Tradutor

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Mulheres Brasileiras: Maria da Paixão


Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher e ao Mês da Mulher, o governo da primeira mulher presidente da República do Brasil publicará no Blog do Planalto artigos sobre importantes e lutadoras mulheres brasileiras. Mulheres guerreiras, mulheres do povo.

A série teve início hoje, com a trabalhadora rural Maria da Paixão, da cidade de Lapão, Bahia, que vive, como outras tantas mulheres, da agricultura familiar.

Dona Maria da Paixão planta hortaliças - alface, brócolis e coentro - e também mamona, para a produção de biodiesel. Além disso, dedica-se à criação de caprinos.

A presidenta Dilma estará amanhã, terça, em Irecê, Bahia, para lançar programas que beneficiam trabalhadores rurais, em especial as agricultoras como Maria da Paixão.

Mais  detalhes sobre os programas governamentais e sobre a cerimônia de amanhã, "Trabalho e Cidadania", no sertão baiano, abaixo e no post completo do Blog do Planalto.



‘Ônibus da cidadania’ permitirá emissão de bloco de notas fiscais às trabalhadoras rurais


Maria da Paixão, produtora familiar rural de Lapão (BA), é uma das
mulheres que poderá ser beneficiada pelo programa 'Bloco da Produtora Rural'.
Foto: Rafael Alencar/PR

Selo da série especial Dia internacional da Mulher

No mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, o Blog do Planalto traz uma série especial dedicada às mulheres brasileiras. Nosso primeiro post é sobre a agricultura familiar, atividade que vem resgatando cada vez mais famílias da pobreza e que é tema central da Cerimônia de Início das Comemorações do Mês da Mulher: Trabalho e Cidadania, que acontece amanhã (1/3), em Irecê (BA).

A partir desta terça-feira, as trabalhadoras rurais terão acesso à emissão do ‘Bloco da Produtora Rural’ – serviço que permite a emissão de notas fiscais para a comercialização de seus produtos – sem precisar se deslocar de seus municípios. A ação que será lançada nacionalmente em Irecê fará parte do Programa Nacional de Documentação da Trabalhadora Rural (PNDTR), que leva a emissão de documentação civil e trabalhista em ônibus que percorrem todo o território nacional.

Expresso Cidadã levará a emissão gratuita do Bloco da Produtora Rural a todo o território brasileiro. Foto: Rafael Alencar/PR

Com o bloco de notas fiscais em mão, a trabalhadora rural poderá comercializar sua produção de formal legal e expandir a venda para mercados, órgãos públicos e à comunidade em geral. O documento possibilita à trabalhadora ter uma inscrição estadual e registrar toda a movimentação de compra e venda dentro da propriedade rural no bloco.

Outra garantia é a inscrição como asseguradas especiais no INSS e comprova a atividade agrícola para fins previdenciários (aposentadoria, auxílio maternidade, auxílio doença).

O foco do programa são as produtoras familiares que tocam a produção de forma artesanal, muitas vezes organizadas em associação de mulheres, e que ficam impossibilitadas de expandir a venda de seus produtos por não poderem emitir o documento fiscal.

Maria da Paixão Rocha, produtora familiar do município de Lapão, no sertão baiano, é uma das trabalhadoras foco da ação. Há 15 anos dona Paixão, como é conhecida, toca a produção de uma pequena propriedade rural que divide com a família, onde é praticada a policultura. Lá se encontra desde hortaliças como alface, brócolis e coentro, à mamona – utilizada para a produção de biodiesel –, além da criação de caprinos. Tudo o que é produzido pela família é vendido para a comunidade local.

(...)

Dilma e Gandhi: alguma semelhança?

“Tia Dilma na festa da Folha é prova de feminina astúcia, de fragilidade confessa, de amnésia, de ingenuidade ou de falta de vergonha na cara...”

