Cidadania, Comunicação e Direitos Humanos * Judiciário e Justiça * Liberdade de Expressão * Mídia Digital
Editoria/Sônia Amorim: ativista, blogueira, escritora, professora universitária, palestrante e "canalhóloga"
Desafinando o Coro dos Contentes...
Muitos de vocês já perceberam pelo que eu escrevo ou reproduzo aqui no Abra a Boca, Cidadão! que sou extremamente otimista quanto ao uso das redes sociais e da web em geral para defenestrar a patifaria de plantão, sejam eles familiares canalhas que querem te roubar ou representantes da advocacia de esgoto, da bandidagem togada, políticos corruptos, governantes incompetentes e fascistas, como os dois que temos aqui em São Paulo...
Enfim, acho que a cidadã e o cidadão, no mundo todo, têm que dominar pelo menos os procedimentos básicos da comunicação digital e "mandar bala" nestes malfeitores todos. Isso obviamente não exclui nem substitui denúncias nas instâncias devidas e a ida às ruas e praças e entradas de prédios onde estes marginais "trabalham", carregando cartazes e gritando slogans contra suas falcatruas. A Revolução Mundial, que no meu entendimento já está em curso, não vai ser vitoriosa apenas com o uso das redes sociais. Mas que o potencial de combatividade é exponencialmente ampliado, isso ninguém pode ignorar.
Portanto, nas ruas, nas instâncias devidas e diante de um computador, Abra a Boca, Cidadão!
A Internet ajuda, mas não faz revoluções
Beatriz Mendes
Durante palestra na Campus Party, ativistas falam sobre a importância da web para manifestações de protesto. Foto: Divulgação
Telefones celulares. Esta foi a “arma” que a ativista síria Leila Nachawati pediu aos participantes do Campus Party para que mandassem aos manifestantes de seu país, que vive forte tensão política sob a ditadura de Bashar al-Assad. Em tempos de redes sociais como ferramentas de articulação, e nos quais xingar muito no Twitter já é uma prática corriqueira, a blogueira garante que manifestar opiniões na rede é tarefa fundamental para o combate à repressão e aos regimes autoritários. Mas ela alerta para uma hipervalorização desse fato: “A luta é feita com sangue, não com a web. A realidade não é um videogame, tem sofrimento, pessoas sendo torturadas e massacradas”, declarou.
Leila Nachawati foi uma das participantes da mesa “Uma revolução em rede: os movimentos sociais no século XXI”, realizada no Campus Party na última sexta-feira, 10. Ao lado dela estavam Olmo Galvéz, ativista do movimento espanhol Democracia Real Ya!, e Charles Lenchner, do Occupy Wall Street.
Como quebrar o silêncio na Síria
Leila narrou alguns dos episódios horríveis que a Síria enfrenta sob o regime de Bashir al-Saad, como o caso de um ativista que filmava um protesto e teve os olhos arrancados, ou o do cartunista Ali Ferzat, cujas mãos foram quebradas depois de ele ter publicado charges que criticavam a ditadura. “São metáforas, avisos do governo para as pessoas pararem com as manifestações”, explica.
A ativista síria ainda afirma que grande parte da população nem fica sabendo destes fatos: o governo controla a mídia local e a entrada de jornalistas estrangeiros é estritamente proibida. Justamente por isso a rede se tornou essencial: “Acredito que o papel da tecnologia foi o de espalhar a revolução de um lugar para outro de forma rápida. Antes da internet, milhares de pessoas foram assassinadas pelas autoridades e o mundo não tomou conhecimento disso. Dessa vez, havia fotos e vídeos que mostravam os acontecimentos”.
“Nós precisamos de solidariedade global, de quebrar a barreira de silêncio, não esperar apoio dos governos. Escreva em algum blog, perfil de Twitter a respeito do assunto, revolte-se!”, enfatizou.
