Mais um encontro histórico. Outro marco na democratização da comunicação.
O Presidente Lula recebeu hoje de manhã para entrevistá-lo no Palácio do Planalto oito comunicadores populares que atuam nas rádios comunitárias: Inês Fortes, Rádio Maria Rosa, de Curitibanos (SC); Geronino Barbosa, Rádio Heliópolis, São Paulo (SP); João Moreno, Rádio Líder, Recanto das Emas (DF); Jerry Oliveira, Rádio 8 de Dezembro, Vargem Grande Paulista (SP); Alexandre Nery, Rádio Santa Luzia, Santa Luzia (MG); Mamede Leão, Rádio Cidade, Ouvidor (GO); Mara Rodrigues, Rádio Fercal, Sobradinho (DF); e Alan Camargo, Rádio Integração, Santa Cruz do Sul (RS). A entrevista foi transmitida pelo Blog do Planalto, emissoras comunitárias e vários blogues.
Secretaria de Imprensa/PR (Foto: Ricardo Stuckert)
O tema COMUNICAÇÃO dominou a entrevista: cinco dos oito comunicadores fizeram ao Presidente indagações relativas a ações repressivas contra rádios comunitárias no governo Lula, refundação do Ministério das Comunicações com o estabelecimento de um novo marco regulatório, financiamento de novas emissoras, papel fundamental da comunicação comunitária no aprofundamento das conquistas populares e outros.
Lula, que demonstrou apreciar ser entrevistado por gente com cara de povo, menos engravatada e "sem voz empostada", "desaforados e reivindicadores", reconheceu as dívidas que seu governo deixa com a democratização dos meios de comunicação, lembrou dos avanços na pulverização e regionalização da publicidade governamental, chamou a atenção para o fato de uma rádio comunitária poder concorrer hoje "até com a BBC de Londres", e mais de uma vez dirigiu uma espécie de "convocatória" aos ativistas da comunicação, lembrando que o grande debate sobre o marco regulatório que Dilma conduzirá será duríssimo, e exigirá empenho por parte de toda a sociedade.
Ao ser perguntado sobre "se rádio comunitária derruba avião ou derruba tubarão", sem menosprezar o risco de acidentes provocados por interferência na comunicação das aeronaves o Presidente ficou com a segunda opção, deixando claro os grandes interesses que estão em jogo.
Cidadania, Comunicação e Direitos Humanos * Judiciário e Justiça * Liberdade de Expressão * Mídia Digital Editoria/Sônia Amorim: ativista, blogueira, escritora, professora universitária, palestrante e "canalhóloga" Desafinando o Coro dos Contentes...
Tradutor
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
A MÁ-FÉ DA VELHA E APODRECIDA MÍDIA
Encontrei e li no blogue O Terror do Nordeste o post abaixo, que mostra a eterna má-fé da velha mídia e sua insistência em desinformar e confundir. Como há ainda muitos leitores e cidadãos ingênuos, reproduzo o artigo aqui, para alertar os ainda incautos. Fique atento, cidadão!
A cara do governo

Marcos Coimbra
Correio Braziliense - 01/12/2010
Sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
Ninguém votou em Dilma para que o “dilmismo” vencesse o “serrismo”. Só quem quis que a eleição fosse essa foi o próprio Serra, que sabia que perderia se o foco da escolha se alargasse.
A reação de parte da imprensa às informações sobre a composição do governo Dilma é curiosa. Em alguns veículos, chega a ser cômica.
Outro dia, um dos jornais de São Paulo estampou em manchete que Dilma estava “montando o núcleo de seu ministério com lulistas”. O que será que o editor imaginava? Que ela fosse recrutar “serristas” para os postos-chave de sua administração?
Como ensinam os manuais do jornalismo, essa não é uma notícia. Ou será que algo tão óbvio merece destaque? “Cachorro come linguiça” não é um título para a primeira página. No dia em que a linguiça comer o cachorro, aí sim teremos uma notícia (que, aliás, deverá ser impressa em letras garrafais).
Na mesma linha, um jornal carioca achou que era necessário alertar os leitores para o fato de que “Lula está indicando várias pessoas para o governo Dilma”. Em meio a estatísticas sobre quantos nomes já havia emplacado, a matéria era de franca desaprovação.
