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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

RÁDIOS COMUNITÁRIAS ENTREVISTAM LULA

Mais um encontro histórico. Mais um marco para a democratização da comunicação no Brasil. Depois dos blogueiros "progressistas", chega a vez das rádios comunitárias ouvirem o Presidente Lula amanhã em Brasília. Leia abaixo post do Blogue Com Texto Livre.

Rádios comunitárias irão entrevistar presidente Lula nesta quinta

Depois de conceder entrevista para blogueiros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá falar desta vez com as rádios comunitárias. A coletiva acontecerá nesta quinta-feira (2), às 9h. A transmissão será ao vivo e poderá ser acompanhada pela internet pelo Blog do Planalto e pela página da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço). O sinal de áudio estará aberto para todas as emissoras de rádio do país.
Dez rádios comunitárias irão participar da entrevista, que será ancorada pelo jornalista Luciano Seixas. A iniciativa está sendo organizada pela EBC Serviços em parceria com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República e Abraço.

CAOS NO RIO E NA MÍDIA ESPETACULOSA

O Abra a Boca, Cidadão! considera que uma das tarefas de um bom blogueiro é trocar em miúdos para seus leitores artigos, ensaios mais densos, de maior dificuldade de compreensão, muitas vezes escritos por especialistas, pesquisadores da universidade, numa linguagem acadêmica que só iniciados compreendem, textos que trazem idéias, opiniões, conceitos importantes que precisam e valem a pena ser difundidos.  

Celso Lungaretti fez isso ontem em seu blogue Náufrago da Utopia (http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/), a propósito da crise no Rio de Janeiro e sua abordagem pela mídia. Reproduzimos seu post abaixo, que contém um resumo com os pontos principais de um artigo longo, difícil mas fundamental para a compreensão do caos que se instalou no Rio e da cobertura falha e espetaculosa da mídia.


O que a grande imprensa não diz sobre a crise no RJ

No blogue de Luiz Eduardo Soares -- mestre em antropologia, doutor em ciência política, ex-secretário nacional de Segurança Pública (2003) e ex-coordenador de Segurança, Justiça e Cidadania do RJ (1999/2000) -- encontrei a avaliação mais lúcida e consistente de todas que li sobre os últimos acontecimentos na dita  cidade maravilhosa, bem como da forma como estão sendo geralmente abordados pela grande imprensa, em sua faina incessante para fascistizar a sociedade, tangendo-a ao estado policial.

Obrigatório, o artigo de Soares -- A crise no Rio e o pastiche midiático -- é, contudo, desnecessariamente extenso e muitas vezes repetitivo (velho vício acadêmico!).

Tomei a liberdade de copidescá-lo, mantendo sempre as palavras do autor, mas eliminando os trechos supérfluos, inclusive no meio dos parágrafos reproduzidos:
"Não posso mais compactuar com o ciclo sempre repetido na mídia: atenção à segurança nas crises agudas e nenhum investimento reflexivo e informativo realmente denso e consistente, na entressafra, isto é, nos intervalos entre as crises.

Nada que se possa fazer já, imediatamente, resolverá a insegurança. Se desejamos, de fato, resolver algum problema grave, não é possível continuar a tratar o paciente apenas quando ele já está na UTI.

O que as polícias fluminenses deveriam fazer para vencer, definitivamente, o tráfico de drogas?

Em primeiro lugar, deveriam parar de traficar e de associar-se aos traficantes, nos 'arregos' celebrados por suas bandas podres, à luz do dia, diante de todos. Deveriam parar de negociar armas com traficantes, o que as bandas podres fazem, sistematicamente. Deveriam também parar de reproduzir o pior do tráfico, dominando, sob a forma de máfias ou milícias, territórios e populações pela força das armas, visando rendimentos criminosos obtidos por meios cruéis.

A polaridade (polícias versus tráfico) esconde o verdadeiro problema: não existe a polaridade. Construí-la – isto é, separar bandido e polícia - teria de ser a meta mais importante e urgente de qualquer política de segurança digna desse nome. Não há nenhuma modalidade importante de ação criminal no Rio de que segmentos policiais corruptos estejam ausentes.

