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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Eliana Calmon: Orgulho da Magistratura Brasileira



Dando continuidade à Marcha Virtual Contra a Corrupção no Judiciário, o Abra a Boca, Cidadão!, que desde setembro último vem publicando posts em defesa do Conselho Nacional de Justiça e em apoio à ministra-guerreira Eliana Calmon, Corregedora Nacional de Justiça, reproduz abaixo entrevista dada ontem pela ministra ao programa Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, onde a destemida corregedora fala novamente da Corrupção no Judiciário e dos "bandidos por trás das togas".




Indagada sobre a possibilidade de atuação do CNJ na questão da influência política nas cúpulas do Judiciário, disse a ministra: "Estamos com dificuldade de punir o 'trombadinha'... imagine nós chegarmos a esse grau de perfeição... Ninguém quebra uma tradição de dois séculos em seis anos..."


Com a palavra, a ministra-corregedora Eliana Calmon, Orgulho da Magistratura Brasileira e uma pedra no sapato de juízes e desembargadores corruptos!




Link do vídeo


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Marcha Virtual Contra a Corrupção no Judiciário



No dia em que o Brasil comemora 122 anos da Proclamação da República e estão programadas marchas contra a corrupção em várias cidades do País, o Abra a Boca, Cidadão! comemorará a data dando continuidade a uma espécie de Marcha Virtual Contra a Corrupção no Judiciário, que já vem promovendo há meses, publicando conteúdo que trata desta questão gravíssima: a corrupção no mais fechado, arcaico, elitista e antidemocrático dos poderes da República.


As marchas contra a corrupção que têm acontecido por todo o Brasil costumam concentrar sua artilharia nos poderes Legislativo e Executivo, no plano federal, "esquecendo-se" do Poder Judiciário e dos legislativos e executivos estaduais e municipais.


Aqui no ABC!, não! Já há muitos meses vimos tratando quase que diariamente das mazelas do Judiciário, até porque não tem sentido corrupção justamente no poder criado para coibir crimes e ilegalidades.


Para nos trazer inspiração, novamente posto a imagem do símbolo maior da Justiça, a deusa Têmis, iluminada nos céus de Brasília, num dia ensolarado. É assim que queremos a Justiça brasileira, iluminada, em todos os tribunais, varas, fóruns, juizados... em todas as instâncias, democratizada, aberta, escancarada, moralizada.


Uma Justiça de costas para os interesses mesquinhos e inconfessáveis e de braços abertos ao Povo Brasileiro, numa República Proclamada e Implementada, num verdadeiro Estado Democrático de Direito.


A seguir, "melhores momentos" de entrevista do jurista e professor Miguel Reale Júnior à revista Época, em 2006, antes da implantação do CNJ, órgão que corre o risco de virar um enfeite nas próximas semanas, como vimos denunciando aqui no ABC!

Juízes sob controle

Jurista culpa advogados por parte da corrupção nos tribunais e acredita que só reforma pode resgatar imagem do Judiciário no país

LEANDRO LOYOLA

O jurista Miguel Reale Júnior é extremamente crítico em relação ao mundo do Direito. Advogado criminalista e ex-ministro da Justiça, ele acredita que os recentes escândalos mostram que o Judiciário precisa passar por uma reforma geral, que institua o controle externo sobre os juízes e também sobre seus colegas advogados - classificados por ele como um elo fundamental da corrupção do Judiciário. Reale Júnior acredita também que a Justiça não chega a quem precisa, que é lenta e derrapa quando tenta ser ágil. Vê também o Ministério Público tomado pela vaidade de alguns promotores. Quando passa às soluções, muda de tom e mostra até otimismo. Acha que um quadro tão ruim cria as condições perfeitas para que seja feita uma necessária reforma geral na estrutura e no funcionamento do Poder Judiciário no país. A seguir, ele expõe suas idéias.

MIGUEL REALE JÚNIOR
Roberto Setton/ÉPOCA

 Advogado criminalista, é professor titular da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Foi secretário de Administração do Estado de São Paulo durante o governo Mário Covas e ministro da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso. Tem 67 anos.

