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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Mais um ativista assassinado!

Esta blogueira e este blog, desolados e revoltados, exigem a apuração rigorosa deste descalabro: o bárbaro assassinato destes três ativistas no norte do País nesta semana.


Presidenta Dilma, ministra Maria do Rosário, ministro José Eduardo Martins Cardozo: nós cidadãs e cidadãos brasileiros exigimos providências urgentíssimas do Estado brasileiro para coibir novas atrocidades como estas e punir exemplarmente estes criminosos.


Chega de impunidade!!!




Líder sem-terra é assassinado a tiros em Rondônia


MATHEUS MAGENTA
DE SÃO PAULO

O agricultor Adelino Ramos, líder do MCC (Movimento Camponês Corumbiara), considerado um dos movimentos sociais agrários mais radicais do país, foi morto a tiros na manhã desta sexta-feira (27) em Vista Alegre do Abunã, distrito de Porto Velho.

Segundo a CPT (Comissão Pastoral da Terra), ele informou à Ouvidoria Agrária Nacional, em 2009, que sofria ameaças de morte porque denunciava a ação de madeireiros na região da divisa entre Acre, Amazonas e Rondônia.

De acordo com informações da Polícia Civil de Rondônia, o agricultor foi morto a tiros por um motociclista enquanto vendia verduras produzidas no acampamento onde vivia. O crime ocorreu por volta das 10h.

Nenhum suspeito foi preso até o momento.

Adelino era um dos sobreviventes do massacre de Corumbiara, em 1995, que ocorreu durante a desocupação da fazenda Santa Elina. Morreram no conflito dez sem-terra que estavam acampados na fazenda e dois policiais militares.

Jimmy Maciel/Sepror



Ramos foi morto a tiros por um motociclista enquanto 

vendia verduras produzidas no acampamento onde vivia


EXTRATIVISTA NO PARÁ

A morte de Adelino acontece três dias depois que o casal José Claudio Ribeiro da Silva, 54, e Maria do Espírito Santo da Silva, 53, serem assassinados a tiros em Nova Ipixuna (PA).

Os dois eram lideranças na extração de castanheira na região e lutava contra os madeireiros na região de Marabá. A polícia suspeita que os dois foram mortos em uma emboscada.

A polícia suspeita que os dois foram mortos em uma emboscada.

Em novembro do ano passado, Silva declarou durante uma palestra na conferência TEDx Amazônia que vivia "com uma bala na cabeça" por denunciar madeireiros da região. "A mesma coisa que fizeram com o Chico Mendes e a irmã Dorothy [Stang], querem fazer comigo."

France Presse


Portal Folha

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quinta-feira, 26 de maio de 2011

República da Bandidagem

O presidente do Senado Federal, José Sarney, arquivou denúncia do advogado Alberto de Oliveira Piovesan, que pedia abertura de processo de impeachment contra Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal. 


Precisa dizer mais alguma coisa?






quarta-feira, 25 de maio de 2011

Cyberativismo em risco

AO COMPLETAR 50 ANOS, ANISTIA INTERNACIONAL ALERTA: MUDANÇA HISTÓRICA ESTÁ NO FIO DA NAVALHA

O relatório anual da Anistia mostra como o crescimento da mídias sociais está impulsionando um novo ativismo que os governos estão fazendo de tudo para controlar

