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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Fernando Haddad: "A política é feita de injustiças"


ENTREVISTA



Banco de imagens/PMSP

Haddad diz não ter arrependimentos e que espera julgamento das urnas

ELVIS PEREIRA
IVAN FINOTTI
DE SÃO PAULO


A lua de mel entre a população e o prefeito Fernando Haddad já era. "Falavam que duraria um ano. Em 2013, quem foi eleito teve três, quatro meses de lua de mel. Foi um ano atípico." A declaração surgiu durante entrevista à sãopaulo na última terça-feira, no edifício Matarazzo, sede da prefeitura, centro.

Durante uma hora, o petista de 50 anos comentou os principais momentos do primeiro ano da gestão, como as manifestações de junho, a máfia do ISS, o reajuste do IPTU, a vida de gestor da metrópole e a baixa popularidade. "Você toma uma medida dura, necessária, impopular, e tem de saber as consequências", diz ele. "Não me arrependi de nenhuma."
Mastrangelo Reino/Folhapress


Fernando Haddad durante entrevista na sede da prefeitura, centro

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O sr. está isolado politicamente?
De jeito nenhum. Até porque, se você não tem perfil para viver os altos e baixos da política... Lembro que quando tinha 3% das intenções de voto, as matérias do período eram desoladoras. [Risos] Se toma aquilo como imutável, se a dinâmica política não for algo que você incorpora no teu dia a dia, você realmente joga a toalha. Mas se entende a política... E o sabor dela é esse, o fato de que ela muda, o fato de que há uma coreografia, que tem a ver com tempo do mandato, da campanha, depende.

Um sabor que agora está um pouco amargo.
[Risos] O sabor da política é a dinâmica, não é a estática. Você toma uma medida dura, necessária, impopular, e tem de saber as consequências. Agora, se você me perguntar se me arrependi de alguma que tomei neste ano, não me arrependi de nenhuma. Todas eram necessárias para equacionar o problema de São Paulo.

A popularidade do senhor caiu, como a da Dilma e a do Alckmin, durante as manifestações. Ambos se recuperaram. O senhor, não. Por quê?

Olha, primeiro o Alckmin caiu menos e recuperou muito pouco, são 3% só de recuperação em seis meses. Acho que não dá para falar em recuperação. Enfim, os governos de Estado têm uma situação mais confortável do ponto de vista político. A população tem muita dificuldade em identificar quais são as responsabilidades do governador. Prefeito paga um preço muito alto, mas é devido, por estar muito próximo do cidadão.


E sua vida pessoal, mudou?


Procurei alterar pouco a minha rotina. Estou mais caseiro? Estou. Mas saio aos fins de semana a pé pelo bairro. Passeio com o meu cachorro normalmente, vou ao parque, à [avenida] Paulista, ao shopping, ao cinema. Procuro ter uma vida um tanto quanto possível normal. Funciona. As pessoas respeitam. Vou aos restaurantes que frequentava, vou comer um sanduíche. Procuro continuar fazendo as coisas que eu fazia.


Sua família está chateada com a sua queda de popularidade?


A minha família tem muita compreensão sobre esse jogo. E tem muita compreensão também do que nós representamos na política e quais interesses contrariamos. Ninguém tem dúvida do lado que estou, sobre para que lado jogo.


Nesta madrugada [de terça-feira passada], havia um grupo de manifestantes em frente à sua casa. Como seus vizinhos reagiram?


Olha, não sei, porque cruzei só com uma pessoa no elevador e ela estava contrariada com o que estava sendo feito na rua. Quando se mistura o público e o privado é muito ruim, né? Temos aqui uma praça pública [ao lado da prefeitura], onde as pessoas podem se manifestar livremente. Tem locais próprios para isso. A partir do momento que começa a afetar não a vida do governante, mas a de vizinhos, familiares, aí é outra coisa que está acontecendo, não é política.


O que acha disso?


Fui militante estudantil, fiz inúmeros protestos e nunca nem me ocorreu achar o endereço de alguém, porque é uma coisa que estava totalmente delimitada. Estávamos vivendo debaixo de uma ditadura. Ali, até haveria justificativa porque não havia democracia.


Apu Gomes/Folhapress


Prefeito Haddad caminha até o ponto de ônibus na região do Paraíso

As manifestações de junho ocorreram após o aumento da tarifa de ônibus. O senhor se sente culpado pelo prejuízo político ao PT?