ÉPOCA - Os magistrados não gostam nem de ouvir falar em reforma, especialmente em controle externo de sua atividade. Sentem-se tolhidos. Como isso poderia ser feito sem afetar o trabalho do juiz?

Reale Júnior - O Conselho Nacional de Justiça é uma boa idéia. Da maneira como ele está proposto no projeto, com uma maioria de membros do Judiciário, não levaria a nenhuma diminuição da importância do juiz: daria transparência e imparcialidade à apuração das faltas disciplinares. Deveria haver conselhos superiores de Justiça nos Estados e um conselho federal para apurar ações dos membros dos tribunais junto ao Supremo Tribunal Federal. Os conselhos deveriam ser compostos de membros do MP, de advogados, além de pessoas indicadas pelo Congresso e pelas Assembléias Legislativas. Por outro lado, o Conselho de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) deveria ter magistrados e advogados. Tem de ser uma via de mão dupla: se os advogados requerem participação nos órgãos de controle da magistratura e do Ministério Público, deve haver representação da magistratura e do Ministério Público na comissão de ética dos advogados.


ÉPOCA - Nunca se viram tantas denúncias de corrupção no Judiciário. Mesmo assim, os juízes resistem ao controle externo. Por quê?

Reale Júnior - Porque os juízes não perceberam quanto cresceriam se existisse o controle externo. Eles teriam transparência, autoridade e não seriam acusados de corporativismo. Se houvesse desconfiança, haveria mecanismos para afrontar essa desconfiança. Acho que isso não é nenhuma diminuição.
Quem tem poder tem de estar sob controle.

ÉPOCA - O senhor acha que eles aceitariam esse modelo? 

Reale Júnior -Tem de haver mudança na mentalidade do Judiciário. A reforma tem de começar, a meu ver, pela quebra dessa estrutura encastelada, dessa visão clânica dos juízes. Deve mexer com a forma de escolha dos juízes: ela não deve ser feita apenas pelo saber dos manuais de Direito de segunda linha que pululam pelo país, que são objeto de elaboração de perguntas de concursos para a magistratura. É preciso dar mais atenção à teoria geral do Direito, à filosofia do Direito, à sociologia do Direito. O problema maior é nesse campo: os juízes não têm esse conhecimento. O nível caiu muito. O juiz hoje é um especialista de manuais porque os bacharéis são assim, as faculdades têm formado gente assim. O juiz não pode apenas fazer concurso. É fundamental que ele tenha, a meu ver, um tempo anterior de prática na área jurídica, como advogado, promotor, defensor público, para sentir o que é a defesa dos interesses desatendidos pretendidos à Justiça. Até para baixar um pouco a crista do jovem, sabedor dos alfarrábios, que acaba de assumir o posto de juiz. Seria interessante que os juízes aprovados num primeiro concurso fizessem um curso de juiz, como acontece com os diplomatas no Itamaraty. Para quebrar a noção de que o juiz é Deus. Especialmente os jovens têm essa arrogância de ditar a justiça. Ao longo do tempo, o juiz vai vendo que também está sujeito a problemas, e vai quebrando a sensação de onipotência. Isso é fundamental.


ÉPOCA - Esta formação ruim contribui para a corrupção?

Reale Júnior - Também, mas não é só isso. O clima espiritual de nosso tempo, de consumismo desenfreado, a constante convicção da impunidade no Brasil, apesar de tantos escândalos denunciados e apurados, contribuem mais. Está sendo esquecido também o problema dos advogados.
Onde existe juiz corrupto, existe um advogado corruptor. Deve haver uma atuação mais rígida da OAB nesse campo. O exame de ingresso na ordem tem de ser cada vez mais rigoroso para barrar essas coisas. A reforma do Judiciário tem de passar por isso também.

ÉPOCA - Falta firmeza da OAB para lidar com os advogados bandidos?

