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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Quem tem medo da Verdade?

A propósito da aprovação e implementação da Comissão da Verdade proposta pela ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, reproduzimos abaixo artigo do jornalista e professor Emiliano José.


Tortura e verdade


A pretensão de sepultar o assunto da tortura, do assassinato e do desaparecimento de pessoas durante a ditadura é vã. É sempre o velho gesto de jogar a sujeira para debaixo do tapete. Por Emiliano José. Foto: Elza Fiúza/Abr

A pretensão de sepultar o assunto da tortura, do assassinato e do desaparecimento de pessoas durante a ditadura é vã. É sempre o velho gesto de jogar a sujeira para debaixo do tapete, tentar ignorar os fatos da história. Eles voltam, os fatos, por mais que se faça a tentativa de ignorá-los. Até porque, não houvesse outros aspectos mais amplos, há a dor, a viuvez de tanta gente, a mãe que ainda chora, o filho ou a filha que não viu o pai, as tantas pessoas que não puderam sequer enterrar os seus entes queridos, enterrados ninguém sabe onde, assassinados sempre de maneira cruel, sempre sob a covardia da tortura.  

Novamente, e mais uma vez, logo que a nova ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, defendeu a aprovação pelo Congresso Nacional da Comissão da Verdade para esclarecer os crimes cometidos contra adversários políticos durante a ditadura, vozes dentro do próprio governo federal se levantaram para contraditá-la. Isso já havia ocorrido, e faz pouco tempo, quando o então ministro Paulo Vannuchi defendera posição semelhante, inclusive a imprescritibilidade do crime da tortura. Creio que é preciso situar corretamente a questão para não incorrermos em equívocos históricos e conceituais. E reafirmar que o crime de tortura é imprescritível e que nenhuma nação pode deixar de apurar os crimes cometidos durante uma ditadura. Tal procedimento é da tradição democrática.

O general José Élito Siqueira saiu-se com o argumento de que sendo o 31 de março um dado histórico, “os desaparecidos são história da nação, de que nós não temos que nos envergonhar ou vangloriar”. O raciocínio é pobre e equivocado. E carrega a crueldade dos defensores da ditadura. Imaginemos que alguém, depois da derrota de Hitler, viesse a público para dizer que o nazismo era simplesmente um fato histórico e que os fornos de Auschwitz não deveriam representar qualquer vergonha e nem deveriam ser motivo de vanglória.

A ditadura é um dado histórico que envergonha profundamente a nação brasileira. Diante dela, ninguém que professe a democracia e que seja fiel à história pode ficar indiferente e deixar de repudiá-la até para que nunca mais se repita. E os seus crimes devem e têm que ser apurados, como têm feito nossos irmãos latino-americanos, como o fizeram os democratas e comunistas que venceram a batalha contra o nazismo.

O ministro Nelson Jobim, que sempre teve lado nesse caso, disse que a Comissão da Verdade deveria também avaliar as ações desenvolvidas pelos “movimentos guerrilheiros”, como ele chamou. Decerto está querendo que os milhares de torturados, presos, e condenados sejam submetidos, quem sabe a novos julgamentos e a novas punições. O que as diversas organizações políticas de luta contra a ditadura faziam, não custa lembrar isso a um Jobim que um dia se disse constitucionalista, era exercer o direito de insurgência e resistência que é próprio do liberalismo moderno. Do liberalismo, insistamos. Talvez fosse o caso de lembrar a luta armada que determinou o surgimento dos EUA, para não darmos dezenas de outros exemplos. A ditadura rompeu com o Estado de Direito pela violência, de modo ilegal, e era um direito básico o da insurgência.

No raciocínio do general e de Jobim, caberia rever a história mundial recente, e julgar todos os que se envolveram no impressionante movimento anticolonial, que determinou a libertação de tantos países mundo afora, particularmente no território africano. O que se cobra, o que se tem feito em toda a América Latina é o julgamento dos que cometeram genocídios, dos que mataram covardemente pessoas na tortura, que fizeram desaparecer pessoas, e o exemplo mais recente é o de Rafael Videla, condenado à prisão perpétua na Argentina. A anistia, como determinou recentemente a OEA em relação ao Brasil, não alcança torturadores, contrariamente à opinião do STF.

