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domingo, 19 de janeiro de 2014

"Rolezinhos": as ilusões perdidas


OPINIÃO



" (...) para os jovens da periferia, os rolezinhos não significam apenas 'zoar, rolar umas paqueras, pegar geral e se divertir', mas também embutem um desafio aos menos desfavorecidos, uma maneira de chocá-los e de se afirmarem. Só que se trata de um desafio bem embrionário, começando pelo fato de não renegarem o consumismo; eles apenas estão frustrados por não o poderem desfrutar tanto quanto a clientela habitual daqueles shoppings. Inexiste, portanto, um potencial contestatório equiparável ao das manifestações de rua dos nossos indignados.

Estes últimos, sim, têm tudo para se tornarem uma nova vanguarda anticapitalista, em substituição aos partidos de esquerda que hoje evitam até proferir a palavra revolução, tão domesticados estão."




Pra não dizer que não falei dos "Rolezinhos"



Luciana Genro é eloquente em sua rejeição do apartheid social:

"A repressão, inclusive juridicamente sustentada, contra os jovens da periferia que vão dar rolezinho no shopping é o momento em que a fantasia da igualdade é desfeita de forma cabal. Caiu a máscara do Direito. Eles não têm direito à igualdade jurídica com os jovens de classe média que também circulam aos bandos pelo shopping, pois os pobres não trocam, isto é, não consomem ...


... Sem consumir, são descartáveis – pois inúteis ao capitalismo – e o lugar deles é nas periferias. Mas se ousam invadir o templo do consumo, a polícia é chamada. Mesmo que não roubem, não furtem, mas se não se contentam com o seu lugar periférico e querem ocupar o espaço dos consumidores sem consumir, é para os presídios imundos (...) que eles devem ir. Polícia neles!" 



Reinaldo Azevedo, como sempre, se coloca ao lado da PM e à direita de Genghis Khan:

"Mais uma vez, a PM é vista como algoz, e 'jovens pobres, negros e da periferia', como arautos de um novo tempo. Os deserdados da 'modernização conservadora' teriam decidido invadir o espaço privado do capitalismo excludente: o shopping!

... Cada um desses nichos de opinião considera que tem o direito de impor a sua pauta ou seus hábitos ao conjunto da sociedade - se necessário, pela força. Os que fazem rolezinhos não estão cobrando mais democracia, como quer a esquerda rosa-chique. Eles manifestam, na prática, é desprezo pela cultura democrática.

... Se há, hoje, espaços de fato públicos, são os shoppings. As praças de alimentação, por exemplo, são verdadeiras ágoras da boa e saudável democratização do consumo e dos serviços. Lá estão pobres, ricos, remediados, brancos, pretos, pardos, jovens, velhos, crianças... ".



O RA, aliás, ficou à direita até do jornal da ditabranda, que lhe concede um espaço semanal para propagar seu ideário neofascista mas não quer assumir, ela própria, em seus editoriais, posições tão repulsivas, pois detonariam o pouco de credibilidade que lhe resta:

"Os encontros servem, segundo as convocações nas redes sociais, para 'zoar, rolar umas paqueras, pegar geral e se divertir'. Realizados em shoppings centers paulistanos, atraem centenas de adolescentes, em geral da periferia. 
A despeito de seu caráter festivo e despretensioso, a novidade logo incomodou lojistas, consumidores e políticos. Durante os 'rolezinhos', os adolescentes, divididos em vários grupos, caminham ou correm pelos corredores do centro de compras, cantando funk.

Não é só o corre-corre que assusta. Houve casos isolados de furto e depredação, que obviamente devem ser punidos ...

Passado o susto inicial, no entanto, essas reuniões poderiam, sem nenhum prejuízo, ser incorporadas à rotina da cidade".





MALDITOS FETICHES DO CAPITALISMO!

O que eu tenho a dizer sobre tudo isso?

Que a truculência policial jamais será contida enquanto não desmilitarizarmos o policiamento, eliminando mais este entulho autoritário que a ditadura de 1964/85 nos legou (vide aqui). As PM's invariavelmente encaram tais fenômenos sociais da forma mais preconceituosa possível, como se fossem crimes mesmo não estando capitulados como tais no Código Penal; e seus protagonistas, como inimigos a serem esmagados.

Por quê? Porque esta é a cultura militar, de quem se prepara para a guerra contra outras nações e não para a convivência com os cidadãos do seu país. O Alto Comissariado de Direitos Humanos das Nações Unidas já recomendou a extinção das PM's brasileiras, repisando o óbvio ululante: não são elas, mas sim as instituições civis, que devem lidar com os problemas dos civis numa democracia. O que falta é vontade política - eu diria até coragem - para confrontarmos o autoritarismo ainda dominante na sociedade brasileira.

Que, para os jovens da periferia, os rolezinhos não significam apenas "zoar, rolar umas paqueras, pegar geral e se divertir", mas também embutem um desafio aos menos desfavorecidos, uma maneira de chocá-los e de se afirmarem. Só que se trata de um desafio bem embrionário, começando pelo fato de não renegarem o consumismo; eles apenas estão frustrados por não o poderem desfrutar tanto quanto a clientela habitual daqueles shoppings. Inexiste, portanto, um potencial contestatório equiparável ao das manifestações de rua dos nossos indignados.

Estes últimos, sim, têm tudo para se tornarem uma nova vanguarda anticapitalista, em substituição aos partidos de esquerda que hoje evitam até proferir a palavra revolução, tão domesticados estão.

O pessoal dos rolezinhos, os gays que marcam beijaços para os shoppings e contingentes afins devem ter seus direitos humanos e civis respeitados, mas seria um erro superestimarmos seu inconformismo. Com um pouquinho de jogo de cintura, o sistema os cooptará - é exatamente o que a Folha de S. Paulo propõe, sua incorporação "à rotina da cidade".