Reale Júnior - Em alguns casos, sim. O rigor tem de ser exemplar na apuração e na aplicação das punições. O advogado é, sem dúvida nenhuma, o nascedouro do processo de corrupção do Judiciário. A parte interessada não tem acesso fácil ao juiz corrupto. A ligação ao juiz corrupto, ao policial corrupto se faz sempre por meio do advogado corrupto.

ÉPOCA - Alguns advogados foram presos por colaborar com traficantes. O que o senhor acha de estabelecer maior controle sobre o acesso dos advogados aos clientes presos?

Reale Júnior - Algumas medidas podem ser tomadas. Não dá para gravar a conversa entre o advogado e o cliente, por exemplo. Mas que o advogado deve passar por detector de metais, ser revistado, não há dúvida. Eu não vejo mal algum nisso. Eu viajo de avião e passo pelo detector de metais. Vou me arrogar a condição de advogado para não passar no controle de bagagem? Não.


ÉPOCA - É legítimo um advogado receber dinheiro sujo de traficantes?

Reale Júnior - Ele deve se resguardar para receber seus honorários de fonte legítima. Ele não precisa estudar de onde vem o dinheiro, mas tem de dar recibo e declarar no Imposto de Renda. Tem de ter transparência, mas não precisa investigar de onde veio o dinheiro, senão não há lógica comercial que resista. Se fosse assim, um sujeito acusado de corrupção não poderia comprar um tubo de pasta de dente no supermercado. Advocacia é uma prestação de serviço. Se fosse assim, um dentista também não poderia receber honorários de um corrupto. O que ele não pode é deixar de dar recibo, nem cobrar menos por fora.

(...)
ÉPOCA - A Justiça brasileira é lenta demais. Dar mais velocidade a ela não deveria ser a prioridade da reforma do Judiciário?

Reale Júnior - Tenho dúvidas de que a celeridade deva ser o principal valor da reforma. A meu ver, nada pior que a injustiça célere. Tentou-se fazer uma justiça célere através dos juizados especiais criminais, mas tem sido um desastre.
Vou contar uma história: uma senhora ficou presa na porta giratória do banco e fez um boletim de ocorrência de constrangimento ilegal. O banco mandou uma estagiária à delegacia para verificar. Tempo depois, ela foi convocada para ir ao tribunal como se fosse autora do fato! Amedrontada, ela aceitou imposição de pagamento de cestas básicas e a proibição de sair da cidade por determinado prazo! O promotor mal leu os autos: pegou o primeiro nome que viu e convocou para tentar um acordo, para terminar logo o processo e esvaziar a prateleira! Em geral, essa rapidez tem significado injustiça, não justiça. O problema não é só acelerar os processos de quem tem acesso à Justiça, é levar a Justiça à maioria da população que não tem acesso a ela.

ÉPOCA - Mas como fazer isso se a maioria não tem nem noção de como recorrer à Justiça?

Reale Júnior - Um caminho é implantar ouvidorias populares. Na periferia de São Paulo existem quatro Centros Integrados de Cidadania, onde ficam juízes, delegados e policiais para atender a população. Eles funcionam muito bem. Um magistrado que eu conheço foi designado para um desses centros. No começo ele disse que não trabalharia lá porque não tinha tapete vermelho e estrado para sua mesa, como manda o regimento. O responsável pela obra pediu 15 dias para providenciar. Durante os 15 dias ele percebeu que, se tivesse tapete vermelho e estrado, ninguém entraria lá. Ele estava com a idéia errada, de solenidade, de distância do povo.
Aproximar-se do povo, rasgar os tapetes vermelhos e jogar fora os estrados é o que falta para a Justiça brasileira.

Época



Os destaques são do ABC!


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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Cúpula do Judiciário desfruta hotel de luxo pago por empresas privadas

E o ABC!, que ontem deu continuidade à série, pelo que se vê infindável, sobre as mazelas do Judiciário, com o post Juíza pune exemplarmente ladrão de 4 latas de atum, prossegue hoje mostrando o congraçamento em hotel de luxo entre ministros dos tribunais superiores e anfitriões empresariais. Como se vê, tudo muito ético e republicano.

