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sábado, 1 de janeiro de 2011

Dilma Rousseff: Presidenta da República do Brasil

Tomou posse hoje a Primeira Presidenta da República Federativa do Brasil.



                                         DILMA VANA ROUSSEFF


                                  VIVA O POVO BRASILEIRO!!!

Dilma Rousseff: da subversão à Presidência da República






O Brasil é, mesmo, um país especial, surpreendente.

Feliz Ano Novo!!!

VIVA O POVO BRASILEIRO!!!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Acabou o governo Lula...

Obrigada, Presidente!


Presidente Lula na saída do Palácio do Planalto, no seu último dia de governo
 
Presidente Lula deixa o Palácio do Planalto pela última vez. Foto: Ricardo Stuckert/PR
 
 
 
 
 

Battisti fica, diz Lula

O Presidente da República tomou hoje a decisão de não conceder extradição ao cidadão italiano Cesare Battisti, com base em parecer da Advocacia-Geral da União. O parecer considerou atentamente todas as cláusulas do Tratado de Extradição entre o Brasil e a Itália, em particular a disposição expressa na letra “f”, do item 1, do artigo 3 do Tratado, que cita, entre as motivações para a não extradição, a condição pessoal do extraditando. Conforme se depreende do próprio Tratado, esse tipo de juízo não constitui afronta de um Estado ao outro, uma vez que situações particulares ao indivíduo podem gerar riscos, a despeito do caráter democrático de ambos os Estados.

Ao mesmo tempo, o Governo brasileiro manifesta sua profunda estranheza com os termos da nota da Presidência do Conselho dos Ministros da Itália, de 30 de dezembro de 2010, em particular com a impertinente referência pessoal ao Presidente da República.

(Nota do governo brasileiro sobre o cidadão italiano Cesare Battisti)

Blog do Planalto

O último dia de Lula na Presidência


Pela agenda abaixo, do site oficial da Presidência, o Presidente Lula terá hoje atividades até as 12:30 h, quando deverá receber o Presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, que se encontra no Brasil para a posse da presidenta eleita Dilma Rousseff, amanhã, em Brasília.

As últimas semanas do Presidente Lula têm sido recheadas de homenagens, despedidas, lágrimas, emoção, alegria, tristeza, em vários cantos do País. Isto é inédito, surpreendente, mas compreensível, por tudo o que o governo popular de Lula fez pelos menos favorecidos, pelos avanços em vários setores. Só as elites (os 3 ou 4% de ruim ou péssimo nas pesquisas de avaliação do governo) e suas ridículas e ferinas "línguas de aluguel" na mídia teimam em não reconhecer os méritos do operário presidente. Paciência.

Ainda hoje Lula deve se manifestar sobre a extradição ou não do escritor e ativista italiano Cesare Battisti.

Vamos acompanhar o último dia do presidente, que deverá ser também um misto de tristeza, alegria e emoção.


Presidência da República
AGENDA DO SENHOR PRESIDENTE


Sexta-feira
31 de dezembro de 2010


09h       - Beto Vasconcelos

Subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República

              Palácio do Planalto


09h30   - Despacho interno

10h       - Despedidas de ministros e suas equipes

12h       - José Ramón Machado Ventura
  Vice-Presidente do Conselho de Estado de Cuba

12h30   - Mahmoud Abbas

  Presidente da Autoridade Nacional Palestina












quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Anos Lula: a alquimia do Poder

 

O ABC! publica abaixo, com muita alegria, um testemunho insuspeito, o do primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, sobre o Presidente Lula e seu governo, aprovadíssimos também pela comunidade internacional. O artigo foi postado hoje no blog Quem Tem Medo do Presidente Lula? [aqui], que recomendamos mais uma vez aos nossos leitores.

 


O meu Brasil é com "S"

 

(Artigo de José Sócrates, primeiro ministro de Portugal, em homenagem ao fim do mandato do Presidente Lula. Uma amostra de como se vê Lula lá fora. Aqui também, 87%, apesar da Globo, Veja, Estadão, Band, etc, etc, etc...)


Raros são os políticos que dão o seu nome a um tempo. Os "anos Lula" mudaram o Brasil. É outro país: mais desenvolvido economicamente, mais avançado tecnologicamente, mais justo socialmente, mais influente globalmente.

Uma democracia mais consolidada, uma sociedade mais coesa e mais tolerante. Sabemo-lo hoje: no Brasil, o século 21 começou em 1º de janeiro de 2003, o dia inaugural da Presidência de Lula.

