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quinta-feira, 26 de abril de 2012

A Blogueira Cidadã e a CPI da Violência contra a Mulher



Desde abril de 2011 passei a contar aqui no ABC! as violências que sofro: violência moral (campanha difamatória, ofensas, assédio), psicológica (intimidações, constrangimentos, ameaças veladas ou explícitas), tentativas de violência física (sequestro? assassinato?) e violência patrimonial (violação de direito de propriedade).




O ABC! tem linhas editoriais definidas, onde se tratam de direitos humanos, cidadania, Justiça e Judiciário, mídia e poder e assuntos afins. Escrevo sempre e publico artigos e notícias sobre as mazelas do Judiciário brasileiro, porque infelizmente o cidadão e a cidadã precisam estar atentos: não podemos confiar plenamente que teremos nossas pendências e conflitos resolvidos no Judiciário.


No caso da Blogueira, não é preciso ser um expert para perceber as manifestações das magistradas envolvidas, sempre a favor dos réus, o que é uma lástima, um absurdo, um descalabro. 


Por isso o Abra a Boca, Cidadão! tem esse nome: a Blogueira Cidadã acredita que os cidadãos, diante de instituições ineficientes e por vezes levianas, desonestas, pervertidas (as "bandas podres" de que falo aqui), precisarão acionar outras instâncias da sociedade (Ministério Público, mídia tradicional e alternativa, inclusive internacional, organizações governamentais nacionais e estrangeiras, ativistas, Senado, Câmara Federal, comissões de direitos humanos, ministérios de direitos humanos, mulheres e justiça, jornalistas, blogueiros, juristas e outros profissionais comprometidos com a defesa de direitos dos mais frágeis), até para se protegerem quando em situação de risco, como é o caso da Blogueira, que vive sozinha, com seus dois cães de estimação.




Está em andamento no Senado Federal a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Violência contra a Mulher, composta por 22 senadores e deputados, em sua maioria mulheres, discutindo esta grave questão social, e inclusive recebendo denúncias (ver o formulário e o link abaixo).


O ABC! acompanha os trabalhos da CPMI, presidida pela deputada Jô Moraes (PCdoB), tendo na vice-presidência a deputada Keiko Ota (PSB) e na relatoria a senadora Ana Rita (PT). A Blogueira já encaminhou manifestação à CPMI e senadoras e deputadas, e estimula as cidadãs vítimas de violência a fazerem o mesmo.


Violência contra Mulher é VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES.


Denuncie!   Abra a Boca, Cidadã e Cidadão!





Link Senado Federal/CPMI Violência Contra Mulher



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quarta-feira, 25 de abril de 2012

O Judiciário Bandido e a "pedra no meio do caminho"



"No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho", disse o poeta. O mesmo que perguntou num outro verso: "E agora, José?"


No meio do caminho dos "Bandidos de Toga" felizmente para todos nós tinha uma pedra. Uma pedra chamada Eliana Calmon.


E os Josés, Marias, Robertos, Antonios... se perguntam, estarrecidos: "E agora?" 




Imagina se todo mundo que "precisa de dinheiro" sair por aí se apropriando indevidamente do que não lhe pertence... Estaríamos vivendo numa selva ou como trogloditas, brucutus, em cavernas... comendo com as mãos e lambendo os dedos...


Tem um povinho no Judiciário que não tem, mesmo, noção de ridículo. E nem compostura e caráter, claro. Muita pose, aparência e nenhuma essência.


Que moral tem esse Judiciário Asqueroso para decidir sobre a vida de um cidadão?


Leiam abaixo o que diz, candidamente, o ex-presidente do TJ-SP, desembargador Vallim Bellocchi, que se "autoconcedeu" (!!!) pagamentos milionários (um de mais de 1 milhão!) e agora, em sua defesa, alega "necessidades financeiras prementes"... 


Ex-presidente do Tribunal de Justiça de SP recebeu 
R$ 723 mil em um único mês

Salário e extras foram pagos em novembro de 2008; ele alegou "necessidades financeiras"


Fausto Macedo
SÃO PAULO - Em um único mês, novembro de 2008, o desembargador Roberto Antonio Vallim Bellocchi, na época presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, recebeu R$ 723.474,93 entre salário e desembolsos extraordinários relativos a férias e licenças-prêmio. O salário foi de R$ 373.598.17. Por atrasados, ele recebeu R$ 349.876,74 acrescidos do Fator de Atualização Monetária (FAM), plus que incide sobre vantagens concedidas à toga.

