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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O "incesto" entre Mídia Golpista e STF


Camaradagem, parceria, conúbio, conluio... eu indaguei aqui, em post de ontem (veja abaixo). E o jornalista Paulo Nogueira, radicado em Londres, respondeu.

Incesto despudorado entre mídia golpista e judiciário.

Ausência total de decoro. E outras cosítas más...




A relação incestuosa entre a mídia e o judiciário


PAULO NOGUEIRA 

O livro Mensalão, de Merval Pereira, traz um prefácio de Ayres Britto, por incrível que pareça.



                                                                                        Merval, o livro e o juiz


O pior livro de 2013 está prestes a ser lançado: Mensalão, de Merval Pereira.

Cuidado, pois.

Tratando-se de Merval, não poderia ser outra coisa que não a reunião de seus artigos maçantes e previsíveis ao longo do julgamento. Conteúdo novo? Talvez na próxima.

O livro é revelador, não obstante.

Ele mostra a relação incestuosa entre a Globo (e a grande mídia) e o STF. O prefácio é de Ayres Britto, que presidia o Supremo durante o Mensalão.

Pode? Pode.

É legal? É.

É eticamente aceitável? Não. Exclamação.

O pudor deveria impedir o conúbio literário entre Merval e Britto.

Mas o pudor se perdeu há muito tempo. Em outra passagem amoral desse caso de amor entre mídia e justiça, o ministro Gilmar Mendes compareceu sorridente, em pleno julgamento do Mensalão, ao lançamento de um livro do príncipe dos escaravelhos Reinaldo Azevedo em que os réus eram massacrados.

Ali estava já a sentença de Gilmar.

Pilhados por uma câmara indiscreta, Azevedo se gabou da presença ilustre, aspas, do companheiro Gilmar, e este seguiu em seu caminho de defensor da justiça e da causa do 1%.

A decência e o interesse público mandam distância entre os dois poderes, a mídia e a justiça. Na Inglaterra, se o juiz Brian Leveson, que comandou as discussões sobre a mídia e seus limites, confraternizar com um jornalista, a carreira de ambos estará encerrada.

No Brasil, é pena, isso não é bem assim.

Conheço Merval há anos. Quando eu começava carreira na Veja, ele foi, durante algum tempo, editor da seção de Brasil. Não virou manchete, porque não tinha elegância ao escrever, o que naquela época era um requisito na Veja.

De lá voltou a seu habitat, o Rio. Seu tento mais espetacular, nestes anos todos de regresso ao Rio, foi ter matado Hugo Chávez numa coluna que, não gozasse ele da imunidade de porta-voz do patrão, podia ter lhe custado a mensalidade que recebe. Seu mensalão, enfim.

Reencontrei-o quando fui integrante do Conedit, Conselho Editorial das Organizações Globo.

Rapidamente, nas reuniões semanais de terça-feira no Jardim Botânico, conduzidas por João Roberto Marinho, me impressionei com Merval e Ali Kamel.

Não pelo talento, não pelo brilho. Mas pela capacidade de reproduzir, alguns tons acima, tudo que a família Marinho pensava. Pareciam competir entre si, como se dissessem: “Eu concordo com o João mais do que você!” (Acho graça quando atribuem poder ideológico a Kamel: se seu patrão fosse progressista, ele seria progressista e meio. Ele não articula intelectualmente, e sim executa jornalisticamente o que os Marinhos desejam. Embora seus amigos da Veja dediquem espaço monumental à resenha de seus livros, nenhum deles tem qualquer valor literário.)

Aquilo tudo no conselho evidentemente me incomodou. Uma vez, depois de uma reunião, fui almoçar com Luiz Eduardo Vasconcellos, sobrinho de Roberto Marinho, acionista minoritário do Globo e integrante do Conselho Editorial.

O cardápio, olhando para trás, foi suicida, para mim. Não conversei, desabafei. Disse a Luiz Eduardo, um bom sujeito, aliás, que me chamava a atenção na reunião o fato de todos os participantes repetirem, basicamente, as ideias da família Marinho.

Onde alguma diversidade, onde algum esboço de pluralismo?

Alguns macaqueavam mais discretamente, outros com exuberância e estridência retórica. Era este o caso de Merval e de Kamel. Minha solidão naquele grupo era imensa, era universal, e não apenas por eu ser de São Paulo.