Quanto aos shoppings, louvados pelo RA como "verdadeiras ágoras [vá ser pedante assim na ponte que partiu!!!] da boa e saudável democratização do consumo e dos serviços", são, isto sim, malditos fetiches do capitalismo! Exacerbam algumas das piores características do sistema alicerçado na exploração do homem pelo homem:


a segregação dos excluídos, com os cidadãos que ainda têm emprego/trabalho encastelando-se em espaços protegidos como os dos shoppings e dos condomínios fechados, enquanto a miséria e a barbárie grassam lá fora, entre os desempregados e marginalizados, cada vez mais relegados a uma condição subumana;

a priorização do indivíduo motorizado, a quem são oferecidas as melhores condições para se locomover de sua morada bem policiada para o edifício idem no qual trabalha e para o shopping idem em que faz quase todo o resto, sem ser obrigado a por os pés no chão das vias públicas (o que o condiciona a sentir-se seguro apenas nos espaços controlados e a temer os imprevistos das ruas, não identificando como suas iguais as pessoas que fazem parte da multidão e sendo levado a querer obsessivamente delas se diferenciar - esta maioria silenciosa de patéticos egoístas, que tentam levar vantagem sozinhos e estão se lixando para o bem comum, desempenha papel fundamental para a sobrevivência do capitalismo); e


o consumo compulsivo, induzido pelos muitos artifícios que levam os necessitados de determinado produto a acabarem adquirindo vários outros artigos, geralmente não prioritários, enforcando-se nos crediários e cartões de créditos, sendo sangrados pelos juros escorchantes e ficando eternamente prisioneiros da engrenagem capitalista.


Os shoppings nos reduzem à condição de pássaros - em gaiolas reluzentes, sim, mas sempre cativos!

É nas ruas e nas praças que podemos forjar uma realidade bem diferente.



Náufrago da Utopia

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sábado, 11 de janeiro de 2014

Roseana Sarney: US$ 150 milhões em paraíso fiscal


Como a governadora auferiu tamanha fortuna? De onde vieram os 150 milhões de dólares???!!!


Wikileaks diz que Roseana Sarney tem 150 milhões de dólares em Caimãs


Paulo Nogueira*, de Londres


Roseana com o pai José Sarney

Um documento vazado pelo Wikileaks em 2009 não mereceu nenhuma atenção da mídia e nem do governo.

É uma pena, porque ele tem um imenso interesse público.

No documento, o Wikileaks fala de um dinheiro que Roseana Sarney, governadora do Maranhão, teria nas Ilhas Caimãs, um dos mais notórios paraísos fiscais do mundo.

Roseana, segundo o Wikileaks, tinha em 1999 cerca de 150 milhões de dólares em Caimãs. Em reais, seriam cerca de 350 milhões em valores de hoje.

Você pode ver o documento aqui.

Dinheiro em paraíso fiscal é uma tragédia para a economia de um país. Primeiro, e acima de tudo, porque significa sonegação de impostos.

É com o dinheiro dos impostos que você constrói escolas, hospitais, estradas, portos, aeroportos e outras coisas que são absurdamente escassas, por exemplo, no Maranhão.

Depois, porque o envio de dinheiro para fora revela falta de confiança no país. Isto é ainda mais doloroso quando se trata de pessoas que tocam, que comandam o país. É um sinal de que tais pessoas sabem que estão fazendo um serviço abjeto em seus cargos públicos.


Um estudo escrito por James Henry, ex-economista-chefe da consultoria McKinsey, mostra que os super-ricos brasileiros tinham, em 2010, cerca de 520 bilhões de dólares (ou mais de 1 trilhão de reais) em paraísos fiscais. É quase um quarto do PIB nacional.

O trabalho foi encomendado pela Tax Justice Network (TJN), organização que combate os paraísos fiscais.

“Quando vejo os ricos brasileiros reclamando de impostos, só posso crer que estejam brincando. Porque eles remetem dinheiro para paraísos fiscais há muito tempo”, afirma John Christensen, diretor da TJN.

As coisas ficam ainda mais complicadas quando você olha para uma conta num paraíso fiscal e se pergunta: como o titular acumulou tanto dinheiro?

Vejamos um exemplo sem essa condição agravante.

Na Alemanha, o presidente do Bayern, Oli Hoeness, caiu imeditamente em desgraça quando a revista Focus publicou que ele tinha uma conta secreta na Suíça.

Hoeness não pagava imposto sobre o patrimônio escondido na Suíça, e isso foi suficiente para que fosse decretada sua prisão.

Ele pagou uma fiança de 5 milhões de euros, cerca de 15 milhões de reais, para escapar provisoriamente da prisão.

Em março, começa seu julgamento. Dificilmente ele vai de safar da cadeia. O governo alemão quer que ele seja punido exemplarmente por um motivo poderoso: você não constroi um país decente quando pessoas fazem o que Hoeness fez.

Hoeness é um homem rico. Não causou estranheza o tamanho da conta suíça – mas o fato de ele não a ter declarado.

É mais dura a situação quando você examina o documento do Wikileaks sobre Roseana. De onde vieram os 150 milhões de dólares denunciados pelo Wikileaks?

Por que ninguém investigou o caso nestes anos todos?

Sabemos os interesses da mídia. A Globo, particularmente, tem uma longa relação de amizade e parceria com a família Sarney no Maranhão.

Esqueça então a Globo.

E o governo, por que não se movimentou? Uma hipótese é que a informação – embora pública – não tenha chegado a Brasília.

Mas a alternativa mais real é a que diz respeito à assim chamada governabilidade. Mexer com os Sarneys – nem que fosse para meramente esclarecer um documento de elevado interesse público – é uma das últimas coisas que um governo que dependa do PMDB deseja.

E então nada muda e nada acontece. O preço colossal é pago, como sempre, pela sociedade.

As Jornadas de Junho mostraram que as pessoas estão cansadas dos arranjos políticos em volta da governabilidade – porque eles atrasam consideravelmente o desenvolvimento social brasileiro.

A mensagem das ruas foi entendida?

