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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Eleições 2012: afinal, quem é o "moleque"?


15 pontos na frente de José Serra, como indicam as mais recentes pesquisas para o segundo turno daqui a 2 dias, em São Paulo, Fernando Haddad criaria uma maracutaia dessas? A troco do quê? Só se fosse burro... E sabemos que o ex-ministro da Educação é um homem preparadíssimo, um intelectual, um professor doutorado... Enquanto o "outro lado", sim, encontra-se desesperado. E como vimos na sórdida campanha eleitoral para a Presidência da República, José Serra não tem escrúpulos. É capaz de todo o tipo de baixaria para conseguir o que quer.

Com o apoio, claro, da mídia golpista e seus "pit bulls"...





REINALDO DIZ QUE MERCADANTE É UM “MOLEQUE”


E insinua que o próprio PT pode ter plantado o boato de cancelamento do Enem, que ocorre uma semana após as eleições, para colocar a Polícia Federal na jogada, acusar José Serra de baixaria e faturar eleitoralmente. 
Uma dúvida: com 20 pontos de vantagem, Fernando Haddad precisaria disso?

247 – Reinaldo Azevedo perdeu de vez as estribeiras. Num post publicado nesta manhã, ele chama o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, de “moleque”. Literalmente. Tudo porque Mercadante pediu apoio da Polícia Federal para investigar a origem da mentira que se viralizou na internet sobre o cancelamento do Enem – uma informação falsa, que prejudicaria milhões de estudantes. Reinaldo insinua ainda que a mentira pode ter sido plantada pelo PT, para depois se beneficiar eleitoralmente. Quem tem vinte pontos de vantagem (60% a 40% no Datafolha) precisa disso?

Abaixo o post de Reinaldo:

Que tal este título: “Campanha de Haddad espalha o boato de que Enem vai ser adiado só para gerar tumulto e poder acusar a campanha de Serra”?


Isso que vai no título aconteceu, leitor? Vamos ver.

Quando a própria presidente da República sobe num palanque, como fez em Salvador, e, na prática, ameaça os eleitores, acaba dando sinal verde para que seus ministros se comportem como chicaneiros. É o que fez hoje, e não estou surpreso, o titular da Educação, Aloizio Mercadante. Por quê?

Ontem, circulou um boato na rede segundo o qual o Enem, que acontece nos dias 3 e 4 de novembro, seria adiado. Era tudo conversa mole, típica dessas coisas que circulam nas redes sociais, sempre abertas a molecagens. Quem não pode se comportar como moleque é ministro de estado.

E Mercadante, infelizmente, é um deles. Lula nunca teve esta irresponsabilidade ao menos: jamais levou o rapaz para o primeiro escalão. Dada a boataria, o que fez Mercadante? Acusou a campanha do candidato do PSDB à Prefeitura, José Serra, de ser a fonte: “O que resta a eles hoje é a sabotagem”. Que evidência ele tem? Nenhuma! Que apuração ele fez? Nenhuma! O título deste post, pois, é um exercício de texto que simula o método Mercadante de apuração: eu apenas mudei o agente — e tenho tantas provas quantas ele tem.

Ora, se existe alguém querendo lucrar com o saldo do boato, por que o larápio seria Serra e não Haddad? Vamos pensar? Digamos que isso pudesse passar pela cabeça de um tucano… O dia ideal para lançar o ruído seria o próprio domingo, certo? Por que um troço como esse na quinta, havendo ainda sexta, sábado e o próprio domingo para desfazer a mentira?

É questão de lógica elementar. Se o boato teve origem política (notem bem: SE…), isso só interessa a quem lucra com o desmentido. E quem está tentando lucrar com o desmentido? A frase de Mercadante fala por si: é o PT! Estou sustentando que foram os petistas? Estou sustentando que o episódio interessa mais a Haddad do que a Serra. A estratégia não seria estranha ao PT: vivem acusando os adversários de jogo sujo para justificar o seu… jogo sujo!