Merval, em seus artigos, se coloca como um Catão. Talvez um dia nosso Catão possa vir à luz do sol para explicar por que, trabalhando há tantos anos para todas as mídias da Globo, é um PJ – um artifício pelo qual ele e seu empregador pagam menos impostos do que deveriam, e ainda se concedem o direito de fazer sermões sobre moral.


Destaques do ABC!

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Blogueira Yoani Sánchez já pode sair de Cuba


Celebridade internacional, mas quase desconhecida em Cuba, a blogueira Yoani Sánchez recebeu finalmente o tão esperado passaporte e poderá sair da ilha a qualquer momento. Yoani tem convites para palestras em vários países, quer visitar uma irmã nos Estados Unidos e pretende também vir ao Brasil.



Blogueira cubana Yoani Sánchez recebe passaporte e já pode viajar

HAVANA (AFP) - A blogueira opositora cubana Yoani Sánchez, que foi impedida de deixar a ilha várias vezes pelo governo, recebeu nesta quarta-feira 30 seu passaporte, o que a habilita para viajar ao exterior com a reforma migratória colocada em vigor no dia 14 de janeiro, informou a própria dissidente.

Sánchez mostra foto do passaporte em seu twitter. Foto: Arquivo Pessoal
Sánchez mostra foto do passaporte em seu twitter. Foto: Arquivo Pessoal
“Incrível!! Ligaram para a minha casa (do escritório da migração) para dizer que meu passaporte já estava pronto! Acabam de me entregá-lo!”, escreveu na rede social Twitter a blogueira, de 37 anos, premiada internacionalmente em diversas oportunidades.
“Estou feliz e triste: por um lado já tenho meu documento para viajar, mas vários amigos não receberam permissão”, acrescentou Sánchez, que solicitou no mesmo dia 14 de janeiro seu passaporte no escritório de migração do bairro de El Vedado, de Havana.
Em Moya, um ex-preso político e marido da líder das Damas de Branco, Berta Soler, teve seu passaporte negado por estar em liberdade provisória desde 2011 (por uma condenação a 20 anos de prisão), como resultado de um inédito diálogo entre a Igreja Católica e o governo de Raúl Castro.
Sánchez, filóloga e autora do elogiado blog “Generación Y”, não conseguiu visitar o Brasil no início do ano passado, apesar de ter obtido o visto, devido ao fato de o governo ter se negado a conceder a permissão de saída do país, que estava vigente há meio século e que foi eliminado com a reforma migratória.
O governo comunista já havia negado a Sánchez a permissão de saída cerca de vinte vezes.
Sánchez recebeu em 2008 o Prêmio Ortega y Gasset do jornal espanhol El País na área de jornalismo digital. Nesse mesmo ano a revista Time a situou entre as 100 pessoas mais influentes do mundo e a rede americana CNN classificou o seu blog entre os 25 melhores do planeta.
Apesar de ser uma celebridade internacional, a blogueira é quase desconhecida dentro de Cuba (principalmente fora de Havana), onde a oposição é ilegal, os meios de comunicação estão sob controle do Estado e o acesso à internet é limitado e não existe banda larga.

CartaCapital

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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Tragédia em Santa Maria: crime e castigo


OPINIÃO


As lágrimas e o dever


MAURO SANTAYANA


A cumplicidade criminosa do poder público com a ganância empresarial e a irresponsabilidade de jovens músicos provocou a tragédia

A grande tragédia de Santa Maria, como todas as semelhantes que a precederam, pode ser resumida em sua causa medíocre e repulsiva: a ânsia do lucro do empresário. E isso nos conduz a outras lancinantes indagações. Podemos começar pela superfície.

No mundo inteiro há estabelecimentos como a boate gaúcha. A palavra boate, vinda do francês boite, é expressiva para designar – mais do que no passado – essas casas noturnas. São caixas, fechadas, com uma só abertura. É preciso que os seus sons não saiam, para não incomodar os vizinhos, que o confinamento favoreça o convívio e amplie a estridência alucinadora dos sons.

O homem, sendo muitos, é, na definição de Huizinga, homo ludens, um ser que brinca. Essa atividade, a do jogo lúdico, não é atributo exclusivo destes primatas aprimorados que somos. Todos os animais brincam, e não só em sua própria espécie: os pesquisadores mostram relações afetivas de bichos diferentes, tanto entre os domesticados, quanto entre os selvagens.

