Tradutor

sábado, 21 de janeiro de 2012

Advocacia brasileira defende capitão do navio naufragado



Acho que todos vocês, se não acompanharam detalhadamente, pelo menos ouviram falar do navio Costa Concordia, que naufragou no mar Mediterrâneo, na costa italiana, com mais de 4 mil pessoas a bordo, graças à imperícia e irresponsabilidade de seu capitão, Francesco Schettino.


Convido-os a um rápido tour pelo luxuoso cruzeiro e em seguida a fazer um "exercício de imaginação" sobre como parcela considerável e mirabolante da advocacia criminalista brasileira defenderia o capitão do navio naufragado.


Arte Costa Concordia (Foto: Arte G1)

Em defesa do Capitão Schettino


Como todos devem estar acompanhando o caso do transatlântico de luxo que tombou no mar da Itália, sabem que o capitão do navio está preso e será processado por homicídio doloso por ter abandonado a embarcação.

No entanto, se o acidente sinistro tivesse ocorrido em mares brasileiros, com certeza várias teses defensivas surgiriam, dada a impressionante criatividade de nossos colegas advogados criminalistas e, com certeza, muitas delas poderiam ser utilizadas para livrar o capitão do navio da prisão e, até, para absolvê-lo.

Alguns colegas do MPF elaboraram as seguintes teses defensivas que, embora absurdas, com certeza poderiam ser acolhidas pelo nosso sistema de justiça penal, pois em muitos casos já serviram de fundamento para várias decisões absolutórias:

1. O capitão não abandonou a embarcação pois, afinal, o bote é também uma embarcação.

2. Como a rocha é uma ocorrência geográfica natural, o naufrágio foi simples evento natural sem repercussão para o direito penal.

3. Como o cruzeiro estava no raso, não houve naufrágio.

4. Não há prova de que as mortes ocorreram em razão do acidente.

5. Em um governo civil, não deve haver autoridade para o comandante da capitania dos portos, sob pena de instalarmos o estado policial ditatorial militar.

6. O capitão é branco e de boa índole.

7. O naufrágio foi um acidente de consumo e os turistas são consumidores, não há repercussão penal em razão da subsidiariedade do direito penal.

8. É inconstitucional a definição de mar territorial, pois o mar é feito de água;

9. A denúncia é inepta.

10. Qualquer coisa que ocupe mais de uma página, seja chamada de habeas corpus e fale que o capitão é vítima de forças superiores e mancomunadas.

11. Fugir para o Brasil e alegar que a Itália vive num estado de exceção permanente (Bunga-Bunga State) e que, portanto, seria impossível obter um julgamento justo, sem perseguição política, nos tribunais italianos.

12. A prova de que o capitão abandonou o navio é ilícita: gravações interceptadas sem autorização judicial.

13. Ele foi interrogado por um Procurador da República, e o MP não pode investigar.

14. Atipicidade material: os danos causados à embarcação são insignificantes, que inclusive pode vir a ser rebocada e reparada. A quantidade de vítimas fatais (cerca de 30) é insignificante no contexto de 4.000 pessoas.

15. O comandante tem profissão definida, endereço conhecido e bons antecedentes. A prisão é ilegal. A ofensa ao princípio da dignidade humana contamina toda a investigação e nulifica a ação penal.

16. O comandante foi ouvido sem a presença de advogado, nem mesmo da defensoria pública. Toda a prova colhida a partir daí está prejudicada pela teoria dos frutos da árvore envenenada e não permite oferecer denúncia.

17. Não há gravação visual do capitão entrando no bote e abandonando o navio. Outrossim, como era noite e não havia visibilidade, poderia ter sido pessoa qualquer com o celular do capitão, se passando pelo capitão. In dubio pro reo.

18. Não há comprovação de que o capitão abandonou o navio dolosamente. O navio adornou (fato público e notório), fazendo com que muitos tripulantes fossem jogados ao mar. Ele não abandonou o navio por vontade própria, foi jogado ao mar juntamente com o bote. Ausência de dolo.