Se sim, é hora de enfrentar certas realidades desagradáveis. Se não, as ruas fatalmente voltarão a se manifestar – contra a mídia que só defende seus próprios interesses e contra a “governabilidade” que perpetua iniquidades históricas nacionais.

* O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.


Diário do Centro do Mundo

Destaques do ABC!

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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Juiz condena morador de rua por porte de "pinho sol"


JUDICIÁRIO E JUSTIÇA




Negro, morador de rua e catador de latinhas, detido durante as manifestações de junho, no Rio de Janeiro, portando um fraco de água sanitária e outro de "pinho sol", foi condenado a 5 anos de prisão [!!!!!!!!!] pelo juiz GUILHERME SHILLING POLLO DUARTE, que acolheu a denúncia em que o Ministério Público acusou o cidadão Rafael Vieira de portar "aparato incendiário ou explosivo" [!!!!!!!!!] .

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Morador de rua é condenado a 5 anos de prisão por carregar pinho sol e água sanitária


Laudo fala em "ínfima possibilidade" de produtos serem utilizados como bomba incendiária, mas juiz acatou o pedido do MP e condenou Rafael Vieira



Piero Locatelli


O morador de rua Rafael Vieira deverá passar cinco anos preso porque carregava um frasco de desinfetante Pinho Sol e outro de água sanitária durante manifestação no centro do Rio de Janeiro no dia 20 de junho.

O juiz Guilherme Shilling Pollo Duarte acatou a denúncia do Ministério Público, que o acusava de “porte de aparato incendiário ou explosivo”. “A utilização do material incendiário, no bojo de tamanha aglomeração de pessoas, é capaz de comprometer e criar risco considerável à incolumidade dos demais participantes”, diz o juiz em sua decisão, sobre o perigo dos dois frascos plásticos.

O laudo do esquadrão antibomba da Polícia Civil atestou que Vieira carregava produtos de limpeza. “[As substâncias têm] ínfima possibilidade de funcionar como coquetel molotov”, dizia o laudo feito pouco mais de um mês após a detenção. Mesmo assim, o Ministério Público seguiu entendimento de que se tratava de “material incendiário” e enquadrou Vieira no inciso III do artigo 16 do estatuto do desarmamento, que proíbe carregar ou usar “artefato explosivo ou incendiário, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar.”

Na sua decisão, Shilling cita o depoimento do policial civil Eduardo Nogueira Vieitos em que ele explica porque Vieira era suspeito: “Havia muita gente na rua, mas o réu era o único com frascos na mão”.



Prisão

Vieira foi detido ao sair de uma loja abandonada no centro do Rio de Janeiro, que estava com suas portas arrombadas antes da sua chegada. Ele foi visto com os dois frascos que, segundo o depoimento dos policiais, eram “artefatos semelhantes ao coquetel molotov”.

Os protestos tinham se multiplicado pelo país na semana da prisão de Vieira. Depois de uma noite de dura repressão em São Paulo, na quinta-feira anterior, as manifestações se massificaram e ganharam o apoio até da grande imprensa, que antes clamava por "ordem". Assim como a maioria da imprensa, o juiz também utilizou a diferenciação entre bons e maus manifestantes. "O fato ocorreu enquanto centenas de milhares de pessoas reuniam-se, pacificamente, para reivindicar a melhoria dos serviços públicos. Naquele mesmo episódio verificou-se a presença da minoria, quase inexpressiva – se comparada com o restante de manifestantes – imbuída única e exclusivamente na realização de atos de vandalismo, tendentes a descreditar e desmerecer um debate democrático."

Segundo a defesa, não havia panos na boca das garrafas (como de costume nas bombas incendiárias), ao contrário do escrito no laudo, e os recipientes de plástico jamais serviriam como molotov, já que não se estilhaçam ao quebrar no chão (argumento que também consta no laudo).

Negro, morador de rua e catador de latinhas, Vieira é o primeiro condenado dos protestos de junho no Estado. Com 26 anos de idade, Vieira já havia sido preso duas vezes por roubo, em 2006 e 2008, e cumpriu as penas completas. Ainda cabem recursos a instâncias superiores, e a defesa não se pronunciou sobre o caso. O morador de rua deverá continuar preso no complexo presidiário de Japeri, município na região metropolitana do Rio, devido ao pedido de prisão cautelar feito pelo mesmo juiz.


CartaCapital

Destaques do ABC!

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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Dilma: reeleição e no primeiro turno!


É o que vaticina o veterano jornalista Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo, Londres.

" (...) o solavanco na popularidade da presidenta Dilma Rousseff nas chamadas Jornadas de Junho era um fenômeno previsível e, sobretudo, passageiro.

Só viu ali a derrocada da candidatura de Dilma quem quis ver, ou por paixão ou simplesmente por miopia.

Dilma caminha para uma reeleição que provavelmente se dará ainda no primeiro turno.

O choque de junho pode ter um efeito revigorador para Dilma em seus próximos anos de poder."




A reeleição voltou a ficar perto de Dilma

Os números da nova pesquisa do Vox Populi mostram que queda de popularidade foi passageira.


De novo com uma vantagem enorme

O Diário não tem pretensões a pitonisa, é evidente.

Mas.

Mas, conforme dissemos lá para trás, o solavanco na popularidade da presidenta Dilma Rousseff nas chamadas Jornadas de Junho era um fenômeno previsível e, sobretudo, passageiro.

Só viu ali a derrocada da candidatura de Dilma quem quis ver, ou por paixão ou simplesmente por miopia.

Menos por seus méritos [não concordamos/ABC!] e mais pelos defeitos extraordinários da oposição, Dilma caminha para uma reeleição que provavelmente se dará ainda no primeiro turno.

Analisemos, primeiro, Dilma. Sob ela, os avanços sociais imprescindíveis para que o Brasil se torne um dia uma grande Escandinávia vieram, até aqui, numa velocidade frustrante.

Os protestos de junho – não os diminutos que enveredaram pela falácia miserável do brado anticorrupção, aspas, mas os grandes que pediram mais justiça social, sem aspas – traduziram nas ruas a insatisfação com a baixa velocidade da retirada de privilégios de quem já tem há muito tempo privilégios demais.

