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domingo, 23 de outubro de 2011

Líbia e Japão: Barbárie e Civilização



Depois das cenas perturbadoras de barbárie ensanguentada dos últimos dias, promovidas por um bando de bestas enfurecidas que escaparam de suas jaulas, vai bem um pouco de civilização e refinamento. 


Quando voltei ao Brasil, depois de residir doze anos no Japão, me incumbi da difícil missão de transmitir o que mais me impressionou do povo Japonês: kokoro.
Kokoro ou Shin significa coração-mente-essência.
Como educar pessoas a ter sensibilidade suficiente para sair de si mesmas, de suas necessidades pessoais e se colocar a serviço e disposição do grupo, das outras pessoas, da natureza ilimitada?
terremoto0015pOutra palavra é gaman: aguentar, suportar. Educação para ser capaz de suportar dificuldades e superá-las.
Assim, os eventos de 11 de março, no Nordeste japonês, surpreenderam o mundo de duas maneiras. A primeira pela violência do tsunami e dos vários terremotos, bem como dos perigos de radiação das usinas nucleares de Fukushima. A segunda pela disciplina, ordem, dignidade, paciência, honra e respeito de todas as vítimas. Filas de pessoas passando baldes cheios e vazios, de uma piscina para os banheiros.
Nos abrigos, a surpresa das repórteres norte americanas: ninguém queria tirar vantagem sobre ninguém. Compartilhavam cobertas, alimentos, dores, saudades, preocupações, massagens. Cada qual se mantinha em sua área. As crianças não faziam algazarra, não corriam e gritavam, mas se mantinham no espaço que a família havia reservado.
Não furaram as filas para assistência médica – quantas pessoas necessitando de remédios perdidos – mas esperaram sua vez também para receber água, usar o telefone, receber atenção médica, alimentos, roupas e escalda pés singelos, com pouquíssima água.
Compartilharam também do resfriado, da falta de água para higiene pessoal e coletiva, da fome, da tristeza, da dor, das perdas de verduras, leite, da morte.
1pNos supermercados lotados e esvaziados de alimentos, não houve saques. Houve a resignação da tragédia e o agradecimento pelo pouco que recebiam. Ensinamento de Buda, hoje enraizado na cultura e chamado de kansha no kokoro: coração de gratidão.
Sumimasen é outra palavra chave. Desculpe, sinto muito, com licença. Por vezes me parecia que as pessoas pediam desculpas por viver. Desculpe causar preocupação, desculpe incomodar, desculpe precisar falar com você, ou tocar à sua porta. Desculpe pela minha dor, pelas minhas lágrimas, pela minha passagem, pela preocupação que estamos causando ao mundo. Sumimasen.
Quando temos humildade e respeito pensamos nos outros, nos seus sentimentos, necessidades. Quando cuidamos da vida como um todo, somos cuidadas e respeitadas.
O inverso não é verdadeiro: se pensar primeiro em mim e só cuidar de mim, perderei. Cada um de nós, cada uma de nós é o todo manifesto.
Acompanhando as transmissões na TV e na Internet pude pressentir a atenção e cuidado com quem estaria assistindo: mostrar a realidade, sem ofender, sem estarrecer, sem causar pânico. As vítimas encontradas, vivas ou mortas, eram gentilmente cobertas pelos grupos de resgate e delicadamente transportadas – quer para as tendas do exército, que serviam de hospital, quer para as ambulâncias, helicópteros, barcos, que os levariam a hospitais.
Análise da situação por especialistas, informações incessantes a toda população pelos oficiais do governo e a noção bem estabelecida de que "somos um só povo e um só país".
Telefonei várias vezes aos templos por onde passei e recebi telefonemas. Diziam-me do exagero das notícias internacionais, da confiança nas soluções que seriam encontradas e todos me pediram que não cancelasse nossa viagem em Julho próximo.
Aprendemos com essa tragédia o que Buda ensinou há dois mil e quinhentos anos: a vida é transitória, nada é seguro neste mundo, tudo pode ser destruído em um instante e reconstruído novamente.
2pReafirmando a Lei da Causalidade podemos perceber como tudo está interligado e que nós humanos não somos e jamais seremos capazes de salvar a Terra. O planeta tem seu próprio movimento e vida. Estamos na superfície, na casquinha mais fina. Os movimentos das placas tectônicas não têm a ver com sentimentos humanos, com divindades, vinganças ou castigos. O que podemos fazer é cuidar da pequena camada produtiva, da água, do solo e do ar que respiramos. E isso já é uma tarefa e tanto.
Aprendemos com o povo japonês que a solidariedade leva à ordem, que a paciência leva à tranquilidade e que o sofrimento compartilhado leva à reconstrução.
Esse exemplo de solidariedade, de bravura, dignidade, de humildade, de respeito aos vivos e aos mortos ficará impresso em todos que acompanharam os eventos que se seguiram a 11 de março.
Minhas preces, meus respeitos, minha ternura e minha imensa tristeza em testemunhar tanto sofrimento e tanta dor de um povo que aprendi a amar e respeitar.
Havia pessoas suas conhecidas na tragédia?, me perguntaram. E só posso dizer : todas. Todas eram e são pessoas de meu conhecimento. Com elas aprendi a orar, a ter fé, paciência, persistência. Aprendi a respeitar meus ancestrais e a linhagem de Budas.
Mãos em Prece (gassho)
Monja Coen






