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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Laísa Santos Sampaio: marcada para morrer



Ainda que tenha uma só castanheira aqui, eu derramo meu sangue por ela.
                                                                     Maria do Espírito Santo da Silva


O medo não pode vencer a coragem.


Li no Blog do Sakamoto, um dos melhores da blogosfera, e compartilho com vocês. Leiam, assistam, divulguem, compartilhem...

Esta é Laísa. E ela está marcada para morrer

As ameaças de morte que Laísa Santos Sampaio têm sofrido seguem um roteiro conhecido: recadinhos, invasões da própria casa, ter o cachorro alvejado por balas… E o final de uma história semelhante foi visto recentemente, quando assassinaram sua irmã, Maria do Espírito Santo da Silva, juntamente com o marido dela, José Claudio Ribeiro da Silva, ambos lideranças do Projeto de Assentamento Agroextrativista Praia Alta Piranheira, localizado a cerca de 50 quilômetros da sede do município de Nova Ipixuna, Sudeste do Pará. O caso ganhou repercussão internacional em maio deste ano.

A professora de 45 anos é o próximo alvo dos pistoleiros porque manteve a luta da irmã.

Trago uma bela entrevista feita pela jornalista Bianca Pyl, aqui da Repórter Brasil, com Laísa.



Maria e Zé Cláudio foram emboscados em uma estrada e executados com tiros na cabeça no dia 24 de maio de 2011. Por denunciarem a ação de madeireiros ilegais, sofriam constantes ameaças e intimidações. Zé Cláudio ainda teve uma orelha decepada e levada pelos seus assassinos, provavelmente para mostrar aos mandantes que o serviço foi realizado com sucesso.

Naquela mesma tarde, a notícia do assassinato foi lida no plenário da Câmara dos Deputados, que estava se preparando para transformar o atual Código Florestal em embrulho de peixe. Ouviu-se, então, uma vaia vinda das galerias e da garganta de deputados da bancada ruralista ali presentes. Um desrespeito que, se não fosse no Congresso Nacional, seria difícil de acreditar.

O projeto em Nova Ipixuna garante o sustento de mais de 500 famílias com a produção de óleos vegetais, açaí e cupuaçu. Porém, ao invés de procurar formas de replicar esses modelos de sucesso, o Congresso Nacional está discutindo maneiras de passar por cima de suas riquezas naturais e da qualidade de vida das populações que os mantém, rifando as leis que os protegem. Agora, o Senado analisa o Código. Apenas um milagre nos separa de uma lei esvaziada, que vai reduzir a proteção ambiental e anistiar, na prática, quem desmatou além da conta, rifando a qualidade de vida das futuras gerações.

Blog do Sakamoto


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O Judiciário e a desmoralização da Justiça



A República foi proclamada em 15 de novembro de 1889. Na próxima semana, completará 122 anos. 


República é uma forma de governo construída sobre três pilares, os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, harmônicos e independentes, como nos ensinou Montesquieu.


No Brasil, os poderes Legislativo e Executivo têm seus membros escolhidos em eleições livres e encontram-se permanentemente sob os olhares atentos dos cidadãos e da mídia. O mesmo não ocorre com o Poder Judiciário, poder fechado, oligárquico, onde ainda não chegaram a transparência e a democracia.


Está mais do que na hora da sociedade brasileira mudar isso. A República, anunciada há mais de um século, precisa ser finalmente implantada no Brasil.


O artigo abaixo, publicado em 13 de junho de 2007, na Folha de S. Paulo, trata desta e de outras questões e infelizmente continua muito atual.

A crise política e o Judiciário


MARCO ANTONIO VILLA


O nó górdio da impunidade, e que atinge o coração da democracia, não está no Executivo nem no Legislativo, mas no Judiciário


A AÇÃO da Polícia Federal, especialmente a Operação Navalha, tem criado enorme polêmica. 


Muitos perguntam a quem interessam essas ações, como se uma polícia de Estado tivesse de servir ao governo em vez de defender o interesse público. A cada operação, é elaborada uma teoria conspiratória e começa a busca dos favorecidos e dos prejudicados. 


Os críticos alegam que tudo não passa de mero espetáculo, sem nenhum resultado prático, como se fosse tarefa da PF julgar e condenar os acusados de desvios dos recursos públicos. Ela faz - e bem - a sua parte. O nó górdio da impunidade - e que atinge o coração da democracia - não está no Executivo nem no Legislativo, mas no Poder Judiciário. Os dois primeiros Poderes, apesar dos defeitos que possuem, sofrem vigilância muito mais severa da imprensa, são mais transparentes e democráticos. Do Judiciário, pouco ou nada sabemos.

