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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

STF Ao Vivo: a Suprema "Saia Justa" de Celso de Mello


O ministro Celso de Mello, do STF, profere agora à tarde seu voto sobre a cassação de mandatos de parlamentares condenados no Julgamento do Mensalão, definição que todos aguardamos.

Na última sessão de julgamento da Ação Penal 470, o eminente decano do Supremo deu indicações claras de que seu voto acompanharia o do relator, ministro-presidente Joaquim Barbosa, ou seja, contra a autonomia da Câmara Federal, criando um embate com o Poder Legislativo e violando a Constituição da República, o que pode desfechar uma provável crise institucional, segundo alguns juristas. Mas o também eminente "Stanley Burburinho" (quem será?) descobriu que Celso de Mello já proferiu voto exatamente no sentido contrário, em 1995.

Vamos acompanhar cada palavra do ministro, para ver se ele atende as expectativas da mídia golpista ou se segue sua consciência.

Como o ministro Celso de Mello se sairá dessa suprema "saia justa"?

Acompanhem conosco!




Desespero no PIG: Dilma é Lula e Lula é Dilma


Pesquisa do Datafolha publicada ontem informa: mesmo com o bombardeio midiático nas cabeças de Lula, Dilma e Partido dos Trabalhadores, Dilma e Lula venceriam no primeiro turno as eleições de 2014

Parece que o brasileiro não está nem aí pro "caso Rose", mensalão, linchamento moral desferido pelo PIG (Partido da Imprensa Golpista) e tudo o mais.

Com Lula, 40 milhões de cidadãos saíram da pobreza, 15 milhões de empregos foram criados, 14 universidades federais e mais de 200 escolas técnicas foram instaladas, o Prouni colocou milhares de jovens nas universidades, o povo passou a almoçar, jantar, comprar em shopping e andar de avião. E Dilma dá continuidade aos programas de Lula, os amplia, cria outros e o Brasil avança.

Na esteira da emancipação econômica vem o acesso à leitura, internet, mídia alternativa... A população vem crescendo também por dentro, pensando, analisando, abrindo os olhos aos interesses mesquinhos por trás das críticas e perseguições.

A Blogosfera Cidadã, as redes sociais, a comunicação alternativa desempenham importante papel nessa transformação profunda do País e do povo brasileiro.

O Brasil mudou. 

"O tempo passou na janela" e só a mídia golpista não viu...


                                                                                    Dilma é Lula e Lula é Dilma



Datafolha: De onde vem a força de Dilma-Lula?



"Se a eleição fosse hoje, Dilma ou Lula venceriam", anuncia a manchete da "Folha" deste domingo para surpresa dos muitos analistas da grande imprensa que nos últimos meses chegaram a prever o fim da hegemonia do PT e das suas principais lideranças, que em janeiro completam dez anos no comando do país.

Após sofrer o mais violento bombardeio midiático desde a sua fundação, em 1980, o PT chega ao final de 2012, em meio do seu terceiro mandato consecutivo no Palácio do Planalto, como franco favorito para a sucessão presidencial, sem adversários à vista, segundo o Datafolha.

Os dois petistas estão praticamente empatados: Dilma teria 57% dos votos e Lula, 56%, ambos com mais votos do que todos os adversários juntos.

Na pesquisa espontânea, Lula, Dilma e o PT chegariam a 39%, enquanto os candidatos de oposição somariam apenas 7%.

A grande surpresa da pesquisa é a força demonstrada por Marina Silva (ex-PT e ex-PV), que ficaria em segundo lugar nos quatro cenários pesquisados.

O curioso é que Marina, que teve 19,3% dos votos na eleição de 2010, está há dois anos sem partido, desaparecida do noticiário político, e chega a 18% das intenções de voto na pesquisa estimulada, bem acima do principal candidato da oposição, o tucano Aécio Neves, que oscila entre 9% e 14%.

Por mais que a mídia se empenhe em jogar criador contra criatura, a verdade é que a atual presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva parecem formar uma entidade só, a "Dilmalula" - e é exatamente daí que emana a força da dupla, cada um fazendo a sua parte no intricado jogo do poder.