 Site da Monja


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domingo, 18 de setembro de 2011

Se a juíza assassinada falasse...



Ao contrário de muitos blogs que preferiram ignorar o brutal assassinato da juíza Patrícia Acioli há pouco mais de um mês em Niterói, Rio de Janeiro, o ABC!, que considera tal execução um atentado violento e gravíssimo ao Estado Democrático de Direito, continua acompanhando o desenrolar das investigações e abrindo espaço para os fatos e opiniões que considera importantes. Nossas indagações permanecem: Por que a juíza mais ameaçada do Brasil transitava sem proteção, sem escolta? A quem interessava silenciar Patrícia? Quem são os mandantes desta barbárie? 


Abaixo, um artigo do advogado da família da juíza, Técio Lins e Silva. 



Se a juíza assassinada falasse...


O artigo que o presidente da Amaerj — associação dos juízes vivos — publicou no dia 7 de setembro, no GLOBO, sobre a responsabilidade pela segurança da juíza Patrícia Lourival Acioli, parece ter sido escrito para ofender a Pátria, justamente no dia de sua Independência. A mesma independência que matou a magistrada, que não teria morrido se vivesse a acolitar os poderosos.


O presidente da Associação dos Magistrados deve-se ocupar não apenas com a saúde dos vivos, mas respeitar a memória dos juízes assassinados. Sua fala desrespeita as filhas menores de Patrícia, ofende o leitor e bajula o poder. A afirmação de que não houve nenhuma irregularidade nos procedimentos que negaram segurança à juíza mais ameaçada do Brasil padece da falta de lógica e coerência.




Reconhece que Patrícia era ameaçada, mas acha normal que não fosse protegida. Diz que teve acesso aos procedimentos e que não encontrou qualquer irregularidade. Das duas, uma: ou não diligenciou direito e não viu tudo ou julgou mal, o que às vezes acontece na Justiça. Agora quer impedir que se apure a omissão e investe sua autoridade associativa contra o Conselho Nacional de Justiça, que quer apenas conhecer a verdade. Esquece-se de que Patrícia não morreu de enfarte nem de morte súbita. Ela foi imolada! Agora se sabe que ela foi executada por PMs fardados que ela mandou prender naquela mesma tarde. Se tivesse a segurança que lhe foi retirada, não teria morrido! Simples assim.