"Mudar o mundo é muito mais excitante do que qualquer jogo de computador"
“Quem aqui já falou sobre corrupção?”, perguntou Charles Lencher assim que tomou o microfone. A maioria da plateia respondeu afirmativamente. E o ativista emendou: “E quem participa da edição brasileira do Occupy?” Os braços levantados rarearam.
Diante de um público nem tão engajado assim, o ativista do movimento Occupy Wall Street tratou de realizar uma palestra didática. O primeiro ensinamento, bastante simples: não se apaixone por você mesmo. “Nós temos que nos apaixonar por aquilo que o mundo pode ser”, afirmou.
Lencher falou sobre a mobilização online do movimento e explicou que as pessoas precisam entender a importância de cada um se ver como um agente livre, capaz de divulgar suas ideias, mesmo sem ser escoltado por uma organização. “Qualquer um pode ser um agente, mas para isso é preciso que a gente se conecte, agregue idéias, conheça pessoas. Você pode até não conhecer quem que está ao seu lado, mas pode ser que vocês compartilhem opiniões. Por que não juntar essas ideias?”
Ainda, o ativista deixou claro que o sucesso do Occupy Wall Street é em grande parte fruto de uma prática incomum em grandes corporações: não há juízo de valor. Os integrantes do movimento não impedem que ninguém tome alguma atitude, mesmo que pareça que ela não dará certo. “Nós achamos que os erros ensinam tanto quanto os acertos. Tudo deve ser tentado, depois vemos se deu certo ou não”, disse.
“Mas não fique prestando tanta atenção no futuro, você tem que agir para que as mudanças aconteçam”, ressalvou. A ideia de Charles Lencher é trazer o espírito de luta que permeia a rede para o mundo real. “Muitos cidadãos foram atingidos por balas de borracha e tiveram sangue derramado durante os protestos. É preciso se mobilizar online, mas, na sequência, também é necessário sair às ruas para que essa mobilização surta efeito”, conclui, mostrando um slide que garantia que mudar o mundo é muito mais excitante do que qualquer jogo de computador.
Perseguidores da Blogueira contam com apoio de terceiros, agentes públicos e particulares. No Brasil, como se diz, o crime compensa. E a impunidade corre solta.
ESSA CIVILIZAÇÃO!
Na civilização em que existimos, a conta nunca fecha para os justos, enquanto é sempre auspiciosa para os desonestos e criminosos. Por quê? Porque enquanto o espírito das leis não for o fiel reflexo de como funciona a realidade humana e, pelo contrário, se ocupar mais em punir as transgressões, os desonestos e criminosos sempre encontrarão formas inteligentes de driblá-las, enquanto os justos continuarão sem orientação definida, a não ser a proveniente do íntimo de seus corações, o que não é pouca coisa. Porém, é necessário mais, é imprescindível que o espírito da civilização seja realmente protetor dos justos e que o crime se transforme numa eventualidade, e não na nota dominante dos relacionamentos humanos, como é hoje em dia.
Aquele que anda rastejando como um verme nunca deverá queixar-se de que foi calcado aos pés.
Immanuel Kant, filósofo alemão
Quando se fala em violência contra a mulher, pensa-se imediatamente no estereótipo, no mais comum, no tipo de violência visível, que muitas vezes chega até à mídia: mulheres feridas, machucadas, espancadas, ensanguentadas, violentadas por companheiros. Um festival covarde, feroz, por vezes com requintes de crueldade, de tapas, socos, pontapés, acompanhados de ofensas, xingamentos, ameaças.
Violência contra a mulher, para a maioria da população, é sinônimo de agressões físicas desferidas por um macho brutamontes contra uma mulher frágil e indefesa.
A maior parte dos casos que chegam às delegacias e à mídia realmente corresponde a este tipo de violência. Mas há muitos outros agentes que podem praticar violência contra mulheres, além de maridos e companheiros. E há outras tantas formas de violência covarde contra mulheres, além da violência física.