Na verdade, tanto nessa, quanto na manchete do jornal paulista, estava implícita quase uma denúncia, como se um duplo malfeito estivesse sendo cometido. Por Lula, ao “se meter” na formação do novo governo, ao “tentar interferir” onde, aparentemente, não deveria ter voz. Por Dilma, ao não reagir à intromissão e o deixar livre para apontar nomes.
Quem publica coisas assim dá mostras de não ter entendido a eleição que acabamos de fazer. Não entendeu como Lula, seu principal arquiteto, a concebeu, como Dilma encarnou a proposta, e como a grande maioria do eleitorado a assimilou.
Tudo mundo sabe que, quando Lula formulou o projeto da candidatura Dilma, a ideia central era de continuidade: do governo, de suas prioridades, de seu estilo. Ele nunca disse o contrário e insistiu no uso de imagens que caracterizavam, com clareza, o que ela representava. Para que ninguém tivesse dúvidas, chegou a afirmar que votar em Dilma era a mesma coisa que votar nele. Foi explícito nos palanques, nas declarações, na televisão.
Dilma sempre falou a mesma coisa. Mostrou-se à vontade como representante de Lula e do governo, seja por sua lealdade para com o presidente, seja pela boa razão de que o governo era dela também. Apresentar-se ao país como candidata de continuidade nunca a deixou desconfortável, pois significava defender aquilo a que havia se dedicado nos últimos oito anos.
Isso foi bem entendido pelos eleitores. Desde o primeiro momento e até o fim da eleição, as pessoas olharam para Dilma sabendo qual era a natureza de sua candidatura. Muitas descobriram suas qualidades pessoais, mas o núcleo da decisão de votar em seu nome foi outro, como mostraram as pesquisas.
Ninguém votou em Dilma para que o “dilmismo” vencesse o “serrismo”. Só quem quis que a eleição fosse essa foi o próprio Serra, que sabia que perderia se o foco da escolha se alargasse, se os eleitores olhassem para o que cada candidato representava e não se limitassem a fazer a velha comparação de biografias.
Agora, quando Dilma escuta Lula na montagem do governo, ela apenas cumpre a promessa fundamental de sua candidatura, a razão principal (para alguns eleitores, a única) de ela ter sido votada. Quando dá mostras de que manterá ministros e dirigentes, faz apenas o natural. Se, por exemplo, se comprometeu durante a campanha com a preservação de determinada política, porque razão não seria adequado que o responsável permanecesse?
O governo que está sendo organizado terá a cara da continuidade, política e administrativa. Terá a cara de Lula, do PT e das outras forças partidárias que venceram a eleição. Terá a cara da atual administração, que é aprovada pela maioria da sociedade. Terá a cara de Dilma, pois é ela que o chefiará.
É isso que foi combinado com o país.
Sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
Ninguém votou em Dilma para que o “dilmismo” vencesse o “serrismo”. Só quem quis que a eleição fosse essa foi o próprio Serra, que sabia que perderia se o foco da escolha se alargasse.
A reação de parte da imprensa às informações sobre a composição do governo Dilma é curiosa. Em alguns veículos, chega a ser cômica.
Outro dia, um dos jornais de São Paulo estampou em manchete que Dilma estava “montando o núcleo de seu ministério com lulistas”. O que será que o editor imaginava? Que ela fosse recrutar “serristas” para os postos-chave de sua administração?
Como ensinam os manuais do jornalismo, essa não é uma notícia. Ou será que algo tão óbvio merece destaque? “Cachorro come linguiça” não é um título para a primeira página. No dia em que a linguiça comer o cachorro, aí sim teremos uma notícia (que, aliás, deverá ser impressa em letras garrafais).
Na mesma linha, um jornal carioca achou que era necessário alertar os leitores para o fato de que “Lula está indicando várias pessoas para o governo Dilma”. Em meio a estatísticas sobre quantos nomes já havia emplacado, a matéria era de franca desaprovação.
Na verdade, tanto nessa, quanto na manchete do jornal paulista, estava implícita quase uma denúncia, como se um duplo malfeito estivesse sendo cometido. Por Lula, ao “se meter” na formação do novo governo, ao “tentar interferir” onde, aparentemente, não deveria ter voz. Por Dilma, ao não reagir à intromissão e o deixar livre para apontar nomes.
Quem publica coisas assim dá mostras de não ter entendido a eleição que acabamos de fazer. Não entendeu como Lula, seu principal arquiteto, a concebeu, como Dilma encarnou a proposta, e como a grande maioria do eleitorado a assimilou.