Quanto a Mercadante, dizer o quê? Ele ao menos conhece de perto a sabotagem. Em 2006, disputou o governo de São Paulo com Serra, que o venceu no primeiro turno. Um assessor do agora ministro transportou uma mala com R$ 1,7 milhão em dinheiro vivo — petistas, como sabem os mensaleiros, gostam de notas — para pagar o dossiê dos aloprados.

Vejam que coisa curiosa! Também naquele caso, o que se queria era incriminar Serra. E o braço direito de Mercadante atuava nada menos com caixa da operação criminosa.

Vejam lá a imagem. Tudo parece não ter passado mesmo de uma dessas correntes meio bobocadas próprias das redes sociais. Está lá no alto uma espécie de confissão. Isso só evidencia o tamanho da irresponsabilidade de Aloizio Mercadante, um ministro de estado!!!


Brasil 247

Destaques do ABC!

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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O PT é uma história, não uma quadrilha


O PT não é igual à sua direção eventual, nem é uma emanação da vontade de Dirceu ou mesmo de Lula. O PT não se confunde com o que dizem seus líderes ou parlamentares em determinada conjuntura, nem mesmo com as resoluções aprovadas nesse ou naquele encontro partidário. Embora tudo isso tenha relevância, o PT é algo maior: uma história e uma representação. A trajetória petista de mais de três décadas inscreve-se no percurso da sociedade brasileira de superação da ditadura militar e de construção de um sistema político democrático. O PT é a representação partidária de uma parcela significativa dos cidadãos brasileiros. A crítica ao partido e às suas concepções políticas não é apenas legítima, mas indispensável. Coisa muito diferente é tentar marcá-lo a fogo como uma coleção de marginais.


Surpreendentes as declarações do sociólogo Demetrio Magnoli, costumeiro porta-voz da direita mais arcaica.

Muito bem! Assino embaixo!

Nunca imaginei que um dia a blogueira e o ABC! teceriam elogios ao Magnoli...



(A quem possa interessar... não sou petista, sou socialista. E nunca me passou pela cabeça me filiar a partido algum...)


MAGNOLI: O PT NÃO É QUADRILHA

Quadro do Instituto Millenium, o sociólogo diz que a legenda é a “representação partidária de uma parcela significativa dos cidadãos brasileiros”. Ele reconhece ainda que a propaganda de José Serra se deixou contaminar pelo “desespero’’ e que a oposição brasileira se encontra em “estado falimentar”; mea culpa?


247 – Demetrio Magnoli, membro do Instituto Millenium e um dos críticos mais ácidos do Partido dos Trabalhadores, reconhece: o PT não é formado por um bando de quadrilheiros. Mais: ele aponta o desespero de José Serra e uma oposição em “estado falimentar”. O que deu nele? Leia:


O PT não é uma quadrilha

Demetrio Magnoli

Fernando Haddad está cercado por José Dirceu e Paulo Maluf. Sobre Dirceu, aparece a palavra “condenado”; sobre Maluf, “procurado”. Contaminada pelo desespero, a propaganda eleitoral de José Serra não viola a verdade factual, mas envereda por uma perigosa narrativa política. O candidato tucano está dizendo que eleger o petista equivale a colocar uma quadrilha no comando da prefeitura paulistana. A substituição da divergência política pela acusação criminal evidencia o estado falimentar da oposição no país e, mais importante, inocula veneno no sistema circulatório de nossa democracia.

Demóstenes Torres foi expulso do DEM antes de qualquer condenação, quando patenteou-se que ele operava como despachante de luxo da quadrilha de Carlinhos Cachoeira. José Dirceu foi aclamado como herói e mártir pela direção do PT depois da decisão da corte suprema de uma democracia de condená-lo por corrupção ativa e formação de quadrilha. O mensalão é um tema legítimo de campanha eleitoral e nada há de errado na exposição dos vínculos entre Haddad e Dirceu. Contudo, a linguagem da política não deveria se confundir com a linguagem da polícia.

