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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Satiagraha, sim! Corrupção, não!

O Abra a Boca, Cidadão! não aceita a anulação do processo criminal contra o banqueiro Daniel Dantas e apoia o abaixo assinado promovido pelo deputado federal Protógenes Queiroz. Leia mais abaixo.



Participe! Diga sim à Operação Satiagraha e não à corrupção

O ministro temporário do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Adilson Vieira Macabu, está prestes a enterrar a operação que desvendou um dos maiores esquemas de desvios de verbas públicas e crimes financeiros do país. O Ministro e relator do processo no STJ aceitou o pedido de Habeas Corpus do acusado de corrupção e preso pela Polícia Federal, o banqueiro Daniel Dantas, e votou pela anulação de todo o processo penal contra o banqueiro.

O esquema foi denunciado pelo deputado federal Delegado Protógenes (PCdoB-SP) no Plenário da Câmara dos Deputados, que mostrou documentos que provam ser o filho de ministro temporário do STJ, Adilson Macabu Filho, empregado do advogado Sérgio Bermudes, patrocinador das causas de Daniel Dantas.

O ministro Napoleão Nunes Maia Filho acompanhou integralmente o voto de Macabu, o que estabeleceu o placar em dois a zero para a tese da anulação. O ministro Gilson Dipp pediu vista do processo e o julgamento foi suspenso. A previsão é que a análise do processo seja retomada no mês de maio. Além de Gilson Dipp, faltam votar mais dois ministros da 5ª turma do STJ: Jorge Mussi e Laurita Vaz.

Para impedir que o trabalho do Ministério Público e da Polícia Federal e de todos os brasileiros seja sepultado, o deputado Delegado Protógenes está organizando uma campanha de apoio à Satiagraha e contra a corrupção. Os ministros não podem aceitar que um banqueiro preso e acusado por desvio de dinheiro público seja inocentado.

DIGA SIM À SATIAGRAHA E NÃO À CORRUPÇÃO

Assine o nosso abaixo assinado (
http://www.abaixoassinado.org) e mande um email para os ministros Gilson Dipp, Jorge Mussi, Laurita Vaz e para o presidente do STJ, Ari Pargendler, e diga que o povo não aceita o fim da Satiagraha.

Presidente do STJ Ari Pargendler

presidencia@stj.jus.br

Ministro Gilson Dipp
stj.gmgd@stj.jus.br

Ministra Laurita Vaz
gabinete.laurita.vaz@stj.jus.br

Ministro Jorge Mussi
gmjm@stj.jus.br

Ministro Napoleão Nunes Maia Filho
gab.napoleaomaia@stj.jus.br


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E as mazelas do Judiciário?

Já falamos muito aqui no Abra a Boca, Cidadão! da mazela midiática, sobretudo na última campanha eleitoral presidencial, quando foi escancarado para todos nós o caráter elitista, oligárquico, retrógrado, antidemocrático da velha mídia brasileira.

Felizmente para a cidadania, as novas tecnologias da informação, as redes sociais (Orkut, Facebook, Twitter e outras) e sobretudo a blogosfera independente oferecem espaços para um contraponto às muitas vezes deturpadas e manipuladas informações veiculadas pela mídia apodrecida.

A tradicional ditadura midiática, o monopólio da informação, o jornalismo de esgoto estão sendo aos poucos derrubados, implodidos, desmascarados pelo jornalismo cidadão na internet.

E a mazela judiciária?

Por que os membros do Judiciário se comportam como deuses e semideuses, acima do Bem e do Mal, uma casta superior e intocável? Por que o Judiciário brasileiro não pune os endinheirados? Até quando vamos conviver com esta violência institucionalizada?

Como a cidadania pode atuar sobre este esgoto?

São questões urgentes que vimos levantando aqui e queremos ver discutidas pela sociedade.


Uma reflexão sobre a ditadura do Poder Judiciário Brasileiro


Joseval M. Santana* - 13/09/2010

A célebre doutrina da “separação dos poderes” de Montesquieu, baseada na constituição “mista” discutida por Platão, Aristóteles e Políbio, visou moderar o poder do Estado mediante a divisão de competências entre os órgãos: executivo, legislativo e judiciário. A vigilância da harmonia destes três poderes no Brasil, começou a surgir no período republicano e se consolidou na carta magna de 1988 com a ampliação do papel do Ministério Público. Neste contexto, convém salientar a importância das entidades organizadas a exemplo da imprensa, da Ordem dos Advogados do Brasil, dos partidos políticos, das comissões dos direitos humanos entre outras. É essa harmonia e os seus mecanismos de vigilância o sustentáculo da república e a manutenção da democracia.

