Direitos Humanos é um tema muito caro à presidenta Dilma, como ficou claro em vários de seus pronunciamentos desde a posse, e até antes. Por sua história de vida e de luta contra a opressão, a intolerância, o arbítrio, o que a levou a ser perseguida, presa e seviciada ainda muito jovem, no início dos anos 70.
No plano internacional, em entrevista ao jornal americano Washington Post, no início de dezembro último, Dilma se mostrou sensível, inclusive, à situação da iraniana Sakineh Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento, apenamento que vem gerando manifestações de protesto e repúdio no mundo todo já há muitos meses.
A presidenta Dilma certamente terá nos Direitos Humanos um foco importante do seu governo, mas é claro que o Brasil não poderá se tornar uma espécie de agência internacional de certificação da situação dos DHs no mundo, como afirmou o assessor especial da Presidência ministro Marco Aurélio Garcia dias atrás.
A presidenta não compactuará com violações de direito e sempre manifestará seu ponto de vista, desde que isso não implique intervenção em assuntos internos de qualquer país e não venha provocar conflitos na política externa brasileira.
Por outro lado, é animador perceber que a presidenta Dilma é vista como "companheira de luta" por perseguidos e injustiçados e por defensores de direitos humanos no mundo todo, como mostram o encontro de Dilma com as Mães da Praça de Maio, em Buenos Aires, e as cartas que a presidenta vem recebendo de lideranças iranianas, por exemplo, como a que publicamos abaixo.
Na carta, a advogada e Prêmio Nobel iraniana Shirin Ebadi cumprimenta Dilma pela vitória nas eleições, se solidariza pelas vítimas nas catástrofes provocadas pelas chuvas na região serrana do Rio de Janeiro, e informa a presidenta Dilma da existência de "leis antimulheres" e de outras vítimas de violações de direito no Irã, além de Sakineh. A advogada chama também a atenção da presidenta para outras penas bárbaras no Irã além do apedrejamento, como amputação de membros, açoitamento e, pasmem, crucificação!
31 de janeiro de 2011
Estimada sra. Dilma Rousseff,
Respeitada Presidente do Brasil,
Como uma iraniana advogada dos direitos humanos e Prêmio Nobel da Paz, eu estou muito feliz em vê-la se tornando a primeira mulher eleita presidente do Brasil. Essa é uma razão de grande alegria e eu a cumprimento e a todas as mulheres pela vitória. Ao mesmo tempo, estou entristecida pela grande perda de vidas de seus compatriotas durante as enchentes recentes; por favor aceite minha profunda solidariedade.
Estimada sra. Presidente,
O seu país é membro do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas e participará nessa qualidade da sessão do organismo em março próximo. Devido a numerosos pedidos feitos a mim por um grande número de iranianos, eu considerei necessário informá-la da situação legal das mulheres em meu país.
O Irã é um país de 75 milhões de pessoas, metade das quais são mulheres. As mulheres iranianas são instruídas e bem sucedidas, de tal modo que 60% dos estudantes universitários são mulheres. Há cerca de 50 anos, as mulheres iranianas ganharam seu direito de voto e têm sido eleitas para o Parlamento. As mulheres iranianas têm presença ativa em todas os níveis das instituições administrativas e sociais.
Infelizmente, apesar das conquistas sociais e culturais das mulheres, desde a Revolução de 1979 foram adotadas leis discriminatórias de gênero que sofrem a veemente oposição das mulheres iranianas e têm sido causa de grande preocupação para elas.
Eu gostaria de trazer brevemente a sua atenção algumas dessas leis antimulheres:
Segundo o Código Penal Islâmico, a vida de uma mulher vale metade da de um homem. Isso significa que, se homens e mulheres forem vítimas de ferimentos similares ou morreram devido a um ato criminoso, a compensação paga aos homens é o dobro da paga às mulheres e seus herdeiros (em caso de morte).
De acordo com o mesmo Código, o testemunho de uma mulher num tribunal vale metade do de um homem.
Segundo a Lei de Família, um homem pode ter quatro mulheres e divorciar-se de qualquer uma delas sem nenhuma causa. Mas obter o divórcio é extremamente difícil para as mulheres e algumas vezes impossível.
De acordo com o Código Civil, o marido é o chefe da família. Uma mulher casada que deseja obter um passaporte ou viajar deve primeiro obter um consentimento escrito do marido.
Estimada sra. Presidente,
As mulheres iranianas saúdam sua oposição ao apedrejamento de uma de suas compatriotas, Sakineh. Tristemente tenho que informá-la que não é apenas Sakineh, mas, segundo informes que eu recebi, há atualmente mais de dez mulheres e homens em prisões iranianas esperando essa punição.
Depois da Revolução de 1979, não apenas o apedrejamento foi introduzido no Código Penal do país, mas também punições como as amputações de membros, crucificação e açoitamento, que foram adotadas e aplicadas.
Segundo o Código Penal Islâmico, a idade de responsabilidade criminal para as meninas é de 9 anos e para os meninos de 15 anos. Desse modo, se uma pessoa de 10 anos comete um crime, a lei trata e pune o acusado do sexo feminino de modo similar a um acusado de 40 anos. Devido a essa lei, pessoas que cometem um crime quando têm menos de 18 anos são executadas regularmente. O Irã executa mais acusados menores de idade do que qualquer outro país do mundo.
A lei iraniana prescreve a pena de morte para 37 crimes, incluindo consumir bebidas alcoólicas, o que é punido com 80 chibatadas nas três primeiras ocorrências, e depois com a pena de morte depois da quarta ocorrência.
Nos últimos dois meses, mais de 400 pessoas foram executadas no Irã, algumas delas sob acusações políticas, incluindo uma mulher chamada Shirin Alam Holi. O Irã executa mais pessoas, numa proporção per capita, do que qualquer outro país.
Estimada sra. Presidente,
Enquanto a sra. lê esta carta, 40 jornalistas e blogueiros estão cumprindo extensas penas de prisão e penando nas prisões iranianas. O Irã se tornou a maior prisão para jornalistas. Alguns advogados foram encarcerados apenas por representarem seus clientes e apresentarem a defesa durante julgamentos. Um deles é Nasrin Sotoudeh, um proeminente e conhecido defensor dos direitos humanos que está preso desde 4 de novembro de 2010. Uma corte inferior o sentenciou a 11 anos de prisão e a 20 anos de proibição da prática da advocacia e de viagens ao exterior.
Estimada sra. Presidente,
É um fato triste que a situação dos direitos humanos no Irã é muito pior do que o que pode ser descrito em poucas páginas. Eu estou agradecida pelo Brasil ter se abstido de um voto em uma resolução sobre a situação dos direitos humanos no Irã na Assembleia Geral da ONU em Nova York em dezembro de 2010. Com sua eleição à Presidência, as mulheres iranianas esperam mais atenção à sua situação e têm a esperança de que o seu governo apoiará resoluções sobre a crise dos direitos humanos no Irã votando "Sim" no Conselho de Direitos Humanos e na Assembleia Geral. Isso sem dúvida demonstrará o compromisso de seu governo com os padrões de direitos humanos e além disso com a liberdade e a democracia.
