Cidadania, Comunicação e Direitos Humanos * Judiciário e Justiça * Liberdade de Expressão * Mídia Digital Editoria/Sônia Amorim: ativista, blogueira, escritora, professora universitária, palestrante e "canalhóloga" Desafinando o Coro dos Contentes...
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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Começa julgamento do CNJ no STF
Quem vencerá: interesses mesquinhos dos magistrados ou os do Povo Brasileiro?
Fiquemos atentos!
15: 06 h: Ministro Marco Aurélio Mello, Relator, tem a palavra...
Dizem que a Corte está dividida, que há um empate técnico, e que a estreante Rosa Weber, indicada pela presidenta Dilma, poderá desempatar. Vamos torcer! Que desempate a favor do Povo Brasileiro!...
15:22 h Sustentação oral da AMB, Associação de Magistrados Brasileiros.
15:36 h Ophir Cavalcante, Presidente da OAB, defendendo o CNJ...
O CNJ deu transparência ao Judiciário... pois cuida da Justiça real... E aí houve uma reação de um "segmento da magistratura", que se abriga sob o "guarda-chuva" da autonomia, confundindo autonomia com soberania...
Dr. Ophir é interrompido (tempo esgotado) pelo ministro Peluso, justamente no momento em que lembrava palavras do ministro alertando para o perigo do corporativismo... e encerra se dirigindo aos ministros, indagando "Que Justiça o Brasil merece?"
15:53 h Advocacia Geral da União, Luís Inácio Lucena Adams...
O CNJ tem agido com enorme controle e parcimônia... em cooperação com os tribunais de origem das denúncias... não houve devassa, na questão das "movimentações atípicas"... pede a improcedência da liminar e da Adin...
16:07 h Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, com a palavra...
"O que levou à criação de conselhos como o CNJ e o do Ministério Público", pergunta o Procurador. E ele mesmo responde: "O notório déficit de atuação das corregedorias locais"... Encerra pedindo o "não referendo" da decisão do eminente relator.
16:23 h Sessão suspensa por 20 minutos...
16:57 h O relator, ministro Marco Aurélio Mello, retoma a palavra...
17:35 h Ministro Cezar Peluso interrompe o relator e a temperatura sobe no Plenário, ao discutirem a "competência normativa" do CNJ quanto aos tribunais locais... Entram na discussão Celso Mello, Fux, Toffoli, Brito, Mendes...
18:30 h Ministro Cezar Peluso suspende o julgamento, que continuará amanhã, "salvo motivo de força maior"...
*Dizem que vhá
STF: devolva o CNJ ao Povo Brasileiro!
É hoje. Está marcado para hoje.
1o. de Fevereiro de 2012.
O Supremo Tribunal Federal deve julgar a Adin 4638 da AMB, Associação de Magistrados Brasileiros, impetrada contra a corregedora Eliana Calmon, contra o Conselho Nacional de Justiça e contra o Povo Brasileiro.
O Abra a Boca, Cidadão! assumiu esta causa desde a primeira hora, no final de setembro de 2011, quando o presidente do STF, ministro Cezar Peluso, tentou amordaçar e calar, com uma nota de repúdio, a combativa, corajosa, intrépida, destemida e ousada cidadã-ministra-corregedora ELIANA CALMON, logo depois que a Grande Mulher da Justiça se manifestou em entrevista afirmando que há infiltração de "Bandidos de Toga" no Judiciário.
De lá pra cá, foi um "deus-nos-acuda". Desespero geral nas "hostes inimigas", tentando difamar, desmoralizar, desqualificar, constranger, intimidar e silenciar o "Furacão Eliana".
O ORGULHO DA MAGISTRATURA BRASILEIRA, com o apoio das cidadãs e cidadãos, Indignadas e Indignados, que inundaram seu gabinete no CNJ e as redes sociais de mensagens de apoio e solidariedade, se manteve firme e forte nessa verdadeira "guerra" da Primavera Judiciária.
E hoje deve acontecer uma das "batalhas" cruciais.
No detalhe:
Fiquemos todos atentos, com nossos olhos e ouvidos voltados para o Planalto Central, a Praça dos Três Poderes. O Mais Poderoso dos Poderes da República vai se pronunciar. Os 11 Senhores de Toga, da mais alta Corte de Justiça brasileira, vão dizer, em alto e bom som, de que lado estão: se se posicionam a favor de interesses mesquinhos de magistrados que não querem ser investigados e se recusam a prestar contas de suas atividades ou se cumprem sua missão de Guardiões da Constituição Cidadã e se alinham com os verdadeiros interesses do Povo Brasileiro, de quem são simples servidores.