A violação do princípio da harmonia entre os poderes faz resvalecer o manto da democracia e suscita o manto vil do poder – a ditadura. Neste regime, a singularidade do mal, a exemplo dos regimes provenientes do nazismo e do fascismo, não se difere em essência da pluralidade maléfica dos regimes militares que encabeçaram os longos anos da ditadura na América Latina e, em particular, no Brasil no século XX.

Se levarmos em conta somente este início de século, não há quem possa discordar que todos nós já presenciamos, pelos meios de comunicações, inúmeros escândalos provenientes das esferas dos três poderes. Indignados, por vezes indagamos - será que tais escândalos é o preço da pré-maturidade da nossa democracia? Certamente se este for o caso, há de se questionar se os escândalos decairão drasticamente na medida em que a nossa democracia avança para a maturidade, ou se os mesmos já estão decaindo quando comparados aos do regime militar. Seja qual for a resposta à essas indagações, podemos crer ser impossível que os aludidos escândalos abalem de fato os alicerces da nossa democracia?

Não podemos negar que os escândalos que emanam dos três poderes, constituem-se de forças negativas que, quase sempre, tendem a opor-se aos princípios democráticos. Se essas forças negativas forem tão poderosas a ponto de violar o princípio da harmonia entre os poderes poderão fazer com que um poder venha a sobrepujar os demais, (res) surgindo assim à ditadura do poder sobrepujador.

Ao observamos os escândalos dos poderes executivo, legislativo e judiciário, percebemos que as forças negativas dos dois primeiros poderes não foram suficientemente fortes para quebrar a harmonia entre os poderes, uma vez que não houve nenhuma evidência que um desses poderes tenha sobrepujado os demais. Quais seriam as causas que estão assegurando a harmonia proveniente desses poderes? Certamente que os princípios democráticos a que eles estão submetidos geraram forças positivas em intensidade suficientemente maior que as das forças negativas. Há de salientar que talvez a maior intensidade dessas forças positivas venha de um direito comum para os dois poderes - o sufrágio universal.

É pelo voto direto e secreto que o povo (re)elege os membros dos poderes legislativo e executivo. Dessa forma, o cidadão e a cidadã, em última instância, podem punir os membros desses poderes não os reelegendo, seja por terem ficados impunes, diante dos escândalos comprovados, ou por maus desempenhos políticos durante os seus mandatos.

E quanto aos escândalos do poder judiciário? Infelizmente, estes mostram algo mais sombrio. As indignações quanto à ineficiência do judiciário, extravio de processos, venda de sentenças, abuso de poder e a impunibilidade de inescrupulosos juízes geraram forças negativas em intensidades suficientes para desequilibrar a harmonia entre os três poderes, haja vista, a constante interferência deste nos demais poderes. Parecem não haver dúvidas que estamos entrando em uma nova forma de ditadura – a ditadura do judiciário.

Diferentemente dos outros dois poderes, no poder judiciário inexistem as forças positivas oriundas do sufrágio universal. Este direito cedeu a princípios, também constitucionais, de entendimento que o poder judiciário para o exercício dos seus papéis necessita de garantias para que a magistratura possa desempenhar as suas funções com isenção.

O exercício do humus da magistratura é sempre de responsabilidade social. Não se admite, portanto, que as garantias que asseguram ao juiz a independência sirvam para torná-lo imune aos seus atos que contrariem as leis e, sobretudo, ao espírito moral e ético delas. Entretanto, os escândalos têm evidenciado que alguns inescrupulosos juízes utilizam-se do “livre convencimento” para elastecer o entendimento das leis subjugando, disfarçadamente, o espírito ético e moral das mesmas. São eles os ditadores do judiciário. Estes se utilizam das garantias constitucionais para servirem de escudo de proteção para os seus atos ilícitos e o abuso de poder, em detrimento de todos e tudo, inclusive dos demais poderes.

Corroborando com parte desse entendimento Moreira (2009), doutor em direito, salienta que: ”Estamos para viver uma ditadura do judiciário. Será que agora o juiz é o novo Deus?"