19. Se não foi caso de interceptação, mas de gravação, ainda assim a prova é ilícita, porque obra de agente provocador: o capitão não ligou para o comandante para dizer onde estava; foi o comandante que ligou para o celular do capitão para acusá-lo de estar fora do navio. Prova unilateral, crime induzido, flagrante provocado, crime impossível.

20. As equipes de salvamento não tomaram as devidas cautelas ao entrarem sem autorização judicial no navio à deriva, inclusive utilizando explosivos. Alteraram a cena do crime antes da chegada dos peritos em desacordo com o art. 6, a, do CPP. A produção de prova é imprestável ao impedir que o investigado possa contraditar as conclusões com o corpo de delito intacto, violando o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa . Provas contaminadas pela nulidade que impedem a persecução penal.

21. Ao capitão Schettino é assegurado o direito de ajuizar contra De Falco ação penal privada por crime contra a honra, sem prejuízo da ação de indenização por danos morais, pelo constrangimento de constatar a reprodução midiática em larga escala das ordens que lhe foram enfaticamente dadas, o que fere o princípio da dignidade humana e a Declaração Universal de Direitos.

22. O "suposto naufrágio" de um transatlântico de luxo é mero aborrecimento da vida moderna.

23. Nulidade. Foro privilegiado. O Comandante é agente político, autoridade máxima dentro do navio, e como tal está sujeito a julgamento perante a Corte Suprema do Vaticano, em sessão presidida pelo Papa, que também deve acumular as funções de defensor.

NOTA DO BLOG:

1) Fiquem à vontade para acrescentar outras teses de defesa nos comentários;

2) A compilação da 'obra coletiva' foi feita por um colega no Facebook e aqui copiada;

3) Trata-se de uma brincadeira coletiva feita por membros do Ministério Público Federal e baseada em fatos reais, porque quase todas essas teses já foram veiculadas em processos criminais em curso.


Janice Ascari, Procuradora da República, Ministério Público Federal.


*

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Eliana Calmon: da Magistratura à Gastronomia



Além de aguerrida, corajosa, ousada, autêntica, despachada, arretada... a cidadã e ministra-corregedora Eliana Calmon, a Caçadora de Corruptos, o Terror dos Bandidos de Toga, é também exímia cozinheira e autora de livros de culinária.

Em guerra com STF, ministra lança livro de culinária

Marcelo Justo - 17.out.2011/Folhapress


A guerra com meia cúpula do Judiciário para preservar os poderes de investigação do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) não fez a ministra Eliana Calmon descuidar de temas mais amenos.

Nesta semana, ela lança a 9ª edição do seu livro de culinária, o "REsp - Receitas Especiais". O título é um trocadilho bem humorado com a abreviação dos recursos especiais julgados no STJ (Superior Tribunal de Justiça), que ela integra desde 1999.

Apaixonada pela cozinha, Eliana acrescentou novas receitas à obra, que chegou a 367 páginas. Ela também dá dicas sobre alimentação light e ensina como receber convidados.

Os interessados no livro podem encomendá-lo no gabinete da ministra, a R$ 30. Como nas edições anteriores, ela doará tudo o que arrecadar a uma entidade beneficente: a creche Vovó Zoraide, em Uberaba (MG).



Vera Magalhães

ABC!/Serviço: Para adquirir o livro da ministra, cuja renda será doada a entidade beneficente, acesse o  Portal do STJ e fale com a Coordenadoria de Editoria e Imprensa.


*

Eliana Calmon e os escândalos de um Judiciário em frangalhos



É muito grave o que estamos assistindo na sociedade brasileira. Todo dia surge na mídia alguma notícia que coloca o Judiciário no mínimo numa posição vexatória.


Como o "Guardião da Lei" pode estar tão desguarnecido e fragilizado?


Para uma cidadã blogueira, vítima de criminosa família-quadrilha que vem recebendo "tratamento vip" de um Judiciário no mínimo suspeito, não constitui surpresa os escândalos que explodem todos os dias envolvendo juízes e desembargadores.


Isto pode ser só a ponta do iceberg.