Sei que há dezenas de milhares de policiais honrados e honestos, que arriscam suas vidas por salários indignos. Considero-os as primeiras vítimas da degradação institucional em curso, porque os envergonha e acua o convívio inevitável com milhares de colegas corrompidos, envolvidos na criminalidade, sócios ou mesmo empreendedores do crime.

Não nos iludamos: o tráfico, no modelo que se firmou no Rio, é uma realidade em franco declínio e tende a se eclipsar, derrotado por sua irracionalidade econômica e sua incompatibilidade com as dinâmicas políticas e sociais predominantes, em nosso horizonte histórico.

O modelo do tráfico armado, sustentado em domínio territorial, é atrasado, pesado, anti-econômico: custa muito caro manter um exército, recrutar neófitos, armá-los (nada disso é necessário às milícias, posto que seus membros são policiais), mantê-los unidos e disciplinados, enfrentando revezes de todo tipo e ataques por todos os lados, vendo-se forçados a dividir ganhos com a banda podre da polícia (que atua nas milícias) e, eventualmente, com os líderes e aliados da facção.

Não só o velho modelo é caro, como pode ser substituído com vantagens por outro muito mais rentável e menos arriscado, adotado nos países democráticos mais avançados: a venda por delivery ou em dinâmica varejista nômade, clandestina, discreta, desarmada e pacífica.

Traficantes se rebelam e a cidade vai à lona. Encena-se um drama sangrento, mas ultrapassado. O canto de cisne do tráfico era esperado. Haverá outros momentos análogos, no futuro, mas a tendência declinante é inarredável.

Quando o tráfico de drogas no modelo territorializado atinge seu ponto histórico de inflexão e começa, gradualmente, a bater em retirada, seus sócios – as bandas podres das polícias - prosseguem fortes, firmes, empreendedores, politicamente ambiciosos, economicamente vorazes, prontos a fixar as bandeiras milicianas de sua hegemonia.

Discutindo a crise, a mídia reproduz o mito da polaridade polícia versus tráfico, perdendo o foco, ignorando o decisivo: como, quem, em que termos e por que meios se fará a reforma radical das polícias, no Rio, para que estas deixem de ser incubadoras de milícias, máfias, tráfico de armas e drogas, crime violento, brutalidade, corrupção?

Essas instituições não foram alcançadas em profundidade pelo processo de transição democrática, nem se modernizaram, adaptando-se às exigências da complexa sociedade brasileira contemporânea.
O modelo policial foi herdado da ditadura. Ele servia à defesa do Estado autoritário e era funcional ao contexto marcado pelo arbítrio. Não serve à defesa da cidadania. A estrutura organizacional de ambas as polícias impede a gestão racional e a integração, tornando o controle impraticável e a avaliação, seguida por um monitoramento corretivo, inviável.

O Jornal Nacional, nesta quinta, 25 de novembro, definiu o caos no Rio de Janeiro, salpicado de cenas de guerra e morte, pânico e desespero, como um dia histórico de vitória: o dia em que as polícias ocuparam a Vila Cruzeiro.

Ou eu sofri um súbito apagão mental e me tornei um idiota contumaz e incorrigível ou os editores do JN sentiram-se autorizados a tratar milhões de telespectadores como contumazes e incorrigíveis idiotas."

terça-feira, 30 de novembro de 2010

VELHA MÍDIA EM ESTADO TERMINAL

Desde a primeira hora, no último dia 23, ao ficar sabendo da entrevista que o Presidente Lula concederia no dia seguinte a blogueiros "progressistas", o Abra a Boca, Cidadão! reconheceu e manifestou a importância histórica do encontro para a Blogosfera Cidadã e para a democratização da comunicação no Brasil.

Embora fazendo críticas aos articuladores da entrevista, que deixaram de fora centenas de blogueiros, "permitindo" que só na véspera soubessem do encontro, o ABC! se regozija ante a mudança significativa na mediação entre governo e sociedade: sai de cena o pensamento único, exclusivo e monopolista da velha mídia e entram novos atores e vozes, muitas vezes dissonantes, de blogueiros, redes sociais, jornais regionais, emissoras comunitárias e outros.

A velha mídia vai ter que se adaptar aos novos tempos, parar de espernear e aprender a "repartir o pão" e o poder, convivendo pacificamente com estes novos atores. Caminho sem volta. 

Leiam abaixo artigo do Professor Laurindo Leal Filho (ECA-USP) nesse sentido.