A ditadura do judiciário é uma ditadura sem armas, bem diferentes das ditaduras de outrora, mas nem por isso menos cruel, pois pode cercear o bem maior do cidadão e cidadã – a sua liberdade. Astuto, o ditador camufla-se como um lobo, só que ao invés da pele de cordeiro, utiliza-se da toga, não mais como um símbolo da magistratura e sim como uma armadura para ostentar o poder e ser temido pelos meros mortais. O som característico do malhete, que na mão de um verdadeiro juiz significa “a justiça foi feita”, agora reverbera vibrações desarmônicas de um rosnar que se traduz pela expressão (des) humana - “a minha vontade foi feita”.

Cabe ressaltar, e assim espera-se, que os ditadores do judiciário sejam em número menor do que os dos verdadeiros juízes. Mesmo assim, essa aparente vantagem numérica tem mostrado, até o presente momento, ser insuficiente para debelar esses ditadores. Por essa razão, tudo nos leva a crer que a ditadura do judiciário somente sucumbirá se houver um esforço comum, por parte do poder judiciário (mediante os verdadeiros juízes e um Conselho Nacional de Justiça mais atuante), do poder executivo, das entidades organizadas, especialmente a Ordem dos Advogados do Brasil, e da sociedade para juntos com o poder legislativo promoverem mecanismos constitucionais que possam por fim a atual ditadura e assegurar o seu não ressurgimento. Este será um grande passo para a maturidade da nossa democracia e quando chegarmos lá, teremos elevado a nossa carta magna cidadã ao status de carta magna da cidadania ética.

* Doutor em Desenvolvimento Regional e Urbano e professor da Universidade Federal de Sergipe/UFS.


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terça-feira, 26 de abril de 2011

Contra os Donos do Mundo e o Deus Dinheiro

A resistência, a Desobediência Civil, a mudança do sistema de valores do indivíduo e da sociedade.

É o que propõe o escritor e jornalista americano Chris Hedges*, em protesto na Union Square em Nova York na sexta-feira 15 de abril, num discurso diante de uma agência do Bank of America.


Fora, vendilhões de Wall Street !

Chris Hedges


Aqui estamos hoje, ante os portões de um dos nossos templos das finanças. É templo no qual se cultuam o lucro e a ganância, onde o valor de cada um se determina pela habilidade para acumular dinheiro e poder à custa dos outros, onde se reescrevem, manipulam e desrespeitam-se as leis, onde o progresso humano é definido como um moinho de consumo sem fim, onde o crime e a fraude são ferramentas usuais dos negócios.

As duas forças mais destrutivas que há na natureza humana – a ganância e a cobiça – movem os financistas, os banqueiros, os mandarins corporativos e os líderes dos dois principais partidos políticos dos EUA, os quais, ambos, se beneficiam dos lucros que obtêm desse mesmo sistema. Os dois partidos se autocolocam no centro da criação. Os dois partidos desdenham o clamor que sobe dos que estão abaixo, humilhados e calados. Nos roubaram nossos direitos e esterilizaram nossa capacidade de resistir. Querem nos converter em prisioneiros em nossa própria terra. Vêem os seres humanos e o mundo natural como commodities, como bens a serem explorados até a exaustão ou o colapso. O sofrimento humano, as guerras, a mudança no clima, a miséria, tudo isso é o preço que estamos pagando para preservar os lucros das finanças planetárias. Nada é sagrado. O Deus do Lucro é o Deus da Morte.

Os fariseus da alta finança, que nos vêem aqui, espiando de seus cubículos e cantos de corredores, fingem virtude. O único sentido da vida, para eles, é o benefício próprio. O sofrimento dos pobres não os preocupa. As seis milhões de famílias norte-americanas lançadas ao relento, arrancadas de casa, não os preocupa. As dezenas de milhões de aposentados cujas economias para a velhice foram varridas do mundo por causa da fraude e da desonestidade em Wall Street não os preocupa. O fracasso da contenção das emissões de carbono não os preocupa. Nenhuma justiça lhes tira o sono. A verdade não os preocupa. Crianças com fome não os preocupam.

Raskolnikov, personagem de Dostoiévski em Crime e Castigo, entendia que o mal radical que vive nos anseios humanos não seria vulgar, mas superior, extraordinário, a ambição que arrasta homens e mulheres a servir a sistemas de autoglorificação e à mais nua ganância. Raskolnikov no romance acredita – como os que vivem nesse templo das finanças – que a humanidade dividir-se-ia em dois grupos. No primeiro, gente comum. E gente comum seria submissa e covarde. Pouco faria, a gente comum, além de reproduzir-se e gerar mais gente comum, condenada a trabalhar, envelhecer e morrer. E Raskolnikov despreza essa gente, que vê como formas inferiores da humanidade.