Dirceu permanece na alta direção petista, pois é um dos artífices de uma concepção da política que rejeita a separação entre o Estado e o partido. No mensalão, a imbricação Estado/partido assumiu o formato de um conjunto de crimes tipificados. Entretanto, tal imbricação manifesta-se sob as formas mais diversas desde que Lula subiu a rampa do Palácio do Planalto. O código genético do mensalão está impresso no movimento de partidarização da administração pública, das empresas estatais, dos fundos de pensão, dos sindicatos, das políticas sociais e da política externa conduzido ao longo de uma década de lulismo triunfante. Na linguagem da política, Dirceu figuraria como símbolo da visão de mundo do lulo-petismo. Mas a campanha de Serra não é capaz de escapar ao círculo de ferro da linguagem policial.

A Interpol define Paulo Maluf como um foragido da Justiça. Lula e Haddad não se limitaram a firmar um pacto eleitoral com o partido de Maluf, mas peregrinaram até a mansão do fugitivo para desempenhar o papel abjeto de cortejá-lo como liderança política. Faz sentido divulgar, no horário de campanha, as imagens da macabra confraternização. Contudo, uma vez mais, seria indispensável traduzir o evento na linguagem da política, que não é a da Interpol.

Maluf é um caso extremo, mas não um ponto fora da curva. Lula e o PT insuflaram uma segunda vida aos cadáveres políticos de Fernando Collor, Jader Barbalho, José Sarney, Renan Calheiros e tantos outros. As alianças recendem a oportunismo, um vício menor, mas a extensão da prática exige uma explicação de fundo. O paradoxo aparente do encontro entre “esquerda” e “direita” é fruto de um interesse compartilhado: a continuidade da tradição patrimonial de apropriação da “coisa pública” pela elite política. As “estranhas alianças” lulistas funcionam como ferramentas para a repartição do imponente castelo de cargos públicos na administração direta e nas empresas estatais. Até hoje o Brasil não concluiu o processo de criação de uma burocracia pública profissional. Na linguagem da política, a confraternização de Lula e Haddad com Maluf ajudaria a esclarecer os motivos desse fracasso. Mas a propaganda eleitoral de Serra preferiu operar em outro registro.

A campanha do tucano oscila entre os registros administrativo, moral e policial, sem nunca sincronizar o registro político. De certo modo, ela é um reflexo fiel da falência geral da oposição, que jamais conseguiu elaborar uma crítica sistemática ao lulo-petismo. Entretanto, nas circunstâncias produzidas pelo julgamento do mensalão, a inclinação oposicionista a apelar para a linguagem policial tem efeitos nefastos de largas implicações. Na democracia, não se acusa um dos principais partidos políticos do país de ser uma quadrilha.

O PT não é igual à sua direção eventual, nem é uma emanação da vontade de Dirceu ou mesmo de Lula. O PT não se confunde com o que dizem seus líderes ou parlamentares em determinada conjuntura, nem mesmo com as resoluções aprovadas nesse ou naquele encontro partidário. Embora tudo isso tenha relevância, o PT é algo maior: uma história e uma representação. A trajetória petista de mais de três décadas inscreve-se no percurso da sociedade brasileira de superação da ditadura militar e de construção de um sistema político democrático. O PT é a representação partidária de uma parcela significativa dos cidadãos brasileiros. A crítica ao partido e às suas concepções políticas não é apenas legítima, mas indispensável. Coisa muito diferente é tentar marcá-lo a fogo como uma coleção de marginais.

O jogo do pluralismo depende do respeito à sua regra de ouro: a presunção de legitimidade de todos os atores envolvidos. Nas democracias, eleições se concluem pelo clássico telefonema no qual o derrotado oferece congratulações ao vencedor.

Em 1999, após o terceiro insucesso eleitoral de Lula, o PT violou a regra do jogo, ao desfraldar a bandeira do “Fora FHC”. Serra ficou longe disso dois anos atrás, mas seu discurso de derrota continha a estranha insinuação de que a vitória de Dilma Rousseff representaria uma ameaça à democracia. Agora, na eleição paulistana, a propaganda do tucano sugere que um triunfo de Haddad equivaleria à transferência da prefeitura da cidade para uma quadrilha. Na hipótese de derrota, como será o seu telefonema de domingo à noite?