(Londres) As crescentes demandas por liberdade e por justiça em todo o Oriente Médio e no norte da África, assim como a emergência das mídias sociais, oferecem uma oportunidade sem precedentes de mudança na situação dos direitos humanos – mas essa mudança está no fio da navalha, alerta a Anistia Internacional no lançamento de seu informe global sobre direitos humanos, às vésperas do aniversário de 50 anos da organização.
"Passados 50 anos desde que a vela da Anistia começou a iluminar as trevas da repressão, a revolução dos direitos humanos vive agora um momento histórico de mudança", disse Salil Shetty, secretário-geral da Anistia Internacional.
"A pessoas cansaram de viver com medo. Uma gente corajosa, estimulada por lideranças jovens, resolveu se erguer em defesa de seus direitos, enfrentando balas, tanques, gás lacrimogêneo e espancamentos. Essa bravura – combinada com as novas tecnologias que estão ajudando os ativistas a denunciarem e suplantarem a repressão governamental da livre expressão e das manifestações pacíficas – é um sinal para os governos repressores de que seus dias estão contados.
"Mas as forças da repressão estão reagindo com fúria. A comunidade internacional não pode desperdiçar essa oportunidade inédita de mudança e deve garantir que este despertar dos direitos humanos que vimos em 2011 não se torne uma ilusão”.
Uma batalha crucial está sendo travada pelo controle do acesso à informação, dos meios de comunicação e das tecnologias de rede, enquanto as mídias sociais impulsionam um novo tipo de ativismo que os governos estão fazendo de tudo para controlar. Como vimos na Tunísia e no Egito, a tentativa dos governos de impedir o acesso à internet ou de cortar as linhas de telefonia móvel é um tiro que pode sair pela culatra. Ainda assim, eles tentam fazer o que podem para recobrar o domínio da situação ou para usar essas tecnologias contra os ativistas.
Os protestos que se difundiram por todo o Oriente Médio e o norte da África, quando as pessoas passaram a exigir o fim da repressão e da corrupção, estão mostrando o quanto é grande sua vontade de viver sem medo e sem necessidades, e estão dando voz a quem não tinha.
Na Tunísia e no Egito, o sucesso dessas pessoas em destronar os ditadores fascinou o mundo. Agora, os ventos do descontentamento já sopram em lugares tão distantes quanto o Azerbaijão ou o Zimbábue.
No entanto, apesar de uma nova disposição em confrontar a tirania, e apesar de o campo de batalha pelos direitos humanos ter chegado à fronteira digital, a liberdade de expressão – um direito extremamente vital por si mesmo e também por dar acesso a outros direitos humanos – está sob ataque em todo mundo.
Os governos da Líbia, da Síria, do Iêmen e do Bahrein mostraram-se dispostos a espancar, mutilar ou matar para permanecer no poder. Mesmo onde os ditadores já caíram, as instituições que os apoiaram ainda precisam ser desmanteladas e o trabalho dos ativistas recém começou. Governos repressores, como os do Azerbaijão, da China e do Irã, estão tentando abortar antecipadamente quaisquer revoluções semelhantes que possam acontecer em seus países.
Informe 2011 da Anistia Internacional documenta restrições específicas à liberdade de expressão em pelo menos 89 países, destaca casos de prisioneiros de consciência em ao menos 48 países, documenta casos de tortura e outros maus-tratos em pelo menos 98 países e relata a ocorrência de julgamentos injustos em ao menos 54 países.
Dentre os momentos mais marcantes de 2010 estão a libertação de Aung San Suu Kyi em Mianmar e a atribuição do Prêmio Nobel da Paz ao dissidente chinês Liu Xiaobo, apesar das tentativas de seu governo de sabotar a cerimônia.
Longe das manchetes internacionais, milhares de defensores dos direitos humanos foram ameaçados, encarcerados, torturados e mortos em países como Afeganistão, Angola, Brasil, China, México, Mianmar, Rússia, Turquia, Uzbequistão, Vietnã e Zimbábue.
Na maioria das vezes, esses ativistas defendiam os direitos humanos atuando sobre questões de pobreza, da marginalização de comunidades inteiras, de direitos das mulheres, de corrupção, brutalidade e opressão. Os eventos que se sucederam ao redor do mundo evidenciaram a importância de seu papel e mostraram o quanto é necessário que as pessoas de todo o mundo se solidarizem com eles.
O relatório anual da Anistia Internacional destaca ainda:
  • A deterioração da situação em países onde os ativistas correm sérios riscos, como Ucrânia, Belarus e Quirguistão; a espiral de violência na Nigéria; e a escalada da crise provocada pelos rebeldes maoístas armados nas regiões central e nordeste da Índia.
  • As principais tendências regionais, como as ameaças crescentes aos povos indígenas nas Américas; a complicada situação legal das mulheres que optam por usar o véu que cobre o rosto na Europa; e a disposição cada vez maior dos Estados europeus de devolver as pessoas para locais em que elas correm risco de perseguição.
  • Os conflitos que trouxeram desgraças a países como República Centro-Africana, Chade, Colômbia, República Democrática do Congo, Iraque, Israel e Territórios Palestinos Ocupados, Sri Lanka, Sudão, Somália e a região russa do norte do Cáucaso – lugares em que os civis são alvos tanto dos grupos armados quanto das forças do governo.
  • Sinais de progresso, como o constante retrocesso da pena de morte; algumas melhoras nos cuidados de saúde materna, por exemplo, na Malásia e em Serra Leoa; e o fato de alguns dos responsáveis por crimes contra os direitos humanos cometidos sob os regimes militares da América Latina terem sido levados à Justiça.
Salil Shetty afirmou que os governos poderosos, que subestimaram a sede de liberdade e de justiça de pessoas de todos os lugares, devem agora apoiar as reformas em vez de continuar com o cínico apoio político que prestavam à repressão. A verdadeira integridade desses governos deverá ser medida por algumas provas importantes: o apoio que darão à reconstrução de Estados que promovam os direitos humanos, mesmo que esses Estados não sejam seus aliados, e sua disposição, como no caso da Líbia, de encaminhar os piores perpetradores para o Tribunal Penal Internacional quando falharem todas as outras vias de justiça.
A necessidade de haver uma política de tolerância zero, de parte do Conselho de Segurança da ONU, para crimes contra a humanidade, foi ressaltada pela brutalidade da repressão na Síria, que, desde março, já deixou centenas de mortos, e pela falta de qualquer ação coordenada para responder à repressão dos protestos pacíficos no Iêmen e no Bahrein.
Os governos do Oriente Médio e do norte da África devem ter a coragem de permitir que se realizem as reformas exigidas por um cenário de direitos humanos em tamanha transformação. Eles devem respeitar os direitos de as pessoas se expressarem e se reunirem pacificamente, além de garantir a igualdade para todos, sobretudo eliminando os obstáculos à participação plena das mulheres na sociedade. As polícias secretas e as forças de segurança devem ser refreadas e as brutalidades e as matanças devem acabar. Deve-se assegurar que os responsáveis prestem contas integralmente pelos abusos que cometeram, a fim de que as vítimas obtenham a justiça e a reparação que aguardam há muito tempo.
As empresas provedoras de serviços de internet e de telefonia móvel, que mantêm sites de relacionamento social ou que prestam suporte a mídias digitais e a sistemas de comunicação, precisam respeitar os direitos humanos. Essas empresas não devem ser marionetes nem cúmplices de governos repressores que querem espionar e sufocar a livre expressão de seu povo.
"Desde o fim da Guerra Fria não se via tantos governos repressores sendo desafiados a tirar suas garras do poder. A exigência de direitos políticos e econômicos que se propaga pelo Oriente Médio e norte da África é uma prova dramática de que todos os direitos têm importância igual e de que constituem uma demanda universal," disse Salil Shetty.
“Cinquenta anos depois que a Anistia Internacional surgiu para proteger os direitos de pessoas detidas por manifestar pacificamente suas opiniões, os direitos humanos passaram por uma revolução. O clamor por justiça, liberdade e dignidade se transformou em uma demanda global que se fortalece a cada dia. O gênio saiu da garrafa e as forças da repressão não conseguem mais aprisioná-lo."

