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segunda-feira, 5 de maio de 2014

Balzac, a Blogueira e o Mundo do Crime


Como andei contando aqui, enfrento há mais de quatro anos um esquema criminoso, num embate duríssimo, covarde, irracional e camuflado.

Uma parasita, que um belo dia resolveu subir na vida sem fazer força, pisoteando pessoas ingênuas e de bom coração que a acolheram, não satisfeita com o ótimo patrimônio que auferiu em mais de trinta anos de acolhida, decidiu coroar sua ascensão financeira armando uma fraude para esta cidadã blogueira, a "cereja do bolo"...

Lembram dos Irmãos Metralhas e seus desastrosos golpes para roubar o cofre do Tio Patinhas? Pois é.

O golpe que a mente criminosa engendrou não deu certo. A blogueira descobriu todo o enredo escabroso. E agora a parasita e seus comparsas "correm atrás do prejuízo", se mobilizando para se safar de responder por seus delitos.

Leitora e admiradora de Balzac, o extraordinário romancista francês, a blogueira encontra no mestre das letras personagens e situações que lembram muito a bandidagem que enfrenta.

O mundo mudou, estamos no século 21, quase duzentos anos depois da França de Balzac. Mas em Terrae Brasilis ainda pululam tipos criminosos muito parecidos com os tão afiadamente descritos pelo gênio da Comédia Humana:

O ladrão banal irá roubar sua carteira e sair correndo; o grande criminoso não se contenta com isso – seus métodos são sofisticados e elegantes, e consequentemente seu lucro é muito maior.

(...) há mil maneiras de roubar. O verdadeiro talento consiste em ocultar o roubo sob uma aparência de legalidade: que horror que é apoderar-se do bem alheio, só o que vem de nós nos pertence, eis a grande astúcia. Os ladrões espertos são recebidos pela sociedade, passam por pessoas de bem. (...)

Os ladrões são como uma perigosa peste das sociedades: mas não se pode negar sua utilidade para a ordem social. Se compararmos uma sociedade a um quadro, veremos que são necessárias zonas de sombra e zonas de luz, não?






A  sociedade e os grandes criminosos segundo Balzac


Camila Nogueira*



Ele

Balzac é Balzac. Sendo assim, é compreensível que tenha sido convocado, mais uma vez, pelo Diário para a série “Conversas com Escritores Mortos”. As frases abaixo foram extraídas do livro “Código dos homens honestos”.


Monsieur Balzac, o senhor é considerado um dos maiores romancistas de todos os tempos – e também é conhecido por ter criado personagens excelentes. Vautrin é, particularmente, meu favorito. O que tem a dizer sobre ele?


Vautrin é um canalha – ou antes, um ladrão.

Isso quer dizer que o senhor o desaprova?

É claro que não. Os ladrões constituem uma classe especial da sociedade: contribuem para o movimento da ordem social; são o lubrificante das engrenagens e, como o ar, penetram em qualquer lugar; os ladrões são uma nação à parte, no interior da nação.

Estou confusa. Então o senhor aprova os ladrões?

Acho que é necessário, antes de tentar desvendar as astúcias dos ladrões, tecer sobre eles algumas considerações imparciais; talvez ninguém mais possa analisá-los sob todos os ângulos e com total sangue-frio. Mas certamente não serei acusado de querer defendê-los, pois isso seria mais que injusto. Afinal, não posso defender aqueles que podem, a qualquer momento, me roubar.


E quais seriam suas considerações imparciais?

O ladrão é um ser raro; a natureza o concebeu como uma criança mimada e despejou sobre ele toda sorte de perfeições: um sangue frio imperturbável, uma audácia a toda prova, a arte de aproveitar o momento exato, tão fugaz e tão lento, a agilidade, a coragem, uma boa constituição física, olhos penetrantes, mãos ágeis, fisionomia aberta e expressiva, todas estas qualidades não são nada para um ladrão e, no entanto, são consideradas como a soma das capacidades de um Aníbal, de uma Catarina, de um Mário, de um César.


Mas nem todos os ladrões são audaciosos, corajosos ou têm esse sangue frio imperturbável. Podemos, então, dizer que não estamos falando de todos os criminosos, e sim dos mais notáveis entre eles?


Há uma grande diferença entre um ladrãozinho qualquer e os grandes criminosos. O pequeno roubo é, mais exatamente, o seminário onde se recruta para o crime, e os ladrões de galinha não passam de maus atiradores do grande exército dos profissionais sem patente.


Há alguma diferença crucial entre eles?

O ladrão banal irá roubar sua carteira e sair correndo; o grande criminoso não se contenta com isso – seus métodos são sofisticados e elegantes, e consequentemente seu lucro é muito maior.

Então basta ao grande criminoso ter uma boa fisionomia, audácia, sedução e sangue frio? Não precisa ter um conhecimento da natureza humana, por exemplo?