Acompanhemos atentamente a votação de cada ministra e ministro, para que saibamos quem está verdadeiramente do lado do Brasil e da cidadania brasileira.
O CNJ é do Povo Brasileiro !
*
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Judiciário sub judice
RETROSPECTIVA "ELIANA CALMON 2011"
A seguir, mais um post dos que vêm sendo publicados desde setembro último pelo ABC! sobre o embate que se instalou entre um Judiciário arcaico, elitista, antidemocrático e a proposta de moralização e modernização do Judiciário, representada pela altaneira ministra-corregedora-cidadã Eliana Calmon, Corregedora Nacional de Justiça.
Post publicado em 7 de outubro deste ano.
Judiciário sub judice
Enquanto aguardamos o dia em que o Supremo Tribunal Federal apreciará a Adin que pretende impor restrições à atuação do Conselho Nacional de Justiça na investigação de juízes e desembargadores, o ABC! continua atento, acompanhando o desenrolar dos fatos, declarações e reflexões provocados pela afirmação bombástica da ministra-corregedora Eliana Calmon, que chacoalhou os pilares do Judiciário ao alertar que há "bandidos de toga" nos tribunais brasileiros.
A mulher certa no lugar certo e na hora certa. Juíza de carreira, a ministra conhece os meandros deste Poder e sabe muito bem do que está falando.
O ABC!, blog ativista e cidadão, dedicado entre outros temas a contemplar a Justiça, os direitos humanos e a cidadania, e esta blogueira, vítima de um Judiciário no mínimo "moroso", apoiam incondicionalmente a ministra-corregedora Eliana Calmon, em sua cruzada para a moralização do Judiciário.
Na cúpula do Judiciário, duas vertentes opostas que se batem. A primeira encarna o valor democrático da transparência, a outra prefere o conforto do corpo opaco. A transparência do Estado tornou-se indispensável para o aprimoramento da normalidade democrática. Resistir a ela significa resistir à modernização das instituições. Acontece que, em capítulos cruciais da História recente - a nossa narrativa histórica -, o Judiciário, infelizmente, aparece como um signo que se alinha aos que preferem a opacidade.
Essa associação de sentidos não ocorre porque os jornalistas são maldosos. Ela é natural. É lógica. O problema não está na intenção oculta dos relatos, mas na significação expressa dos fatos que se sucedem. Basta olhar para eles.
Sabemos que uma das distinções estruturais entre as democracias e os regimes totalitários tem que ver exatamente com isto: enquanto nas primeiras os cidadãos têm direito à privacidade pessoal assim como têm o direito de fiscalizar os negócios do Estado, nos segundos o Estado é opaco, blindado ao olhar do público, e dispõe de instrumentos para bisbilhotar a intimidade de toda a gente. Daí ser tão grave que a imagem do Poder Judiciário apareça com frequência associada àqueles que são inimigos da transparência.
Essa associação nefasta se manifesta em pelo menos dois eixos do noticiário.
O primeiro é o da censura judicial. O Judiciário, ainda que por decisões minoritárias, vem aparecendo como um fator que impede a publicação de dezenas de reportagens cujos temas são, predominantemente, investigações jornalísticas sobre atos suspeitos da administração pública. Para quê? Para proteger políticos que não admitem prestar contas. Num tempo em que a censura foi extinta constitucionalmente, alguns juízes entram em cena como guardiães de uma reserva ecológica da censura, prejudicando grandes jornais e pequenos blogs, ferindo o direito à informação do público, beneficiando oligarquias que rechaçam qualquer fiscalização.
No segundo eixo, esse que explodiu nas manchetes há uma semana, temos as tentativas de esvaziar o poder de investigação de atos das próprias autoridades judiciárias. Isso transpareceu, há mais tempo, de modo mais discreto, na oposição à ideia de controle externo, representada pela criação do CNJ. Hoje, o mesmo traço se escancara na tentativa de esvaziar o poder desse órgão.