Patrícia ingressou no mundo da Justiça pela Defensoria Pública e desde sempre vivia no meio de gente pobre, gente que sofre com o terror imposto pelas milícias, pela máfia dos transportes alternativos, do jogo clandestino, do tráfico de drogas e, sobretudo, pelos praticantes da execução implacável, sem direito de defesa, típica dos grupos de extermínio. Muita gente boa ignora essa realidade em que Patrícia vivia e cumpria o seu dever, acreditando na justiça e fazendo-a de acordo com a lei, sob o impulso e a fiscalização do Ministério Público, lutando contra a pena de morte aplicada pelo Estado — não o paralelo, mas o fardado. Entreguei ao presidente do Tribunal de Justiça do Estado, na presença do presidente da Amaerj, os documentos que me fazem representante das filhas menores de Patrícia, de suas irmãs e de sua mãe. Embora afirme que está atento às investigações, o representante dos magistrados nunca nos deu uma palavra, não quer conversa nem quer saber o que as filhas de sua ex-colega pensam ou precisam. Nem mesmo para a cerimônia pomposa da revelação do nome dos supostos autores da morte, nenhum membro da família nem seus representantes, conhecidos das autoridades, foram chamados. Infelizmente, Patrícia não necessita de nenhum dos serviços que a associação presta aos seus filiados vivos. Segundo a própria versão apresentada pelo TJ, ela foi executada por PMs da ativa com 21 tiros de munição comprada com o dinheiro do povo que ela defendia. Projéteis adquiridos para a nossa defesa. E a de Patrícia.

Técio Lins e Silva é advogado da família de Patrícia Acioli.



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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Assassinato da juíza foi "facilitado"



A quem interessava o assassinato da destemida e combativa juíza Patrícia Acioli, executada com 21 tiros na porta de sua casa, em Niterói, Rio de Janeiro, há um mês?


Quem são os beneficiários deste crime brutal contra Patrícia e contra o Estado Democrático de Direito?


Por que uma juíza corajosa, que condenava marginais perigosíssimos, inclusive policiais militares, transitava sem carro blindado, sem escolta, sem qualquer proteção? 


Ontem, domingo, 11, foi decretada a prisão temporária de três policiais militares do 7o. BPM de São Gonçalo, Rio de Janeiro, suspeitos de serem os assassinos de Patrícia: o tenente Daniel dos Santos Benitez Lopes e os cabos Sérgio Costa Júnior e Jefferson de Araújo Miranda, que já estavam presos na Unidade Prisional da Polícia Militar pelo assassinato de um adolescente, prisão decretada por Patrícia horas antes de sua morte


O crime do adolescente tinha sido registrado na 72ª DP (São Gonçalo) como auto de resistência (morte em confronto com a polícia). No entanto, segundo testemunhas, tratou-se de um assassinato.


No dia da execução de Patrícia, a advogada dos PMs os avisou que sua prisão seria decretada. E eles imaginaram que a morte da juíza os livraria. Agora investiga-se também se a advogada dos PMs teve alguma participação no crime. 


Abaixo uma entrevista da mãe da juíza ao jornal O Dia, versão online, falando das "facilidades" que foram concedidas aos assassinos de sua filha.


"Facilitaram tudo para os assassinos da Patrícia", diz mãe de magistrada assassinada


Reprodução do jornal O Dia online



Rio - Aos 75 anos, Marly Lourival Acioli, mãe da juíza Patrícia Acioli, executada com 21 tiros há um mês em Niterói, diz que a única coisa que espera agora da vida é não morrer antes de ver a prisão dos matadores da juíza. Mesmo com um problema de saúde agravado pela perda repentina da filha, Marly quebrou o silêncio e falou sobre o caso pela primeira vez. Ela criticou a falta de escolta à magistrada e, assim como as mães que pediam justiça à Patrícia por seus filhos, ela clamou: “Não se esqueçam dela”.

ODIA: Patrícia era muito ligada à família. Hoje faz um mês que ela foi morta. Como está sendo lidar com essa ausência? 

MARLY: Minha vida acabou. Está sendo desesperador. É um fundo que eu não consigo achar. Já estou com 75 anos e não tenho mais nada a esperar da vida. Só espero não morrer antes de ver a prisão desses bandidos safados que fizeram essa atrocidade.


O que faz mais a senhora lembrar da sua filha?

Ela vinha aqui (casa da mãe) toda a sexta-feira. Chegava com aquele sorriso lindo, brincando. Fiquei sem ver a alegria e o amor que me confortavam.

Patrícia falava sobre o trabalho e as ameaças?
 

Fazia apenas comentários. Falava da gratidão por ela de mães que tiveram filhos mortos. Era visível o orgulho quando aplicava a pena que réus mereciam. Ela temia pelas ameaças, mas dizia que não interfeririam no trabalho.
 

A senhora pediu a ela para deixar a 4ª Vara Criminal?
 