Seguradoras bancam evento para cúpula da Justiça em resort no Guarujá

FREDERICO VASCONCELOS
GIULIANA VALLONE
INARA CHAYAMITI
DE SÃO PAULO


A convite da Confederação Nacional de Seguros, instituição privada, ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), STJ (Superior Tribunal de Justiça) e do TST (Tribunal Superior do Trabalho) participaram de seminário em hotel de luxo no Guarujá, em São Paulo, no início de outubro.

O evento, que aconteceu num hotel cinco estrelas, o Sofitel Jequitimar Guarujá, começou numa quinta-feira e prolongou-se até domingo.

No período, as diárias variavam de R$ 688 a R$ 8.668. Além dos ministros, desembargadores e juízes de tribunais estaduais participaram do seminário (veja imagens abaixo).

imagens e edição: Inara Chayamiti
O congresso teve o apoio da AMB (Associação de Magistrados Brasileiros) e da Apamagis (Associação Paulista de Magistrados), mas não foi divulgado nos sites dessas entidades. Foram discutidos assuntos de interesse dos anfitriões, como o julgamento de processos sobre previdência complementar e a boa-fé nos contratos de seguros.

O presidente da AMB, Henrique Nelson Calandra, diz que o seminário promovido pelas seguradoras "colaborou para o aperfeiçoamento da administração da Justiça do país" e que contou com o "debate de temas polêmicos".

Mas o diretor-executivo da Transparência Brasil, Claudio Weber Abramo, vê conflito de interesses na presença de juízes nesses eventos.

"No Executivo federal, ninguém pode receber presentes acima de R$ 100. Os magistrados também deveriam adotar esse critério", defende Abramo.

HISTÓRICO

Em 2009, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) pagou as despesas de magistrados do Trabalho acompanhados de suas mulheres em congresso num luxuoso resort na Bahia. Na ocasião, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) foi questionado sobre a falta de normas para juízes aceitarem convites desse tipo.

O tema viria novamente à tona no início deste mês, quando 320 juízes do Trabalho disputaram provas esportivas em Porto de Galinhas (PE). O luxuoso encontro foi patrocinado por empresas públicas e privadas.

Foi anunciado, então, que a corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, pretendia apresentar no CNJ uma proposta para regulamentar a participação de juízes nesse tipo de evento.

A Folha apurou que se trata de uma ideia ainda não colocada no papel.


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domingo, 13 de novembro de 2011

Juíza pune exemplarmente ladrão de 4 latas de atum



Mais mazelas do Judiciário brasileiro: um pobre coitado que mora em São Mateus, extremo leste da cidade de São Paulo, foi condenado a um ano e meio de cadeia, em regime fechado, por ter roubado 4 latas de atum e um litro de óleo.


Seria cômico se não fosse trágico. E bota tragédia nisso!


Uma monstruosidade. Uma desumanidade. 


A excelência que proferiu a sentença? PATRÍCIA ÁLVARES CRUZ, da 9a. Vara Criminal de São Paulo, Fórum Barra Funda.


Enquanto o Judiciário trata os pobres com mão de ferro, os criminosos do colarinho branco andam soltos por aí, a bandidagem engravatada transita livremente, em seus carros importados, rindo cinicamente das leis e de todos nós. Até quando?


Sobre o descalabro judiciário da semana, leia mais abaixo.


ESSE CRIME CHAMADO JUSTIÇA




Quem aplica cegamente as leis punitivas não passa de um monstro insensível: foi o que a vida me ensinou.

A Justiça é um grande ideal. Disse Platão que todo ser humano o tem lá no fundo de si.

Mas, pessoas incumbidas de julgarem semelhantes -- sejam elas juízes ou jurados -- erram. Erram muito e erram feio.

Quando defendia a permanência do escritor Cesare Battisti em liberdade no Brasil, sempre invoquei o espírito de Justiça.

Porque tinha absoluta certeza de que, sendo apenas um homem justo, sem curso de Direito e sem toga, era eu quem naquele momento o encarnava, contra a brutal injustiça que Cézar Peluso e Gilmar Mendes tudo fizeram para impor aos demais ministros do Supremo Tribunal Federal, com furor inquisitorial que beirava o paroxismo, tentando passar como um rolo compressor por cima de leis e jurisprudências as mais sagradas -- ou seja, daquelas que protegem o ser humano da sanha dos poderosos.