Marqueteiros designam ataques ao adversário eleitoral pela expressão “propaganda negativa”. O rótulo dos vendedores de sabonete abrange tudo, desde a crítica política fundamentada até as mais sórdidas agressões pessoais. O problema da campanha de Serra não está no uso da “propaganda negativa”, mas na violação da regra do jogo. Não é assim que se faz oposição.

Demétrio Magnoli é sociólogo.

Brasil 247

Destaques do ABC!
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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

SP: Haddad 60 X Serra 40



Pesquisas divulgadas agora a pouco...

Muita água ainda vai rolar por debaixo da ponte até domingo. Muita baixaria...


DATAFOLHA: HADDAD 60% A 40%; IBOPE: 57% A 43%

:
A quatro dias da eleição para prefeito da maior cidade do País, duas pesquisas coincidem em dar larga vantagem para o candidato do PT, Fernando Haddad, frente a seu adversário do PSDB, José Serra; para o Datafolha, o ex-ministro tem 60% de intenções de votos válidos, contra 40% para o ex-governador; Ibope, no mesmo quesito de votos válidos, apura dianteira de 57% para o petista contra 43% para o tucano; confirmação dos números no resultado das urnas vai consumar o mais espetacular desempenho eleitoral dos últimos tempos 

Leia mais no Brasil 247.

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Eleições 2012: mais um Golpe do PIG ?



O jocosamente chamado PIG - Partido da Imprensa Golpista (pig, "porco" em inglês), segmento mais importante da imprensa brasileira (jornais Folha de S. PauloO Estado de S. PauloO Globo, revista VEJA, Rede Globo e afins), vem com tudo para cima do Partido dos Trabalhadores, na tentativa de interferir no resultado das eleições do próximo domingo, principalmente em São Paulo e outras importantes cidades do País.

Como se sabe, o Julgamento do Mensalão no Supremo Tribunal Federal "curiosamente" vem coincidindo com o período eleitoral, certamente influindo na escolha do eleitor.

Ontem a sessão no Supremo foi imbatível em termos de "tiradas" contra os réus do Mensalão. Alguns ministros da mais alta corte do País, que estão definindo as penas dos condenados, capricharam na produção de "expressões midiáticas", numa espécie de "espancamento" de José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares e outros.

Como se a corrupção na política tivesse nascido com o PT, o polêmico e rocambolesco ministro Marco Aurélio (Collor) Mello, por exemplo, o mais inflamado deles, do alto do palanque, proferiu um voto eminentemente político, falando em "Quadrilha dos 13", comparando o PT à máfia italiana (!!!) e chamando o período de Lula na Presidência da República de "fosso moral".

Esse jogo todo é democrático, republicano? O Supremo Tribunal Federal está mostrando, mais uma vez, que serve às elites? Estamos assistindo a um verdadeiro golpe para mudar o resultado das urnas, destruir o Partido dos Trabalhadores, incriminar Lula e chegar à desestabilização do governo da presidenta Dilma?

Seria de bom alvitre que os Senhores de Toga usassem de todo esse "furor cívico" para combater também o Mensalão Tucano e a Corrupção no Judiciário...

Acorda, Povo Brasileiro !!!

Plim-Plim !!!




JORNAL NACIONAL, ontem, 23 de outubro de 2012



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terça-feira, 23 de outubro de 2012

STF e Mensalão: o avesso do avesso


Divulgando...


                                                                                PIG (Partido da Imprensa Golpista)


DIVULGUEM A TEORIA POLÍTICA DO SUPREMO

Wanderley Guilherme dos Santos

Diante de um Legislativo pusilânime, Odoricos Paraguassu sem voto revelam em dialeto de péssimo gosto e falsa cultura a raiva com que se vingam, intérpretes dos que pensam como eles, das sucessivas derrotas democráticas e do sucesso inaugural dos governos enraizados nas populações pobres ou solidárias destes. Usando de dogmática impune, celebram a recém descoberta da integridade de notório negocista, confesso sequestrador de recursos destinados a seu partido, avaliam as coalizões eleitorais ou parlamentares como operações de Fernandinhos Beira-mar, assemelhadas às de outros traficantes e assassinos e suas quadrilhas.