Sinceramente,
Shirin Ebadi
Defensora de Direitos Humanos e Prêmio Nobel da Paz de 2003
Folha Online
31.01.11
Cidadania, Comunicação e Direitos Humanos * Judiciário e Justiça * Liberdade de Expressão * Mídia Digital Editoria/Sônia Amorim: ativista, blogueira, escritora, professora universitária, palestrante e "canalhóloga" Desafinando o Coro dos Contentes...
Tradutor
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
O bispo vermelho e a presidenta guerrilheira
Hoje li um post no blog Terra Brasilis, do meu amigo, editor e compadre DiAfonso, onde ele homenageia Dom Helder Câmara, que teve a honra e a graça de conhecer pessoalmente, e que faria hoje 102 anos. Fiquei com uma "inveja boa" do meu compadre-blogueiro, pensei em reproduzir o post aqui no ABC!, e acabei buscando mais leituras sobre esse santo na internet.
A lembrança de Dom Helder, combatente incansável pelos direitos humanos e pelos mais pobres, também na época da ditadura, tem tudo a ver com esse momento que vivemos, com um governo popular de uma presidente mulher que ajudou a derrubar o regime de exceção e que hoje reafirma em seu governo compromissos com os direitos humanos e erradicação da pobreza e miséria, tão caros a ela e ao "bispo vermelho".
Estivesse vivo, acredito que Dom Helder arregaçaria as mangas e estaria lado a lado com a presidenta Dilma nessa luta.
Abaixo, reproduzo um belo texto de Frei Betto, onde ele homenageia nosso Mahatma (Grande Alma). E recomendo aos leitores o post carinhoso do Terra Brasilis.
O legado de Dom Helder Câmara
O arcebispo Dom Helder Câmara (1909-1999) é figura singular na história da Igreja Católica no Brasil. Diminuto, magérrimo, poucos o superavam em oratória: adornava as ideias com gestos efusivos e um senso de humor incomum ao se tratar de bispos. Por onde andasse, lotava auditórios: Paris, Nova York, Roma... Entre os anos de 1960-80, apenas dois brasileiros gozavam de ampla popularidade no exterior: Pelé e Dom Helder.
Tamanho o carisma dele que, em 1971, em Paris, convidado a falar num salão capaz de comportar 2 mil pessoas, tiveram que transferi-lo para o Palácio de Esportes, que abriga 12 mil.
Hábitos simples
Conheci-o em 1962, ao chegar ao Rio, vindo de Minas, para integrar a direção nacional da JEC (Juventude Estudantil Católica). Dom Helder era bispo-auxiliar da arquidiocese carioca e responsável pela Ação Católica. Vivia de seu salário como assessor técnico (aprovado em concurso público) do Ministério da Educação, morava modestamente, almoçava em botequim – ou melhor, beliscava, pois a vida toda comeu como passarinho – e subia as favelas como quem se sente em casa, sempre trajando batina, hábito mantido por toda a vida, mesmo quando o Concílio Vaticano II (1962-1965) permitiu aos clérigos saírem à rua em trajes civis.
Desde seus tempos de seminarista em Fortaleza – nascera em Messejana, hoje bairro da capital cearense – Dom Helder cultivava hábitos incomuns: deitava-se por volta das dez ou onze da noite, levantava-se às duas da madrugada, trocava a cama por uma cadeira de balanço, na qual orava, meditava, lia e escrevia cartas e poemas. Todos os seus livros foram concebidos naquele momento de “vigília”, como dizia. Às quatro retornava ao leito, dormia por mais uma hora para, em seguida, celebrar missa e iniciar seu dia de trabalho.
Com frequência Dom Helder visitava a “república” das Laranjeiras, onde se amontoavam os estudantes dirigentes da JEC e da JUC (Juventude Universitária Católica). Betinho (Herbert Jose de Souza) e José Serra, líderes estudantis, encontravam ali hospedagem garantida ao vir de Minas ou São Paulo.
Era Dom Helder quem nos assegurava, graças a seus relacionamentos em todas as camadas sociais, passagens aéreas pelo Brasil, bolsas de estudos, e até alimentação. Na época, o governo dos EUA, preocupado com a ameaça comunista na América Latina (sobretudo após a vitória da Revolução Cubana), lançara a campanha “Aliança para o Progresso”, que consistia, basicamente, em remeter alimentos às famílias miseráveis.
Para socorrer-nos da penúria na “república”, Dom Helder, responsável pela distribuição dos donativos, nos enviava caixas de papelão contendo o que denominávamos “leite da Jaqueline” e “queijo do Kennedy”. Como os produtos ficavam meses no porto, sujeitos ao calor carioca, vários de nós tivemos problemas de saúde por ingeri-los.
Senso de oportunidade
O maior sonho de Dom Helder era a erradicação da miséria no mundo. Sonhava com o ano 2000 sem fome. Ainda no Rio, criou o Banco da Providência e a Cruzada São Sebastião, no intuito de pôr fim às favelas. Graças a doações, edificou no Leblon um conjunto de prédios, para cujos apartamentos transferiu famílias de uma favela próxima. Não deu certo. Sem recursos para pagar os impostos (luz, água, telefone...), os moradores passaram a sublocar os domicílios e a obter renda graças à venda de torneiras, pias e outras peças do imóvel.
Para angariar recursos a suas obras, Dom Helder não titubeava em comparecer a programas de auditório de grande audiência televisiva. Certa ocasião, foi convidado por um apresentador para sortear prendas expostas no palco e vistas por todos, exceto pela pessoa trancada numa cabine opaca. Calhou de ser um desempregado. “Seu Joaquim, o senhor troca isto por aquilo?” E sem nomear o objeto, Dom Helder apontava um liquidificador e, em seguida, um carro. Seu Joaquim respondia “sim” e toda a platéia vibrava. Em seguida, Dom Helder indagou se trocava o carro por um abridor de latas. O homem topou. E não mais arredou pé, cismou que escolhera a melhor prenda. Ao sair da cabine, recebeu dos patrocinadores, decepcionado, o abridor. E Dom Helder mereceu um polpudo cheque. O arcebispo não teve dúvidas: “Seu Joaquim, o senhor troca este cheque pelo abridor?”
No dia seguinte, no Palácio São Joaquim, onde funcionava a cúria do Rio, criticamos Dom Helder por ter aberto mão de um recurso que poderia reforçar suas obras sociais. Ele justificou-se: “Perdi o cheque, ganhei em publicidade. Esperem para ver quanto dinheiro vou angariar.”
Visão empreendedora
Homem carismático, dotado de forte espírito gregário, era difícil alguém – incluído quem o criticava – não se deixar envolver pela energia que dele emanava no contato pessoal. JK quis que se candidatasse a prefeito do Rio. Dom Helder jamais aceitou meter-se em política partidária; bastava-lhe, como lição, o erro de juventude, quando demonstrou simpatia pelos integralistas.
Por sua iniciativa, foram fundados, em 1955, o CELAM – Conselho Episcopal Latino-Americano -, que congrega e representa os bispos do nosso Continente, e a CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, pólo articulador dos prelados de nosso país, do qual ele foi o primeiro secretário-geral.