Os dados constam de planilha confidencial expedida pela Diretoria da Folha de Pagamento da Magistratura (DFM). O documento aponta “pagamentos excepcionais” a Bellocchi, que presidiu a maior corte do País entre 2008 e 2009.

Bellocchi ocupa o primeiro lugar isolado na lista dos contracheques milionários, escândalo que abala o grande tribunal. Entre 2007 e 2010 ele foi contemplado com a bagatela de R$ 1,44 milhão [!!!], construídos com base na rubrica “excepcionais”. Não há notícia de que outro magistrado tenha recebido tanto.

Em 2008, o então presidente do TJ ganhou R$ 585.446,16 - afora vencimentos que alcançaram R$ 803.300,56. As duas fontes de receita, que garantiram R$ 1.388.746,72 ao desembargador, tiveram amparo em “várias ordens”, segundo o histórico de seus pagamentos - mas os assentamentos não apontam nomes de quem autorizou os depósitos em favor de Bellocchi. Naquele ano de 2008, o próprio já dirigia o TJ paulista.


Em 2009 ele se superou e bateu recorde ao ganhar R$ 1,63 milhão, incluindo vencimentos (R$ 896,8 mil) e extras (R$ 738,4 mil). A maior parte da bolada naquele ano foi paga por “ordem do presidente”. O presidente da corte era Bellocchi. Em 2010, já aposentado, ele recebeu mais R$ 26.129,18 de extras.

Os pagamentos incomuns [roubo mudou de nome???] a Bellocchi e a outros desembargadores estão sob suspeita do Órgão Especial do TJ. A investigação joga luz sobre face oculta da toga, porque protegida por rigoroso sigilo corporativo: os supervencimentos, que estouram o teto constitucional de R$ 26,7 mil.

Bellocchi foi contemplado em fevereiro de 2009 com holerite de R$ 136.476,35, ou cinco vezes mais que o limite imposto pela Constituição. De quebra, no mesmo mês, ele recebeu R$ 120 mil de “pagamento excepcional”.

Em março daquele ano, o magistrado repetiu o feito - contracheque de R$ 136.476,35 e extra de R$ 120 mil. Em abril, o salário do desembargador foi a R$ 126.476,35 e o extra ficou em R$ 110 mil. Naquele período de apenas três meses a conta de Bellocchi captou R$ 749.429,05.

“Todas essas antecipações nunca foram submetidas à apreciação do Conselho Superior da Magistratura e as de extremo vulto se deram exatamente na sua (de Bellocchi) gestão como presidente do tribunal”, adverte o desembargador Ivan Sartori, atual mandatário máximo do TJ.

Violações. Sartori anota que os pagamentos, em tese, “constituíram graves violações aos princípios constitucionais da isonomia, da impessoalidade e da moralidade administrativa”.

O presidente do TJ pede processo disciplinar que pode levar à cassação da aposentadoria de Bellocchi. “Há veementes indícios de que não havia mesmo critério nenhum para as antecipações de créditos a magistrados.”

Também estão sob inspeção pagamentos a outro desembargador, Vianna Santos, que presidiu o TJ em 2010. Ele recebeu R$ 1,26 milhão - morreu em 2011 -, a maior parte em seu governo.

Para Sartori, os dados indicam “em tese, abuso de poder na gestão das verbas do TJ por seus ordenadores de despesa”. Ele denuncia existência de “administração paralela” na corte.

Em defesa preliminar, Bellocchi afirmou que “é pessoa conhecida pelos 45 anos de dedicação à magistratura, carreira percorrida em todos os estágios, até se tornar, nos anos de 2008 e 2009, presidente do tribunal”.

Retidão. Ele sustenta que “sempre demonstrou, além do domínio da melhor técnica jurídica, transparência, lisura e retidão de caráter”. Bellocchi diz que “se tornou titular de uma série de créditos a serem pagos a título de indenização”. “No entanto, diversos acontecimentos fizeram surgir, na vida do peticionário, necessidades financeiras prementes, as quais levaram à antecipação de parte dos referidos créditos em atraso.” Relata que, ao fim de 2006, acumulava R$ 822.436,72 em dívidas e empréstimos bancários.



Estadão Online


Destaques do ABC!


Versos de Carlos Drummond de Andrade.


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terça-feira, 24 de abril de 2012

Vem aí a CPI do Fim do Mundo



É daqui a pouco, no Congresso Nacional. Será instalada a CPMI do Cachoeira, do Senador Bandido (Demóstenes Torres), do DEM, do PSDB, do PT, da Delta, da VEJA, do Judiciário, do Crime Organizado, de Tudo Isso Junto... já imaginaram? 