Absolutamente, até porque entendo que a gente não pode só olhar por essa questão do eventual desgaste. Tem de olhar para frente, verificar o que esse tipo de demanda significa em termos de agenda política, como conseguir financiar, por exemplo, o subsídio à tarifa. Essas questões nunca foram discutidas no Brasil.


Mas sente animosidade dentro do partido?


Disputa interna no PT sempre vai haver. Existiu quando fui ministro da Educação, quando fui candidato a prefeito, existirá enquanto durar o meu mandato. Mas isso é uma parte. Existe essa disputa interna. Outra coisa é a militância do PT, que tem outro tipo de comportamento. A militância é a que me deu a vitória, é a que foi para a rua defender um programa de governo que, na minha opinião, transforma a cidade. Agora, foi um primeiro ano difícil, como todos os primeiros anos de uma administração. O presidente Lula, no seu primeiro ano de governo, perdeu muitos correligionários. Muita gente deixou o PT em 2003. Depois, em 2005 de novo. O presidente Lula foi reeleito e fez a sua sucessora.


Quando teve de revogar a tarifa foi uma decisão difícil, a contragosto?


Difícil. Porque sei o que ela representa para a saúde financeira [da cidade]. 
Uma das razões pelas quais me manifestei contrariamente é o fato de que não estávamos discutindo a fonte de financiamento, só a medida. Isso é um pouco ingênuo demais, imaginar que, tendo um orçamento fechado, você vai conseguir promover uma coisa dessas sem discutir com a sociedade abertamente, de forma transparente, quem financia. Me parece um traço desse movimento que, na minha opinião, pode produzir os efeitos contrários aos almejados, que é melhorar a vida da população.

Aumentar o IPTU foi uma forma de compensar o congelamento da tarifa? Gostaria que o sr. comentasse o porquê desse imposto tão alto.


Uma lei aprovada em 2009 pelo PSDB era muito mais alta do que essa. E o PSDB entrou com uma ação de inconstitucionalidade contra essa lei. O PSDB é um partido contraditório. No caso deles, o IPTU chegava a 45%. Prefiro ver a questão como uma questão de Estado. O IPTU é o que mantém a cidade. Ressalto que 50% do IPTU vão para a saúde e para educação e 16% vão para o pagamento de dívidas com a União e com precatórios. Dois terços do IPTU têm destinação certa. Então, esse papo de dizer que por causa da tarifa... Agora, é óbvio que uma parte dos recursos está aumentando para subsidiar a tarifa, para mantê-la em R$ 3.


Manterá a tarifa de ônibus congelada até 2016?


Ano eleitoral é bom para discutir temas como esse. É uma discussão menos apaixonada. Você fala: qual o nosso objetivo? A sociedade pode decidir. Vamos congelar a tarifa? Tudo bem, se ela decidir isso, vamos ter que tomar outras decisões complementares para a conta fechar. Teremos uma oportunidade no ano que vem. Não é um direito da cidade querer congelar a tarifa ou reduzir? Vamos discutir a maneira de viabilizar.


O senhor comentou que, após as manifestações, resolveu tomar algumas medidas necessárias, que julgava impopulares, como a faixa de ônibus...


Não acho a faixa de ônibus impopular. Segundo o Datafolha, tem 90% de aprovação [88% na única pesquisa, há três meses]. A única coisa que superou a aprovação do Lula foi a faixa de ônibus, segundo o Datafolha.


Se não é impopular, seria controversa?


Se fosse fácil, teriam feito antes. É que não é fácil você tomar uma medida como essa e privilegiar o transporte coletivo numa cidade caótica do ponto de vista da mobilidade. É uma decisão difícil. Agora, está correta? Na minha opinião, está. É a tendência mundial. São Paulo é criticada por ter demorado tanto tempo para tomar essa decisão. Agora, a resistência vai se organizando. As pessoas vão começar a contestar, é natural. Mas duvido que perca a aprovação da maioria.


Então, como pode uma medida tão popular, como as faixas de ônibus, não impactar nessa sua avaliação? Sente-se injustiçado?


Não trabalho com essa categoria de injustiça na política. Num certo sentido, a política é feita de injustiças. A política é assim. Não é cartesiana.


O que de fato acha que melhorou para a população neste primeiro ano?