Bispo vermelho
Numa época em que não havia Igreja progressista nem Teologia da Libertação, Dom Helder, graças à sua sensibilidade social e sua opção pelos pobres, era tido por comunista, difamação acentuada após a implantação da ditadura militar no Brasil, em 1964. Costumava comentar: “Se defendo os pobres, me chamam de cristão; se denuncio as causas da pobreza, me acusam de comunista”.
Nomeado arcebispo de São Luís (MA) no mesmo mês do golpe, antes de tomar posse o papa Paulo VI o transferiu para Olinda e Recife, onde permaneceu até morrer.
Em 1972 o nome de Dom Helder despontou como forte candidato ao Prêmio Nobel da Paz. Há fortes indícios de que não foi laureado por duas razões: primeiro, pressão do governo Médici. A ditadura se veria fortemente abalada em sua imagem exterior caso ele fosse premiado. Mesmo dentro do Brasil Dom Helder era considerado persona non grata. Censurado, nada do que o “arcebispo vermelho” falava era reproduzido ou noticiado pela mídia de nosso país.
A outra razão: ciúmes da Cúria Romana. Esta considerava uma indelicadeza, por parte da comissão norueguesa do Nobel da Paz, conceder a um bispo do Terceiro Mundo um prêmio que deveria, primeiro, ser dado ao papa...
No Recife, Dom Helder lançou a Operação Esperança: promoveu reforma agrária nas terras da arquidiocese; passou a visitar favelas, mocambos e bairros pobres; estreitou laços com artistas, universitários e intelectuais.
Graças ao seu poder de articulação e carisma profético, em 1973 bispos e superiores religiosos do Nordeste fizeram ecoar a primeira denúncia cabal à ditadura feita por católicos: o manifesto “Ouvi os clamores de meu povo”. O documento, recolhido pela repressão, foi divulgado através de edições clandestinas mimeografadas.
Homem de fé
Um dia, o governo militar, preocupado com a segurança do arcebispo de Olinda e Recife, temendo que algo acontecesse a ele – um atentado ou “acidente” - e a culpa recaísse sobre o Planalto, enviou delegados da Polícia Federal para lhe oferecer um mínimo de proteção. Disseram-lhe: “Dom Helder, o governo teme que algum maluco o ameace e a culpa recaia sobre o regime militar. Estamos aqui para lhe oferecer segurança”.
Dom Helder reagiu: “Não preciso de vocês, já tenho quem cuide de minha segurança”. “Mas, Dom Helder, o senhor não pode ter um esquema privado. Todos que dispõem de serviço de segurança precisam registrá-lo na Polícia Federal. Esta equipe precisa ser de nosso conhecimento, inclusive devido ao porte de armas. O senhor precisa nos dizer quem são as pessoas que cuidam da sua segurança.”
Dom Helder retrucou: “Podem anotar os nomes: são três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo.”
Dom Helder morava numa casa modesta ao lado da igreja das Fronteiras, no Recife. Frequentemente, as pessoas que tocavam a campainha eram atendidas pelo próprio arcebispo. Certa noite, a polícia fez batida numa favela da capital pernambucana, em busca do chefe do tráfico de drogas. Confundiu um operário com o homem procurado. Levou-o para a delegacia e passou a torturá-lo.
Pela lógica policial, se o preso apanha e não fala é porque é importante, treinado para guardar segredos. Vizinhos e a família, desesperados, ficaram em volta da delegacia ouvindo os gritos do homem. Até que alguém sugeriu à esposa do operário recorrer a Dom Helder.
A mulher bateu na igreja das Fronteiras: “Dom Helder, pelo amor de Deus, vem comigo, lá na delegacia do bairro estão matando meu marido a pancadas.” O prelado a acompanhou. Ao chegar lá, o delegado ficou assustadíssimo: “Eminência, a que devo a honra de sua visita a esta hora da noite?”
Dom Helder explicou: “Doutor, vim aqui porque há um equívoco. Os senhores prenderam meu irmão por engano.” “Seu irmão?!” “É, fulano de tal – deu o nome – é meu irmão”. “Mas, Dom Helder – reagiu o delegado perplexo -, o senhor me desculpe, mas como podia adivinhar que é seu irmão. Os senhores são tão diferentes!”
Dom Helder se aproximou do ouvido do policial e sussurrou: “É que somos irmãos só por parte de Pai”. “Ah, entendi, entendi.” E liberou o homem.
De fato, irmãos no mesmo Pai.
Perseguições e direitos humanos
Durante o regime militar, Dom Helder moveu intensa campanha no exterior de denúncia de violações dos direitos humanos. O governador de São Paulo, Abreu Sodré, tentou criminalizá-lo. Alegava ter provas de que Dom Helder era financiado por Cuba e Moscou. Alguns bispos ficavam sem saber como agir, como foi o caso do cardeal de São Paulo, Dom Agnelo Rossi, amigo do governador e de Dom Helder. Não foi capaz de tomar uma posição firme na contenda. Mais tarde a denúncia caiu no vazio, não havia provas, apenas recortes de jornais.
Incomodava ao governo ver desmoralizada, pelo discurso de Dom Helder, a imagem que ele queria projetar do Brasil no exterior, negando torturas e assassinatos. Dom Helder ressaltava que, se o governo brasileiro quisesse provar que ele mentia, então abrisse as portas do país para que comissões internacionais de direitos humanos viessem investigar, como havia feito a ditadura da Grécia.
Se hoje, na Igreja, se fala de direitos humanos, especificamente na Igreja do Brasil, que tem uma pauta exemplar de defesa desses direitos, apesar de todas as contradições, isso se deve ao trabalho de Dom Helder. Nenhum episcopado do mundo tem agenda semelhante à da CNBB na defesa dos direitos humanos. A começar pelos temas anuais da Campanha da Fraternidade: idoso, deficiente, criança, índio, vida, segurança etc. Neste ano de 2010, economia. Isso é realmente um marco, algo já sedimentado. Também as Semanas Sociais, que as dioceses, todos os anos, promovem pelo Brasil afora, favorecem a articulação entre fé e política, sem ceder ao fundamentalismo.
A Igreja Católica e o Brasil devem muito a Dom Helder Câmara, que desclandestinizou a pobreza existente em nosso país e induziu poder público e cristãos a encarar com seriedade os direitos dos pobres à vida digna e feliz. O profeta nascido em Messejana foi, sim, um autêntico discípulo de Jesus Cristo.
Frei Betto
A lembrança de Dom Helder, combatente incansável pelos direitos humanos e pelos mais pobres, também na época da ditadura, tem tudo a ver com esse momento que vivemos, com um governo popular de uma presidente mulher que ajudou a derrubar o regime de exceção e que hoje reafirma em seu governo compromissos com os direitos humanos e erradicação da pobreza e miséria, tão caros a ela e ao "bispo vermelho".
Estivesse vivo, acredito que Dom Helder arregaçaria as mangas e estaria lado a lado com a presidenta Dilma nessa luta.
Abaixo, reproduzo um belo texto de Frei Betto, onde ele homenageia nosso Mahatma (Grande Alma). E recomendo aos leitores o post carinhoso do Terra Brasilis.