Dilma, por tudo que tem dito, parece ter compreendido a mensagem. Acomodar interesses retarda demais as coisas – e o Brasil tem pressa.

A forma como ela enfrentou a resistência ao Mais Médicos sugere que ela entendeu que conciliar, às vezes, é a pior escolha não para ela ou seu partido – mas para os milhões de brasileiros desvalidos.

O choque de junho pode ter um efeito revigorador para Dilma em seus próximos anos de poder.

Quanto à oposição, é uma pequena tragédia, infelizmente. Infelizmente porque uma boa oposição sempre faz bem a um país: os partidos se esforçam por serem uns melhores que os outros aos olhos do eleitor.

Mas.

O principal partido de oposição, o PSDB, não foi capaz de entender que para não se transformar em sucata tem que colocar o combate à iniquidade no topo do topo de sua agenda.

A agonia do PSDB deriva, em grande parte, da relação nefasta que seus líderes estabeleceram com a mídia tradicional.

Uma vez que para as grandes empresas jornalísticas justiça social é uma maldição, os tucanos imaginam que, fazendo dela sua prioridade, perderão o apoio maciço da mídia.

Há fundamento nesse medo. Mas a alternativa a uma mudança radical é as coisas ficarem exatamente como estão: o PSDB é empurrado pela mídia mas cada vez mais desprezado pelos eleitores.

Não há capa da Veja, não há entrevista no Jô, não há comentários de Jabor – não há nada que a mídia tradicional possa fazer para erguer o PSDB.

Por uma razão: ela caiu num enorme descrédito. Graças sobretudo à internet, que rompeu o controle de poucas famílias na divulgação de informações, os brasileiros sabem hoje que as empresas de mídia defendem, primeiro e acima de tudo, seus próprios interesses políticos e econômicos. A esses interesses privados elas dão, caprichosamente, o nome de interesses públicos.

Pausa para rir.

Por tudo isso, 2014 está provavelmente decidido para Dilma.


Diário do Centro do Mundo

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quarta-feira, 31 de julho de 2013

IDH notável: e agora, "Rebeldes sem Causa"?


GOLPE EM ANDAMENTO



" (...) a divulgação de dados sociais e econômicos mais recentes mostra que em 20 anos o país progrediu de forma notável. 
 
Num país que protesta, os dados merecem uma festa. 
 
Falando de fatos objetivos: o Índice de Desenvolvimento Humano avançou 47,5% e saiu do nível 'muito baixo' para se acomodar em patamar considerado 'alto'. A desigualdade caiu, a expectativa de vida aumentou. A qualidade de vida tinha nível muito baixo em 85% das cidades. Esse número é de 0,6% em 2010. Pergunte a um estatístico qual a redução ocorrida. Prefiro uma imagem. Se antes ocupava 86 andares de um edifício de 100 pavimentos, o 'muito baixo' agora não ocupa um único patamar inteiro. Deu para notar. Então repito: o que era 86 agora é menos do que 1."
 
"O progresso ocorreu em 20 anos de regime democrático, o mais amplo e duradouro de nossa história, quando autoridades políticas são eleitas pelo povo e não escolhidas nos quartéis."


Facebook/MPL

IDH é mosca na sopa conservadora


Paulo Moreira Leite

A divulgação de dados sociais e econômicos mais recentes mostra que em 20 anos país progrediu de forma notável

No início de junho, quando o MPL foi às ruas pedir a anulação do aumento da passagem de ônibus, eu não poderia deixar de aplaudir. Era mais do que razoável.

Uma semana depois, quando a PM paulistana transformou o protesto num banho de sangue, as famílias se juntaram a seus filhos e netos para defender a democracia. Palmas para todos. 
 
O que veio depois é um processo contrário e confuso, cuja origem e consistência aguardam explicações.
 
As grandes cidades brasileiras foram ocupadas por multidões que criaram um novo ambiente político. Prefeitos, governadores e a presidência da República foram colocados contra a parede. O mesmo aconteceu com o Congresso. A violência e o vandalismo incluíram ataques ao Itamaraty, à prefeitura de São Paulo. Semanas mais tarde, o governador Sérgio Cabral enfrentou situação semelhante – e mais dura.
 
Protesta-se contra o quê e contra quem? 
 
Aplicando uma sociologia automática, a maioria de nossos analistas justifica os protestos a partir de uma análise apocalíptica.
 
Como se o Brasil fosse a Espanha em desmanche social, ou os Estados Unidos no pior momento da crise do pós-2008, explicou-se a mobilização, o “monstro”, “a rua”, como o movimento necessário num país em atraso insuportável, num momento histórico de tragédia. Só restava ajoelhar e rezar. 
 
O problema é que a divulgação de dados sociais e econômicos mais recentes mostra que em 20 anos o país progrediu de forma notável. 
 
Num país que protesta, os dados merecem uma festa. 
 
Falando de fatos objetivos: o Índice de Desenvolvimento Humano avançou 47,5% e saiu do nível "muito baixo" para se acomodar em patamar considerado "alto". A desigualdade caiu, a expectativa de vida aumentou. A qualidade de vida tinha nível muito baixo em 85% das cidades. Esse número é de 0,6% em 2010. Pergunte a um estatístico qual a redução ocorrida. Prefiro uma imagem. Se antes ocupava 86 andares de um edifício de 100 pavimentos, o “muito baixo” agora não ocupa um único patamar inteiro. Deu para notar. Então repito: o que era 86 agora é menos do que 1.
 
O discurso oficial sobre os protestos talvez pudesse ser inteligível se essas melhoras tivessem ocorrido à margem do Estado, como obra do empreendedorismo de cidadãos abnegados num país de autoridades omissas e desonestas.
 
Errado.
 
O progresso ocorreu em 20 anos de regime democrático, o mais amplo e duradouro de nossa história, quando autoridades políticas são eleitas pelo povo e não escolhidas nos quartéis.
 
