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quinta-feira, 14 de junho de 2012

Aos trapaceiros, chicaneiros, cambalacheiros...

Salmo 52

Julgamento do cínico

Por que te glorias com o Mal,
herói de infâmia,
o dia todo planejando ciladas?
Tua língua é navalha afiada,
autora de fraudes.

Preferes o mal ao bem,
a mentira à franqueza;
gostas de palavras corrosivas, 
ó língua fraudulenta.

Por isso Deus te demolirá,
te destruirá  até ao fim,
e te arrancará da tua tenda,
e te extirpará da terra dos vivos.

Os justos verão e temerão,
e rirão às custas dele:
"Eis o homem que não colocou
Deus como sua fortaleza,
mas confiava em sua grande riqueza
e se fortificava com ciladas!"

Quanto a mim, como oliveira verdejante
na casa de Deus,
eu confio no amor de Deus
para sempre e eternamente.

Vou celebrar-te para sempre,
porque agiste;
e diante dos teus fieis vou celebrar teu nome,
porque ele é bom.




Tradução da Bíblia de Jerusalém.
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Quem é Tourinho Neto?



“Não, Eliana, aí não há nada de exação. Vossa Excelência foi a fundo com uma sentença condenatória. Se perdeu, ministra Eliana. Me desculpe”, disse Tourinho.

“E Vossa Excelência se achou”, respondeu a ministra.



          (Entrevero entre Eliana Calmon e Tourinho Neto, dias atrás)


A ministra-corregedora Eliana Calmon, que eu chamei aqui muitas vezes de A Grande Mulher da Justiça, nós todos conhecemos, apoiamos e aplaudimos: uma magistrada combativa, destemida, sem medo de assombração, e que partiu pra cima dos Bandidos de Toga em setembro do ano passado, ao denunciar publicamente a corrupção dentro do Judiciário. Reitero aqui o que escrevi diversas vezes: a ministra Eliana Calmon é um verdadeiro Orgulho da Magistratura Brasileira e de todos nós cidadãos.


Agora convido vocês a conhecerem um pouco mais sobre o desembargador Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da 1a. Região. Para isso, reproduzo dois posts de blogs amigos, para ficarmos atentos às decisões no mínimo controvertidas deste magistrado.


Stanley Burburinho: Genealogia de Tourinho




1 - Nome do desembargador que autorizou a transferência de Cachoeira do presídio de segurança máxima no RN para a Papuda, em BSB: Tourinho Neto - http://www.jornalopcao.com.br/posts/ultimas-noticias/carlinhos-cachoeira-sera-transferido-para-brasilia

2 - Nome do desembargador que quer anular os grampos das operações Vegas e Monte Carlo: Tourinho Neto - http://www.aredacao.com.br/noticia.php?noticias=13948

3 - Nome do relator que desbloqueará os bens da Vitapan, empresa de Cachoeira: Tourinho Neto - http://www.jornaldotocantins.com.br/20120613123.128592#13jun2012/politica-128592/

4 - Desembargador acusado de querer "soltar todo o crime organizado de Goiás, DF e adjacências": Tourinho Neto - http://www.dignow.org/post/desembargador-tourinho-neto-quer-soltar-todo-o-crime-organizado-de-goiás-df-e-adjacências-4206743-57849.html

5 - Desembargador que, antes de tomar posse, já estava na mira de Eliana Calmon e de conselheiros do CNJ: Tourinho Neto - http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/judiciario/chegada-vigiada/

6 - De qual Tribunal Regional Federal é o desembargador Tourinho Neto? Ele é do TRF-1 do DF.




Soltar Cachoeira e anular provas é vitória do crime organizado e miopia judicial

Ontem [terça, 12], o desembargador Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, mostrou no seu voto o quanto a Justiça é míope.

Uma Justiça incapaz de notar a força de uma organização criminosa que se infiltra no Estado nacional (não somente Goiás e Distrito Federal), atua parasitariamente para obter fabulosos e ilegais lucros, e promove a cooptação de políticos, como o senador Demóstenes Torres e dois deputados.

Para o desembargador Tourinho Neto, a decisão judicial do juiz de primeiro grau que deferiu a escuta telefônica estava fundamentada em meros indícios, ou melhor, em indicativos insuficientes.

