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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Presidenta Dilma: nada de pirotecnia

Do site CartaCapital:


Dilma no governo


Nossa cultura política valoriza os elementos pessoais da liderança, mitificando seus atributos. O interessante é que a presidente rompe com esse paradigma. Por Marcos Coimbra. Foto: Ricardo Stuckert


Nossa cultura política valoriza os elementos pessoais da liderança, mitificando seus atributos. O interessante é que a presidente rompe com esse paradigma.


Neste começo de ano, a imprensa mostra que tem, para com a presidente Dilma, dificuldades parecidas com as que teve para com a candidata e a presidente eleita. É visível o desconforto que ela causa com seu discurso e suas ações. Enquanto a mídia quer que ela tire coelhos da cartola e surpreenda todo mundo, Dilma insiste em ser previsível.

A causa dos problemas é conhecida: a ideia de continuidade. Até agora nossos analistas não conseguiram entender o que significa uma coisa tão simples.

O tom geral da cobertura tem sido um misto de ânsia de encontrar a originalidade do governo e frustração por não conseguir identificá-la. É como se Dilma tivesse a obrigação de ser diferente, e, não o sendo, se tornasse uma “decepção”.

Nossa cultura política valoriza os elementos pessoais das lideranças, mitificando seus atributos e qualidades. Nos é difícil aceitar que elas não tenham traços que as distingam do cidadão comum, que as diferenciem da vida banal dos meros mortais. Para nós, o verdadeiro líder está além do povo, é feito de outra essência e possui uma transcendência inalcançável por ele.

No Brasil moderno, os três presidentes eleitos se apresentaram ao País como figuras excepcionais. Cada um a seu modo e tempo, Collor, Fernando Henrique e Lula foram assim caracterizados por suas campanhas e pela mídia, e foram assim percebidos pelas pessoas. Todos se tornaram personagens épicos.

Importa pouco como cada um terminou. Se Collor, de “jovem caçador destemido”, acabou cassado. Se a “inteligência portentosa” de Fernando Henrique, que o levou a derrotar a inflação, não o livrou do fracasso dos últimos anos. Se Lula, de metalúrgico nordestino “sincero, porém radical”, revelou-se um grande presidente, na opinião quase unânime dos brasileiros.

O relevante é que todos eram “extraordinários”. Até aqueles que chegaram ao posto pela força das circunstâncias vieram a ser assim percebidos, ao menos por alguns, pelo menos durante certos momentos. Mesmo Sarney e Itamar tiveram seus dias de carisma.

Nesse modelo, a transição de um governo para outro sempre foi uma espécie de batalha (ainda que civilizada), cujo ápice eram os discursos de posse. Por meio deles, o novo presidente revelava quão diferente seria do anterior, em meio a frases de efeito e rompantes de eloquência. Não por outra razão, esses discursos precisavam ser esquadrinhados minuciosamente.

Nas eleições de 2010, Lula propôs outro enredo. Em vez de procurar no PT quem mais pudesse encarnar uma nova personalidade mitológica, pensou em alguém com qualidades terrenas. No lugar de imaginar uma agenda de campanha que acenasse para os sonhos, outra que todos conheciam, pois estava sendo implantada por seu governo.

Há quem veja a originalidade de Dilma no gênero, mas ela não é a mais importante. Por mais significativo que seja termos uma mulher na Presidência, a verdadeira mudança trazida por sua eleição não é essa. O decisivo é que Dilma rompe com o modelo da excepcionalidade do governante.

Para entender esse ponto, basta imaginar o que teríamos se Marina Silva tivesse vencido. Seria uma presidente mulher, mas que manteria ou, mais provavelmente, que acentuaria o arquétipo do presidente-herói (ou da presidente-heroína, tanto faz), de valorização das “biografias excepcionais”. Eleita, Marina representaria a consagração do carisma como fundamento da legitimidade presidencial.

Ninguém votou em Dilma sem saber o que ela diria no Congresso, na hora em que tomasse posse. Ninguém ficou ansioso querendo descobrir como seria seu ministério, ninguém aguardou revelações de seus ministros a respeito de novas políticas.