As mudanças para melhor ocorridas nos últimos anos se tornaram possíveis com a Constituição de 1988, que criou direitos sociais e definiu o combate à desigualdade e a luta por um sistema de bem-estar como um dever do Estado.
 
Dizia-se que isso era paternalismo, populismo. Olha a piada.
 
As ideias da turma do impostômetro, aquela que vive da denúncia do Estado, que quer sua redução de qualquer maneira, ficaram longe das melhorias. Foram inúteis, adereços teóricos à margem do movimento real do país. 
 
Passamos as últimas décadas ouvindo que um Estado com recursos é um estímulo ao desperdício, ao desvio, à corrupção – um entrave ao desenvolvimento.
 
O grande salto ocorreu quando a receita do Estado subiu, passando de 24% do PIB para 36% hoje. Ao contrário do que dizia a ladainha preferida dos nostálgicos da ditadura e seus tecnocratas, para quem o “Estado não gasta muito nem pouco, gasta mal”, a maior parte dos recursos foi bem empregada. 
 
Claro que houve a corrupção, o desvio. Também ocorreram falhas de visão, planejamentos estúpidos.
 
Mas é bom colocar o debate no eixo real, sem perder a noção de proporção das coisas.
 
Este progresso, que coincide com os governos de FHC e Luiz Inácio Lula da Silva, não merece ser debatido em termos de Fla-Flu.
 
Fernando Henrique foi capaz, sim, de garantir a estabilidade da moeda e condições mínimas para o funcionamento do Estado. Ajudou a consolidar o sistema financeiro, necessário para o desenvolvimento.
 
Mas o IDH não deu o salto – o que era 86 virou menos que 1 – porque se gastou pouco. Isso Roberto Campos já fizera em 64, com auxílio das baionetas militares.
 
A mudança ocorreu porque o Estado realizou ações em profundidade para favorecer a distribuição de renda, proteger o salário e os direitos dos trabalhadores, o financiamento do crescimento, o investimento no mercado interno. Se for para usar expressões econômicas, se FHC soube economizar, Lula soube dividir. São missões difíceis e desafiadoras.
 
Mas o debate não é pura economia.
 
Quando o mundo veio abaixo, em 2008, o governo brasileiro não reagiu com receitas clássicas de cortar despesas, encolher investimentos e jogar a miséria nas costas do povo. Recusou-se a transformar o Brasil numa Grécia. Rejeitou medidas tradicionais que iriam acelerar a recessão. Comparando a reação do governo FHC às crises e a reação de Lula, um estudo da Organização Internacional do Trabalho, OIT, notou a diferença. No governo do PSDB, tomavam-se medidas que favoreciam o ciclo da atividade econômica. Crescer quando o mundo crescia, cair quando o mundo caía. 
 
No governo Lula, agiu-se no contra-ciclo. Se havia o risco de recessão, investiu-se no crescimento, para impedir que o país fosse abaixo.
 
O último ano do IDH é 2010, final do mandato de Lula, quando o país crescia a 7% e a maioria das políticas sociais do país de hoje amadureceram. 
 
Falando com clareza: os dados do IDH, que retratam um período que se encerra em 2010, registram uma colossal derrota do pensamento antidemocrático brasileiro. Não sobra nada. E é por isso que, mais do que nunca, este pensamento se volta contra a democracia. Nesse terreno, da liberdade, do confronto de ideias, ele tem dificuldade para vencer. E isso é imperdoável.
 
Querem interromper a história, para tentar que seja reescrita. 
 
E é esta a questão que se coloca agora.
 
O país vive um ambiente de protesto e mobilizações radicais como há muito não se via.
 
Até o governo admite que ocorreram omissões importantes e casos graves de incompetência na definição de políticas públicas. Políticas urgentes – como a saúde pública – só foram definidas com atraso.
 
O mesmo se pode dizer para a educação e outras melhorias urgentes. Mas é bom tomar cuidado com crises artificiais e pensar quem ganha com isso. 
 
É bonito falar em gestos “simbólicos” que em teoria se destinam a “denunciar o capitalismo”, como quebrar vidraças de bancos. Mas é muito mais efetivo, do ponto de vista do povo, reduzir a taxa de juros e ampliar o crédito popular, por exemplo.
 
Nós sabemos que a violência policial é uma tragédia que atinge tantas famílias brasileiras. Deve ser apurada, investigada e punida. 
 
O caso Amarildo é uma vergonha sem tamanho. 
 
Mas vamos combinar que no Rio de Janeiro, Estado onde se constroem as UPPs, a primeira resposta coerente de autoridades brasileiras ao crime organizado, o ataque indiscriminado à polícia é uma forma de dar braço às milícias, aos bandidos, aos grandes traficantes, certo? Tudo isso em nome do que mesmo?
 
Não é difícil saber o que é melhor – ou menos ruim – para o povo.
 
Com a baderna estimulada, glamurizada, estamos falando em ações que, cedo ou tarde, irão estimular operações repressivas de maior envergadura. E aí, como aconteceu nos protestos contra o aumento dos ônibus, nós sabemos muito bem quem serão atingidos e prejudicados pela falta de liberdade. 
 
Isso porque o clima de baderna ajuda a tumultuar o sistema político.
 
A eleição de 2014 está aí, quando o eleitor terá a oportunidade de fazer seu julgamento e suas opções. Os protestos mudaram o jogo e podem mudar muito mais.
 
Há um movimento subterrâneo em curso, porém.
 
O que se quer é apagar a redução de 86 para menos que 1 e fingir que ela não ocorreu.
 
O estímulo direto às manifestações mostra até que ponto a turma do Estado mínimo pode caminhar em seu esforço para barrar um processo que contraria interesses materiais e convicções ideológicas. Pode até fingir-se de anarquista.
 
A presença ambígua de agentes de vários serviços de informação nas mobilizações ameaça ganhar um caráter perigoso, imprevisível, como acontecia às vésperas da grande derrota democrática de 1964, quando marinheiros, cabos, sargentos foram infiltrados para jogar sua energia contra o governo João Goulart.
 