O nome não sabemos ainda qual se firmará. Mas há quem diga que esta Comissão Parlamentar Mista de Inquérito vai chacoalhar as estruturas da República. Nunca mais o Brasil será o mesmo. Muitas máscaras que nem imaginávamos existir cairão... Cabeças coroadas rolarão... Não ficará pedra sobre pedra...




Vamos acompanhar e torcer.


O Brasil vive um momento extraordinário. Aqui, acreditamos que tudo isso é para o Bem. Que toda esta podridão, nos três poderes da República, na mídia venal, no empresariado... em tudo o mais, que toda esta imundície venha à tona, seja escancarada, desmascarada publicamente e banida da vida brasileira.




CPI do Fim do Mundo: de um mundo arcaico, que não combina mais com os novos tempos, a nova era, a sociedade planetária e cidadã.


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SP: O embate entre cidadania e crime



Aos meus leitores e amigos, peço desculpas por trazer este assunto aqui, mas não se trata de questões particulares. Agentes públicos da cidade de São Paulo, ao que tudo indica, estão envolvidos nas violências contra a Blogueira. O que venho denunciando aqui desde abril de 2011 é assunto de interesse público.


A Blogueira enfrenta por baixo umas 20 (vinte) pessoas. A Blogueira não tem competência, nem autoridade, nem vontade e nem preparo para este enfrentamento.  


Estas duas figuras simpáticas aqui embaixo, pai e mãe da Blogueira, gente humilde, trabalhadora, decente, digna, honesta, infelizmente não imaginaram o que estava por vir, ao adquirir uma casa que virou objeto de cobiça.


Estes dois queridos aqui, Geralda e José, além de me ensinarem a não roubar, a não mentir, a não trapacear, me ensinaram também a lutar, a ter coragem, a cultivar valores imperecíveis e enfrentar de peito aberto e hombridade as "pedras no caminho".


Não conseguirão calar a Blogueira! Sou ramo de "árvores sagradas" e continuarei enfrentando todas as baixarias.


Mais tarde estarei de volta, com posts sobre a CPI do Crime Organizado que será aberta hoje no Senado e outros assuntos.




Justiça Já para a Blogueira Cidadã!

segunda-feira, 23 de abril de 2012

SP: Blogueira Cidadã encara a "Sociedade Amigos do Crime"



Pois é, pessoal, como disse ontem e venho contando desde o ano passado, em vários posts, enfrento um bando de malfeitores, que só faz crescer e agregar novos comparsas, bando que eu apelidei aqui, algumas vezes, jocosamente, de Sociedade Amigos do Crime.


O "poder de sedução" ($$$) deles parece ser enorme e eles utiliza métodos semelhantes aos de máfias: linchamento moral (difamação e calúnias) contra a Blogueira, entre seus conhecidos, parentes e vizinhos, tentando isolá-la para que não tenha ajuda e apoios; ameaças veladas, constrangimentos e intimidações, impedindo que a Blogueira transite livremente, possa trabalhar e auferir renda; intromissão na vida da Blogueira, cooptando inquilinos para atacá-la, agredi-la, promover danos e prejuízos financeiros etc., como contei aqui em posts de abril a setembro do ano passado. Em 17 de julho de 2011, esta Blogueira sofreu um atentado dentro de sua casa, desferido por marginais que aqui moravam. São perseguições de todo o tipo, sem contar tentativas de sequestro, para internação da Blogueira como louca, calando-a para sempre.


A Blogueira não está livre de sofrer a qualquer momento, por exemplo, um latrocínio "fabricado"...


Gente finíssima, como vêem. Atuando no submundo. A Fina Flor da Bandidagem.


Não posso contar detalhes aqui, vocês entendem... Mas estou atenta a cada movimentação deles. Obviamente, eu também os monitoro. Amigos, parentes, conhecidos, leitores, simpatizantes, colegas de blogosfera e redes sociais, inclusive blogueiros advogados e jornalistas, acompanham o que acontece aqui. 



    Casa da Blogueira. A árvore, belíssima, cheia de Vida,
não existe mais. Foi envenenada por ex-inquilino, 
que aderiu à SAC - Sociedade Amigos do Crime. 
Imagem: Google.


Peço que todos continuem atentos à Rua Antonio Luís Espinha, uma rua pequenininha, com cerca de 20 casas, em Engenheiro Goulart, também pequeno e sossegado bairro da zona leste da cidade de São Paulo, sob administração da Subprefeitura da Penha e circunscrição do Foro Regional Penha de França. Nesta rua mora a Blogueira. 