Ministros Cézar Peluso, Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowsky, do Supremo Tribunal Federal: ouçam de uma vez por todas as vozes que vêm das ruas, do pobre e esbulhado Povo Brasileiro, que suplica encarecidamente pela moralização do Judiciário.


Excelências: deixem a corajosa cidadã e ministra-corregedora Eliana Calmon, Orgulho da Magistratura Brasileira, cumprir com suas obrigações constitucionais, dando continuidade às investigações do Conselho Nacional de Justiça. 


Poderosos Senhores de Toga: permitam que a luz e o ar puro invadam os gabinetes obscuros e sombrios dos tribunais. Muito provavelmente o cidadão brasileiro ficará ainda mais chocado e estarrecido do que já se encontra. Mas não há outra alternativa. A História caminha para a frente, não em marcha-à-ré.


Há uma Revolução Mundial em andamento. O Brasil não é uma ilha, está inserido no contexto mundial. E a cidadania brasileira e planetária clamam por Transparência, Integridade, Igualdade, Equilíbrio.


E Justiça!


Pode-se cortar algumas flores. Mas não se pode impedir a chegada da Primavera. (Provérbio hindu)


Cabeça de Juiz


Imagine o caro leitor, a prezada leitora qual seria a reação geral diante da notícia de que um alto servidor dos Poderes Executivo ou Legislativo recebeu R$ 150 mil em adiantamento salarial para reformar o apartamento de cobertura danificado pelas chuvas?

Ou se os órgãos de fiscalização constatassem "movimentações atípicas" de mais de R$ 855 milhões nas contas bancárias de parlamentares, ministros, servidores e familiares?

Escândalo, CPI, demissões, cassações (talvez), condenação pública, convocação de protestos via internet, diagnósticos de crise institucional, desmoralização, um bafafá.

Com direito a manifestações do Poder Judiciário na sua condição de guardião da lei e nos últimos tempos muito mais falante e atuante na oratória de combate aos desmandos.

Mas, como esses acontecimentos e muitos outros mais dizem respeito a distorções ocorridas na Justiça, associações de magistrados e excelências de respeitável reputação agem como se contassem entre outras com a prerrogativa inamovível de estar coletiva, definitiva e eternamente acima de qualquer suspeita.

Por mais suspeitas que possam parecer determinadas ocorrências. A partir da criação do Conselho Nacional de Justiça, a despeito da forte reação contrária, foram sendo revelados desvios de conduta em quantidade que chama atenção e inspira cuidados.

A atuação da corregedora Eliana Calmon em sua necessária estridência deu publicidade a fatos que a reação corporativista alega contribuírem para levar a Justiça ao descrédito junto à população.

Neste aspecto, muito mais deletérios são os argumentos de que as investigações do CNJ configuram uma ameaça ao Estado de Direito. Vale para condutas individuais ou para o que se poderia chamar de farra (assim como se faz quando algo semelhante acontece nos outros Poderes) de pagamentos milionários a títulos diversos.

Da mesma forma como estatísticos fazem qualquer coisa com números, juristas encontram nas leis justificativas para quaisquer ações e, com base nelas, falam de uma forma que, aos olhos dos comuns, soa como mera defensiva.

A vantagem da corregedora Eliana Calmon é exatamente abordar os problemas do ponto de vista do que é certo ou errado. Óbvio, observada a legalidade.

Imprescindível também não descuidar da preservação da legitimidade dos atos. O caso do juiz citado acima mais pelo que guarda de pitoresco é típico: receber adiantamento para reformar um imóvel pode ser aceitável na iniciativa privada, onde o dono do dinheiro negocia e é de alguma forma compensado. Mas no setor público qualquer desembolso requer critérios rigorosos.

A começar pela transparência, sempre lembrada pelos magistrados em seus julgamentos, como um dos preceitos constitucionais exigidos à administração pública.