Tudo mundo sabe que, quando Lula formulou o projeto da candidatura Dilma, a ideia central era de continuidade: do governo, de suas prioridades, de seu estilo. Ele nunca disse o contrário e insistiu no uso de imagens que caracterizavam, com clareza, o que ela representava. Para que ninguém tivesse dúvidas, chegou a afirmar que votar em Dilma era a mesma coisa que votar nele. Foi explícito nos palanques, nas declarações, na televisão.
Dilma sempre falou a mesma coisa. Mostrou-se à vontade como representante de Lula e do governo, seja por sua lealdade para com o presidente, seja pela boa razão de que o governo era dela também. Apresentar-se ao país como candidata de continuidade nunca a deixou desconfortável, pois significava defender aquilo a que havia se dedicado nos últimos oito anos.
Isso foi bem entendido pelos eleitores. Desde o primeiro momento e até o fim da eleição, as pessoas olharam para Dilma sabendo qual era a natureza de sua candidatura. Muitas descobriram suas qualidades pessoais, mas o núcleo da decisão de votar em seu nome foi outro, como mostraram as pesquisas.
Ninguém votou em Dilma para que o “dilmismo” vencesse o “serrismo”. Só quem quis que a eleição fosse essa foi o próprio Serra, que sabia que perderia se o foco da escolha se alargasse, se os eleitores olhassem para o que cada candidato representava e não se limitassem a fazer a velha comparação de biografias.
Agora, quando Dilma escuta Lula na montagem do governo, ela apenas cumpre a promessa fundamental de sua candidatura, a razão principal (para alguns eleitores, a única) de ela ter sido votada. Quando dá mostras de que manterá ministros e dirigentes, faz apenas o natural. Se, por exemplo, se comprometeu durante a campanha com a preservação de determinada política, porque razão não seria adequado que o responsável permanecesse?
O governo que está sendo organizado terá a cara da continuidade, política e administrativa. Terá a cara de Lula, do PT e das outras forças partidárias que venceram a eleição. Terá a cara da atual administração, que é aprovada pela maioria da sociedade. Terá a cara de Dilma, pois é ela que o chefiará.
É isso que foi combinado com o país.
BLOGOSFERA CIDADÃ
Uma das vertentes de trabalho deste blogue desde seu início é "Comunicação, Mídia e Poder", ao lado da vertente mais ampla, "Cidadania e Ativismo". Não poderia ser diferente, uma vez que a editora do blogue há décadas atua profissionalmente na área da comunicação, editando livros e outras publicações, ensinando produção de textos, redação jornalística e matérias afins. E na esfera profissional e pessoal sua atuação tem sido sempre de luta e denúncia contra arbítrio, abuso de poder, injustiças de toda ordem.
Acrescentei hoje mais uma vertente: Blogosfera Independente. Porque o ABC! a partir de agora pretende regularmente voltar sua atenção também para este setor que começa a ganhar uma dimensão inédita e auspiciosa para a construção da cidadania.
Estamos engatinhando aqui no Abra a Boca, Cidadão!
A ideia era e é abrir espaço para informação, opinião, esclarecimento, divergência, denúncia, debate, tratando de questões ligadas aos direitos básicos da pessoa, ajudando a conscientização e o exercício da cidadania ampla, com ênfase nas áreas de liberdades e direitos fundamentais, que incluem a livre expressão do pensamento e a comunicação.
A Blogosfera Independente, que costumamos chamar aqui de Blogosfera Cidadã, começa a desempenhar um papel extraordinário no cenário da comunicação e da vida brasileira. Essa atuação também receberá do Abra a Boca, Cidadão! um olhar especial, crítico e atento.
Acrescentei hoje mais uma vertente: Blogosfera Independente. Porque o ABC! a partir de agora pretende regularmente voltar sua atenção também para este setor que começa a ganhar uma dimensão inédita e auspiciosa para a construção da cidadania.
Estamos engatinhando aqui no Abra a Boca, Cidadão!
A ideia era e é abrir espaço para informação, opinião, esclarecimento, divergência, denúncia, debate, tratando de questões ligadas aos direitos básicos da pessoa, ajudando a conscientização e o exercício da cidadania ampla, com ênfase nas áreas de liberdades e direitos fundamentais, que incluem a livre expressão do pensamento e a comunicação.