Ele deve conhecer os homens, seu temperamento, suas paixões; tem que mentir com habilidade, prever os acontecimentos, avaliar o futuro, ser dono de um espírito ágil e agudo; tem que ter um raciocínio rápido, encontrar boas saídas, ser um bom comediante, bom mímico; tem que saber captar o tom e as maneiras das diversas classes sociais (imitar o funcionário, o banqueiro, o general, conhecer seus hábitos e suas características). E, acima de tudo, tem que ter imaginação, uma brilhante imaginação. Ele não é forçado a estar sempre inventando novos recursos? Para o ladrão, o fracasso equivale a uma condenação.

Mas, monsieur Balzac, levando em conta tudo o que o senhor disse, esse criminoso notável é um ser fora do comum, a quem pouco faltou para ser um grande homem. E o que impediu que isso acontecesse?


O resultado de tantos dons é, em geral, uma extrema propensão à indolência. Entre o objeto cobiçado e a posse, não vêem mais nada, entregam-se felizes ao mal, nele se instalam, a ele se habituam.


E como podemos reconhecer esses grandes criminosos?

Nunca desconfie de seu vizinho da esquerda, que usa uma camisa de tecido grosso, uma gravata branca e uma roupa limpa, mas de tecido barato; ao contrário, acompanhe com muita atenção os movimentos de seu vizinho da direita, de gravata fina e elegante, muitos berloques, suíças, ar de gente honesta e próspera, maneira desenvolta de falar; é este camarada quem vai roubar seu lenço ou seu relógio. [ou sua casa...]

E o que fazer quando somos roubados por eles?

Oh, infelizmente não há nada a fazer. Se o seu brilhante desapareceu, não perca tempo em pedir contas a esse senhor. Inútil revistá-lo, nada vai encontrar; ele irá se fazer de ofendido e você acabará se humilhando à toa. [verdade; quando descobertos, eles se fazem de ofendidos... ofendidíssimos!...]


Mas e aqueles que entram no crime por gosto?

Estes são aqueles que Dr. Gall descreveu como infelizes cujo vício decorre de sua organização mental. Há, naturalmente, grandes criminosos que amam o vício e que o abraçam efusivamente; acho que estes entram na lista daqueles que entram no crime por gosto.


E os que não amam o vício, e nem se sentem confortáveis com ele? Não sentem remorso?

Em alguns deles há remorsos crescentes antes que a voz da consciência se apague. A multidão, ao ver um homem no banco dos réus, o vê como um criminoso, o abomina; no entanto, esquadrinhando sua alma, um padre pode ver nascer o arrependimento. Que grande tema para a reflexão! A religião católica é sublime quando, em vez de virar o rosto com horror, abre os braços e chora com o pecador.


Seria certo afirmar que os ladrões sempre existiram e sempre existirão?

São o produto necessário de uma sociedade constituída. Na verdade, em todos os tempos, os homens sempre estiveram enamorados da fortuna. Todos dizem: “Hoje em dia, o dinheiro é tudo, quem tem dinheiro tem tudo.” Ah! Evitem repetir essas frases banais, passarão por tolos. Desde que o mundo é mundo, o dinheiro foi adorado e buscado com o mesmo ardor.


Para terminarmos nossa conversa, eu gostaria de perguntar se o único ladrão é aquele que rouba explicitamente.

Ora, todos procuram uma maneira de fazer uma fortuna rápida e sólida, porque todos sabem que, depois de adquirida, ninguém se lamentará; ora, essa maneira é através do roubo, e o roubo é coisa comum.

Como assim?

O comerciante que ganha cem por cento, rouba; também rouba o fornecedor que paga a trinta mil homens dez centavos por dia, anota os ausentes, estraga o trigo misturando farelo para render mais; outro queima um testamento; outro adultera os impostos; outro inventa uma caixa de pensões: há mil maneiras de roubar. O verdadeiro talento consiste em ocultar o roubo sob uma aparência de legalidade: que horror que é apoderar-se do bem alheio, só o que vem de nós nos pertence, eis a grande astúcia. Os ladrões espertos são recebidos pela sociedade, passam por pessoas de bem.

Algo a acrescentar?

Os ladrões são como uma perigosa peste das sociedades: mas não se pode negar sua utilidade para a ordem social. Se compararmos uma sociedade a um quadro, veremos que são necessárias zonas de sombra e zonas de luz, não? Que seria de nós se o mundo fosse povoado exclusivamente de pessoas honradas, ricas, de bons sentimentos, tolas, piedosas, políticas, simples, dissimuladas? Seria um tédio mortal, não haveria mais nada picante. A humanidade entraria em luto no dia em que já não houvesse fechaduras.


* Camila Nogueira, nossa correspondente de literatura, tem a impressionante capacidade de ler romances de 600 páginas em dois dias - e depois citar frases inteiras da obra. Com apenas 16 anos, ela já leu as obras completas dos maiores mestres da literatura - como Balzac, Dumas, Fitzgerald e Dickens.



Diário do Centro do Mundo


Destaques do ABC!