Aí está o fundamento da crise de imagem. O restante é consequência. O restante aparece como privilégios que dependem da opacidade. O noticiário grita: juízes querem ganhar acima do teto, juízes que praticaram crimes são "punidos" apenas com aposentadoria. Por tudo isso, a imagem do Judiciário está sub judice. E essa é a notícia mais triste de todas.
A seguir, mais um artigo sobre a crise no mais poderoso, fechado, arcaico e elitista dos três poderes e sua imagem na mídia.
O Judiciário e sua imagem em transe
Eugênio Bucci*
A imagem do Poder Judiciário no Brasil está sub judice. Em coisa de poucos dias, entrou num transe midiático. Não se sabe onde vai parar. Nem como. Nem se. Há uma semana, a tensão que vinha sendo administrada como assunto interno dos juízes explodiu nas manchetes. A percepção que os brasileiros têm dos seus magistrados não será mais a mesma.
Estamos passando por um terremoto simbólico, que vem abalando os significados mais tradicionais da instituição. Há apenas uma semana, as placas tectônicas que serviam de alicerce ao edifício da Justiça no Brasil começaram a trepidar em público. Surgiram fissuras no chão dos tribunais: disjunções de sentido encheram o ar de incertezas - éticas, mais que jurídicas. Ministros das altas Cortes descuidaram do linguajar polido, a ponderação e a prudência abriram lugar para discursos raivosos. Juízes deixaram de falar como árbitros. Agora, eles se exasperam como partes inflamadas. Os jurisconsultos, aos quais cabe fazer justiça, atiram-se na arena pública para clamar por... justiça. Justo eles. Diante do noticiário, o homem comum se pergunta: a quem reclamarão seus direitos os jurisconsultos ofendidos? Ao povo?
Mas o noticiário não responde. As capas dos jornais lançam novas dúvidas. O diálogo entre ministros do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) deixa de lado a serenidade. Eliana Calmon, corregedora do órgão, falou de "bandidos que se escondem atrás da toga". Em referência ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), foi jocosa: "Sabe quando vou inspecionar o TJSP? No dia em que o sargento Garcia prender o Zorro". Em resposta, o ministro Cezar Peluso, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e também do CNJ, qualificou as declarações de sua colega como "um atentado ao Estado Democrático de Direito". E disse mais: "Em 40 anos de magistratura, nunca li uma coisa tão grave".
A situação, porém, é mais grave do que a leitura que o ministro Peluso faz dela. As palavras que ele leu são apenas o reflexo de um deslocamento mais profundo, tectônico. Fosse apenas o vernáculo, seria simples. Lembremos que, há poucos anos, os ministros Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes se insultaram no plenário do Supremo e nem por isso a imagem da instituição sofreu arranhões mais comprometedores. Ambos passaram por deselegantes, talvez, mas o Poder que representam saiu incólume. Agora o cenário é outro. A turbulência não se reduz a destemperos verbais: resulta do afloramento de um choque mais antigo, que caminhava no subterrâneo e de repente veio a público, de modo espetacular. É nesse choque que mora o problema.
Não temos os elementos para traçar uma radiografia das câmaras internas do Judiciário, mas uma análise atenta dos fatos - e de seu significado no noticiário - fornece os dados para uma compreensão mais ampla da crise de imagem. Na grande narrativa histórica que é a construção da democracia no Brasil, o signo do Poder Judiciário começou a resvalar para o polo da resistência a uma demanda central da sociedade: a transparência. Isso se traduz no embate que era interno e agora ficou explícito.
O Judiciário e sua imagem em transe
Eugênio Bucci*
A imagem do Poder Judiciário no Brasil está sub judice. Em coisa de poucos dias, entrou num transe midiático. Não se sabe onde vai parar. Nem como. Nem se. Há uma semana, a tensão que vinha sendo administrada como assunto interno dos juízes explodiu nas manchetes. A percepção que os brasileiros têm dos seus magistrados não será mais a mesma.
Estamos passando por um terremoto simbólico, que vem abalando os significados mais tradicionais da instituição. Há apenas uma semana, as placas tectônicas que serviam de alicerce ao edifício da Justiça no Brasil começaram a trepidar em público. Surgiram fissuras no chão dos tribunais: disjunções de sentido encheram o ar de incertezas - éticas, mais que jurídicas. Ministros das altas Cortes descuidaram do linguajar polido, a ponderação e a prudência abriram lugar para discursos raivosos. Juízes deixaram de falar como árbitros. Agora, eles se exasperam como partes inflamadas. Os jurisconsultos, aos quais cabe fazer justiça, atiram-se na arena pública para clamar por... justiça. Justo eles. Diante do noticiário, o homem comum se pergunta: a quem reclamarão seus direitos os jurisconsultos ofendidos? Ao povo?