Os donos da mídia estão nervosos

A Veja andou atrás do blogueiro Renato Rovai querendo saber como foi feita a articulação para que o presidente Lula concedesse uma entrevista a blogs de diferentes pontos do Brasil. Estão preocupadíssimos.

À essa informação somam-se as matérias dos jornalões e de algumas emissoras de TV sobre a coletiva, sempre distorcidas, tentando ridicularizar entrevistado e entrevistadores.

O SBT chegou a realizar uma edição cuidadosa daquele encontro destacando as questões menos relevantes da conversa para culminar com um encerramento digno de se tornar exemplo de mau jornalismo.

Ao ressaltar o problema da inexistência de leis no Brasil que garantam o direito de resposta, tratado na entrevista, o jornal do SBT fechou a matéria dizendo que qualquer um que se sinta prejudicado pela mídia tem amplos caminhos legais para contestação (em outras palavras). Com o que nem o ministro Ayres Brito, do Supremo, ídolo da grande mídia, concorda.

Jornalões e televisões ficaram nervosos ao perceberem que eles não são mais o único canal existente de contato entre os governantes e a sociedade.

Às conquistas do governo Lula soma-se mais essa, importante e pouco percebida. E é ela que permite entender melhor o apoio inédito dado ao atual governo e, também, a vitória da candidata Dilma Roussef.

Lula, como presidente da República, teve a percepção nítida de que se fosse contar apenas com a mídia tradicional para se dirigir à sociedade estaria perdido. A experiência de muitos anos de contato com esses meios, como líder sindical e depois político, deu a ele a possibilidade de entendê-los com muita clareza.

Essa percepção é que explica o contato pessoal, quase diário, do presidente com públicos das mais diferentes camadas sociais, dispensando intermediários.

Colunistas o criticavam dizendo que ele deveria viajar menos e dar mais expediente no palácio. Mas ele sabia muito bem o que estava fazendo. Se não fizesse dessa forma corria o risco de não chegar ao fim do mandato.

Mas uma coisa era o presidente ter consciência de sua alta capacidade de comunicador e outra, quase heróica, era não ter preguiça de colocá-la em prática a toda hora em qualquer canto do pais e mesmo do mundo.

Confesso que me preocupei com sua saúde em alguns momentos do mandato. Especialmente naquela semana em que ele saía do sul do país, participava de evento no Recife e de lá rumava para a Suíça. Não me surpreendi quando a pressão arterial subiu, afinal não era para menos. Mas foi essa disposição para o trabalho que virou o jogo. Um trabalho que poderia ter sido mais ameno se houvesse uma mídia menos partidarizada e mais diversificada. Sem ela o presidente foi para o sacrifício.

Pesquisadores nas áreas de história e comunicação já têm um excelente campo de estudos daqui para frente. Comparar, por exemplo, a cobertura jornalística do governo Lula com suas realizações. O descompasso será enorme.

As inúmeras conquistas alcançadas ficariam escondidas se o presidente não fosse às ruas, às praças, às conferências setoriais de nível nacional, aos congressos e reuniões de trabalhadores para contar de viva voz e cara-a-cara o que o seu governo vinha fazendo. A NBR, televisão do governo federal, tem tudo gravado. É um excelente acervo para futuras pesquisas.

Curioso lembrar as várias teses publicadas sobre a sociedade mediatizada, onde se tenta demonstrar como os meios de comunicação estabelecem os limites do espaço público e fazem a intermediação entre governos e sociedade.

Pois não é que o governo Lula rompeu até mesmo com essas teorias. Passou por cima dos meios, transmitiu diretamente suas mensagens e deixou nervosos os empresários da comunicação e os seus fiéis funcionários, abalados com a perda do monopólio da transmissão de mensagens.

Está dada, ao final deste governo, mais uma lição. Governos populares não podem ficar sujeitos ao filtro ideológico da mídia para se relacionarem com a sociedade.

Mas também não pode depender apenas de comunicadores excepcionais como é caso do presidente Lula. Se outros surgirem ótimo. Mas uma sociedade democrática não pode ficar contando com o acaso.

Daí a importância dos blogueiros, dos jornais regionais, das emissoras comunitárias e de uma futura legislação da mídia que garanta espaços para vozes divergentes do pensamento único atual.

Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial).