Em face da perplexidade da mídia, o curioso é que não há, no modo como começa o governo, nada de imprevisível. Foi isso que Dilma prometeu ao País, foi isso que ela disse que faria.

E foi isso que os eleitores entenderam e quiseram. O mais importante na eleição de Dilma é que seu caráter inovador foi submetido ao povo e por ele referendado. Foi o eleitor que quis que passássemos a ver que a Presidência da República pode ser ocupada por uma pessoa comum (desde, é claro, que seja qualificada e que represente o lado com o qual ele mais se identifica).

Dilma e a Ditadura do Judiciário

República é a forma de governo constituída por três poderes - Legislativo, Executivo e Judiciário - independentes e harmônicos entre si, como dispõe o artigo segundo da Constituição Federal de 1988, a chamada Constituição Cidadã.

Em seu último dia de governo, o Presidente Lula decidiu soberanamente a pendência envolvendo o refúgio do escritor e ativista italiano Cesare Battisti no Brasil, negando sua extradição.

Setores progressistas da blogosfera e da sociedade em geral comemoraram a decisão do presidente, aguardando a iminente libertação de Battisti, que se encontra preso em Brasília.

Tal expectativa foi frustrada pela decisão do ministro Cezar Peluso, presidente do STF, no sentido de questionar a validade do ato do Presidente da República, atribuindo ao STF o julgamento da decisão de Lula.

Respeitáveis juristas, especialistas de outras áreas e blogueiros progressistas que vinham acompanhando o caso protestaram e estão alertando para o possível significado da intromissão do Judiciário em decisão soberana do Executivo. O entrevero pode evoluir para uma crise institucional a estourar no governo Dilma nos próximos tempos.

A sociedade precisa estar atenta a mais esta eventual tentativa de desestabilização de um governo legitimamente conduzido ao Poder.

Publico abaixo artigo do jornalista Rui Martins, postado no sábado, 08.01, no blog Quem Tem Medo do Lula?, que faz um alerta à cidadania para a gravíssima possibilidade de um golpe contra o governo da Presidenta Dilma Rousseff e já vislumbrando a instalação de um "caos" no País...


Já é um começo de golpe

 O que iremos viver, quando o ministro Gilmar Mendes se dignar a colocar na agenda do STF o « julgamento da decisão do presidente Lula », se a maioria, por um voto que seja, decidir anular a decisão de Lula ? Será que a presidenta Dilma aceitará essa intromissão do STF no poder do Executivo ? Em todo caso, será o caos.


Por Rui Martins (*)

Berna (Suíça)Se você faz parte dos 87% que apoiavam o governo Lula, fique alerta – no mais escondido covil de serpentes e escorpiões trama-se um golpe institucional contra o governo de Dilma, mesmo se esse governo começou com 62% de aprovação popular.

Desta vez, ao contrário do golpe de 1964, não se trama nos quartéis com o apoio declarado dos Estados Unidos. A trama é bem mais sutil – não se acena com a paranóia do perigo vermelho, mas com base em pretensos arrazoados jurídicos se quer desmoralizar e desautorizar o ex-presidente Lula e se colocar no ridículo a presidenta Dilma, que será destituída do poder de decisão.
 
O golpe não parece financiado só por dólares americanos, como no passado, mas igualmente por euros vindos da Itália. Aparentemente trata-se da extradição ou não extradição de um antigo militante italiano, Cesare Battisti, condenado num processo italiano fajuto à prisão perpétua, mas a verdade submersa do iceberg é bem outra.
 
Quem leu as revelações do Wikileaks quanto as opiniões dos EUA sobre Lula, considerado suspeito, e Celso Amorim, considerado antiamericano, e que acompanhou a campanha contra a eleição de Dilma, sabe muito bem haver interesses de grupos internacionais em provocar uma crise institucional no Brasil.
 
Será também a maneira de grupos econômicos estrangeiros impedirem a atual emergência do país como potência mundial. A Itália neofascista de Berlusconi com seu desejo de recuperar um antigo militante esquerdista é apenas um providencial pretexto para os grupos políticos e econômicos internacionais incomodados com o Brasil líder do G-20 e vitorioso contra os EUA na OMC.
 