NOTA AOS EDITORES 

  1. Informe 2011 da Anistia Internacional: O Estado dos Direitos Humanos no Mundo abrange o período de janeiro a dezembro de 2010.
  2. Fatos e números, materiais audiovisuais, detalhes sobre eventos e outras informações para a imprensa  podem ser disponibilizados através do e-mail press@amnesty.org
  3. Para mais informações ou para agendar entrevista com um porta-voz da Anistia Internacional ou com as pessoas que estiveram na linha de frente da luta por direitos humanos no último ano, entre em contato com a Assessoria de Imprensa através do telefone + 44 (0) 20 7413 5566 ou do e-mail press@amnesty.org.

Anistia Internacional
Não desperdice sua energia
Comunicado à Imprensa

12 de maio de 2011 




terça-feira, 24 de maio de 2011

República dos Canalhas ou Como é doce uma quadrilha!...

Bom, nem preciso escrever algumas linhas para introduzir o artigo abaixo, como costumo e gosto de fazer aqui no ABC!

Basta uma vista d' olhos no noticiário nacional pra saber do que se trata aqui. Nenhum dos "pilares" da República Bananeira escapa, mesmo. Quando não é o Judiciário e suas bandas podres, seus cancros, seus semideuses cínicos e togados, são os trocentos picaretas do Congresso... E agora, o primeiro escalão do Executivo, no governo da Primeira Mulher Presidente da República, que sequer completou seis meses!

Como diz o outro, Viva o Brasil !!!


O discreto charme da corrupção

Arnaldo Jabor

Vivemos sob uma chuva de escândalos e denúncias de corrupção. Mas, não se enganem, esses shows permanentes nos jornais e TV servem apenas para dar ao povo a impressão de transparência e para desviar seus olhos das reformas essenciais que mantêm nossas oligarquias intactas. Aos poucos o povo vai se acostumar à zorra geral e achar que tanta gente tem culpa que ninguém tem culpa. Me chamam de canalha, mas eu sou essencial. Tenho orgulho de minha cara de pau, de minha capacidade de sobrevivência, contra todas as intempéries. 

Enquanto houver 25 mil cargos de confiança no País, eu estarei vivo, enquanto houver autarquias dando empréstimos a fundo perdido, eu estarei firme e forte. Não adiantam CPIs querendo me punir. Eu me saio sempre bem. Enquanto houver esse bendito Código de Processo Penal, eu sempre renascerei como um rabo de lagartixa, como um retrovírus fugindo dos antibióticos. 

Eu sei chorar diante de uma investigação, ostentando arrependimento, usando meus filhos, pais, pátria, tudo para me livrar. Eu declaro com voz serena: "Tudo isso é uma infâmia de meus inimigos políticos".