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

LULA, O BLOGUEIRO


A entrevista que o Presidente Lula concedeu a blogueiros "progressistas" na semana que passou não trouxe, salvo melhor juízo, nenhuma informação nova, nenhuma revelação bombástica. O Presidente se manifestou sobre o que quis e "escorregou" de alguns temas mais delicados, por exemplo quando indagado sobre as razões do afastamento do delegado Paulo Lacerda da direção da Polícia Federal por ocasião da Operação Satiagraha.

Em tempos de entrevista do Presidente a blogueiros, num momento de blogosfera sob holofotes e críticas, o que chamou a atenção foi a declaração auspiciosa de Lula ao final da entrevista, sobre o que fará quando deixar a Presidência: "... eu serei tuiteiro, eu serei blogueiro... eu vou ser um monte de coisas que eu não fui até agora".

Já imaginaram Lula nosso "colega" na blogosfera?

Com a extraordinária História de Vida que ele tem, primeiro, não faltará assunto. Coisas interessantíssimas e até "revelações bombásticas" que sequer imaginamos poderão, quem sabe, ser postadas...

E pelos 8 anos de governo bem-sucedido, aprovadíssimo pela maioria da população, pelo perfil inclusivo de suas políticas, que emanciparam milhões de brasileiros, e por sua postura contrária a qualquer preconceito, claramente comprovada na escolha de uma mulher para sucedê-lo, estaremos com certeza muito bem acompanhados na blogosfera, ao lado de um blogueiro verdadeiramente progressista.

Sem contar que um novo espaço político poderá ser aberto, sem mediação, seja da "velha imprensa" ou da nova mídia eletrônica. Do carro de som e megafone em punho no portão de fábrica para o espaço cibernético diário...

A propósito, reproduzo artigo do professor e  jornalista Carlos Castilho publicado no site do Observatório da Imprensa.

(http://www.observatoriodaimprensa.com.br/)


Lula, o blogueiro, pode inaugurar um novo estilo político no país
Postado por Carlos Castilho em 27/11/2010 às 00:12:11

Caso o presidente Lula leve adiante a sua idéia de ingressar na blogosfera logo depois de passar o governo em janeiro, esta decisão representará a transformação da internet brasileira numa nova arena partidária, com muitas chances de ofuscar os debates parlamentares e reduzir ainda mais o papel da imprensa na mediação com o público.
A entrevista de Lula a blogueiros, no dia 25 de novembro, pode ser vista como o primeiro passo concreto nesta direção, marcando um novo espaço político onde o presidente vai interagir diretamente com os internautas, passando ao largo do seu próprio partido.  Pode ser o que um amigo definiu como “Lula em estado puro”, sem o protocolo presidencial e sem os entraves institucionais.
Caso ele aprenda a manejar os segredos de um blog e do twitter, o presidente poderá voltar ao estilo conversa em  porta de fábrica” que lhe trouxe  tanta  popularidade . Só que agora usando o espaço cibernético, cujo alcance é muitíssimo maior do que o megafone dos seus tempos de sindicato.
Se Lula inaugurou um novo estilo de governar durante os seus oito anos de presidente, ele agora pode promover mais uma inovação, ao criar um novo modelo de fazer política, sem a mediação da imprensa e dos partidos políticos.  O contexto lhe é muito favorável já que vai sair do Planalto com a popularidade em alta e, mesmo fora do governo, tudo o que disser acabará na agenda política nacional, com ou sem blog.
É inevitável. Se não for Lula, pode ser qualquer outro político a empunhar o computador como ferramenta de comunicação, da mesma forma que Brizola usou a rádio para projetar-se no cenário político nacional, nos idos de 1961.
O ingresso de políticos na blogosfera é apenas uma questão de tempo, porque o sistema oferece vantagens demasiado atraentes para serem desprezadas.  Para os políticos é uma plataforma barata e eficientíssima, por conta de seu alcance universal. Para o cidadão é ainda mais atraente porque lhe dá a possibilidade de intervir no debate, coisa que até agora era inviável.
Durante a campanha eleitoral de 2010, a blogosfera entrou em transe por conta das discussões contra e a favor de Lula. Vocês já imaginaram o que acontecerá quando e se o próprio Lula começar a postar sobre tudo e sobre todos?
Há, no entanto, uma outra cara da moeda. A polarização inevitavelmente gera uma guerra informativa em que a verdade é sempre a primeira vítima. Já tivemos um pouco disso na última campanha eleitoral, mas o fenômeno pode se tornar ainda mais intenso, caso a polêmica entre lulistas e anti-lulistas se transfira de corpo e alma para o espaço cibernético, onde as limitações são muito menores.

domingo, 28 de novembro de 2010

REBELIÃO BLOGOSFÉRICA

YES, WE CAN!

