o budismo, já fui a comunidades alternativas... Mas atualmente sou um apanhado das religiões, não me prendo a nenhuma. Acho ótimo, pois estou aberta para o novo.
Considera-se uma pessoa solitária?
Sim. Desde criança. Eu estudava no Colégio Rio Branco, em São Paulo, e tinha duas amigas inseparáveis. Quando uma delas morreu num acidente de carro, não quis mais ficar lá. Tinha 13 anos, pedi para minha mãe me colocar num colégio interno. Ela chorou, mas aceitou. Era uma necessidade de ficar sozinha. Quando comecei a me conhecer melhor, percebi que eu era bicho-do-mato, não me relacionava bem com gente. Por outro lado, tenho uma facilidade total em lidar com animais, seja uma formiga, um boi ou um cachorro. Sempre me senti fora do padrão, mas não entendia. Foi muito dura essa vivência, até eu me descobrir, me aceitar e me respeitar. Ser uma pessoa que não bebe, não fuma, não come carne, não come ovo, não usa couro, não usa mel, nenhum produto animal, não é fácil. Hoje sou muito feliz, pois me conheço e respeito isso. Mas posso dizer que vivi minha vida inteira tentando me adaptar a uma vida padrão. Não tinha consciência de que tinha direito de ser diferente. No momento que percebi que havia outras pessoas que pensavam como eu, foi maravilhoso.
Como ganha a vida hoje?
Meu pai era um industrial, dono de uma fábrica de pincéis. Ele deixou aos filhos - quatro mulheres e um homem - muitas ações e patrimônios. Também ganhei bastante dinheiro quando era modelo e produtora. Com esses recursos, mantenho o Instituto Nina Rosa. Já minha vida particular praticamente não existe. Além de ter muitos projetos, preciso de um tempo sozinha. Adoro sair para almoçar ou ao cinema sozinha.
Como é sua rotina?
Acordo cedo e trabalho, trabalho, trabalho. Tenho um caderno ao lado da cama, pois se tenho alguma ideia durante a noite para meus projetos, já coloco no papel. Valorizo muito minha intuição, e acho que é por isso que gosto de ficar quieta e sozinha.
O que gosta de fazer nas horas vagas?
Gosto de ler, de escrever, de ir ao cinema. Quando quero descansar, fujo dos temas de bichos, senão fico trabalhando o tempo todo. Leio biografias - é uma forma de me comunicar com as pessoas - romances, sagas. Não gosto de coisas densas, negativas. Sou uma pessoa positiva por princípio. Pratico tai-chi-chuan e vou ao meu sítio, na Serra da Bocaina, uma vez por mês. Lá tenho uma égua que salvei de maus-tratos, algumas vaquinhas, cães. Mas no sítio não se mata nem mosca. Quando os animais morrem naturalmente, são enterrados.
Se o sistema de criação de animais em grande escala é cruel, seria legítimo um humano com um pequeno sítio dar o leite de uma vaquinha aos seus filhos?
Claro. O problema é a forma como isso é feito atualmente, em que animais são vistos como produtos, e não como seres vivos. É um mercado imoral.
E seria legítimo comer a carne da vaquinha?
Acho que os homens estão num estágio em que não é mais preciso matar um ser vivo para comer. Entre os animais, é natural, instintivo. Mas nós podemos plantar, colher, cozinhar.
O que gosta de comer?
Compro todos os produtos integrais e orgânicos. Os vegetarianos não precisam fazer sua dieta toda à base de soja. Hoje os supermercados têm cada vez mais oferecido produtos para quem não come carne ou laticínios. Têm surgido restaurantes veganos chiquérrimos. Já fiz quatro meses de crudivorismo (dieta alimentar em que se comem apenas alimentos crus), mas tenho pressão baixa e tive de parar. Pretendo voltar em breve, pois gostei muito. Há muita coisa boa para comer crua: castanhas, frutas secas...
Medicina natural ou alopatia?
Há duas semanas, machuquei o joelho numa queda e estou tomando antiinflamatórios. Mas geralmente me trato com terapias alternativas: homeopatia, acupuntura, florais e, se precisar, fitoterapia. Só comecei a ter convênio médico com 50 anos de idade, acredita? Era totalmente contra. Mas pensei que quando ficasse velha, não ter plano de saúde ia dar muito trabalho e despesa para quem fosse cuidar de mim.
Como ser um consumidor consciente?