Uma nação não pode sufocar a verdade. E nem pretender deixar de ajuizar todos os fatos históricos. Alguém poderia justificar a escravidão, a ignomínia da escravidão no Brasil? Não. Como não pode deixar de repudiar, de levantar todos os crimes cometidos pelos agentes da ditadura que torturaram e mataram pessoas. Só isso. Paulo Sérgio Pinheiro escreveu artigo recente no jornal Folha de S. Paulo (17.1.2011., p. 3) onde apropriadamente diz que o passado nunca está morto.

Mais: quanto a este assunto, nem passado é ainda. Ainda recuperando o que diz o ex-secretário de Direitos Humanos do governo Fernando Henrique Cardoso, cabe lembrar que o pai do general-presidente da ditadura, João Batista de Figueiredo, então deputado Euclydes Figueiredo, em 1946, requereu a criação de uma comissão de inquérito que examinasse os crimes do Estado Novo. A comissão, a primeira comissão da verdade, foi criada, mas não funcionou por falta de quorum – ou seja, não havia vontade política suficiente para fazê-la funcionar.

A Comissão da Verdade proposta pelo então presidente Lula, acolhendo sugestão do ministro Paulo Vannuchi, visa o esclarecimento histórico dos horrores praticados pela ditadura, situando tudo no contexto ampliado daquela circunstância histórica de triste memória. Não tem caráter de revanche. Não tem qualquer mandato judicial. Não há, ali, réus sendo julgados. Só pretende a verdade, não mais do que a verdade. A nós, e parafraseio Gramsci, só interessa única e exclusivamente a verdade. Esta Comissão, como também revela Paulo Sérgio Pinheiro, acolhe o melhor das 40 comissões da verdade no mundo, a indicar o quão ampla é, e o quanto tem sido normal o procedimento. Argentina, Chile, Bolívia, Peru, por exemplo, viveram essa experiência.

A pergunta que não quer calar é: quem tem medo da verdade?
 

Triste notícia para a bandidagem engravatada

Notícia auspiciosa para todos os cidadãos de bem deste País, para a democracia e a cidadania: o blog Conversa Afiada, do jornalista da Rede Record e blogueiro Paulo Henrique Amorim, informa que o juiz Fausto De Sanctis tomará posse no Tribunal Regional Federal de São Paulo na próxima segunda-feira, dia 31.


O destemido juiz, aliás paulistano da Mooca, que todos queriam ver atuando no STF, aqui em São Paulo fará parte da Quinta Turma do Tribunal e julgará causas cíveis e, mais importante, criminais!!!

O jornalista-blogueiro termina a curta notícia com um alerta: "Criminosos do colarinho branco, tremei!"

Nós, aqui, do Abra a Boca, Cidadão!, que admiramos a coragem, a dignidade e a hombridade de verdadeiros servidores públicos como o delegado e deputado Protógenes "Satiagraha" Queiroz e o juiz Fausto De Sanctis, que trabalhamos sempre ao longo de anos pela construção da cidadania, pelo irrestrito respeito ao ordenamento jurídico, e que lutamos pela "faxina" geral da banda podre do Judiciário e da administração pública em todos os níveis e esferas, engrossamos o coro:

Bandidagem engravatada: os dias de "glória" de vocês todos estão contados! Vocês estão "em estado terminal", tumores malignos que são, incrustados no tecido social! Ratos e ratazanas: dia virá em que vocês voltarão para o esgoto fétido de onde nunca deveriam ter saído! Maçãs podres da fruteira: não está longe o dia em que todos vocês serão lançados, sem dó nem piedade, à lata de lixo da sociedade e da história!