Transporte coletivo, sem sombras de dúvida. Melhorou e vai melhorar cada vez mais. Mas ainda estamos com problemas, remanejamento de linhas, ajustes nos corredores, tem muita coisa ainda por ser feita. Mas já noto um certo alívio no que diz respeito ao tempo que as pessoas desperdiçam no deslocamento. Agora, acho que essa coisa nova de 20 pessoas bloquearem a marginal, isso prejudica muito mais o trânsito do que as faixas exclusivas. Muito mais. Quando 20 pessoas param a avenida Paulista, quando 20 pessoas param a marginal, 20 pessoas fecham a garagem de ônibus, isso sim faz com que os congestionamentos cheguem a bater recorde. A faixa exclusiva de ônibus, não.


Zanone Fraissat/Folhapress

Fernando Haddad e José Americo comemoram posse no Bar Brahma


O senhor já falou que São Paulo seria um cemitério de políticos.


Se você tem um projeto para a cidade, o que te cabe é levar até o fim e esperar o julgamento das urnas. Temos um projeto de governo. Vou levá-lo até o fim. E, aí em 2016, será julgado. Não tem problema. A beleza da democracia está aí. O ruim é você que confia num projeto abdicar dele por pressão.


Qual o tamanho da pressão que o senhor sofre hoje?


São Paulo é uma panela de pressão. Todo dia, aqui acontece um episódio importante na cidade e a versão sobre ele é disputada palmo a palmo. É incrível, a cidade é incrível.


Pode dar um exemplo?


Vou pegar um episódio recente: o Memorial da América Latina, um equipamento do Estado que pegou fogo. O equipamento e o Corpo de Bombeiros são do Estado, e a prefeitura que é chamada a prestar contas. Tudo aqui em São Paulo é muito palmo a palmo.


Todo mundo quer empurrar o problema para o outro, é mais ou menos isso?


Mas é que os demais agentes não são neutros. Não é só um jogo entre políticos, é um jogo da política, mas que envolve toda a sociedade: meios de comunicação, funcionalismo público, sindicatos... Todo mundo atua para uma determinada versão prevalecer sobre as demais, de um fato objetivo. Quer ver um outro exemplo? Ninguém combateu a corrupção como nós no primeiro ano de governo. Não tem paralelo na história de São Paulo o número de pessoas que foram presas.


Quantas?


Foram nove neste ano. Cinco até junho e quatro dessa chamada máfia do ISS. Por quê? Porque criei uma controladoria, órgão inédito na história de São Paulo. Aí, de repente, a administração tem de prestar esclarecimentos sobre uma corrupção que é da máquina pública, que envolve poucos servidores que enriqueceram brutalmente. Quiseram politizar algo que, na minha opinião, se podia ser politizado, seria no sentido de enaltecer a decisão da prefeitura. Isso ficou subordinado a uma disputa política.


De colocarem a culpa na prefeitura...


Ou na prefeitura ou na gestão passada, como se houvesse uma decisão deliberada de alguém.


Há informação de que o Antonio Donato, seu ex-secretário de Governo, teria indicado dois fiscais. O senhor soube disso quando exatamente?


Essas pessoas eram da alta cúpula do governo anterior. Você está falando do subsecretário da Receita municipal. Essas pessoas eram de muita respeitabilidade no circuito paulistano. Entregaram para mim um estudo sobre ISS da cidade antes do início da campanha eleitoral. Você está falando de pessoas com alta qualidade técnica, mas muito baixa qualidade moral. Agora, isso se descobriu no fim de março. Até então, não se sabia. Acusar Kassab, Donato, Mauro Ricardo de coisas que dificilmente qualquer um deles tinha conhecimento acho até uma irresponsabilidade.


Como reagiu ao saber da existência da máfia dos fiscais?


Veja bem, os valores envolvidos eram tão elevados... E a gente lida com muita pobreza na cidade. Quando você tem a notícia de que as pessoas que deveriam estar cuidando do Tesouro municipal, da arrecadação, estão se locupletando dessa maneira e se lembra do dia a dia, que é o contato com as pessoas que estão com dificuldade de atendimento na saúde, de creche, transporte... É um choque muito grande. Você fica realmente consternado.


Gostaria que o sr. comentasse adjetivos que dizem que falam do senhor. Dizem que é "soberbo".


É fácil apelidar qualquer pessoa. Já fui apelidado de mil coisas, não vejo dificuldades. Tenho um plano de governo, que foi apresentado para a sociedade. Querer cumprir esse plano de governo me parece razoável. Às vezes, as pessoas confundem determinação com soberba. Confundem compromisso com teimosia. É fácil mudar o sinal das coisas. Agora, devo ter mil defeitos. Quem não os têm? Devo ter muito para aprender na condução da cidade.