É na vida dos homens que as atividades lúdicas chegam à excelência – na música, nas artes, nos encontros sociais, entre poucas pessoas, mas também nos grandes shows musicais e no baile que, em nossa civilização de massas, pode reunir centenas ou milhares de pessoas. Algumas vezes esses encontros só se fazem para a alegria, em outras, para ações claramente políticas, como ocorreu em Woodstock, em agosto de 1969 – na sequência do ano surpreendente de 1968.

Produzir sons e acompanhar o seu ritmo com o movimento do corpo é uma atividade que vem dos primeiros tempos da Humanidade, ainda no Paleolítico. Da madrugada da espécie, com a descoberta da beleza, que se expressava no som do soprar dos ventos sobre as árvores e arbustos, do choque das grandes ondas do mar contra os rochedos e do murmúrio sedutor das águas dos riachos. Isso sem falar no canto dos pássaros e dos insetos, todos saudando o milagre da vida, e chamando os parceiros para o amor.

A descoberta de uma flauta feita de osso de abutre, e datada de há 35 mil anos, mostra que, já naquele tempo, o homem era capaz de retirar das coisas naturais os sons e recriá-los, na doma das notas. E, deduzimos, acompanhá-los com seus movimentos corporais, na busca de harmonia e de cumplicidade com a natureza.

Em 1969, em Woodstock, os que se reuniram ao lado de Nova York tentavam retomar a estrada libertária aberta um ano antes, em Paris, em Berkeley, em Berlim, em Praga – e no Rio de Janeiro. Era o tempo de belo e antigo sonho, em que se pretendia que só fosse proibido proibir.

Em Santa Maria, os jovens só queriam ser felizes, nos momentos de ternura e no encontro com os amigos. De repente, no recinto fechado, o fogo irrompe. Como já ocorreu em outros casos, com mais vítimas e menos vítimas, o que era a celebração da vida passou a ser o festim da morte.

Não foi exatamente uma fatalidade. Não se tratou de ato de terrorismo. Tratou-se de cumplicidade criminosa entre o poder público, que não cumpre o seu dever de impor normas rígidas de segurança a tais casas de espetáculo e fiscalizar seu cumprimento; a ganância empresarial privada e a irresponsabilidade dos jovens músicos, que agiram sem a orientação de pessoas mais experientes.

Estamos perdendo a capacidade de associar uma ideia à outra, no planejamento de qualquer ato. E muito mais do que isso, estamos perdendo a noção de que pertencemos à Humanidade. Esquecemo-nos da advertência de John Donne em seus belos versos: nenhum homem é uma ilha. Quando os sinos de Santa Maria dobram nos sons de finados, eles dobram pela nossa agonia como seres humanos. Não estamos mais seguindo o mandamento cristão de doar o que temos, seja o pão, seja o afeto, mas obedecendo ao mandamento diabólico do egoísmo, do lucro fácil, do desrespeito às normas necessárias de convívio.

Quando passar o luto, se não agirmos como cidadãos, casas noturnas como a de Santa Maria continuarão a superlotar seus recintos e a manter fechada a porta, a fim de impedir que as pessoas saiam sem provar que pagaram a conta.

Os adolescentes e jovens começaram a ser sepultados ontem, com a terra salgada pelas lágrimas de seus pais e irmãos. E com as lágrimas da Nação, que a presidente da República deixou escorrer em sua visita aos mortos.

É preciso punir este crime hediondo.

Mas devemos pensar em como usufruir a graça da vida, em como repartir, com igualdade, os bens e a alegria do mundo, assim como quase todos nós – menos alguns poucos – estamos dividindo, com os que perderam os seus seres amados, as dores destas horas.

Todo o Brasil que se merece está em Santa Maria.


Brasil 247

Destaques do ABC!

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STF e Mídia Golpista: a "parceria" escancarada


RIR PRA NÃO CHORAR


Eles não têm um pingo de compostura, mesmo!...


Parceria, camaradagem, conúbio, conluio... que nome dar a isso, cidadão?