Foto: Wikipédia

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Dilma e a mídia futriqueira


A mídia golpista e futriqueira anda inquieta com as pequenas aparições públicas da presidenta Dilma, e se assanha sempre que vê oportunidade de farejar e pinçar algum elemento que possa "semear a discórdia", "criar clima", desestabilizar.

Ontem foi uma ocasião para isso, com a vinda da presidenta a São Paulo para a entrega da Medalha 25 de janeiro ao ex-vice-presidente José Alencar. Leiam a notícia, onde estão destacadas e comentadas as deduções que este blog considera despropositadas, simples devaneios de um "jornalismo" futriqueiro.


Dilma já trata Kassab como aliado e faz críticas indiretas a tucanos de SP

Julia Duailibi/O Estado de S. Paulo

A iminente ida de Gilberto Kassab para o PMDB, partido da base governista, levou a presidente da República, Dilma Rousseff, a elogiar o prefeito paulistano e a destacar investimentos na capital, ao mesmo tempo em que criticou, de maneira indireta, o PSDB. [Será? Ou teria sido apenas educação e cortesia da presidenta, em agradecimento ao convite?]

A presidente cumprimentou Kassab (DEM) "com muito carinho" e disse estar "honrada" com o convite feito por ele [pois é...] para participar nesta terça, 25, da cerimônia em comemoração ao 457.º aniversário de São Paulo, na sede da Prefeitura, na qual foi entregue a Medalha 25 de Janeiro ao ex-vice-presidente José Alencar, que luta contra um câncer há 13 anos.

Além de Dilma e Alencar, estavam com Kassab no palco montado na Prefeitura o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), e o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), com quem o prefeito mantém conversas sobre a troca de partido. Ontem, os dois conversaram rapidamente na presença de Alckmin.

Sentados lado a lado, Kassab e Lula falaram bastante durante a cerimônia. O prefeito concedera a mesma medalha ao ex-presidente em 2010 - à ocasião, também fez a homenagem ao ex-governador José Serra (PSDB).

Tanto Dilma como Lula são entusiastas da ida de Kassab, que está na oposição, para o PMDB. Ambos avaliam que a troca de partido enfraqueceria o PSDB em São Paulo, principal bastião oposicionista no maior colégio eleitoral do País. [Este blog desconhece qualquer manifestação de Lula e Dilma a respeito. E preferiria ver Kassab longe do governo Dilma.] Nas últimas cinco eleições, o PT não quebrou a hegemonia tucana no Estado.

Kassab pediu aos peemedebistas discrição nas negociações. Quer tornar pública a decisão apenas depois de 15 de março, quando ocorrerá convenção nacional do DEM para a escolha da nova direção. Caso não consiga emplacar a troca de comando no partido, Kassab terá um argumento forte para abandonar a legenda.

O prefeito disse às lideranças tucanas que pretende mesmo mudar para o PMDB, legenda que lhe daria fôlego para projetos políticos maiores, como a disputa pelo governo paulista em 2014 [Que Deus nos livre e guarde!]. Aos aliados afirmou que, mesmo no novo partido, pretende manter a aliança com o PSDB.

Na cerimônia, a presidente Dilma afirmou ainda que "junto" com Kassab vai "continuar esse processo de investimentos" feitos pelo governo federal na capital paulista. [E daí? Queriam que ela dissesse o quê? Nada mais "natural"... Ela é a Presidenta da República; ele o prefeito da maior cidade do País.] Sem citar os tucanos, que governam São Paulo há 16 anos, Dilma disse que o Estado ainda tem "desafios" a enfrentar com a população de mais baixa renda.

"Fico extremamente feliz de estar aqui em São Paulo e de que seja aqui que esta medalha esteja sendo entregue a José Alencar, porque justamente aqui temos um dos Estados mais desenvolvidos do nosso País. Mas, ao mesmo tempo, temos tantos desafios em relação à situação do nosso povo mais pobre", disse.