Esta Blogueira e o bravo blog Abra a Boca, Cidadão! continuam tratando dos acontecimentos da vida brasileira, como sempre faz. Estamos acompanhando a CPI do Crime Organizado de Brasília, as mazelas do Judiciário, a conduta da mídia etc. etc., mas neste momento precisamos ficar em "estado de alerta" com os que querem calar a Blogueira e o combativo blog Abra a Boca, Cidadão!


Aos que quiserem se manifestar sobre as violências que esta Blogueira sofre, garanto total sigilo e peço que escrevam sempre para o meu email pessoal: escrevivendo@ig.com.br




JUSTIÇA JÁ para a Blogueira Cidadã!

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sábado, 21 de abril de 2012

STF: sai a tirania, entra a democracia



Sai a prepotência, entra a doçura. Sai a arrogância, entra a suavidade...


Para esta blogueira e o ABC!, Cezar Peluso representa o Judiciário arcaico, fechado, obscuro e obtuso, corporativista, arrogante, aristocrático e antidemocrático, portanto, em estado terminal na avançada e planetária sociedade em que vivemos. Já o "pirilampo" Ayres Britto, ainda que numa curta presidência, deverá trazer luzes, educação, inteligência, erudição e sensibilidade, colaborando decisivamente para a queda da Ditadura do Judiciário e fazendo este poder mais aberto, moderno, moralizado e cidadão.


Abaixo, reproduzo algumas avaliações sobre a administração do ministro Cezar Peluso no Supremo e expectativas em relação à gestão do jurista-poeta Ayres Britto, pinçadas dentre muitas publicadas no blog do jornalista Frederico Vasconcelos.


      Cezar Peluso                               


                                                                                        Carlos Ayres Britto    


Juízo do Leitor: Peluso e Britto no STF 


Sobre o período do ministro Peluso: Alguns juristas brasileiros e estrangeiros acreditam que o direito é criado por uma comunidade de intérpretes, em geral operadores de direito: os juízes, advogados, procuradores, professores, pareceristas, legiladores etc. Mas, lembra Haberle, a opinião pública pode ser um pré intérprete do direito. Na gestão Peluso a opinião pública definitivamente passou a ser um pré intérprete do direito. Não são apenas os profissionais técnicos que interpretam as leis, mas todo cidadão. Cada um à sua maneira e com seu grau de expertise e interesse. Isto é democratização do direito e da justiça. Sobre a gestão Ayres Brito: Provavelmente, o ministro intensificará a abertura do Supremo para o social. Quanto mais sintonizado com os cidadãos, mais legítimo e maior autoridade o Supremo terá. Brito sabe disto. Afinal, como diz Brewer, o Supremo representa os cidadãos no que diz respeito à justiça. A opinião pública não pretende se substituir ao Supremo. Quer apenas entender e ser ouvida. (Joaquim Falcão, professor de Direito da FGV-RJ e ex-conselheiro do CNJ)

O ministro Cezar Peluso encarna um exacerbado corporativismo muito comum em juízes de carreira, sobretudo nos desembargadores paulistas. Era claro, por isso, o seu desconforto na Presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão pelo qual não nutre qualquer apreço, ao contrário dos seus antecessores. Acho que acerta quando afirma, em tom de reprovação, que o Judiciário, hoje, mostra uma tendência a julgar de acordo com pressões da opinião pública. O seu sucessor, ministro Carlos Ayres Britto, como é oriundo da advocacia, e sem o ranço do corporativismo togado, alimenta esperanças de uma Presidência mais democrática e de mais prestígio ao CNJ. (Wadih Damous, presidente da OAB-RJ)