     (Nilson Lage, jornalista e professor aposentado da UFSC, em seu twitter)



A ida da presidenta Dilma Rousseff ao "serpentário político-midiático" armado para a comemoração dos 90 anos do jornal Folha de S. Paulo na semana passada continua rendendo manifestações e análises. De blogueiros, leitores de blogs, jornalistas, estudiosos da comunicação, cidadãos e cidadãs que pensam o Brasil.

Não foi, pois, um acontecimento "menor". Tem propiciado variados pontos de vista, estimulado debates e observações, das mais leves às mais veementes e apaixonadas.

O tempo dirá se a atitude da presidenta foi a mais acertada para o País e para a cidadania.

O artigo abaixo contribui com novas reflexões. Apreciem sem moderação.



Dilma e Gandhi - o sal e o pré-sal

 Samuel Lima
Docente da UnB, professor visitante na UFSC e pesquisador do objETHOS


O gesto de um homem chamado Mahatma Ghandi atravessou o tempo. Corriam os anos 1930 e os tiranos ingleses haviam proibido a extração e comércio de sal em território indiano porque pretendiam eliminar qualquer competição com o seu produto. A decisão dos colonizadores condenava milhares de pessoas à fome porque colher sal era crime. Desafiando a ordem injusta, um homem aparentemente frágil catou um punhado de sal, numa praia de Gujarat, ergueu o punho e começou a luta efetiva pela independência do país, que seria vitoriosa 20 anos depois. Um homem, um punhado de sal e um gesto que mudou a História.

Dilma Rousseff, que comanda um governo cuja jóia são as riquezas existentes na camada pré-sal, pode ter marcado sua trajetória no poder a partir de outro gesto simbólico. No dia 21 de fevereiro, Dilma foi ao encontro de seus algozes, “comemorar” o aniversário de 90 anos do jornal Folha de S. Paulo. Mais que uma simples visita de cortesia a um veículo que publicou sua ficha falsa na capa (e jamais fez nenhuma autocrítica) e respaldou um de seus colunistas mais conhecidos a xingá-la de “vadia e vagabunda”, ela fez um discurso incompreensível àqueles que lutam pela liberdade de expressão e o direito à comunicação no país. A síntese é clara: “Ao comemorar o aniversário de 90 anos da Folha de S.Paulo, este grande jornal brasileiro, o que estamos celebrando também é a existência da liberdade de imprensa no Brasil”.

Gesto e discurso são objetos de intenso debate na blogosfera, a partir de alguns conhecidos “blogueiros sujos” (assim chamados por José Serra), que na recente disputa eleitoral posicionaram-se ao lado da presidenta. O jornalista Leandro Fortes escreveu:

O pecado capital de Dilma foi ter, quase que de maneira singela, corroborado com a falsa retórica da velha mídia sobre liberdade de imprensa e de expressão. (...) A presidenta usou como seu o discurso distorcido sobre dois temas distintos transformados, deliberadamente, em um só para, justamente, não ser uma coisa nem outra. Uma manipulação conceitual bolada como estratégia de defesa e ataque prévios à possível disposição do governo em rever as leis e normas que transformaram o Brasil num país dominado por barões de mídia dispostos, quando necessário, a apelar para o golpismo editorial puro e simples. (Fonte: http://brasiliaeuvi.wordpress.com/)

O repórter especial de CartaCapital enxerga, na atitude de Dilma, algo a mais. Trata-se, para Fortes, de “uma concessão que está no cerne das muitas desgraças recentes da história política brasileira, baseada na arte de beijar a mão do algoz na esperança, tão vã como previsível, de que esta não irá outra vez se levantar contra ela. Ledo engano. (...) A presidenta conhece a verdadeira natureza dos agressores. Deveria saber, portanto, da proverbial inutilidade de se colocar civilizadamente entre eles”, vaticina o jornalista. Já o blogueiro Altamiro Borges, observa a cena a partir de duas interpretações possíveis:

Os mais otimistas afirmam que Dilma cumpriu o seu papel de chefe de Estado, que não tinha como evitar o ritual – junto com ela estiveram os presidentes do Senado e da Câmara, ministros do STF e lideranças políticas de distintos partidos. Já os mais incrédulos criticam a participação da presidenta na homenagem aos algozes da Folha. Alguns suspeitam que sua atitude sinalize nova cedência aos barões da mídia. (Fonte: http://altamiroborges.blogspot.com/)

Ao coro dos contentes veio se juntar o jornalista Alberto Dines, decano do Observatório da Imprensa, em comentário radiofônico publicado no OI (25/02/11). Para Dines, a participação da presidenta nos 90 anos da Folha é parte da "Doutrina Dilma para a Mídia". Para o Observador, sua presença no convescote dos Frias é uma “saudação a uma imprensa livre e plural”.