Mas o noticiário não responde. As capas dos jornais lançam novas dúvidas. O diálogo entre ministros do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) deixa de lado a serenidade. Eliana Calmon, corregedora do órgão, falou de "bandidos que se escondem atrás da toga". Em referência ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), foi jocosa: "Sabe quando vou inspecionar o TJSP? No dia em que o sargento Garcia prender o Zorro". Em resposta, o ministro Cezar Peluso, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e também do CNJ, qualificou as declarações de sua colega como "um atentado ao Estado Democrático de Direito". E disse mais: "Em 40 anos de magistratura, nunca li uma coisa tão grave".
A situação, porém, é mais grave do que a leitura que o ministro Peluso faz dela. As palavras que ele leu são apenas o reflexo de um deslocamento mais profundo, tectônico. Fosse apenas o vernáculo, seria simples. Lembremos que, há poucos anos, os ministros Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes se insultaram no plenário do Supremo e nem por isso a imagem da instituição sofreu arranhões mais comprometedores. Ambos passaram por deselegantes, talvez, mas o Poder que representam saiu incólume. Agora o cenário é outro. A turbulência não se reduz a destemperos verbais: resulta do afloramento de um choque mais antigo, que caminhava no subterrâneo e de repente veio a público, de modo espetacular. É nesse choque que mora o problema.
Não temos os elementos para traçar uma radiografia das câmaras internas do Judiciário, mas uma análise atenta dos fatos - e de seu significado no noticiário - fornece os dados para uma compreensão mais ampla da crise de imagem. Na grande narrativa histórica que é a construção da democracia no Brasil, o signo do Poder Judiciário começou a resvalar para o polo da resistência a uma demanda central da sociedade: a transparência. Isso se traduz no embate que era interno e agora ficou explícito.
Na cúpula do Judiciário, duas vertentes opostas que se batem. A primeira encarna o valor democrático da transparência, a outra prefere o conforto do corpo opaco. A transparência do Estado tornou-se indispensável para o aprimoramento da normalidade democrática. Resistir a ela significa resistir à modernização das instituições. Acontece que, em capítulos cruciais da História recente - a nossa narrativa histórica -, o Judiciário, infelizmente, aparece como um signo que se alinha aos que preferem a opacidade.
Essa associação de sentidos não ocorre porque os jornalistas são maldosos. Ela é natural. É lógica. O problema não está na intenção oculta dos relatos, mas na significação expressa dos fatos que se sucedem. Basta olhar para eles.
Sabemos que uma das distinções estruturais entre as democracias e os regimes totalitários tem que ver exatamente com isto: enquanto nas primeiras os cidadãos têm direito à privacidade pessoal assim como têm o direito de fiscalizar os negócios do Estado, nos segundos o Estado é opaco, blindado ao olhar do público, e dispõe de instrumentos para bisbilhotar a intimidade de toda a gente. Daí ser tão grave que a imagem do Poder Judiciário apareça com frequência associada àqueles que são inimigos da transparência.
Essa associação nefasta se manifesta em pelo menos dois eixos do noticiário.
O primeiro é o da censura judicial. O Judiciário, ainda que por decisões minoritárias, vem aparecendo como um fator que impede a publicação de dezenas de reportagens cujos temas são, predominantemente, investigações jornalísticas sobre atos suspeitos da administração pública. Para quê? Para proteger políticos que não admitem prestar contas. Num tempo em que a censura foi extinta constitucionalmente, alguns juízes entram em cena como guardiães de uma reserva ecológica da censura, prejudicando grandes jornais e pequenos blogs, ferindo o direito à informação do público, beneficiando oligarquias que rechaçam qualquer fiscalização.
No segundo eixo, esse que explodiu nas manchetes há uma semana, temos as tentativas de esvaziar o poder de investigação de atos das próprias autoridades judiciárias. Isso transpareceu, há mais tempo, de modo mais discreto, na oposição à ideia de controle externo, representada pela criação do CNJ. Hoje, o mesmo traço se escancara na tentativa de esvaziar o poder desse órgão.