Outro adjetivo: "surdo".


Não tiro das pessoas o direito de recomendar mudanças. Quem é que não precisa mudar? Eu certamente terei de mudar muitas coisas. Não vejo problema com isso também. Quando falo 
da dinâmica da política, não é só o mundo externo. É também o interno. Acha que saí do Ministério da Educação do jeito que entrei? Mudou muito a minha maneira de ver o mundo ao final do meu trabalho no ministério. O trabalho é um aprendizado. Qual a dificuldade disso? Você não aprende no seu dia a dia? A política é a coisa mais dinâmica que conheço. Uma palavra te coloca no céu, um gesto te coloca nas trevas.


Esse tipo de adjetivo talvez seja porque o senhor tenha dificuldade em fazer política, ceder?


Recebo com humildade qualquer recomendação.


E o apelido "Malddad"?


Essas rimas, que são pobres espiritualmente, não merecem comentários.


O sr. mencionou que este foi um ano difícil. Então, qual o lado bom de ser prefeito?


A política tem a estatura das artes, da ciência, porque ela é um elemento de transformação da sociedade. A política pode muito. E algumas coisas só ela pode. Nada mais pode. A política é uma atividade que tem de ter a aura da nobreza. Não estamos vivendo um momento em que isso prevalece na cabeça das pessoas. O que é ruim não para a política, mas para a democracia.


O período entre a eleição e a posse foram os melhores momentos políticos da sua vida?


Quando se é eleito e não toma posse, você está mais para chefe de Estado do que para chefe de governo. Você é mais soberano do que prefeito. Agora, falavam muito de uma lua de mel que duraria um ano no governo. Neste ano, quem foi eleito teve três, quatro meses de lua de mel. Foi um ano muito atípico.


Folha Online

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Dilma sobre Bachelet: "amiga e parceira do Brasil"


MULHERES NO PODER



Presidenta e tuiteira, Dilma usou a rede social para cumprimentar a socialista Michelle Bachelet, eleita ontem Presidenta do Chile.



Dilma e Michelle na ONU Mulheres  Imagem: Google


Dilma saúda Bachelet pela vitória na eleição presidencial chilena

A presidenta Dilma Rousseff saudou, nesta segunda-feira (16), Michelle Bachelet pela sua eleição para a presidência do Chile. Dilma destacou a importância de mais uma disputa eleitoral democrática no país e que Bachelet é amiga e parceira do Brasil.

“Saúdo a senhora Michelle Bachelet pela sua eleição para presidenta do Chile. Michelle é uma amiga e parceira do Brasil. Em nome do povo brasileiro, congratulo-me com os chilenos por mais uma eleição democrática. Estou certa que o meu governo e o de Michelle Bachelet irão aprofundar ainda mais as relações entre nossos países. Brasil e Chile têm muito a cooperar e a construir juntos. Temos uma compreensão clara do papel da integração da América do Sul”, afirmou.


Blog do Planalto

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domingo, 15 de dezembro de 2013

Socialista Michelle Bachelet vence no Chile


MULHERES NO PODER








Bachelet: mais uma mulher, mais uma socialista


REVOLUÇÃO MUNDIAL



O mundo está mudando.

A polaridade está sendo trocada.

Saem a força, a agressividade, a frieza, o racionalismo exacerbado da energia masculina, com toda sua carga histórica de atrocidades. Começa a adentrar o cenário internacional, sutilmente, a inteligência, a leveza, a amorosidade da energia feminina, com todo o seu potencial de acolhimento aos mais frágeis.

Dilma aqui, Cristina na Argentina, Michelle no Chile...

América Latina mostrando ao mundo os novos rumos.

Vamos acompanhar as eleições de hoje no Chile e ver se os prognósticos de vitória para Michelle Bachelet se confirmam.

Momento histórico para a cidadania planetária.



                                                   Michelle Bachelet                 Google



Chile vai às urnas com Bachelet como favorita absoluta



Ex-presidente socialista tem 66% das intenções de voto na disputa contra a conservadora Matthei, de acordo com as últimas pesquisas

GUILHERME RUSSO, ENVIADO ESPECIAL / SANTIAGO - O Estado de S. Paulo

Desencanto e apatia são as palavras mais repetidas por eleitores e analistas políticos do Chile em relação ao segundo turno das eleições para a presidência do país, que ocorrem hoje. Pela primeira vez, os chilenos não são obrigados a votar na disputa presidencial - a votação anterior, em novembro, teve a participação de pouco mais da metade do eleitorado.