Eu explico o Brasil de hoje. Tenho 400 anos: avô ladrão, bisavô negreiro e tataravô degredado. Eu tenho raízes, tradição. Durante quatro séculos, homens como eu criaram capitanias, igrejas, congressos, labirintos. Nunca serão exterminados; ao contrário - estão crescendo. Não adianta prender nem matar; sacripantas, velhacos, biltres, vendilhões e salafrários renascerão com outros nomes, inventando novas formas de roubar o País.

E sou também "pós-moderno": eu encarno a "real-politik" do crime, a frieza do Eu, a impávida lógica do egoísmo.

No imaginário brasileiro, tenho algo de heroico. São heranças da colônia, quando era belo roubar a Coroa. Só eu sei do delicioso arrepio de me saber olhado nos restaurantes e bordeis; homens e mulheres veem-me com gula: "Olha, lá vai o ladrão..." - sussurram fascinados por meu cinismo sorridente, os maîtres se arremessando nas churrascarias de Brasília e eu flutuando entre picanhas e chuletas.

Amo a adrenalina que me acende o sangue quando a mala preta voa em minha direção, cheia de dólares, vibro quando vejo os olhos covardes dos juízes me dando ganho de causa, ostentando honestidade, fingindo não perceber minha piscadela maligna e cúmplice na hora da emissão da liminar... Adoro a sensação de me sentir superior aos otários que me compram, aos empreiteiros que me corrompem, eles, sim, humilhados em vez de mim.

Sou muito mais complexo que o bom sujeito. O bom é reto, com princípio e fim; eu sou um caleidoscópio, uma constelação.

Sou mais educativo. O homem de bem é um mistério solene, oculto sob sua gravidade, com cenho franzido, testa pura. O honesto é triste, anda de cabeça baixa, tem úlcera. Eu sou uma aula pública de perversidade. Eu não sou um malandro - não confundir. O malandro é romântico, boa-praça; eu sou minimalista, seco, mais para poesia concreta do que para o samba-canção. Eu faço mais sucesso com as mulheres - elas ficam hipnotizadas por meu mistério; e me amam, em vez do bondoso, que é chato e previsível. 

A mulher só ama o inconquistável. Eu fascino também os executivos de bem, porque, por mais que eles se esforcem, competentes, dedicados, sempre se sentirão injustiçados por algum patrão ingrato ou por salários insuficientes. Eu, não; não espero recompensas, eu me premio e tenho o infinito prazer do plano de ataque, o orgasmo na falcatrua, a adrenalina na apropriação indébita. Eu tenho o orgulho de suportar a culpa, anestesiá-la - suprema inveja dos meros neuróticos e sempre arranjo uma razão que me explica para mim mesmo. Eu sempre estou certo; ou sou vítima de algum mal antigo: uma vingança pela humilhação infantil, pela mãe lavadeira ou prostituta que trabalhou duro para comprar meu diploma falso de advogado. Pois é, eu comprei meu título de advogado; paguei um filho de uma égua para me substituir no exame e ele acertou tudo por mim. Eu me clonei.

Subi até a magistratura. Como juiz e com meu belo diploma falso na parede, vendi muitas sentenças para fazendeiros, queimadores de florestas, enchi o rabo de dinheiro. Passei a ostentar uma dignidade grave, uma cordialidade de discretos sorrisos, vivendo o doce frisson de me sentir superior aos medíocres honestos que se sentem "dignos"; digno era eu, impávido, mentindo, pois a mentira é um dom dos seres superiores. A mentira é necessária para manter as instituições em funcionamento. O Brasil precisa da mentira para viver. E vi que é inebriante ser cruel, insensível, ignorar essas bobagens como a razão, a ética, que não passam de luxos inventados pelos franceses, como os escargots.

Aí, com muito dinheiro encafuado, bufunfas e granolinas entesouradas, eu me permiti as doçuras da vida e me apaixonei por aquela santa que virou mãe de meus filhos. Hoje, com a passagem do tempo, ela vai se consumindo em plásticas e murchando sob pilhas de botox, mas continuo fiel a ela como o marido público, pois nunca a abandonarei, apesar das amantes nas lanchas, dos filhos bastardos.

E, aí, fui criando a minha rede de parentes e amigos; como é doce uma quadrilha, como é bela a confiança de fio de bigode, o trânsito cordial entre a lei e o crime... Assim, eu fechei o ciclo que começou na mãe lavadeira e no diploma falso até a minha toga negra, da melhor seda pura que minha esposa comprou em Miami, e não fui feito desembargador nas coxas não; eu já sabia que bastavam padrinhos e meia dúzia de frases em latim: "Actore non probante, reus absolvitur!" (frase que muito me beneficiou vida a fora.) Depois, claro, fui deputado, senador e sou um homem realizado. Eu sou mais que a verdade; eu sou a realidade. Eu e meus amigos criamos este emaranhado de instituições que regem o atraso do País. Este País foi criado na vala entre o público e o privado. 