Quero ser claro: Lula mostrou que a esquerda brasileira sabe governar. Causas, sim, mas competência também; princípios políticos, mas também eficácia técnica; realismo inspirado por ideais que nunca se perderam.



Este presidente, oriundo do PT, deu à esquerda brasileira credibilidade, modernidade, força e maturidade. A grande oportunidade da sua eleição não foi uma promessa incumprida ou um sonho desfeito.

Ao contrário, com Lula, a esquerda ganhou crédito e consistência; o Brasil, reputação e prestígio.

Sou testemunha das reservas, se não do ceticismo, com que a "intelligentzia" recebeu a eleição de Lula da Silva. Hoje, na hora do balanço, a descrença transmutou-se em aplauso; a expectativa, em admiração. É essa a "alquimia" Lula.

Os números falam por si: crescimento econômico, equilíbrio financeiro, reputação nos mercados, milhões de pessoas arrancadas à extrema pobreza, salto inédito na educação e na formação profissional, melhoria do rendimento que alargou e consolidou a classe média brasileira.

Lula era o homem certo. A sua história pessoal e política permitiu dar à esquerda uma nova atitude e ao Brasil um novo horizonte. Sem complexos e sem desfalecimentos, o antigo sindicalista esperou e preparou longamente o encontro com o seu povo. Se falhasse, não falharia apenas ele: falharia um ideal, um sonho, um projeto, esperança do tamanho de um continente.

Foi também nesses anos vitais que o Brasil se afirmou como o grande país que é. "Potência emergente", como é habitual dizer, assume-se - e vai se assumir cada vez mais - como um dos grandes países que marcam o mundo contemporâneo. Pela sua grandeza e pela sua energia, tem tudo o que é necessário para isso.

Portugal tem orgulho deste grande país, com quem partilha uma língua, uma fraternidade, um passado, um presente e um futuro. Tudo isso queremos valorizar e projetar: aos sentimentos que nos unem, juntamos os interesses que nos são comuns; à memória conjunta associamos visão partilhada do futuro.

Para Portugal e para todos os membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a importância do Brasil no mundo do século 21 é um motivo de alegria e uma riqueza imensa, com potencialidades em todos os planos: econômico, cultural, linguístico, político, geoestratégico.

A vida política de Lula é uma longa corrida feita com ritmo, esforço, persistência. As palavras que ocorrem são tenacidade e temperança, clássicas virtudes da política. Tenacidade para fazer de derrotas passadas vitórias futuras. Temperança que lhe ensinou a moderação, o equilíbrio e a responsabilidade que o tornaram o presidente que foi.

Na hora da despedida, quero prestar-lhe, em meu nome pessoal e em nome do governo português, uma homenagem feita de amizade, reconhecimento e admiração. Lembro os laços que firmamos, os projetos que comungamos, os encontros que tivemos, nos quais se revelou, invariavelmente, um grande amigo de Portugal.

Lembro, em especial, o trabalho que desenvolvemos para que durante a presidência portuguesa da União Europeia fosse possível a realização da primeira cúpula UE-Brasil, um ponto de viragem nas relações entre a Europa e o Brasil.

Na passagem do testemunho à presidente eleita, Dilma Rousseff, que felicito vivamente e a quem desejo as maiores felicidades, renovo a determinação de prosseguirmos juntos e reafirmo, na língua que nos é comum, o nosso afeto e a nossa gratidão. Mais do que nunca, "o meu Brasil é com "S'". "S" de Silva.

Lula da Silva. Saravá!

(José Socrates, Publicado na Folha de S. Paulo de 14-11-2010)



quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Desafios de Dilma

Consolidar herança de Lula é primeira tarefa de Dilma


Marcelo Semer
De São Paulo/Portal Terra


Noite de vinte e cinco de dezembro, na avenida Paulista.

A decoração de Natal do centro empresarial pára o trânsito da capital. Quem quer visitar nossa Quinta Avenida faz filas homéricas. Quem quer apenas passar pela artéria viária se desespera, desliga o motor e desce do carro.

Quem vê trânsito, não vê coração.

Muito mais do que as centenas de automóveis andando lentamente na avenida, o que surpreende são as milhares de famílias que as estações do Metrô desovam a cada cinco minutos. Repletas de crianças e de máquinas fotográficas, elas registram incessantemente os papais-noéis e as árvores estilizadas nas pequenas luzes dos imóveis comerciais.

