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quinta-feira, 20 de junho de 2013

Golpe em andamento: Dilma, mostre que este País tem governo!


CIDADANIA, SIM. VIOLÊNCIA, NÃO!


Brasil "desmoronando"...

Globo, oposição, elites podres, mídia golpista... rindo aos borbotões!

Farra de patricinhas e mauricinhos, com seus iphones e roupas de grife, "Revolucionários do Facebook", infantilizados e despolitizados, zoando e fomentando esta barbárie!

Presidenta Dilma: está na hora da senhora falar à nação e botar ordem neste caos, mostrando que o País tem comando.

Isto não é Democracia!

Isto se chama Anarquia!

Não espere que eles tentem invadir o Palácio do Planalto!

Tire a Globo do comando!

Fale, Presidenta Dilma!




Quem protesta contra tudo protesta contra nada


CIDADANIA, SIM. VIOLÊNCIA, NÃO!


O prefeito Fernando Haddad e o governador Geraldo Alckmin revogaram ontem o reajuste de 20 centavos. Tarifas de trem, metrô e ônibus permanecem R$ 3,00.

Manifestações que paralisam a cidade de São Paulo e promovem tumultos, pancadaria e danos a patrimônio público e particular vão parar?

Este blog é ativista. Está no ar desde outubro de 2010, defendendo e estimulando cidadãs e cidadãos a expor suas ideias e defender seus direitos. Ou o direito de terceiros, dos que não têm voz nem vez.

Esta blogueira não nasceu blogueira. A vida e as perseguições e violências que sofre, desferidas por "família-quadrilha" acumpliciada com particulares e agentes públicos, não permitem que esta cidadã - graduada em Letras, pela USP; licenciada em Língua Portuguesa, pela USP; pós-graduada (mestrado) em Comunicação (Jornalismo/Editoração), pela USP; ex-professora da ECA-USP; com livros publicados, 1 deles indicado ao Prêmio Jabuti - atue no mercado de trabalho e viva em paz e segurança, mesmo dentro de sua casa. (Sim, isto aqui também é um protesto e denúncia!)

A blogueira vive sob a vigilância de 6 câmeras de monitoramento (ver coluna à direita), tem suas movimentações bisbilhotadas o tempo todo, pelas câmeras e por quadrilheiros, e desde abril de 2011 passou a usar este veículo de comunicação no embate contra esta QUADRILHA.

A blogueira está no ativismo desde o final dos anos 70, quando era estudante da USP e Cásper Líbero, e participou de passeatas, atos públicos, assembleias e outras atividades, com o objetivo claro de derrubar a ditadura militar e promover a redemocratização do Brasil.

Como cidadã e estudante, a blogueira atuou em protestos pacíficos. Não instigávamos depredações, atentados, terrorismo. Jovens, como os que estão protestando nas ruas do Brasil por estes dias, nossas armas eram nossas vozes, nossas ideias, nossos sonhos.

Sem qualquer violência, conseguimos reinstalar no País a Democracia usurpada pelo arbítrio.

Éramos rebeldes.

Rebeldes com causa.


Praça da Sé, São Paulo, abril de 1984. Comício das Diretas-Já. 
Um milhão e meio de manifestantes. Eu estava lá...


Protestar contra tudo é o mesmo que protestar contra nada

Cynara Menezes*


(Yasmin Brunet no protesto: frases de efeito vazias de conteúdo)

Não há, em minha opinião, nada mais assustador acontecendo hoje no Brasil do que o avanço dos fundamentalistas no Congresso Nacional. Aprovar projetos contra o direito de cidadãos de viverem plenamente sua orientação sexual, de usarem o próprio corpo da maneira que desejarem e de serem felizes ao lado do ser amado é o maior atentado à liberdade individual que pode existir. No entanto, na última quarta-feira 18, havia TRÊS manifestantes no plenário da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara protestando contra a aprovação do projeto da “cura gay”. Enquanto isso, do lado de fora, por todo o país, milhares de pessoas protestavam contra… Contra o quê mesmo?