Alguns eram reacionários bem treinados, prontos para ajudar a serpente da ditadura em seu veneno. Impediam acordos, soluções negociadas e pactos construtivos. Outros eram jovens radicalizados, estimulados ao confronto direto por uma compreensão errada da conjuntura e suas armadilhas, como aconteceu com tantas lideranças respeitáveis ligadas ao movimento operário e popular.
 
Os números do IDH mostram para onde o país quer andar. Também apontam um caminho. Só não vê quem não quer.


*
 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Papa: protestos, sim, mas sem manipulações


CIDADANIA, SIM. VIOLÊNCIA, NÃO!



Este blog, criado e editado por uma cidadã ativista desde os anos 70 e 80, que foi para as ruas, sozinha ou no movimento estudantil (USP), para ajudar na derrubada da ditadura militar, reconhece o direito de todos (não apenas dos jovens) a expressar suas ideias e opiniões e defender seus direitos, nas instituições (Judiciário, Polícia, Ministério Público, Corregedorias, Controladorias etc. etc.) e também publicamente, em praças, ruas, avenidas, redes sociais, blogs...

Mas...

Que sejam manifestações republicanas, sem violência, sem depredações, sem bombas ou qualquer outro artefato destrutivo, utilizando suas vozes, cartazes, músicas, criatividade. E exigindo, sim, com firmeza, tudo o que for de direito e de interesse da sociedade. Não de grupelhos.

E com respeito à diversidade de opinião, ideologia, crença religiosa, opção sexual etc. etc. E sem manipulações de neonazistas, fascistas, "viúvas e filhotes da ditadura"...

Às ruas, cidadãs e cidadãos! 

No sentido de mudar o País para melhor e defender a Democracia. Não para derrubar ou desestabilizar uma Presidenta eleita por milhões de brasileiros!

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

"Não me agrada um jovem que não protesta"


Em entrevista ao repórter Gerson Camarotti, da GloboNews, Francisco 
comenta as manifestações de rua de junho no Brasil: “O jovem 
é essencialmente um inconformista. E isso é muito lindo! É preciso 
ouvir os jovens, dar-lhes lugares para se expressar, e cuidar para que 
não sejam manipulados”. Além disso, tocou em assuntos sensíveis 
para a Igreja Católica, como os escândalos no Vaticano e a perda de fiéis

247 – Antes de embarcar para o Vaticano, o Papa Francisco abordou assuntos delicados para a Igreja, como os escândalos no Vaticano e os desafios para atrair fiéis. Em entrevista ao repórter Gerson Camarotti, da GloboNews, ele comentou também a acolhida que teve no Brasil, durante a Jornada Mundial da Juventude, e deu mais uma vez lições de humildade.

Leia, a seguir, trechos da entrevista:



Brasil e Argentina


O povo brasileiro tem um grande coração. Quanto à rivalidade, creio que já está totalmente superada. Porque negociamos bem: o Papa é argentino e Deus é brasileiro.

Pobreza x ostentação


Penso que temos que dar testemunho de uma certa simplicidade - eu diria, inclusive, de pobreza. O povo sente seu coração magoado quando nós, as pessoas consagradas, são apegadas a dinheiro.


Perda de fiéis


Não saberia explicar esse fenômeno. Vou levantar uma hipótese. Pra mim é fundamental a proximidade da Igreja. Porque a Igreja é mãe, e nem você nem eu conhecemos uma mãe por correspondência. A mãe... dá carinho, toca, beija, ama. Quando a Igreja, ocupada com mil coisas, se descuida dessa proximidade, se descuida disso e só se comunica com documentos, é como uma mãe que se comunica com seu filho por carta. Não sei se foi isso o que aconteceu no Brasil. Não sei, mas sei que em alguns lugares da Argentina que conheço isso aconteceu.


Escândalos no Vaticano


Agora mesmo, temos um escândalo de transferência de 10 ou 20 milhões de dólares de monsenhor. Belo favor faz esse senhor à Igreja, não é? Mas é preciso reconhecer que ele agiu mal, e a Igreja tem que dar a ele a punição que merece, pois agiu mal. No momento do conclave, antes temos o que chamamos congregações gerais - uma semana de reuniões dos cardeais. Naquela ocasião, falamos claramente dos problemas. Falamos de tudo. Porque estávamos sozinhos, e para saber qual era a realidade e traçar o perfil do novo Papa. E dali saíram problemas sérios, derivados em parte de tudo o que vocês conhecem: do Vatileaks e assim por diante. Havia problemas de escândalos. Mas também havia os santos. Esses homens que deram sua vida para trabalhar pela Igreja de maneira silenciosa no Conselho Apostólico.


Jovens


Com toda a franqueza lhe digo: não sei bem por que os jovens estão protestando. Esse é o primeiro ponto. Segundo ponto: um jovem que não protesta não me agrada. Porque o jovem tem a ilusão da utopia, e a utopia não é sempre ruim. A utopia é respirar e olhar adiante. O jovem é mais espontâneo, não tem tanta experiência de vida, é verdade. Mas às vezes a experiência nos freia. E ele tem mais energia para defender suas ideias. O jovem é essencialmente um inconformista. E isso é muito lindo! É preciso ouvir os jovens, dar-lhes lugares para se expressar, e cuidar para que não sejam manipulados.


Brasil 247

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quinta-feira, 25 de julho de 2013

Revolução? Esqueçam!


GOLPE EM ANDAMENTO 



"Revolução? – Esqueçam. Das idéias, táticas e projetos que difundem não surgirá uma, uma só, instituição política decente, democrática ou justa. Não é essa a raiz dessa energia que os velhotes têm medo de contrariar. É uma enorme torrente de energia, sem dúvida, mas é destrutiva tão somente. E mais: não deseja, expressamente, construir nada. Sob cartolinas e vocalizações caricaturais não se abrigam senão balbucios, gagueira argumentativa e proclamações irracionais. Os cérebros do niilismo juvenil sabem que não passam de peões, certamente alguns muitíssimo bem pagos, talvez em casa, a atrair bispos, cavalos e torres para jornadas de maior fôlego. Afinal, os principais operadores da ordem que se presumem capazes de substituir são seus pais e avós. Em cujas mansões se escondem, no Leblon e nos Jardins."