A Blogosfera Independente, que costumamos chamar aqui de Blogosfera Cidadã, começa a desempenhar um papel extraordinário no cenário da comunicação e da vida brasileira. Essa atuação também receberá do Abra a Boca, Cidadão! um olhar especial, crítico e atento.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
RÁDIOS COMUNITÁRIAS ENTREVISTAM LULA
Mais um encontro histórico. Mais um marco para a democratização da comunicação no Brasil. Depois dos blogueiros "progressistas", chega a vez das rádios comunitárias ouvirem o Presidente Lula amanhã em Brasília. Leia abaixo post do Blogue Com Texto Livre.
Rádios comunitárias irão entrevistar presidente Lula nesta quinta
Depois de conceder entrevista para blogueiros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá falar desta vez com as rádios comunitárias. A coletiva acontecerá nesta quinta-feira (2), às 9h. A transmissão será ao vivo e poderá ser acompanhada pela internet pelo Blog do Planalto e pela página da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço). O sinal de áudio estará aberto para todas as emissoras de rádio do país.
Dez rádios comunitárias irão participar da entrevista, que será ancorada pelo jornalista Luciano Seixas. A iniciativa está sendo organizada pela EBC Serviços em parceria com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República e Abraço.
CAOS NO RIO E NA MÍDIA ESPETACULOSA
O Abra a Boca, Cidadão! considera que uma das tarefas de um bom blogueiro é trocar em miúdos para seus leitores artigos, ensaios mais densos, de maior dificuldade de compreensão, muitas vezes escritos por especialistas, pesquisadores da universidade, numa linguagem acadêmica que só iniciados compreendem, textos que trazem idéias, opiniões, conceitos importantes que precisam e valem a pena ser difundidos.
Celso Lungaretti fez isso ontem em seu blogue Náufrago da Utopia (http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/), a propósito da crise no Rio de Janeiro e sua abordagem pela mídia. Reproduzimos seu post abaixo, que contém um resumo com os pontos principais de um artigo longo, difícil mas fundamental para a compreensão do caos que se instalou no Rio e da cobertura falha e espetaculosa da mídia.
O que a grande imprensa não diz sobre a crise no RJ
No blogue de Luiz Eduardo Soares -- mestre em antropologia, doutor em ciência política, ex-secretário nacional de Segurança Pública (2003) e ex-coordenador de Segurança, Justiça e Cidadania do RJ (1999/2000) -- encontrei a avaliação mais lúcida e consistente de todas que li sobre os últimos acontecimentos na dita cidade maravilhosa, bem como da forma como estão sendo geralmente abordados pela grande imprensa, em sua faina incessante para fascistizar a sociedade, tangendo-a ao estado policial.
Celso Lungaretti fez isso ontem em seu blogue Náufrago da Utopia (http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/), a propósito da crise no Rio de Janeiro e sua abordagem pela mídia. Reproduzimos seu post abaixo, que contém um resumo com os pontos principais de um artigo longo, difícil mas fundamental para a compreensão do caos que se instalou no Rio e da cobertura falha e espetaculosa da mídia.
O que a grande imprensa não diz sobre a crise no RJ
No blogue de Luiz Eduardo Soares -- mestre em antropologia, doutor em ciência política, ex-secretário nacional de Segurança Pública (2003) e ex-coordenador de Segurança, Justiça e Cidadania do RJ (1999/2000) -- encontrei a avaliação mais lúcida e consistente de todas que li sobre os últimos acontecimentos na dita cidade maravilhosa, bem como da forma como estão sendo geralmente abordados pela grande imprensa, em sua faina incessante para fascistizar a sociedade, tangendo-a ao estado policial.
Obrigatório, o artigo de Soares -- A crise no Rio e o pastiche midiático -- é, contudo, desnecessariamente extenso e muitas vezes repetitivo (velho vício acadêmico!).
Tomei a liberdade de copidescá-lo, mantendo sempre as palavras do autor, mas eliminando os trechos supérfluos, inclusive no meio dos parágrafos reproduzidos:
"Não posso mais compactuar com o ciclo sempre repetido na mídia: atenção à segurança nas crises agudas e nenhum investimento reflexivo e informativo realmente denso e consistente, na entressafra, isto é, nos intervalos entre as crises.
Nada que se possa fazer já, imediatamente, resolverá a insegurança. Se desejamos, de fato, resolver algum problema grave, não é possível continuar a tratar o paciente apenas quando ele já está na UTI.