Ao contrário do que alguns pensam, defender os direitos dos homossexuais não é pouca coisa. São brasileiros com direitos e deveres como todos nós. Mas, prestem atenção, não são só os homossexuais que os fundamentalistas ameaçam: no início do mês, a bancada evangélica conseguiu aprovar, na Comissão de Finanças e Tributação, o Estatuto do Nascituro, que prevê o pagamento de um salário mínimo às mulheres que optarem por não abortar em caso de estupro, projeto apelidado pelas feministas de “bolsa-estupro”. Se aprovado no plenário, o estatuto inviabilizaria outra conquista da sociedade brasileira, a pesquisa com as células-tronco embrionárias, liberadas pelo Supremo Tribunal Federal em 2011. Os fundamentalistas se articulam ainda contra as religiões de matriz africana.

Há mais de dez dias, a palavra “liberdade” está sendo usada a toda hora nas manifestações que sacodem o País a pretexto de exigir a diminuição das tarifas de ônibus e outras questões menos claras. Vi incontáveis faixas com “liberdade de expressão” nas passeatas. Mas não vi nenhuma falando em “liberdade de culto”, “estado laico” ou “respeito à diversidade”, que são o mesmo que liberdade, não tem diferença. Acho absolutamente decepcionante que, num momento como este, temas tão urgentes sejam esquecidos ou trocados por “inflação” e “corrupção”, para citar dois exemplos de itens genéricos bradados pelos manifestantes – ou pela mídia que tenta explicar as razões de eles estarem nas ruas.

Eu sinceramente pensei que, com tanta gente mobilizada, as pautas progressistas, tão necessárias e tão ameaçadas, fossem vir à tona: o estado laico, a questão indígena, o meio ambiente, os direitos dos cidadãos LGBTs. Que nada. O que vejo nas ruas é um festival de generalizações. Artistas divulgam nas redes sociais frases de efeito vazias: “Ou o Brasil muda ou o Brasil para”, “Ou para a roubalheira ou paramos o Brasil”. Essas palavras podem soar bonitas, mas não significam nada na prática. São apenas slogans escritos em uma cartolina por pessoas despolitizadas que não parecem genuinamente comprometidas com o País. “O gigante acordou” é trecho de propaganda de uísque. “Vem Para a Rua” é jingle de automóvel. Trechos do hino nacional ou de canções do Legião Urbana são poéticos porém inúteis.


(Isso daqui chega a ser burrice: só se “tira” políticos do Congresso 
– ou da presidência – pelo voto. Acordem!)

Excluíram as bandeiras dos partidos de esquerda do movimento para que ele fosse “apartidário”. OK. Mas desde que elas saíram, o volume de pessoas nas ruas aumentou e as manifestações perderam em conteúdo. Vejo gente saltando diante das câmeras de TV que nem no carnaval e assisto a entrevistas onde os participantes não conseguem concatenar meia dúzia de ideias para justificar por que estão ali. Resumem-se a dizer que protestam “contra tudo”. Contra tudo o quê, cara-pálida? É mentira que o Brasil esteja totalmente ruim para que seja preciso protestar contra TUDO. É contra a Copa? Ótimo. Pelo menos é UMA razão. Quem protesta contra tudo, a meu ver, não está protestando contra coisa alguma. Afinal, o protesto é à vera ou é só para postar no Facebook?

Uma manifestação se distingue de uma turba pelas reivindicações e pelas causas que possui. Uma manifestação sem rumo e sem causa pode se transformar facilmente em terreno fértil para aproveitadores e arruaceiros, como vimos diante da prefeitura de São Paulo na terça-feira e, na noite anterior, diante do Palácio dos Bandeirantes. Sim, eles são minoria, mas uma minoria de gente perigosa que agora já parte para saques e destruição do patrimônio público e privado. Sou totalmente contra o uso da violência em manifestações. Numa democracia, é perfeitamente possível protestar sem partir para a ignorância.

Cabe à polícia investigar quem são estas pessoas e puni-las. Aliás, a Polícia Militar brasileira tem sido um caso à parte nos protestos das últimas semanas: como é possível que os policiais sejam capazes de bater em manifestantes inocentes e cruzar os braços diante de vândalos? Será que a PM não sabe decidir quando é ou não necessário intervir duramente? Não conseguem distinguir manifestantes de arruaceiros? Que tipo de treinamento recebem, então? Isso também é feito com dinheiro do contribuinte, sabem?