Estranha coincidência, três dias depois coube ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo (PT), “suitar” a fala de Dilma na festa da Folha. Bernardo foi categórico e sinalizou o recuo, já desqualificando o projeto herdado do governo Lula: só irá encaminhar o projeto do novo marco regulatório do setor no segundo semestre, à apreciação do Congresso Nacional, porque “tem grandes chances de ter uma besteira no meio” (grifo nosso). Por “besteira” entenda-se algo que possa contrariar os interesses dos empresários da comunicação...

Mais que meia palavra, basta um gesto para bons e maus entendedores. Ao invés de um punhado de sal erguido contra os grilhões da ditadura midiática, a mandatária maior do país preferiu desafiar a lógica política. O enigma está posto e o maestro Nilson Lage (professor aposentado da UFSC) deu algumas pistas, em seu twitter: “Tia Dilma na festa da Folha é prova de feminina astúcia, de fragilidade confessa, de amnésia, de ingenuidade ou de falta de vergonha na cara...”. A ver.


objETHOS





domingo, 27 de fevereiro de 2011

A sutileza dilmista

Assim como eu gostaria de ler artigo do veterano Mino Carta sobre a ida da presidenta Dilma Rousseff à festa dos 90 anos da Folha de S. Paulo, e saber de seu ponto de vista sobre a controversa participação e sobre as linhas do discurso onde Dilma enaltece o jornal e seu fundador, fiquei feliz em encontrar um texto do veteraníssimo Alberto Dines no Observatório da Imprensa.

Dines não se estende muito, mas viu pontos positivos na presença, atitudes e palavras da presidenta. E detectou alguns traços de uma provável "Doutrina Dilma para a Mídia".

Fiquemos atentos, então, às considerações do respeitadíssimo jornalista e "observador".




O recado da presidente

Alberto Dines


Comentário para o programa radiofônico do OI, 25/2/2011
A participação da presidente Dilma Rousseff nas comemorações dos 90 anos da Folha de S. Paulo ofereceu mais alguns elementos para compor uma "Doutrina Dilma para a Mídia".

A presidente concordou em escrever um texto sobre a efeméride no jornal, mas não mencionou o nome da Folha. Compareceu e discursou no evento na Sala São Paulo (segunda, 21/2) porque ali estavam representados todos os poderes, mas na sua oração embutem-se alguns reparos que não podem ser ignorados. O mais importante deles é a sua saudação a uma imprensa livre e plural.


Novas posições


 O adjetivo plural merece uma análise mais atenta porque raramente é utilizado nas proclamações a favor da imprensa. Ao contrário: sua utilização é mais frequente nos círculos e textos que criticam a concentração e a falta de diversidade da nossa mídia.

A sutil lembrança de que o primeiro periódico brasileiro foi impresso no exterior para escapar do controle da censura inquisitorial também não pode passar despercebida porque, em 2008, tanto a Folha como a maioria dos grandes veículos brasileiros ignoraram ostensiva e coletivamente os 200 anos da entrada do Brasil na Era Gutenberg.

De forma discreta, em clave baixa, a presidente Dilma Rousseff marca novas posições e demarca-se de outras sugerindo indiretamente à imprensa um comportamento menos badalativo e mais perspicaz, menos ruidoso e mais profundo.




Dilma na Bahia: o sertão vai "ferver"...