O que se quer agora, com o caso Battisti, é subverter as instituições brasileiras, mergulhar-se o país numa confusão entre o poder do Executivo e o poder do Judiciário, anular-se uma decisão do ex-presidente Lula para se abrir o caminho a que a governança do Brasil seja sujeita à aprovação do STF. Para isso conta-se, como em 1964, com os vendilhões da nossa soberania e com os golpistas da grande imprensa.
 
Simples e prático, para se evitar que a presidente Dilma governe, vai se tentar lhe por um cabresto e toda decisão sua que desagrade grupos internacionais deverá ser anulada pelo STF. Por exemplo, a questão da exploração petrolífera do pré-sal poderá ser uma das próximas ações confiadas ao STF.
 
Se Dilma quiser renacionalizar as comunicações, já que a telefonia é questão estratégica, o STF poderá dizer Não e também optar pela privatização da Petrobras. Delírio? Não, os neoliberais inimigos de Lula e da política nacionalista, derrotados nas eleições, poderão subrepticiamente retirar, pouco a pouco, os poderes da presidenta e do Legislativo, para que fique apenas com o STF o governo ou o desgoverno do Brasil.
 
O próprio advogado de Cesare Battisti, acostumado com leis e recursos, nunca viu uma decisão presidencial ser posta em dúvida por um ministro do STF, e por isso falou em "golpe" tal como havíamos alertado.
 
Por sua vez, o atual governador do Rio Grande do Sul, que aceitou o pedido de refúgio de Battisti quando ministro da Justiça, não aguentou a decisão do ministro Cezar Peluso do STF de colocar em questão a validade da decisão do presidente Lula e declarou como "ilegal" e "ditatorial" o ato do ministro Peluso, do qual decorre um "prejuízo institucional grave" para o país e um "abalo à soberania nacional".
 
Faz dois anos, Tarso Genro concedeu refúgio a Battisti, que deveria estar em liberdade desde essa época. Mas o ato liberatório foi sustado pelo ministro Gilmar Mendes, que submeteu a questão ao STF, o que já consistia um ato arbitrario. Embora os ministros tenham decidido por 5 a 4 pela extradição, competia ao presidente a decisão final, o que foi reconhecido, depois de uma tentativa de reabertura do julgamento.
 
O presidente Lula justificando seu ato, dentro do permitido pelo Tratado mútuo de Extradição entre Brasil e Itália, com base num documento da Advocacía Geral da União, negou a extradição e a própria Itália entendeu o ato como definitivo. Ora, a decisão do ministro Cezar Peluso de pôr em dúvida a decisão do presidente Lula e reabrir a questão vai além de sua competência e fere uma decisão soberana.
 
É tentativa ou já é golpe, no entender do advogado Luiz Roberto Barroso, é ilegal e ditatorial segundo o ex-ministro da Justiça Tarso Genro, opiniões que vão no mesmo sentido de Dalmo Dallari e de outros juristas.
 
O que iremos viver, quando o ministro Gilmar Mendes se dignar a colocar na agenda do STF o "julgamento da decisão do presidente Lula", se a maioria, por um voto que seja, decidir anular a decisão de Lula? Será que a presidenta Dilma aceitará essa intromissão do STF no poder do Executivo? Em todo caso, será o caos.
 
É hora de reagir, antes que seja tarde demais.

*Rui Martins é jornalista. Foi correspondente do Estadão e da CBN, após exílio na França. É autor do livro “O Dinheiro Sujo da Corrupção”, criador dos "Brasileirinhos Apátridas" e da proposta de um Estado dos Emigrantes. É colunista do site "Direto da Redação" e vive em Berna, na Suíça, de onde colabora com o blog "Quem tem medo do Lula?".
 
(do site Direto da Redação)


domingo, 9 de janeiro de 2011

Semana da Presidenta: crises anunciadas?

Do ponto de vista administrativo, gerencial, a primeira semana da Presidenta Dilma foi tranquila. Mas alguns atritos na área política começaram a se esboçar, já nestes primeiros dias de governo.