Em razão disso, o comparecimento às urnas no segundo turno é considerado a grande incógnita dessa votação.

Com até 66% das intenções de voto, segundo pesquisas mais recentes, a ex-presidente Michelle Bachelet, da coalizão de centro-esquerda Nova Maioria, deverá vencer com ampla vantagem a sua rival, a conservadora Evelyn Matthei, da Aliança, de centro-direita, que varia em torno dos 34% das preferências nas sondagens.

Em razão disso, potenciais eleitores tanto da socialista como da conservadora devem optar por não votar. "Quem não tem tanta simpatia pela Bachelet dificilmente irá às urnas, pois a vitória dela é tida como certa. O mesmo ocorre com a direita, mas ao revés: esses eleitores estão convencidos de que vão perder e por isso, possivelmente, não votarão", afirmou ao Estado o cientista político Cristobal Aninat, diretor da consultoria chilena Congress Watch.

"A grande dúvida é quantas pessoas vão votar. Se algum analista disser que tem alguma informação sobre isso, não acredite, porque é a primeira vez que praticamos o voto voluntário para presidente", disse.

Desde o início da campanha, ambas as candidatas enfatizaram em seus discursos o chamado para que o eleitorado vote. Analistas que arriscam previsões falam em uma menor participação dos eleitores no segundo turno.

"Há um desinteresse muito grande entre a juventude. A abstenção será alta. Os jovens do Chile têm contradições vitais. Protestam por melhorias, mas não votam. A classe política está muito desprestigiada", disse o comunicador social Ernesto Medina, presidente do Movimento Cidadão "Aqui, as Pessoas", que na quinta-feira fazia campanha para Bachelet na esquina entre o Paseo Ahumada e o Paseo Huérfanos, no centro de Santiago.

A poucos metros dali, correligionários de Matthei gritavam o principal bordão da candidata: "Sim, é possível (Sí, se puede)". Na opinião do cientista político Juan Pablo Fuentealva, que coordenava a concentração, "a abstenção não é um problema apenas chileno, é um fenômeno internacional".


"O Chile está vivendo sua pior crise de representatividade", opinou a professora de história Macarena Arce, que disse ter participado dos protestos por educação gratuita e de qualidade ocorridos durante a presidência do conservador Sebastián Piñera, afirmando que não votará hoje.

"Meu voto não tem maior nem menor influência", disse o professor de música Matías Reimer, de 31 anos, que também afirmou que não vai votar, apesar de ter reivindicado mudanças nas ruas santiaguinas. O Estado conversou com outras dez pessoas no centro de Santiago, com faixas etárias semelhantes e nenhuma delas afirmou que votaria hoje.

À parte os dois grupos em campanha, as ruas do centro da capital mostravam pouquíssimos sinais de uma disputa eleitoral em andamento. Apenas no entorno do Palácio de La Moneda, sede do Executivo chileno, os cartazes com fotos e slogans das candidatas se acumulavam, principalmente na Avenida Libertador General Bernardo O'Higgins - popularmente conhecida como Alameda.

De acordo com especialistas em política chilena, a baixa participação do eleitorado hoje, no cenário de Bachelet presidente, trará problemas para a líder socialista implementar as reformas que promete fazer - no sistema educacional, tributário e na Constituição do Chile. Com menos cacife político, Bachelet, cuja coalizão controla 55% dos assentos de ambas as Casas do Congresso, precisaria obter apoio de moderados e independentes para ter maioria qualificada necessária para a aprovação de grande parte das mudanças que pretende aplicar.


Estadão Online

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sábado, 14 de dezembro de 2013

Dirceu, preso; Jefferson, solto. Um escárnio...


JUDICIÁRIO E JUSTIÇA



Não é de hoje que dizemos aqui: o Judiciário brasileiro é uma lástima, um descalabro.

Elitista, patrimonialista, aristocrático, oligárquico, retrógrado, tacanho, fechado, obtuso, antidemocrático... e por aí vai.

Quem nos acompanha aqui no ABC! sabe que desde 2011 pedimos a democratização da Justiça, a derrubada da "Ditadura do Judiciário".

As más línguas, defensoras da bandidagem que lesa a blogueira, até em autos de processos atacam esta cidadã, futricando que Sonia Amorim "atira lama" no Judiciário.

Não "atiro lama". Emito opinião. Garantia constitucional.