Sou e sempre serei a favor do povo nas ruas, batalhando por seus direitos, protestando e exigindo um futuro melhor. Isso é exercitar a cidadania. Mas eu aprendi que manifestações têm pautas. Qual é exatamente a pauta destes protestos? Se for pela tarifa, o pessoal do Movimento Passe Livre deve se sentar para negociar com o prefeito Fernando Haddad, que, a meu ver, errou em não fazer isto desde a primeira hora. Se for por algo mais além da tarifa, como sentimos, os manifestantes precisam encontrar um caminho, apresentar queixas concretas, reivindicações factíveis. Vivemos em um país democrático, não há governo tirano para derrubar. Se isso que estamos vivendo é uma “primavera”, é primavera do quê?

UPDATE: Os prefeitos das capitais concordaram em reduzir a tarifa. Vitória do Movimento Passe Livre, que conseguiu mobilizar as pessoas em torno de um objetivo. [E o governador Geraldo Alckmin e o prefeito Fernando Haddad revogaram o aumento de 20 centavos na tarifa - ABC!] Mas e agora, como ficam os protestos contra “tudo”?

* Socialista Morena/CartaCapital

Destaques do ABC!


quarta-feira, 19 de junho de 2013

São Paulo: Ativismo, sim. Violência, não!


DESCALABRO NA CIDADE DE SÃO PAULO



Presidenta Dilma Rousseff veio de Brasília para se reunir com o prefeito Fernando Haddad, Lula e outras autoridades, tentando encontrar uma saída para a questão da redução do preço das passagens.

Prefeito Fernando Haddad abriu as portas da prefeitura para ouvir integrantes do Movimento Passe Livre no dia de ontem, em reunião extraordinária do Conselho da Cidade.

E essa gente desocupada TODO DIA transforma a cidade de São Paulo em praça de guerra, desrespeitando as autoridades e os direitos de milhões de moradores da cidade, com seus ataques de uma esquerda pueril, infantiloide e tardia.

Globo News e outros veículos de comunicação, opositores do governo, dando força, insuflando os manifestantes, mostrando só as manifestações pacíficas e escondendo do público os atos da bandidagem.

O que esta gente está querendo?

Não receberam 1 voto sequer nas eleições. E querem, desculpem, "cagar" regras, normas e procedimentos para autoridades democraticamente eleitas, medir forças, submeter o prefeito a seus caprichos e delírios de poder.

Fora, arruaceiros!

Código Penal neles!

Prefeito nenhum pode ficar refém de delinquentes e desocupados, que promovem FARRA e VIOLÊNCIAS em São Paulo e outras cidades, chamando pessoas incautas, ingênuas, inocentes (idosos, mulheres e menores) para as ruas, para serem alvo de pancadaria, tiros, destruição de patrimônio e demais iniquidades que costumam ocorrer neste tipo de manifestação.

Autoridades municipais, estaduais e federais: tomem providências para acabar com este descalabro diário em vários pontos do País.

Sônia Maria de Amorim (ativista, socialista e pacifista desde os anos 70/80)







No Brasil 247:

terça-feira, 18 de junho de 2013

Manifestações em São Paulo: que retrocesso!


ATIVISMO SIM, VIOLÊNCIA NÃO!



"A meu ver, daqui de cima, coisa de bandidos. Se esse movimento tem uma direção, uma coordenação, ela é fraca e/ou irresponsável. Chamar manifestações todos os dias, testando o estresse da cidade, é coisa de quem está infectado pelas doenças infantis do ser de esquerda. Conseguiram. Deu merda. Ainda é preciso que alguém morra?

Não identifiquei motivo para a queima do carro, nem mesmo para a quebra dos vidros da sede municipal. Também não se entende porque forçaram as portas do segundo andar. O que gostariam de fazer aqui dentro? Quebrar as pernas de quem está trabalhando? Apertar o pescoço do prefeito? Pendurar guardas municipais na ponta das grades usadas como arietes? Ridículo, triste."

                 São Paulo, manifestação na Praça da Sé, Prefeitura e Avenida Paulista

"Escrevo da Prefeitura. O que falta: um morto?"