Os quase quarenta milhões de brasileiros arrancados à miséria são, segundo estes analfabetos funcionais em doutrina democrática, filhos da podridão, rebentos do submundo contaminado pelo vírus da tolerância doutrinária e pela insolência de submeter interesses partidariamente sectários ao serviço maior do bem público. Bastardos igualmente os universitários do Pró-Uni, aqueles que pela primeira vez se beneficiaram com os serviços de saúde, as mulheres ora começando a ser abrigadas por instituições de governo para proteção eficaz, os desvalidos que passaram a receber, ademais do retórico manual de pescaria, o anzol, a vara e a isca. Excomungados os que conheceram luz elétrica pela primeira vez, os empregados e empregadas que aceitaram colocações dignas no mercado formal de trabalho, com carteira assinada e previdência social assegurada. Estigmatizados aqueles que ascenderam na escala de renda, comparsas na distribuição do butim resultante de políticas negociadas por famigerados proxenetas da pobreza.

Degradados, senão drogados, os vitimados pelas doenças, dependentes das drogas medicinais gratuitas distribuídas por bordéis dissimulados em farmácias populares. Pretexto para usurpação de poder como se eleições fossem, maldigam-se as centenas de conferências locais e regionais de que participaram milhões de brasileiros e de brasileiras para discussão da agenda pública por aqueles de cujos problemas juízes anencéfalos sequer conhecem a existência.

O Legislativo está seriamente ameaçado pelo ressentimento senil da aposentadoria alheia. Em óbvia transgressão de competências, decisões penais lunáticas estupram a lógica, abolem o universo da contingência e fabricam novelas de horror para justificar o abuso de impor formas de organização política, violando o que a Constituição assegura aos que sob ela vivem. Declaram criminosa a decisão constituinte que consagra a liberdade de estruturação partidária. Vingam-se da brilhante estratégia política de José Dirceu, seus companheiros de direção partidária e do presidente Lula da Silva, que rompeu o isolamento ideológico-messiânico do Partido dos Trabalhadores e encetou com sucesso a transformação do partido de aristocracias sindicais em foco de atração de todos os segmentos desafortunados do país.

Licitamente derrotados, os conservadores e reacionários encontraram no Supremo Tribunal Federal o aval da revanche. O intérprete, contudo, como é comum em instituições transtornadas, virou o avesso do avesso, experimentou o prazer de supliciar e detonou as barreiras da conveniência. Ou o Legislativo reage ou representará o papel que sempre coube aos judiciários durante ditaduras: acoelhar-se.

Imprensa independente, analistas, professores universitários e blogueiros: comuniquem-se com seus colegas e amigos no Brasil e no exterior, traduzam se necessário e divulguem o discurso do ministro-presidente Carlos Ayres de Britto sobre a política, presidencialismo, coalizões e tudo mais que se considerou autorizado a fazer. Divulguem. Divulguem. Se possível, imprimam e distribuam democraticamente. É a fama que merece.

* Cientista político, doutor pela Universidade de Stanford/EUA.

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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Tribunais adoecem e cometem barbaridades


Persona non grata a setores obtusos e antidemocratas do Judiciário, devido a denúncias e opiniões expressas neste espaço de cidadania, esta Blogueira considera que vem sendo vítima de graves violações de direito, algumas com a cumplicidade ou com a leniência de tais setores, no mínimo.

A Blogueira fez denúncia gravíssima à Corregedoria Nacional de Justiça, teve a honra de ver sua denúncia acolhida pela Grande Mulher da Justiça, a combativa ministra Eliana Calmon, que assumiu até a Relatoria do processo, mas o novo corregedor do CNJ, ministro Francisco Falcão, encaminhou o processo para a Corregedoria do Tribunal de Justiça de São Paulo, que o arquivou.

Reitero: há ilícitos gravíssimos cometidos contra esta Cidadã, que corre risco de morte, ilícitos que envolvem familiares da Blogueira e agentes públicos municipais e estaduais, ilícitos que deveriam ser averiguados no plano federal, para que irrestrita lisura e liberdade de investigação fossem promovidas.

A Blogueira continua na mesmíssima situação de vítima de violência moral, psicológica, patrimonial e institucional, sem que o Poder Judiciário, instância criada justamente para a resolução de conflitos e a promoção da Justiça, se digne tomar providências.