*

domingo, 13 de abril de 2014

A Mulher das Letras e o Mundo do Crime


Lutar com as palavras é a luta mais vã.
No entanto, lutamos, mal rompe a manhã...

No meio do caminho, tinha uma pedra. 
Tinha uma pedra no meio do caminho.                                               
                                                                                                     Carlos Drummond de Andrade
       

A história de vida da cidadã blogueira que edita os blogs "Abra a Boca, Cidadão!" e "Psicopatas" começa num pequeno e humilde bairro da periferia leste da cidade de São Paulo, filha caçula de uma família modesta.

Geralda e José, os pais da escritora e blogueira, não tinham sequer completado o curso primário. Mas a menina, aos oito anos, ao ser indagada por um coleguinha de travessuras sobre o que queria ser quando crescesse, não hesitou: "Escritora!"

De onde a menina tirou esta ideia, nem ela sabe...

A família humilde, com pouca instrução e dinheiro curto, não podia comprar livros. O seu José, nordestino das Alagoas, operário de indústria química e torcedor fanático do tricolor paulista e da seleção brasileira, vez por outra, trazia para casa um exemplar da Gazeta Esportiva e do Diário da Noite. E a menina que queria ser escritora se deslumbrava com as letras impressas no papel-jornal, dias e dias devorando aquelas deliciosas e mágicas guloseimas.

Mas a "fome" das letras só fazia aumentar. E foi sendo atendida nos anos seguintes e pela vida afora. E jamais foi  saciada.

A menina cresceu, foi cursar o ginásio num bairro operário, e lá teve um fascinante e inesquecível contato com a poesia. Enquanto suas amiguinhas batiam bola na quadra, brincavam no pátio ou fumavam no banheiro, a menina que queria ser escritora, na biblioteca da escola pública, descobriu os românticos e parnasianos, as estrofes, as métricas e as rimas... e declarou para si mesma, extasiada, falando baixinho: "Eu também quero!"

A partir daí a adolescente passou a "cometer" seus primeiros poemas. E o que era "degustação de guloseima" virou transe.

E a "fome" de letras, palavras, poesia, literatura, escritos, textos... não dava trégua.

A menina virou moça e foi parar na melhor universidade brasileira. E desembarcou, claro, num curso de Letras, onde pôde ao longo de anos tentar suprir a esquisita "carência alimentar".

Só a poesia e a ficção não saciavam a fome da menina. E ela foi abrindo outros "cardápios", no jornalismo, na história dos meios impressos, nas artes gráficas, na editoração...

A menina virou Mulher das Letras, dos Livros e da Comunicação. E acabou desempenhando papeis em várias "cozinhas editoriais", revisando, redigindo, editando. No mágico ofício de transformar letras e palavras em iguarias literárias e objetos de degustação.

Livros e mais livros. Autores e mais autores. Textos e mais textos.

Mais de trinta anos percorridos no meio editorial, no Mundo da Cultura.

No entanto, graças a um desses percalços que a vida muitas vezes costuma apresentar, sem que tivesse qualquer interesse ou inclinação, sem que tivesse pedido ou sido consultada, a menina escritora, agora Mulher das Letras e da Comunicação, se vê colocada dentro de um confronto, de um embate irracional, injusto, desproporcional. 

Um embate covarde com o Mundo do Crime.



    Retrato de Jeanne Pontillon (Leitura), de Berthe Morisot, 
pintora impressionista francesa (1888)



(Publicado originalmente, com pequenas mudanças, em 5 de setembro de 2013.)

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sábado, 8 de março de 2014

SP: Mulher Criminosa violenta cidadã pacifista


O DIA INTERNACIONAL DA MULHER E O MUNDO DO CRIME



Engana-se quem pensar que violência contra mulher é desferida apenas por machos trogloditas e covardes, que, aproveitando-se de sua força física, ofendem, humilham, ameaçam, batem, espancam e muitas vezes matam mulheres fragilizadas.

Na maior cidade do País, na cidade de São Paulo, uma mulher ignorante (na verdade, uma espécie de "macho de saia"), há anos, violenta de forma silenciosa e camuflada uma cidadã pacata e pacifista, sob as vistas grossas (e põe "grossura" nisso!) das "autoridades".

A Brucutu não bate, mas manda bater. A Troglodita não espanca, mas manda espancar. A Criminosa não mata, mas manda matar...

Tudo para tentar calar a pobre cidadã.

Da vigarice à ladroagem, passando por corrupção, cooptação de testemunhas, denunciação caluniosa, crimes ambientais (e por aí vai, a lista não pára de crescer), a Perversa, que nas horas vagas se passa por inofensiva professora do ensino público (risos), dia após dia, ano após ano, exercita todo o inesgotável repertório criminógeno de sua alma degradada. 

Impunemente.

Não no interior do Piauí. Nem nos grotões do Mato Grosso...

Mas na maior e mais importante capital do País. 

Na cidade de São Paulo.


Violência contra mulher é CRIME e VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES!