Aqui no instituto, além de não comermos carne e de não usarmos nada que tenha origem animal, tentamos reaproveitar o máximo de água possível. Só compramos material de limpeza biodegradável, o Biowash, e usamos sabão de coco. Não é preciso comprar limpa-vidro, limpa-chão, limpa-azulejo. Dá para usar um produto só sem poluir o ambiente. Usamos calçados e cintos sintéticos, e malhas de acrílico em vez de lã.
É possível mudar o mundo assim?
É uma revolução individual, e é possível. Os fabricantes querem saber o que os consumidores querem. Se eles pararem de consumir produtos animais ou que desrespeitem o meio ambiente e exigirem produtos éticos, eles terão. Meu maior sonho é que exista a consciência de que toda a natureza é sagrada. Minhas ações mexem com muitos interesses. Preciso de proteção! Estou querendo tatuar um dragão no peito para cuidar de mim (risos).
ATIVISTAS, GRAÇAS A DEUS! "Eu Sou a voz dos que não têm voz; por mim os mudos hão de falar; até o mundo, tão surdo, ouvir o grito dos fracos, dos sem lugar". Ella Wheeler Wilcox, escritora e poeta americana Eu entrei, catei cachorro pelo braço e saí de lá. Catei muita cachorra prenha. Se por isso eu posso ser presa, eu não ligo. Se for presa por ter livrado animais da morte, valeu a pena. Vou dormir satisfeita com os corajosos protetores que se arriscaram e abriram mão do descanso desta noite e madrugada para salvar os inocentes beagles. Nicole Puzzi, atriz
Ativista resgata beagle na invasão do Instituto Royal
Observem a "cara de felicidade" do rapaz
Ativistas salvam beagles em São Roque
Juntos somos fortes! Assinem a petição da Avaaz contra o Instituto Royal clicando aqui.
"Vou dormir satisfeita", diz atriz Nicole Puzzi após cachorros serem levados Filha da atriz, Dominique Brand diz ter encontrado cães sem olhos no local. Após denúncia de maus-tratos, ativistas levam animais de empresa em SP. A atriz Nicole Puzzi publicou foto com sua filha, Dominique Brand, após resgate dos animais. (Foto: Reprodução/Facebook) A atriz Nicole Puzzi conta que participou do ato que levou vários animais do laboratório do instituto Royal, em São Roque, na madrugada desta sexta-feira (18), ao lado de sua filha, a também atriz Dominique Brand.
Em entrevista ao G1, Nicole afirmou que resgatou muitas cadelas prenhas, mas não soube precisar a quantidade. “Eu entrei, catei cachorro pelo braço e saí de lá. Catei muita cachorra prenha. Se por isso eu posso se presa, eu não ligo. Se for presa por ter livrado animais da morte, valeu a pena”, diz Nicole. A atriz ressalta que não houve confronto entre policiais e ativistas. “Não houve truculência, a polícia estava sendo muito bem educada, estavam ali apenas cumprindo determinações.”
Dominique conta que encontrou cerca de 50 cachorros na sala de testes do laboratório. “Tinha cerca de 50 cachorros ‘dopados’. Era uma calamidade a forma como eles estavam. Tinha cachorro sem olho, com olho costurado”, lembra. “Tinha cachorro costurado de cima a baixo, cachorros sem pelos, com manchas, queimaduras. Mas, para mim, a cena que mais chocou foram os cachorros sem olhos.”
A atriz explica que, antes da invasão, o grupo tentou dialogar com a direção do instituto. “Nós queríamos apenas negociar, conversar, estava todo mundo em paz. Se não havia irregularidades, por que um advogado nosso não poderia entrar no prédio e verificar?”, questiona Dominique, descrevendo também como se iniciou a invasão.
“Não estava tendo negociação e aqueles cachorros iam ser mortos mais cedo ou mais tarde. Até que pessoas que eu não conheço de nome conseguiram entrar no primeiro canil. Começamos a passar em fila indiana. Achamos um canil de cadelas prenhas, eram muitos cachorros. Depois a gente invadiu também o prédio principal e tiramos mais cachorros ainda. Até a hora que a gente achou a sala onde eram feitos os exames.”
Em sua página no Facebook, Nicole postou mensagens sobre o recolhimento dos animais. "Vou dormir satisfeita com os corajosos protetores que se arriscaram e abriram mão do descanso desta noite e madrugada para salvar os inocentes beagles." Entenda o caso Dezenas de ativistas invadiram o laboratório do instituto Royal e levaram animais do complexo, informaram a Guarda Municipal da cidade e a Polícia Militar (PM) da região. A manifestação foi motivada por suspeitas de maus-tratos aos bichos no local.