DORA KRAMER - O Estado de S. Paulo 



*

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

As bandas podres, a internet e a Revolução Mundial



Há meses o Brasil todo acompanha a "guerra", a "crise", o embate que se instalou no Mais Poderoso dos Poderes da República, que explodiu em setembro último, quando a ousada ministra Eliana Calmon, Corregedora Nacional de Justiça, se manifestou preocupada com a infiltração de "bandidos de toga" no Judiciário. Foi um "deus-nos-acuda"! A bombástica declaração da altiva ministra provocou "nota de repúdio" do presidente do STF e desencadeou a partir daí um corre-corre geral nos setores mais retrógrados do Poder e uma mobilização total e orquestrada da "arroganciocracia togada", no sentido de constranger a independente ministra e impedi-la de fazer investigações.


O Brasil inteiro sabe que a ministra tem razão. E os apoios vieram, estão chegando. A ministra nunca mais ficará só. Estamos todos alinhados e solidários com a aguerrida cidadã e corregedora Eliana Calmon.


Mas bandidagem não é "privilégio" ou exclusividade do Poder Judiciário. Banda podre existe em toda parte. Infelizmente.


Na política, há a banda boa e a banda podre. No Executivo e no Legislativo, nos níveis federal, estadual e municipal. São Paulo, por exemplo, onde nasceu e vive esta blogueira, encontra-se tristemente refém, anos e anos, da banda podre da política.


Temos eleições municipais este ano. O povo paulistano terá o poder de promover uma limpeza geral na mediocridade reinante. E daqui a dois anos fazer o mesmíssimo, extirpando as excrescências do Executivo e Legislativo estadual.


Na medicina também há banda podre. Lembram do estuprador Abdelmassih, renomado médico condenado a mais de 200 anos de cadeia por abusar sexualmente de dezenas de clientes dentro de sua clínica de reprodução humana? Que fim teve o marginal? Foi agraciado com um habeas corpus no STF, fugindo em seguida para o Líbano...


Na educação, nos esportes, nas religiões, na mídia, no jornalismo... Até na blogosfera há banda boa e banda podre, gente arrogante, que se pretende, age e fala como dona do ciberespaço. 


E alguém aí ignora que na advocacia há profissionais íntegros, decentes, sóbrios, mas também muita porcaria, muita patifaria? Conheço e sou vítima de algumas destas porcarias, trapaceiras, chicaneiras... Mulheres, mesmo, que praticam Advocacia de Esgoto.


O universo em que estamos imersos é dual, bipolar: quente e frio, negativo e positivo, feminino e masculino, Bem e Mal, luz e trevas...


E por falar em trevas... lembro que até nas famílias há banda boa e banda podre. Há familiares dignos, solidários, gente honesta e trabalhadora, que progride na vida por seu esforço, mas há também os pulhas, os facínoras, estelionatários, bandidos, assassinos em potencial, ladras e ladrões. Isso eu conheço bem. FAMÍLIA-QUADRILHA, como já escrevi aqui, que atua em bando, lesando, roubando, difamando, corrompendo, promovendo atentados contra familiar. 


O Mal é muito unido, extremamente solidário. E o desastre maior acontece quando as bandas podres se unem, se acumpliciam. Aí é um descalabro. Semelhante atrai semelhante, como sabemos.  


O Judiciário é constituído por homens e mulheres, de carne e osso. E bolso. Não é e nem nunca foi um reino angelical. Esta blogueira vem sendo cerceada, fustigada, lesada, esbulhada em vários de seus direitos humanos fundamentais e em outros tantos. Esta cidadã vem sendo há anos roubada, espoliada, por família-quadrilha, desprovida de lastro moral, em conluio com advocacia de esgoto, com "bandidas de toga" e outros agentes públicos. Esta organização criminosa tenta calar a blogueira de todas as formas, colocando-lhe entraves dentro do Judiciário, impedindo sua livre circulação no bairro em que mora e outros lugares, provocando danos materiais e prejuízos financeiros, promovendo seu linchamento moral, tentando isolar, imobilizar e calar a cidadã blogueira. Além de criminosos, ignorantes.


A internet é um instrumento extraordinário de comunicação e mobilização. E esta blogueira, para desespero de seus algozes, é uma mulher da comunicação. E vem nos últimos meses angariando simpatias, amizades e apoios por meio da web.