Disque 180. Disque 100. 

Denuncie!!! 




*

domingo, 13 de outubro de 2013

A Inveja, o Ódio e o Mundo do Crime


Movidos e fortalecidos por um coquetel de Cobiça e Inveja, eles executam contra a cidadã as mais torpes vilanias.

Unidos e irmanados pelo Ódio, que há muito transbordou de suas entranhas, dardos pontiagudos são disparados por suas línguas enfurecidas.

Por que ela auferiu três títulos na U.S.P. (ó letras malditas!) e nós tivemos que amargar a compra de diplomas em escolas de quinta categoria?

Por que ela é articulada, fala bem, escreve melhor ainda, tem ideias originais, e nós tropeçamos no mais comezinho do idioma?

Por que ela cuida da vida dela, é independente, livre e desimpedida, e não tiramos o nariz da casa dela o tempo todo, mantendo-a sob cerrada vigilância?

Por que assassinamos cães amorosos e indefesos e ela tentou protegê-los, e, ousadia das ousadias, desferiu denúncias contra nós na Sociedade Protetora dos Animais e Delegacia de Crimes Ambientais?

Quem essa mulher pensa que é ao ter a petulância de dar opinião sobre Direito, Justiça, Advocacia e Poder Judiciário?

Por que precisamos assassinar a reputação e a imagem dela, enxovalhando seu nome e caráter, difamando-a e caluniando-a, sempre verbalmente, sem deixar provas?

Por que alguns de nós retribuímos com o Mal o Bem que ela nos fez?

Por que essa mulher nos incomoda tanto e precisamos satanizá-la, fabricando e incitando crimes contra ela?

Por que esta cidadã provoca em nós tamanha aflição, a ponto de nos fazermos delinquentes para exterminá-la?

Por que ocultamos o bom currículo que ela construiu de modo íntegro ao longo dos anos e espalhamos mentiras e achincalhes sobre ela, corrompendo pessoas para nos ajudar nessa infâmia?

Por que ela insiste em se manter no Mundo das Letras e da Cultura e nós enveredamos pela Senda do Crime?

Por que tentamos nos apropriar do que é dela e precisamos tachá-la de louca para escaparmos das punições da Lei?

Por que nos tornamos neonazistas e a perseguimos com violências inconfessáveis?

Por que nos sentimos no "direito" de invadir seu quintal e envenenar suas árvores?

Por que nos achamos no "direito" de promover contra ela linchamento moral e julgamento sumário?

Por que acreditamos ter o "direito" de armar emboscadas e ciladas para ela?

Por que ela deve pagar por nossas mazelas e imperfeições morais?

Por que emitimos energia de destruição, enquanto ela vive sua vida simples, não nos incomoda e não faz mal sequer a uma barata?

Por que precisamos exibir posses, carros de luxo, roupas de grife, iphones, ipads, ipods... enquanto ela, mesmo violentada por nossas cotidianas patifarias, continua vivendo tranquilamente sua vida simples e despojada?

Por que precisamos TER para ser, enquanto ela simplesmente É?

Por que ela nos causa tanta dor e aflição, a ponto de nos transformarmos em linchadores?

Que Doença da Alma é essa que nos acometeu, a ponto dela construir um baita muro para se proteger de nossa ação nociva, deletéria?





O culto e espirituoso Leandro Karnal, filósofo, historiador e professor da Unicamp, em palestras leves e divertidas, nos conta o que se passa nas almas tristes, obscuras e degradadas.

Vídeo 1:  Sobre a Inveja



Vídeo 2: Sobre o Ódio










quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Criminalistas repudiam "juízes justiceiros"


DIREITOS DA PESSOA



Não se admite no nosso sistema democrático a triste figura do “juiz justiceiro” que, despindo-se da imparcialidade e abdicando da necessária equidistância das partes, se transforma em algoz dos acusados e, sem rebuços, prestigia a hipertrofia dos expedientes acusatórios que compromete a paridade de armas (par conditio), apanágio da dialética processual democrática e fator de legitimação da persecução estatal. 

(...) os advogados criminalistas do Brasil reafirmam seu inquebrantável compromisso com a liberdade humana e sua permanente hostilidade a qualquer forma de autoritarismo, tirania ou desrespeito aos direitos da pessoa, especialmente daquela que se vê acusada da prática de um delito perante o Estado.





Criminalistas criticam "Juízes Justiceiros"

Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas emitiu carta aberta 
em que critica o “autoritarismo judiciário” e a supressão de instâncias 
e recursos processuais: “Não se admite no nosso sistema democrático 
a figura de "Juízes Justiceiros" que, despindo-se da imparcialidade 
e abdicando da equidistância das partes, se transformam em algozes 
dos acusados e, abertamente, prestigiam a hipertrofia dos expedientes 
acusatórios, em detrimento da paridade de armas essencial a dialética forense e que legitima a persecução penal”, diz o documento; presidente do STF, Joaquim Barbosa, e ministro Gilmar Mendes estão entre esses?