A respeito, esqueceu-se Tourinho Neto do resultado obtido, ou seja, a plena confirmação dos indicativos, com apreensões de máquinas de jogos eletrônicos de azar, comprovação de associação da organização chefiada por Cachoeira à Construtora Delta, condutas criminosas variadas e envolvimento, até a raiz dos pelos da barba, do farsante senador Demóstenes Torres e de deputados.

Em resumo, os resultados confirmaram os indícios que, evidentemente, não podem ser tidos como insuficientes. A insuficiência, no caso e com o devido respeito, está na decisão de Tourinho Neto.

Imagine, prezado leitor deste Portal Terra, falar-se em indícios insuficientes num estado como Goiás, onde é público e notório que Cachoeira explora a jogatina eletrônica de azar. Como mostrou a mídia, a jogatina eletrônica proibida movimenta o “PIB” de várias cidades goianas e as torna dependentes economicamente de Cachoeira.

Que Cachoeira é notório delinquente só não sabia o governador Marconi Perillo. Ontem, perante a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, o governador de Goiás afirmou que conhecia Cachoeira como empresário. Além de não corar (avermelhar a face) com a mentira, demonstrou Perillo haver esquecido que Cachoeira protagonizou a queda de Waldomiro Diniz, homem da confiança do então ministro José Dirceu com sala no Palácio do Planalto. Fora isso, Perillo esqueceu da CPI dos Bingos, que concluiu pelo indiciamento de Cachoeira. Diante de tantos esquecimentos, Perillo telefonou para cumprimentar Cachoeira pelo aniversário e deu-lhe um “puxão de orelha” por Cachoeira não tê-lo convidado para a festa do natalício.

No voto, o desembargador Tourinho Neto destaca, como a repetir o que já ocorreu na canhestra decisão do Superior Tribunal de Justiça ao enterrar a Operação Castelo de Areia, nulidade decorrente de prova colhida com base em denúncia anônima.

Como mostrou a Polícia Federal, cerca de 20 dias antes de requerer o grampo telefônico, a autoridade de polícia judiciária ouviu pessoas, promoveu diligências e realizou constatações. Só diante desse fartíssimo material de confirmação da denúncia anônima é que foi postulada a interceptação. E a decisão judicial fundamentou-se, diante da suficiência do trazido com o inquérito, na necessidade do grampo para complementação da apuração, comprovação de materialidades, de autorias e participações delinquenciais.

Em que mundo o desembargador Tourinho Neto vive?

Certamente num mundo anterior a 1941, ou seja, à entrada em vigor do Código de Processo Penal (CPP). Como está escrito na exposição de motivos do CPP, esta legislação (ainda em vigor) “não deixa respiradouro para o frívolo curialismo, que se compraz em espiolhar (catar) nulidades”.

Pano rápido. Os indícios eram suficientes e, no particular, a decisão de Tourinho Neto, pela nulidade das provas e soltura de Cachoeira, foi míope. E basta atentar para o resultado para se verificar que a Operação Monte Carlo não foi uma aventura como imagina o desembargador Tourinho Neto.

Wálter Fanganiello Maierovitch, jurista e ex-desembargador do TJ-SP



Blog Sem Fronteiras


Leia também: "Temperatura sobe entre Eliana e Tourinho"


Destaques do ABC!


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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Juiz defende Judiciário Cidadão



Nós também. Aliás, não há outro caminho. É só uma questão de tempo. Renovar ou morrer. Na Era da Informação e do Conhecimento, na Sociedade Planetária e Midiática, não haverá outra alternativa, a não ser a Cidadania Plena. Direitos iguais, inclusive e principalmente dentro do Judiciário.


O artigo a seguir é de autoria do juiz federal Roberto Wanderley Nogueira, de Recife. O autor é Doutor em Direito Público, Professor-adjunto da Faculdade de Direito do Recife e do Programa de Mestrado em Direito da UNICAP.
Cotas no Judiciário e exercício da cidadania

“Elites terão de repensar os conceitos e eliminar o ranço de superioridade”, diz juiz

É na história presente que se edifica o futuro. E ele bate inexoravelmente à nossa porta, clamando por transformações sociais inadiáveis, inclusive no setor judicial. Por isso, será debatido no CNJ, aliás, tardinheiramente, a política de cotas para vagas no Poder Judiciário. Sobre isto, vozes que habitam esse ambiente institucional já começam a resistir de um modo que remete à escatologia. Absurdo dos absurdos!