Quem emporcalha o Judiciário brasileiro é sua banda podre. Por vezes em conluio com a banda podre da advocacia.




DIRCEU: UM MÊS PRESO; JEFFERSON: UM MÊS SOLTO


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Justiça brasileira se supera no paradoxo; condenados na mesma Ação Penal, ex-deputados José Dirceu e Roberto Jefferson completam um mês de destinos diametralmente opostos; no Complexo da Papuda, no quente Distrito Federal, ex-presidente do PT experimenta regime fechado como qualquer preso comum; Jefferson, curtindo seu sítio Jardins Ana Lucia, na aprazível Levi Gasparian (RJ), anda de moto, comemorou esta semana a classificação do Botafogo à Copa Libertadores e fez seus advogados registrarem oficialmente que ele não pode ir para a cadeia em razão da dieta que inclui salmão defumado, suco batido com água de coco e leite com baixa lactose; escárnio ou aproveitamento no limite das contradições da Justiça brasileira, tristemente famosa por tratar uns como mais iguais que outros 

247 – De capacete preto e bigodinho, Roberto Jefferson parou por instantes sua moto em frente ao seu sítio Jardim Ana Lúcia, na aprazível Levi Gasparian, interior do Rio de Janeiro, próximo à divisa de Minas Gerais, e concedeu à tevê uma de suas muitas entrevistas dos últimos dias.

Tranquilo e, vez e outra, com a camisa do Botafogo, bem à vontade, Jefferson completa neste sábado 14 um mês de liberdade desde que, na mesma ação penal em que foi condenado a 7 anos e 14 dias em regime semiaberto, seu colega José Dirceu foi encarcerado em regime fechado, indo parar no Complexo da Papuda, na calorenta Brasília. Ali, o ex-presidente do PT é mais um preso comum, com água fria no chuveiro, banho de sol restrito e isolado do mundo exterior.

O ministro Marco Aurélio Mello explicou, questionado sobre a disparidade no tratamento dado pela Justiça, por meio da caneta do presidente do STF, Joaquim Barbosa, aos dois condenados, que as penas são distribuídas "homeopaticamente". Feita sob medida para o bem estar de Jefferson até aqui e o mal estar de Dirceu desde o primeiro autógrafo nos decretos de prisão, a homeopatia de Barbosa gera efeitos diretos e colaterais.

Consolidam-se as interpretações de que estão sendo usados pelo menos dois pesos e duas medidas para punir os condenados e seu delator. O benefício evidente é todo de Jefferson.

De seu sítio, ele vem narrando todos os passos de sua defesa, mas não apenas. Chegou a recomendar aos juízes do Supremo o voto contrário à Adin da OAB que visa acabar com o financiamento de campanhas eleitorais com o dinheiro de empresas e doadores privados. Antes, alegou que não poderia cumprir pena no presídio da Papuda porque não pertenceria ao mesmo meio dos outros presos. "O ambiente seria muito hostil para mim", ironizou.

Em seus desafios nada sutis ao cumprimento da Justiça, ou alegrando-se com a falta do decreto contra si próprio, Jefferson, é certo, quer prosseguir nessa situação. Primeiro ele alegou fragilidade de saúde, mas uma junta médica garantiu que o ex-presidente do PTB não enfrenta problemas graves. Agora, seus advogados registram oficialmente que o condenado não pode cumprir pena em prisão – mas apenas em casa – em razão de sua dieta alimentar: salmão defumado, geleia real, suco batido com água de coco, leite com baixa lactose.

Joaquim Barbosa deverá decidir se Jefferson tem direito ao que pede, isto é, ficar em casa para manter sua alimentação saudável. É bem capaz que Barbosa queira começar a melhorar a qualidade do regime domiciliar exatamente pelo caso exemplar de Roberto Jefferson, premiando-o pela iniciativa. 

Façam suas apostas.


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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

São Paulo: Elites Podres X "IPTU dos Pobres"


LUTA DE CLASSES NA CIDADE DE SÃO PAULO



Mais um round.

De um lado, os medíocres de sempre: elites ignorantes, mesquinhas, apátridas, historicamente promotoras de miséria, injustiça e iniquidade. A chamada "Casa Grande", o 1%. Acrescida de um bando de "novos ricos", muitos semi-analfabetos, de um caipirismo atroz, empapuçados de tanto comer, imbecilizados de tanto comprar, deslumbrados com tranqueiras eletrônicas, carros de luxo e porcarias afins, gente cujo único deus se chama "dinheiro".