"Eles" ERRARAM, e erraram "feio"!...

"Eles" "pisaram no tomate"...

"Eles" mostraram sua verdadeira face: vaidosa, arrogante, autoritária, megalomaníaca, preconceituosa, antidemocrata...

E aí, fazem uso de manobra diversionista, ou seja, introduzem aspectos "menores" para desviar a atenção do que realmente está em discussão, ou seja, as atitudes pouco éticas que tiveram.

Não está em discussão "quantas mulheres" deveriam ter ido na "comissão entrevistadora". Muito menos se tal comissão deveria ser "metade Bolinha" e "metade Luluzinha"... Não sejam, além de tudo, ridículos!

As questões principais, fundamentais são: (1) Quais os critérios utilizados na escolha dos 10 blogueiros "progressistas" que entrevistaram o Presidente? (2) Quem os autorizou a se incluírem, a se "autoconvidarem"? (3) Se eles falaram em nome da Blogosfera, por que a notícia da entrevista só foi divulgada a menos de 24 horas do encontro? (4) Por que outros blogues e blogueiros não tiveram oportunidade de formular perguntas e sugerir temas, se a entrevista vinha sendo articulada há meses? (5) Por que eles acham que têm o direito de nos empurrar as "migalhas" e comer sozinhos a "cereja do bolo" ???!!!

Venho fazendo estes questionamentos desde o dia 23, ao tomar conhecimento da entrevista. E tais indagações não são feitas por uma mulher que se sentiu preterida. Essa é a versão reducionista e preconceituosa que alguns deles tentam vender como verdade, semideuses que se acham...

Tais indagações são feitas aqui antes de qualquer coisa por uma CIDADÃ. Leitora de blogues que se tornou blogueira. E que pelo menos há 30 anos faz estudos e trabalhos na área da comunicação.

E tais indagações são feitas não mais por uma voz dissonante e solitária, mas também por outros leitores, comentadores de blogues e blogueiros do Brasil todo... Todos capazes de pensar com sua própria cabeça, dispensando "mentores"...

O ABC! não entrou na blogosfera pra ser "massa de manobra", "torcida organizada" ou "inocente útil". O ABC! não tem qualquer vocação pra subserviência ou sabujice. É um blogue CIDADÃO, que tem como missão informar, dar opinião, questionar, desmascarar interesses escusos e inconfessáveis, ajudar na construção da cidadania. Mesmo que para isso seja alvo de gracejos, insinuações levianas, acusações descabidas.

VIVA A DIVERSIDADE!!!

sábado, 27 de novembro de 2010

ALERTA GERAL: RISCO À BLOGOSFERA


Desafinando o coro dos contentes...


Esta blogueira procura sempre se informar de maneira ampla, procura sempre que possível conhecimento e informação qualificada, de fontes confiáveis, pontos de vista diversos, até pra não se colocar como dona da verdade, em pedestal, torre de marfim e coisas do gênero... e pra não ser leviana, consigo própria e com seus leitores...

Com relação às críticas que venho fazendo a alguns procedimentos dos blogueiros "progressistas" que entrevistaram o Presidente esta semana em Brasília, fui buscar outros pontos de vista semelhantes, uma vez que alguns "medalhões" que participaram ou apoiaram tais procedimentos se mostraram hostis às minhas intervenções e questionamentos, "encerrando o assunto" de forma autoritária e arrogante ou refutando críticas que expus aqui e em seus blogues, com "ironia fina", gracejos, insinuações... "Com a pena da galhofa e a tinta da euforia"... e sem a "melancolia" machadiana... Trocando em miúdos: deram todo o respaldo ao comportamento pouco ético da "comissão entrevistadora"...