A bosta não produz flores magníficas? Pois é. O que vocês chamam de corrupção, eu chamo de progresso. O Brasil precisa de mim.


Do saite Espaço Vital.

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Os perseguidos

Lucius Annaeus Seneca, que nasceu em Córdoba, Espanha, alguns anos antes da era cristã, é o primeiro representante do estoicismo romano. Era filho do retórico Sêneca, o Velho, e foi educado em Roma, onde estudou retórica e filosofia. Ficou famoso como advogado. Como político, chegou ao Senado, sendo depois nomeado questor, magistrado da justiça criminal.

O sucesso de Sêneca na política provocou a inveja do imperador Calígula, que pretendia assassiná-lo, mas quem acabou morrendo mesmo foi Calígula. Anos depois, sob acusação de adultério, Sêneca foi exilado na Córsega, onde sofreu grandes privações de ordem material.

De volta a Roma depois de longo período, assumiu a educação de Nero, sendo seu principal ministro e conselheiro quando este se torna imperador. Alcançou sucesso e fortuna, provocando então a hostilidade de Nero. Perseguido, acaba condenado ao suicídio.

Com serenidade estoica, no ano 65 da nossa era, cortou os pulsos diante de amigos, cumprindo a condenação determinada pelo despótico imperador.

Entre seus Ensaios Morais contam-se Sobre a Clemência, onde adverte Nero sobre os perigos da tirania, Da Brevidade da Vida, em que analisa as frivolidades nas sociedades corruptas e Sobre a Tranquilidade da Alma, que trata da participação na vida pública.

Para Sêneca, a filosofia é uma arte da ação humana, uma pedagogia que educa os homens para o exercício da virtude, uma medicina da alma. No centro da reflexão filosófica, portanto, deve estar a ética, os valores imperecíveis.

Como se vê, não é de hoje que a inveja constitui motor das injustiças cometidas pela iniquidade.


Os perseguidos


Maus não são os que parecem ser, os que apenas parecem ser. E o que tu chamas de asperezas, adversidades, abominações, são coisas até proveitosas às pessoas que as têm de suportar, e mesmo a todos os homens, pelos quais velam os deuses, os sofrimentos, injustamente impostos, acabam tornando-se merecimento para os que os recebem e castigo para os que se livram deles a qualquer preço.

Em geral, as perseguições atingem os bons, exatamente porque são bons. Não chores sobre o sofrimento dos bons, para que não se tenha a idéia de que eles são desventurados. Não te espantes, se te digo que ser esmagado pela perseguição não é, geralmente, uma desgraça para o homem, mas antes uma felicidade e uma honra.

"Mas será proveitoso - perguntas - ser lançado ao exílio, reduzido à indigência, ter de enterrar a esposa e os filhos, ser vilipendiado pela ignomínia e mutilado pela tortura?" Se te parece estranho que isso seja proveitoso, também te há de parecer estranho que alguns sejam curados com ferro e fogo, como pela fome ou pela sede. Mas se considerares que a alguns, por remédio heroico, lhes quebram e arrancam os ossos, lhes extraem veias e amputam determinados membros, que não poderiam ficar unidos ao resto do corpo sem prejudicá-lo, também hás de reconhecer, forçosamente, que certos males beneficiam aos que os suportam.

Da mesma forma certas vantagens, certos prazeres, certas recompensas e honrarias aviltam e desfiguram aos que delas se beneficiam. Entre muitas e magníficas sentenças de nosso Demétrio, há uma de que sempre me lembro, e que diz que nada parece mais infeliz do que o homem que nunca sofreu contrariedades, pois, assim, nunca foi provado. Os deuses o desprezam, não lhe dando oportunidade de construir sua fortaleza de ânimo e vencer as injustiças.

É próprio dos pouco dignos não sofrer perseguições, pois estão sempre de acordo com os poderosos, como se dissessem: "Para que vou me opor a um adversário temível?" Sobre estes, o opressor nem precisará descer sua mão pesada. Acovardam-se com um simples olhar. O próprio opressor os despreza, e respeita mais aqueles que o enfrentam com valor, mesmo quando são esmagados. O próprio opressor gosta de medir suas forças com quem também tem força, e tem vergonha de lutar contra um homem resignado à derrota e à submissão. O gladiador considera uma ignomínia combater com um inferior e sabe que o vencido sem perigo é um vencido sem glória.