Violência contra mulher está acontecendo todo dia, o dia todo... perpetrada muitas vezes por outras mulheres! E, acreditem, muitas vezes mulheres da própria família da vítima! Esta Blogueira sabe bem do que está falando...
Vejam só o absurdo da situação: mulheres ferindo, agredindo, violentando outra mulher. Mulheres predadoras. Mulheres truculentas. Mulheres canalhas. Algumas, com traços evidentes de psicopatia.
Violência moral também é violência igualmente torpe, baixa, rasteira, covarde, hedionda. Até porque, em geral é silenciosa, camuflada, disfarçada.
Violência moral, psicológica, patrimonial e institucional contra mulher também é CRIME, é VIOLAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES.
Da Declaração Universal dos Direitos Humanos, passando por dispositivos da Constituição Federal e do Código Penal, e chegando-se à famosa Lei Maria da Penha, há ordenamento jurídico suficiente no Brasil para promover a devida reparação.
Há uma mulher na Presidência da República. Uma ex-guerrilheira corajosa e combativa, que em seus discursos de posse afirmou claramente que "não compactuará com malfeito nem com violação de direitos humanos". Há uma outra mulher, Orgulho da Magistratura Brasileira, Caçadora de Corruptos e de Bandidos de Toga, à frente da Corregedoria Nacional de Justiça. Há mulheres igualmente bravas, ousadas, combativas, destemidas, na Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e no "Ministério das Mulheres". Há mulheres dignas no Senado, na Câmara, no Ministério Público, no STF...
Mas há também, infelizmente, muita porcaria de saias e sapatos de bico fino, promovendo violência contra mulheres.
Chega de Violação de Direitos Humanos das Mulheres!
O mundo é tão belo apesar de todos os horrores e seria ainda mais se não houvesse sobre a terra poltrões e covardes.
Rosa Luxemburgo, pensadora e revolucionária
Qual é o nosso verdadeiro papel nas redes sociais, no ciberespaço? Por que criamos páginas e páginas no Facebook, no Orkut, na blogosfera? Por que estamos aqui?
Para nos sentir importantes e alimentar nossa vaidade?
Qual é o nosso verdadeiro papel no mundo? O que fazemos? O que poderíamos fazer?
Reclamar, resmungar, ser irreverente, mostrar revolta, rebeldia... mas sem qualquer atitude concreta e efetiva?
Falar, esbravejar, espernear, escarnecer... mas permanecer "cão que ladra e não morde"? Continuar não incomodando os donos do mundo?
Não podemos ir além disso? Não temos condição para alçar voos mais pretensiosos?
Galinhas domesticadas num quintal, ciscando o dia inteiro em busca de algo para encher seu já sobrecarregado estômago, ou águias destemidas riscando os céus?
Neyde Maria Lopes: (Rio de Janeiro, 2 de marçode 1937), que ficou nacionalmente conhecida como "A Fera da Penha", é uma mulher que nos anos 60 foi acusada e condenada a 33 anos de prisão em regime fechado por sequestrar, assassinar e incendiar uma criança de 4 anos nos fundos do Matadouro da Penha, no bairro de mesmo nome, no subúrbio do Rio de Janeiro.
Começou em 1959, quando Neyde, na época com 22 anos de idade, conheceu Antônio Couto Araújo, e apaixonou-se por ele em plena Central do Brasil.
Por cerca de 3 meses inteiros eles se encontraram. Mas logo ela acabou descobrindo por intermédio de um amigo que Antônio era casado e pai de duas crianças. Sabendo disto, ela exigiu que ele abandonasse a esposa e filhas para ser somente dela. Vendo que Antônio não abandonaria sua família, Neyde traçou outra tática: resolveu aproximar-se da família de seu amado.
Fingindo ser uma velha colega de colégio de Nilza Coelho Araújo, esposa de Antônio, Neyde conquistou a confiança desta e assim passou a visitar e conviver moderadamente, apesar da recusa de Antônio.