Depois do "beija-mão" no "andar de cima" (ou seria mais adequado "na cobertura"?), ao som de Villa-Lobos, na majestosa Sala São Paulo, na festa dos 90 anos da Folha, segunda-feira passada, a semana que se inicia promete emoções verdadeiras para a presidenta Dilma, que desembarcará nesta terça-feira em Irecê, em pleno sertão baiano.

Estão previstos um anúncio de reajuste para o programa Bolsa Família e inaugurações, dando início à semana de comemorações pelo Dia Internacional da Mulher. Afinal, 93% dos usuários do cartão do importante programa de distribuição de renda são mulheres.

Apesar de uma região conturbada pelos desequilíbrios climáticos e pelas disputas de poder, acreditamos que a presidenta Dilma se sentirá muito mais à vontade e confortável entre o povo simples e trabalhador, sendo acolhida sem artificialismos ou falsidades.

Abaixo artigo do escritor e jornalista baiano Vitor Hugo Soares a respeito da visita.


  

Visita ao andar de baixo


Antonio Cruz/Agência Brasil
Dilma pisará o solo de uma região emblemática de contrastes e confrontos da política e da economia no Nordeste
Dilma pisará o solo de uma região emblemática de contrastes e confrontos da política
e da economia no Nordeste

Vitor Hugo Soares

De Salvador (BA)


Na terça-feira que vem desembarca na Bahia, em sua primeira viagem ao estado depois da posse, a presidente Dilma Rousseff - ou presidenta para quem preferir, sem querer jogar mais fogo na fogueira de vaidades linguísticas que cerca o assunto desde antes de receber a faixa, em 1º de janeiro deste complicado e intrigante 2011.

A expectativa é de que Dilma trará um saco de guloseimas para adoçar a boca dos habitantes do andar de baixo, a começar pelo anúncio do novo teto do pagamento do programa Bolsa Família, pedra de toque do governo na área social, apontado como crucial para a ascensão de uma mulher pela primeira vez ao posto mais elevado da Nação.

Pela programação oficial, a presidente descerá na capital para uma cerimônia de inauguração ao lado do governador Jaques Wagner (PT) e aliados. Seu destino principal, no entanto, é a cidade de Irecê, a pouco menos de 500 quilômetros de Salvador, em pleno sertão baiano.

Dilma pisará o solo de uma região emblemática de contrastes e confrontos da política e da economia no Nordeste: dos jogos mais pesados e rasteiros de poder nos períodos de chuvas ou de secas; do mandonismo aberto no tempo dos antigos coronéis e chefes políticos, das pressões e tentativas de amedrontamento feitas pelos mandantes atuais, que seguem ameaçando e tentando intimidar os que se opõem, opinam ou simplesmente informam sobre desmandos éticos, políticos ou mazelas administrativas dos poderosos da vez.

É bem o caso das pressões levadas a efeito há duas semanas pelo prefeito petista do município, que, de dentro de um hospital da cidade, ameaçava por telefone um radialista. Este, no ar, apresentava um programa de notícias e comentários de grande audiência na região, e deu informações concretas sobre o abandono do hospital público e dos programas e atendimentos de saúde em Irecê.

As ameaças do prefeito petista ao radialista para que lhe fosse revelada a fonte da informação colhida no hospital caiu na web, graças a um vídeo postado no You Tube. O elevado número de acesso acabou dando ao fato repercussão estadual e nacional na semana passada. E ainda causa tremores e muito desconforto em arraiais do PT às vésperas da visita da presidente Dilma.

A chegada da presidente (a) no Estado e na cidade governados por seu partido está programada para acontecer exatamente dois meses depois de receber a faixa de comando do País. Dias depois de obter do Congresso sem muita conversa a aprovação do salário mínimo de R$ 545, ao mesmo tempo em que faz acenos de máxima austeridade nos gastos públicos, independência na política externa, defesa plena da liberdade de expressão e de imprensa, tudo envolto em discursos e acenos simpáticos e de linguagem agradável aos ouvidos dos habitantes do andar de cima.