Duas vezes na vida travei lutas terríveis, dificílimas, para salvar pessoas; antes, em 1986, tivera de correr contra o relógio para evitar que a greve de fome dos quatro de Salvador terminasse em tragédia.

A batalha durou menos, mas a responsabilidade e o estresse foram maiores ainda, devido à sensação de urgência. Terminava o dia exausto e não tinha repouso, sempre suspeitando que algo me escapara, que havia uma possibilidade salvadora mas eu não a conseguira vislumbrar. Um inferno.

Não consigo me imaginar lutando e me desgastando tanto para punir pessoas, mesmo as que merecem ser punidas. Questão de personalidade.

Se cruzasse na rua com certas abominações dos anos de chumbo, provavelmente quereria tirar satisfações. Não consigo, p. ex., ver uma foto ou uma aparição do Cabo Anselmo na TV sem me indignar, lembrando que foi ele o carrasco de dois companheiros estimados, José Raimundo da Costa e Heleny Guariba, Moisés e Lucy.





Mas, não gastaria meu tempo numa cruzada contra o Anselmo. Considero a vida uma dádiva preciosa demais para ser desperdiçada em vinganças.

Antes que perca o fio da meada, o que me inspirou esta divagação foi uma notícia deste sábado (12): um coitadeza da periferia de São Paulo responde a processo por haver roubado quatro latas de atum e uma de óleo, no valor total de R$ 20,69; chegou atrasado na audiência judicial porque seu ônibus empacou num congestionamento e, ao apresentar-se, tinha sido condenado a 18 meses de reclusão em regime fechado!!! Foi imediatamente preso.

Faço questão de registrar o nome da juíza responsável por tão gritante desumanidade: Patrícia Alvares Cruz.

A Justiça que ela encarna é do tipo que Victor Hugo imortalizou em Os Miseráveis: a meretíssima decerto consideraria apropriado que Jean Valjean passasse 19 anos nas galés por haver roubado um pão para as crianças.

A Defensoria Pública de São Paulo luta para reverter esta decisão inqualificável.

Fico pasmo ao saber da existência de alguém capaz de odiar e desprezar tanto outro ser humano, a ponto de roubar-lhe um ano e meio de vida... por nada! Por 20 míseros reais.

Bem disse a defensora pública que, “em função do baixo valor dos bens e de sua natureza alimentícia, deve ser aplicado o princípio da insignificância para arquivar o processo criminal". É o que qualquer ser humano verdadeiramente humano decidiria.

Como pode alguém acreditar que seja seu dever decidir de forma monstruosa?!

Não compreendo, nunca compreenderei e jamais aceitarei.



Náufrago da Utopia

Os destaques são do ABC!


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Mestra da palavra, da poesia, da Vida


Cora



O QUE É VIVER BEM?

Um repórter perguntou a CORA CORALINA (poeta que viveu até 95 anos):

“Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice. E digo pra você: não pense. Nunca diga estou envelhecendo ou estou ficando velha. Eu não digo. Eu não digo que estou ouvindo pouco. É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso. Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. O melhor roteiro é ler e praticar o que lê. O bom é produzir sempre e não dormir de dia. Também não diga pra você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais. Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima. Eu não digo nunca que estou cansada. Nada de palavra negativa. Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica. Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio! Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha, não. Você acha que eu sou? Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes. O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade. Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça.

Digo o que penso, com esperança.

Penso no que faço, com fé.

Faço o que devo fazer, com amor.

Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.”

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sábado, 12 de novembro de 2011

USP: truculência ampla, geral e irrestrita



Reflexões de Raquel Rolnik, arquiteta, professora da FAU-USP, blogueira e cidadã, sobre os lamentáveis acontecimentos na mais importante universidade brasileira.