Marco Damiani _247 – Escrevo do sexto andar do prédio da Prefeitura de São Paulo, na ponta do viaduto do Chá, que acaba na Praça do Patriarca. As janelas estão avermelhadas pelo fogo que sobe da unidade ao vivo da tevê Record. Acabou de ser queimada, depois de ter sido depredada por mais de 20 participantes da manifestação contra o aumento nas passagens de ônibus. Um rapaz tinha uma espécie de maçarico portátil. Fez o serviço que outros, com isqueiros, não haviam conseguido. A tentativa de tombar o carro não deu certo. Toque-se fogo então. A meu ver, daqui de cima, coisa de bandidos. Se esse movimento tem uma direção, uma coordenação, ela é fraca e/ou irresponsável. Chamar manifestações todos os dias, testando o estresse da cidade, é coisa de quem está infectado pelas doenças infantis do ser de esquerda. Conseguiram. Deu merda. Ainda é preciso que alguém morra?

Não identifiquei motivo para a queima do carro, nem mesmo para a quebra dos vidros da sede municipal. Também não se entende porque forçaram as portas do segundo andar. O que gostariam de fazer aqui dentro? Quebrar as pernas de quem está trabalhando? Apertar o pescoço do prefeito? Pendurar guardas municipais na ponta das grades usadas como arietes? Ridículo, triste.


O prefeito Fernando Haddad pode ter perdido, sim, uma oportunidade de revogação no aumento de R$ 0,20 na tarifa. Isso foi dito a ele durante a reunião com o Conselho da Cidade, iniciada às 9h30, e os representantes do Movimento Passe Livre. Haddad preferiu fazer contas que indicam a necessidade de R$ 1,4 bilhão em subsídios para atender a demanda de congelamento das passagens em R$ 3,00. E isso só esse ano. Pode-se considerar que ele deveria ter deixado para fazer contas mais tarde e, de imediato, ceder à pressão dessa gente que está lá embaixo. Mas ceder adiantaria mesmo? O que iria se pedir a partir de então? O socialismo?

Políticos do PSOL, do PSTU e até o futuro Rede Sustentabilidade, ainda na versão estudantil, mas políticos sim, dizem comandar esse movimento. Coisa nenhuma. Com a massa na rua, ninguém segura, e agora vai se culpar o Estado, dizer isso e aquilo de Dilma Rousseff, de Geraldo Alckmin, de Fernando Haddad, de “tudo o que está aí”. É um retrocesso danado. Como se tivéssemos avançado tanto, desde lá o regime militar, para chegarmos ao descontrole. Que cheiro de queimado. Que lixo!

Leia, abaixo, reportagem sobre o cerco à Prefeitura:

SP 247 - O entorno da prefeitura de São Paulo se transformou em palco de vandalismo depois que um grupo tentou invadir a sede do Executivo municipal. Enquanto um grande número de manifestantes seguia pacificamente pela Avenida Paulista, radicais depredavam os arredores do prédio. Um caminhão de link da TV Record e um posto policial localizado na área foram queimados. Também foram quebrados vidros de estabelecimentos próximos à prefeitura.

A manifestação corria pacífica até um grupo de jovens tentar invadir o prédio. Os guardas municipais que faziam a segurança, defendendo a entrada do prédio, acabaram cedendo e entraram, para se proteger atrás das portas. Após a tentativa de invasão, alguns manifestantes chegaram a recolocar as grades de proteção que estipulam o acesso até onde os manifestantes devem ir. Mas, enquanto alguns manifestantes recolocam as grades, outros voltam a derrubá-las. Às 20h, um grupo de 20 estudantes começou a jogar pedras e bombas na unidade de transmissão da TV Record, que acabaria reduzida a cinzas.

Todas as vidraças da entrada principal da prefeitura foram quebradas pelos manifestantes. Às 19h10, a bandeira da cidade de São Paulo foi tirada do mastro e rasgada diante da prefeitura. Em seguida, os manifestantes gritavam "tira a do Brasil, tira a do Brasil", buscando também tirar a bandeira brasileira. Várias pequenas brigas aconteceram entre a multidão, que queimou bonecos que representavam o prefeito Fernando Haddad e o governador Geraldo Alckmin.


Brasil 247

*

Praça da Sé: a "Praça da Revolução"


PRIMAVERA BRASILEIRA



"Ou revoga ou revoga" é o ultimato que eles dão ao prefeito paulistano Fernando Haddad, sobre o reajuste de 20 centavos na tarifa do transporte público.

E ontem, manifestações pelo Brasil afora mostraram que eles estão "contra tudo" o que representa "poder institucionalizado". Em Brasília, invadiram o Congresso Nacional. No Rio de Janeiro, a situação beirou o terrorismo. Em São Paulo, às 11 da noite eles ameaçavam o Palácio dos Bandeirantes.