Reproduzo abaixo três textos ("Desafios da blogosfera - I", "Blogueiros com Lula: vitória da esperteza" e "Audiência com Lula: panelinhas tentam tomar conta da blogosfera"), do jornalista e escritor Alfredo Bessow, do blogue Passe Livre, de Brasília (http://passelivreonline.wordpress.com/)

Desafinando o coro dos contentes e  botando mais lenha na fogueira... o ABC! procura apenas cumprir o seu papel: estimular o debate, mostrar pontos de vista parecidos ou divergentes, muitas vezes até mais amplos, que incluem aspectos novos, que não haviam ocorrido a este blogue... O objetivo aqui não é fazer cabeça de ninguém, não é ser "mentor", "grande irmão" ou coisas do gênero, mas ajudar a produzir pensamento crítico, não manipulável. Ou seja: construção de cidadania.

Boa leitura, muita reflexão... e fique atento, cidadão!


Desafios da blogosfera-I

24 11 2010
Desde o Encontro dos Blogueiros em São Paulo – creio que nem o termo progressistas e nem independentes contempla o perfil da blogosfera nacional, sendo que vejo a blogosfera muito mais com o perfil de ‘indignada’ do que aforismas e palavras de ordem que nos remetem à militância política partidária. Voltando: Desde o Encontro dos Blogueiros Indignados em São Paulo que tenho tentado arrancar tempo do meu dia para debater alguns aspectos que, para mim, representam riscos e ameaças para a blogosfera da forma como nós a vamos construindo em termos de Brasil.

E desde lá em São Paulo tenho manifestado minha preocupação no sentido de que percebo um claro direcionamento ‘partidário’ – lá em São Paulo até era tolerável, afinal de contas o ‘Barão do Itararé’ funciona dentro do PCdoB, tem o perfil instrumentalizado do PCdoB, traz o viés do aparelhismo, do intervencionismo e do dirigismo.

Ao falar no evento – e foi engraçado que o pessoal da mesa não queria que as intervenções da plebe fossem manifestações das pessoas, mas que quem fizesse uso da palavra dirigisse perguntas e questionamentos aos deuses iluminados que estavam dirigindo os trabalhos – manifestei minha preocupação e apreensão no sentido de que, com aquele modelo, estava-se tentando criar um sistema de castas, onde haveria uma elite da blogosfera que deveria servir de referência para a arraia miúda.

Ou seja: o pior dos presságios lá de São Paulo foi sendo confirmado tanto no evento organizado pelo Barão/PCdoB quanto nas posturas posteriores – inclusive um perverso dirigismo do CCC – Comitê Central da Casta que se arvora detentor do conhecimento para nortear a realização dos encontros regionais.

E não adianta negar ou dizer que estou vendo fantasmas. Ainda antes do 2º turno, fui procurado por um representante do PCdoB que dizia que vinha e falava em nome ‘de São Paulo’. A primeira pergunta que me foi feita – parado diante da porta do Comitê Central da Dilma aqui em Brasília: qual a sua (minha) relação com o PCdoB?

Ou seja: há uma estratégica ação do CCC – Comitê Central da Casta no sentido de manipular, dirigir e doutrinar os blogueiros aqui de baixo, desta arraia miúda onde vive quem não é do CCC.

Continuando na conversa, disse (eu) que o Encontro de Blogueiros aqui no DF para mim deveria ser menos estrelar e mais plantador – sendo que o público alvo deveria ser o das escolas de jornalismo/comunicação, nas entidades de classe (sindicatos, associações, etc) para fomentar que surgissem novos blogueiros. Para minha surpresa, veio a informação: não, o objetivo do encontro deve ser o de organizar e centralizar os blogueiros já em atividade.

Claro que virei as costas e fui cuidar da minha vida, que afinal de contas preciso trabalhar. E tenho estômago para não precisar ficar escutando certas imbecilidades.

Neste sentido e para esta primeira abordagem quero deixar bem claro: o maior desafio da blogosfera é fugir da manipulação de um grupo que se sente confortável nesta posição de mando, de mentor – como se o resto não pensasse e fosse agir concorde e silenciosamente como cadeia de transmissão de suas doutas verdades. Não deve ser por acaso que este grupo que pensa ser a representação dos blogueiros do Brasil – a turma do CCC – se sentiu liberado a se apresentar como porta-voz da blogosfera na entrevista com o Lula.