Perdi a conta. Fiz até promessa, mas ela falava que as pessoas precisavam dela e essa era sua razão de viver.
 

Como a senhora recebeu a notícia da morte?
 

Quem me falou foi meu médico, que primeiro me deu calmantes. Eu berrava e dizia que era mentira, que não era justo me torturarem assim. Quando passou a fase da negação, mergulhei no vazio.
 

O que a senhora acha do Tribunal de Justiça retirar escolta de Patrícia?
 

Foi covardia. Facilitaram tudo para os assassinos da Patrícia. Queriam forçá-la a sair de lá, intimidá-la ou sei lá o que tem mais nessa história podre. Não conheciam nem sua coragem nem sua obstinação.
 

Como está a investigação?
 

Todo dia eu pergunto se já acharam os matadores da minha filha. Só escuto o silêncio.
 

Os pais não estão, claro, preparados para perder um filho. Apesar disso, para a senhora, a morte de Patrícia deixa alguma lição?
 

Acho que sim. Juízes ameaçados estão de carro blindado, reforçaram a segurança de fóruns. E agora deu para aparecer escolta que não tinha.
 

A senhora acha que será feita Justiça no caso?
 

Acho que não. A gente vê tanta podridão que perde a esperança. Vão ter que prender alguém porque o caso teve repercussão. Mas será que a verdade vai aparecer?
 

Muitas mães procuraram Patrícia para pedir que os culpados pela morte de seus filhos fossem punidos. Agora, na mesma condição, qual o pedido que a senhora faz à Justiça?
 

Que não se esqueça dela. Que julgue com o mesmo rigor que ela julgava. Que faça todos os participantes desse crime pagarem.

Blog do Ricardo Gama


Portal iG

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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Blogueiro carioca faz mais denúncias sobre o assassinato da juíza



Isso é gravíssimo!

Foram encontrados diversos documentos que mostram que a juíza Patrícia Acioli, brutalmente assassinada na porta de sua casa no último dia 12, em Niteroi, Rio de Janeiro, pediu, requereu, suplicou, por meio de "ofícios dramáticos" dirigidos a diversas autoridades, inclusive ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, proteção à sua vida por escolta armada.

Patrícia Acioli, juíza combativa e linha dura, que colocava em primeiro lugar suas obrigações como servidora do povo brasileiro dentro do Judiciário, já havia condenado cerca de 60 policiais envolvidos com o crime organizado, e foi barbaramente executada com 21 tiros na última sexta-feira.

Leia e veja abaixo a indignação do destemido blogueiro carioca Ricardo Gama, sobrevivente de atentado no início do ano, quando levou 6 tiros.


terça-feira, 16 de agosto de 2011

Documentos retirados de sala de juíza Patrícia Lourival Acioli morta em Niterói comprovam ameaças


Vídeo comentário.



Link do vídeo no youtube.


O Tribunal de Justiça do RJ e Desembargadores foram desmascarados, todos mentiram,  e conforme sempre disse a família da juíza assassinada, ela sempre pediu proteção, mas os "poderosos" desembargadores, data maxima venia, cagaram solenemente para a vida da juíza.

Será que dá processo isso, dizer que os desembargadores "cagaram solenemente" ?

Foram achados dezenas de ofícios hoje no gabinete da juíza onde ela suplica proteção ao Tribunal de Justiça, e aí ?

Com certeza, a preocupação do Tribunal de Justiça sempre foi com a obra bilionária em suas dependências feita pela Delta Construtora, aquela que o dono, Fernando Cavendish, é amigo íntimo de Sérgio Cabral.

Com certeza, os desembargadores da cúpula do TJ também têm culpa na morte da juíza Patrícia Lourival Acioli, eles poderiam responder por omissão.

Esse é o Brasil, um país da VERGONHA e do DESCASO, até quando ? 

Reprodução do site R7


O advogado contratado pela família da juíza Patrícia Acioli, assassinada na última quinta-feira (8) [sexta-feira, 12] com 21 tiros no momento em que chegava em sua casa, em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, revelou que documentos encontrados no gabinete da magistrada comprovam as ameaças de morte recebidas por ela nos últimos anos. Passa de cem o número de ligações para o Disque-Denúncia com informações sobre o assassinato da juíza Patrícia Lourival Acioli.