E os insultos à presidenta Dilma Rousseff já começaram.

Não era "passe livre" que eles queriam? E agora querem governar o País sem ter recebido 1 voto sequer do povo brasileiro?

O que significa tudo isso?

Há partidos, grupos de poder, por trás deles?

A quem interessa desestabilizar as instituições e os governos democraticamente eleitos?

Oposição ao governo comemora e insufla. E a mídia golpista também.

E hoje tem mais. 

A Praça da Sé em São Paulo vai virar a Praça da Revolução.

Vamos acompanhar e tentar entender.





A PRAÇA TAHIR É AQUI?


LEONARDO ATTUCH



O “outono brasileiro” não tem dono, nem direção. E quem tentar se apropriar desse “movimento” será rapidamente devorado pela fúria das ruas

Quem são eles? O que querem? O que realmente motiva os milhares de jovens que tomaram as ruas das grandes cidades e, ontem, invadiram o próprio Congresso Nacional?

Serão mesmo os vinte centavos da passagens de ônibus? Ou há algo mais fundo? Há explicações para cada tipo de freguês. Para os petistas, a violência da Polícia Militar de São Paulo potencializou a reação desta segunda-feira. Para os tucanos, o que existe é uma insatisfação difusa contra os rumos do País e a precariedade dos serviços públicos.

Diante de uma catarse coletiva, sem direção e sem lideranças claras, cada grupo tenta impor sua própria agenda ao “movimento”, que, na verdade, não tem unidade alguma.

Nessa tentativa de se apropriar dos protestos, a Globo, por exemplo, enxergou um grande protesto nacional contra a PEC 37, que limita ações do Ministério Público, sem qualquer amparo na realidade. E acabou sendo alvo da fúria das ruas, diante de manifestantes que gritavam palavras de ordem contra a “Central Globo de Mentiras”.

Se a Praça Tahir é aqui, o que fica claro é que ela não tem dono. Há quem grite contra a corrupção, contra os gastos da Copa, contra a mídia e até mesmo contra as tarifas de ônibus.

No mundo político, a correnteza das ruas deixa um grande ponto de interrogação. À direita, os que ontem falavam em “baderna” hoje enxergam uma oportunidade de apontar a fúria da massa contra o PT e a presidente Dilma Rousseff. No Facebook, tanto o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso quanto o senador Aécio Neves saudaram o grito de indignação e a perspectiva de um eventual levante popular. No Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff limitou-se a elogiar o “caráter democrático” dos protestos. E o ex-presidente Lula jogou a batata quente para o prefeito Fernando Haddad, apostando numa negociação com o Movimento Passe Livre.

Mas o fato é que o poder está cercado. E a polícia, intimidada pela repercussão negativa de suas ações na semana passada. Hoje, há apenas incerteza. E quem tentar se apoderar desse movimento sera rapidamente devorado por ele.


Brasil 247

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Hoje: mais um capítulo da "Rebelião das Massas"


Cidadania é processo. Construção. 

Não espetáculo de televisão.

E manifestações de rua não constituem qualquer novidade para quem viveu os anos de chumbo, sem se acovardar, ou conhece um pouco da história recente do Brasil, quando fomos para o embate público contra a feroz ditadura militar, na luta pela redemocratização do País.


Comício das Diretas Já, Praça da Sé, São Paulo, 16 de abril de 1984. 
Um milhão e meio de manifestantes. 

Hoje está programado mais um capítulo da "Rebelião das Massas" versão 2013, contra o aumento das tarifas dos transportes, ato que deve ser transmitido ao vivo pela Globo News, emissora da mesma organização que apoiou a ditadura militar nos anos 60 e 70 e ignorou as manifestações pelas Diretas Já nos anos 80, inclusive o maior comício da história política brasileira, em São Paulo.

Por uma Revolução da Cidadania, contra o oportunismo midiático!




Opinião



Um processo lento e doloroso

A cidadania é possível apenas como resultado de uma longa e complexa trajetória histórica


Aurélio Munhoz 
                                                                                
Manifestantes no Estádio Mané Garrincha, em Brasília
Manifestantes no Estádio Mané Garrincha, em Brasília
Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Ícone da Sociologia Política Brasileira, o jurista Raymundo Faoro (1925-2003) foi um dos melhores intérpretes da alma nacional nas últimas décadas.