Para os que ainda não compreendem a lógica da política de cotas, transitória, circunstancial, compensatória, deve ser anotado, com emergência, que não pode haver mérito maior do que a Justiça, e Justiça efetivamente distribuída e possibilitada, sem tutelas oligárquicas ou elitistas.

O resto vem na decorrência da justificação dos meios e atitudes. O homem e a mulher são sempre capazes, quaisquer que sejam eles ou elas, provenham de onde provierem, tenham a condição que tiverem, pois a diversidade é o que obtempera o que há de essencial na humanidade: sua própria dignidade que se mede individualmente e vale indistintamente a todos. Por isso, desde o pós-guerra os direitos humanos foram consolidados em principiologia fundamental do Estado contemporâneo e das sociedades hodiernas que reúnam padrão civilizatório.

Basta apenas que as pessoas tenham iguais oportunidades para que elas floresçam em plenitude. O problema com o qual se objeta às ações afirmativas, então, é social e não subjetivo. Dessa tomada de consciência – primeiro passo à transformação social – decorre que é melhor que vamos logo nos acostumando com esse novo paradigma de sustentação das instituições públicas e privadas, pois só de pessoas com deficiência no Brasil (física, sensorial, intelectual ou múltipla), a propósito, temos uma população de mais de 45 milhões, de acordo com o último Censo (IBGE/2010).

Se contabilizarmos os familiares dessas pessoas, as quais em regra sofrem explícito ou velado ‘apartheid’ (inacessibilidade física, informacional e comunicacional), logo essa densidade se eleva a mais da metade, pelo menos, da população brasileira. Isto, porém, não deve causar espanto. Espantosa é a falta, até agora, de uma política massiva e sistemática de emancipação, e a sua consequente efetividade, de todo esse pessoal e, sobretudo, a permanência de uma cultura de insensibilidade espraiada por todo o território nacional que desconhece o potencial de toda essa gente que, juntamente com outros grupos humanos igualmente excluídos socialmente, merecem exercitar, por inteiro, sua cidadania.

E foi com um esforço incomum e o propósito de erradicação das desigualdades sociais que o Governo Federal instituiu recentemente o Plano Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência (‘Viver sem Limites’), o qual envolve 15 órgãos das entidades de direito público interno, através de cujas atividades deverão ser criadas, pelo menos, umas 150 mil vagas para cursos do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC). Além do mais, esse Plano tem um orçamento de R$ 7,6 bilhões até 2014. É um esforço de fato considerável, dir-se-ia mesmo histórico, que visões sectárias não devem de modo algum impedir sua eficácia ou obscurecê-lo. O Conselho Nacional de Justiça tem editado normas para a garantia de acessibilidade nas repartições de Justiça no Brasil, mas essa determinação não tem sido efetivada na justa medida de sua importância e extensão. Ignorância e desinteresse (descaso) acabam se traduzindo como duas das mais eloquentes barreiras atitudinais que se abatem no poder público contra o livre exercício dos direitos das pessoas costumeiramente excluídas.

A propósito, acessibilidade é um conceito inclusivista que não se esgota nos aspectos físicos e arquitetônicos dos espaços públicos que vão receber a todos os cidadãos, indistintamente e com igualdade de condições de trânsito pessoal, informacional e de comunicação. Desse modo, é vedado ao poder público instituir rotinas de trabalho, por exemplo, que excluam determinados segmentos da sociedade de compartilhar dos seus benefícios, a exemplo da implantação de sistemas informáticos para os processos em geral sem a salvaguarda da interoperabilidade e de programas de apoio e compensação para quem não os lê por alguma limitação dos sentidos.

A política de cotas integra, ademais, a problemática compensatória no contexto de desigualdades sociais crônicas, historicamente observadas.

Para aqueles que ainda consideram que não adianta falar em face da contingência de uma nova conjuntura de escala planetária que evidencia a necessidade de emancipação dos povos, dos grupos e das pessoas, de fato, não adianta falar mesmo, enquanto a fala sofrer de um preconceito do qual até os que falam dele desconhecem. Nada obstante, é da genealogia de nossa própria sociedade que o fenômeno ainda esteja acontecendo, mas isso tem de ser superado, haja vista razões de Justiça sem a qual não há paz e nem concórdia. Sem nada disso, tampouco se espere por desenvolvimento e prosperidade.