A gestão de Cezar Peluso foi positiva em termos da continuidade de uma postura de defesa da Constituição e dos direitos fundamentais da pessoa humana no conteúdo dos julgamentos. Diversos julgamentos realizados durante sua gestão — tais como o reconhecimento da união estável entre homossexuais e da legitimidade da interrupção da gravidez de fetos anencefálicos, dentre outros — confirmaram esta postura, que, aliás, é uma tendência extremamente positiva da Corte, mas que não deve ser confundida com ativismo judicial, mas como real cumprimento de seu papel constitucional. O aspecto negativo fica por conta de sua postura mais firme de defesa de interesses corporativistas do Judiciário, em especial no exercício da função de presidente do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Podemos esperar de Carlos Ayres Britto uma continuidade do STF no seu papel de reconhecimento dos direitos fundamentais garantidos em nossa Carta. Britto é constitucionalista de raro preparo e criatividade, com formação acadêmica brilhante e especifica na área de direito constitucional, além de ser conhecido como ser humano sensível e desprovido de excesso de vaidades, o que devemos convir como qualidades às vezes raras em nossas Cortes. Por outro lado, na gestão Britto, certamente haverá avanços na direção de uma maior abertura aos interesses mais gerais da sociedade por parte da presidência do CNJ. Pesará contra Britto o curto tempo que passará na Presidência do STF por conta da aposentadoria compulsória prevista em nossa Constituição. (Pedro Estevam Serrano, Advogado, professor da Faculdade de Direito da PUC/São Paulo)

O Ministro Cezar Peluso, magistrado experiente, leva o mérito de ter dado uma injeção de tranquilidade ao país por sua discrição, que provocou a desejável diminuição da exposição midiática da própria Presidência. Austero, rigoroso, extremamente conservador e muitas vezes inflexível, procurou esvaziar as funções do órgão de controle externo, estando no exercício da Presidência do CNJ, em especial no que concerne às atividades da Corregedoria. Penso que o mandato de Ayres Britto irá humanizar a feição do STF, com foco no cidadão que acompanha as mudanças sociais de seu tempo, sem descurar do rigor necessário com a criminalidade em geral, rigor esse continuamente arrefecido pela Corte Suprema – especialmente quanto aos crimes econômicos, contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro. Fico muito esperançosa de tempos melhores para a Justiça brasileira tendo à frente do Poder Judiciário um ser humano excepcional, um homem sensível e jurista de incomparável preparo técnico como o Ministro Carlos Ayres Britto. (Janice Ascari, Procuradora Regional da República da 3ª Região)
 
O Ministro Cezar Peluso é um grande magistrado de carreira que chegou com méritos ao STF. A sua conduta ilibada e notável saber jurídico jamais foram questionados, ao contrário, foram sempre elogiados. Merece o respeito de toda a magistratura e sociedade brasileira pela sua seriedade e honradez. Agora assume a presidência do STF o Ministro Carlos Ayres Britto que é um jurista, grande magistrado, respeitado por toda a sociedade brasileira. É um homem de Estado, com envergadura, estofo e grande disposição política para o exercício do cargo. O Ministro Carlos Ayres Britto é homem de diálogo e defende uma justiça de vanguarda em benefício do jurisdicionado brasileiro. Terá sete meses de gestão que como ele mesmo diz serão muito intensos. Os magistrados federais brasileiros apóiam integralmente a gestão proposta pelo Ministro Carlos Ayres Britto que defende uma administração no STF democrática, compartilhada com a magistratura e sempre aberta à sociedade. Vai certamente defender um judiciário acessível, moderno e que leve uma justiça célere e de qualidade para a população. Em matéria de chefia do Poder Judiciário jamais um Presidente do STF teve tanto apoio e respaldo político da base da carreira, e das associações, como possui hoje o Ministro Carlos Ayres Britto. Assumiu essa condição pela postura e liderança que é e se impõe naturalmente. Estabelecerá um diálogo de alto nível e de modo direto com os Presidentes da Câmara dos Deputados, Marco Maia, do Senado, José Sarney e, especialmente, com a Presidenta da República, Dilma Rousseff. Terá ao seu lado as associações da magistratura unidas e entusiasmadas com a sua gestão: AJUFE, ANAMATRA e AMB. São novos tempos, o judiciário estará mais forte e construirá uma agenda positiva para a justiça brasileira. O STF, órgão de cúpula, e o CNJ, órgão que integra a estrutura do Poder Judiciário, vão lutar por um judiciário de vanguarda, aberto, forte e independente com o apoio integral das associações de classe da magistratura. (Gabriel Wedy, Presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil)