A Blogueira Cidadã NUNCA MAIS estará sozinha.


A querida e solidária blogueira Norelys Morales, jornalista da TV cubana, no blog ISLAmía, noticiou o ano passado as violências que esta blogueira paulistana sofre. O blog de Norelys é lido no mínimo em toda a América Latina. Em Lisboa, Porto, Bruxelas, Londres, Moscou, outras tantas cidades do mundo, o ABC! é acessado. Na Islândia, um país insular pequenininho, perto do Polo Norte, este blog tem leitores. Todo o dia a blogueira vê no globinho que gira aí do lado internautas de várias partes do Brasil e do mundo visitando o ABC! Sem contar os amigos queridos e solidários que a cidadã vem fazendo aqui mesmo no Brasil - blogueiros, professores, advogados, jornalistas, ativistas e outros profissionais - e os contatos com os "velhos amigos", retomados por meio da web, do ABC! e Facebook.


A Blogueira Cidadã NUNCA MAIS estará sozinha.


A internet e as redes sociais constituem um universo infinito de possibilidades para a cidadania, para a divulgação de causas e a denúncia de violações de direitos. Estejamos atentos e abertos para usar estas ferramentas a nosso favor,  em benefício da Cidadania Planetária, para construir o Novo Mundo que queremos e fazer a Revolução Mundial.





quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Crise no Judiciário: Ignorância X Justiça Cidadã



A seguir, reproduzo mais um excelente artigo do jurista Wálter Maierovitch, que alinhava de forma acessível para o cidadão comum os aspectos principais desse enredo que contrapõe o Judiciário arcaico, atrasado, em estado terminal, que não aceita prestar contas ao Povo Brasileiro, a um Judiciário moderno, transparente, arejado, cristalino, vivo e democrático, aquele que todos queremos.


Os brasileiros assistem estarrecidos esse triste, duro, mas necessário embate que se instalou na sociedade, entre as forças tacanhas da ignorância e as luzes de uma Justiça Cidadã.



Liminar que impede fiscalização pelo CNJ foi a gota d’água para o descrédito do Judiciário

Em setembro do ano passado, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) entenderam em tirar de pauta e aguardar melhor oportunidade para julgar matéria constitucional sobre a competência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em face de provocação realizada pela Associação de Magistrados Brasileiros (AMB).

O CNJ foi criado em dezembro de 2004 e o STF, ao adiar o julgamento, deixou claro que não havia urgência na definição da competência.

Na ocasião do adiamento tramitavam 55 procedimentos apuratórios na corregedoria do CNJ, sendo 17 sobre questões relativas a patrimônios suspeitos.

O CNJ, nos anos de atividade, havia sancionado vários magistrados, incluído o ministro Paulo Medina, acusado de vender liminares. A propósito, Medina fora presidente da AMB e recebeu a sanção mais grave em vigor na Lei Orgânica da Magistratura, o “prêmio” da aposentadoria compulsória, com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço. No caso Medina, vencimentos iguais aos dos ministros da ativa do Superior Tribunal de Justiça.

No dia do encerramento do ano judiciário de 2011, quando não havia mais possibilidade de uma reunião plenária, o ministro Marco Aurélio, com uma medida liminar, entendeu urgente o que não era. Com a liminar suspendeu toda a atividade correcional do CNJ e as correições em curso foram abortadas, como a que se realizava no Tribunal de Justiça de São Paulo.

Um velho entendimento do ministro Marco Aurélio, encampado pela AMB, relativo à falta de autonomia da atividade correcional do CNJ, virou imperativo. Assim, interromperam-se as correições e a liminar “aureliana” fez a alegria dos apenados por faltas funcionais e já afastados da carreira de magistrado, pois possibilita anulações.

Para arrematar, o ministro Ricardo Lewandowsky deu liminar específica que proíbe a corregedoria do CNJ de analisar a regularidade de benefícios de natureza patrimonial recebidos por magistrados paulistas.