De acordo com o criminalista Técio Lins e Silva, a juíza enviou diversos ofícios ao Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) relatando os riscos que corria. 

- As autoridades sabiam (das ameaças), a polícia sabia e a divisão de segurança do Tribunal de Justiça sabia. Tudo foi comunicado pela Patrícia ao longo dos anos. 

Os papéis foram entregues à DH (Divisão de Homicídios), que investiga o crime. A Corregedoria da Polícia Militar informou que a juíza esteve no órgão uma semana antes de ser morta, mas não comentou sobre nenhuma ameaça de morte contra ela. 

O advogado cita ainda um depoimento dado pela juíza à corregedoria da PM e um documento com relatos sobre uma ameaça descoberta em uma interceptação telefônica da Polícia Federal. 

Segundo ele, "há ofícios dramáticos em que Patrícia pede providências" para a garantia de sua segurança. O TJ-RJ (Tribunal de justiça) alega que a magistrada abriu mão de sua escolta em 2007 e não voltou a pedir proteção

Investigadores analisaram na segunda-feira (15) as imagens das câmeras do Fórum de São Gonçalo, onde Patrícia trabalhava. Dois homens em uma moto teriam feito uma tocaia e esperado o carro da juíza sair da garagem.

Ao ver o veículo na saída, eles teriam seguido para a casa da magistrada. No mesmo fórum, a comissão de três juízes criada para assumir provisoriamente os casos sob responsabilidade de Patrícia começou a estudar os processos. Uma audiência marcada para esta semana foi adiada para a semana que vem.

As câmeras do circuito interno de segurança do condomínio em Piratininga, região oceânica de Niterói, onde a juíza Patrícia Acioli foi assassinada no início da madrugada desta sexta-feira (12), não gravaram o momento do crime. A informação foi confirmada por policiais da DH, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.

O juiz Fabio Uchôa, que considerou nula a segurança aos juízes um dia após a morte da juíza, foi escolhido para coordenar a comissão. Ele admitiu contar com uma equipe de segurança.

- Minha rotina vai continuar a mesma. Tenho meus mecanismos de segurança, que não ficaram mais rigorosos após o assassinato de Patrícia.

Ele se dedicará exclusivamente à 4ª Vara Criminal, local em que uma comissão do Conselho Nacional de Justiça acompanhará as investigações sobre o assassinato de Patrícia.

Em nota, a Anistia Internacional condenou a execução da magistrada e cobrou ações do governo brasileiro contra as milícias e grupos de extermínio.


Assassinato de juíza expõe corrupção policial, diz Anistia

Catástrofe Humanitária  A Somália é um país da costa oriental da África. A vida de milhões de somalianos, principalmente crianças, está em risco pela fome, seca, doenças e outras violências. Assista o vídeo e saiba como ajudar clicando nos links Ajude Help Ayuda Aide . Participe! Divulgue!


A Anistia Internacional divulgou nota em que condena o brutal assassinato da juíza Patrícia Acioli, no último dia 12, em Niterói, Rio de Janeiro, e cobra medidas urgentes do governo brasileiro no sentido de promover investigação ampla e independente para chegar nos responsáveis e medidas eficazes para coibir a corrupção policial e o crime organizado. Leia mais abaixo.

Anistia Internacional condena assassinato de juíza no Rio

Ana Cláudia Barros

A organização de direitos humanos Anistia Internacional condenou a morte da juíza Patricia Acioli, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, vítima de emboscada e execução na madrugada da última sexta-feira (12). Em nota, a entidade afirmou que "o assassinato de um juiz por homens armados destaca os profundos problemas da cidade (Rio de Janeiro) com a corrupção policial e o crime organizado".

- O assassinato brutal de Patrícia Acioli expõe uma situação profundamente preocupante - disse o pesquisador da Anistia Internacional, Patrick Wilcken.

A organização enfatizou ainda que a morte "de um juiz que estava simplesmente realizando seu dever desferiu um duro golpe para o Estado de Direito e o sistema judicial no Brasil" e que era preciso "uma investigação completa e independente" para levar os responsáveis à Justiça.