No meu entender, Cezar Peluso demonstrou uma arrogância típica de magistrado “das antigas”. A impaciência parece que grassa no modo de ser do Ministro. Quis impor o seu entendimento, sem pensar nas consequências, sem se importar com o que realmente é melhor para o jurisdicionado. Exemplo disso foi a retirada de pauta de todas as propostas de súmula vinculante. Isso mesmo! Paralisou, ainda que temporariamente, um procedimento de superlativa importância, que poderia resolver, de uma vez só, inúmeras demandas no País afora. Por que isso, Senhor Ministro? Ademais, não teve coragem de impulsionar um projeto anunciado: reduzir as férias de 60 dias dos magistrados. Veja trecho da entrevista dada por ele ao “site” CONJUR (27.06.2011): Acontece que a sociedade hoje é tal que soa como um privilégio [as férias de 60 dias] e isso não é bom para o prestígio da magistratura. Eu acho que férias de 30 dias é o ideal. Reconheço que houve alguns avanços, mas nada tão relevante que abafe os erros cometidos. Com relação ao sergipano Ayres Britto, a coisa pode ser bem diferente. O Ministro sempre demonstrou uma maior abertura e sensibilidade. Lamento que sua passagem pela presidência será breve. (Carlos André Studart Pereira, Procurador Federal em Mossoró/RN)

A expectativa predominante no CNJ, com a posse do Ministro Ayres Britto, a meu ver, é de grande esperança. E não apenas pelos projetos que o ministro tem mencionado para sua gestão, que, como ele tem dito, deverá ser breve, mas intensa. Animam-nos também sua capacidade de ouvir e decidir em conjunto, sua postura de prestigiar o importante papel que o CNJ tem no panorama do Poder Judiciário brasileiro, sua visão humanista, sensível às sutilezas das relações interpessoais, e sua atitude de relacionar-se de maneira democrática, aberta e amistosa no colegiado. Contribuirá para fortalecer a ideia, expressa por ele mesmo no Plenário do STF, de que o CNJ não é o problema do Judiciário, mas parte da solução de seus problemas. Estou certo de que o Min. Ayres Britto deixará muitas marcas positivas e boas lembranças de sua passagem pelo Conselho e pelo Supremo Tribunal Federal. (Wellington Cabral Saraiva, Procurador Regional da República e membro do CNJ)
 
A gestão Peluso foi marcada ao mesmo tempo por propiciar a dessacralização da justiça, tornando o Judiciário tema de interesse não apenas dos operadores do Direito, tendo colocado em pauta questões relevantes, mas também deu acentuado espaço para demandas corporativistas. A gestão de Ayres Britto, embora muito curta do ponto de vista temporal, muito provavelmente marcará uma mudança em relação à de Peluso. O novo presidente tem repetidas vezes se pronunciado a favor de um Judiciário mais aberto aos reclamos da cidadania e à transparência, favorável a inovações. (Maria Tereza Sadek, Cientista Política)

A Corte de Peluso ficou marcada pela inabilidade na gestão da crise entre o Poder Judiciário e o Poder Executivo, no que diz respeito à reposição dos vencimentos das magistraturas. Também deslustrou sua presidência a aparente pretensão de enfraquecer os poderes disciplinares do CNJ, especialmente pelo entrechoque com a ministra Eliana Calmon, da corregedoria nacional, o que, juntamente com seus votos, revelou uma faceta de personalidade conservadora. Todavia, Peluso conseguiu pôr em votação casos importantes, como o do aborto de anencéfalos, o dos quilombos, a questão da constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa e a ADPF sobre a Lei da Anistia. Além disso, como ministro, relatou um dos casos criminais mais relevantes da história do STF, o Inquérito 2424 (Operação Hurricane), que estabeleceu diversos precedentes importantes contra o crime organizado. Entre suas iniciativas mais importantes está a ideação da PEC dos Recursos, ainda não aprovada pelo Congresso Nacional. A Corte de Ayres Britto é esperada com grande expectativa pela comunidade jurídica. Jurista bem formado e bem informado, com posições humanistas muito acertadas, vocação progressista e refinada sensibilidade para aspectos que fogem à pura dogmática, o ministro sergipano poderá marcar seu curto mandato à frente do STF pela consumação do julgamento do caso Mensalão e pela afirmação das prerrogativas do Judiciário perante o Executivo, por meio de diálogo franco e harmonizador. Breve como um suspiro, sua gestão e sua especial forma de expressar-se poderão inspirar vocações e estimular os diversos atores do sistema de Justiça a assumir posições que privilegiem os direitos fundamentais e sociais. Desejo que os seus poucos meses à frente do Tribunal Supremo sejam lembrados por anos. (Vladimir Aras, Procurador da República, Bahia)

A gestão Peluso foi marcada por grandes e importantes julgamentos do STF, como o que autorizou a Marcha da Maconha, garantindo a liberdade de expressão e manifestação, o que reconheceu a união homoafetiva e o que afirmou a imprescindibilidade da Defensoria Pública, todos por unanimidade, além da autorização da interrupção da gravidez nos casos de feto anencéfalo, este com expressiva maioria. No campo político, todavia, foi marcada pela exagerada e desnecessária conflituosidade que levou o presidente a perder suas principais batalhas, de excessivo apego ao corporativismo. A metralhadora giratória ao final da gestão, como se vê, só consolida essa matriz geradora de conflitos. É bem possível que a curta gestão Ayres Brito seja marcada por momentos de maior pacificação – mas aguarda-se que não seja pautada pela pressão da mídia. (Marcelo Semer, ex-presidente da Associação Juízes para a Democracia)



Frederico Vasconcelos


Destaques do ABC!