De outro lado, a maioria da população. Os 99%. Desvalidos. A "senzala".

Como é duro e feroz este embate.

ABC! torcendo pela vitória do Prefeito Fernando Haddad, que será uma vitória de toda a cidadania.



 Eles nunca desistem. Mas não é fácil...


O caso do IPTU de SP mostra como é duro fazer coisas pelos pobres no Brasil


Paulo Nogueira*





Não é fácil

É difícil fazer coisas para os pobres no Brasil.

O 1% não gosta. Não deixa.

Getúlio criou as leis trabalhistas. Impediu a exploração de menores pelas empresas. Estabeleceu férias. Tornou secreto o voto, o que acabou com a farra dos patrões que acompanhavam seus funcionários na cabine eleitoral para checar se eles escolhiam quem era para eles escolherem. Fora isso, GV estendeu o voto às mulheres.

Getúlio terminou morto.

Jango, como ministro do Trabalho de GV, no começo dos anos 1950, acabou com a prática segundo a qual greve era coisa de polícia. Obrigou as empresas a negociar com os sindicatos em caso de confronto.

Mais tarde, como presidente, criou o 13.o salário, tratado pelo Globo numa manchete antológica como um grave risco ao país.

Jango terminou deposto.

As coisas não mudaram tanto assim.

Veja, por exemplo, o “IPTU dos Pobres”, que Haddad vem tentando com imensas dificuldades emplacar em São Paulo.

Os moradores dos 25 bairros mais pobres de São Paulo pagariam menos IPTU. No Parque do Carmo, por exemplo, o imposto se reduziria em 12%.

Os moradores dos bairros mais “nobres” pagariam mais pela excelente razão de que podem mais.

Mas quem tem voz não são as pessoas da periferia. São os privilegiados.

E então começou uma monstruosa resistência contra o IPTU dos Pobres. A Justiça de SP, absolutamente alinhada aos privilegiados, acabou vetando o projeto.

Agora a prefeitura deve recorrer ao STF.

Mas um momento: como você espera que vai votar Gilmar Mendes, classificado pela jornalista Eliane Cantanhede, num perfil bajulador escrito tempos atrás para uma revista da Folha, como “muito tucano”?

Ou Joaquim Barbosa? Ou Fux?

Com quem eles estão? Com os desvalidos? Bem, pausa para gargalhadas.

O ponto positivo, aí, é a insistência de Haddad. Você não faz nada pelos desvalidos sem lutar, lutar e ainda lutar contra grupos extraordinariamente acostumados a mamatas do Estado.

Por coisas assim, considero o Mais Médicos a coisa mais importante deste ano. Como sempre, houve uma reação formidável contra o projeto.

Médicos que jamais iriam pensar em trabalhar em cidadezinhas remotas se ergueram contra o programa.

A mídia corporativa fez seu habitual papel abjeto de defensora dos privilégios, e não do interesse público. Lideranças médicas infestaram as páginas de jornais e revistas para tentar matar o Mais Médicos.

Mas o governo – ao contrário de outras ocasiões, em que hesitou diante da resistência conservadora – foi adiante.

Os médicos cubanos hoje são amados pelos desvalidos brasileiros. Não apenas eles têm alguém que os atenda mas também se sentem queridos pelos médicos cubanos, um sentimento jamais despertado pelos doutores brasileiros, subtraídas as exceções de sempre.

Não.

Não é fácil ajudar os pobres no Brasil.

Torço, daqui de meu canto, para que o IPTU dos Pobres afinal triunfe, ainda que todas as probabilidades apontem para a direção oposta.

* O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.


Diário do Centro do Mundo

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"O Estado brasileiro não aceita tortura contra qualquer cidadão", diz Dilma


DIREITOS HUMANOS


“Apesar de termos ratificado a convenção das Nações Unidas contra a tortura e seu protocolo adicional, é necessário reconhecer que a tortura continua existindo em nosso País”, afirmou Dilma nesta quinta-feira 12, durante cerimônia no Fórum Mundial de Direitos Humanos. 

“Eu, que experimentei a tortura, sei o que ela significa de desrespeito à mais elementar condição de humanidade de uma pessoa. Estamos determinados a mudar esse quadro.”

“Esta é a razão para celebrarmos a regulamentação da lei que instituiu o sistema nacional de prevenção e combate à tortura. O Estado brasileiro não aceita nem aceitará práticas de tortura contra qualquer cidadão."