Truculência para todos? Mais sobre a USP

Sexta-feira passada, escrevi no meu blog sobre a polêmica da presença da Polícia Militar no campus da USP, que vem gerando discussões e manifestações desde que três alunos da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) foram detidos no pátio da faculdade. Entre assembleias confusas e ocupações de prédios, o ápice da crise se deu na madrugada de terça-feira (08), quando a PM fez a reintegração de posse da Reitoria, levando presos 73 estudantes que ocupavam o prédio em protesto contra o convênio da USP com a PM.

Um policial aponta a arma para uma estudante de braços levantados, a tropa de choque entra no prédio e arromba portas (mesmo depois de a polícia já estar lá dentro), sem deixar ninguém mais entrar (nem a imprensa, diga-se de passagem), nem sair, tudo com muita truculência (leia o relato de uma aluna que não estava na ocupação, mas estava presente) – estas imagens não diferem muito do que já vemos a PM fazer na cidade, no Estado e no país.

A diferença é que, desde os anos 1980 até hoje, a chamada “autonomia” da USP constituiu uma espécie de blindagem seletiva às mazelas da cidade, inclusive em relação à repressão policial. Circulação restrita, portões fechados nos fins de semana, impossibilidade de localização de uma estação de metrô dentro do campus são algumas das marcas da segregação da universidade em relação à cidade.

Agora, em nome da segurança – aliás, a mesma que justifica as restrições de circulação e a segregação – rompe-se o bloqueio e, sob aplausos dos meios de comunicação, a polícia entra em cena para acabar com a farra de estudantes baderneiros. Afinal de contas, como declarou o governador Geraldo Alckmin ontem à imprensa, “a lei é para todos”.

Vale lembrar ao governador que nossa legalidade não é feita apenas de infrações penais, mas também de direitos. Isso vale dentro e fora da USP. Ou seja, são inaceitáveis, igualmente, as desocupações violentas em favelas, os despejos forçados de milhares de pessoas sem teto e sem terra, as abordagens humilhantes a moradores de rua, as execuções sumárias, entre tantas outras situações cujos agentes são a mesma PM que está hoje na universidade.

Os eventos da última terça-feira revelam também, com todas as tintas, a falência do diálogo na USP. Esse foi um dos pontos que destaquei no meu primeiro texto sobre esse assunto: a gestão da USP precisa se democratizar. Não dá mais pra ter um processo decisório baseado apenas na hierarquia da carreira acadêmica, ignorando os distintos segmentos que compõem a universidade, e sem gerar canais de expressão destes segmentos. Ontem o governador Geraldo Alckmin disse ainda que “estes alunos precisam ter aula de democracia”. Pelo visto, o próprio governo e a Reitoria também precisam se atualizar sobre o tema e se matricular nesse curso.

No fundo, o que o Governo do Estado e a Reitoria conseguiram foi dar mais voz e força a um grupo que é minoritário entre os estudantes da USP. Entraram no jogo da radicalização, da violência e do acirramento do conflito, sem esforço de construção de uma estratégia política menos tosca, que efetivamente expressasse a vontade das maiorias, que não foram consultadas. Certamente, se o fossem, não estariam a favor da forma como foi feita a ação de ontem, nem tampouco da atitude dos alunos que ocuparam a Reitoria…

Por fim, diante de alguns comentários que li e ouvi por aí, é importante afirmar que é inaceitável a desqualificação que alguns fazem dos alunos e professores da FFLCH e do conhecimento que se produz naquela faculdade. A FFLCH é um lugar que, historicamente, produziu e continua produzindo pensamento crítico, fundamental não só para a USP e para São Paulo, mas para um país que deseja incluir na agenda de seu crescimento econômico algo mais do que possibilitar a todos comprar mais geladeiras, carros e roupas iguais às das celebridades.

A Revolução somos todos nós



A cidadã e o cidadão comum ainda não se deram conta. A velha mídia nem toca no assunto, afinal está perdendo feio seu poder e sua reserva de mercado.


Há uma revolução em curso. Feita por todos que difundimos e produzimos conteúdo, notícias, inclusive, por meio das novas tecnologias e das redes sociais.


Apenas o começo.