Discretíssima, avessa a exposições públicas desnecessárias, a Presidenta apareceu pouco, preferindo divulgar as primeiras medidas do governo por meio de ministros. Várias reuniões com uma parcela do ministério pontuaram o dia a dia presidencial na semana que passou. Duas decisões merecem destaque: a criação de um PAC para a erradicação da pobreza extrema e a prioridade da universalização do acesso bom e barato à internet, em detrimento da regulação da mídia, que ficará para depois. Esta última medida desagradou setores da blogosfera, que atribuíram este suposto recuo a um provável "medo da Globo".

Aqui, confiamos na competência e sensibilidade da Presidenta. Acreditamos que ela não recuará e saberá o momento certo para implementar medidas que estabeleçam o tão esperado marco regulatório nas comunicações.


Presidenta Dilma Rousseff  durante reunião com ministros no Palácio do Planalto _ (Brasília, DF, 06/01/2011) _ Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
                                                                         Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Na área política, no entanto, o "mar" andou mais agitado... Os percalços ficaram por conta de declarações no mínimo desastradas do ministro general Elito Carvalho Siqueira, do Gabinete de Segurança Institucional, que num governo de uma ex-subversiva, perseguida, presa e barbaramente seviciada por militares que serviram à ditadura após o Golpe de 64, resolve na primeira semana após a posse se pronunciar de modo favorável ao desaparecimento e morte de centenas de brasileiros que lutaram contra o Estado terrorista, afirmando que não há motivos para se envergonhar desse período. Chamado a dar explicações, atribuiu à imprensa deturpação de sua fala, mas nem por isso deixou de ganhar um merecido "puxão de orelhas" da Presidenta.

Por outro lado, o ministro da Defesa Nelson Jobim declarou que apoia a criação da Comissão da Verdade defendida pela ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, para reconstituir a verdadeira história do golpe e da ditadura, desde que a tal comissão também apure a ação dos que combateram o regime de exceção.

E para encerrar o capítulo das crises anunciadas, o fato mais grave de todos: o ministro Cezar Peluso, do STF, decidiu colocar em dúvida a validade da decisão soberana do Presidente Lula, que no último dia do seu governo negou a extradição do escritor e ativista italiano Cesare Battisti.

"Ilegal" e "ditatorial", qualificou o ato do ministro Peluso o governador do Rio Grande do Sul e ministro da Justiça que aceitou o pedido de refúgio de Battisti, Tarso Genro. Dalmo Dallari, outros juristas e setores progressistas da blogosfera também protestaram e alertaram para uma eventual crise institucional e desestabilização do governo Dilma, e até risco de golpe, já que a independência entre os três poderes, fundamento do regime republicano, estaria sendo rompida com essa intromissão do Judiciário em decisão do Executivo.  

Vamos acompanhar aqui os desdobramentos desta decisão e o comportamento da Presidenta Dilma na questão, que envolve pelo menos direitos humanos e soberania nacional. 

sábado, 8 de janeiro de 2011

A velha mídia e a "obsessão" por Lula

Com alegria constatamos que o Abra a Boca, Cidadão! não está tão mal de assunto assim...

O grande jornalista e blogueiro Ricardo Kotscho postou hoje pouco antes da hora do almoço texto parecido com o que o ABC! publicou logo cedo, apontando a "obsessão" patológica da velha mídia com o ex-presidente Lula. Confiram abaixo.


08/01/2011 - 11:06

Eles não conseguem esquecer o Lula

 
SÃO SEBASTIÃO _ Faz uma semana hoje que o Brasil mudou de presidente. Como todo mundo viu, saiu Lula, entrou Dilma, um novo governo assumiu, a roda da história girou, a fila andou. Para certos setores da imprensa brasileira, no entanto, que até hoje não se conformam com a vitória de Lula em 2002 e 2006, e o sucesso dos oito anos de seu governo, aprovado ao final por 87% da população, é como se nada houvesse mudado.

Parece obsessão _ e é. Entre as perturbações mentais mais comuns, a obsessão compulsiva caracteriza-se pela presença de ideias, de imagens ou de impulsos recorrentes, segundo o Manual Muck da Biblioteca Médica Online. 