Da sua mente lúcida e privilegiada emergiu uma obra primorosa sobre o patronato político brasileiro: “Os donos do poder” - dois encorpados livros nos quais o autor esmiúça, lastreado por uma sólida base histórico-cultural, a gênese do modus operandi arcaico, autoritário e fisiológico da fauna política verde e amarela.

É possível dizer que o fio condutor do pensamento de Faoro em “Os donos do Poder” foi basicamente o mesmo que o inspirou a cunhar uma frase lapidar sobre a democracia brasileira: “A conquista da cidadania é um processo lento e doloroso”.


Foi este o jeito de dizer aos incautos que não se constroem verdadeiras democracias sobre os escombros de rupturas drásticas, pontuais e indolores. Nem unicamente por meio do voto ou da verborragia desenfreada e contundente.

A cidadania é possível apenas como resultado de uma longa e complexa trajetória histórica, muitas vezes permeada de medo e violência, na qual uma densa rede de fatores interage para produzir as mudanças que a sociedade deseja.

Possivelmente não há frase que traduza melhor o Brasil do recente protesto contra a tarifa do transporte coletivo em São Paulo ou das vexatórias vaias à presidenta Dilma Rousseff na abertura da Copa das Confederações, sábado passado, no agora renomeado e portentoso Estádio Nacional de Brasília. Não faltou quem tenha enxergado conexões inexistentes entre as duas manifestações, contrapondo-se aos bordões que identificam a indolência política da Nação, como os manjados “O Brasil é um gigante adormecido” ou “O povo não sabe a força que tem”.

O que Faoro nos ensina sobre estas manifestações, transportando-se sua frase para o Brasil de junho de 2013, são duas coisas essenciais para se compreender o Brasil de hoje. Mas, por favor, entenda-se: elas servem não para desqualificar as citadas manifestações, mas para nos mostrar o quanto nosso entusiasmo com certas iniciativas espontâneas da massa pode levar a avaliações precipitadas e reducionistas sobre a realidade.

A primeira é que, na verdade, o “gigante” já acordou e o está fazendo há décadas, bem antes da ocorrência do protesto sonoro contra o governo Dilma ou da manifestação reprimida pela bestialidade imposta pela PM de São Paulo.

Ele já dava o ar da sua graça nos anos 60, quando o Brasil que pensava reagiu - porém, tardiamente e sem sucesso - à entronização dos homens da caserna no poder, em março de 1964. E prosseguiu assim na década seguinte, apoiado pelos sonhos e as atitudes da moçada que curtia liberdade, mas também rock, Tropicália e uma boa dose de rebeldia, embalados pela célebre máxima “é proibido proibir”.

O mesmo ocorreu nos anos 80, quando milhões de brasileiros pediram (e conseguiram) transformar as Diretas Já no início da abertura política brasileira. E ainda nos anos 90, quando, sob a pressão dos caras-pintadas, o Congresso Nacional mandou o ex-presidente Fernando Collor de Mello de volta para sua mansão, no belo estado de Alagoas.

O corajoso movimento que pede tarifas de ônibus mais baratas país afora merece respeito, aplausos, admiração, apoio e solidariedade, especialmente os inocentes que foram agredidos pela Polícia Militar paulista. Assim como merecem respeito os torcedores que emprestaram suas vozes ao coro de vaias à presidenta Dilma Rousseff.



Mas, com o devido pedido de perdão aos milhões de otimistas e revolucionários virtuais do Facebook, as manifestações de São Paulo e de Brasília estão longe de ser um divisor de águas na cidadania brasileira, uma conjugação única e inédita de fatores histórico-sociais que resultará em uma drástica e urgente ruptura da exploração existente no carcomido modelo político-econômico nacional brasileiro. É puro exagero dizer que o povo, agora unido, finalmente começa a se rebelar nas ruas para cobrar os seus direitos e a cabeça dos poderosos em bandejas de prata.

É preciso muito mais que um conjunto de manifestações contra o transporte coletivo ou os excessos nas obras da Copa para que isto ocorra. É preciso que decorra um longo (e, como sempre, sofrido) processo histórico de construção da nossa consciência política e da cidadania, como nos ensina Faoro em sua segunda lição, para que a exploração seja banida da vida nacional. Não é o que ocorre nos protestos em análise, por mais respeitáveis que sejam.