A Anistia Internacional destacou que muito mais precisa ser realizado para erradicar o crime organizado no Rio de Janeiro. "As autoridades federais, estaduais e municipais devem implementar medidas coordenadas" e "fornecer a proteção adequada para os envolvidos na investigação", reprimindo policiais corruptos e gangues criminosas.

Afirmou ainda que, apesar das mais de 500 prisões efetuadas após a instalação da CPI das Milícias na Assembleia Legislativa fluminense, em 2008, desde então, "pouco tem sido feito para combater as atividades ilegais econômicas que alimentam" esses grupos. Na avaliação da entidade, um passo importante é a repressão à "economia paralela que sustenta e consolida a corrupção policial e o crime organizado".

A entidade internacional lembrou que Patricia Acioli era conhecida como uma "juíza inflexível" e que durante a última década havia condenado cerca de 60 policiais envolvidos em esquadrões da morte e milícias. A magistrada foi executada com 21 tiros, quando chegava em casa, no município de Niterói.


Terra Magazine

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sábado, 13 de agosto de 2011

Repúdio veemente à execução da Juíza Patrícia Acioli


Esta blogueira, também vítima de constrangimentos e ameaças, e o Abra a Boca, Cidadão! encontram-se consternados, indignados, diante do bárbaro assassinato da íntegra juíza, corajosa defensora da sociedade e exemplar servidora do Estado Democrático de Direito, Patrícia Lourival Acioli.

A democracia brasileira foi brutalmente golpeada.

Quem executa juiz executa blogueiro, blogueira, jornalista e todo aquele que incomodar o Estado Delinquente enquistado no Estado brasileiro.

Repudiamos com todas as nossas forças este Estado Criminoso, que tenta calar a todos nós semeando o medo, a insegurança, a barbárie.

Reproduzo abaixo post do combativo blogueiro carioca Ricardo Gama, que no início do ano escapou milagrosamente de atentado em que tomou 6 tiros...




sábado, 13 de agosto de 2011


Assassinato da juíza Patrícia Lourival Acioli deixa o povo do Rio revoltado com a falta de segurança

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O jornal O Globo nunca publicou tantas cartas e e-mail's do povo sobre um mesmo assunto, o que revela a preocupação das Organizações Globo com a morte da juíza Patrícia Lourival Acioli.

Se os bandidos matam uma juíza no Rio, dão um recado que podem matar também jornalistas, blogueiros, ou qualquer um que interfira em seus negócios.

Quase todas as cartas publicadas hoje no Globo mostram a revolta, e a indignação do povo do Rio com a falta de segurança, ou seja, revela o FRACASSO da política de segurança desse governo Sérgio Cabral. 

Reprodução do jornal O Globo, coluna dos Leitores



















Crime da Juíza: Ministra das Mulheres quer punição de mandantes


A ministra da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres da Presidência da República, Iriny Lopes, falou ontem sobre a execução da juíza Patrícia Acioli, brutalmente assassinada com 21 tiros na porta de sua casa em Niterói, Rio de Janeiro.

Além de lamentar a morte, a ministra deixou claro que o assassinato da magistrada está dentro da perseguição a defensores de direitos humanos, e afirmou:  "Não pode parar nos executores, é preciso chegar aos mandantes".

Leia mais abaixo.

Ministra defende condenações e diz que 
não há escolta suficiente


Carro da juíza assassinada passa por perícia no Rio
Foto: Mauro Pimentel/Futura Press

CLAUDIA ANDRADE    Brasília

A ministra da Secretaria Especial de Política para Mulheres, Iriny Lopes, afirmou nesta sexta-feira que o combate mais eficaz a homicídios contra defensores de direitos humanos é o julgamento de executores e mandantes, e que não há como escoltar todos os que sofrem ameaças. A declaração referiu-se ao caso do assassinato da juíza Patrícia Lourival Acioli, na noite de ontem, em Niterói, no Rio de Janeiro.

"Não há escolta suficiente para a proteção de todos os militantes de direitos humanos ameaçados no Brasil. E essa escolta só será eficaz se tivermos julgamento, dentro da lei, com rapidez, dos executores e dos mandantes. Isto sim é um combate eficaz aos homicídios dos defensores de direitos humanos no Brasil", disse.