Dia sim, noutro também, eles não conseguem virar o disco, mudar de assunto. Lula continua sendo o assunto dominante nas manchetes, nas colunas, nos blogs. A única diferença é que, quando ele ainda estava no governo, o presidente respondia aos ataques no mesmo tom, dando a sua versão dos fatos, o que levava a imprensa a falar em ameaças à liberdade de expressão.

Agora, não. É um monólogo do pensamento único. Só um lado investiga, denuncia e julga, sem dar tempo para que as instituições se manifestem. Até entendo o comportamento de editores, colunistas, blogueiros e repórteres da grande mídia, que afinal ganham para isso ou pensam mesmo aquilo que escrevem em seu nicho de mercado.

Mas o massacre é de tal ordem que atingiu até alguns leitores do Balaio, principalmente aqueles que usam codinomes; não importa o tema tratado, escrevem comentários com a mesma ferocidade dos tempos da campanha eleitoral que acabou faz mais de dois meses.

Neste clima, pouco importa se o ex-presidente tem ou não razão ou direito nos atos adotados em seus últimos dias de governo e na primeira semana depois de passar a faixa. Nem tudo o que a lei permite é eticamente recomendável, eu sei. Não estou aqui para julgá-lo ou defendê-lo, não ganho para isso. Posso discordar dele em várias coisas, mas me espanta o tratamento raivoso e vingativo dado a Lula fora do governo em comparação aos seus antecessores.

Qualquer coisa que o agora ex-presidente faça ou deixe de fazer é motivo de críticas, denúncias, editoriais irados, como se devesse simplesmente desaparecer do mapa para ter um pouco de paz.   

Nestes primeiros dias de 2011, procurei tratar de assuntos mais amenos, fugir da eterna pauta política de confronto entre governo e oposição, mas está difícil. Cada um entende o que quer, enxerga intenções que não tive e usa qualquer argumento para avivar a guerra ideológica. Até quando?

Agora vou à praia, atendendo a um convite do sol. Bom fim de semana a todos.

do Portal IG




Ano Novo e mídia mais velha do que nunca

Termina a primeira semana do ano e da Presidenta Dilma no governo. Hora talvez de um pequeno balanço.

E uma coisa curiosa, assustadora, desoladora, até, para os mais sensíveis, é constatar que a velha mídia continua a mesma, ou seja, mais velha e podre do que nunca, apesar do novo ano, das novidades no Planalto e no País...

Elitista, preconceituosa, ressentida, vingativa, parcial, cheia de "cacoetes", sempre procurando "pêlo em ovo" quando se trata do governo popular e da vida do Presidente Lula, o pseudojornalismo da mídia tradicional continua a todo vapor em sua eterna campanha contra o pobre Luiz Inácio... doença que parece não ter cura.

Sábado passado, dia primeiro de janeiro de 2011, o Presidente Lula passou a faixa presidencial e o governo do País para a Presidenta Dilma Rousseff, numa solenidade belíssima, com momentos marcantes, emocionantes, acompanhados por milhões de brasileiros.



Dilma assumiu, começou a trabalhar já no dia seguinte, domingo, recebendo vários chefes de Estado que marcaram audiência, e Lula e dona Marisa deixaram Brasília, voltando a São Bernardo, onde sempre viveram, para tocar sua vidinha como qualquer família.

A velha e carcomida mídia deixou em paz o torneiro mecânico presidente que diuturnamente criticou?

"Obsessora encarnada" do presidente agora ex, a Folha de S. Paulo, acompanhada por outros veículos de comunicação, passou a farejar cada passo de Lula, que continuou refém dos jornalistas de plantão em frente ao seu prédio, não tendo direito sequer de sossegadamente ir até à padaria da vizinhança fazer o que qualquer cidadão faz pela manhã: comprar pão.