Não só no âmbito da frágil e desconectada oposição, mas principalmente em setores mais nervosos e preocupados da aliança governista, já há quem enxergue semelhanças com a personagem de uma narrativa fantástica do argentino Julio Cortázar, incluída no livro "História de Cronópios e Famas": a membro da família que tinha medo de cair de costas.

"Há anos que a família luta para curá-la da obsessão, mas chegou a hora de confessar nosso fracasso. Por mais que nos esforcemos, a tia tem medo de cair de costas; e sua inocente mania nos afeta a todos, a começar por meu pai que a acompanha fraternalmente a toda parte e vai olhando o chão para que a tia possa andar despreocupada, enquanto minha mãe se esmera em varrer o pátio várias vezes por dia, minhas irmãs apanham as bolas de tênis com que se divertem inocentemente no terraço, e meus primos apagam todos os rastos atribuídos aos cachorros, gatos, tartarugas e galinhas que proliferam lá em casa. Mas de nada adianta, a tia só resolve atravessar os quartos depois de prolongada vacilação, intermináveis observações oculares e palavras desaforadas a qualquer menino que passar por lá nesse momento", escreve Cortázar em trecho marcante de sua narrativa impagável e exemplar.

Voltemos a Irecê, onde a presidente Dilma anuncia no dia 1º de março os novos valores para pagamento do Bolsa Família, em ato pensado para abrir as atividades relacionadas ao Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, e ao qual este ano o governo, por motivos óbvios, pretende emprestar relevância especial.

Dados do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome revelam que 93% dos usuários do cartão são mulheres. Por isso, o governo considera o programa crucial para melhorar a situação econômica das mulheres.

O Bolsa Família foi reajustado pela última vez em setembro de 2009. Os valores pagos hoje pelo programa variam de R$ 22 a R$ 220, dependendo da quantidade de filhos e da renda de cada família beneficiada. O valor médio pago pelo Bolsa Família é R$ 94. O valor do novo reajuste ainda não está definido. O martelo será batido em reunião da ministra de Desenvolvimento Social e Combate a Fome, Tereza Campello, com Dilma Rousseff, antes da viagem para o anúncio oficial.

Olhos na Bahia, portanto, que na terça-feira Irecê - antigo bastião do carlismo no sertão, tomado agora pelo PT - vai ferver.

A conferir.


Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site-blog Bahia em Pauta ( http://bahiaempauta.com.br/).

Portal Terra





sábado, 26 de fevereiro de 2011

Dilma e a "rebelião da toga"

Todos nós aguardamos com ansiedade o desfecho do "caso Battisti", que voltou ao STF por interferência do ministro Cezar Peluso. O presidente do Supremo, contrariando a expectativa de muitos ativistas e juristas, não libertou o escritor italiano Cesare Battisti após o presidente Lula decidir soberanamente por sua não extradição para a Itália.

Em início de governo, mais um "desafio" vindo do Judiciário é apresentado para a presidenta Dilma encarar.

Uma questão que envolve "reposição salarial", de cunho portanto econômico, está sendo colocada como questão política pela Associação dos Juízes Federais, envolvendo a relação independente e harmônica dos três poderes da República.

A AJF não aceita a decisão da presidenta Dilma de não negociar com a categoria, afirma que não se deixará intimidar e cogita colocar na interlocução com o governo o ministro da Defesa e jurista Nelson Jobim e o também jurista vice presidente Michel Temer.

Abaixo a notícia detalhada. Vamos acompanhar o desenrolar da questão aqui, e ver como se sai a presidenta Dilma diante das pressões e ameaça de uma eventual "rebelião da toga".



Juiz insinua que governo trata categoria como sindicato de motorista


Presidente da Associação dos Juízes Federais afirma que Planalto não pode igualar Judiciário a outras categorias; sindicato de motoristas promete processo


Fausto Macedo/O Estado de S. Paulo

A toga se declarou nesta sexta-feira "perplexa, chocada" com a decisão da presidente Dilma Rousseff (PT) de não negociar com a categoria, que reivindica reajuste de 14,79% a título de reposição de perdas inflacionárias. "O governo não pode tratar sua relação com outro poder, que é independente, como se estivesse negociando com sindicato de motorista de ônibus", declarou o presidente da Associação dos Juízes Federais, Gabriel Wedy.