Assim também procede a fortuna: busca os mais fortes, os que não têm medo, os mais tenazes. Prova a Múcio com o fogo, o Fabrício com a pobreza, a Rutilo com o desterro, a Régulo com a tortura, a Sócrates com o veneno, a Catão com a morte. Só na adversidade se encontram as grandes lições de heroísmo. Será que Múcio foi um infeliz ao segurar na mão direita a tocha acesa e ao infligir-se a si mesmo o castigo de seu erro, pondo em fuga com a mão queimada o rei que não pudera afugentar com a mão armada? Teria alcançado glória maior se estivesse acalentando a mão no seio de uma amiga? E Fabrício, ao lavrar seu pequeno campo, nas horas de folga do exercício do governo, no qual fazia a guerra tanto a Pirro como às riquezas, e porque, à luz da lamparina de sua casa modesta, não come outra coisa senão as raízes e as ervas que plantou e colheu com suas próprias mãos?

E Rutilo, será um infeliz por ter sofrido uma condenação da qual os juízes que o condenaram se envergonharão através dos tempos, e por ela responderão ao longo dos séculos? O que o honra, exatamente, é a grandeza com que se portou diante dos juízes perversos, e preferiu perder o direito de viver na própria pátria, negando-se sempre a negociar sua consciência com Sila, o ditador, a quem respondeu viajando ainda mais longe de Roma, quando o tirano o convidava a voltar. Sua resposta altiva ao ditador era que ficasse ele com os que se compraziam na submissão e contemplavam sem revolta o sangue derramado na rua e as cabeças dos senadores do povo no lado serviliano e as hordas de assassinos rondando soltos a cidade, e os milhares de cidadãos romanos degolados num mesmo lugar, depois de haverem jurado fidelidade, e até exatamente por isto. Fiquem com tudo isso - dizia o exilado - os que preferem a desonra ao desterro. E a Régulo, a quem torturaram, arrancaram a pele, encheram-lhe o corpo de feridas, obrigaram-no a não dormir - quem era superior: ele, ou os torturadores? Seu tormento foi grande, mas sua glória foi maior. Porque sofria pela causa do povo romano.


(Do tratado sobre a Providência)

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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Cães, esses seres mais que especiais

Eu não tenho um Golden, o cão de que trata o filósofo Paulo Ghiraldelli Jr. no artigo que publico abaixo. Os meus são "srd", como dizem os veterinários, "sem raça definida", vira-latas, na acepção popular. Arthur, o caçula, peralta e serelepe, é o meu filho "loiro", dourado como o Pitoko do filósofo. Chico, o primogênito, de mãe poodle, Nina, e pai vira, João, é o meu filho com todas as qualidades que o filósofo identificou no seu Golden, e eu arrisco a dizer, outras mais.



Chico é um lorde inglês. Educadíssimo. Não precisei ensiná-lo como se portar quando de suas necessidades fisiológicas. Jamais as fez dentro de casa ou em lugares impróprios. Doce como o mel, companheiro de todas as horas, alegre, solidário, me ensinou a amar, me amando.

E o melhor de tudo: de um caráter, de uma lealdade, de uma integridade sem limites. O que falta em boa parte da "humanidade" com que somos todos obrigados a conviver...


Aprendendo a amar


Os animais são racionais. Contra Aristóteles, Voltaire (1) acompanhou Montaigne na sua observação dos animais, mostrando o comportamento deles como possuindo, segundo uma perspectiva, tudo que se pode atribuir à racionalidade.

Na verdade, se quiséssemos ser cientificamente bem rigorosos e filosoficamente espertos, teríamos de afirmar uma diferença de “racionalidade” entre nós, os bípedes-sem-penas, e os outros animais, se pudéssemos adentrar nas mentes deles. Não podemos fazer isso com nossos semelhantes. Com ninguém. Tudo que sabemos da racionalidade de nossos semelhantes e dos nossos dessemelhantes é por imputação, a partir da observação comportamental.

Por isso mesmo, gosto muito daquele desenho animado em que há uma sociedade secreta de cães que toma conta da Terra, e que vive salvando o planeta das besteiras feitas pelos homens e mulheres. Pode parecer empiricamente impossível aquilo, mas do ponto de vista teórico, aquela ficção não é impossível. Deveríamos levar aquele cartoon a sério ao nos relacionarmos com os animais, principalmente com aqueles que trouxemos para dentro de nossos lares e do nosso convívio há tanto tempo, os cães.

Caso você tenha um cão, não o trate como um pet. Trate-o como um membro da família. Caso você tenha um cão Golden, trate-o não só como membro da família, mas como um filho – e seja um bom pai e uma boa mãe. Faça isso e você não só estará fazendo justiça à “racionalidade” que Voltaire notou, mas estará fazendo também algo de muito bom para você mesmo. Será um presente que você estará se dando. Pois ao elevar o Golden à condição de filho, você descobrirá em você uma nova capacidade de amar. Como amor envolve não só dedicação, mas observação, pois o amor tem um “olhar especial”, então você começará a filosofar como Voltaire. Você começará a finalmente entender o Cosmos, ao ver nos seres que até então você chamava de “brutos” algo nada bruto, talvez algo bem melhor que tudo que nós, os humanos, podemos nos atribuir.