O que as polícias fluminenses deveriam fazer para vencer, definitivamente, o tráfico de drogas?
Em primeiro lugar, deveriam parar de traficar e de associar-se aos traficantes, nos 'arregos' celebrados por suas bandas podres, à luz do dia, diante de todos. Deveriam parar de negociar armas com traficantes, o que as bandas podres fazem, sistematicamente. Deveriam também parar de reproduzir o pior do tráfico, dominando, sob a forma de máfias ou milícias, territórios e populações pela força das armas, visando rendimentos criminosos obtidos por meios cruéis.
A polaridade (polícias versus tráfico) esconde o verdadeiro problema: não existe a polaridade. Construí-la – isto é, separar bandido e polícia - teria de ser a meta mais importante e urgente de qualquer política de segurança digna desse nome. Não há nenhuma modalidade importante de ação criminal no Rio de que segmentos policiais corruptos estejam ausentes.
Sei que há dezenas de milhares de policiais honrados e honestos, que arriscam suas vidas por salários indignos. Considero-os as primeiras vítimas da degradação institucional em curso, porque os envergonha e acua o convívio inevitável com milhares de colegas corrompidos, envolvidos na criminalidade, sócios ou mesmo empreendedores do crime.
Não nos iludamos: o tráfico, no modelo que se firmou no Rio, é uma realidade em franco declínio e tende a se eclipsar, derrotado por sua irracionalidade econômica e sua incompatibilidade com as dinâmicas políticas e sociais predominantes, em nosso horizonte histórico.
O modelo do tráfico armado, sustentado em domínio territorial, é atrasado, pesado, anti-econômico: custa muito caro manter um exército, recrutar neófitos, armá-los (nada disso é necessário às milícias, posto que seus membros são policiais), mantê-los unidos e disciplinados, enfrentando revezes de todo tipo e ataques por todos os lados, vendo-se forçados a dividir ganhos com a banda podre da polícia (que atua nas milícias) e, eventualmente, com os líderes e aliados da facção.
Não só o velho modelo é caro, como pode ser substituído com vantagens por outro muito mais rentável e menos arriscado, adotado nos países democráticos mais avançados: a venda por delivery ou em dinâmica varejista nômade, clandestina, discreta, desarmada e pacífica.
Traficantes se rebelam e a cidade vai à lona. Encena-se um drama sangrento, mas ultrapassado. O canto de cisne do tráfico era esperado. Haverá outros momentos análogos, no futuro, mas a tendência declinante é inarredável.
Quando o tráfico de drogas no modelo territorializado atinge seu ponto histórico de inflexão e começa, gradualmente, a bater em retirada, seus sócios – as bandas podres das polícias - prosseguem fortes, firmes, empreendedores, politicamente ambiciosos, economicamente vorazes, prontos a fixar as bandeiras milicianas de sua hegemonia.
Discutindo a crise, a mídia reproduz o mito da polaridade polícia versus tráfico, perdendo o foco, ignorando o decisivo: como, quem, em que termos e por que meios se fará a reforma radical das polícias, no Rio, para que estas deixem de ser incubadoras de milícias, máfias, tráfico de armas e drogas, crime violento, brutalidade, corrupção?
Essas instituições não foram alcançadas em profundidade pelo processo de transição democrática, nem se modernizaram, adaptando-se às exigências da complexa sociedade brasileira contemporânea.
O modelo policial foi herdado da ditadura. Ele servia à defesa do Estado autoritário e era funcional ao contexto marcado pelo arbítrio. Não serve à defesa da cidadania. A estrutura organizacional de ambas as polícias impede a gestão racional e a integração, tornando o controle impraticável e a avaliação, seguida por um monitoramento corretivo, inviável.
O Jornal Nacional, nesta quinta, 25 de novembro, definiu o caos no Rio de Janeiro, salpicado de cenas de guerra e morte, pânico e desespero, como um dia histórico de vitória: o dia em que as polícias ocuparam a Vila Cruzeiro.
Ou eu sofri um súbito apagão mental e me tornei um idiota contumaz e incorrigível ou os editores do JN sentiram-se autorizados a tratar milhões de telespectadores como contumazes e incorrigíveis idiotas."
terça-feira, 30 de novembro de 2010
VELHA MÍDIA EM ESTADO TERMINAL
Desde a primeira hora, no último dia 23, ao ficar sabendo da entrevista que o Presidente Lula concederia no dia seguinte a blogueiros "progressistas", o Abra a Boca, Cidadão! reconheceu e manifestou a importância histórica do encontro para a Blogosfera Cidadã e para a democratização da comunicação no Brasil.