Caminho sem volta.


Revolução midiática, mundial, planetária.


E cidadã.


Revolucionários midiáticos de todo o mundo, uni-vos!



A revolução do jornalismo

Washington Araújo
Alguém aqui já participou de alguma revolução? Alguém desceu, com Camilo Cienfuegos e Vilma Espín, a Sierra Maestra para tomar o poder do ditador Fulgêncio Batista, em Cuba? Alguém esteve no Vietnã, no início dos anos 1960? Alguém ainda lembra daquele arremedo de revolução dos jovens de 1968, armando barricadas que iam do Quartier Latin, em Paris, até Trafalgar Square, em Londres, passando pela Cinelândia, no Rio de Janeiro? À exceção da chamada primavera árabe, com a deposição de governantes, tiranetes ou não, nem mesmo isso podemos classificar – se formos cuidadosos com o vernáculo – como revolução. A pergunta continua, então, a mesma: alguém aqui participou de alguma revolução?

Revolução deságua no verbo transitivo direto revolucionar. E revolucionar, bem o sabemos, é o ato ou ação de provocar alterações físicas, estruturais; provocar mudanças visíveis em um cenário, ou em um “estado de coisas”. As revoluções, que salpicam duas de cada três páginas desse vasto somatório de desatinos humanos a que chamamos História, são momentos em que as massas se sublevam contra a ordem estabelecida, traduzem sentimentos de revolta contra os fundamentos e os focos de onde irradiam o poder que mantém coesa e inteira tal ordem.

E, para que se faça a revolução, algumas condições são fundamentais: (1) algum ideal pelo qual valha a pena lutar; (2) desejar agitar mentes e corações; (3) causar problemas a quem sempre criou problemas para os demais; e, (4) alvoroçar a superfície das consciências acomodadas.


Salvação do planeta

Mas existem outros tipos de revoluções. Bem longe do alarido da máquina de guerra, distante também de atos de heroísmo, e que não contabilizam número de mortos e feridos. São as revoluções que transformam profundamente a mentalidade, o ideário, se insinuam no campo da cultura, do conhecimento, e causam sensível mudança na forma de nossa interação na sociedade, seja através de descobertas e invenções realmente inovadoras, ou de meios que aceleram a obsolescência de pensamentos e ideias até então vigentes.

Alguns exemplos recentes desse outro tipo de revolução: o uso da pílula anticoncepcional dando início à chamada liberação sexual e as manifestações artísticas do movimento da contracultura, alterando a percepção da literatura em geral, da poesia, da música, do modo de vestir, da forma de se relacionar com o couro cabeludo e muitos outros afluentes daqui derivados.

A revolução para a qual buscarei captar a atenção do leitor é de outra natureza e se acha bastante impregnada na rotina diária de parcela significativa da população mundial: a revolução promovida pelas novas tecnologias, que estão mudando o panorama das comunicações em todo o mundo.

Como resultado clássico das revoluções, as baixas, nesse contexto, continuam ainda em processo de contabilização, como se cumprissem um hipotético compasso de espera. A consequência inevitável é a extinção de alguns tipos de mídia, principalmente no meio impresso, como já vem ocorrendo – e a constatação de que muitos jornais deixaram de circular e muitos outros ainda se encontram com os dias contados, em vias de desaparecer. Não é alarmante atestar que a imprensa vivencia a maior crise desde o surgimento do chamado jornalismo de massa, há apenas 150 anos.

Os meios de comunicação vivem um momento bastante diverso daquele existente há 15 anos. O surgimento da internet tem mostrado potencial suficiente para alterar de forma irrecorrível o “nosso” ecossistema midiático. É como se o campo da comunicação ainda se recuperasse dos estragos causados pela colisão com um meteoro – meteoro apenas sentido em sua verdadeira dimensão apocalíptica nas cenas do filme Independence Day. No filme de Roland Emmerich (1996), uma data é fixada na memória da plateia: 2 de julho. O longa de ficção norte-americano informa que naquele dia os sistemas de comunicação do mundo inteiro viverão o caos, devido a uma estranha interferência atmosférica causada por imensos meteoros cujo alvo final não é outro senão o de colidir com a Terra.