Dilma, que até aqui vem sendo preservada pela imprensa, mais preocupada em destruir a imagem de Lula e do seu governo, saiu esta semana em defesa do ex-presidente quando se tornaram mais violentos os ataques - e foi bastante criticada por isso.

Mas é exatamente na lealdade entre os dois, tanto pessoal como no projeto político, que se baseia esta parceria aprovada por 62% da população brasileira, de acordo com a pesquisa CNI-Ibope divulgada esta semana.

Desde a posse em janeiro do ano passado, Dilma e Lula combinaram de se encontrar a cada 15 dias para conversar pessoalmente sobre os rumos do governo, afastando assim as intrigas que costumam frequentar os salões palacianos.

O resultado está aí: com julgamento do mensalão, Operação Porto Seguro e novas denúncias contra o PT e Lula quase todos os dias, as pesquisas mostram que a grande maioria da população continua satisfeita com o governo e quer que ele continue.

No auge do bombardeio dos últimos dias, e certamente ainda sem saber os resultados das pesquisas, Gilberto Carvalho, ministro da secretaria-geral da Presidência da República, amigo tanto de Dilma como de Lula, desabafou:

"Os ataques sem limites que estão fazendo ao nosso querido presidente Lula têm um único objetivo: destruir nosso projeto, destruir o PT, destruir o nosso governo".

Pelo jeito, até agora não conseguiram. Ao contrário, apenas revelaram o tamanho do abismo que existe hoje entre o mundo real dos brasileiros, que vivem melhor do que antes, e o noticiário dos principais meios de imprensa, que coloca o país permanentemente à beira do abismo, envolvido em crises sem fim.

Isso talvez explique também porque aumentou, no mesmo Datafolha, o índice dos que não confiam na imprensa, que passou de 18% em agosto para 28% em dezembro.

Por tudo isso, penso que é hora do PT sair da defensiva e contar ao país e aos seus militantes o que está em jogo neste momento, dizendo de onde partem e com que interesses os ataques denunciados por Gilberto Carvalho.


Destaques do ABC!

mmmmmmm

domingo, 16 de dezembro de 2012

A "São Paulo apaixonante" de Fernando Haddad


Novos tempos, novos ares em São Paulo.

Saem a estupidez e a tacanhice tecnocrata e entra o Humanismo refinado. 

Paulistanos progressistas, estamos todos em contagem regressiva para a saída da mediocridade habitual e a chegada da elegância, da inteligência, da competência, da modernidade, da mudança.

Daqui a duas semanas, começa a Nova Era na cidade de São Paulo, com Fernando Haddad Prefeito da terceira capital do mundo.

"São Paulo é uma cidade apaixonante, ímpar, um centro cultural, universitário, que tem 55 países representados na culinária. Mas tem de funcionar melhor." (FH)



 Sampa de contrastes: a "selva de pedra" e o bucólico 
   Parque do Ibirapuera.


"Subprefeituras de SP vão ter mais poder, verba e autonomia"

Para prefeito eleito, cidade tem de resgatar a autoestima e apostar no eixo do Tietê

Adriana Ferraz, Bruno Paes Manso e Diego Zanchetta
   

Desde que ganhou a eleição no fim de outubro, com 3.387.720 votos, o prefeito eleito Fernando Haddad (PT), de 49 anos, já está com a agenda sobrecarregada do cargo. A duas semanas de assumir o comando da maior metrópole do Hemisfério Sul, precisa ao mesmo tempo escolher quadros, consolidar maioria na Câmara Municipal e encontrar soluções para amenizar o cotidiano cheio de problemas da cidade.
A primeira entrevista ao Estado, após formar seu time de 26 secretários, teve na sexta-feira 30 minutos cronometrados. Do lado de fora, outros repórteres esperavam na fila. "Vão ter outras além dessa?", perguntou a assessores.