“Estamos construindo um Brasil onde os direitos humanos estejam garantidos, onde a tolerância seja regra, onde o respeito ao princípio da vida seja básico e fundamental.”

Presidenta Dilma, ministra das Mulheres, Eleonora Menicucci, e ministra 
dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, entregam prêmio a Maria da Penha, 
categoria Igualdade de Gênero    Foto: Roberto Stuckert Filho/PR


Fórum de Direitos Humanos
"A tortura continua existindo no País", diz Dilma

Em cerimônia marcada por protestos contra a violência do Estado, presidenta lembrou da tortura na ditadura e foi cobrada pela desmilitarização da polícia

Marsílea Gombata 



Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Presidenta Dilma Rousseff cumprimenta o deputado Nilmário 
Miranda Fernandes, vencedor na categoria "enfrentamento à tortura", 
durante cerimônia de entrega do Prêmio Direitos Humanos 2013

No dia em que entregou a 19ª edição do Prêmio de Direitos Humanos e assinou o documento que institui o Sistema Nacional de Enfrentamento à Tortura, em Brasília, a presidenta Dilma Rousseff lembrou que a tortura continua sendo parte do cotidiano brasileiro. “Apesar de termos ratificado a convenção das Nações Unidas contra a tortura e seu protocolo adicional, é necessário reconhecer que a tortura continua existindo em nosso País”, afirmou Dilma nesta quinta-feira 12, durante cerimônia no Fórum Mundial de Direitos Humanos. “Eu, que experimentei a tortura, sei o que ela significa de desrespeito à mais elementar condição de humanidade de uma pessoa. Estamos determinados a mudar esse quadro.”

A presidenta afirmou que seu governo está empenhado em garantir “condições para que a Constituição, que proíbe qualquer cidadão de ser submetido à tortura ou a tratamento desumano, seja respeitada”. “Esta é a razão para celebrarmos a regulamentação da lei que instituiu o sistema nacional de prevenção e combate à tortura. O Estado brasileiro não aceita nem aceitará práticas de tortura contra qualquer cidadão."

A cerimônia foi marcada pela entrega de 25 prêmios a personalidades, como Maria da Penha, cuja história de violência doméstica deu origem à legislação que protege mulheres; o jornalista André Caramante, que sofreu ameaças depois de denunciar a existência de grupos de extermínio constituídos por policiais e ex-policias; e Debora Maria da Silva, fundadora do Movimento Mães de Maio. A fala de Dilma foi acompanhada quase todo o tempo por frases de protestos como “Chega de alegria, a polícia mata gente todo dia” e “Não acabou, tem que acabar, quero o fim da Polícia Militar”, proferidas por manifestantes que estavam entre os cerca de 2 mil presentes no auditório principal do Centro Internacional de Convenções do Brasil.

O discurso de Dilma foi feito logo depois da fala de Debora Maria da Silva, cuja rede de mães, famílias e amigos de vítimas milita contra a violência do Estado, em especial aquela cometida por agentes de segurança pública de São Paulo. “A voz dessa mãe é a voz das mães das vítimas do Estado brasileiro. Não é uma mera coincidência eu receber esse troféu que não é nosso, mas sim de todas as vítimas do Estado brasileiro, da mão do ministro da Justiça. Essa justiça que não aparece para nós pobres, negros, periféricos”, proclamou antes de ser aplaudida. “Quando a gente tem democracia com a polícia militarizada temos uma falsa democracia. A gente comemora o fim da ditadura, mas esqueceram de avisar para a polícia que a ditadura acabou.”

O evento, organizado pela Secretaria de Direitos Humanos, teve tom de comício de campanha eleitoral durante a fala inicial da ministra Maria do Rosário. “Antes mesmo do nosso governo, através do presidente Lula, dissemos ao mundo que a lógica do Estado mínimo, que naturaliza a pobreza e a exclusão, a morte e a violência, não serve aos povos e não servia ao povo brasileiro. Hoje somos milhões vivendo uma nova realidade”, relembrou.

Dilma citou o líder anti apartheid Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, morto na semana passada, e defendeu as políticas do governo petista. “Falar do Mandela nos lembra valores como tolerância e pluralismo, nos compromete com a construção de uma sociedade livre com todas as formas de violência”, disse. Dilma frisou a importância de políticas afirmativas para enfrentar preconceitos e desigualdades que marcam a sociedade brasileira. “Estamos construindo um Brasil onde os direitos humanos estejam garantidos, onde a tolerância seja regra, onde o respeito ao princípio da vida seja básico e fundamental.”



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