A blindagem completa, no entanto, representou a gota d’água para a indignação de uma sociedade civil que quer transparência e consolidação democrática. As duas liminares, que não eram urgentes e não poderiam ter sido concedidas, causaram danos irreparáveis à imagem do Judiciário.

As reações contra a blindagem corporativa moveu iniciativas como a da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-federal). E até dados sobre movimentações atípicas de magistrados e serventuários vieram à tona. Essa movimentação decorreu de verificações, determinadas pela corregedoria do CNJ, feitas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

O Coaf é órgão de inteligência financeira (não de polícia judiciária criminal) criado em 1998 com o dever de vigilância. Dessa forma, o Coaf tem o poder-dever de verificar movimentações fora do patrão habitual, atípicas. Uma movimentação atípica, como o recebimento de herança ou prêmio de loteria, é comunicada pelo Coaf para apuração do órgão competente e diverso.

No momento, como relatado pelo jornal Folha de S. Paulo na edição de hoje [ontem], conselheiros do CNJ preparam uma emenda regimental para tirar do presidente do órgão (o presidente do CNJ é sempre o presidente do STF e, no momento, o cargo é exercido pelo ministro Cezar Peluso) atribuições exclusivas. A meta é permitir que os conselheiros possam determinar providências voltadas à transparência nos tribunais e também escolher o secretário-geral do CNJ.

Por outro lado, a tirada de pauta da análise da emenda constitucional do senador Demóstenes Torres pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, graças ao empenho de Renan Calheiros, Romero Jucá e outros do PMDB, gera inconformismo entre parlamentares. A emenda deixa clara a autonomia apuratória do CNJ. No reinício dos trabalhos parlamentares a Comissão será pressionada a opinar e permitir a tramitação da emenda

O ministro Marco Aurélio, por evidente, pode e deve defender a tese que quiser. Só não pode mudar — sem urgência e por liminar — um sistema que há anos funciona com bons resultados. Mais ainda, mudar sozinho o que seus pares decidiram não julgar em setembro passado.

Pano Rápido. Marco Aurélio maculou a imagem do Judiciário e passou a ideia de que os magistrados temem correições e são contrários à transparência. O biombo da questão da competência, alardeada pela AMB e encampada por Marco Aurélio, pega muito mal perante a opinião pública esclarecida.

Wálter Fanganiello Maierovitch



*

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Primavera Judiciária: Peluso pode ter poderes reduzidos



Estupenda notícia! O Abra a Boca, Cidadão! comemora!!!


Não tem sentido que um único ministro, que não recebeu 1 voto sequer do Povo Brasileiro, detenha tanto poder.


No final de setembro de 2011, após a declaração da aguerrida ministra-corregedora Eliana Calmon denunciando a existência de "bandidos de toga" no Judiciário, o ministro Cezar Peluso, Presidente do Supremo Tribunal Federal e também Presidente do Conselho Nacional de Justiça, teve uma atitude antidemocrata e truculenta, divulgando nota em que praticamente exigia uma retratação da ministra Eliana. Para a frustração do "Imperial Presidente", a corajosa ministra não só não se retratou, como reafirmou o que havia dito.


                                                                                                                                   O Globo

Para o ABC! está claro há muitos meses que o que está posto na sociedade brasileira por meio da chamada "crise do CNJ" é uma disputa acirrada entre dois Judiciários: um arcaico, fechado, tacanho, conservador, resistente a mudanças e controle, e antidemocrático, e um Judiciário moderno, aberto, transparente, democrático e cidadão.


É isto o que está em jogo nesse embate que a valorosa e destemida Eliana Calmon incorpora, assume e comanda diante da nação.



Grupo tenta reduzir poder de Peluso 
na presidência do CNJ

Integrantes do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) começaram ontem a se mobilizar para reduzir os poderes que o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Cezar Peluso, tem como presidente do conselho, informa reportagem de Leandro Colon, publicada na Folha desta terça-feira (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).

Um grupo de conselheiros apresentará duas propostas quando o órgão voltar ao trabalho, na semana que vem.

Rodrigo Capote

Presidente do Supremo e do CNJ, ministro Cezar Peluso


A Folha procurou ontem Peluso para comentar as propostas, mas ele não se manifestou.