No segundo grupo, para Raskolnikov, estariam os seres extraordinários. Para ele, seriam os Napoleões do mundo, os que rompem leis e costumes, os que rasgam as convenções e as tradições e fazem avançar o mundo, o qual, depois deles, seria melhor, mais glorioso. Raskolnikov diz que, embora vivamos nesse mundo, podemos nos libertar das consequências de viver entre gente vulgar, consequências que nem sempre nos favorecerão. Os Raskolnikovs do mundo investem a mais absoluta, total, absoluta fé no intelecto. Vêem com o mais absoluto desdém os atributos da compaixão, da empatia, da justiça, do amor à verdade. E essa visão ensandecida do que sejam os homens e as mulheres leva Raskolnikov a matar uma velha usurária e roubar-lhe seu dinheiro.

Os sacerdotes desses templos corporativos, em nome do lucro, matam com crueldade muito maior que Raskolnikov. As corporações mataram 50 mil pessoas, ano passado, porque não podiam pagar para ter assistência médica adequada.

Mataram centenas de milhares de iraquianos, afegãos, palestinos e paquistaneses, e viram, entusiasmados, multiplicar-se por quatro o valor das ações de empresas que fabricam e vendem armas.

Fizeram do câncer epidemia, nos campos de carvão de West Virginia, onde as famílias respiram ar poluído, bebem água envenenada e assistem à destruição dos Montes Apalaches, convertidos em deserto pelas empresas de exploração de carvão, que ganham bilhões.

E depois de saquearem o Tesouro dos EUA, as mesmas corporações exigem, em nome da contenção de gastos, que o país destrua os programas de comida para crianças, de calefação e assistência médica para os idosos e doentes, e que se ponha fim à educação pública nos EUA, ainda excelente. Exigem que toleremos que convertam os EUA em nação de desnutridos, que deixemos milhões sem emprego, que condenemos dezenas de milhões de norte-americanos à miséria e abandonemos nossos doentes mentais ao sofrimento, à degradação e à morte. Todos esses, nos EUA, gente comum, foram condenados pelos sacerdotes do lucro e da ganância, como se fossem refugo. Assim exige o Deus Mercado.

Quando Dante entra na “cidade dos danados”, último degrau antes de entrar no Inferno, ouve os gemidos e gritos dos que “viveram sem jamais ter merecido nem louvor, nem censura infamadora”[1], os rejeitados pelo Paraíso e pelo Inferno, que dedicaram a vida exclusivamente a si mesmos, a procurar a felicidade só para eles mesmos. São os “normais”, talvez “boas pessoas”, os que jamais fizeram outra coisa além de procurar o prazer e a própria segurança, muitas vezes sem perturbar os demais, mas orientados só para eles mesmos. Gente que jamais defendeu causa alguma, que jamais arriscou coisa alguma, que "seguiu vivendo a vida". Gente que jamais pensou sobre a própria vida, jamais sentiu a ânsia de pensar sobre o mundo à volta, que não olhou e não viu o mundo à volta. A esses, Dante reserva o castigo eterno de jamais sair de onde está, em dor perene, nem no inferno nem no paraíso, nem cá nem lá.

Os que vivem à caça dos arco-íris de purpurina da sociedade de consumo, que compram sem questionar a pervertida ideologia do consumo, são, como ensina Dante, moralmente covardes. São doutrinados pelos sistemas corporativos de informação e permanecem passivos, enquanto os que fazem leis, os que aplicam as leis e os que fazem tudo isso funcionar – o legislativo, o judiciário e o executivo dos governos dos EUA – nos roubam toda a capacidade para resistir. Democratas ou Republicanos. Liberais ou conservadores. Nada faz diferença alguma, nesse lado do mundo.

Barack Obama serve aos interesses da finança e das corporações com a mesma dedicação e assiduidade com que George W. Bush serviu àqueles mesmos patrões. E investir nossa energia e nossa fé num desses partidos políticos, ou esperar seja o que for das instituições que há nos EUA, como se fossem instrumentos de reforma, é nos deixar iludir pelas sombras dos píxels das telas de televisão, que vemos, reproduzidas, como se estivéssemos na caverna de Platão.