Médicas ??? Deus nos livre e guarde !!!


O futuro do atual levante niilista

Wanderley Guilherme dos Santos



Regras democráticas e direitos constitucionais não transferem suas virtudes às ações que os reivindicam como garantia. Máfias e cartéis econômicos também são organizações voluntárias e nem por isso o que perpetram encontra refúgio na teoria democrática ou em dispositivos da Constituição. Esgueirar-se entre névoas para assaltar pessoas ou residências não ilustra nenhum direito de ir e vir, assim como sitiar pessoas físicas ou jurídicas em pleno gozo de prerrogativas civis, políticas e sociais, ofendendo-as sistematicamente, nem de longe significa usufruir dos direitos de agrupamento e expressão. Parte dos rapazes e moças que atende ao chamamento niilista confunde conceitos, parte exaure a libido romântica na entrega dos corpos ao martírio dos jatos de pimenta, parte acredita que está escrevendo portentoso capítulo revolucionário. São estes os subconjuntos da boa fé mobilizada. Destinados à frustração adulta.

É falsa a sugestão de que se aproximam de uma democracia direta ou ateniense da idade clássica. Essa é a versão de jornalistas semi-cultos que ignoram como funcionaria uma democracia direta e que crêem na versão popularesca de que Atenas era governada pelo Ágora – uma espécie de Largo da Candelária repleto de mascarados e encapuzados trajando luto. Os Ágoras só tratavam de assuntos locais de cada uma das dez tribos atenienses. Em outras três instituições eram resolvidos os assuntos gerais da cidade, entre elas a Pnyx, que acolhia os primeiros seis mil atenienses homens que lá chegassem. Ali falava quem desejasse, apresentasse as propostas que bem houvessem e votos eram tomados. Os nomes dos proponentes, porém, ficavam registrados e um conselho posterior avaliava se o que foi aprovado fez bem ou mal à cidade. Se mal, seu proponente original era julgado, podendo ser condenado ao confisco de bens, exílio ou morte. A idéia de democracia direta como entrudo, confete e um cheirinho da loló é criação de analistas brasileiros.

As cicatrizes que conquistarem nos embates que buscam não semearão, metaforicamente, sequer a recompensa de despertar o País para a luta contra uma ditadura (pois inexistente), apesar de derrotados, torturados e mortos – reconhecimento recebido pelos jovens da rebelião armada da década de 70. Estão esses moços de atual boa fé, ao contrário, alimentando o monstro do fanatismo e da intolerância e ninguém os aplaudirá, no futuro, pelo ódio que agora cultivam, menos ainda pelas ruínas que conseguirem fabricar. Muito provavelmente buscarão esconder, em décadas vindouras, este presente que será o passado de que disporão. Arrependidos muitos, como vários dos participantes do maio de 68, francês, cuja inconsequência histórica (e volta dos conservadores) é discretamente omitida nos panegíricos.

Revolução? – Esqueçam. Das idéias, táticas e projetos que difundem não surgirá uma, uma só, instituição política decente, democrática ou justa. Não é essa a raiz dessa energia que os velhotes têm medo de contrariar. É uma enorme torrente de energia, sem dúvida, mas é destrutiva tão somente. E mais: não deseja, expressamente, construir nada. Sob cartolinas e vocalizações caricaturais não se abrigam senão balbucios, gagueira argumentativa e proclamações irracionais. Os cérebros do niilismo juvenil sabem que não passam de peões, certamente alguns muitíssimo bem pagos, talvez em casa, a atrair bispos, cavalos e torres para jornadas de maior fôlego. Afinal, os principais operadores da ordem que se presumem capazes de substituir são seus pais e avós. Em cujas mansões se escondem, no Leblon e nos Jardins.



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sexta-feira, 19 de julho de 2013

Mídia golpista: "A culpa é da Dilma e do PT"


GOLPE EM ANDAMENTO



"Trocentos" anos de descalabro, desigualdades e injustiças, promovidas pelas elites podres, mesquinhas, arrogantes e apátridas, em cumplicidade com o que há de mais abjeto na política, empresariado e meios de comunicação.

E agora querem "deletar" das conquistas sociais os últimos 12 anos e debitar toda a iniquidade brasileira à Presidenta Dilma e ao Partido dos Trabalhadores.

Momento grave da vida nacional.

Cidadãs e cidadãos: vamos ficar bovinamente assistindo ao golpe midiático pela Globo News, Jornal Nacional e porcarias do gênero ou vamos agir com firmeza a favor do Brasil e em defesa de uma Presidenta democraticamente eleita?