"Imortal", Merval lança livro sobre o Mensalão


Único integrante da Academia Brasileira de Letras que publicou apenas 
artigos de jornal antes de chegar ao Olimpo das letras, Merval Pereira, 
do Globo, lança seu segundo trabalho "literário"; é um livro sobre o mensalão, com prefácio de ninguém menos que o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Britto, e que revela como o jornalista pautou e até antecipou votos de ministros; quem anuncia a chegada da obra é Reinaldo Azevedo

247 - O livro sobre a Ação Penal 470, do jornalista Merval Pereira, que pautou o comportamento de vários ministros do Supremo Tribunal Federal, recriminou o comportamento de outros e, de certa forma, regeu a orquestra do "julgamento do século", está chegando às livrarias. O mais espantoso é que o prefácio tenha sido escrito por Carlos Ayres Britto, ex-presidente da corte, sinalizando uma espécie de conúbio entre O Globo e o STF. Merval é o único integrante da Academia Brasileira de Letras que escreveu apenas artigos de jornal e lança agora seu segundo livro, intitulado "Mensalão", que reúne artigos escritos durante o julgamento. Quem anuncia a "boa nova" é o também insuspeito Reinaldo Azevedo, que qualifica Merval como "um dos textos mais lúcidos e precisos da imprensa brasileira". Leia, abaixo, a apresentação feita pelo blogueiro neocon de Veja.com:

Leia “Mensalão”, o livro do jornalista Merval Pereira. Chegou a hora de interpretar ainda mais o mundo!

O maior e mais grave escândalo da história republicana — porque se tratou, além da roubalheira, de tentar golpear a democracia com a criação de um Congresso paralelo — ganhou há poucos dias outro livro: “Mensalão — O dia a dia do mais importante julgamento da história política do Brasil”, do jornalista Merval Pereira, colunista do jornal “O Globo” (Editora Record) e comentarista da GloboNews e da CBN. Digo “outro” porque há a história lida e analisada pelo professor Marco Antonio Villa em “Mensalão” (Editora LeYa).

Com prefácio de Carlos Ayres Britto, ex-ministro do Supremo, que presidiu o julgamento, o livro traz os artigos escritos sobre o tema no Globo entre 2 de agosto e 11 de dezembro de 2012. Merval é um dos textos mais lúcidos e precisos da imprensa brasileira e tem um vício incurável: é dono das próprias ideias. Não integra as hostes crescentes dos que escrevem ou para agradar ou para não desagradar. Também não é do tipo que marcha no descompasso só para chamar a atenção. Aliás, esta é a acusação frequente que pesa contra os jornalistas independentes: porque eventualmente não seguem o ritmo da mediocridade influente, são, então, tachados de meros provocadores.

Merval sabe fazer a composição entre o detalhe e o conjunto, entre a parte e o todo. Ao longo dos textos, entendemos o fluxo da história, mas sem perder alguns detalhes saborosos que ilustram e iluminam a trajetória.

Leia-se este trecho de “Fugindo da cadeia”, texto publicado no dia 15 de novembro de 2012:


É meio vergonhoso para o PT, há dez anos no poder, que a situação desumana de nosso sistema penitenciário vire tema de debate só agora que líderes petistas estão sendo condenados a penas que implicam necessariamente regime fechado.


Chega a ser patético que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, no final das contas responsável pelo monitoramento das condições em que as penas são cumpridas, diga em público que preferiria morrer caso fosse condenado a muitos anos de prisão. Dois anos no cargo, e o ministro só se mobiliza para pôr a situação das prisões brasileiras em discussão no momento em que companheiros seus de partido são condenados a sentir na própria pele as situações degradantes a que presos comuns estão expostos há muitos e muitos anos, os dez últimos sob o comando do PT.


Também o ministro revisor Ricardo Lewandowski apressou-se a anunciar que muito provavelmente o ex-presidente do PT José Genoino vai cumprir sua pena em prisão domiciliar porque não há vagas nos estabelecimentos penais apropriados para reclusões em regime semiaberto. Para culminar, vem Dias Toffoli defender que as condenações restritivas da liberdade sejam trocadas por penas alternativas e multas em dinheiro. Tudo parece compor um quadro conspiratório para tentar evitar que os condenados pelo mensalão acabem indo para a cadeia, última barreira a ser superada para que a impunidade que vigora para crimes cometidos por poderosos e ricos deixe de ser a regra.