Para falar de São Paulo, o uspiano graduado em Direito e pós-graduado em Economia e Filosofia gosta de pensar grande. Preferiu evitar anúncios sobre medidas a serem tomadas nos primeiros dias de governo, como preço da tarifa de ônibus ou o novo modelo de licitação da Nova Luz. Disse que vai devolver às 31 subprefeituras a autonomia para que realizem pequenas obras. Citando antigos urbanistas, explicou como pretende direcionar o desenvolvimento da cidade ao longo do traçado do Rio Tietê. E revelou estar fascinado com os projetos de revitalização do Rio, como o Porto Maravilha. Para Haddad, o paulistano tem de recuperar a autoestima, assim como ocorreu com os cariocas.

Qual será sua primeira ação após se sentar na cadeira de prefeito? 

Constituir câmaras de gestão para dar racionalidade ao governo. Vamos organizar as 26 secretarias, com exceção das que são do gabinete, como Finanças e Governo. As demais serão divididas em câmaras ligadas à cidadania e ao desenvolvimento social, urbano e administrativo. Serão quatro, organizadas para que conversem e otimizem ações.

E para a vida prática do paulistano? O que o senhor pretende fazer? 

Vou começar a buscar terrenos para construção dos três hospitais e das 172 creches que prometemos na campanha.

As enchentes prometem ser um desafio. O senhor tem um plano emergencial para elas? 

Faremos um plano de contingência. Já o encomendei a três secretarias, que serão mobilizadas no dia 2 de janeiro: Segurança Urbana, que engloba a Defesa Civil; Serviços, que cuida da varrição; e Subprefeituras.

Em janeiro passado, começou uma operação na Cracolândia. Mas o bairro continua degradado. O senhor pretende mudar o projeto Nova Luz de Kassab? 

Houve uma evolução no diálogo, a fim de se aperfeiçoar o projeto. Mas tenho uma particular restrição ao (atual) modelo, que delega o poder desapropriatório ao parceiro privado. Acho difícil achar interessados, pelo risco, que é alto do ponto de vista jurídico. Veja que o Porto Maravilha (de revitalização da zona portuária do Rio) não prevê isso.

Como adaptar esse projeto para São Paulo? 

Estamos trabalhando um conceito que envolve as duas margens do Rio Tietê. Vamos pensar em uma ou duas operações urbanas. Ou só Operação Tietê ou também Lapa-Brás. Há duas obras estruturantes que podem melhorar significativamente o equilíbrio da cidade. Entendo que essa é mais estrutural porque contribuiria para a revitalização do centro, já que o Tietê passa próximo às áreas centrais. Essas duas obras reestruturariam a cidade, como já pensava Saturnino de Brito (engenheiro carioca que trabalhou no planejamento paulistano nos anos 1920), que organizava São Paulo a partir dos rios. Totalmente diferente do que fizemos nos últimos 80 anos, quando fomos em direção ao Rio Pinheiros, destruindo tudo o que tinha pela frente.

Recuperar os rios parece um grande sonho para o senhor. 

Digo com toda a tranquilidade que é um sonho ver os rios incorporados à paisagem urbana, como em outras cidades do mundo. Temos de somar muita energia nesse projeto logo no primeiro ano.

O senhor fala em enterrar a linha de alta tensão da Eletropaulo e construir na zona norte uma avenida no estilo da Faria Lima. Como pretende fazer isso? 

Do lado sul (do Tietê), temos a Avenida Marquês de São Vicente, que é bem estruturada. Do outro, não temos. Essa outra é importante porque desembocaria no centro. Com ela, organizaríamos o espaço urbano mais nobre e degradado da cidade.

Muitos paulistanos reclamam que a cidade está descuidada. Como reverter essa imagem? 

É importante dar mais poder e mais verba às subprefeituras. Vou devolver a elas autonomia para que realizem pequenas obras. As subprefeituras foram esvaziadas e hoje não há orçamento para isso.

O senhor vai mexer nos contratos de varrição? O que achou do aditivo de R$ 360 milhões ao contrato feito neste ano pelo governo Kassab? 

É, cresceu demais. Vou ter de cobrar a boa execução desses contratos, compatível com o valor. A Prefeitura tem de aprender a lidar com esse contrato, extraindo tudo o que ele pode dar para a cidade.

O senhor vai manter a Operação Delegada (em que PMs trabalham para a Prefeitura no horário de folga)? 

Já sentei com o comandante da PM. Vamos manter a operação, mas o escopo deve ser mudado.