Banco de Imagens/Presidência da República

Tensão à vista

Hildegard Angel, jornalista e blogueira, fez um alerta na manhã desta quarta-feira que se concretizou à noite
A mídia conseguiu insuflar um ódio tão grande na classe média que seus filhos agora decidiram quebrar tudo. 
Manifestações se converteram em catarses de ódio e destruição. Se o povo for contaminado por essa onda de violência, o país poderá viver um período de quase guerra civil. Acho que vale a pena ouvir a opinião de Angel, que é uma pessoa sensata e profundamente preocupada com o bem estar do povo brasileiro.
"PRIMAVERA À BRASILEIRA": RADICALISMO SEM CONTROLE E, ORGANIZADOS, APENAS O CRIME E OS PENTECOSTAIS
O que me impressionou não foi o índice alto de acessos à crônica publicada aqui sobre o casamento “Bastilha” no Copacabana Palace, mas a reação raivosa, odienta, sangue na boca, de tantos e tantos que se manifestaram e ainda se manifestam.
Isso só fez reforçar minha convicção de que o momento é extremamente grave, e precisamos disso ter consciência. O radicalismo toma conta do país. Digo mais: estamos às vésperas de entrar numa guerra civil.
Fomentado pela grande mídia, o ódio da classe média manifesta-se nas mídias sociais, nas ruas, nas cartas aos jornais, nos bares, nas conversas.
Num projeto golpista, temendo a continuidade do governo PT, uma mídia irresponsável, inconsequente, com sua curta visão, fez sua audiência acreditar que todos os males crônicos do Brasil advêm da era Lula.
Corrupção, crise hospitalar, deficiência do ensino, do saneamento, mazelas que somam pelo menos cinco décadas de omissões em gestões sucessivas, se é que podemos chamá-las de “gestões”, são debitadas aos governos petistas, justamente aqueles que apresentaram e apresentam os melhores resultados no desenvolvimento econômico, na política externa, na qualidade de vida, na justiça social, no reconhecimento internacional, na distribuição de renda e em inúmeros outros méritos.
Tanto fizeram, tanto insistiram, numa campanha de tal forma poderosa, insidiosa, obsessiva, continuada, que conseguiram chegar ao cenário que pretendiam: o país desmoralizado internacionalmente, a presidenta impopular, a economia em queda, manifestações nas ruas.
Cegos, imprevidentes, imprudentes, os donos desta mídia, os membros desta sigla, PIG – Partido da Imprensa Golpista – acabam por dar o Golpe neles próprios, pois a primeira vítima é ela mesma, a mídia, que acendeu o fósforo, mas quem jogou a gasolina foi o Facebook, foi o Google. 
Só então a grande e forte mídia brasileira percebeu o quão é pequena e frágil, uma formiguinha, perto das redes sociais.
E deu no que deu: para cobrir as manifestações, só com os repórteres no alto dos prédios, dialogando com os cinegrafistas no alto dos helicópteros. Se chegassem às ruas, eram escorraçados, enxovalhados, linchados. Os microfones, pelados: não podiam exibir logomarca de emissora.
Daí que essa campanha que agora vemos em grandes jornais e redes de TV contra a espionagem americana não é por nacionalismo, é por interesses econômicos. 
Nossos big shots das comunicações abriram, enfim, os olhos e se deram conta de que o Google já fatura 50 bi contra 120 bi da mídia mundial. É uma fatia muito grande, não?
Porém, o leite derramado está: como frear esse ódio, essa sede incontrolável de vingança contra os ricos, e de modo indiscriminado, em que o joio é misturado ao trigo? 
Corruptos aos íntegros? 
Tudo junto e misturado: dinheiro ganho por debaixo dos panos sujos e dinheiro conquistado sob o lenço encharcado do suor do trabalho? Quem vai conseguir puxar esse freio?
Na hora da raiva generalizada, a riqueza dos outros é toda igual. Com o ódio vem o ressentimento das classes, das diferenças, da inveja, da ganância do bem do próximo. É o vale tudo de rua contra rua, bairro contra bairro, vizinho contra vizinho, parente contra parente, irmão contra irmão.
E quando essa ira da classe média se alastrar até os pobres, os muito pobres, os miseráveis, os iletrados, quem vai conduzi-los? Quem tem liderança, neste momento, em nosso país? Quem são nossas lideranças?
Os movimentos nas ruas já mostraram que não há quem os guie. 
As centrais sindicais convocaram greve geral e foi um fiasco. Não lideram mais. Os movimentos estudantis, igual. Acomodaram-se nestes 10 anos de ante sala do poder. 
O PT, nem se fala, bem como os partidos aliados do governo. 
Acostumados a ser oposição desde sua origem, desmobilizaram suas “massas” e não as entusiasmam mais com a mesma intensidade e velocidade de antes.
Os partidos de oposição, DEM, tucanos e correlatos, de elite, não têm liderança popular, nem sabem ter. 
Botam na rua, se muito, alguns gatos pingados. Agem na base da intriga dos punhos de renda, dos corredores, cochichando coisas nos ouvidos e nos iPhones dos editores de revistas e colunistas de jornais. Não são povo.
As únicas lideranças com poder de mobilização no país na atualidade são: 
1) O Crime Organizado;
2) As Seitas Pentecostais (Igrejas Evangélicas). Escolha seu líder…
O Crime Organizado já disse a que veio nas manifestações
São as milícias que vandalizam, a Polícia Federal já identificou. Há vídeo de policiais trocando as fardas por roupa de civis para em seguida se misturarem às passeatas. Na agitação com coquetel Molotov em frente do Maracanã, no dia do jogo da Copa das Confederações, o grupo era de milicianos, a Polícia apurou.
Com o povo nas ruas, as milícias no Rio de Janeiro retomaram sua força perdida, se reorganizaram. A ausência do secretário Beltrame neste processo de retomar o controle da situação está sendo vista, pelos observadores, como sua recusa de participar de qualquer tipo de “acordo” com essa turma para restabelecer a “ordem”.
Um retrocesso. É isso que a grande mídia do golpe conseguiu produzir para o país. 
O PIG. Manipulando a atração juvenil pelas ruas. Incensando, insuflando o ódio da classe média contra a classe operária, contra o analfabetismo dos “lulas”. 
Projetando uma imagem desfocada da realidade nacional, ao atribuir aos governos do PT as mazelas absolutas e a exclusividade da corrupção no país desde o seu Descobrimento.
O PIG atirou no próprio pé. 
Se a palavra, em inglês, não significasse Porco, eu o chamaria de Burro.
Por tudo, recomendo muita calma. Sugiro cautela. Bom senso, cabeça fria. O momento é tenso. Estamos às vésperas de o povo, o povão verdadeiro, embarcar nessa onda revoltosa, podendo se transformar numa Tsunami avassaladora, levando tudo e todos de roldão.
Para o Dia 7 de Setembro, está sendo convocada, com estardalhaço, grande manifestação nacional. Vão tentar uma “Primavera à Brasileira”. Depois disso, tudo poderá acontecer...
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