Elton Bezerra

Consultor Jurídico - A Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas emitiu na última sexta-feira (27/9) uma carta aberta em que critica a figura de “juízes justiceiros”, o “autoritarismo judiciário” e a supressão de instâncias e recursos processuais.

“Não se admite no nosso sistema democrático a figura de 'Juízes Justiceiros' que, despindo-se da imparcialidade e abdicando da equidistância das partes, se transformam em algozes dos acusados e, abertamente, prestigiam a hipertrofia dos expedientes acusatórios, em detrimento da paridade de armas essencial à dialética forense e que legitima a persecução penal”, diz o documento.

Para a entidade, a tendência de restringir o alcance do habeas corpus é uma postura “retrógrada e condenável” do Judiciário. “Essa percepção autoritária e antidemocrática substitui, nos dias de hoje e no cenário político e institucional, o autoritarismo outrora exercitado por tiranos e autocratas de plantão, cuja existência já mais não cabe nas sociedades democráticas dos tempos atuais.”

O Comitê Gestor da entidade é composto pelos advogados Elias Mattar Assad (Presidente), Amadeu de Almeida Weinmann (RS), Emanuel Messias Oliveira Cacho (SE), Ivan Pareta (RS), José Roberto Batochio (SP), Luiz Flávio Borges D’Urso (SP), Osvaldo de Jesus Serrão de Aquino (PA), Paulo Ramalho (RJ) e Técio Lins e Silva (RJ).

Veja a carta abaixo:


CARTA DOS ADVOGADOS CRIMINALISTAS BRASILEIROS À NAÇÃO

Os advogados criminalistas do Brasil, reunidos no seu VI Encontro Nacional, realizado nos dias 26 e 27 de setembro de 2013, na cidade de Curitiba, Estado do Paraná, após longa reflexão e intensos debates sobre as liberdades individuais, garantias processuais penais de índole constitucional do cidadão e a persecução penal no Estado Democrático de Direito, deliberaram proclamar à Nação que:

1. A Constituição da República Federativa do Brasil, concebida e gestada em ambiência plenamente democrática e promulgada por legítima fonte de poder, estratifica a soberana vontade do povo brasileiro e não pode ser interpretada de modo a negar seus postulados fundamentais nem seus princípios perenes a pretexto de se atenderem supostos “anseios das ruas” ou conveniências de ocasião. Tem ela a vocação da permanência e sua modificação, no que possível, só pode ocorrer por meio do devido processo legislativo, é dizer, através das emendas constitucionais;

2. As garantias de natureza processual penal positivadas em preceitos e princípios da Carta Magna são intocáveis posto que resultantes de refletida e dolorosa elaboração político-institucional, não se mostrando admissível - antes, é intolerável – sua negação, mortificação ou restrição por via da interpretação pretoriana intencionalmente direcionada contra seu espírito;

3. Não se admite no nosso sistema democrático a triste figura do “juiz justiceiro” que, despindo-se da imparcialidade e abdicando da necessária equidistância das partes, se transforma em algoz dos acusados e, sem rebuços, prestigia a hipertrofia dos expedientes acusatórios que compromete a paridade de armas (par conditio), apanágio da dialética processual democrática e fator de legitimação da persecução estatal;

4. As deficiências do Poder Judiciário do Brasil, máxime sua proverbial morosidade, não são devidas à atividade desenvolvida pela defesa técnica dos réus, que é imposição constitucional, nem pelas oportunidades de impugnação de ilegalidades e manejo de recursos postos à sua disposição pela lei. Antes, a lentidão se deve às carências estruturais que exibe, seu peculiar regime de trabalho e à tenaz resistência que sempre ofereceu - e segue oferecendo – à ampliação de seus tribunais. Assim é que a criação de novos órgãos jurisdicionais sempre enfrentou veemente oposição da própria magistratura brasileira ao argumento de que “não se deve vulgarizar cargos e funções judicantes”, como se a Justiça existisse para os magistrados e não para o povo. Em um país com mais de duzentos milhões de jurisdicionados, os tribunais e os juízes existentes são insuficientes para atender à demanda de justiça contida;

5. Repudiam, com toda ênfase, o fenômeno indesejável do “autoritarismo judiciário” que, em postura retrógrada e condenável, insiste em limitar o espectro do mais democrático, eficaz e ágil instrumento de defesa da liberdade humana contra abusos e ilegalidades que é o Habeas Corpus. Essa percepção restritiva, autoritária e antidemocrática substitui nos dias de hoje o arbítrio outrora posto em prática por déspotas, tiranos e autocratas, cuja existência mais não tem lugar nas sociedades livres dos tempos atuais;

6. Denunciam, pois, essa nova fonte de arbítrio que surge no cenário institucional, originária da burocracia estável do Estado brasileiro, principalmente do Estado-juiz, que não hesita em imolar centenárias conquistas libertárias e garantias fundamentais, no altar da “conveniência dos serviços” ou da “necessidade da racionalização funcional interna”;

7. Repudiam, com eloquência, a supressão de instâncias e de recursos processuais, concebidos como garantia inalienável dos cidadãos ao fundamento de que é preciso imprimir celeridade à tramitação dos feitos ou instituir julgamentos de uma só instância;

Como foi ontem, é hoje e será sempre, os advogados criminalistas do Brasil reafirmam seu inquebrantável compromisso com a liberdade humana e sua permanente hostilidade a qualquer forma de autoritarismo, tirania ou desrespeito aos direitos da pessoa, especialmente daquela que se vê acusada da prática de um delito perante o Estado.