A primeira coisa que você tem de aprender com o Golden é que ele, como você, vem “programado” para realizar certas coisas já em tenra idade. Ele faz o xixi no jornal, sem que você ralhe com ele, apenas mostrando uma vez o lugar de xixi. Pode, no máximo, colocá-lo ali para fazer o xixi. Mas, no geral, nem isso. Só o fato de colocar o jornal, já será o suficiente. Desde as primeiras semanas, podendo ensaiar alguns passinhos e pulinhos, ele já estará pegando a bolinha e trazendo para você. Ao mesmo tempo, ele estará latindo de maneira diferente, para cada coisa que quer. Ou coisa que quer para ele próprio ou coisas que ele quer para você. Eduque seu ouvido para perceber o que ele fala – e ele fala intencionalmente, sem qualquer “condicionamento”. Golden não é para condicionar, não mais que nós mesmos, os humanos. Golden é, em certo sentido, um humano, ou seja, aprende como nós: na base da conversa. Um Golden aprende em torno de 50 palavras de modo muito rápido, sem que você se preocupe em ensinar. Agora, se quiser ensinar, ah, então verá que está diante de uma máquina de aprender sempre. Não é necessário “comandos”, como os treinadores de cães fazem. Basta que o feedback positivo seja dado para cada objeto e palavra, para cada situação e nome, e ele irá aprendendo tudo. Ele observa demais as pessoas que ama, e aprende o que estão conversando, entende o sentido da conversa, quando esta conversa se refere a coisas e situações mais fáceis e mais concretas. Um Golden sabe perfeitamente quando se está conversando dele, e não com ele.

O meu filho Pitoko, um Golden que está agora com mais de um ano, presta atenção na conversa minha com minha esposa, a Fran, e se há na conversa algo que o interessa, por exemplo, a expressão “vamos sair” ou “vamos passear” ou “vamos dar um andada”, ele logo aparece com sua coleira na boca, para ser vestido e se preparar para a saída. Nada foi falado para ele. Estávamos conversando entre nós. Mas, do mesmo modo que eu reconheço alguns latidos dele com o que ele vai fazer, ele também reconhece os meus sons. E ele está sempre interessado em nos acompanhar. O prazer dele é o prazer de estar junto conosco. Como o prazer da Fran e o meu é de estarmos juntos um com outro. Pitoko nos ama. Nós o amamos. É isso.

Tudo que o Golden faz ele faz por amor. Amor aos que lhe dão amor. Mas, fundamentalmente, amor a quem é seu “amor à primeira vista”. Portanto, guarde bem isso, para ensinar ao seu filho ou filha (humanos): se ela ou ele é quem vai ficar com Golden, que ela encare como um parceiro eterno – mais que um amigo ou irmão, mas um tipo de amizade siamesa. Não se pode ficar adolescente e, então, deixar o Golden ser um pet, trocá-lo por amigos ou amigas. Quem faz isso, comete um crime. Quem faz isso, não teve educação, percepção, não foi criado para ser um autêntico ser humano. Não entendeu nada do que é o amor e do que é a amizade.

Comece a observar seu filho, o Golden. Deixe-o dormir junto com você. Tome banho com ele. Converse. A cada passo desses, você vai entender, finalmente, o que é o amor. Você vai sentir um enorme prazer de ter se tornado uma pessoa melhor, capaz de amar outros seres, capaz de cumprir um belo lema do liberalismo que é “viver e deixar viver”. Você será uma pessoa menos irritada, menos “krika”. Experimente. E saiba que a filosofia estará com você. Sempre. Pois, finalmente, você a levou a sério.

Ah, não se esqueça de seguir uma boa dieta para o seu cão, principalmente se ele for um Golden.

©2011 Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo, escritor e professor da UFRRJ

(1) O texto de Voltaire sobre o animais.

domingo, 22 de maio de 2011

Pelos animais, contra o projeto de Deus

Demoramos a perceber que foi Deus, e não Eva e Adão, que cometeu o primeiro pecado. Hoje isso é claro, mas durante anos acreditamos no erro divino como se fosse um acerto, aquele que está lá na Bíblia, escrito como uma ordem que nunca deveríamos ter levado a sério.

No livro de Deus o homem aparece no mundo como senhor da Terra, e toda a natureza e os animais são postos a seu serviço e exploração. O homem foi autorizado por Deus a cuidar do mundo, mas não como guardião e protetor amoroso e, sim, como a raposa no galinheiro. Durante anos a fio o próprio homem, achando-se pecador, não desconfiou que o pecado original nada tinha a ver com ele, e sim com o próprio Deus. Assim acreditando, seguiu a doutrina bíblica de que a ele cabia servir-se do mundo.