O CNJ está no centro de uma crise no Judiciário devido à discussão sobre o seu poder de investigação sobre os próprios magistrados.


Recentemente, dois ministros do STF atenderam a ações da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), entre outras entidades, e suspenderam investigações do conselho contra tribunais.

As associações de juízes também entraram com representação na Procuradoria-Geral da República contra a corregedora do CNJ Eliana Calmon, para que seja investigada sua conduta na investigação sobre pagamentos atípicos a magistrados e servidores.

Para os juízes, a ministra quebrou o sigilo fiscal dos investigados, ao pedir que os tribunais encaminhassem as declarações de imposto de renda dos juízes.

Na semana passada, a corregedora do CNJ apresentou relatório mostrando que magistrados e servidores movimentaram, entre 2000 e 2010, R$ 856 milhões em operações financeiras consideradas "atípicas" pelo Coaf, o órgão de inteligência financeira do Ministério da Fazenda.

Leia a reportagem completa na Folha desta terça-feira, que já está nas bancas.

Editoria FolhaPress




*

BBB = Barbárie + Baixaria + Boçalidade



"Polícia para quem precisa, Polícia para quem precisa de Polícia..."


Das mazelas globais, que devastam os lares brasileiros há "séculos", nem precisamos falar muito aqui. O escândalo da vez, o suposto estupro no "Show da Baixaria", é caso para a Polícia Civil, que já está investigando. E para o Governo: a ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para as Mulheres, já pediu providências ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Agora falta o ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, fazer a parte que lhe cabe. 




Com a palavra o Governo, a Polícia Civil, o Ministério Público, o Poder Judiciário.


Em tempo: recomendo aos leitores que leiam abaixo o comentário de nosso amigo leitor Joel Bento Carvalho, que traz mais reflexões sobre este lamentável episódio e sobre este descalabro nacional chamado rede globo de televisão (minúsculo, mesmo).


Do Tijolaço, o Blog do Brizola Neto:


BBB, de barbárie, baixaria e boçalidade


Será um crime mais grave do que aquele que pode ter ocorrido se a polícia e o Ministério Público abafarem esta insólita situação criada no tal “Big Brother Brasil”.
Um país que tem a lei Maria da Penha não pode aceitar que um ato de violência – e a expulsão de um dos participantes deixa claro que a TV Globo, com o imenso arsenal de câmeras instaladas na “prisão” onde encarcera pessoas que, em busca de dinheiro e fama, submetem-se a isso, tem elementos para considerar que houve uma transgressão sexual ali.
Transgressão que a Globo insufla, estimula e procura.
Nada a ver com liberdade de orientação sexual ou com a dignidade pessoal dos participantes, que merecem respeito como seres humanos, ao contrário do que, a esta altura, fica claro que a emissora não lhes tem.
Ao eliminar o participante acusado de estupro, a Globo assume que algo grave ocorreu.
Com pessoas que estão sob sua tutela e que por ela são induzidas, inclusive pela bebida – que não cai do céu – a comportamentos e exposições íntimas.
A menos que encontre um juiz acoelhado diante da Globo, a defesa do rapaz acusado apelará com sucesso às circunstâncias em que tudo transcorreu, à embriaguez promovida pela produção do programa, às circunstâncias de oferecer aposentos comuns, enfim, a tudo o que possa servir de atenuante – embora não como razão para o abuso - para a suposta violência sexual.
Não é lícito supor que aquelas pessoas, monitoradas todo o tempo por câmeras, estejam fora da vigilância do verdadeiro “Big Brother”, aquele que tudo vê e controla.
Mas o pior é se nada de abusivo entre os participantes do programa aconteceu, o que não se pode descartar. Porque o abuso aí é de outra ordem.
É toda a sociedade brasileira, sobretudo os mais jovens, sendo submetida à ideia de que o sexo não-consentido é um elemento de ganho material, via marketing.
Há uma inegável indução – que, repito, não exime a culpa individual – a tudo isso.
E o motivo é dinheiro.


*