Blogueiros com Lula: vitória da esperteza

24 11 2010
Eu tenho dito aqui e em todos os lugares: assumo tudo que eu penso, não aceito cabresto e nem o ar de serenidade de certas figuras que são ridículas quando tentam travestir sua falta de caráter com ares de fidalguia. Comigo, isto não funciona.

Comigo funciona é dignidade, olho no olho e não picaretagem.

Para mostrar como foi ridícula a encenação dos ares de democracia da escolha dos blogueiros, o próprio Miro por telefone me confirmou que no começo viria só aquilo que alguns gostariam de ser a elite da blogosfera, que se pensa acima do bem e do mal – um seleto grupo de iluminados capaz de levar a luz para imbecis e cegos. E como fez bem saber que pessoas como Paulo Henrique Amorim, Luis Nassif, Rodrigo Viana e Luiz Carlos Azenha acharam por bem não participar da picaretagem – algo que só os dignifica ainda mais.

Transcrevo a seguir um post do blog ‘O terror do nordeste’ que vale a pena ser lido – como também vale a pena acompanhar o seu conteúdo no dia-a-dia:

LAMENTÁVEL

É triste ver a assessoria do governo Lula desprestigiando quem, realmente, merece.

Li no Blog do Rovai que Lula será entrevistado, no dia de amanhã, por um grupo de blogueiros intitulados de progressistas. Dentre os blogs convidados, encontra-se o Acerto de Contas, aqui do Recife, de Pierre Lucena.

Na terra que Acerto de Contas for considerado um blog progressista, o Blog da Dilma, que parece que não foi convidado, é de extrema esquerda.

Até as pedras do Palácio dos Campos da Princesa sabem que Pierre Lucena é jarbista doente e que Marcos Bahé é tucano.Os dois são críticos ácidos do governo Lula, assim como foi do ex-prefeito João Paulo.

Indigna-me saber que tantos blogueiros inteligentes e decentes foram preteridos por blogueiro do tipo Pierre Lucena. A assessoria de Lula deveria ter chamado também Jamildo Melo, do Jornal do Comércio.

Miguel do Rosário, Oni Presente, Daniel Pearl, Jussara Seixas, Nogueira Jr, Enio Barroso, DiAfonso, Giovani Moaris, Magno e tantos outros, jamais poderiam ter ficado de fora dessa entrevista concedida por Lula.

Veja que o jornalista Alfredo Bessow, do Passe Livre, ainda que por outros argumentos, no qual na maioria eu discordo, também expressa essa indignação.

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Por minha conta e risco também transcrevo alguns comentários:


Márcio Lacerda de Araújo disse…
Concordo Terror .. palhaçada que da terra do Lula vá um blog tucano-jarbista representando os blogs sujos ..
escrevi o seguinte comentário lá no Acerto: “Nunca ouvi falar desse blog .. aproveitem seus 15 minutos de fama nas costas do presidente Lula .. pq com a Dilma não vai ter colher de chá pra vcs não ..”

TERROR DO NORDESTE disse…
Marcio, eu conheço o AC de longas datas, briguei muito nesse blog na última eleição para prefeito.Abraços.


DiAfonso disse…
Cumpadi… esquenta, não…

a assessoria do nosso grande presidente está devendo faz tempo. Lula sabe que estes assessores são uns aloprados. O importante é que ele, no íntimo, sabe quem o ajudou a ganhar as eleições (duas vezes + uma com Dilma). Ele sabe que fomos nós, os que fazem a Blogosfera alternativa e progressista, fomos nóis, cumpadi… lá no Marco Zero e dividindo a labuta com as blogagens, mesmo não tendo tempo para muita coisa e, muitas vezes, deixando nossa família de lado. Eu, por meu turno, estou tranquilo e com o papel que desempenhamos.
Grande abraço!
 



Audiência com Lula: panelinhas tentam tomar conta da blogosfera

23 11 2010
A blogosfera brasileira tem na sua diversidade uma de suas principais características. Há milhões de blogueiros – e não creio que a importância deles seja pelo chamado número de acessos, porque isto depende de muitos outros fatores. (Esta, por sinal, é uma luta dos editores de revistas e jornais que lutam contra o modo tucano que domina a Secom, onde o custo por mil é mais importante do que a qualidade do conteúdo). No Encontro dos Blogueiros Progressistas, em SP, eu coloquei a minha preocupação com a clara tentativa de criar um sistema de castas – onde o estrelismo e o egocentrismo contam mais que fatores como solidariedade.