Adicionalmente, é absolutamente equivocado acreditar que alguém, por ter sido submetido à exclusão social o tempo inteiro, tenha poucas chances, talvez nenhuma de superar os seus próprios limites e se tornar, por exemplo, um grande Jurista, um bom médico, um qualificado engenheiro. Há exemplos de sobra que desmentem esse veredicto corporativista e de classe. Um deles, pelo que se conhece, milita com muito brilho, pujança e independência na Suprema Corte do país.

Precisamos abandonar esse sentimento – os Juízes, principalmente – pois ele não é um sentimento nobre, não infunde igualdade e está em descompasso com a Constituição e com a vida na pós-modernidade. Depois que forem guarnecidas satisfatoriamente as populações – todas elas! – de plenas oportunidades de crescimento, testaremos o mérito com linearidade cartesiana. Enquanto prevalecer o contexto das desigualdades sociais, o argumento meritocrático é, sobretudo, uma falácia, pois iguala os desiguais.

Por enquanto, propende um balanço que exige a equalização dos desiguais. As elites terão de repensar os próprios conceitos e eliminar de vez o ranço de superioridade que, pelo fato de se ter tido tudo na vida – de casa e comida a afeto familiar e escolaridade plena – achar que se é melhor ou mais meritório do que aqueles que nada disso tiveram em suas vidas até então miseráveis. Essa atitude do sentimento de classe equivale a condenar os segmentos vulneráveis à própria miséria o tempo inteiro e, ao mesmo tempo, a garantir blindagem social aos privilégios, em face do espectro de alguma perda mais ou menos consistente que nem falta sequer realmente fará. Esta é que é a realidade!

Sobretudo, essa é uma exigência, a par de constitucional, da Cristandade, que traduz, em síntese, o esteio moral em que se assenta o Ordenamento Jurídico brasileiro, nada obstante laico. A propósito, precisamos reconhecer de uma vez por todas que os nossos semelhantes, quaisquer que sejam, são nossos semelhantes, simplesmente, e existem conforme a natureza que comporta a todo o ser humano, sujeito de direito interno e internacional. Portanto, todos são dignos das primícias da vida, conforme a ideia do desenho universal que reenquadra, conceitualmente, o valor da maioria para identificá-la com o todo (a maior parte).

Com efeito, não devemos consolidar essa vergonha em nossos patrimônios, que evoca o período escravocrata, para, antes, tratar de uma autocrítica séria que se nos humanize mais e mais.

Que a vida seja plena para todos! É o brado inclusivista dos homens e mulheres de boa vontade deste país.

Blog do Fred

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terça-feira, 12 de junho de 2012

"Corrupção não é crime hediondo", dizem juristas



Uma lástima a decisão de tais juristas. A sociedade brasileira está farta da impunidade de agentes públicos que cometem peculato e outros crimes contra o erário.


O nome já diz: "Servidores" Públicos. Existem para SERVIR ao interesse público, ao País, à sociedade, e não a interesses mesquinhos e em geral inconfessáveis. 





Juristas excluem corrupção do rol dos crimes hediondos

Sugestão tinha sido feita pelo relator da comissão, mas não foi acolhida pela maioria dos integrantes

RICARDO BRITO

BRASÍLIA - A comissão de juristas do Senado que discute mudanças ao Código Penal decidiu nesta segunda-feira, 11, não incluir a corrupção praticada contra a administração pública na lista de crimes considerados hediondos. A sugestão havia sido feita pelo relator, o procurador regional da República Luiz Carlos Gonçalves, mas não foi acolhida pela maioria dos integrantes da comissão.

O colegiado, contudo, aprovou o acréscimo de sete delitos ao atual rol de crimes hediondos: redução análoga à escravidão, tortura, terrorismo, financiamento ao tráfico de drogas, tráfico de pessoas, crimes contra a humanidade e racismo.

Atualmente, são considerados hediondos os crimes de homicídio qualificado, latrocínio, tortura, terrorismo, extorsão qualificada pela morte, extorsão mediante sequestro, estupro e estupro de vulnerável, epidemia com resultado de morte, falsificação de medicamentos e tráfico de drogas.

A Lei dos Crimes Hediondos foi editada em 1990, no governo do ex-presidente Fernando Collor de Mello, como resposta a uma onda de violência em resposta à violência no estado do Rio de Janeiro. Na prática, os juristas propuseram incorporar ao Código Penal as mudanças da lei.