O legado de Dom Helder Câmara
O arcebispo Dom Helder Câmara (1909-1999) é figura singular na história da Igreja Católica no Brasil. Diminuto, magérrimo, poucos o superavam em oratória: adornava as ideias com gestos efusivos e um senso de humor incomum ao se tratar de bispos. Por onde andasse, lotava auditórios: Paris, Nova York, Roma... Entre os anos de 1960-80, apenas dois brasileiros gozavam de ampla popularidade no exterior: Pelé e Dom Helder.
Tamanho o carisma dele que, em 1971, em Paris, convidado a falar num salão capaz de comportar 2 mil pessoas, tiveram que transferi-lo para o Palácio de Esportes, que abriga 12 mil.
Hábitos simples
Conheci-o em 1962, ao chegar ao Rio, vindo de Minas, para integrar a direção nacional da JEC (Juventude Estudantil Católica). Dom Helder era bispo-auxiliar da arquidiocese carioca e responsável pela Ação Católica. Vivia de seu salário como assessor técnico (aprovado em concurso público) do Ministério da Educação, morava modestamente, almoçava em botequim – ou melhor, beliscava, pois a vida toda comeu como passarinho – e subia as favelas como quem se sente em casa, sempre trajando batina, hábito mantido por toda a vida, mesmo quando o Concílio Vaticano II (1962-1965) permitiu aos clérigos saírem à rua em trajes civis.
Desde seus tempos de seminarista em Fortaleza – nascera em Messejana, hoje bairro da capital cearense – Dom Helder cultivava hábitos incomuns: deitava-se por volta das dez ou onze da noite, levantava-se às duas da madrugada, trocava a cama por uma cadeira de balanço, na qual orava, meditava, lia e escrevia cartas e poemas. Todos os seus livros foram concebidos naquele momento de “vigília”, como dizia. Às quatro retornava ao leito, dormia por mais uma hora para, em seguida, celebrar missa e iniciar seu dia de trabalho.
Com frequência Dom Helder visitava a “república” das Laranjeiras, onde se amontoavam os estudantes dirigentes da JEC e da JUC (Juventude Universitária Católica). Betinho (Herbert Jose de Souza) e José Serra, líderes estudantis, encontravam ali hospedagem garantida ao vir de Minas ou São Paulo.
Era Dom Helder quem nos assegurava, graças a seus relacionamentos em todas as camadas sociais, passagens aéreas pelo Brasil, bolsas de estudos, e até alimentação. Na época, o governo dos EUA, preocupado com a ameaça comunista na América Latina (sobretudo após a vitória da Revolução Cubana), lançara a campanha “Aliança para o Progresso”, que consistia, basicamente, em remeter alimentos às famílias miseráveis.
Para socorrer-nos da penúria na “república”, Dom Helder, responsável pela distribuição dos donativos, nos enviava caixas de papelão contendo o que denominávamos “leite da Jaqueline” e “queijo do Kennedy”. Como os produtos ficavam meses no porto, sujeitos ao calor carioca, vários de nós tivemos problemas de saúde por ingeri-los.
Senso de oportunidade
O maior sonho de Dom Helder era a erradicação da miséria no mundo. Sonhava com o ano 2000 sem fome. Ainda no Rio, criou o Banco da Providência e a Cruzada São Sebastião, no intuito de pôr fim às favelas. Graças a doações, edificou no Leblon um conjunto de prédios, para cujos apartamentos transferiu famílias de uma favela próxima. Não deu certo. Sem recursos para pagar os impostos (luz, água, telefone...), os moradores passaram a sublocar os domicílios e a obter renda graças à venda de torneiras, pias e outras peças do imóvel.
Para angariar recursos a suas obras, Dom Helder não titubeava em comparecer a programas de auditório de grande audiência televisiva. Certa ocasião, foi convidado por um apresentador para sortear prendas expostas no palco e vistas por todos, exceto pela pessoa trancada numa cabine opaca. Calhou de ser um desempregado. “Seu Joaquim, o senhor troca isto por aquilo?” E sem nomear o objeto, Dom Helder apontava um liquidificador e, em seguida, um carro. Seu Joaquim respondia “sim” e toda a platéia vibrava. Em seguida, Dom Helder indagou se trocava o carro por um abridor de latas. O homem topou. E não mais arredou pé, cismou que escolhera a melhor prenda. Ao sair da cabine, recebeu dos patrocinadores, decepcionado, o abridor. E Dom Helder mereceu um polpudo cheque. O arcebispo não teve dúvidas: “Seu Joaquim, o senhor troca este cheque pelo abridor?”
No dia seguinte, no Palácio São Joaquim, onde funcionava a cúria do Rio, criticamos Dom Helder por ter aberto mão de um recurso que poderia reforçar suas obras sociais. Ele justificou-se: “Perdi o cheque, ganhei em publicidade. Esperem para ver quanto dinheiro vou angariar.”
Visão empreendedora
Homem carismático, dotado de forte espírito gregário, era difícil alguém – incluído quem o criticava – não se deixar envolver pela energia que dele emanava no contato pessoal. JK quis que se candidatasse a prefeito do Rio. Dom Helder jamais aceitou meter-se em política partidária; bastava-lhe, como lição, o erro de juventude, quando demonstrou simpatia pelos integralistas.
Por sua iniciativa, foram fundados, em 1955, o CELAM – Conselho Episcopal Latino-Americano -, que congrega e representa os bispos do nosso Continente, e a CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, pólo articulador dos prelados de nosso país, do qual ele foi o primeiro secretário-geral.
Bispo vermelho
Numa época em que não havia Igreja progressista nem Teologia da Libertação, Dom Helder, graças à sua sensibilidade social e sua opção pelos pobres, era tido por comunista, difamação acentuada após a implantação da ditadura militar no Brasil, em 1964. Costumava comentar: “Se defendo os pobres, me chamam de cristão; se denuncio as causas da pobreza, me acusam de comunista”.
Nomeado arcebispo de São Luís (MA) no mesmo mês do golpe, antes de tomar posse o papa Paulo VI o transferiu para Olinda e Recife, onde permaneceu até morrer.
Em 1972 o nome de Dom Helder despontou como forte candidato ao Prêmio Nobel da Paz. Há fortes indícios de que não foi laureado por duas razões: primeiro, pressão do governo Médici. A ditadura se veria fortemente abalada em sua imagem exterior caso ele fosse premiado. Mesmo dentro do Brasil Dom Helder era considerado persona non grata. Censurado, nada do que o “arcebispo vermelho” falava era reproduzido ou noticiado pela mídia de nosso país.
A outra razão: ciúmes da Cúria Romana. Esta considerava uma indelicadeza, por parte da comissão norueguesa do Nobel da Paz, conceder a um bispo do Terceiro Mundo um prêmio que deveria, primeiro, ser dado ao papa...
No Recife, Dom Helder lançou a Operação Esperança: promoveu reforma agrária nas terras da arquidiocese; passou a visitar favelas, mocambos e bairros pobres; estreitou laços com artistas, universitários e intelectuais.