Curitiba, em setembro, 27, 2013.

Associação Brasileira de Advogados Criminalistas – Abracrim



Brasil 247

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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

SP: O embate da Blogueira com o Mundo do Crime


CIDADANIA   X   MUNDO DO CRIME




No meio do caminho, tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho.                                               
                                                                                   Carlos Drummond de Andrade
       

A história de vida da cidadã blogueira que edita os blogs "Abra a Boca, Cidadão!" e "Psicopatas" começa num pequeno e humilde bairro da periferia leste da cidade de São Paulo, filha caçula de uma família modesta.

Geralda e José, os pais da hoje escritora e blogueira, não tinham sequer completado o curso primário. Mas a menina, aos oito anos, ao ser indagada por um coleguinha de travessuras sobre o que queria ser quando crescesse, não hesitou: "Escritora!"

De onde a menina tirou esta ideia, nem ela sabe...

A família humilde, com pouca instrução e dinheiro curto, não podia comprar livros. O seu José, nordestino das Alagoas, operário de indústria química e torcedor fanático do tricolor paulista e da seleção brasileira, vez por outra, trazia para casa um exemplar da Gazeta Esportiva e do Diário da Noite. E a menina que queria ser escritora se deslumbrava com as letras impressas no papel-jornal, dias e dias devorando aquelas deliciosas e mágicas guloseimas.

Mas a "fome" das letras só fazia aumentar. E foi sendo atendida nos anos seguintes e pela vida afora. E jamais foi  saciada.

A menina cresceu, foi cursar o ginásio num bairro operário, e lá teve um fascinante e inesquecível contato com a poesia. Enquanto suas amiguinhas batiam bola na quadra, brincavam no pátio ou fumavam no banheiro, a menina que queria ser escritora, na biblioteca da escola pública, descobriu os românticos e parnasianos, as estrofes, as métricas e as rimas... e declarou para si mesma, extasiada, falando baixinho: "Eu também quero!"

A partir daí a adolescente passou a "cometer" seus primeiros poemas. E o que era "degustação de guloseima" virou transe.

E a "fome" de letras, palavras, poesia, literatura, escritos, textos... não dava trégua.

A menina virou moça e foi parar na melhor universidade brasileira. E desembarcou, claro, num curso de Letras, onde pôde ao longo de anos tentar suprir a esquisita "carência alimentar".

Só a poesia e a ficção não saciavam a fome da menina. E ela foi abrindo outros "cardápios", no jornalismo, na história dos meios impressos, nas artes gráficas, na editoração...

A menina virou Mulher das Letras, dos Livros e da Comunicação. E acabou desempenhando papeis em várias "cozinhas editoriais", revisando, redigindo, editando. No mágico ofício de transformar letras e palavras em iguarias literárias e objetos de degustação.

Livros e mais livros. Autores e mais autores. Textos e mais textos.

Mais de trinta anos percorridos no Mundo Editorial, no Mundo da Cultura.

No entanto, graças a um desses percalços que a vida muitas vezes costuma apresentar, sem que tivesse qualquer interesse ou inclinação, sem que tivesse pedido ou sido consultada, a menina escritora, agora Mulher das Letras e da Comunicação, se vê colocada dentro de um confronto, de um embate irracional, injusto e desproporcional.

Com delinquentes que habitam o Mundo do Crime.


                                Berthe Morisot, pintora impressionista francesa (1888)

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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

São Paulo: Cidadania X Mundo do Crime



Apesar dos tiranos e assassinos parecerem invencíveis por um tempo, no fim eles acabam por cair.

Podem torturar meu corpo, quebrar meus ossos e até matar-me. Então, terão o meu cadáver. Não a minha obediência.

                                                                                          Gandhi, a Grande Alma



Em tempos de perseguições, intimidações, constrangimentos, violências familiar e institucional e até violações de direito, perpetradas por órgãos do Estado e muitas vezes transmitidas ao vivo pela TV...

É tempo de manifestações, mobilizações, tomadas de posição.

Cidadãs e cidadãos, aqui e alhures, não podem compactuar com situações de opressão.

Se leis, atos e decisões são injustos, é tempo de resistência.

Todo poder emana do Povo.




Clique aqui e acesse o conteúdo completo da obra de Thoreau.