Temos de enfrentar o canto de sereia da cultura do consumo e reencontrar, e repor no centro das nossas vidas os valores da compaixão e da justiça. Para isso é preciso coragem, não só coragem física, mas também coragem moral, para conseguir ouvir o que nos diga nossa consciência.

Se estamos aqui para salvar os EUA, o planeta, nossa casa e nossa vida, temos de aprender a não exaltar valores de individualismo e temos de aprender a ver a vida do nosso vizinho, do nosso próximo. O autossacrifício vence a doença da ideologia corporativa. O autossacrifício põe abaixo os ídolos da ganância e da cobiça. O autossacrifício exige que nos levantemos contra o abuso, as guerras, a injustiça imposta a nós pelos mandarins do poder corporativo. Há profunda verdade no alerta bíblico: “Quem se agarra à própria vida a perderá” (João 12:25).

Quem diz “vida” não diz “minha vida e só”. Nunca haverá justiça no mundo, se nosso vizinho sofrer injustiça. E ninguém terá de volta a liberdade, até que nos disponhamos a sacrificar nosso conforto e abracemos a plena rebelião.

Obama desertou e nos abandonou. O Congresso desertou e nos abandonou. A Suprema Corte desertou e nos abandonou. A imprensa desertou e nos abandonou. A universidade desertou e nos abandonou. A democracia eleitoral desertou e nos abandonou. Nenhuma estrutura, nenhuma instituição da sociedade dos EUA sobreviveu a salvo da contaminação pelas grandes corporações das finanças. O que significa que, agora, depende só de nós. Desobediência civil, que trará dias difíceis e sofrimento, que trará dias muito difíceis, mas esse é o espírito do autossacrifício pelo bem de todos. Desobediência civil é a única via que nos restou.

Os banqueiros e gerentes financeiros, as elites corporativas e governamentais, são a versão moderna dos judeus bíblicos que se prostraram ante o bezerro de ouro. A faísca de qualquer dinheiro os hipnotiza, os arrasta cada vez mais depressa rumo à destruição. E eles querem nos prender ao altar deles. Querem que nos ajoelhemos ante os altares deles. Enquanto nos deixarmos inspirar pela ganância, pela cobiça, continuaremos como até aqui, cúmplices silenciosos dos gananciosos, dos que cobiçam só para eles a riqueza que é de todos.

Mas se nos levantarmos contra a religião do lucro e do capital, se exigirmos que a sociedade e os governos atendam às carências e necessidades dos cidadãos e do mundo que nos cerca, muito mais do que às carências e necessidades do Deus Mercado, se aprendermos a falar em tom renovadamente simples, se aprendermos a ser simples e a desejar vida simples, se amarmos o nosso próximo como amamos nós mesmos, romperemos as cadeias que hoje nos prendem e faremos visível, outra vez, a esperança.


Nota de tradução
[1]  A Divina Comédia, “Inferno”, Canto III. Em boa tradução portuguesa. Lá se lê: “[Diz Virgílio] “No mundo o nome seu não deixou traço. A Clemência, a Justiça os desdenharam. Mais deles não falemos: olha e passa.”





Link do video: http://www.youtube.com/watch?v=2GYlSsLafR0

* Christopher Lynn Hedges é escritor e jornalista americano, autor de Death of the Liberal Class e War is a Force That Gives Us Meaning, entre outros. Foi correspondente de guerra por 15 anos pelo The New York Times. Em 2002, como integrante de uma equipe de repórteres do NYT, ganhou o Prêmio Pulitzer por uma cobertura sobre o terrorismo global e recebeu o Prêmio Global por Jornalismo em Direitos Humanos da Anistia Internacional. É professor nas universidades de Colúmbia, Nova York e Princeton. [ABC!]

http://redecastorphoto.blogspot.com/2011/04/vendilhoes-de-wall-street-caiam-fora-e.html

P/Twitter: http://goo.gl/36dLx

[A rede castorphoto é uma rede independente; tem perto de 41.000 correspondentes no Brasil e no exterior. Estão  divididos em 28 operadores/repetidores e 232 distribuidores; não está vinculada a nenhum portal nem a nenhum blog ou sítio. Os operadores recolhem ou recebem material de diversos blogs, sítios, agências, jornais e revistas eletrônicos, articulistas e outras fontes no Brasil e no exterior para distribuição na rede]

Este texto aqui reproduzido foi publicado em: Common Dreams, Throw Out the Money Changers. Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu.