Embora fazendo críticas aos articuladores da entrevista, que deixaram de fora centenas de blogueiros, "permitindo" que só na véspera soubessem do encontro, o ABC! se regozija ante a mudança significativa na mediação entre governo e sociedade: sai de cena o pensamento único, exclusivo e monopolista da velha mídia e entram novos atores e vozes, muitas vezes dissonantes, de blogueiros, redes sociais, jornais regionais, emissoras comunitárias e outros.
A velha mídia vai ter que se adaptar aos novos tempos, parar de espernear e aprender a "repartir o pão" e o poder, convivendo pacificamente com estes novos atores. Caminho sem volta.
Leiam abaixo artigo do Professor Laurindo Leal Filho (ECA-USP) nesse sentido.
Os donos da mídia estão nervosos
Embora fazendo críticas aos articuladores da entrevista, que deixaram de fora centenas de blogueiros, "permitindo" que só na véspera soubessem do encontro, o ABC! se regozija ante a mudança significativa na mediação entre governo e sociedade: sai de cena o pensamento único, exclusivo e monopolista da velha mídia e entram novos atores e vozes, muitas vezes dissonantes, de blogueiros, redes sociais, jornais regionais, emissoras comunitárias e outros.
A velha mídia vai ter que se adaptar aos novos tempos, parar de espernear e aprender a "repartir o pão" e o poder, convivendo pacificamente com estes novos atores. Caminho sem volta.
Leiam abaixo artigo do Professor Laurindo Leal Filho (ECA-USP) nesse sentido.
Os donos da mídia estão nervosos
A Veja andou atrás do blogueiro Renato Rovai querendo saber como foi feita a articulação para que o presidente Lula concedesse uma entrevista a blogs de diferentes pontos do Brasil. Estão preocupadíssimos.
Laurindo Lalo Leal Filho, na Carta Maior
http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4891
O blogueiro Renato Rovai contou durante o curso anual do Núcleo Piratininga de Comunicação, realizado semana passada no Rio, que a Veja andou atrás dele querendo saber como foi feita a articulação para que o presidente Lula concedesse uma entrevista a blogs de diferentes pontos do Brasil. Estão preocupadíssimos.
http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4891
O blogueiro Renato Rovai contou durante o curso anual do Núcleo Piratininga de Comunicação, realizado semana passada no Rio, que a Veja andou atrás dele querendo saber como foi feita a articulação para que o presidente Lula concedesse uma entrevista a blogs de diferentes pontos do Brasil. Estão preocupadíssimos.
À essa informação somam-se as matérias dos jornalões e de algumas emissoras de TV sobre a coletiva, sempre distorcidas, tentando ridicularizar entrevistado e entrevistadores.
O SBT chegou a realizar uma edição cuidadosa daquele encontro destacando as questões menos relevantes da conversa para culminar com um encerramento digno de se tornar exemplo de mau jornalismo.
Ao ressaltar o problema da inexistência de leis no Brasil que garantam o direito de resposta, tratado na entrevista, o jornal do SBT fechou a matéria dizendo que qualquer um que se sinta prejudicado pela mídia tem amplos caminhos legais para contestação (em outras palavras). Com o que nem o ministro Ayres Brito, do Supremo, ídolo da grande mídia, concorda.
Jornalões e televisões ficaram nervosos ao perceberem que eles não são mais o único canal existente de contato entre os governantes e a sociedade.
Às conquistas do governo Lula soma-se mais essa, importante e pouco percebida. E é ela que permite entender melhor o apoio inédito dado ao atual governo e, também, a vitória da candidata Dilma Roussef.
Lula, como presidente da República, teve a percepção nítida de que se fosse contar apenas com a mídia tradicional para se dirigir à sociedade estaria perdido. A experiência de muitos anos de contato com esses meios, como líder sindical e depois político, deu a ele a possibilidade de entendê-los com muita clareza.
Essa percepção é que explica o contato pessoal, quase diário, do presidente com públicos das mais diferentes camadas sociais, dispensando intermediários.
Colunistas o criticavam dizendo que ele deveria viajar menos e dar mais expediente no palácio. Mas ele sabia muito bem o que estava fazendo. Se não fizesse dessa forma corria o risco de não chegar ao fim do mandato.