Não será só de combate a camelôs? 

É, hoje está muito fixada nisso, mas há uma estimativa de que outras funções possam se valer dela. Por exemplo: se um posto de saúde não tem médico por falta de segurança, um policial pode ser colocado ali para não privar a população desse serviço. A Operação Delegada pode ser uma solução.

A gestão Kassab ficou marcada por uma política de restrições. O senhor vai mantê-las? 

Não pretendo abrir mão do controle. As leis devem ser cumpridas. É preciso sinalizar isso desde o primeiro dia. Mas a administração tem a obrigação de verificar o que pode fazer para melhorar o funcionamento da cidade. Isso não quer dizer afrouxar nem endurecer.

O senhor foi um dos idealizadores dos CEUs (Centros Educacionais Unificados). Pensa em retomá-los? 

Sim, temos o compromisso de fazer 20 novas unidades.

O que São Paulo tem de melhor e de pior? 

São Paulo é uma cidade apaixonante, ímpar, um centro cultural, universitário, que tem 55 países representados na culinária. Mas tem de funcionar melhor.

Qual foi o melhor prefeito que a cidade já teve? 

A Marta (Suplicy).

Que marca quer deixar? 

O ser humano funciona por expectativas. As pessoas que moram aqui desejam saber que a cidade vai estar melhor daqui a dez anos, que vai valer a pena cada vez mais.

Assim como o carioca se sente hoje? É questão de autoestima? 

Sim, é isso. Ninguém imagina que tudo será resolvido em quatro anos, mas São Paulo precisa recuperar esse sentimento. A cidade tem de ter um rumo.



Corínthians: Bicampeão Mundial 2012


Corínthians 1  X  0  Chelsea  

O Brasil hoje é Preto e Branco!

Parabéns, Corínthians e Corintianos !

Parabéns, Brasil !!!









ooooooooooooo


São Paulo em Festa: Corínthians no Japão !!!


Cidadã brasileira e paulistana, moradora da zona leste de São Paulo, há apenas alguns quilômetros do clube e do centro de treinamento do Corínthians, provavelmente a única palmeirense no mundo a amar o "Timão" (risos), esta blogueira que vos escreve e este blog cidadão estão acompanhando a Final do Mundial de Clubes, que acontece em Yokohama, no Japão.

Ingleses assistem de casa: Corintianos são maioria no estádio. 

Futebol: Alegria do Povo Brasileiro!

O Corínthians é o Brasil no Mundial!

Vamos torcer, vamos vibrar!


Vai, Corínthians!




Acesse o site oficial do Corínthians clicando aqui.

Corínthians no Facebook: aqui.

Canal oficial do Corínthians no You Tube: aqui.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Mídia brasileira: combate à corrupção ou "caça ao Lula"?


"Há algo de muito errado ou na presidenta Dilma ou na mídia brasileira quando, para dar uma entrevista relevante, ela opta por publicações estrangeiras, como foi o caso, agora, do Le Monde. (...)

Dilma parece ter que fugir da imprensa brasileira para se manifestar.

Ela disse duas coisas importantes sobre o tema da corrupção. A primeira é óbvia: este é um drama mundial, e não brasileiro. Basta ver os levantamentos de institutos como a Transparência Internacional. (Nos últimos dez anos, aliás, a posição do Brasil na lista da TI melhorou.)

A segunda, embora óbvia também, foi parcialmente elíptica. Combater a corrupção não deve se confundir com 'caça às bruxas'.

Mais correto teria sido dizer 'caça a Lula'. (...)


Dilma fez bem em dizer isso. Foi um gesto parecido com o olhar glacial que ela endereçou a um sorridente Joaquim Barbosa no enterro de Niemeyer. É como se ela estivesse dizendo à mídia brasileira: 'Vamos deixar de hipocrisia e farisaísmo. Quem é bonzinho mesmo aí? A família Marinho? Ah, bom saber.' "





A entrevista de Dilma ao Le Monde

PAULO NOGUEIRA

Dilma parece ter descoberto que só vai conseguir mesmo ser ouvida direito na mídia internacional



Dilma com o presidente francês Hollande, em Paris


Há algo de muito errado ou na presidenta Dilma ou na mídia brasileira quando, para dar uma entrevista relevante, ela opta por publicações estrangeiras, como foi o caso, agora, do Le Monde.