(…)

Voltei
Os artigos, uma vez reunidos em livro, ganham uma vida nova. No curso da leitura, entendemos com mais clareza as estratégias dos advogados dentro e fora dos tribunais, recuperamos o embate das teses jurídicas, lembramo-nos de detalhes das chicanas e reavivamos os valores, os bons valores, que fizeram com que as instituições brasileiras dissessem “não” aos golpistas.

Que o mensalão produza muito mais livros. Marx, bom frasista mesmo quando dizia as maiores cretinices, afirmou na “11ª Tese sobre Feuerbach”: “Os filósofos apenas interpretaram o mundo de diferentes maneiras, trata-se, entretanto, de transformá-lo”. Não há como salvar essa tolice mesmo no ambiente do texto original. Parece inteligência, mas é obscurantismo.

O nosso papel, o de filósofos, jornalistas, historiadores — cada trabalho com seu acento peculiar —, é mesmo este: interpretar o mundo. É o modo que temos de transformá-lo. De resto, ansiamos para que todos, mesmo os homens especialmente talhados para a “transformação”, jamais abandonem a teoria e o pensamento. Leiam “Mensalão”, um livro que ousa interpretar a realidade tendo como norte os fatos.


Brasil 247

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Dilma compara Holocausto à Ditadura e Escravidão


CIDADANIA


"Quando os nazistas levaram os comunistas, eu calei-me, 
porque, afinal, eu não era comunista. 
Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, 
porque, afinal, eu não era social-democrata. 
Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, 
porque, afinal, eu não era sindicalista. 
Quando levaram os judeus, eu não protestei, 
porque, afinal, eu não era judeu. 

Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse".

             Martin Niemöller, poeta alemão, citado pela presidenta Dilma Rousseff


                                                                                      Foto: Roberto Stuckert Filho/PR



Dilma: o Holocausto também se repete quando é negado

Heloisa Cristaldo

Brasília – Na data que celebra o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, a presidenta Dilma Rousseff disse que "o Holocausto também se repete quando é negado. Por isso deve-se sempre lembrar, mas ter muita responsabilidade quanto à verdade dos fatos”.
Dilma Rousseff disse hoje (30) em seu discurso que o país também enfrentou momentos difíceis com os 300 anos de escravidão e os períodos de ditadura. A presidenta reiterou diversas vezes em seu discurso que o caminho para evitar esse tipo de tragédia é o conhecimento da verdade e da história da humanidade.
“Respeitando a diversidade, a liberdade de pensamento e a grande riqueza de sermos diferentes e tão iguais, tão humanos, isso não significa que podemos deixar de avaliar, de conhecer, de estudar as mais dolorosas lições do ser humano. (...) [Devemos] lembrar, sistematicamente, para evitar que isso se repita”, disse.
Para a presidenta, a ideologia que resultou no holocausto “não chegou abruptamente”. “Sem dúvida nenhuma os guetos são uma antecipação disso. A expulsão dos judeus de Portugal [durante o período de inquisição] foi outra manifestação histórica, uma longa preparação, secular, que desembocou naquele momento terrível da história da humanidade, que foi a perseguição aos diferentes, aos judeus. E se repete sempre que foi aos judeus, porque tinha uma sistemática tentativa de descaracterizar seres humanos como humanos”, disse.
A presidenta ressaltou a criação no governo da Comissão da Verdade, que tem a finalidade de apurar graves violações de Direitos Humanos, praticadas por agentes públicos, ocorridas entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988.
Dilma Rousseff encerrou o evento citando o poeta alemão Martin Niemöller. "Quando os nazistas levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata. Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse".
A cerimônia homenageou Aracy Guimarães Rosa, mulher do escritor João Guimarães Rosa, funcionária do consulado brasileiro em Hamburgo, na Alemanha, e Luis Martins de Souza Dantas, embaixador brasileiro na França. Os dois, nas décadas de 1930 e 1940, salvaram centenas de judeus, concedendo a eles vistos para o Brasil, contrariando ordens superiores.
Por questões de segurança, a cerimônia, que ocorreria no prédio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Brasília, foi transferida de local. A decisão foi do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, a partir de laudo do Corpo de Bombeiros.
A data lembrada hoje [ontem] marca a libertação do campo de extermínio de Auschwitz, na Polônia, pelas tropas soviéticas em 27 de janeiro de 1945. No local, mais de 1,5 milhão de pessoas foram exterminadas.