Aí está o fundamento da crise de imagem. O restante é consequência. O restante aparece como privilégios que dependem da opacidade. O noticiário grita: juízes querem ganhar acima do teto, juízes que praticaram crimes são "punidos" apenas com aposentadoria. Por tudo isso, a imagem do Judiciário está sub judice. E essa é a notícia mais triste de todas.
* Jornalista, professor da ECA-USP e da ESPM.
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terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Marco Aurélio dá imunidade a juízes suspeitos de corrupção
Na modesta opinião desta cidadã blogueira, é gravíssimo o que sucedeu ontem no STF.
A liminar concedida pelo ministro Marco Aurélio Mello suspende todas as investigações disciplinares e correcionais em andamento, exatamente no momento em que o Conselho Nacional de Justiça e a ministra Eliana Calmon deram início a uma inspeção no Tribunal de Justiça de São Paulo, como noticiamos no post Devassa no TJ-SP: 17 juízes recebem R$ 1 milhão numa tacada.
No TJ-SP há magistrados suspeitos de terem recebido ilegalmente altas somas de dinheiro público e uma espécie de força-tarefa comandada pelo CNJ começava a investigar, planejando estender este tipo de averiguação a mais 22 tribunais.
A liminar aureliana foi um presentão de Papai Noel para os semideuses judiciários, que se julgam acima do Bem e do Mal e não aceitam controle de suas atividades.
Liminar aureliana dá imunidade a juízes suspeitos de corrupção e desvios funcionais
O ministro Marco Aurélio de Mello, – como noticiado ontem por Terra Magazine –, determinou, por meio de medida liminar (provisória), a suspensão de todas as apurações disciplinares e correcionais referentes a magistrados e feitas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Para se ter idéia, por força da liminar ficam suspensos os trabalhos correcionais que estão sendo realizados pela ministra Eliana Calmon (corregedora do CNJ) no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).
Segundo noticiado, um pequeno grupo de magistrados paulistas, na gestão do falecido presidente Viana Santos (faleceu sob odor de venda de liminares e enriquecimento sem causa), teria recebido importâncias milionárias, de duvidosa constitucionalidade e acima do teto remuneratório estabelecido. Com a correição de Calmon, isto estava, até ontem, sendo apurado.
Mais ainda, com a liminar do ministro Marco Aurélio de Mello, 54 procedimentos disciplinares contra magistrados acusados de desvios funcionais restam suspensos.
A decisão liminar, como qualquer rábula de porta de cadeia sabe, só é lançada em caso de urgência e para evitar dano irreparável. No popular, é a relevância, urgência, que determina a concessão de uma medida cautelar liminar. Numa comparação, um pronto-socorro judiciário. Os romanos usavam o termo em “periculum in mora”, ou seja, perigo em razão da demora da decisão.
No caso submetido ao ministro Marco Aurélio de Mello, o julgamento a respeito da competência do CNJ foi, no final de novembro passado, tirado da pauta do plenário do STF. Pelo deliberado, essa matéria está no aguardo de melhor oportunidade para voltar a entrar em pauta. A propósito, trata-se de ação direta de inconstitucionalidade proposta pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). Caso houvesse situação de urgência, não seria a ação tirada de pauta.
A liminar de suspensão de apurações concedida por Marco Aurélio de Mello terá validade durante o período de recesso mensal do STF. O recesso começou ontem, e imediatamente após o seu início surgiu a decisão aureliana.
O período de férias, por ato do seu presidente e dada a relevância, pode ser suspenso. Mas, o ministro Cezar Peluso já frisou que a liminar só será apreciada em regular sessão plenária.
Pano Rápido. A tese de Marco Aurélio e relativa à competência apenas suplementar (só poderia atuar em caso de omissão das corregedorias dos tribunais estaduais ou federeais) do CNJ é conhecida de longa data. E ficou claro que o ministro Marco Aurélio de Mello se aproveitou do recesso para, liminarmente, colocá-la para valer.
Em outras palavras, em tese houve um desvio funcional do ministro Marco Aurélio e para satisfazer posição pessoal, conhecida faz anos. Sobre esse desvio funcional em tese, o CNJ nada pode fazer.