Vivemos uma grave crise política - que se eterniza. E parte dela se deve à corrupção. E o papel ativo do Judiciário nesse combate é essencial. 


A Justiça brasileira é severa com o "andar de baixo", mas leniente com o "andar de cima". Contra os pobres, age rapidamente e pune severamente. Já políticos acusados de corrupção - e considerados por seus pares como corruptos - continuam circulando livremente. Alguns estão no Congresso e são recebidos pelo presidente da República com todas as honras. Um deles, inclusive, pode entrar tranquilamente no Palácio do Planalto, mas será preso se pisar nos Estados Unidos. 


O Judiciário deve agir combatendo os crimes, independentemente da origem social do acusado. Parece óbvio, mas não é o que ocorre no Brasil. 


É um Poder que acabou conivente com a desmoralização da própria Justiça. E exemplos não faltam. 


Não é mero acaso que nenhum dos políticos importantes acusados de corrupção tenha sido condenado e preso. Eles contratam advogados criminalistas especializados em inocentar corruptos - e que cobram honorários caríssimos. Sabem que recebem dinheiro sujo. Mesmo assim, muitos deles, sem pestanejar, assinam manifesto em defesa da ética na política... 


A crise moral atinge até os tribunais superiores. A Operação Hurricane apresentou documentos e gravações envolvendo juízes, advogados e um ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça). A Navalha chegou ao TCU (Tribunal de Contas da União). 


Aí temos outro problema: a forma como são sabatinados pelo Senado os candidatos a ministro dos tribunais superiores - como STF (Supremo Tribunal Federal) e STJ - indicados pelo presidente da República. 


Diversamente do que ocorre nos Estados Unidos, na terra descoberta por Cabral, tudo não passa de mera formalidade. Na sessão, o futuro ministro é elogiado, louvado como eminente jurista, mesmo que os senadores não tenham lido nada dele. Não se faz nenhuma pergunta sobre tema relevante: evitam constrangimentos a todo custo. O candidato já está aprovado antes da audiência. E se for uma mulher, ah, aí a sessão se transforma: a candidata é elogiada pela beleza, elegância e charme, numa manifestação explícita de machismo. 


O problema das nomeações é antigo: Collor retirou do STF Francisco Rezek para designá-lo ministro das Relações Exteriores. Depois o demitiu. Para não deixá-lo na rua, colocou-o de novo no STF. E se fôssemos mais longe, chegaríamos a Floriano Peixoto, que designou um médico e um general para a Suprema Corte. A legislação atual é mais que suficiente para combater a corrupção. Logo, a questão não passa pela inexistência de base jurídica. Falar que falta vontade política ao Judiciário deixaria Montesquieu corado. Também não cabe tomar nenhuma atitude que viole o equilíbrio entre os Poderes. 


O caminho deve ser uma cobrança ativa da sociedade, exigindo que o Judiciário finalmente, para usar linguagem futebolística, entre em campo. 


Dentro desse quadro, com o Judiciário que temos, é impossível começar uma Operação Mãos Limpas, como na Itália. Diversamente do que escreveu nesta página o juiz Cláudio José Montesso (dia 10/6), apontar os graves problemas do Judiciário não fragiliza sua atuação ou a democracia. 


Muito pelo contrário: fortalece a necessidade da mudança desse padrão. 


O que o país espera é uma Justiça célere, eficiente e não-classista. Espera que voltemos a ter capacidade de nos horrorizarmos. Espera que o corrupto seja preso, julgado e condenado (devolvendo aos cofres públicos o dinheiro desviado). Espera que a República anunciada em 15 de novembro de 1889 seja finalmente proclamada.


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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O Judiciário nosso de cada dia



Começo a semana retomando os posts sobre o triste Judiciário brasileiro, uma de minhas maiores preocupações, como cidadã e blogueira.


Houve quem se horrorizasse com a ministra-corregedora Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho Nacional de Justiça, que numa entrevista declarou haver no Judiciário infiltração de "bandidos por trás da toga".


A manifestação da deputada Cidinha Campos que reproduzo a seguir não é de agora, é de junho do ano passado. Mas a problemática continua. E não acontece numa cidadezinha longínqua, dos rincões, mas no Rio de Janeiro, na segunda maior cidade do País. E a fala corajosa da deputada evidencia o nível deletério a que chegaram alguns setores deste poder.