Para a ministra, "a escolta resolve em parte, mas não é tudo". "É importante ter escolta, mas não é exclusivamente a escolta que garante a vida daquela pessoa. É preciso ter métodos de inteligência para a proteção da pessoa ameaçada."

A ministra, que ficou sob proteção da Polícia Federal durante cinco anos por conta do enfrentamento de organizações criminosas no Espírito Santo, disse esperar "agilidade nas investigações e na identificação dos responsáveis". "Não pode parar nos executores, é preciso chegar aos mandantes", ressaltou. "A punição é que é o instrumento mais eficaz de interrupção de homicídios dessa natureza no nosso País."

Lembrando que não tem informações sobre o caso específico da juíza morta no Rio de Janeiro, a ministra ponderou que nem sempre a pessoa que está sob ameaça aceita proteção, por conta das restrições que a situação impõe. "Tem determinados lugares que você não pode ir mais. Há lugares que você não pode ir com sua família, porque pode colocá-la em risco. A pessoa sob proteção tem uma vida absolutamente restrita. Muda tudo."

"Precisamos averiguar se lhe foi oferecido (à juíza), se ela dispensou ou se não dispensou e, se ela pediu, é preciso identificar a quem foi solicitado e quem deveria ter dado garantia, porque estamos falando de uma pessoa membro do judiciário."

Conforme o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Manoel Alberto Rebêlo dos Santos, Patrícia não havia solicitado segurança à justiça. Ele confirmou que três policiais a protegeram entre 2002 e 2007 por iniciativa do próprio tribunal. Segundo ele, também foi o TJ que julgou desnecessária a manutenção da escolta, reduzindo para apenas um policial a partir de 2007. Na ocasião, porém, a juíza optou por dispensar a proteção, segundo ele.


Juíza estava em "lista negra" de criminosos

A juíza Patrícia Lourival Acioli, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, foi assassinada a tiros dentro de seu carro, por volta das 23h30 do dia 11 de agosto, na porta de sua residência em Piratininga, Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Segundo testemunhas, ela foi atacada por homens em duas motos e dois carros. Foram disparados pelo menos 15 tiros de pistolas calibres 40 e 45, sendo oito diretamente no vidro do motorista.

Patrícia, 47 anos, foi a responsável pela prisão de quatro cabos da PM e uma mulher, em setembro de 2010, acusados de integrar um grupo de extermínio de São Gonçalo. Ela estava em uma "lista negra" com 12 nomes possivelmente marcados para a morte, encontrada com Wanderson Silva Tavares, o Gordinho, preso em janeiro de 2011 em Guarapari (ES) e considerado o chefe da quadrilha. Familiares relataram que Patrícia já havia sofrido ameaças e teve seu carro metralhado quando era defensora pública.

Terra

Os destaques em bold são do ABC!

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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Patrícia Acioli: encarou o crime e levou 21 tiros


Por que o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro negou escolta para proteção da juíza Patrícia Lourival Acioli, barbaramente assassinada com 21 tiros na noite passada, na porta de sua casa, em Niterói, Rio de Janeiro, como afirmaram alguns familiares?

Por que o governo do estado do Rio de Janeiro não quer a participação da Polícia Federal nas investigações desta atrocidade?

Quem são os mandantes da execução da juíza Patrícia Acioli? 


ONG faz protesto pela morte da juíza em Niterói (Foto: Alba Valéria Mendonça/G1)
Protesto de uma ong na praia de Icaraí, Niterói, Rio de Janeiro
Foto: Alba Valéria Mendonça/G1


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A revolta do blogueiro carioca



Estamos todos consternados. Estamos todos indignados.

O Estado Democrático de Direito foi duramente golpeado com o bárbaro assassinato da exemplar e íntegra juíza criminal Patrícia Acioli, em Niterói, Rio de Janeiro.

Ricardo Gama, blogueiro carioca muito combativo, extremamente corajoso, que critica acidamente em seu blog autoridades do Rio de Janeiro, inclusive do Judiciário, e que escapou milagrosamente de atentado no início do ano, está publicando hoje várias matérias sobre esta atrocidade, esta afronta à democracia.

Abaixo, a revolta do blogueiro. Da qual compartilhamos.




Link do vídeo


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