O resto do filme é ficção barata amparada em dispendioso orçamento, com direito à inserção de seres alienígenas. E, como tudo o que se produz nos Estados Unidos da América, a “patriotada” é logo garantida: no dia 4 de julho – porque não em 3 ou 6 de julho? – surge a única possibilidade salvadora do planeta: para vencer o invasor, a condição essencial é que todas as nações se unam, pois o que está em jogo é nada menos que a existência da raça humana.


Variedades e entretenimento

A crise que, ainda na década de 1990, mostrou elevada intensidade, apenas nos Estados Unidos fechou as portas de mais de 180 jornais e ceifou nada menos que 23 mil empregos. Mas engana-se tremendamente quem, em sua miopia, consegue ver o impacto da internet apenas no meio impresso, no segmento dos jornais e das revistas. Canais de TV que suprem o nicho dos interessados em notícias 24 horas por dia, como a CNN, grande sensação no fim dos anos 1990, e a sua irmã caçula Al Jazeera, enorme aposta do mundo árabe nos anos 2000, também vivem grave crise econômica. E a razão é uma, apenas uma: os canais de informação enfrentam sérias dificuldades ao tentar concorrer com a internet. Não por acaso, no coração do velho continente europeu o mais vistoso e tradicional canal da Espanha simplesmente fechou.

O desenvolvimento das redes sociais e dos blogs representa um avanço impossível de ser freado: há novos atores no processo de comunicação que não podem ser ignorados. Há 20 anos, o fenômeno era a CNN, mas se estivesse escrevendo este texto três anos atrás, possivelmente não mencionaria o Twitter nem o Facebook. A realidade que se nos impõe demonstra, de maneira a não admitir contestação, o fato de que o jornalismo – tal como o conhecemos ainda – perdeu por completo o monopólio da informação. Isso porque, com ou sem chancela do diploma de jornalista por parte do Supremo Tribunal Federal (caso do Brasil), todos podem hoje, sejam cozinheiros, médicos ou estudantes do ensino médio, consultar, acessar e produzir informações. Como também podem criar pautas, cumprir pautas e reunir em torno da pauta escolhida todo o conhecimento necessário ao desenvolvimento do assunto e, tudo isso, demandando esforço equivalente e não superior a uma dúzia de cliques.

Os efeitos da internet na vida ordenada das sociedades são potencializados pela sensação de decrépita decadência que tem enfermado nossos principais veículos de comunicação, que não se curaram do sarampo do monopólio nem da catapora do partidarismo político nunca assumido, mas sempre exercido. É com esse contexto de completa insegurança quanto à lisura, à veracidade e a adequada contextualização da informação que nos defrontamos.

A verdade é que não podemos confiar no que os jornais publicam, muito menos no que as revistas publicam e bem menos no tipo de telejornalismo que campeia nossos canais de TV aberta, situação paralisante em que nunca sabemos discernir muito claramente o que é jornalismo e o que não passa de mero clipe na longa cadeia dos programas de entretenimento e variedades destinados apenas a realçar o que há de mais bizarro na natureza humana e, assim, continuar ostentando bons números de audiência.


Conceitos enevoados

É chegado o momento para atualizar um dos mais conhecidos e reverenciados gritos de protesto político, lançado no Manifesto Comunista em 1844, por Karl Marx e Friedrich Engels: “Trabalhadores do mundo, uni-vos!” E não tardará para que nos acostumemos a ouvir o alargamento da frase para algo como: “Trabalhadores do mundo da informação, uni-vos!”

Porque será necessária uma forte união dos novos protagonistas no campo da informação e da notícia para assegurar que estas circulem de forma livre, verídica e justa. Algo que, a grosso modo, bem poderíamos chamar de “bom jornalismo”, aquele jornalismo que volta aos bancos escolares e busca, novamente, apreender conceitos hoje tão abstratos e enevoados como ética, correção, isenção, imparcialidade e… decência.

Cidadão do Mundo

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