A Cidadã Blogueira enviou relato detalhado de sua situação à presidenta Dilma, que encaminhou o caso para acompanhamento da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República.

Voltarei a esse assunto.





A patologia dos tribunais

Milton Nogueira


O ex-jogador de futebol americano O J 
Simpson em sua midia crucis
Foto: Galeria de Oldmaison/Flickr


Tribunais, uma invenção humana, também ficam doentes. Nas últimas décadas, vários tribunais se perderam, cometeram barbaridades e passaram a se meter com políticas atrasadas. Uma verdadeira patologia, contrária ao espírito das leis e aos anseios de justiça neutra e cega. Uma vez doente, o tribunal dificilmente consegue cura.

Eis algumas doenças que afetam os tribunais.


Tribunal espetáculo

Stalin mandava prender a pessoa sob acusações falsas, e a enviava a um tribunal de juízes sectários. Achem o acusado, dizia ele, que acharei o parágrafo. Do pódio, três juízes perguntavam coisas triviais - você fala bem o russo? Já conversou com estrangeiro? Está contente com seu chefe? As respostas, quaisquer que fossem, eram apresentadas como prova contra o réu. Se fala bem o russo, porque se meteu com…? Se não fala bem o russo, porque se meteu com…? A cada tentativa de se explicar o apavorado réu se enredava mais. Chamados de show-trial em inglês, os tribunais eram transmitidos por rádio para toda a União Soviética, justamente para amedrontar o povo. Não era tribunal justo, era o terror sob o manto de juízes. Algumas dezenas de milhares morreram.

Os tribunais da Alemanha dos anos 30 [Hitler/nazismo] faziam o mesmo, com um toque de arapongagem, denúncia anônima, delação de vizinho. Juízes lenientes inquiriam, Salomão, você foi à sinagoga? Se sim, você deve ser judeu e não é bom cidadão do III Reich. Se não, você está mentindo e não é bom cidadão do III Reich. O réu era sempre condenado, sob microfones de rádio e câmeras de filme que tudo mostravam em vinhetas antes das sessões de cinema. Hollywood ainda não se cansou de contar essa história.

E no Brasil, como estamos?


O tribunal do faz-de-conta

Mock trial em inglês, acontece quando o juiz entra em sala com a decisão já tomada e deixa de fora provas essenciais ao processo. Caso famoso foi o Monkey trial, um bisonho tribunal que, há um século, condenou um professor que explicava a evolução das espécies em escola primária de uma região atrasada dos Estados Unidos. O juiz, cristão radical, condenou o professor, mas, antes, rejeitou o testemunho de geólogos, arqueólogos, botânicos, médicos, historiadores, porém acatou o de fazendeiros que afirmaram haver sido a Terra criada há quatro mil anos, às nove horas da manhã. Foi também um dos mais divertidos shows de rádio do país. Próxima atração: o filme “O Vento Será Tua Herança”.

No Brasil, os tribunais da época da ditadura condenaram centenas de réus por atos políticos que sequer eram crimes.

E no Brasil, como estamos?


Circo da mídia

O julgamento de O J Simpson durou meses sob holofotes das TVs dos Estados Unidos e por isso foi chamado de media circus; esse tipo de tribunal roda como espetáculo, muda o horário das próprias sessões para atender ao noticiário nacional das TVs, repete a cada meia hora as imagens dos advogados em cena. A injustiça é cometida quando a mídia, sob o imperativo de não parar o espetáculo, acaba influenciando as testemunhas, as provas, os peritos, os jurados e os próprios juízes. No caso Simpson, o juiz fez plástica facial para aparecer bem, perante as câmeras.

No Brasil, como estamos?


Tribunal abortado

Um tribunal aborta quando o juiz erra tudo, não define claramente qual é o verdadeiro crime, vacilando entre alegações, especulações, suspeitas e indícios sem prova. Caso famoso, hoje no currículo de alguns cursos de direito, foi o dos Irmãos Naves, acontecido em Minas Gerais dos anos 40. Acusados de haver assassinado um homem, os irmãos Naves foram torturados até confessarem. O juiz sequer perguntou se alguém havia visto o cadáver, mas, mesmo assim, os condenou. Da cadeia os Naves só saíram muitos anos depois, quando o homem reapareceu na cidade. Ele havia fugido sem avisar a ninguém.