E ainda há quem critique a ministra Eliana Calmon. E ainda há os que pretendem calar o CNJ, transformando-o num mero enfeite. Aliás, nesta semana deve entrar novamente na pauta do STF a discussão desta questão. Fiquemos atentos.


A deputada cidadã foi à tribuna, abriu a boca, mostrou toda a sua indignação. Que deve ser a indignação de todos nós, cidadãs e cidadãos de bem, que pagamos e exigimos um Judiciário que promova Justiça e não iniquidade.




Link do vídeo


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domingo, 6 de novembro de 2011

Lula e Marisa: o melhor da semana

Depois de tanta baixaria e incivilidade contra o ex-presidente Lula, na mídia e nas redes sociais, o melhor momento pro ABC! foi ver Lula, abraçado com Marisa, sereno, tranquilo, confiante, agradecendo o carinho e a solidariedade do povo brasileiro, pedindo apoio de todos nós à presidenta Dilma e manifestando mais uma vez seu compromisso com o Brasil.



Link do vídeo


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Ensaio sobre a Hipocrisia



"Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundície!" (Mateus 23.27)


Ensaio sobre a Hipocrisia



Ter mentido é ter sofrido. O hipócrita é um paciente na dupla acepção da palavra; calcula um triunfo e sofre um suplício. A premeditação indefinida de uma ação ruim, acompanhada por doses de austeridade, a infâmia interior temperada de excelente reputação, enganar continuadamente, não ser jamais quem é, fazer ilusão, é uma fadiga. Compor a candura com todos os elementos negros que trabalham no cérebro, querer devorar os que o veneram, acariciar, reter-se, reprimir-se, estar sempre alerta, espiar constantemente, compor o rosto do crime latente, fazer da disformidade uma beleza, fabricar uma perfeição com a perversidade, fazer cócegas com o punhal, por açúcar no veneno, velar na franqueza do gesto e na música da voz, não ter o próprio olhar, nada mais difícil, nada mais doloroso. 

O odioso da hipocrisia começa obscuramente no hipócrita. Causa náuseas beber perpetuamente a impostura. A meiguice com que a astúcia disfarça a malvadez repugna ao malvado, continuamente obrigado a trazer essa mistura na boca, e há momentos de enjôo em que o hipócrita vomita quase o seu pensamento. Engolir essa saliva é coisa horrível. Ajuntai a isto o profundo orgulho. Existem horas estranhas em que o hipócrita se estima. Há um eu desmedido no impostor. O verme resvala como o dragão e como ele retesa-se e levanta-se. O traidor não é mais que um déspota tolhido que não pode fazer a sua vontade senão resignando-se ao segundo papel. É a mesquinhez capaz da enormidade. O hipócrita é um titã-anão.

Victor Hugo, in Os Trabalhadores do Mar 


Ilton Santana


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sábado, 5 de novembro de 2011

Lula e a perversidade humana



A propósito do câncer diagnosticado no ex-presidente Lula e dos posts que venho publicando aqui a respeito, tenho recebido vários comentários absolutamente impublicáveis, de gente sem qualquer noção de civilidade, que se utiliza de linguagem baixa, palavrório vulgar e insultuoso referindo-se ao ex-presidente. Desnecessário dizer que tais comentaristas sequer têm a hombridade de assinar o que escrevem.


O Abra a Boca, Cidadão! é um blog ativista e jornalístico, editado por uma defensora dos direitos humanos e da ampla liberdade de expressão. E continuará aberto como sempre esteve a opiniões contrárias, a pontos de vista divergentes, desde que escritos de forma equilibrada, educada, civilizada. Sem apologia a ilícitos e sem linguagem chula.


Aos que acham que Lula deveria se tratar no SUS, reproduzo abaixo carta de um ex-professor da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), curado de um câncer graças a atendimento no SUS, publicada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim, em seu blog.


Felicidades e Saúde, querido Presidente Lula!