Mas uma coisa era o presidente ter consciência de sua alta capacidade de comunicador e outra, quase heróica, era não ter preguiça de colocá-la em prática a toda hora em qualquer canto do pais e mesmo do mundo.
Confesso que me preocupei com sua saúde em alguns momentos do mandato. Especialmente naquela semana em que ele saía do sul do país, participava de evento no Recife e de lá rumava para a Suíça. Não me surpreendi quando a pressão arterial subiu, afinal não era para menos. Mas foi essa disposição para o trabalho que virou o jogo. Um trabalho que poderia ter sido mais ameno se houvesse uma mídia menos partidarizada e mais diversificada. Sem ela o presidente foi para o sacrifício.
Pesquisadores nas áreas de história e comunicação já têm um excelente campo de estudos daqui para frente. Comparar, por exemplo, a cobertura jornalística do governo Lula com suas realizações. O descompasso será enorme.
As inúmeras conquistas alcançadas ficariam escondidas se o presidente não fosse às ruas, às praças, às conferências setoriais de nível nacional, aos congressos e reuniões de trabalhadores para contar de viva voz e cara-a-cara o que o seu governo vinha fazendo. A NBR, televisão do governo federal, tem tudo gravado. É um excelente acervo para futuras pesquisas.
Curioso lembrar as várias teses publicadas sobre a sociedade mediatizada, onde se tenta demonstrar como os meios de comunicação estabelecem os limites do espaço público e fazem a intermediação entre governos e sociedade.
Pois não é que o governo Lula rompeu até mesmo com essas teorias. Passou por cima dos meios, transmitiu diretamente suas mensagens e deixou nervosos os empresários da comunicação e os seus fiéis funcionários, abalados com a perda do monopólio da transmissão de mensagens.
Está dada, ao final deste governo, mais uma lição. Governos populares não podem ficar sujeitos ao filtro ideológico da mídia para se relacionarem com a sociedade.
Mas também não pode depender apenas de comunicadores excepcionais como é caso do presidente Lula. Se outros surgirem ótimo. Mas uma sociedade democrática não pode ficar contando com o acaso.
Daí a importância dos blogueiros, dos jornais regionais, das emissoras comunitárias e de uma futura legislação da mídia que garanta espaços para vozes divergentes do pensamento único atual.
Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial).
O SBT chegou a realizar uma edição cuidadosa daquele encontro destacando as questões menos relevantes da conversa para culminar com um encerramento digno de se tornar exemplo de mau jornalismo.
Ao ressaltar o problema da inexistência de leis no Brasil que garantam o direito de resposta, tratado na entrevista, o jornal do SBT fechou a matéria dizendo que qualquer um que se sinta prejudicado pela mídia tem amplos caminhos legais para contestação (em outras palavras). Com o que nem o ministro Ayres Brito, do Supremo, ídolo da grande mídia, concorda.
Jornalões e televisões ficaram nervosos ao perceberem que eles não são mais o único canal existente de contato entre os governantes e a sociedade.
Às conquistas do governo Lula soma-se mais essa, importante e pouco percebida. E é ela que permite entender melhor o apoio inédito dado ao atual governo e, também, a vitória da candidata Dilma Roussef.
Lula, como presidente da República, teve a percepção nítida de que se fosse contar apenas com a mídia tradicional para se dirigir à sociedade estaria perdido. A experiência de muitos anos de contato com esses meios, como líder sindical e depois político, deu a ele a possibilidade de entendê-los com muita clareza.
Essa percepção é que explica o contato pessoal, quase diário, do presidente com públicos das mais diferentes camadas sociais, dispensando intermediários.
Colunistas o criticavam dizendo que ele deveria viajar menos e dar mais expediente no palácio. Mas ele sabia muito bem o que estava fazendo. Se não fizesse dessa forma corria o risco de não chegar ao fim do mandato.
Mas uma coisa era o presidente ter consciência de sua alta capacidade de comunicador e outra, quase heróica, era não ter preguiça de colocá-la em prática a toda hora em qualquer canto do pais e mesmo do mundo.
Confesso que me preocupei com sua saúde em alguns momentos do mandato. Especialmente naquela semana em que ele saía do sul do país, participava de evento no Recife e de lá rumava para a Suíça. Não me surpreendi quando a pressão arterial subiu, afinal não era para menos. Mas foi essa disposição para o trabalho que virou o jogo. Um trabalho que poderia ter sido mais ameno se houvesse uma mídia menos partidarizada e mais diversificada. Sem ela o presidente foi para o sacrifício.