Outro exemplo de aborto de justiça foi a condenação de Nelson Mandela à prisão perpétua por tribunal racista do apartheid, em cuja sala negros não entravam.

Os tribunais, constituídos de seres humanos, às vezes ficam doentes. 

Como estamos no Brasil?


Destaques do ABC!

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domingo, 21 de outubro de 2012

Canalha, Substantivo Feminino


"Toda família tem uma canalha", é o que afirma a jornalista Martha Mendonça, autora do livro Canalha, substantivo feminino, onde desvenda as canalhices do universo feminino.

Há famílias mais desafortunadas que abrigam duas ou mais canalhas... Já imaginaram o drama?

Além da canalha-mor, cruel e cafajeste, na mesma família se encontrar uma outra, uma canalha discípula, igualmente nociva e nefasta, com muitos traços da canalha original. E tendo muitas vezes a canalha original como mestra.

Eu conheço pelo menos duas, na mesma família. Ambas predadoras, frias, calculistas, alpinistas sociais, que usaram da instituição casamento para subir na vida, exibir casa nova, vestir roupas de grife, desfilar de nariz empinado dirigindo seus carros de luxo... 

São as "Tássias", adeptas do "Compro, logo existo"... Sobem na vida "escalando as calças masculinas" e adquirem um ar de superioridade em relação ao resto da humanidade. Elas chegaram lá. Não importa como.


Em seu livro a "canalhóloga" Martha Mendonça narra seis estórias tendo por protagonistas mulheres de natureza amoral, trapaceiras, que se fazem de vítima, usam e abusam da chantagem emocional, mentem descaradamente para subjugar maridos, gerenciar amantes, aumentar patrimônio pessoal, exibir seus podres poderes e até destruir suas vítimas, quando já nada têm para oferecer.

Abaixo reproduzo artigo sobre o livro das canalhas. Leia e aprenda a se proteger destas pestes. Aviso que não é fácil. Elas são exímias profissionais da empulhação.



Foto: Divulgação


Mulheres canalhas

Elas são muito piores que os cafajestes

Bem ou mal, eu sempre acreditei que homens e mulheres são essencialmente semelhantes. Ao contrário da longa tradição conservadora, que, desde a Bíblia, imputa às mulheres pensamento e sentimentos opostos aos dos homens, eu sempre defendi, de forma totalmente intuitiva, que, afora a biologia, as diferenças entre homens e mulheres são apenas culturais – nada que uma geração ou duas de igualdade não fosse capaz de varrer da face da Terra.

Por pensar assim, eu me surpreendo profundamente com as sugestões de diferenças inconciliáveis entre sexos, sobretudo quando apresentadas pelas próprias mulheres – como acontece no livro Canalhas, substantivo feminino, escrito pela minha colega Martha Mendonça, a gentil, ferina e bem-humorada repórter da sucursal do Rio de Janeiro de ÉPOCA.

Publicado pela Editora Record, o livro reúne contos sobre mulheres que fazem os cafajestes masculinos parecerem coroinhas. Cada uma dessas histórias é um pequeno compêndio de maldades – maldades que, pela forma e pelo conteúdo, parecem intrinsecamente femininas, ainda que muitas delas não sejam exclusivas das mulheres.

Há uma estagiária de 20 anos, Larissa, que seduz o chefe quarentão até levá-lo a um estado de loucura, pelo prazer egoísta de testar o próprio poder. Há uma loira sensual, Ingrid, que sobe na vida sem trabalhar usando os homens friamente, como degraus da sua escalada social. Há uma arquiteta de 30 anos, Mariana, que arrasta o marido da antiga rival de colégio para um motel apenas pelo gosto de humilhar a beldade envelhecida.

Todas essas histórias têm em comum uma perversidade que eu não vejo no universo masculino. Os homens fazem coisas torpes, mas, tanto quanto eu percebo, agem na vida privada movidos pela paixão dos sentimentos. Seus atos, vistos de fora, são impulsivos e primitivos, de tão óbvios.