                                                                                                                                           Ricardo Stuckert/PR



4 de novembro de 2011


Como todos meus amigos próximos sabem, eu fui acometido de um linfoma altamente maligno em 1991. O diagnóstico foi tardio (estava do estadio 3 do câncer quando o máximo de gravidade é 4) e, sem muito saber o que fazer, amigos meus indicaram-me um hospital público que tinha um núcleo de hematologia onde se estudava e tratava das doenças do sangue, o Hospital Brigadeiro. Passei 3 meses sob tratamento quimioterápico e outros tratamentos mais para tentar controlar a doença sendo que, ao final, passei por sessões de radioterapia no HC, também um hospital público. Após tudo isso foi constatado uma remissão completa do linfoma. Segundo a equipe médica, se os tumores não voltassem em 5 anos poder-se-ia considerar uma cura completa. Já se passaram 20 anos e estou vivo e saudável. Devo minha vida à equipe do Hospital Brigadeiro e aos meus colegas de departamento. Por isso os desajustados que estão comemorando a doença do Lula podem tirar o cavalinho da chuva porque as coisas não são bem o que eles pensam.


Resolvi escrever isso após ler uma série de comentários na mídia esgoto sobre os insultos ao Lula, mandando-o se tratar na saúde pública. Lula uma vez disse que a burguesia brasileira era perversa no que ele está coberto de razão. Basta ver como ele está sendo tratado nas “redes sociais” e, portanto, este meu depoimento é para dar força a ele. Se pudesse chegar ao conhecimento dele ficaria mais satisfeito e confortado.


Nylson Gomes da Silveira Filho

Professor aposentado da UNIFESP



Conversa Afiada



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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Dilma e o "Bolsa Família Global"



Depois da gritaria interna das ignorantes e mesquinhas elites brasileiras, que criticaram ferozmente o bem-sucedido programa Bolsa Família do governo Lula, chamando-o entre outras cretinices de Bolsa Esmola, chegou a hora do alvoroço internacional. 


A presidenta Dilma Rousseff, que participa da reunião do G20, grupo dos 20 países mais desenvolvidos, defendeu ontem um programa de renda mínima mundial, uma espécie de Bolsa Família Global.


Graças ao vitorioso governo do presidente Lula, que tirou com seus programas sociais milhões de brasileiros da pobreza, o Brasil tem hoje moral para chegar em reuniões internacionais e propor medidas parecidas para enfrentar a crise econômica mundial.


Abaixo mais detalhes da fala da presidenta.


Em Cannes, Dilma defende proposta da OIT para 'bolsa família' global

Dilma e Sarkozy em Cannes/Reuters
Presidente sugere que medida seria um caminho possível para o combate às crises econômicas.
A presidente Dilma Rousseff defendeu nesta quinta-feira durante a reunião de cúpula do G20 em Cannes, na França, uma antiga proposta da OIT (Organização Internacional do Trabalho) para estabelecer uma espécie de programa de renda mínima global, em moldes semelhantes ao programa brasileiro do Bolsa Família.
Dilma disse que "o Brasil tem uma experiência exitosa de enfrentar a crise com inclusão social e geração de empregos" e sugeriu que esse seria um caminho possível para o combate às crises econômicas.
"A inclusão de 40 milhões de pessoas na classe média foi não somente um impositivo moral, mas também uma questão de eficiência econômica", afirmou.
Segundo ela, é por essa razão que o país "apoia a tese da OIT de que um piso único de renda global não é filantropia, mas é uma rede de proteção mundial fundamental para enfrentar a crise e que tem um efeito inequívoco contra a crise".
De acordo com a OIT, a proposta oficialmente chamada de Piso de Poteção Social "prevê que cada país deveria incluir na oferta de serviços básicos de saúde, independentemente de contribuição, o pagamento de um benefício básico para famílias com crianças – a exemplo do que o governo brasileiro garante com o pagamento do Bolsa Família, benefícios assistenciais para pobres e desempregados e a manutenção das políticas de garantia de renda para idosos, viúvos, órfãos e inválidos".
Taxa sobre operações financeiras

"A inclusão de 40 milhões de pessoas na classe média foi não somente um impositivo moral, mas também uma questão de eficiência econômica"
Dilma Rousseff, presidente
A proposta da OIT já havia sido endossada pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, anfitrião do encontro, no início do ano.
A presidente brasileira disse ainda em seu discurso que apoia outra proposta defendida pela França, da criação de uma taxa global sobre operações financeiras para bancar programas sociais, desde que ela venha em conjunto com a aprovação da proposta do piso global.
"O Brasil não se opõe a uma taxa financeira mundial se isso (a proposta da OIT) for consenso entre os países a favor da ampliação dos investimentos sociais", afirmou Dilma.
Em um pronunciamento após o encontro, Sarkozy, na condição de presidente de turno do G20, se disse animado com o apoio declarado à proposta da taxa financeira global e citou especificamente os apoios manifestados por Dilma e pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner, durante a reunião.

BBC Brasil