A invasão incomoda, principalmente, a quem não está de passeio. Mas não deixa de ser inusitado, e por isso emocionante, perceber a forma curiosa e ao mesmo tempo carinhosa, como o paulistano mais simples apreende as belezas de sua cidade, sendo cada vez menos estrangeiro nela.

Esta ocupação de espaço por novos personagens vem se repetindo em outros tantos lugares, que até então funcionavam como ambientes privativos.



Decoração natalina da Avenida Paulista (foto: Eduardo Andreassi/vc repórter)

Meio milhão de passaportes são solicitados a cada ano, na Polícia Federal.

Filas de táxi de mais de uma hora nos aeroportos comprovam que o "caos aéreo" não se limita à desorganização das companhias ou a leniência das agências reguladoras.

As cidades não estão preparadas para serem usufruídas por um percentual tão elevado de seus habitantes. Parece que foram feitas para poucos.

Com a ascensão da classe C a um paraíso antes restrito à classe média mais endinheirada, os serviços se mostram precários e os atrasos nos perturbam.

O fruto da ascensão social é, disparado, a melhor herança bendita dos oito anos do governo Lula. Vitaminou o forte crescimento do país depois da crise mundial, inflou balanços das indústrias e aumentou o nível de emprego.

Exibiu, para todos, o enorme mercado interno consumidor de que os economistas sempre nos falavam, quando expunham a tese do "país do futuro".

Mas as reações a essa aproximação das classes mais baixas também se tornam vigorosas, como o preconceito contra os nordestinos que tomou conta de São Paulo nos dias que sucederam a eleição.

A classe média reage como se estivessem invadindo sua praia.

Em Santa Catarina, o jornalista Luiz Carlos Prates, da RBS, atribui a violência no trânsito aos "miseráveis" que estão comprando carros, "mesmo sem nunca terem lido um livro".

O filósofo Luiz Felipe Pondé reproduz, na Folha de S. Paulo, o pensamento de quem se indigna com o fim dos pequenos privilégios: "Detesto aeroportos e classes sociais recém-chegadas a aeroportos, com sua alegria de praça de alimentação".

Manter a capacidade de reduzir a pobreza, lidar com as enormes expectativas decorrentes da ascensão social e combater o preconceito que se instala em razão dela, são algumas das difíceis tarefas do governo Dilma.

Torçamos para que ela não perca, como Lula perdeu, tanto tempo para afirmar sua política.

Nunca é demais lembrar que, nos primeiros anos, o petista se comportou como um legítimo convertido ao mercado, fazendo jura aos contratos e se pautando pelas reformas da globalização.

Vestia-se bem e troçava das palavras de ordem de sua época na militância sindical, enquanto continuava a política econômica de FHC.

Mas a crise do mensalão, paradoxalmente, salvou Lula e com ele o país. Rompido com a imprensa e, por tabela, com a classe média, Lula deu uma guinada à esquerda em seu governo. Abriu mão da ortodoxia e desistiu do arrocho. Concedeu seguidos aumentos reais ao salário mínimo e aposentadorias e fortaleceu os programas de transferência de renda e auxílio ao crédito.

Por ousadia ou cálculo, convicção ou apuro, Lula 2.0 assumiu seu lugar na história e, verdade seja dita, ninguém ficou tão confortável lá quanto ele.

Os críticos têm razão quando refutam a megalomania de Lula. Ele não inventou o país. Mas ao mostrar que o tamanho do possível era bem maior do que os políticos costumavam nos dizer, certamente o reinventou.

Mas ainda há muito para Dilma.

O governo Lula não se livrou do fisiologismo. Foi omisso nas questões de direitos humanos mundo afora, privilegiando duvidosos interesses geopolíticos. E em relação aos crimes da ditadura, optou pelo conforto da posição do ministro dos militares.

Dilma chega ao poder com legitimidade suficiente para tocar em questões delicadas como essas e outras que fizeram parte de seu programa.

Lula perdeu quase três anos tentando ser o que não era, até achar o papel que a política lhe reservava na vida do país.

Que Dilma não desperdice tanto tempo.

 
Marcelo Semer é Juiz de Direito em São Paulo. Foi presidente da Associação Juízes para a Democracia. Coordenador de "Direitos Humanos: essência do Direito do Trabalho" (LTr) e autor de "Crime Impossível" (Malheiros) e do romance "Certas Canções" (7 Letras). Responsável pelo Blog Sem Juízo.