E aí Lula e família, pra fugir do assédio doentio de uma mídia mesquinha e provinciana, numa "fuga espetacular", com chuva e tudo rumou pro litoral, para uma base do Exército no Guarujá, onde imaginava estar a salvo da mídia obsessora. Ledo engano. Também lá teve sua privacidade invadida, por repórteres que se aproximaram por barco da praia onde se encontra Lula e familiares. E o noticiário denuncista correu solto, insinuando que o ex-presidente usufruía indevidamente das acomodações militares. Até o ministro da Defesa, Nelson Jobim, precisou ser mobilizado, vir a público e dar declarações para esclarecer que Lula ocupa a base legalmente, como convidado do ministro e do Exército.

E as perseguições continuaram... A  obsessora descobriu que o Itamaraty concedeu passaportes diplomáticos a filhos e neto do ex-presidente, e passou a noticiar isso como se fora um afronta ao Estado de Direito etc. etc. Até o Presidente da OAB veio a público pedir que os passaportes fossem devolvidos. Pedido que ao que parece será atendido sem qualquer resistência nos próximos dias.

Falta grandeza à mídia brasileira. Falta classe. Falta elegância. Falta educação. Falta compostura. Falta criatividade. Sobram preguiça, futricaria, leviandade, ignorância.

Falta jornalismo à velha mídia brasileira.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Machismo, ignorância e tacanhice

Eles "se acham".

Modernos (modernosos), em dia com os avanços da tecnologia, equipados com a mais sofisticada parafernália eletrônica, sua arrogância reina na internet, no Twitter, no Facebook, nas redes sociais todas...

Ditam regras, proferem vereditos, do alto de sua ignorância travestida de sapiência. Não tem pra ninguém.

No entanto, só crescem por fora. A alma pequena e a mente limitada não seguem os adereços tecnológicos. O crescimento interior não acompanha a expansão externa.

Nas profundezas mais recônditas, o preconceito se alastra como um câncer.

E aí, os recursos todos da mais moderna tecnologia eletrônica só servem mesmo para dar vazão às suas indigentes, mesquinhas e tacanhas visões de mundo, à podridão de suas entranhas. Ridicularizações, zombaria, julgamentos apressados e levianos, insinuações maldosas, desdém, menoscabo. Por vezes, ameaças. Explícitas ou dissimuladas.

O preconceito contra a mulher está arraigado em corações e mentes, está disseminado em todos os estratos da sociedade. Até entre os cidadãos que se julgam os mais progressistas.

Conviver, combater, transformar. Um trabalho árduo para qualquer mulher. Presidenta, blogueira ou simples cidadã.

Leiam abaixo artigo de Marcelo Semer, a propósito de mais este desafio que se coloca à Presidenta Dilma e a todas as mulheres.




Reduzir preconceito de gênero não é tarefa fácil para Dilma


 
                                                                                                       Roberto Stuckert Filho/Divulgação
Dilma Rosseff acompanhada de Lula, Marisa, Michel Temer e Marcela Temer na cerimônia de posse



   Dilma Rousseff acompanhada de Lula, Marisa, Michel Temer e Marcela Temer na cerimônia de posse
 
 
Marcelo Semer
De São Paulo (SP)


Dia primeiro de janeiro de 2011, o país assistiu a cena até então inédita: uma mulher recebendo a faixa de presidente da República e passando em revista as tropas militares.

Enquanto o Brasil parava para ouvir o discurso de Dilma, parte dos twitteiros que acompanhavam plugados à cerimônia se deliciava fazendo comentários irônicos e maldosos sobre a primeira vice-dama, Marcela Temer.

Loira, jovem e ex-miss, a esposa de Michel Temer virou imediatamente um trending topic.

Foi chamada de paquita, diminuída a seus atributos físicos e acusada de dar o golpe do baú no marido poderoso e provecto. Tudo baseado na consolidação de um enorme estereótipo: diante da diferença de idade que supera quatro décadas e uma distância descomunal de poder, influência e cultura, só poderia mesmo haver interesses.

Essa é uma pequena mostra do quanto Dilma deve sofrer para romper as barreiras atávicas do preconceito de gênero, ainda impregnadas na sociedade.

Se não fosse justamente pela superação dos estereótipos, aliás, Dilma jamais teria chegado aonde chegou.

Mulher. Divorciada. Guerrilheira. Ex-prisioneira. Quem diria que seria eleita para ser a chefe das Forças Armadas?