Os manifestantes acusam o laboratório de maltratar animais como cães da raça beagle, ratos e coelhos usados em testes laboratoriais de produtos cosméticos e farmacêuticos. Os ativistas afirmaram nas redes sociais que a empresa pretendia sacrificar os animais.
Ao Bom Dia São Paulo, o instituto Royal afirmou que realiza todos os testes com animais dentro das normas e exigências da Anvisa e que a retirada dos animais do prédio prejudica o trabalho que vinha sendo realizado. Segundo o laboratório, que classificou a invasão como ato de terrorismo, a ação dos ativistas vai contra o incentivo a pesquisas no país.
Manifestantes disseram que o laboratório tinha mais de 200 animais no local.
A Guarda Municipal da cidade informou que o protesto reuniu 120 pessoas, e que a maior parte invadiu o complexo após quebrar um portão por volta de 2h. A corporação confirmou que muitos ativistas levaram em seus carros animais do laboratório. G1 Destaques do ABC!
Há centenas de ativistas de direitos humanos e sociais que não estão só falando por seus direitos, mas que estão lutando para atingir objetivos de paz, educação e igualdade. Nós não podemos esquecer que milhões de pessoas estão sofrendo com pobreza, injustiça e ignorância. Nós percebemos a importância de luz quando vemos a escuridão. Nós percebemos a importância de nossa voz quando somos silenciados. Na noite de 9 de outubro de 2012, o Talibã atirou do lado esquerdo da minha cabeça. Atiraram nos meus amigos também. Eles pensaram que a bala iria nos silenciar, mas eles falharam. E no lugar do silêncio vieram milhares de vozes. Os terroristas pensaram que iam mudar meus objetivos e parar minha ambição, mas nada mudou na minha vida com exceção disso: fraqueza, medo e falta de esperança morreram; força, poder e coragem nasceram.
Eu sou Malala - A garota que defendeu a educação
e levou um tiro do Talibã
"Já tive medo de morrer. Agora não tenho mais"
Malala Yousafzai diz querer ganhar o Nobel "no futuro" e afirma que adora o futebol brasileiro
Tania Menai - especial para O Estado de S. Paulo Como boa paquistanesa, ela ama o futebol brasileiro. E como toda menina de 16 anos, adora escutar Justin Bieber e Selena Gomez. Também não perde um capítulo de Ugly Betty e faz questão de contar que levanta a voz para os irmãos. Esse é o lado menina da ativista Malala Yousafzai.
Ambição. Malala quer ser premiê do Paquistão Gary Cameron/Reuters
Na quinta-feira, ela concedeu, ao lado de seu pai, Ziauddin Yousafzai, uma entrevista à apresentadora da CNN Christiane Amanpour perante uma plateia de centenas de convidados, na instituição cultural judaica 92Y, em Manhattan. Simpática, Malala divertiu o público, mas também arrancou lágrimas ao declarar que pretende ser a primeira-ministra do Paquistão. O evento foi aberto com o discurso de Samantha Power, a embaixadora americana para as Nações Unidas, que ressaltou o status de celebridade que Malala tem hoje - mas não uma celebridade de reality show. "O reality show dela é bem diferente", disse Power, ao dar um breve panorama da vida de crianças paquistanesas.
A entrevista será televisionada hoje, às 20 horas, horário de Brasília, pela CNN International, como parte do documentário The Bravest Girl in the World [A Garota mais Corajosa do Mundo]. Ao mesmo tempo, o evento comemorou o lançamento de sua biografia, I am Malala, cuja página oficial no Facebook tem mais de 25 mil seguidores. Essa foi sua primeira visita a Nova York, cidade que ela definiu como uma "Karachi desenvolvida". "Tem muito tráfego e muita gente buzinando a toda hora. Na Grã-Bretanha não é assim - lá só há silêncio", disse ela, que vive há um ano em Birmingham e foi convidada a visitar, em breve, a rainha Elizabeth no Palácio de Buckingham.
Talvez isso seja um pouco demais para uma menina que nasceu no distrito pashtun de Swat, de 1.250 habitantes, perto da fronteira com o Afeganistão, e há pouco tempo fazia feira com a mãe - analfabeta. "Minha mãe pedia para eu cobrir o rosto, porque os meninos estavam me olhando. E eu falava: ‘Mas eu também estou olhando para eles, mamãe!’".