A presidente ainda destacou que o País está no "rumo certo" e que essa trajetória teria sido "construída" por Lula e Alencar. Não mencionou o nome do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) [e por que "mencionaria", se ela pensa diferente e não é "tucana" como a mídia?!...] que também foi um dos homenageados com a medalha ontem - o tucano não compareceu à cerimônia porque estava em viagem fora do País.

"Os dois presidentes (Lula e José Alencar) que não tinham diploma universitário mostraram um compromisso com a educação, como diz o nosso querido presidente Lula, ‘nunca dantes visto na história deste país’", completou Dilma. [Aqui concordamos: foi uma "alfinetada" na intelectualidade tucanística...]

No final de seu discurso, a presidente dirigiu-se brevemente a Alckmin [e se demoraria por quê? Quem conferiu a Medalha foram o Prefeito e a aniversariante cidade de São Paulo... nada a ver com o governador/estado]: "Queria dizer ao governador que estamos prontos para continuar a parceria entre o governo federal e o governo do Estado." [A presidenta foi até delicada, atenciosa, com os paulistas, incluindo essa referência em seu discurso...] Pouco antes, o tucano disse receber Dilma com "alegria" e desejar a ela um "ótimo mandato". "Contem com São Paulo", completou Alckmin.

Portal O Estado


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

São Paulo, 457 anos: comemorar o quê?

Paulista e paulistana, esta blogueira-cidadã sente "orgulho bom" de ter nascido e viver na cidade de São Paulo.

Terra de contrastes. Riquíssima em alguns recantos aprazíveis, de primeiro mundo. Miserável em outros tantos lugares, centrais ou periféricos.

Filha de nordestino e paulista do Vale do Paraíba, esta blogueira nasceu, cresceu e viveu a maior parte dos seus 57 anos de vida na chamada "ZL", zona leste de São Paulo, a região mais populosa, mais carente, mais abandonada pelo poder público, mais castigada pela ignorância, incompetência e desamor dos que constitucionalmente têm o dever de cuidar da cidade e de seus habitantes.

São Paulo é belíssima, vibrante, complexa, rica, viva, fascinante. Mas há anos vem se tornando triste, suja, encardida, condição devida ao desrespeito, menoscabo, ausência quase geral de comprometimento público de seus administradores.

A cidade e o estado estão nas mãos da fina flor do demotucanato, como se sabe. São cerca de 20 anos de atraso, tacanhice, obscurantismo, arrogância, prepotência... travestidos de pseudointelectualidade.

Enchentes, alagamentos, deslizamentos, sucessivos e inexplicáveis incêndios em favelas, lixo, muito lixo, imundícies de toda a espécie. Inclusive a pior delas: a sujeira moral de gestores comprometidos apenas com seus interesses mais mesquinhos.

Aqui, na maior e mais próspera cidade do País, por incrível que possa parecer, acreditem!, a necessidade da construção da cidadania se faz a mais radical, a mais premente, urgentíssima! Antes que as sombras e as trevas tomem conta de tudo. 

O Brasil inteiro está aqui. O mundo inteiro também. Tudo aqui é grande, gigantesco, exponencial. A corrupção e a criminalidade engravatadas também.

E numa cidade cuja riqueza assanha tantos interesses, inclusive os mais espúrios e inconfessáveis, com tanta legislação moderna, comissão disso e daquilo, ouvidorias mil, o supra-sumo da civilidade... o pobre cidadão e a pobre cidadã são obrigados a "conviver" com a tacanhice, a falta de compostura, o despreparo, a desfaçatez, a ignorância, o abuso de poder. De uma casta de "servidores" públicos que se julga acima das leis.