Graças ao seu poder de articulação e carisma profético, em 1973 bispos e superiores religiosos do Nordeste fizeram ecoar a primeira denúncia cabal à ditadura feita por católicos: o manifesto “Ouvi os clamores de meu povo”. O documento, recolhido pela repressão, foi divulgado através de edições clandestinas mimeografadas.
Homem de fé
Um dia, o governo militar, preocupado com a segurança do arcebispo de Olinda e Recife, temendo que algo acontecesse a ele – um atentado ou “acidente” - e a culpa recaísse sobre o Planalto, enviou delegados da Polícia Federal para lhe oferecer um mínimo de proteção. Disseram-lhe: “Dom Helder, o governo teme que algum maluco o ameace e a culpa recaia sobre o regime militar. Estamos aqui para lhe oferecer segurança”.
Dom Helder reagiu: “Não preciso de vocês, já tenho quem cuide de minha segurança”. “Mas, Dom Helder, o senhor não pode ter um esquema privado. Todos que dispõem de serviço de segurança precisam registrá-lo na Polícia Federal. Esta equipe precisa ser de nosso conhecimento, inclusive devido ao porte de armas. O senhor precisa nos dizer quem são as pessoas que cuidam da sua segurança.”
Dom Helder retrucou: “Podem anotar os nomes: são três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo.”
Dom Helder morava numa casa modesta ao lado da igreja das Fronteiras, no Recife. Frequentemente, as pessoas que tocavam a campainha eram atendidas pelo próprio arcebispo. Certa noite, a polícia fez batida numa favela da capital pernambucana, em busca do chefe do tráfico de drogas. Confundiu um operário com o homem procurado. Levou-o para a delegacia e passou a torturá-lo.
Pela lógica policial, se o preso apanha e não fala é porque é importante, treinado para guardar segredos. Vizinhos e a família, desesperados, ficaram em volta da delegacia ouvindo os gritos do homem. Até que alguém sugeriu à esposa do operário recorrer a Dom Helder.
A mulher bateu na igreja das Fronteiras: “Dom Helder, pelo amor de Deus, vem comigo, lá na delegacia do bairro estão matando meu marido a pancadas.” O prelado a acompanhou. Ao chegar lá, o delegado ficou assustadíssimo: “Eminência, a que devo a honra de sua visita a esta hora da noite?”
Dom Helder explicou: “Doutor, vim aqui porque há um equívoco. Os senhores prenderam meu irmão por engano.” “Seu irmão?!” “É, fulano de tal – deu o nome – é meu irmão”. “Mas, Dom Helder – reagiu o delegado perplexo -, o senhor me desculpe, mas como podia adivinhar que é seu irmão. Os senhores são tão diferentes!”
Dom Helder se aproximou do ouvido do policial e sussurrou: “É que somos irmãos só por parte de Pai”. “Ah, entendi, entendi.” E liberou o homem.
De fato, irmãos no mesmo Pai.
Perseguições e direitos humanos
Durante o regime militar, Dom Helder moveu intensa campanha no exterior de denúncia de violações dos direitos humanos. O governador de São Paulo, Abreu Sodré, tentou criminalizá-lo. Alegava ter provas de que Dom Helder era financiado por Cuba e Moscou. Alguns bispos ficavam sem saber como agir, como foi o caso do cardeal de São Paulo, Dom Agnelo Rossi, amigo do governador e de Dom Helder. Não foi capaz de tomar uma posição firme na contenda. Mais tarde a denúncia caiu no vazio, não havia provas, apenas recortes de jornais.
Incomodava ao governo ver desmoralizada, pelo discurso de Dom Helder, a imagem que ele queria projetar do Brasil no exterior, negando torturas e assassinatos. Dom Helder ressaltava que, se o governo brasileiro quisesse provar que ele mentia, então abrisse as portas do país para que comissões internacionais de direitos humanos viessem investigar, como havia feito a ditadura da Grécia.
Se hoje, na Igreja, se fala de direitos humanos, especificamente na Igreja do Brasil, que tem uma pauta exemplar de defesa desses direitos, apesar de todas as contradições, isso se deve ao trabalho de Dom Helder. Nenhum episcopado do mundo tem agenda semelhante à da CNBB na defesa dos direitos humanos. A começar pelos temas anuais da Campanha da Fraternidade: idoso, deficiente, criança, índio, vida, segurança etc. Neste ano de 2010, economia. Isso é realmente um marco, algo já sedimentado. Também as Semanas Sociais, que as dioceses, todos os anos, promovem pelo Brasil afora, favorecem a articulação entre fé e política, sem ceder ao fundamentalismo.
A Igreja Católica e o Brasil devem muito a Dom Helder Câmara, que desclandestinizou a pobreza existente em nosso país e induziu poder público e cristãos a encarar com seriedade os direitos dos pobres à vida digna e feliz. O profeta nascido em Messejana foi, sim, um autêntico discípulo de Jesus Cristo.
Frei Betto
Cidadão Lula fala para o mundo
O cidadão do mundo Luiz Inácio Lula da Silva, que participa em Dakar, no Senegal, da 11a. edição do Fórum Social Mundial, discursou hoje criticando países e líderes do G-20, grupo dos países mais ricos, e afirmando que a África precisa de oportunidades, não de ajuda.
Abaixo alguns trechos do pronunciamento do ex-presidente.
"Não pensem que lá [G-20] tem sensibilidade para o problema da fome, para os pobres do mundo. Só fomos chamados para as reuniões dos países ricos porque eles estavam em crise e precisavam da nossa ajuda."
"No Fórum nos reunimos para dizer que um outro mundo é possível e necessário. Esse é um sonho que não vamos abandonar nunca.”
“É cada vez mais forte a consciência de que o Consenso de Washington faliu. Aqueles que com arrogância nos davam instruções não evitaram a crise. Hoje somos parte essencial e incontornável da solução da crise internacional.”
"Até recentemente predominava a tese de que o desenvolvimento só era possível para uma pequena fatia da população, qualquer esforço para afrontar a pobreza era visto, e ainda o é, como assistencialismo e populismo. A história está se encarregando de desmentir essas teorias. Felizmente já não predomina a tese do estado mínimo, mas não podemos substituir um neoliberalismo que faliu por um nacionalismo primitivo e autoritário.”
“É hora de colocar o desenvolvimento e a democracia no centro da agenda africana e mundial.”
"Não há soberania real sem soberania alimentar."
“Nos 29 países que visitei como presidente constatei a vitalidade com que esse continente irmão afirma seu desenvolvimento, sem ingerências externas e com democracia.”
“A África tem um futuro extraordinário, e esse futuro está chegando.”
Lula voltou a se desculpar pela escravidão no Brasil, como já havia feito em 2005. E pediu o reconhecimento de um estado palestino que seja “economicamente viável, socialmente integrado e que esteja em paz com Israel”.
“Mais do que ajuda, a África precisa de oportunidade.”
Abaixo alguns trechos do pronunciamento do ex-presidente.
"Não pensem que lá [G-20] tem sensibilidade para o problema da fome, para os pobres do mundo. Só fomos chamados para as reuniões dos países ricos porque eles estavam em crise e precisavam da nossa ajuda."