Vídeo: palavras de Gandhi




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terça-feira, 20 de agosto de 2013

SP: Querem imobilizar Blogueira Cidadã


DENÚNCIA



Imobilizar, isolar, amordaçar.

Para que os ilícitos cometidos e a impunidade vigente se perpetuem.


Blogueira Sônia Amorim   X  Perseguidores

Chegou a hora do embate público.

Chegou a hora da Verdade.

Quem ataca quem?

Quem difama quem?


Quem lesa quem?


Quem mente e quem diz a verdade?


Quem atua nas sombras e quem age à luz do dia?


Quem arregimenta comparsas e quem luta com as palavras e a Lei?

Quem joga limpo e quem joga sujo?

Quem é delinquente e quem é vítima?


Chegou a hora da Verdade.

As máscaras vão cair...



Sob risco de assassinato ou violência grave e em estado de vulnerabilidade econômica, provocado por gente que se junta em bando para cometer ilícitos, a cidadã-blogueira fala a seus amigos, leitores, conhecidos e simpatizantes, narrando as violações de direito que vem sofrendo desde fevereiro de 2010, em Engenheiro Goulart, bairro da Penha (Penha de França), cidade de São Paulo.

Além do intensivo e incessante assassinato de caráter e reputação - linchamento moral, difamação, festival de mentiras - promovido para afastar pessoas e isolar a blogueira, para que não encontre apoio no enfrentamento do Esquema Criminoso, e enquanto não conseguem tirar a cidadã de circulação, por meio de sequestro, assassinato, internação como louca ou outra patifaria do gênero, os delinquentes vêm, desde fevereiro de 2010, impedindo o seu trabalho, interferindo em seus negócios e em qualquer outra atividade que possa trazer recursos à blogueira, para que a cidadã não tenha condição de reagir aos ataques desferidos, como a contratação de um bom advogado, por exemplo.

(1) Escuta telefônica clandestina (grampo), (2) monitoramento da cidadã 24 horas por dia por meio de câmeras de vigilância, um jagunço e uma "carcereira-informante", pelo menos, (3) multas de trânsito fabricadas, (4) intervenções em locações promovidas pela blogueira, gerando violências de toda ordem, roubos, contas não pagas, prejuízos financeiros, (5) desorganização total da vida material da cidadã, por meio de terrorismo, intimidações, ameaças, impedindo a cidadã de trabalhar, tocar sua vida adiante, viver em paz e se defender com eficácia do bando criminoso, etc. etc.

Em 3 anos e meio, a cidadã blogueira já perdeu 2 carros, um deles praticamente novo, objetos de valor que precisou vender, dinheiro, animal de estimação, árvores no seu quintal e jardim etc. etc.

A mais recente falcatrua, ao que tudo indica, consiste em intervenção na venda do carro da blogueira, transação parcelada em 5 vezes. O pagamento da última parcela, com a inclusão de débitos do veículo, foi suspensa pela compradora. SEM QUALQUER JUSTIFICATIVA PLAUSÍVEL.

Como uma pessoa adquire um veículo em 5 parcelas, paga 4 e "sai de cena", silencia, some, SEM QUALQUER MOTIVO JUSTO, não se interessando em promover a transferência?

Muito "esquisito", vamos combinar, como diz o PML...

Quantas infrações e multas serão perpetradas e debitadas no nome da cidadã blogueira?

A quem interessa mais esta PATIFARIA contra Sonia Amorim?

Os nazi-fascistas da Penha e de outras localidades

As máscaras vão cair...

domingo, 11 de agosto de 2013

SP: Mundo do Crime ataca Blogueira Cidadã


VIOLÊNCIA INVISÍVEL



Na maior e mais importante cidade do País, no bairro da Penha (Penha de França), no pequeno e aprazível Engenheiro Goulart, vilarejo às margens da estrada de ferro (CPTM) e do Parque Ecológico do Tietê, uma cidadã pacata, despojada, adepta da vida simples, amante da natureza, protetora de animais, discípula do Mestre Jesus, da Divina Mãe, de Krishna, Buda e outros Mestres de Luz, seguidora de Gandhi e sua "Ahimsa" (não-violência), mulher das letras e da comunicação, de uma hora para outra, a cidadã ativista, escritora e blogueira se viu colocada em confronto com o Mundo do Crime.


Tecnologia a serviço da Cidadania - Rua da Blogueira, rua pequena, 
menos de vinte casas, e entorno. Google Maps

Rua da Blogueira, onde ocorrem as violências contra a Cidadã. No segundo arvoredo, amoreira frutificando no jardim, fica o "Bunker" da Blogueira, onde ela resiste bravamente aos ataques.

Bem... deixemos esta escória pra lá pelo menos por um dia...

Domingo dos Pais, o dia começa frio na cidade de São Paulo.

Convido meus amigos e leitores para um passeio de bike, na ciclovia aqui pertinho, nas várzeas do Tietê, margeando o Parque Ecológico.

Vamos pedalar um pouco, ouvindo o canto dos pássaros, lembrando dos versos do poeta, sentindo o vento no rosto e desfrutando da Liberdade!