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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Era do Bullying

Bullying nas escolas, bullying nos ambientes de trabalho, bullying nas famílias...

Vivemos a "Era do Bullying".

Humilhações, ofensas, linchamento moral, desrespeito, desacatos de todo tipo.

Nem a "nobre senhora" escapa de tal descalabro.





Onde vai parar tudo isso?


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domingo, 24 de abril de 2011

Reflexões pascais

O universo e a humanidade vistos como realidades sagradas. É disto o que trata estas reflexões do teólogo, filósofo e ativista Leonardo Boff.

O sentido de ser cristão hoje

Não se há de entender o Cristianismo como um fóssil intocável. Mas como um arquétipo vivo que em cada geração mostra virtualidades novas e, no termo, ilimitadas. Nesse sentido cabe perguntar: o que o Cristianismo, em comunhão com outros caminhos espirituais, poderá trazer de bom para a preservação da integridade da criação e para um futuro esperançador da humanidade? Eis algumas perspectivas:

Antes de mais nada o Cristianismo oferece aquilo que ninguém e nenhuma sociedade pode prescindir: uma utopia, fundadora de um sentido pleno. A utopia cristã promete: o fim do universo e do ser humano é bom. Não vamos ao encontro de uma catástrofe mas de uma transfiguração. Portanto, não a morte e a cruz têm a última palavra mas a vida e a ressurreição. Jesus chamou a essa utopia de Reino de Deus que significa uma revolução absoluta, fazendo com que todas as coisas realizem suas potencialidades intrínsecas e assim explodam e implodam num absoluto sentido, chamado Deus.

Mas não existe apenas a utopia, o Reino. Vigora também a anti-utopia, o anti-Reino. Na verdade, o Reino se constrói no confronto com o anti-Reino que são forças que desagregam e desviam o ser humano de sua utopia essencial. Ele ganha corpo em movimentos históricos e em pessoas que articulam discriminações, ódios e mecanismos de morte. É nesse nível que se trava incansáve luta entre o sim-bólico e o dia-bólico. Face a esse embate o Cristianismo testemunha: o dia-bólico, por mais forte que se mostre, não consegue prevalecer absolutamente. O sim-bólico não apenas limita a virulência do dia-bólico senão que se revela capaz de crescer no confronto com ele e assim vencê-lo. A cruz cristã revela a coexistência do dia-bólico (expressão de ódio) com o sim-bólico (prova de amor).

Esta estrutura dia-bólica/sim-bólica (caos/cosmos) pervade toda a realidade e o próprio Cristianismo. Nele há negações e contradições. A tradição da teologia sempre falou que a Igreja é “casta meretriz”, casta porque vive a dimensão do Espírito e meretriz porque sucumbe, tantas vezes, à dimensão da Carne.

Apesar desta contradição, intrínseca à realidade, podemos, pois, olhar para o futuro com jovialidade e não com pavor. A luz tem mais direito que as trevas. O caminho está aberto para cima e para frente. E ele é promissor.

Em que se funda o triunfo desta utopia? Funda-se no fato de que Deus mesmo entrou em nosso processo evolucionário através de sua encarnação no judeu Jesus de Nazaré. Deus fez-se humano pobre e excluído. A partir da encarnação, tudo é divino, pois tudo foi assumido por Deus. O que Deus assumiu também eternizou. O universo e a humanidade pertencem definitivamente à realidade de Deus. Somos também Deus por participação. Logo, estamos inapelavelmente salvos de todas as nossas errâncias.

Onde é o lugar de verificação desta utopia? Na ressurreição do Crucificado. Mas ressurreição não é sinônimo de reanimação de um cadáver, uma volta à vida mortal anterior, como ocorreu com Lázaro que afinal acabou morrendo novamente. Ressurreição é uma revolução na evolução: transporta o ser humano ao termo da história, realizando-o absolutamente. Por isso ela comparece como a concretização da utopia do Reino nesse homem concreto, Jesus de Nazaré. Ele representa uma antecipação e uma miniatura do que será ridente realidade no futuro de todos e também do universo do qual somos parte e parcela. O homem latente no processo evolucionário agora virou homem patente no seu termo benaventurado.