"No Fórum nos reunimos para dizer que um outro mundo é possível e necessário. Esse é um sonho que não vamos abandonar nunca.”
“É cada vez mais forte a consciência de que o Consenso de Washington faliu. Aqueles que com arrogância nos davam instruções não evitaram a crise. Hoje somos parte essencial e incontornável da solução da crise internacional.”
"Até recentemente predominava a tese de que o desenvolvimento só era possível para uma pequena fatia da população, qualquer esforço para afrontar a pobreza era visto, e ainda o é, como assistencialismo e populismo. A história está se encarregando de desmentir essas teorias. Felizmente já não predomina a tese do estado mínimo, mas não podemos substituir um neoliberalismo que faliu por um nacionalismo primitivo e autoritário.”
“É hora de colocar o desenvolvimento e a democracia no centro da agenda africana e mundial.”
"Não há soberania real sem soberania alimentar."
“Nos 29 países que visitei como presidente constatei a vitalidade com que esse continente irmão afirma seu desenvolvimento, sem ingerências externas e com democracia.”
“A África tem um futuro extraordinário, e esse futuro está chegando.”
Lula voltou a se desculpar pela escravidão no Brasil, como já havia feito em 2005. E pediu o reconhecimento de um estado palestino que seja “economicamente viável, socialmente integrado e que esteja em paz com Israel”.
“Mais do que ajuda, a África precisa de oportunidade.”
Apagão, Blecaute, Lambança do Diabo...
Escuridão, Queda de Energia, Interrupção, Desligamento automático...
O nome pouco importa.
Oito estados do Nordeste, 46 milhões de pessoas, ficaram às escuras por várias horas na madrugada de sexta-feira, 4. Milhares não puderam dormir pelo calor e pernilongos, pois não havia como ligar ar condicionado e ventiladores.
Problemas em hospitais, presídios, aeroportos, trânsito... Assaltos, ameaças de violência, clima de medo.
A mídia tradicional começou a falar em "apagão da Dilma", "apagão no governo Dilma". As primeiras vozes oposicionistas e oportunistas começaram a se levantar... Horas depois do problema e no momento em que a presidenta não aceita constrangimentos e ameaças e começa a colocar técnicos no comando de várias empresas do setor elétrico, há séculos dominadas por políticos.
Algumas manchetes nos portais jornalísticos do dia:
"Apagão atinge Nordeste do Brasil" (Jornal do Brasil)
"Apagão atinge várias capitais do Nordeste" (O Dia)
"Apagão no Nordeste deixa moradores sem água" (R7/Record)
"Apagão afeta 8 estados do Nordeste" (Rede TV!)
"Apagão afeta abastecimento de água e agências da Caixa em PE" (iG)
"Apagão atinge parte do Nordeste" (G1)
"Apagão atinge 8 estados do Nordeste" (Globo/Bom Dia Brasil)
"Falhas no sistema elétrico estariam por trás do apagão do Nordeste" (Band)
"Presidiário morre em Pernambuco em meio a tumulto durante apagão" (Estadão)
"Oposição culpa falta de qualificação por apagão no Nordeste" (Terra)
"Dilma soube do apagão de madrugada" (Estadão)
"Dilma ficou sabendo do apagão pela internet" (iG)
"Apagão: Nordeste às cegas" (O Globo)
"Dilma cobra providências sobre apagão do Nordeste" (O Globo)

No Tuiter, a hashtag #apagão figurou nos "trending topics"...
Nas primeiras horas da manhã, uma presidenta preocupada pediu explicações e providências ao ministro Lobão.
Ministro fez pronunciamento e deu entrevista.
Porta-voz da presidenta veio a público dar explicações.
Posts no Blog do Planalto...
Cadê a Blogosfera, perguntamos aqui, diante da ausência do assunto nos blogs ditos jornalísticos.
Os blogueiros continuaram tratando da Revolução no Egito, WikiLeaks, Lula, Battisti, regulação da mídia, PSDB, FHC...
No sábado, um blog de ativismo e variedades publicou um post falando mais do "apagão verdadeiro", o tucano, em 2001.
Hoje o ministro das Minas e Energia se reune no Rio com várias autoridades ligadas ao setor elétrico para definir as causas do problema. Deve haver pronunciamento oficial.
Uma das linhas editoriais do Abra a Boca, Cidadão! é "Comunicação, Mídia e Poder". Vamos acompanhar o assunto na mídia. Não nos interessa, claro, a questão técnica. Mas o desdobramento do fato na mídia, nos meios políticos, na oposição, eventuais manipulações, buscando um desgaste no governo e na imagem da presidenta etc. etc.
O nome pouco importa.
Oito estados do Nordeste, 46 milhões de pessoas, ficaram às escuras por várias horas na madrugada de sexta-feira, 4. Milhares não puderam dormir pelo calor e pernilongos, pois não havia como ligar ar condicionado e ventiladores.
Problemas em hospitais, presídios, aeroportos, trânsito... Assaltos, ameaças de violência, clima de medo.
A mídia tradicional começou a falar em "apagão da Dilma", "apagão no governo Dilma". As primeiras vozes oposicionistas e oportunistas começaram a se levantar... Horas depois do problema e no momento em que a presidenta não aceita constrangimentos e ameaças e começa a colocar técnicos no comando de várias empresas do setor elétrico, há séculos dominadas por políticos.
Algumas manchetes nos portais jornalísticos do dia:
"Apagão atinge Nordeste do Brasil" (Jornal do Brasil)
"Apagão atinge várias capitais do Nordeste" (O Dia)
"Apagão no Nordeste deixa moradores sem água" (R7/Record)
"Apagão afeta 8 estados do Nordeste" (Rede TV!)
"Apagão afeta abastecimento de água e agências da Caixa em PE" (iG)
"Apagão atinge parte do Nordeste" (G1)
"Apagão atinge 8 estados do Nordeste" (Globo/Bom Dia Brasil)
"Falhas no sistema elétrico estariam por trás do apagão do Nordeste" (Band)
"Presidiário morre em Pernambuco em meio a tumulto durante apagão" (Estadão)
"Oposição culpa falta de qualificação por apagão no Nordeste" (Terra)
"Dilma soube do apagão de madrugada" (Estadão)
"Dilma ficou sabendo do apagão pela internet" (iG)
"Apagão: Nordeste às cegas" (O Globo)
"Dilma cobra providências sobre apagão do Nordeste" (O Globo)

No Tuiter, a hashtag #apagão figurou nos "trending topics"...
Nas primeiras horas da manhã, uma presidenta preocupada pediu explicações e providências ao ministro Lobão.
Ministro fez pronunciamento e deu entrevista.
Porta-voz da presidenta veio a público dar explicações.
Posts no Blog do Planalto...
Cadê a Blogosfera, perguntamos aqui, diante da ausência do assunto nos blogs ditos jornalísticos.
Os blogueiros continuaram tratando da Revolução no Egito, WikiLeaks, Lula, Battisti, regulação da mídia, PSDB, FHC...
No sábado, um blog de ativismo e variedades publicou um post falando mais do "apagão verdadeiro", o tucano, em 2001.
Hoje o ministro das Minas e Energia se reune no Rio com várias autoridades ligadas ao setor elétrico para definir as causas do problema. Deve haver pronunciamento oficial.