Edição: Fábio Massalli


Agência Brasil

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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A tragédia em Santa Maria e o grotesco da mídia


MÍDIA

"A falta de originalidade e o amálgama geral do prazer pelo grotesco permeiam a imprensa brasileira. Quem em sã consciência acredita que mostrar os corpos de centenas de vítimas de uma tragédia é, de fato, fazer jornalismo? Quem acredita que assediar parentes de vítimas em seu momento de dor é fazer jornalismo investigativo? O jornalismo brasileiro despe-se de humanidade seja para noticiar chacinas contra jovens negros das periferias de São Paulo, seja para 'denunciar' massacres contra populações indígenas ou sem terras, ou para noticiar e cobrir tragédias de grandes proporções como o incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), que causou a morte de mais de 230 jovens."



TRAGÉDIA EM SANTA MARIA
Jornalismo ou a arte do grotesco?

Raphael Tsavkko Garcia*

O que há em comum entre tragédias como o deslizamento no morro do Bumba, o massacre na escola em Realengo e o incêndio em Santa Maria? A grotesca cobertura midiática. Sensacionalista, sedenta por sangue, louca pelo melodrama, desesperada pelo furo que normalmente consiste em imagens degradantes, cenas de humilhação, desespero e a miséria humana.

O jornalismo de verdade costuma ficar em segundo lugar. Isto quando sequer transparece nas páginas que oscilam entre pingar sangue ou verter torrentes de lágrimas colhidas a dedo para criar um quadro melodramático desnecessário e vergonhoso. A mídia busca respostas fáceis e quando não as encontra repete a história até ser possível encontrar uma brecha para fabricar suas próprias verdades. Não importa se a tragédia está acontecendo ou se é o aniversário dela – de 1, 10 ou mesmo 100 anos: o relevante é apenas espremer todo o sofrimento que puder.

Imagens de corpos carbonizados ou machucados, closes vergonhosos de pessoas sentindo a imensa dor da perda, vídeos com o momento exato de uma execução, a insistência nas perguntas-clichê nos momentos de maior dor de familiares ou mesmo vítimas: “Como você está se sentindo?”, “O que você pensa disso ou daquilo?”, “Qual a sensação?”


Direitos humanos

Sensação, sentimentos ou ideias que, infelizmente, a mídia não tem. A falta de originalidade e o amálgama geral do prazer pelo grotesco permeiam a imprensa brasileira. Quem em sã consciência acredita que mostrar os corpos de centenas de vítimas de uma tragédia é, de fato, fazer jornalismo? Quem acredita que assediar parentes de vítimas em seu momento de dor é fazer jornalismo investigativo? O jornalismo brasileiro despe-se de humanidade seja para noticiar chacinas contra jovens negros das periferias de São Paulo, seja para “denunciar” massacres contra populações indígenas ou sem terras, ou para noticiar e cobrir tragédias de grandes proporções como o incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), que causou a morte de mais de 230 jovens.

Em um primeiro momento apontaram os dedos midiáticos para os seguranças. Depois, para a “fatalidade” do ocorrido. Para a banda que usou material pirotécnico e começou o incêndio. Depois para teorias mil, comparações e para falhas na legislação, na fiscalização... Mas e os donos do local, estabelecimento que funcionava com permissão judicial provisória, sem estrutura alguma para garantir a segurança de milhares de frequentadores? E o prefeito da cidade, reeleito, responsável direto por fiscais e pela aplicação das leis no município? E o poder público que deveria zelar pela segurança dos cidadãos?

Mas não. Respostas fáceis são melhores. Apontar os dedos para os mortos, para o tempo, o espaço, o acaso, é muito mais fácil do que bater de frente e fazer jornalismo de verdade. O tom é sempre o mesmo. Sensacionalismo puro. A completa desumanização de familiares e vítimas que são mero produto para o entretenimento da massa. A cobertura de TVs e jornais em nada difere dos policialescos de péssima qualidade que diariamente demonstram que direitos humanos é algo a ser desrespeitado, que só serve para “bandido” e que bom mesmo é ver o sangue correr.


Show da vida

E o sangue corre. Sempre corre.