Para Wedy, "o governo precisa evidentemente fazer essa distinção, não pode desconhecer o magistrado como agente político do Estado". A entidade subscreve mandado de injunção ao Supremo Tribunal Federal, por meio do qual os magistrados pleiteiam a reposição sob argumento de que a omissão do Congresso lhes subtrai direito constitucional de irredutibilidade de vencimentos.

Em agosto de 2010, o STF enviou projeto de lei ao Legislativo reivindicando os quase 15%, mas não houve resposta até agora dos parlamentares. A pretensão dos magistrados esbarra na disposição do Palácio do Planalto de promover um ajuste nas contas públicas após o corte de R$ 50 bilhões do orçamento.O governo avisa que não vai se curvar a pressões.

"Ficamos impressionados com essa reação do governo em início de gestão dizendo que vai ficar mais um ano descumprindo a Constituição", afirma Gabriel Wedy. "O governo foi muito inábil, com uma declaração duríssima." "Causa espanto o governo nos comparar a outras categorias", insiste. "Falta tato político ao governo. É importante que a presidente Dilma realize uma interlocução de forma mais qualificada com o STF e com a magistratura do País. Não se está discutindo aumento de salário, mas a funcionalidade do teto constitucional."

Os magistrados elegeram o ministro Nélson Jobim (Defesa) para o papel de negociador e vão pedir a ele que aceite a missão. Na próxima semana vão solicitar reunião com Jobim, a quem consideram qualificado para levar ao governo os argumentos e as razões da classe. Jobim foi ministro da Justiça e presidente do STF. "Ele criou o teto constitucional, quando presidiu o Supremo", destaca Wedy. "É muito respeitado por toda a magistratura e pode resolver esse impasse pela habilidade que tem como jurista e constitucionalista. Pode assessorar a presidente Dilma, tem o perfil ideal."

Michel Temer, vice presidente da República, também poderá ser assediado, segundo planeja a toga. "Temer pode auxiliar o governo para a elevação do nível do debate como constitucionalista que é, tornando-o mais técnico, qualificado e menos emotivo", avalia o presidente da associação dos juízes. "Queremos resolver o impasse."

Os juízes consideram o teto moralizador. "Quando o teto para o funcionalismo foi criado tinha servidor público que ganhava R$ 80 mil de salário", anota Wedy. "Nós defendemos o teto. A questão envolve muito mais direito constitucional do que economia. Por isso, precisamos qualificar o debate."

"O governo não pode ignorar o fato de que os juízes são agentes políticos do Estado com garantias constitucionais que não são nossas, mas da sociedade", adverte o presidente da Associação dos Juízes Federais. Essa declaração de endurecimento do governo, esse tipo de balão de ensaio largado pelo governo não vai nos intimidar, não vai fazer com que a gente pare de negociar." Para os juízes, "a negociação entre um poder de Estado e outro se dá em moldes diferentes da relação entre o governo e um sindicato".

Wedy observa que consta do artigo 2.º da Constituição que os poderes são independentes e harmônicos. "O governo precisa ter a dimensão que está negociando com um outro poder de Estado, que é o STF."

(colaboração Lucas de Abreu Maia)

Portal O Estado



sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Dilma na Folha: a "mineiridade" explica...

Andei lendo muita coisa na blogosfera sobre a polêmica ida da presidenta Dilma na festa dos 90 anos da Folha de S. Paulo, e reproduzo abaixo comentário de um leitor do Blog do Mello, sr. Giovani, a respeito.

Não deixa de ser um ponto de vista interessante, curioso, que vale a pena ser considerado.



Mello,

 
Eu sou mineiro e vou dizer a você como funciona a cabeça dos mineiros.


O que a Dilma fez foi dar um "rabo-de-vaca" (drible do futebol) na velha mídia. Ela finge que vai para um lado e na verdade, move-se para o outro lado.