Todos ressuscitaremos. Consequentemente, não vivemos para morrer. Mas morremos para ressuscitar. Para viver mais, melhor e para sempre. Pela ressurreição se responde ao mais entranhável desejo humano: superar a morte e viver em plenitude para sempre. Só esse dado revela as boas razões da relevância do Cristianismo para fenômeno humano universal. Esse acontecimento da ressurreição deslanchou, naturalmente, a pergunta: quem é esse no qual se realizou a utopia? É aqui que começou o processo de decifração de Jesus por parte de seus seguidores. Começaram por chamá-lo de Mestre, de Senhor, de Cristo e de Filho de Deus. Como nenhuma destas palavras colhia todo o seu mistério, arriscaram chamá-lo de Deus, Deus encarnado em nossa miséria. E aí se calaram, reverentes, pois se davam conta de que usavam um mistério para interpretar outro mistério. Ousadia da fé. Essa é a compreensão dos discípulos e de todas as Igrejas cristãs.

E Jesus, como se entendia a si mesmo? As indicações mais seguras revelam que possuía a consciência de ser Filho de Deus. Consequentemente invocava a Deus como Pai, especificamente, como Abba, expressão infantil para dizer: “meu querido paizinho”. Os qualificativos que confere a esse Pai são todos maternos, pois possui entranhas, cuida de cada cabelo de nossa cabeça, mostra infinita misericórdia e ama a todos indistintamente, até os ingratos e maus. O Deus-Pai é materno ou o Deus-Mãe é paterno.

Ao descobrir-se Filho de Deus, Jesus nos fez descobrir que somos também filhos e filhas de Deus. Essa é a suprema dignidade, revelada a todos os humanos, por mais humílimos que sejam, mesmo não professantes da fé cristã.

Se filhos e filhas, então somos todos irmãos e irmãs uns dos outros. Esta irmandade universal é a base para o amor, para a fraternura, para o cuidado, para as relações de cooperação, de inclusão, enfim, para o sonho democrático como valor universal.

Todas estas excelências não se realizaram num César no apogeu de seu poder, nem num Sumo-sacerdote no exercício de sua sacralidade. Mas num simples operário de subúrbio, pobre e desconhecido, no carpinteiro ou fazedor de telhados, Jesus. Esse foi o caminho de Deus ao encarnar-se. Pobre, Jesus optou pelos pobres chamando-os de benaventurados. Não porque sejam operosos ou bons. Mas porque, independente de sua condição moral, os vê como os primeiros beneficiários da ação libertadora de Deus. Deus sendo um Deus vivo e fonte de vida, opta, desde suas entranhas, pelos que menos vida têm. Ao realizar o Reino começa por eles e depois se abre aos demais. Por isso Jesus podia dizer: “felizes são vocês pois o Reino lhes pertence”. Só a partir deles o evangelho emerge como boa-notícia de libertação.

Jesus não só optou pelos pobres, identificou-se com eles. Por isso, como Juiz supremo, se esconde atrás deles. “O que tiverdes feito a um desses meus irmãos menores, foi a mim que o fizestes e o que o deixastes de fazer a eles, foi a mim que deixastes de fazer”. A questão dos pobres é tão central que por ela passam os critérios da verdadeira Igreja. Uma Igreja que não confere centralidade aos pobres e não assume a causa da justiça dos pobres não está na herança de Jesus.

Se alguém se sente Filho de Deus e invoca a Deus como seu Pai compromete a compreensão mesma de Deus. Diz-se ainda que é somente na força do Sopro, do Espírito, que alguém pode dizer-se Filho de Deus. Então Deus não é mais solidão mas comunhão de Pai, Filho e Espírito. É o que o Cristianismo quer significar ao dizer que Deus é Trindade. Não quer multiplicar Deus, pois esse é sempre um e único. O único não se multiplica. Não estamos no campo da matemática. O três expressa o arquétipo da comunhão perfeita. Se Deus fosse um só haveria a solidão. Se fosse dois, reinaria a separação, pois um é distinto do outro. Sendo três vigora a comunhão de todos com todos. O três significa menos o número do que a afirmação de que sob o nome Deus se verificam diferenças que não se excluem mas se incluem, que não se opõem, mas se põem em comunhão. A distinção é para a união.

Se a última realidade é relação e comunhão, entendemos naturalmente o que nos ensinam a física quântica e a cosmologia contemporânea: que tudo é relação e nada existe fora da relação; tudo comunga com tudo em todos os pontos e em todas as circunstâncias, pois tudo é sacramento de Deus-comunhão-de-Pessoas.