Faça sua escolha.

Imaginemos que Dilma considerasse a mídia brasileira para falar o que pensa sobre a questão da corrupção e do cerco a Lula.

A qual publicação ela poderia dar uma entrevista sem que se sentisse num terreno francamente hostil? Ao Globo de Merval? À Veja de Reinaldo Azevedo? À Folha de Otavinho? Ao Estadão de Dora Kramer?

A Petrobras teve que fugir da justiça brasileira e recorrer à justiça americana para processar Paulo Francis por calúnias, num caso célebre.

Dilma parece ter que fugir da imprensa brasileira para se manifestar.

Ela disse duas coisas importantes sobre o tema da corrupção. A primeira é óbvia: este é um drama mundial, e não brasileiro. Basta ver os levantamentos de institutos como a Transparência Internacional. (Nos últimos dez anos, aliás, a posição do Brasil na lista da TI melhorou.)

A segunda, embora óbvia também, foi parcialmente elíptica. Combater a corrupção não deve se confundir com “caça às bruxas”.

Mais correto teria sido dizer “caça a Lula”.

Se você se deixa levar pelo noticiário da grande imprensa, Lula não apenas percorreu todos os degraus possíveis da escada da corrupção como está indiretamente ligado a um assassinato.

É um “mar de lama”, para usar a expressão com que o arquiconservador Carlos Lacerda martelou o governo de Getúlio Vargas.

Vargas criou o voto secreto, que impediu que industriais e fazendeiros vigiassem se seus empregados votavam em quem eles queriam. Trouxe também uma legislação trabalhista que deu direitos inéditos a trabalhadores que se esfolavam de segunda a segunda, sem férias.

Os industriais de então opuseram todo tipo de resistência aos direitos outorgados por Vargas. Vargas estava aperfeiçoando o capitalismo, assim como Ted Roosevelt fizera nos Estados Unidos duas décadas antes. Mas para os industriais brasileiros ele estava “assassinando” o capitalismo.

De tudo isso, resultou o “mar de lama”, a expressão com a qual os grandes jornais desestabilizaram o governo de Vargas até levá-lo ao suicídio, em 1954. O “mar de lama” de Lacerda era tudo – menos uma vontade genuína de extirpar a corrupção.

O patriotismo pode ser o último refúgio do canalha, como ensinou o escritor inglês Samuel Johnson. Também o “combate à corrupção”, aspas, pode ter uso sinistro, como o feito por Lacerda com seu “mar de lama”.

Vargas ainda tentou mitigar o cerco da grande imprensa da época criando condições para que surgisse um jornal com uma visão menos arcaica e menos vinculada aos interesses dos ricos, a Última Hora, de Samuel Wainer. (Wainer seria atacado por Lacerda até pelo fato de ser judeu.)

Mas não foi bastante.

A história parece estar se repetindo. Assim como houve uma caça não à corrupção mas a Getúlio Vargas, agora o que se tem é uma caça não à corrupção, e nem às bruxas, mas a Lula.

Dilma fez bem em dizer isso. Foi um gesto parecido com o olhar glacial que ela endereçou a um sorridente Joaquim Barbosa no enterro de Niemeyer. É como se ela estivesse dizendo à mídia brasileira: “Vamos deixar de hipocrisia e farisaísmo. Quem é bonzinho mesmo aí? A família Marinho? Ah, bom saber.”

Os mais otimistas podem acreditar que por trás da campanha está um propósito de moralização. Quem é menos romântico sabe que o que no fundo se deseja é o retorno a tempos em que o BNDES funcionava como pronto-socorro de empresas quebradas, à custa do contribuinte, e em que Roberto Marinho designava ministros das Comunicações depois de receber uma concessão de tevê e financiamentos estatais a juros de mãe.

Não era o capitalismo de Adam Smith, ou de David Ricardo. Era ação entre amigos. Capitalismo é risco e concorrência – e isso não havia.