Pesquisadores nas áreas de história e comunicação já têm um excelente campo de estudos daqui para frente. Comparar, por exemplo, a cobertura jornalística do governo Lula com suas realizações. O descompasso será enorme.
As inúmeras conquistas alcançadas ficariam escondidas se o presidente não fosse às ruas, às praças, às conferências setoriais de nível nacional, aos congressos e reuniões de trabalhadores para contar de viva voz e cara-a-cara o que o seu governo vinha fazendo. A NBR, televisão do governo federal, tem tudo gravado. É um excelente acervo para futuras pesquisas.
Curioso lembrar as várias teses publicadas sobre a sociedade mediatizada, onde se tenta demonstrar como os meios de comunicação estabelecem os limites do espaço público e fazem a intermediação entre governos e sociedade.
Pois não é que o governo Lula rompeu até mesmo com essas teorias. Passou por cima dos meios, transmitiu diretamente suas mensagens e deixou nervosos os empresários da comunicação e os seus fiéis funcionários, abalados com a perda do monopólio da transmissão de mensagens.
Está dada, ao final deste governo, mais uma lição. Governos populares não podem ficar sujeitos ao filtro ideológico da mídia para se relacionarem com a sociedade.
Mas também não pode depender apenas de comunicadores excepcionais como é caso do presidente Lula. Se outros surgirem ótimo. Mas uma sociedade democrática não pode ficar contando com o acaso.
Daí a importância dos blogueiros, dos jornais regionais, das emissoras comunitárias e de uma futura legislação da mídia que garanta espaços para vozes divergentes do pensamento único atual.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
LULA, O BLOGUEIRO
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Caso o presidente Lula leve adiante a sua idéia de ingressar na blogosfera logo depois de passar o governo em janeiro, esta decisão representará a transformação da internet brasileira numa nova arena partidária, com muitas chances de ofuscar os debates parlamentares e reduzir ainda mais o papel da imprensa na mediação com o público. A entrevista de Lula a blogueiros, no dia 25 de novembro, pode ser vista como o primeiro passo concreto nesta direção, marcando um novo espaço político onde o presidente vai interagir diretamente com os internautas, passando ao largo do seu próprio partido. Pode ser o que um amigo definiu como “Lula em estado puro”, sem o protocolo presidencial e sem os entraves institucionais. Caso ele aprenda a manejar os segredos de um blog e do twitter, o presidente poderá voltar ao estilo conversa em “porta de fábrica” que lhe trouxe tanta popularidade . Só que agora usando o espaço cibernético, cujo alcance é muitíssimo maior do que o megafone dos seus tempos de sindicato. Se Lula inaugurou um novo estilo de governar durante os seus oito anos de presidente, ele agora pode promover mais uma inovação, ao criar um novo modelo de fazer política, sem a mediação da imprensa e dos partidos políticos. O contexto lhe é muito favorável já que vai sair do Planalto com a popularidade em alta e, mesmo fora do governo, tudo o que disser acabará na agenda política nacional, com ou sem blog. É inevitável. Se não for Lula, pode ser qualquer outro político a empunhar o computador como ferramenta de comunicação, da mesma forma que Brizola usou a rádio para projetar-se no cenário político nacional, nos idos de 1961. O ingresso de políticos na blogosfera é apenas uma questão de tempo, porque o sistema oferece vantagens demasiado atraentes para serem desprezadas. Para os políticos é uma plataforma barata e eficientíssima, por conta de seu alcance universal. Para o cidadão é ainda mais atraente porque lhe dá a possibilidade de intervir no debate, coisa que até agora era inviável. Durante a campanha eleitoral de 2010, a blogosfera entrou em transe por conta das discussões contra e a favor de Lula. Vocês já imaginaram o que acontecerá quando e se o próprio Lula começar a postar sobre tudo e sobre todos? Há, no entanto, uma outra cara da moeda. A polarização inevitavelmente gera uma guerra informativa em que a verdade é sempre a primeira vítima. Já tivemos um pouco disso na última campanha eleitoral, mas o fenômeno pode se tornar ainda mais intenso, caso a polêmica entre lulistas e anti-lulistas se transfira de corpo e alma para o espaço cibernético, onde as limitações são muito menores. | ||||||||
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