Uma "tragédia" anunciada

Há um ano, nas vésperas da cidade comemorar mais um aniversário, um fato lamentável ocorreu num dos quintais da região leste de São Paulo, mais precisamente no bairro de Engenheiro Goulart, Penha, muito próximo do Parque Ecológico do Tietê: uma cerejeira-do-campo (Eugenia involucrata), nativa, centenária, que ainda florescia e frutificava todos os anos, e que vinha sofrendo maus-tratos provocados pela fúria, psicopatia e ignorância de sua "dona", professora do ensino público, foi criminosamente derrubada, sem dó nem piedade, como se diz, com a cumplicidade de agentes públicos municipais e de veículos de comunicação da velha mídia, que não consideraram o fato digno sequer de registro. É bom que se diga: árvore, sobretudo como esta, é "bem de interesse público", protegido pela legislação.

Esta blogueira-cidadã, até então apenas cidadã leitora de blogs e da mídia em geral, tomou uma série de medidas a propósito. Antes, durante e depois do descalabro. Alertou, avisou, pediu ajuda, gritou, denunciou. Para amigos, conhecidos, estudiosos, particulares, jornalistas e "otoridades" públicas. "Botou a boca no trombone." Exerceu seus direitos de cidadania, pedindo apoio, explicações, questionando, acionando diversas esferas... 

O que esta blogueira-cidadã auferiu com tudo isso?

Aborrecimentos, constrangimento ilegal, ameaças, tentativas de atentado, truculência, violência moral e psicológica.

Os "servidores" públicos e a "dona" da árvore continuam indo "muito bem, obrigado"...

A seguir, algumas imagens da violência feroz, delinquente e irreparada.


 A cerejeira, 1 semana antes do crime


                                                              Começa o descalabro...


                                                                   Não há mais copa...


 Crime consumado













Presidenta Dilma em São Paulo hoje

Hoje a cidade de São Paulo, fundada em 1554, comemora 457 anos.

A cidade está em festa. Vários eventos foram programados. Entre eles, a entrega da Medalha 25 de Janeiro ao ex-vice-presidente da República José Alencar.

Pela agenda oficial, está confirmada a vinda da presidenta Dilma Rousseff hoje a São Paulo para a cerimônia.


Presidente Lula e presidente eleita, Dilma Rousseff, visitam o vice-presidente José Alencar, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. _ (São Paulo,SP,13/11/2010) _ Foto: Ricardo Stuckert/PR
                       Dilma e Lula em visita a Alencar em 13.11.10 Foto: Ricardo Stuckert/PR

Agraciado com a Medalha 25 de Janeiro, que homenageia personalidades que prestaram relevantes serviços à cidade ou à sociedade, José Alencar manifestou o desejo de recebê-la das mãos da presidenta Dilma, que carinhosamente atenderá logo mais o pedido de Alencar.

A presidenta deve sair de Brasília às 10 h, chegar em Congonhas às 11:30 h, e deverá participar da homenagem a José Alencar por volta das 12:20 h, no prédio da Prefeitura da Cidade de São Paulo, no viaduto do Chá, centro da cidade.


Atualização

A presidenta Dilma, emocionada, entregou a Medalha 25 de Janeiro a José Alencar. Ambos discursaram. O ex-presidente Lula também esteve presente, mas não discursou nem falou com a imprensa.

Presidenta Dilma Rousseff, o vice-presidente Michel Temer e o ex-presidente Lula durante cerimônia de entrega da Medalha 25 de Janeiro ao ex-vice-presidente José Alencar
                                                                             Foto: Ricardo Stuckert Filho/PR

Mais informações, fotos e íntegra do discurso de Dilma no Blog do Planalto e no site da Secretaria de Imprensa da Presidência da República.





segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Mulheres, Brasileiras e Poderosas...

A presidenta Dilma Rousseff recebeu hoje no Palácio do Planalto a melhor jogadora de futebol do mundo, a "brasileiríssima Marta", e ganhou de presente da jogadora uma camisa número 10 do Santos, onde Marta joga no momento.