Os crimes hediondos são considerados inafiançáveis e não suscetíveis de serem perdoados pela Justiça. Eles têm regimes de cumprimento de pena mais rigoroso que os demais crimes, como um tempo maior para os condenados terem direito a passarem do regime fechado para o semiaberto, por exemplo. Atualmente é de dois quintos da pena para não reincidente e, com a proposta aprovada, seria de metade - para os reincidentes, o prazo seria o mesmo, de três quintos. A prisão temporária é de 30 dias, prorrogáveis por igual período, prazo maior do que nos demais crimes.

Durante os debates da comissão, o relator chegou a sugerir que a sociedade "clama" por essa mudança. Mas, numa votação rápida, apenas o desembargador José Muiñoz Piñeiro Filho e o promotor de Justiça Marcelo André de Azevedo votaram a favor.

"Na minha visão, a corrupção deveria fazer parte desse rol, mas a maioria entendeu que não", afirmou Luiz Carlos Gonçalves, lembrando que "em um colegiado não é correto falar em derrotas ou vitórias". "Um Código Penal deve atender à sociedade e posso afirmar que uma das sugestões que a sociedade mais reivindica é que os crimes contra a administração pública, notadamente o peculato (desvio de dinheiro público) e a corrupção, deveriam fazer parte do rol", disse Piñeiro Filho.

"Nós entendemos que a Lei de Crimes Hediondos ao longo dos seus anos de vigência não contribuiu para reduzir a criminalidade em nenhuma medida e trouxe problemas para o sistema prisional e penitenciário", disse o advogado Marcelo Leonardo, que foi contrário a todas as inclusões.

O colegiado tem até o final do mês de junho para apresentar uma proposta de reforma do Código Penal ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Caberá à Casa decidir se transforma as sugestões dos juristas em um único projeto ou as incorpora em propostas que já tramitam no Congresso.

Estadão Online

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segunda-feira, 11 de junho de 2012

A Fome do Ouro na Era da Insensatez



A propósito da Rio+20, que começa na quinta-feira, 14, e do assassinato do planeta pelo egoísmo humano.




A crise da razão e a destruição do mundo

Mauro Santayana

Grandes pensadores, e não apenas os sacerdotes menores, recorrem ao mito de Adão, a fim de associar o fim da inocência ao pecado. Uma teologia mais alta repelirá a ideia ortodoxa: Deus, existindo, não criaria seres dotados das sementes da inteligência para serem parvos. Ao dotá-los da mente, dotou-os, naturalmente, da dúvida e da busca da verdade. Da busca da verdade, ainda que não do encontro desta mesma verdade. A verdade absoluta, como todas as ideias que ocupam a inteligência do homem, é uma categoria de fé. Apesar da advertência de que só ela nos libertará, nunca a teremos, a não ser cada um de nós em sua própria fé. Aquilo em que cremos – mesmo a dúvida – é a nossa verdade.

Em todos os tempos, convivemos com o conflito entre os grandes pensadores e os reitores das sociedades políticas. O poder – e a tese se alicerça nos fatos históricos – sempre esteve associado ao medo, à loucura e à fome do ouro. Cabe, assim, aos que pensam moderar os desatinos dos poderosos e – quando a situação de insensatez chega ao insustentável – favorecer o retorno à normalidade. Esse retorno se faz com as revoluções, não necessariamente sangrentas. Na visão de Vitor Hugo – e a citação é sedutora – o poder muitas vezes se sustenta em ficções rendosas, e a tarefa da revolução é a de promover o retorno da ficção à realidade.

A realidade está submetida à necessidade, que é a grande legisladora, e que atua, de tempo em tempo, para corrigir os seus desvios, ou seja, restituir o real ao campo do necessário. É assim que podemos pensar um pouco na questão- chave de nossos dias, a da preservação da vida na Terra.

Uma inteligência do Universo, se houvesse alguma além dos homens – mesmo sendo a divina – talvez chegasse à conclusão de que a espécie humana perdeu a sua razão de ser. A mente dos homens – seu atributo maior – abandonou a sua razão essencial, que era a de contemplar o mistério do universo, tanto nas grandes constelações e galáxias, como no voo de um inseto, e buscar o seu sentido. Ao contrário, vem pretendendo fazer do Universo um submisso servidor.