Como assim?

É assim que o mineiro age? Sim. Ele faz você pensar que está concordando com tudo o que você está fazendo e falando, porém, enquanto isso, sozinho, longe das câmeras, sem alarde, ele tece os seus próprios planos...

Traição... dirão uns.

Duas caras... dirão outros.

Desonestos... gritará alguém.

Desconfiado... respondo eu.

A questão é simples:

Eles fizeram o convite justamente para que ela declinasse!!! Assim eles - velha mídia - teriam carta branca para sentar o pau e começar a distenção.

Como a Dilma não é boba, nem nada, tratou de ir e FAZER BONITO.

O que vai acontecer é que a Dilma vai atender, A TODOS OS VEICULOS, sempre que solicitada. Porém, deixará sempre o seu ponto de vista. Eles - velha mídia - ficarão com a pulga atrás da orelha...

Aí.... quando a situação do SBT for definida...

Aí.... quando o PNBL for implantado...

Aí... quando a internet tiver a força necessária...

Aí... quando a questão do campeonato brasileiro for definida...

Aí... quando o Estadão pedir concordata...

Aí... a Dilma terá as ferramentas para enfraquecer mais um pouco a velha mídia.

Não será no governo dela que teremos ainda - infelizmente - a democratização dos meios de comunicação. Vai demorar mais um pouco.

Isso não se faz, na base da birra... da cara feia... do agora você me paga!!!

Temos que criar alternativas para o povo. (A internet seria uma delas)

Queira você ou não, temos assuntos mais importantes no Brasil do que se preocupar com o que o William Bonner diz ou deixa de dizer no JN. Aliás ele já é passado...

Enfim, mineiramente a Dilma criará, do JEITO dela, os caminhos para essa transformação.

Continue vigilante.

Você é uma peça importante deste jogo.

Apenas tenha paciência e tente entender como os mineiros jogam esse jogo. É diferente dos paulistas, diferente dos cariocas...

A última vez que um mineiro foi presidente, ele criou o Real (Itamar Franco) e antes deste, JK, apenas mudou a capital do país de lugar.

Não duvide da capacidade dos mineiros.

Obs: O menino do rio (Aécio Never) não serve como exemplo de político mineiro. Ele é apenas o mal a ser combatido diariamente.












Raiou a manhã

Aos meus companheiros e companheiras de jornada...

o meu carinho.





Morning has broken  Raiou a manhã   Cat Stevens

MORNING HAS BROKEN  Raiou a manhã

LIKE THE FIRST MORNING 
Como se fosse a primeira
BLACKBIRD HAS SPOKEN 
O pássaro cantou
LIKE THE FIRST BIRD 
Como se fosse o primeiro
PRAISE FOR THE SINGING  Louvamos
o canto
PRAISE FOR THE MORNING  Louvamos a
manhã
PRAISE FOR THEM SPRINGING  Louvamos o
brotar dessas coisas
FRESH FROM THE WORLD 
Recém-chegadas ao mundo
SWEET THE RAIN'S NEW FALL 
Docemente cai a primeira chuva
SUNLIT FROM HEAVEN 
Iluminada pelos céus
LIKE THE FIRST DEW FALL
Como o primeiro orvalho
ON THE FIRST GRASS  Sobre
a primeira grama
PRAISE FOR THE SWEETNESS OF THE WET GARDEN  Louvamos a
doçura do jardim orvalhado
SPRUNG IN COMPLETENESS 
Brotado por completo
WHEN HIS FEET PASS 
Quando Ele passa
MINE IS THE SUNLIGHT 
Minha é a luz do sol
MINE IS THE MORNING 
Minha é a manhã
BORN OF THE ONE LIGHT EDEN SAW PLAY  Nascida de uma luz que o
 Éden viu vibrar
PRAISE WITH ELATION  Louvamos
com alegria
PRAISE EVERY MORNING
  Louvamos cada manhã
GOD'S RECREATION OF THE NEW DAY 
A recriação divina de um novo dia