A semana passada marcou o aniversário de um ano do atentado, ocorrido em 9 de outubro de 2012, que quase lhe tirou a vida. Ao voltar para casa em um ônibus escolar, Malala levou um tiro na cabeça que a deixou em coma por sete dias. "Não lembro de nada daquele dia. Mas me recordo que estávamos preocupadas, comparando as nossas notas de um teste, quando dois meninos entraram no ônibus. Um foi falar com o motorista. O outro estava muito perto de mim e gritou: ‘Quem é Malala?’. Quando descobriu, disparou dois tiros e um deles pegou do lado esquerdo da minha cabeça. A bala desceu pelo ombro e afetou também a minha audição. É um milagre eu estar viva", disse Malala, que usa vocabulário adulto e fala de forma articulada.
"Durante o coma, eu sonhava com aquele ônibus. Queria falar, mas não conseguia", recordou. "Quando acordei, estava com um tubo na minha garganta. Notei que eu não estava no Paquistão, porque lá só se falava inglês. Aí, pedi um papel e escrevi: ‘Onde está o meu pai e a minha mãe?’. Disseram-me que meu pai chegaria em breve. Então logo pensei: ‘Ele deve estar se endividando, pedindo dinheiro emprestado para pagar tudo isso. Será que ele deve estar vendendo aquele terreno que ele tem? Mas é apenas um terreninho, o dinheiro jamais vai pagar a conta deste hospital’."
A declaração arrancou risadas da plateia, mas um ano depois do atentado, Malala não tem mais que se preocupar com contas a pagar. Hoje ela é um fenômeno de mídia, coleciona condecorações, como o Prêmio Humanitário de Harvard e da Anistia Internacional, além de ter uma fundação em prol da educação com seu nome, a Malala Fund. Sua passagem pelos EUA foi documentada pelos mais importantes entrevistadores da televisão e a fila para o evento da CNN dava voltas no quarteirão, seguindo regras rígidas de segurança, como não levar bolsa.
Malala tem sido constantemente ameaçada de morte pelo Taleban, mas, pelo menos em discurso, ela diz que isso não a afeta. "Eles não me ameaçam - eles apenas me dão uma lembradinha. Eu já tive medo de morrer, agora não tenho mais. Um tiro pode até afetar o meu corpo. Mas não os meus sonhos", afirmou. "Ninguém imaginava que eu seria um alvo do Taleban. Pensávamos que eles iriam atrás do meu pai. Eu achava que eles teriam um pouco de ‘bons modos’ e não atacariam crianças diretamente, algo que eles normalmente não fazem", disse Malala, que tem um irmão mais velho e um mais novo.
Seu pai, um poeta, professor e ativista na área de educação, revelou que, mesmo depois do atentado, não se arrependeu de ter incentivado a filha, desde pequena, a ser porta-voz das meninas de seu país, onde apenas uma em cada cinco vai para a escola. Ele mesmo criou um colégio, em 1994, com quatro alunos e, hoje, soma 1,1 mil estudantes.
"Normalmente é uma vergonha em nossa cultura ter filhas. Mas eu nunca pensei assim", disse Ziauddin Yousafzai. "Quando me perguntam o que eu fiz pela minha filha, eu falo o que eu deixei de fazer: deixei de cortar suas asas", declarou ao Estado. "Não só o governo tem de dar escola, mas a sociedade tem de querer."
Ao receber alguns convidados em coquetel após a entrevista, Malala foi saudada por meninas da sua idade, executivos da editora que publicou seu livro e recebeu presentes. Ali, disse efusivamente ao Estado: "Adoro o futebol brasileiro".
Malala cumprimenta, escuta mais do que fala e olha nos olhos, sempre sob a supervisão dos responsáveis por sua biografia. A jovem ativista só perde o bom humor quando fala de mão de obra infantil e, principalmente, casamento infantil - situações que provocam evasão escolar. "Uma das minhas melhores amigas, Sara, sumiu da escola. Dois anos mais tarde, ela me ligou dizendo que foi obrigada a se casar com um homem muito mais velho. Hoje, ela tem a minha idade e dois filhos. Vocês podem imaginar?"
Malala acredita ainda ser muito jovem para ganhar o Prêmio Nobel. Ela diz que pretende colocar muita gente na escola e, aí sim, merecer o prêmio. "Quando eu era pequena, eu queria ser médica, porque era o que todas as meninas da minha classe diziam. Mas se eu for política, posso cuidar de muito mais gente."