Uma das linhas editoriais do Abra a Boca, Cidadão! é "Comunicação, Mídia e Poder". Vamos acompanhar o assunto na mídia. Não nos interessa, claro, a questão técnica. Mas o desdobramento do fato na mídia, nos meios políticos, na oposição, eventuais manipulações, buscando um desgaste no governo e na imagem da presidenta etc. etc.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Fórum Social Mundial Dakar 2011
"Um Outro Mundo É Possível"
Com esta divisa histórica, começa hoje em Dacar, Senegal, África, a 11a. edição do Fórum Social Mundial, espaço democrático caracterizado pela pluralidade e diversidade.
Movimentos sociais do mundo todo e organizações da sociedade civil mais uma vez se reunem para debater, refletir, partilhar experiências, formular propostas e alternativas em torno de 12 eixos temáticos.
O Governo Federal participa com a Secretaria Especial de Direitos Humanos, Secretaria Especial de Promoção de Políticas de Igualdade Racial, Secretaria Especial de Mulheres, Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério da Cultura, Ministério da Saúde, sob a coordenação do ministro Gilberto Carvalho da Secretaria Geral da Presidência da República.
O presidente da Bolívia, Evo Morales, participará do Fórum, assim como o cidadão Luiz Inácio Lula da Silva.
Abaixo, os 12 eixos temáticos que serão trabalhados no Fórum.

COMISSÕES E EIXOS TEMÁTICOS
Com esta divisa histórica, começa hoje em Dacar, Senegal, África, a 11a. edição do Fórum Social Mundial, espaço democrático caracterizado pela pluralidade e diversidade.
Movimentos sociais do mundo todo e organizações da sociedade civil mais uma vez se reunem para debater, refletir, partilhar experiências, formular propostas e alternativas em torno de 12 eixos temáticos.
O Governo Federal participa com a Secretaria Especial de Direitos Humanos, Secretaria Especial de Promoção de Políticas de Igualdade Racial, Secretaria Especial de Mulheres, Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério da Cultura, Ministério da Saúde, sob a coordenação do ministro Gilberto Carvalho da Secretaria Geral da Presidência da República.
O presidente da Bolívia, Evo Morales, participará do Fórum, assim como o cidadão Luiz Inácio Lula da Silva.
Abaixo, os 12 eixos temáticos que serão trabalhados no Fórum.
FÓRUM SOCIAL MUNDIAL 2011
COMISSÕES E EIXOS TEMÁTICOS
Para este Fórum, organizações da sociedade civil e movimentos sociais de todo o mundo identificaram 12 eixos temáticos, em torno dos quais serão organizadas as atividades. São eles:
- Por uma sociedade humana fundada sobre princípios e valores comuns de dignidade, diversidade, justiça, igualdade entre todos os seres humanos, independentemente dos gêneros, culturas, idade, deficiências, crenças religiosas, condições de saúde, e pela eliminação de todas as formas de opressão e discriminação baseadas no racismo, xenofobia, sistema de castas, orientação sexual e outros.
- Por uma justiça ambiental e por um acesso universal e sustentável da humanidade aos bens comuns, pela preservação do planeta como fonte de vida, especialmente da terra, da água, das florestas, das fontes renováveis de energia e da biodiversidade, garantindo os direitos dos povos indígenas, originários, tradicionais, autóctones e nativos sobre seus territórios, recursos, línguas, culturas, identidades e saber.
- Pela aplicabilidade e efetividade dos direitos humanos - econômicos, sociais, culturais, ambientais, civis e políticos - especialmente os direitos à terra, à soberania alimentar, à alimentação, à proteção social, à saúde, à educação, à habitação, ao emprego, ao trabalho decente, à comunicação, à expressão cultural e política.
- Pela liberdade de circulação e de estabelecimento de todas e todos, mais particularmente dos migrantes e solicitantes de asilo, das pessoas vítimas de tráfico humano, dos refugiados, dos povos indígenas, originários, autóctones, tradicionais e nativos, das minorias, das pessoas sob ocupação, dos povos em situação de guerra e conflitos, e pelo respeito de seus direitos civis, políticos, econômicos, sociais, culturais e ambientais.
- Pelo direito inalienável dos povos ao patrimônio cultural da humanidade, pela democratização dos saberes, das culturas, da comunicação e das tecnologias, valorizando os bens comuns com o fim de visibilizar os saberes subjugados, e pelo fim do conhecimento hegemônico e da privatização dos saberes e das tecnologias, e por uma mudança fundamental do sistema de direitos de propriedade intelectual.
- Por um mundo livre dos valores e estruturas do capitalismo, da opressão patriarcal, de todas as formas de dominação por potências financeiras, das transnacionais e dos sistemas desiguais de comércio, da dominação colonial e por dívidas.
- Pela construção de uma economia social, solidária e emancipatória, com padrões sustentáveis de produção e de consumo e um sistema de comércio justo, com suas prioridades centradas nas necessidades fundamentais dos povos e no respeito à natureza, garantindo sistemas de redistribuição global com taxas globais e sem paraísos fiscais.
- Pela construção e ampliação de estruturas e instituições democráticas, políticas e econômicas – locais, nacionais e internacionais – com a participação dos povos nas tomadas de decisão e no controle dos assuntos públicos e dos recursos, respeitando a diversidade e a dignidade dos povos.
- Pela construção de uma ordem mundial baseada na paz, justiça e segurança humana, no direito, ética, soberania e autodeterminação dos povos, condenando as sanções econômicas a favor de regras internacionais sobre o comércio de armas.
- Pela valorização das histórias e lutas da África e da Diáspora e sua contribuição à humanidade, reconhecendo a violência do colonialismo.
- Pela reflexão coletiva sobre os movimentos sociais, o processo do Fórum Social Mundial e as perspectivas e estratégias para o futuro, garantindo suas contribuições à realização efetiva de um outro mundo possível e urgente para todos e todas.
- Pela interaprendizagem de paradigmas alternativos à crise da civilização hegemônica da modernidade/colonialidade eurocêntrica, por meio da descolonialidade e socialização do poder, especialmente nas relações entre Estado-Mercado-Sociedade; os direitos coletivos dos povos, a desmercantilização da vida e do "desenvolvimento", e a emergência de subjetividades e epistemologias alternativas ao racismo, eurocentrismo, patriarcado e antropocentrismo.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Apagão também na blogosfera?
O assunto mais importante do noticiário nacional ontem foi o apagão-blecaute-interrupção de energia em oito estados do Nordeste nas primeiras horas da madrugada. E nas primeiras semanas do governo Dilma. O que seria um "prato cheio" para a oposição, as elites e a velha mídia.
Amanhecemos lendo a repercussão dos fatos nos portais informativos (iG, Terra, Estadão, Folha, G1, O Globo...), as medidas tomadas pelo governo, os contratempos gerados em vários estados, as possíveis causas do problema... antes de escrever nossos posts a respeito. Depois, sofremos aqui no bairro um "apagão tucano", ficamos sem energia elétrica quase o dia todo e só voltamos à internet no final da tarde.