Presidenta Dilma Rousseff recebe camisa autografada pela jogadora de futebol Marta, durante encontro no Palácio do Planalto _ (Brasília, DF, 24/01/2011) _ Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
                                                             Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
         
Ao receber o prêmio de melhor jogadora do ano dias atrás, Marta foi homenageada com cumprimentos por meio de nota oficial da Presidência da República, publicada no Blog do Planalto, sendo chamada de "brasileiríssima" pela presidenta Dilma.

Construindo a Cidadania

Cidadania "não vem pronta", não "cai do céu"...

É uma conquista diária, uma "construção".

E como construção, é uma "obra" sempre inacabada, sempre por fazer.

Não bastam leis, códigos, avançados ordenamentos jurídicos. É preciso exercitar diariamente os direitos fixados pela legislação, fazendo com que sejam reconhecidos também na vida cotidiana.

Abaixo mais um texto "iniciático", com alguns conceitos elementares, básicos, sobre a cidadania e seu exercício.


O que é Cidadania


A origem da palavra cidadania vem do latim “civitas”, que quer dizer cidade. A palavra cidadania foi usada na Roma antiga para indicar a situação política de uma pessoa e os direitos que essa pessoa tinha ou podia exercer.

Segundo Dalmo Dallari: “A cidadania expressa um conjunto de direitos que dá à pessoa a possibilidade de participar ativamente da vida e do governo de seu povo. Quem não tem cidadania está marginalizado ou excluído da vida social e da tomada de decisões, ficando numa posição de inferioridade dentro do grupo social”. (DALLARI, Direitos Humanos e Cidadania. São Paulo: Moderna, 1998. p. 14)

No Brasil, estamos gestando a nossa cidadania. Damos passos importantes com o processo de redemocratização e a Constituição de 1988. Mas, muito temos que andar. Ainda predomina uma visão reducionista da cidadania (votar, e de forma obrigatória, pagar os impostos... ou seja, fazer coisas que nos são impostas) e encontramos muitas barreiras culturais e históricas para a vivência da cidadania. Somos filhos e filhas de uma nação nascida sob o signo da cruz e da espada, acostumados a apanhar calados, a dizer sempre “sim senhô", a «engolir sapos”, a achar “normal” as injustiças, a termos um “jeitinho’ para tudo, a não levar a sério a coisa pública, a pensar que direitos são privilégios e exigi-los é ser boçal e metido, a pensar que Deus é brasileiro e se as coisas estão como estão é por vontade Dele.

Os direitos que temos não nos foram conferidos, mas conquistados. Muitas vezes compreendemos os direitos como uma concessão, um favor de quem está em cima para os que estão em baixo. Contudo, a cidadania não nos é dada, ela é construída e conquistada a partir da nossa capacidade de organização, participação e intervenção social.

A cidadania não surge do nada como um toque de mágica, nem tão pouco a simples conquista legal de alguns direitos significa a realização destes direitos. É necessário que o cidadão participe, seja ativo, faça valer os seus direitos. Simplesmente porque existe o Código do Consumidor, automaticamente deixarão de existir os desrespeitos aos direitos do consumidor ou então estes direitos se tornarão efetivos? Não! Se o cidadão não se apropriar desses direitos fazendo-os valer, esses serão letra morta, ficarão só no papel.

Construir cidadania é também construir novas relações e consciências. A cidadania é algo que não se aprende com os livros, mas com a convivência, na vida social e pública. É no convívio do dia-a-dia que exercitamos a nossa cidadania, através das relações que estabelecemos com os outros, com a coisa pública e o próprio meio ambiente. A cidadania deve ser perpassada por temáticas como a solidariedade, a democracia, os direitos humanos, a ecologia, a ética.

A cidadania é tarefa que não termina. A cidadania não é como um dever de casa, onde faço a minha parte, apresento e pronto, acabou. Enquanto seres inacabados que somos, sempre estaremos buscando, descobrindo, criando e tomando consciência mais ampla dos direitos. Nunca poderemos chegar e entregar a tarefa pronta, pois novos desafios na vida social surgirão, demandando novas conquistas e, portanto, mais cidadania.

Do Portal
DHnet