Venham comigo!



Vídeo



Todos aqueles
que atravancam o meu caminho
Eles passarão.
Eu... passarinho!

Mário Quintana

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terça-feira, 6 de agosto de 2013

O Brasil quer saber: o que houve com Amarildo?


MUNDO DO CRIME



"Há fortes indícios de que ele tenha sido morto por policiais. As câmeras de segurança da base não funcionavam no dia, assim como o GPS dos carros também, coincidentemente, quebraram."

"A polícia sempre matou e a sociedade sempre aplaudiu."

"A sociedade espera que a apuração seja rigorosa, sem corporativismo. Que a morte de Amarildo não seja vista como apenas um erro de cálculo, mas que seja tratada por todos como um crime de estado, incompatível com a democracia que todos almejamos."



Quem sumiu com Amarildo fomos nós

José Nabuco Filho*


O desaparecimento do pedreiro da Rocinha é resultado de uma sociedade violenta e desigual.



O sumiço de Amarildo de Souza, servente de pedreiro, levado por policiais de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, é o retrato de uma sociedade desigual que tolera a violência policial que recai contra as classes sociais mais baixas.

Há fortes indícios de que ele tenha sido morto por policiais. As câmeras de segurança da base não funcionavam no dia, assim como o GPS dos carros também, coincidentemente, quebraram.

O fato de recair na polícia a suspeita desse homicídio causa indignação, mas não surpresa. Afinal, os herois do Rio são os membros do Bope que, sugestivamente, usam como símbolo o crânio de uma caveira com uma faca enfiada, e que têm um blindado que se chama “caveirão”.

A polícia sempre matou e a sociedade sempre aplaudiu.

O sinal da sordidez de nossa PM é que ninguém, com um mínimo de senso de ridículo, é capaz de dizer que um soldado não seria capaz de matar e desaparecer com o corpo de uma pessoa inocente.

O que é preciso dizer é que essa sordidez não é a degradação de uma instituição que saiu do controle — ao contrário, ela decorre de uma sociedade desigual e violenta. Em suma, a polícia sempre fez o que a sociedade quis que ela fizesse.

A repressão penal é, essencialmente, seletiva. Os vários níveis do sistema penal — polícia, Ministério Público e Judiciário — são vocacionados para perseguir as condutas dos pobres. Isso se dá tanto no momento de fazer as leis, como no momento de iniciar a apuração dos fatos criminosos.

Alessandro Baratta, Professor de Criminologia da Universidade de Saarland, na Alemanha, afirmava que a repressão penal privilegia as classes dominantes. É como se a lei penal fosse uma rede com malha fina para punir condutas tradicionalmente praticadas por “classes subalternas” e malha larga para punir condutas praticadas pelas classes dominantes.

Esse caráter seletivo se acentua na fase de investigação, que tende a se basear em “preconceitos e estereótipos”, de modo a enxergar o criminoso nos estratos sociais onde é “normal” encontrá-lo.

Pois bem. Se Baratta chega a essas conclusões desenvolvendo seus estudos na Alemanha, o que se pode dizer em um país tão desigual como o Brasil?

Parece ser por essa razão que a população brasileira tolera tanto a violência cometida por agentes do Estado. Quando um sujeito em São Paulo fala que quer a “Rota na Rua”, ou quando no Rio de Janeiro se repete o bordão “Faca na Caveira”, em referência ao Bope, não se ignora que esse é um discurso de extermínio, que exalta uma polícia violenta que investiga, acusa e aplica a pena de morte sumariamente. Não se ignora que isso pode atingir vítimas inocentes, confundidas pelo juízo estúpido de um policial truculento. A questão é que essa violência é contra as classes baixas e, no fundo, é como se todo favelado fosse um pouco criminoso.

O que é instigante no fenômeno do Amarildo é que parece que a sociedade se deu conta da dimensão dessa brutalidade. De um lado, há um incômodo em ver nas redes sociais pessoas que defendem a violência estatal perguntando sobre o paradeiro do Amarildo. Afinal, ele não foi vítima apenas de uns policiais tresloucados, mas também de toda a sociedade que diz que “bandido bom é bandido morto”. Mas, por outro lado, é também um movimento contra toda essa brutalidade, contra essa política de extermínio que atinge os estereótipos, numa seletividade que aumenta ainda mais a desigualdade no Brasil.

A sociedade espera que a apuração seja rigorosa, sem corporativismo. Que a morte de Amarildo não seja vista como apenas um erro de cálculo, mas que seja tratada por todos como um crime de estado, incompatível com a democracia que todos almejamos. Ou, então, que o governo assuma que a palavra “pacificadora” é apenas mais um engodo eleitoral.

* José Nabuco Filho é mestre em Direito Penal pela Unimep, professor de Direito Penal da Universidade São Judas Tadeu e quarto-zagueiro clássico. Seu email: j.nabucofilho@gmail.com


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