O homem não convive mais com o mundo, mas o agride com a plena consciência do crime. Ele pode, e deve, usufruir dos bens do planeta, mas não destruí-los, sem que se destrua a civilização que conhecemos. Há uma razão para que a visão estética do mundo e a construção de planos mentais se reúnam no vocábulo grego teoria, contemplação. Conciliar a contemplação do mundo com o projeto, que transforma o homem em criador e êmulo da natureza, é associar a ideia do desígnio, de Prometeu, à da esperança, de Epimeteu.

Há quarenta anos que a comunidade internacional se reúne periodicamente, para discutir o estado do planeta. Este Jornal do Brasil, ao noticiar a Primeira Conferência do Meio Ambiente, realizada em Estocolmo, em 1972, deu às matérias um título geral que continua válido: A Terra está doente. A agressão continua, até mesmo no simulacro de providências, que agravam o problema, em lugar de resolvê-lo, como as ONGs e os protocolos daqui e dali, para iludir os bem intencionados e fazer a fortuna dos espertos.

A ciência em pouco tem contribuído para resolver o problema. Ao contrário, as grandes descobertas científicas, sobretudo as do campo da química e da bioquímica, têm agravado o quadro de caquexia geral do planeta – como é o caso dos defensivos agrícolas e da engenharia genética, com as sementes transgênicas. As multinacionais do agronegócio, que criam sementes transgênicas e agrotóxicos assassinos, se associam aos gananciosos produtores de grãos, senhores de vastas extensões de terras férteis.

Esses empreendedores, se optassem por uma agricultura mais racional, teriam, segundo alguns especialistas, mais retorno econômico e preservariam o solo, as águas, o meio ambiente, enfim, o futuro. Um exemplo da insensatez da tecnologia capitalista na produção rural é o caso da superprodução de leite na Europa, com vacas alimentadas com proteínas vegetais – como a soja – importadas dos paises em desenvolvimento. Com o excesso, produzem leite em pó, que é depois reconstituído para alimentar os bezerros – e liberar mais leite para o mercado, ou seja, para a superprodução e o retorno aos bezerros. É o lucrativo ciclo da insensatez.

A razão capitalista impede que esse leite possa salvar da morte milhares de crianças na África. É provável que nessa razão prevaleça a ideia dos clubes de Bilderberg do mundo (que são vários) de que o planeta será muito melhor e mais saudável sem os pobres.

Entre outras formas de tornar impossível a sobrevivência dos homens e de outras manifestações de vida no planeta, encontra-se, em primeiro lugar, esse modelo de produção de nossos dias, que se revela no prefixo trans. É um recurso da tecnologia, como tantos outros, para servir ao lucro imediato, à fome do ouro, a que se refere Lucrécio.

A Conferência que se abre no Rio não conduzirá a resultados realmente importantes se for movida pela ideia de que a ciência e os bons sentimentos poderão salvar o mundo. A questão é política, de poder. E enquanto o poder estiver, como está hoje, na mão dos banqueiros e dos grandes conglomerados industriais, que controlam as universidades, os laboratórios de pesquisas, os grandes meios de informação universal, e remuneram cientistas, tecnólogos e, sobre todos eles, os políticos e os policy makers, o planeta continuará a ser deliberadamente assassinado, em benefício de algumas famílias. Elas mesmas já desertaram da espécie humana e, em seu egoísmo doentio, vivem as ficções rendosas.

O mundo está à espera de que a necessidade imponha aos homens a ação imediata para o retorno à realidade, enfim, à normalidade, à solidariedade que salvará o planeta. E convém lembrar que norma, em latim, é a denominação do esquadro, que marca o ângulo reto, princípio imemorial das construções sólidas.


JB Online
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domingo, 10 de junho de 2012

Lembrando Cássia...



Orgulho Gay, Gay Pride...


O dia colorido e festivo me fez lembrar de Cássia...




Cássia Eterna


Acústico MTV


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São Paulo: a maior Parada do Orgulho Gay do planeta



É hoje. Daqui a pouco começa, ao meio-dia. Na Capital da Diversidade.


E na Mais Paulista das Avenidas...


Parada do Orgulho Gay     Gay Pride Parade




O mundo não é preto e branco. O mundo é colorido.


E direitos homoafetivos são antes de tudo Direitos de Cidadania, Direitos Humanos.


Respeitemos todos a Diversidade Humana!




Mais informações, acesse o site oficial clicando aqui.








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