Falsamente, “vendeu-se” ao cidadão comum a idéia de que o CNJ seria um órgão de controle externo. Além de não ser externo (a maioria é de magistrados), o CNJ, segundo entendimento do STF, não tem poder correcional, fiscalizador, sobre os seus ministros: como o STF, na Constituição e topograficamente, está acima do CNJ, o entendimento, em causa própria, é pela incompetência apuratória do CNJ. Assim, ministros do STF só estariam sujeitos a impeachment junto ao Senado. No Senado, está Sarney pronto a arquivar qualquer pedido, como já fez em uma oportunidade.
Resumindo: “lá vai o Brasil descendo a ladeira”.
Wálter Fanganiello Maierovitch, jurista e ex-desembargador.
Terra
*
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
STF julga hoje futuro do CNJ
O Brasil avança para a modernidade ou dará um passo atrás, em direção às Trevas ?
Está na pauta de julgamentos de hoje do Supremo Tribunal Federal a ADIn impetrada pela Associação de Magistrados Brasileiros para retirar poderes de investigação do Conselho Nacional de Justiça, transformando o órgão numa reles perfumaria.
Como votarão nossos supremos ministros? Quem vencerá: os inconfessáveis interesses corporativistas de "meia-dúzia" de juízes e desembargadores ou o interesse público, a cidadania, o Povo Brasileiro?
Fiquemos atentos!
Todo o apoio à ministra-corregedora Eliana Calmon, em sua luta por um Judiciário aberto, moralizado, transparente, não elitista, democrático, cidadão e expurgado da corrupção!
Charge Chico Caruso/Blog do Noblat/O Globo Online
Caixa preta
Presidente da OAB critica ADIn que diminui poder de punir do CNJ
Para Ophir, a ADIn busca um "retorno às trevas e à escuridão", fazendo com que o Judiciário volte a ser a caixa preta e hermética que foi no passado. "Será um grave retrocesso, uma vez que o CNJ abriu o Judiciário, deu-lhe transparência, sobretudo com as punições que efetivou. Essa ADIn tem como objetivo fazer com que o Judiciário volte a ser uma caixa preta, cenário com o qual a OAB não pode concordar".
A AMB defende que o CNJ não tem competência para tanto, entendimento que é rechaçado pelo Conselho Federal da OAB, que está se habilitando na ADIn na condição de amicuscuriae.
Na avaliação de Ophir Cavalcante, ao se tentar retirar do CNJ o poder de punir, a ADIn, caso seja aprovada, também significará um retorno ao estágio de irresponsabilidade geral que antes havia no que toca à correição dos atos do Judiciário. "Caso essa Adin seja aprovada, retirar-se-á da sociedade o controle e a fiscalização que vem sendo feito com muita responsabilidade pelo CNJ".
Veja abaixo a íntegra da manifestação.
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"Essa Ação Direta de Inconstitucionalidade movida pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) é um retrocesso para a Justiça brasileira. O Judiciário só será forte se tiver um órgão de controle externo que possa fiscalizar os seus atos. As Corregedorias dos tribunais as quais a AMB quer privilegiar por meio dessa Adin historicamente se mostraram ineficazes no exercício de fiscalizar os atos irregulares cometidos por magistrados em razão do corporativismo. Todas as vezes que receberam denúncias contra os integrantes da magistratura, simplesmente as arquivavam, sem levar à frente as investigações.
O CNJ quebrou com isso e passou a incomodar as estruturas de poder no Judiciário, sobretudo nas Justiças estaduais. Essa nova realidade provocou uma reação forte contra o CNJ em sua criação e agora isso se repete em função da série de condenações que o CNJ vem promovendo na parte disciplinar a dirigentes de tribunais envolvidos em atos de corrupção.
Por esse motivo, não se pode concordar com o teor dessa Adin. A OAB agora se habilita na ação na condição de amicus curiae, exatamente para defender a manutenção do poder disciplinar do CNJ. Essa Adin da AMB fará com que haja um retorno às trevas e à escuridão no Judiciário. Será um grave retrocesso, uma vez que o CNJ abriu o Judiciário, deu-lhe transparência, sobretudo com as punições que efetivou. Essa Adin tem como objetivo fazer com que o Judiciário volte a ser uma caixa preta, cenário com o qual a OAB não pode concordar.
Ao se tentar retirar do CNJ o poder de punir, isso também significará um retorno ao estágio de irresponsabilidade geral que antes havia no que toca à correição dos atos do Judiciário. Caso essa Adin seja aprovada, retirar-se-á da sociedade o controle e a fiscalização que vem sendo feito com muita responsabilidade pelo CNJ".
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Migalhas
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