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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Joaquinzão sobre Peluso: "tirano", "brega", "caipira"...

Grave a entrevista do ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, que O Globo estampa hoje. O ministro, que ontem assumiu a vice-presidência do Supremo, declarou que Cezar Peluso, ex-presidente do STF, manipulou resultados de julgamentos, chamando-o de "ridículo", "brega", "caipira", "corporativo", "desleal", "tirano" e "pequeno", entre outras referências desairosas.




Joaquim Barbosa diz que Peluso manipulou resultados de julgamentos
Carolina Brígido | Agência O Globo

BRASÍLIA - Dois dias depois de ser chamado de inseguro e dono de "temperamento difícil" pelo ministro Cezar Peluso, o ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa respondeu em tom duro. Em entrevista ao GLOBO, Barbosa chamou o agora ex-presidente do STF de "ridículo", "brega", "caipira", "corporativo", "desleal", "tirano" e "pequeno". Acusou Peluso de manipular resultados de julgamentos de acordo com seus interesses, e de praticar "supreme bullying" contra ele por conta dos problemas de saúde que o levaram a se afastar para tratamento. Barbosa é relator do mensalão e assumirá em sete meses a presidência do STF, sucedendo a Ayres Britto, empossado nesta quinta-feira. Para Barbosa, Peluso não deixa legado ao STF: "As pessoas guardarão a imagem de um presidente conservador e tirânico, que não hesitava em violar as normas quando se tratava de impor à força a sua vontade."
O GLOBO: Ao deixar o cargo, o ex-presidente do STF, ministro Cezar Peluso, deu entrevista na qual citou o senhor. Em um dos momentos, diz que o senhor não recusará a presidência do tribunal em circunstância alguma. É verdade?

JOAQUIM BARBOSA: Para mim, assumir a presidência do STF é uma obrigação. Tenho feito o possível e o impossível para me recuperar consistentemente e chegar bem em dezembro para assumir a presidência da Corte. Mas, para ser sincero, devo dizer que os obstáculos que tive até agora na busca desse objetivo, lamentavelmente, foram quase todos criados pelo senhor... Cezar Peluso. Foi ele quem, em 2010, quando me afastei por dois meses para tratamento intensivo em São Paulo, questionou a minha licença médica e, veja que ridículo, aventou a possibilidade de eu ser aposentado compulsoriamente. Foi ele quem, no segundo semestre do ano passado, após eu me submeter a uma cirurgia dificílima (de quadril), que me deixou vários meses sem poder andar, ignorava o fato e insistia em colocar processos meus na pauta de julgamento para forçar a minha ida ao plenário, pouco importando se a minha condição o permitia ou não.

O senhor tomou alguma providência?

BARBOSA: Um dia eu peguei os laudos descritivos dos meus problemas de saúde, assinados pelos médicos que então me assistiam, Dr. Lin Tse e Dr. Roberto Dantas, ambos de São Paulo, e os entreguei ao Peluso, abrindo mão assim do direito que tenho à confidencialidade no que diz respeito à questão de saúde. Desde então, aquilo que eu qualifiquei jocosamente com os meus assessores como "supreme bullying" vinha cessando. As fofocas sobre a minha condição de saúde desapareceram dos jornais.

Qual a opinião do senhor sobre a entrevista dada por Cezar Peluso?

BARBOSA: Eis que no penúltimo dia da sua desastrosa presidência, o senhor Peluso, numa demonstração de "désinvolture" brega, caipira, volta a expor a jornalistas detalhes constrangedores do meu problema de saúde, ainda por cima envolvendo o nome de médico de largo reconhecimento no campo da neurocirurgia que, infelizmente, não faz parte da equipe de médicos que me assistem. Meu Deus! Isto lá é postura de um presidente do Supremo Tribunal Federal?

O ministro Peluso disse na entrevista que o tribunal se apaziguou na gestão dele. O senhor concorda com essa avaliação?