Superar estereótipos é o primeiro passo para romper preconceitos.

O exemplo de Lula mostrou, todavia, como sua tarefa não será fácil.

O país aprendeu a conviver com a sapiência de um iletrado retirante, mas os preconceitos regionais e o ódio de classe não se esvaziaram tão facilmente. A avalanche das "mensagens assassinas", twitteiros implorando por um "atirador de elite" na posse, só comprova o resultado alcançado pelo terrorismo eleitoral.

Dilma sabe dos obstáculos a vencer e é por este motivo que iniciou seu discurso enfatizando o caráter histórico do momento que o país vivia, fazendo-se de exemplo para "que todas as mulheres brasileiras sintam o orgulho e a alegria de ser mulher".

Em dois discursos recheados de assertivas e recados, não faltou uma lembrança emocionada a seus companheiros de luta contra a ditadura, que tombaram pelo caminho.

Mais tarde, receberia pessoalmente suas ex-colegas de prisão. Não esqueceu das "adversidades mais extremas infligidas a quem teve a ousadia de enfrentar o arbítrio". Não se arrependeu da luta, justificando-se nas palavras de Guimarães Rosa: a vida sempre nos cobra coragem.

Mas, mulher, adverte Dilma, não é só coragem, é também carinho.

É essa mulher, misto de coragem e carinho, que seu exemplo espera libertar do jugo de uma perene discriminação.

Discriminação que torna desiguais as oportunidades do mercado de trabalho, que funda a ideia de submissão, e que avoluma diariamente vítimas de violência doméstica, encontradas nos registros de agressões corriqueiras e no longo histórico de crimes ditos passionais, movidos na verdade por demonstrações explícitas de poder, orgulho e vaidade masculinas.

Temos um longo caminho pela frente na construção da igualdade de gênero.

Nossos tribunais de justiça são predominantemente masculinos, porque os cargos de juiz foram explícita ou implicitamente interditados às mulheres durante décadas. Houve quem justificasse o fato com as intempéries da menstruação e quem estipulasse que professora era o limite máximo para a vida profissional da mulher.

Nas guerras ou ditaduras, as mulheres, além dos suplícios dos derrotados, ainda sofrem com freqüência violências sexuais, que simbolicamente representam a submissão que a vitória militar quer afirmar.

Mulheres são maioria nas visitas semanais de presos. Mas quando elas próprias são encarceradas, as filas nas penitenciárias se esvaziam. Com muito sofrimento e demora, sua luta é para garantir os direitos já conferidos a presos homens.

Sem esquecer as incontáveis mulheres de triplas jornadas, discriminadas pela condição quase servil de dona de casa, que se obrigam a cumular com suas tarefas profissionais e maternas.

Que a posse de Dilma ilumine esse horizonte ainda lúgubre de preconceito, no qual os estereótipos da mulher burra, submissa e instável, predominam na sociedade.

E que, enfim, possamos aprender, com as mulheres, a respeitar sua igualdade e suas diferenças.

Pois, como ensina Boaventura de Sousa Santos, elas, mais do que ninguém, podem dizer:

"Temos o direito a sermos iguais quando a diferença nos inferioriza. Temos o direito a sermos diferentes quando a igualdade nos descaracteriza".

Façamos, assim, de 2011, um ano mulher.

Marcelo Semer é Juiz de Direito em São Paulo. Foi presidente da Associação Juízes para a Democracia. Coordenador de "Direitos Humanos: essência do Direito do Trabalho" (LTr) e autor de "Crime Impossível" (Malheiros) e do romance "Certas Canções" (7 Letras). Responsável pelo Blog Sem Juízo.

Portal Terra/05.01.11



quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Dilma e seu "momento mágico"

Muitas vezes, uma imagem vale mais que mil palavras. E é preciso aprender a ler também as imagens, as atitudes. E apreender sua dimensão, seu significado.

Abaixo, uma cena pra lá de emocionante. Não uma simples quebra de protocolo. Mais que isto. Uma declaração de amor. Um "momento mágico".

Da Presidenta, do Brasil, do Povo Brasileiro.




(foto do blog Professor Hariovaldo)