Em algum momento um jornalista questiona timidamente por que vemos tanta desgraça, por que há tanta violência? Mas em momento algum questiona a si e a seus colegas de profissão que, por vontade própria ou pressão dos diretores, vendem a morte, a dor e o sofrimento como itens típicos de mercado de esquina. Não é apenas a violência que aumenta, mas o espaço que ganha a cada dia na TV, nos jornais, nas revistas...

No caso de Santa Maria, convidam especialistas para falar de legislação, de tragédias, de fatos semelhantes... Tudo intercalado com rostos emocionados, vozes que tremem levemente frente às câmeras, um olhar de indignação semelhante ao usado em tragédias anteriores e muitas imagens chocantes, de desespero, de desalento.

É o show da vida, o show da realidade formatada para a audiência acostumada a reality shows e big brothers que não escondem nada, exceto a verdade.

* Raphael Tsavkko Garcia é blogueiro e jornalista, formado em Relações Internacionais pela PUC-SP e mestre em Comunicação.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Marcha silenciosa protesta em Santa Maria (RS)



Mesmo na dor, é preciso ter atitude.

Cidadãs  e cidadãos em Santa Maria, Rio Grande do Sul, familiares ou não dos mortos e feridos no incêndio na boate Kiss, que vitimou até o momento cerca de 231 pessoas, a maioria jovens estudantes universitários, se manifestam, exigindo apuração de responsabilidades, punição de culpados, medidas cabíveis.

Além de leniência de autoridades e agentes públicos, certamente houve muita corrupção para que se liberasse o espaço. Procurem e encontrarão agentes públicos e particulares, corruptos, por trás de mais esta tragédia.

Blogueira e blog se solidarizam com familiares e amigos das vítimas e com seus amigos e leitores em Santa Maria e no Rio Grande do Sul.


Boate obteve licença apesar de violar lei anti-incêndio

                                                                           Evelson de Freitas/Estadão



15 mil fazem marcha silenciosa nas ruas de Santa Maria

Vestida de branco, multidão andou 2 quilômetros entre o local da tragédia e o ginásio onde os corpos das vítimas foram velados

Diego Zanchetta, enviado especial de O Estado de S. Paulo

SANTA MARIA - Depois de chorar a morte de 231 jovens por quase 48 horas, a população de Santa Maria saiu às ruas em um protesto silencioso e comovente nesta segunda-feira, 28, à noite, quando já passavam das 22 horas. Vestida de branco, uma multidão estimada em cerca de 15 mil pessoas, ou 8% de toda a cidade, caminhou 2 quilômetros, do local da tragédia, na frente da boate Kiss, até o ginásio onde os corpos foram velados, na noite anterior.

A homenagem foi organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria  
Evelson de Freitas/Estadão

A marcha era interrompida a cada dois minutos por uma salva de palmas. A homenagem foi organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria - somente dos cursos de Agronomia (26 estudantes mortos) e Veterinária (15 mortos), foram 41 vítimas.

Moradores da cidade engrossaram o protesto. A indignação e a revolta estavam estampados em cartazes que pediam justiça e o fim da impunidade para os responsáveis pela tragédia.

De toda a região central gaúcha, famílias queriam prestar solidariedade aos jovens mortos de Santa Maria. Rostos inchados de choro e cansaço, pais que passaram o dia enterrando seus filhos e estudantes que perderam os melhores amigos eram amparados por quem queria de alguma forma prestar um consolo.

"Somos um povo conhecido pela alegria, até porque os jovens das faculdades sempre contagiaram essa cidade. É muito duro e dolorido", chorava a dona de casa Iara Epstein, de 58 anos. Jovens com violinos entoavam a canção Ave Maria. O hino do Rio Grande do Sul também foi cantado. Estudantes de Odontologia carregavam fotos de duas estudantes mortas na tragédia.

O clima em Santa Maria é de consternação. Lojas permaneceram fechadas ontem. As que abriram, exibiram algum sinal de pesar, como faixas pretas nas vitrines. Os clubes avisaram que não haverá bailes de carnaval. Diante da casa noturna, anônimos deixaram flores e até foto de Adolf Hitler. No fim da tarde, celebração ecumênica reuniu centenas de pessoas na Praça Maurício Cardoso, na região central da cidade. 

COLABOROU ELDER OGLIARI
Estadão Online

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