A presidenta, ao que tudo indica, foi eficiente. Conhecedora profunda do sistema elétrico brasileiro desde que foi ministra das Minas e Energia, logo cedo chamou o ministro Edison Lobão para explicações, exigiu medidas de fiscalização e manutenção mais rigorosas e determinou que o ministro viesse a público para pronunciamento e entrevista sobre eventuais causas e providências.
O esclarecimento e o pronunciamento definitivos do governo serão dados, no entanto, na segunda-feira, após reunião do ministro das Minas e Energia com várias autoridades do setor elétrico.
Dois fatos chamaram nossa atenção: a velha mídia não teve muito interesse em usar o episódio para desgastar o governo, mantendo o destaque em seus noticiários para os conflitos no Egito. Pelo menos até o momento. E a blogosfera pouco ou nada postou a respeito.
O mais importante jornalista-blogueiro, salvo engano, não fez 1 post sequer sobre o assunto ao longo do dia de ontem. Nem seus colegas também jornalistas ligados a grandes redes de televisão.
O acontecimento do dia e seus desdobramentos para o governo Dilma não eram importantes para a blogosfera e seus leitores? O tratamento dado pela velha mídia não mereceria ao menos ser acompanhado? O apagão-blecaute-queda de energia pegou os blogueiros desprevenidos? Faltou agilidade na cobertura do fato?
O jornalismo dos blogs que se dizem jornalísticos sofreu também um "apagão"?
Amanhecemos lendo a repercussão dos fatos nos portais informativos (iG, Terra, Estadão, Folha, G1, O Globo...), as medidas tomadas pelo governo, os contratempos gerados em vários estados, as possíveis causas do problema... antes de escrever nossos posts a respeito. Depois, sofremos aqui no bairro um "apagão tucano", ficamos sem energia elétrica quase o dia todo e só voltamos à internet no final da tarde.
A presidenta, ao que tudo indica, foi eficiente. Conhecedora profunda do sistema elétrico brasileiro desde que foi ministra das Minas e Energia, logo cedo chamou o ministro Edison Lobão para explicações, exigiu medidas de fiscalização e manutenção mais rigorosas e determinou que o ministro viesse a público para pronunciamento e entrevista sobre eventuais causas e providências.
O esclarecimento e o pronunciamento definitivos do governo serão dados, no entanto, na segunda-feira, após reunião do ministro das Minas e Energia com várias autoridades do setor elétrico.
Dois fatos chamaram nossa atenção: a velha mídia não teve muito interesse em usar o episódio para desgastar o governo, mantendo o destaque em seus noticiários para os conflitos no Egito. Pelo menos até o momento. E a blogosfera pouco ou nada postou a respeito.
O mais importante jornalista-blogueiro, salvo engano, não fez 1 post sequer sobre o assunto ao longo do dia de ontem. Nem seus colegas também jornalistas ligados a grandes redes de televisão.
O acontecimento do dia e seus desdobramentos para o governo Dilma não eram importantes para a blogosfera e seus leitores? O tratamento dado pela velha mídia não mereceria ao menos ser acompanhado? O apagão-blecaute-queda de energia pegou os blogueiros desprevenidos? Faltou agilidade na cobertura do fato?
O jornalismo dos blogs que se dizem jornalísticos sofreu também um "apagão"?
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Falta energia e sobra politicagem
Depois de 6 (seis) horas de "apagão" em bairro da cidade de São Paulo, esta cidadã-blogueira pode retomar suas atividades na internet.
A AES Eletropaulo, consultada primeiramente por volta de 11 hs., informou que o corte de energia se devia a reparos previamente programados, e que o religamento estava previsto para as 14 hs. A cidadã-blogueira protestou, pois não havia sido comunicada, como é de praxe, e foi cuidar de outras atividades "offline"...
Por volta das 14:45 hs., ainda sem energia elétrica em casa, a cidadã-blogueira novamente ligou para a companhia energética, reclamando da informação errada que recebera, sendo informada que houvera problemas nos reparos e a nova previsão de religamento mudara para 18 hs.!!! Novo protesto da cidadã-blogueira e indagação se tal corte não teria relação alguma com o "apagão do Nordeste", se o restante da cidade estava normal... Silêncio do outro lado da linha... A atendente prefere não comentar.
Por volta das 16 hs., felizmente, a AES Eletropaulo errou na previsão, e o fornecimento de energia foi retomado.
O ministro das Minas e Energia fez um comunicado sobre a falta de energia em vários estados do Nordeste nesta madrugada, atribuindo a interrupção de fornecimento provavelmente a problemas técnicos numa estação em Pernambuco. O governo continua averiguando as causas do ocorrido.
No Blog do Planalto, no portal iG e em outros sites informativos os leitores encontrarão informações detalhadas sobre o problema, que gerou, claro, vários contratempos.
O ABC! vai acompanhar todos os desdobramentos, até porque, como já previsto aqui, será feito uso político do acontecimento pelos que estão sem palanque, sem holofotes e sem mídia: a velha e "boa" oposição, ou seja, ACMNeto, tucanoides & Cia.
Aviso aos navegantes: o ABC!, embora blog cidadão, defensor da ampla liberdade de expressão, não publica comentários contendo palavras chulas, vulgaridades, grosserias... endereçadas à presidenta Dilma ou a qualquer outro cidadão ou cidadã.
A AES Eletropaulo, consultada primeiramente por volta de 11 hs., informou que o corte de energia se devia a reparos previamente programados, e que o religamento estava previsto para as 14 hs. A cidadã-blogueira protestou, pois não havia sido comunicada, como é de praxe, e foi cuidar de outras atividades "offline"...
Por volta das 14:45 hs., ainda sem energia elétrica em casa, a cidadã-blogueira novamente ligou para a companhia energética, reclamando da informação errada que recebera, sendo informada que houvera problemas nos reparos e a nova previsão de religamento mudara para 18 hs.!!! Novo protesto da cidadã-blogueira e indagação se tal corte não teria relação alguma com o "apagão do Nordeste", se o restante da cidade estava normal... Silêncio do outro lado da linha... A atendente prefere não comentar.
Por volta das 16 hs., felizmente, a AES Eletropaulo errou na previsão, e o fornecimento de energia foi retomado.
O ministro das Minas e Energia fez um comunicado sobre a falta de energia em vários estados do Nordeste nesta madrugada, atribuindo a interrupção de fornecimento provavelmente a problemas técnicos numa estação em Pernambuco. O governo continua averiguando as causas do ocorrido.
No Blog do Planalto, no portal iG e em outros sites informativos os leitores encontrarão informações detalhadas sobre o problema, que gerou, claro, vários contratempos.
O ABC! vai acompanhar todos os desdobramentos, até porque, como já previsto aqui, será feito uso político do acontecimento pelos que estão sem palanque, sem holofotes e sem mídia: a velha e "boa" oposição, ou seja, ACMNeto, tucanoides & Cia.
Aviso aos navegantes: o ABC!, embora blog cidadão, defensor da ampla liberdade de expressão, não publica comentários contendo palavras chulas, vulgaridades, grosserias... endereçadas à presidenta Dilma ou a qualquer outro cidadão ou cidadã.
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