Infelizmente, os meus piores presságios – e lembro que na oportunidade o Nassif disse, por estar na mesa, que era uma visão equivocada minha. Agora, percebo que não. Conformou-se e confirmou-se a percepção de que o mesmo necrosado e pelos brasileiros derrotado paulistanismo – que tanto mal faz para o jornalismo brasileiro (Veja, Globo, Estadão, Folha), para a política nacional (PSDB, PPS e segmentos deslumbrados do PT), para a nossa brasilidade (vide as manifestações de ódio, preconceito e racismo) e poderia elencar outros setores nacionais que penam por conta deste paulistanismo – tenta transformar a blogosfera num território dominado por uma panelinha de paulistas. Neste desenho, os demais blogueiros tem, como está posto na mensagem recebida, o direito de transmitir…

Quem definiu a nominata dos ‘convidados’?

No jogo de empurra, disseram que foi o Planalto.

E o Planalto não escolheu nenhuma blogueira mulher?

E o Planalto só chamou blogueiros paulistas (ainda que morem em outros estados), ou que também trabalhem em ‘veículos’ paulistas?

O assunto vem sendo tratado com tal sigilo que, quando inadvertidamente alguém me falou deste assunto ontem, pediu pelo amor de Deus manter segredo – para não ter problema com a repercussão.

Posso dizer que pelos nomes revelados, ali está a mesma panelinha que tem como pressuposto a arrogância de querer mandar e comandar a blogosfera. É a carcomida visão paulistana de que o mundo gira em torno do umbigo deles e que o resto… bom, o resto é só o resto…

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

EM NOME DA VERDADE

(Desafinando o coro dos contentes...)


Ainda sobre a polêmica gerada pelas críticas aos blogueiros "progressistas", o Abra a Boca, Cidadão! mantém (que ousadia!) o pedido de esclarecimentos encaminhado por email no último dia 23 a oito dos onze "colegas" que compuseram a "comissão entrevistadora" que marchou até Brasília com a missão de entrevistar a maior autoridade da República...

Tal pedido foi ignorado, como já afirmado em post anterior, e buscava descobrir quais os critérios para a escolha dos 11 felizardos, e por que os demais, "reles mortais" (340 + outro tanto pelo País todo), ficaram de fora, não da entrevista, porque obviamente seria impraticável, mas da formulação das perguntas e temas, por exemplo... E o ABC! também reitera (quanta insolência!) seu estranhamento sobre o fato da notícia da entrevista só ser divulgada 1 dia antes, a menos de 24 hs. do encontro histórico...

Os colegas "progressistas" devem explicações, não a uma blogueira pobre e obscura, nem a um bloguinho fuleiro e mixuruca... mas às centenas de blogueiros que foram excluídos e aos milhares de leitores da Blogosfera Cidadã, que merecem esta consideração.

E aproveito para fazer um esclarecimento: o ABC! não é blogue feminista, mas CIDADÃO! Antes de mulher e blogueira, esta autora/editora é CIDADÃ, e como cidadã teceu e tecerá críticas, como é de seu direito. Esta blogueira não fez, não faz e não fará parte de nenhuma "Turma da Luluzinha", e não se intimidará diante de chacota, gracejos, tentativas machistas e autoritárias de menosprezo, ridicularização ou coisa que o valha, venham de "medalhões", "semideuses" ou ilustres desconhecidos...

Isto posto, deixo registradas aqui, para os colegas "progressistas" em primeiro lugar, e a quem mais possa interessar e ser de proveito, a imensa e luminosa sabedoria do grande Presidente Lula, nestas palavras proferidas ao longo da entrevista histórica:

"O preconceito é uma doença que está nas entranhas das pessoas, e uma doença quase incurável."

"Ninguém pode ter medo de debate."

"Os amigos eram escolhidos pras coisas..." (referindo-se a ACM no governo da Bahia)

"Seriedade, seriedade, seriedade. É o que pode fazer a gente andar de cabeça erguida."

"O preconceito contra a mulher é mais grave do que contra o homem. (...) Contra a mulher eu vi que o preconceito é muito maior. Aliás, eu não pensei que existia mais tanto preconceito..."