As empresas brasileiras tinham reserva de mercado – algo que ainda existe, por incrível que pareça, para a mídia –, e quem pagava por essa mamata era a sociedade, obrigada a comprar produtos caros e ruins.

Os discípulos de Lacerda – nenhum com uma fração de seu talento, mas herdeiros da mesma dose colossal de maldade — continuam a se bater obstinadamente por um capitalismo que é a negação do capitalismo.

O verdadeiro capitalismo – aquele que é efetivamente sustentável – está na Escandinávia, nas admiráveis Dinamarcas, Finlândias e Noruegas da vida, terras libertárias, transparentes, pujantes, empreendedoras, competitivas, e onde ninguém é melhor que ninguém por causa da conta do banco.


Diário do Centro do Mundo

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O Be-a-bá do Golpe


“Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.”

(Eduardo Alves da Costa, No caminho, com Maiakóvski)

No terceiro milênio, na Era de Aquário, em plena sociedade planetária, digital,  a "sociedade do espetáculo", instalados em confortáveis poltronas, assistimos ao golpe estampado nas telas de alta definição das tevês, pela internet, em tempo real, ao vivo e em cores.





O Manual do Golpe de Estado



(HD) - Cúrzio Malaparte escreveu, em 1931, seu livro político mais importante, Técnica del colpo di Stato: envenenamento da opinião pública, organização de quadros, atos de provocação, terrorismo e intimidação, e, por fim, a conquista do poder. Malaparte escreveu sua obra quando os Estados Unidos ainda não haviam aprimorado os seus serviços especiais, como o FBI - fundado sete anos antes - nem criado a CIA, em 1947. De lá para cá, as coisas mudaram, e muito. Já há, no Brasil, elementos para a redação de um atualizado Manual do Golpe.

Quando o golpe parte de quem ocupa o governo, o rito é diferente de quando o golpe se desfecha contra o governo. Nos dois casos, a ação liberticida é sempre justificada como legítima defesa: contra um governo arbitrário (ou corrupto, como é mais frequente), ou do governo contra os inimigos da pátria. Em nosso caso, e de nossos vizinhos, todos os golpes contra o governo associaram as denúncias de ligações externas (com os países comunistas) às de corrupção interna.

Desde a destituição de Getúlio, em 29 de outubro de 1945, todos os golpes, no Brasil, foram orientados pelos norte-americanos, e contaram com a participação ativa de grandes jornais e emissoras de rádio. A partir da renúncia de Jânio, em 1961, a televisão passou também a ser usada. Para desfechá-los, sempre se valeram das forças armadas.

Foi assim quando Vargas já havia convocado as eleições de 2 de dezembro de 1945 para uma assembléia nacional constituinte e a sua própria sucessão. Vargas, como se sabe, apoiou a candidatura do marechal Dutra, do PSD, contra Eduardo Gomes, da UDN. Mesmo deposto, Vargas foi o maior vitorioso daquele pleito.

Em 1954, eleito pelo povo, Vargas venceu-os, ao matar-se. Não obstante isso, uma vez eleito Juscelino, eles voltaram à carga, a fim de lhe impedir a posse. A posição de uma parte ponderável das Forças Armadas, sob o comando do general Lott, liquidou-os com o contragolpe fulminante. Em 1964, contra Jango, foram vitoriosos.

A penetração das ONGs no Norte do Brasil, e a campanha de coleta de assinaturas entre a população dos 7 Grandes - orientada, também, pelo Departamento de Estado, que financiava muitas delas – para que a Amazônia fosse internacionalizada, reacenderam os brios nacionalistas das Forças Armadas. Assim, os norte-americanos decidiram não mais fomentar os golpes de estado cooptando os militares, porque eles passaram a ser inconfiáveis para eles, e não só no Brasil.

Washington optou hoje pelos golpes brancos, com apoio no Parlamento e no Poder Judiciário, como ocorreu em Honduras e no Paraguai. Articula-se a mesma técnica no Brasil. Nesse processo, a crise institucional que fomentam, entre o Supremo e o Congresso, poderá servir a seu objetivo – se os democratas dos Três Poderes se omitirem e os patriotas capitularem.


Mauro Santayana

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