As manifestações que ocorrem nas ruas do Brasil são muito mais a indicação de um desejo que todos nós acalentamos no nosso imaginário de libertários (o da revolução nas ruas, pelas mãos do povo) do que a tangibilização de um incipiente e irreversível movimento social de caráter nacional destinado a questionar a fundo as mazelas da sociedade brasileira.

Por enquanto, o que as pessoas fazem é protestar com veemência. Mas ainda sem a aspiração de derrubar governos ou prender empresários. E não todo o povo. Nem em todos os cantos. Nem por todas as causas, aliás. A unanimidade em torno da tarifa do transporte coletivo ou dos gastos da Copa do Mundo de 2014 ainda permanece distante no horizonte.

A manifestação de São Paulo foi tão sublime, em seu escopo, quanto o gesto dos milhões de manifestantes que pediram o impeachment do presidente do Senado, Renan Calheiros, em fevereiro deste ano. Mas não pode ser classificada de estopim de uma generalizada e vigorosa rebelião das massas, até porque não ocorreram protestos similares em situações recentes da vida nacional que justificariam uma revoada de indignações país afora.

Por exemplo, os assaltos chancelados pela economia de mercado praticados por muitos supermercados nos recentes aumentos de preços dos alimentos, que são provavelmente os principais responsáveis pela volta da inflação. Não custa dizer o óbvio: que, tanto quanto as tarifas do transporte coletivo, alimentos são produtos essenciais às vidas de todos nós. A despeito disso, porém, não se viu grupos organizados ocupando as ruas em protesto contra os supermercados ou os grandes atacadistas de alimentos. O mesmo ocorreu em relação a outros problemas mais óbvios, graves e contundentes da vida nacional.

Já o coro anti-Dilma foi prova de repúdio aos gastos exorbitantes do contribuinte na construção do Estádio Nacional de Brasília. Tem razão esta gente barulhenta de reclamar do desperdício. A construção de um novo estádio Mané Garrincha jamais poderia mesmo custar 1 bilhão de reais, embora o palco do futebol mais caro da Copa do Mundo de 2014 seja a Fonte Nova, em Salvador, que beira bizarros 2,2 bilhões.

O problema é que, ainda que corretos no mote do seu protesto, os autores das vaias perderam a oportunidade única de também satanizar gente que tem tanta responsabilidade pelas excrescências pré-Copa do Mundo quanto Dilma. Poderiam ter direcionado seu brado de revolta também a Joseph Blatter, presidente da Fifa, que fez vistas grossas aos abusos cometidos não apenas no Estádio Nacional de Brasília, mas em todos os palcos da Copa. Ou a José Maria Marin, presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), igualmente cúmplice dos exacerbados derrames de dinheiro da viúva no antigo estádio Mané Garrincha e comandante de uma das instituições esportivas mais corruptas do planeta.

É de se perguntar ainda por que os autores das vaias, quando frequentam os estádios dos seus times do coração, não dedicam o mesmo tratamento aos quadrilheiros que conduzem muitos dos clubes nacionais - uma gente que tem muito a esconder do Judiciário e que não hesita em perpetrar maracutaias fora dos gramados para manter seus clubes. Nem se constrange de sonegar impostos. Ou de usar sua voracidade para sugar o dinheiro dos governos e das grandes empresas estatais no patrocínio das suas camisas. Ou seja: se Dilma errou na condução dos preparativos para a Copa, está longe de ser a única.

É desejo de todos nós que as manifestações contra os abusos nas tarifas do transporte coletivo e nas obras da Copa do Mundo não só continuem, mas se expandam, e o façam sem a repressão de trogloditas fardados. É preciso, porém, que o foco da revolta popular seja ampliado e direcionado não só a governos (do PT, do PSDB ou de qualquer outro partido), mas também a todos os empresários facínoras - e seus prepostos - que se apropriam do aparato estatal para encher as burras de dinheiro, em todos os campos da atividade econômica, inclusive no esporte. Não apenas no quesito transporte coletivo, portanto.