De nada valem essas doutrinas se não se transformarem em experiências e em novo estado de consciência. O Cristianismo é menos algo para se compreender intelectualmente do que para se viver afetivamente. Junto com outras tradições espirituais da humanidade ajuda a alimentar a chama sagrada que carregamos. Não somos errantes num vale de lágrimas mas sob a luz e o calor desta chama nos sentimos no monte das benaventuranças, como filhos e filhas da alegria.


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Aos puros de coração

A Vida venceu a morte. O Bem venceu o mal. A Luz venceu as trevas.

É tempo de Ressurreição. Tempo de Renascimento. Tempo de Reconstrução.

Desperta o espiritual em nós.

Brilha o sol interior.



Alegria. Alegria.






Video: http://www.youtube.com/watch?v=xdRyNea19PE&feature=fvwrel

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sábado, 23 de abril de 2011

Malhação de Judas

Hoje é Sábado de Aleluia, último dia da Semana Santa dos cristãos.

Também chamado Sábado Santo e até Sábado Negro, é o dia em que Cristo desceu ao reino da morte, aos Infernos, ao Hades, ao reino das sombras e das Trevas, antes da Ressurreição.

É no Sábado de Aleluia que se promove popularmente a Malhação de Judas, o traidor de Jesus.

Quando menina, na periferia de São Paulo, eu e meu irmão ajudávamos a molecada da rua a fazer os bonecos com roupas velhas recheados de trapos, palha, papel picado, para serem linchados ao meio-dia, a golpes de porretes e sob a gritaria e o alvoroço geral da criançada... 

Com a corrupção na política, anos depois estes bonecos passaram a encarnar saqueadores do dinheiro público. O nefasto Maluf foi aqui em São Paulo um dos "judas" mais malhados anos e anos...

Judas é o símbolo do Mal. Péssimo caráter, sem escrúpulos e obsecado por dinheiro.

Na vida real, no cotidiano de todos nós, quantas e quantas vezes cruzamos com discípulos aplicadíssimos de Judas, com fieis e devotados servidores do Maligno, e sofremos com suas vigarices, com suas trapaças, com seus crimes?

Estes Seres das Trevas, que se instalam muitas vezes em nossas famílias, roubando nossa mãe,  lesando nosso pai, mentindo, tramando, traindo, semeando discórdias e fomentando golpes, doenças e mortes, estes Seres das Trevas são o que chamamos aqui psicopatas, mentes satânicas, almas obscurecidas pela inveja, ganância, arrogância.

E o que fazer diante deste Mal? Como nós, cidadãs e cidadãos servidores da Luz, devemos lidar com essa gentalha? 

Seguidora de Gandhi, o Mahatma, a Grande Alma, conhecido mundialmente por sua prática de Ahimsa (Não Violência) na derrubada do Império Britânico que subjugou a Índia por quase um século, já disse aqui com todas as letras: toda a ação cidadã deve ser dentro da lei. Nada de baixarias e ilícitos. Muito menos violência física, moral, psicológica...

Não podemos nos igualar a estes escroques. É isso mesmo o que eles querem: nos puxar pra baixo, pro rodapé imundo onde estes parasitas vivem...

A surra que estes pulhas merecem tem que ser dada com classe, com luva de pelica, dentro do ordenamento jurídico vigente, no Judiciário, que infelizmente nem sempre é lá também "flor que se cheire"...

Reitero: para a reparação de todas as violações de direito que sofrerem, abram a boca, denunciem, reclamem, indaguem, cobrem, exijam, reivindiquem, "acendam holofotes" sobre esta escória da humanidade...

Ativista dos direitos humanos, dos direitos dos animais e da proteção ambiental, esta reles blogueira é também pacifista. E jamais faria apologia, proselitismo, de qualquer tipo de violência. Mas em caráter simbólico, para declarar mais uma vez de que lado se encontra na Vida, reproduz abaixo imagens de uma surra ficcional homérica desferida numa psicopata fétida e hedionda.

"Cobra" apanhando e estrebuchando...


                                                              


Link do vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=hpPK_P7d09w

* Novela "Caminho das Índias": Melissa Cadore (Christiane Torloni) dá um corretivo na psicopata Yvone Magalhães (Letícia Sabatella).


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