Em oposição, as mulheres de Martha são racionais, calculistas, oblíquas como o olhar de Capitu. A mãe seduz o namorado da filha para sentir-se jovem e desejada. Sem hesitação e sem remorsos. A noiva entrega-se a todos os homens, menos ao seu prometido, por quem sente um mal disfarçado desprezo. A mulher planeja e leva a cabo o assassinato do marido por lento e penoso envenenamento.

De onde vem isso? Em primeiro lugar vem da Martha. Como boa carioca, ela parece ter bebido nas águas turvas do Nelson Rodrigues, o grande sintetizador do universo imoral brasileiro. As personagens de Martha são pecadoras de classe média baixa, criaturas infames do repertório da família degradada que o autor de Vestido de Noiva e Beijo no Asfalto reconheceria instantaneamente.

Mas há nelas também, como apontou uma amiga, um toque atemporal de Lolita – a adolescente sensual do livro de Vladimir Nabokov, capaz de manipular o desejo de um homem adulto até reduzi-lo ao estado (ainda servil) de trapo. Como Lolita, as mulheres de Martha são exímias manipuladoras, que usam o corpo delas e a imaginação dos homens como armas.

Os homens, tanto quanto eu percebo, são incapazes de operar nesse universo de sutilezas, por uma razão essencial: não é fácil manipular o desejo das mulheres.

Homens são facilmente controláveis pelo zíper. Não é preciso ser uma beldade para fazer isso. Basta ser sensual e gostar de sentir-se assim. E ter em si um grama de maldade. O roteiro é velho e batido: quando o sujeito quer, a moça não quer. Queria ontem, mas hoje não tem certeza. Aproxima-se, mas, depois, muda de ideia e se afasta. Enquanto isso, mantém o corpo desejado a uma distância impossível de ignorar, mas difícil de tocar. É fácil e simples.

Quantos homens vocês conhecem que são capazes de manter uma mulher na rédea com esse tipo de ardil? Eu não conheço nenhum. Nas únicas situações em que vi esse tipo de coisa acontecendo, a mulher estava completamente apaixonada. Mulheres apaixonadas parecem perder o controle. Homens perdem o controle por luxúria, por lascívia, por desejo, por tesão – sentimentos muito mais corriqueiros neste mundo de meu deus. A gente vê isso acontecendo todos os dias.

Outra coisa que distingue as mulheres da Martha dos homens reais é que elas operam numa esfera que eu chamaria de contra-poder.

Os homens têm o dinheiro, o prestígio social e o comando, nas empresas e no mundo. As mulheres têm aspirações. Contra o óbvio poder social dos homens, elas lançam mão de estratagemas e subterfúgios, atalhos que, nos enredos de Martha, passam quase invariavelmente pelo sexo. Mesmo a quarentona gostosa que seduz o namorado adolescente da filha está marcando um tento contra o poder masculino – aquele que escolhe favorecer o corpo da mulher jovem em detrimento da mulher mais velha. Há sempre uma ponta de afirmação no poder paralelo das mulheres canalhas.

Ao terminar o livro, que li de uma vez só, encantado, tive várias sensações.

A primeira foi de alívio. Aos 50 anos, eu ainda não encontrei uma das mulheres más que Martha descreve. Já vi algumas inebriadas com o seu poder de seduzir e outras que ensaiaram subir na vida escalando as calças masculinas, mas eram amadoras.

A segunda sensação com que o livro me deixou remete ao começo deste texto: mulheres, afinal, talvez sejam diferentes de nós, homens. O mundo do poder masculino criou tipos dominantes que são agressivos e toscos em seus métodos. Óbvios, enfim. O universo da submissão feminina inventou mulheres sutis e ardilosas, bem mais difíceis de mapear e entender.

Essas não são diferenças no interior do cérebro ou da alma, porém. São diferenças sociais que, de tão velhas, passaram a fazer parte de nós – até que sejam varridas da face da Terra por uma ou duas gerações criadas em igualdade.

Revista Época

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