BARBOSA: Peluso está equivocado. Ele não apaziguou o tribunal. Ao contrário, ele incendiou o Judiciário inteiro com a sua obsessão corporativista.

Na visão do senhor, qual o legado que o ministro Peluso deixa para o STF?

BARBOSA: Nenhum legado positivo. As pessoas guardarão na lembrança a imagem de um presidente do STF conservador, imperial, tirânico, que não hesitava em violar as normas quando se tratava de impor à força a sua vontade. Dou exemplos: Peluso inúmeras vezes manipulou ou tentou manipular resultados de julgamentos, criando falsas questões processuais simplesmente para tumultuar e não proclamar o resultado que era contrário ao seu pensamento. Lembre-se do impasse nos primeiros julgamentos da Ficha Limpa, que levou o tribunal a horas de discussões inúteis; não hesitou em votar duas vezes num mesmo caso, o que é absolutamente inconstitucional, ilegal, inaceitável (o ministro se refere ao julgamento que livrou Jader Barbalho da Lei da Ficha Limpa e garantiu a volta dele ao Senado, no qual o duplo voto de Peluso, garantido no Regimento Interno do STF, foi decisivo. Joaquim discorda desse instrumento); cometeu a barbaridade e a deslealdade de, numa curta viagem que fiz aos Estados Unidos para consulta médica, "invadir" a minha seara (eu era relator do caso), surrupiar-me o processo para poder ceder facilmente a pressões...

Quando o senhor assumir a presidência, pretende conduzir o tribunal de que forma? O senhor acha que terá problemas para lidar com a magistratura e com advogados?

BARBOSA: Nenhum problema. Tratarei todos com urbanidade, com equidade, sem preferências para A, B ou C.

O ministro Peluso também chamou o senhor de inseguro, e disse que, por conta disso, se ofenderia com qualquer coisa. Afirmou, inclusive, que o senhor tem reações violentas. O senhor concorda com essa avaliação?

BARBOSA: Ao dizer que sou inseguro, o ministro Peluso se esqueceu de notar algo muito importante. Pertencemos a mundos diferentes. O que às vezes ele pensa ser insegurança minha, na verdade é simplesmente ausência ou inapetência para conversar, por falta de assunto. Basta comparar nossos currículos, percursos de vida pessoal e profissional. Eu aposto o seguinte: Peluso nunca curtiu nem ouviu falar de The Ink Spots (grupo norte-americano de rock e blues da década de 1930/40)! Isso aí já diz tudo do mundo que existe a nos separar...

O senhor já protagonizou algumas discussões mais acaloradas em plenário, inclusive com o ministro Gilmar Mendes. Acha que isso ocorreu devido ao seu temperamento ou a outro fator?

BARBOSA: Alguns brasileiros não negros se acham no direito de tomar certas liberdades com negros. Você já percebeu que eu não permito isso, né? Foi o que aconteceu naquela ocasião.

O senhor tem medo de ser qualificado como arrogante, como o ministro Peluso disse? Tem receio de ser qualificado como alguém que foi para o STF não por méritos, mas pela cor, também conforme a declaração do ministro?

BARBOSA: Ao chegar ao STF, eu tinha uma escolaridade jurídica que pouquíssimos na história do tribunal tiveram o privilégio de ter. As pessoas racistas, em geral, fazem questão de esquecer esse detalhezinho do meu currículo. Insistem a todo momento na cor da minha pele. Peluso não seria uma exceção, não é mesmo? Aliás, permita-me relatar um episódio recente, que é bem ilustrativo da pequenez do Peluso: uma universidade francesa me convidou a participar de uma banca de doutorado em que se defenderia uma excelente tese sobre o Supremo Tribunal Federal e o seu papel na democracia brasileira. Peluso vetou que me fossem pagas diárias durante os três dias de afastamento, ao passo que me parecia evidente o interesse da Corte em se projetar internacionalmente, pois, afinal, era a sua obra que estava em discussão. Inseguro, eu?

O senhor considera que Peluso tratou seu problema de saúde de forma desrespeitosa?

BARBOSA: Sim.

O senhor sofre preconceito de cor por parte de seus colegas do STF? E por parte de outras pessoas?

BARBOSA: Tire as suas próprias conclusões. Tenho quase 40 anos de vida pública. Em todos os lugares em que trabalhei sempre houve um ou outro engraçadinho a tomar certas liberdades comigo, achando que a cor da minha pele o autorizava a tanto. Sempre a minha resposta veio na hora, dura. Mas isso não me impediu de ter centenas de amigos nos quatro cantos do mundo.