Acima de tudo, contudo, é preciso compreender que a rebelião popular que alavancará as mudanças que o Brasil deseja não é exatamente um fato novo. Já ocorreu e continua ocorrendo em vários momentos da nossa história. Ainda é muito cedo para se dizer se as manifestações contra a tarifa do ônibus serão suficientes para alavancar mudanças mais significativas, mas o que parece é que - se prosseguir - este movimento só atingirá seus objetivos a longo prazo e, assim mesmo, apenas se adquirir um nível de maturidade política elevado, além de uma amplitude bem maior, envolvendo um conjunto significativo de cidadãos e de instituições representativas da sociedade civil organizada.

Ainda não é o que ocorre na sociedade brasileira de junho de 2013. Não há sinais de engajamento popular realmente massivo e rebelde, em escala nacional, nestas duas causas nobres. Em boa parte, os cidadãos permanecem inertes diante destes problemas e se contentam apenas em acompanhar as notícias pela grande mídia, junto com o lixo cultural despejado por boa parte das rádios, TVs e veículos impressos nacionais.

Os heróicos manifestantes de São Paulo e os barulhentos autores das vaias em Brasília ganharam visibilidade, o que é ótimo, mas ainda não são milhões - e, como se viu, são frágeis. A revolução da cidadania que queremos tarda a aparecer no horizonte.

*Aurélio Munhoz é graduado em Jornalismo e em Sociologia. Pós-graduado em Sociologia Política e em Gestão da Comunicação Corporativa, foi repórter, editor e colunista na imprensa do Paraná. É assessor governamental e de comunicação e presidente da ONG de educação ambiental Pense Bicho.

CartaCapital

Destaques do ABC!

Vaias a Dilma: elite tosca e sem educação


OPINIÃO 



Tem coisa que o dinheiro não compra.

Educação formal, diploma, o tal do "canudo de papel", tudo isso pode ser adquirido em módicas prestações mensais nas espeluncas universitárias que pululam em cada esquina, depois da vertiginosa expansão do ensino superior privado no governo FHC.

Mas elegância interna, respeito, educação, civilidade, boas maneiras... o tal de "berço", não está à venda em lugar algum. Ou você tem ou você não tem. Isso vem em geral da família, dos ascendentes, daqueles que nos criam e nos transmitem valores imperecíveis. E deve ser também cultivado na escola, com bons professores, professores dignos, que detenham estes valores.

Exatamente por isto esta escritora e blogueira que vos fala não concorda com o peso exagerado que os governos (todos) costumam dar à economia na gestão de um país. 

Claro que é desejável e até imprescindível a estabilidade econômica, o acesso das classes despossuídas a emprego, salários, escolas, bens de consumo, mas um governo (qualquer um) deveria se ocupar mais com o "índice de felicidade" de um povo, do que com o índice inflacionário, por exemplo. E deveria ir além, se preocupando prioritariamente com políticas que promovessem o SER, mais do que o TER.

Tem coisa que o dinheiro não compra.

Os que vaiaram a presidenta Dilma no estádio de Brasília não eram despossuídos. Era gente privilegiada, diplomada, com dinheiro no banco, casa equipada com os mais modernos eletrodomésticos, carros na garagem (até de luxo!), gente que compra em shopping, se veste com grifes famosas etc. etc. Mas não sabe se portar num evento internacional, não aprendeu a respeitar autoridades e, pior, não se deu conta de que a presidenta Dilma Rousseff, ali, representava todos nós, representava o Brasil.

Elite tosca e mesquinha.

Endinheirada, diplomada. 

Mas sem educação.






Vaia revela apenas a deselegância da elite
O Brasil, para ficar como Dilma Rousseff deseja, precisa trocar de torcida. Essa que compareceu ao Estádio Mané Garrincha, em Brasília, é inteiramente inadequada. Uma legião de Velhos do Restelo. Vindo da Suíça, terra onde o leite já sai das vacas pasteurizado, o companheiro Joseph Blatter, da Fifa, ralhou: “Onde está o respeito, onde está o fair play?”. As vaias aumentaram.

Até o desafeto José Maria Marin, da CBF, tentou salvar a cena puxando uma salva de
palmas. Os apupos prevaleceram. Bons tempos aqueles em que o futebol era o ópio do povo. Hoje, gasta-se R$ 1,2 bilhão num estádio para que ele seja usado como amplificador do pio do povo. Quanta ingratidão! O Planalto deveria considerar a hipótese de trocar a torcida brasileira por torcedores terceirizados vindos da Suíça de Blatter. São pessoas muito mais respeitosas. E que fair play!