Alguns santos indignaram-se com tal coisa. São Francisco de Assis desconfiou de Deus. Saiu pelado em protesto. A Igreja fez para ele uma Ordem. “Vá cuidar você dos que declaramos sem alma, deixe para o resto da Igreja as almas que rendem dízimo” – foi o que os outros padres lhe disseram, autorizados alvissareiramente pelo Papa.

Mas não só santos estranharam o mundo ordenado biblicamente. Alguns filósofos nunca acompanharam de cabeça baixa a ditadura bíblica. Heidegger, por exemplo, achou que a dominação moderna levada a cabo pela técnica científica não havia trazido felicidade ao mundo. No entanto, ainda como outros, ele imaginou que o homem – fundamentalmente o Humanismo – havia sido o culpado de tudo. Caso nos despedíssemos da doutrina humanista, da fúria epistemológica cartesiana, e nos voltássemos a escutar a Voz do Ser, deixaríamos de ver o mundo como algo para as nossas mãos. Então, pacificados por uma renovação da filosofia como contemplação – agora antes auditiva que visual – poderíamos refazer a relva da Terra.

Houve filósofos que viram verdade no que Heidegger tinha dito sobre a ciência, a técnica e a tecnologia, mas não quiseram culpar o homem e sua doutrina. Acreditaram que o mundo tinha uma ordenação pouco promissora. Agiram como se o pecado fosse mesmo de Deus, mas impossível de ser desfeito. Horkheimer levou a sério Schopenhauer e declarou sua crença na metafísica do mal. Não poderíamos estar na Terra e, ao mesmo tempo, não matar os animais e não poluir tudo de modo abusivo. Poderíamos, aqui e ali, criarmos mecanismos sociais e culturais para amenizar o mal. Todavia, o mal estaria instaurado como uma força tão louca quanto a Vontade schopenhauriana ou as forças cósmicas nietzschianas.

Mas, esses santos e filósofos, no limite, nunca foram levados a sério nem mesmo por quem os seguiu. Os adoradores de São Francisco não se tornaram protetores dos animais. Os scholars de Heidegger, em cada universidade, correm para lá e para cá fazendo carreira acadêmica e sendo os mais distantes bípedes da vida contemplativa. Os leitores de Horkheimer nem sempre conseguiram ler suas últimas obras, aquelas nas quais ele recomendou uma vida social-democrata como o modo de criarmos o melhorismo possível no mundo dominado pelo mal. A maior parte deles são devoradores de cadáveres. Só comem cometendo assassinatos.

É claro que existiram os adoradores da arte, que se imaginaram no Olimpo. Filósofos que disseram que o homem iria abandonar o projeto predatório do Deus bíblico se se tornassem andarilhos da estrada estética. Adorno e John Dewey quiseram achar as placas indicativas dessa rodovia. Eles realmente encontraram essa estrada e foram vendo que ela não tinha postos de gasolina e, sim, galerias de arte. Nunca se deram conta de que cada galeria continha quadros pintados com pincéis de pêlo de marta. Nunca foram capazes de aprender a matemática do cotidiano para contabilizar o sofrimento das martas, que pagaram com a vida o deleite estético de uma elite tão pecaminosa quanto Deus.

Quando Jesus veio ao mundo para afrontar o Deus bíblico, pregando a doutrina do amor e não da justiça, ele fez só meio serviço. Jesus não teve a coragem de perceber que ele só escapou de Herodes por conta do burrinho que carregou Maria e ele, conduzido por José. Jesus não entendeu nada do mundo. Afinal, sendo ele próprio filho de quem dizia ser, não poderíamos, mesmo, esperar muito.

Quando menino, eu comecei a achar que esse Deus bíblico tinha alguma coisa de errado. Depois, como filósofo, eu percebi claramente que esse Deus sem-vergonha, além de errado, não havia feito um movimento sequer para se redimir. Resolvi então, eu mesmo, começar a agir. Comecei a conversar com os animais. Tentei olhar para o Cosmos segundo o que vieram a me ensinar. Passei a entender que todo ato nosso contra eles era a covardia máxima a ser feita na Terra, porque nenhum deles jamais conseguiu desconfiar de nós como os que se aproximavam deles, mesmo quando com afagos, para engaiolá-los, matá-los e devorá-los. Hoje, vivendo com o Pitoko, finalmente tenho meus primeiros vislumbres sobre algumas possibilidades de barrarmos a voz errada de Deus e sua crueldade onipresente.

© Paulo Ghiraldelli Jr, filósofo, escritor e professor da UFRRJ.

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