A verdade é que Neyde não suportava sentir-se como sendo "a outra" na vida de Antônio, e como este não se entregaria integralmente, ela decidiu tramar sua vingança contra o amante. A futura assassina viu em Tânia Maria Coelho Araújo, a "Taninha", de apenas 4 anos, filha mais velha do casal, o alvo perfeito para sua vingança.
No dia 30 de junho de 1960, Neyde telefonou para a escola onde Taninha estudava e, dizendo-se Nilza, disse que não poderia ir pegar a filha, por isso mandaria uma vizinha (no caso, Neyde) apanhá-la.
E foi exatamente o que aconteceu. Naquela mesma tarde, quando Nilza foi levar o lanche da filha, ficou sabendo de tudo e sondou a polícia, apesar de nem sequer imaginar que fosse Neyde quem tivesse levado a menina.
Neyde ficou andando sem rumo com Taninha por cerca de 5 ou 6 horas por várias ruas, até que ao cair da noite ela passou na casa de uma amiga, no bairro da Penha, e por fim numa farmácia para comprar um litro de álcool. Então, às 20 horas, ela conduziu a menina ao galpão dos fundos do Matadouro da Penha, executou a menina com um único tiro na cabeça e pôs fogo em seu corpinho, antes de ir embora tranquilamente.
Dias depois, presa, ela negou todas as acusações em um longo interrogatório de mais de 12 horas, mesmo tendo de confrontar fisicamente os pais da vítima e outras testemunhas.
Mas tempos depois, em desabafo com o radialista Saulo Gomes, confessou com frieza e calculismo todos os detalhes do crime, o que acabou lhe rendendo popularmente a alcunha de "A Fera da Penha", o que dura até hoje.
Foi condenada a 33 anos de prisão, mas após cumprir 15 anos por bom comportamento, ganhou a liberdade. Diz-se que até hoje vive em um modesto apartamento na Penha, subúrbio do Rio de Janeiro, e que se casou com o diretor da prisão em que cumpriu pena.
Sete anos sem Irmã Dorothy. Nossa Irmã em sentido muito amplo.
Barbaramente assassinada.
Na nossa admiração, na nossa Indignação,
Dorothy Vive!
*
Sete anos após assassinato, Dorothy Stang continua viva, símbolo de luta e resistência
Natasha Pitts
Adital
"Eis a minha alma”. Foi com esta frase que a irmã Dorothy Stang deixou a vida terrena, após ser assassinada em 12 de fevereiro de 2005, em Anapu, estado do Pará, Norte do Brasil. A missionária de 73 anos, que lutava pelos direitos dos/as agricultores/as da região e contra as ações dos grileiros no Estado, incomodou os grandes proprietários de terra e sofreu a penalidade máxima por trabalhar junto aos menos favorecidos e em defesa da floresta Amazônica.
Quase sete anos após sua partida, os frutos de seu trabalho continuam a germinar. De acordo com Dinailson Benassuly, coordenador do Comitê Dorothy, o trabalho que era feito pela missionária continua sendo realizado pelas irmãs da Congregação das Irmãs de Notre Dame e tem dado resultado.
"O trabalho continua a ser realizado e está gerando bons frutos. Os agricultores estão progredindo, muitos já estão construindo suas casas e cuidando dos cultivos de cacau nos PDS [Projetos de Desenvolvimento Sustentáveis] Virola e Esperança, que no futuro vão ser bem grandes. Estamos jogando as sementes para que surjam novas pessoas dispostas a lutar”, revela.
Dinailson afirmou que irmã Dorothy continua presente no coração das pessoas que a conheciam, conviviam e admiravam. "A memória dela ainda é muito viva”, disse.
Para relembrar sua vida e trabalho, no dia em que se completam sete anos de sua morte, diversas atividades serão realizadas. Em Belém (PA), será realizado, um ato político, cultural e interreligioso na Praça da República, a partir da 9h. Em Anapu, acontecerão atividades em São Rafael, onde o corpo de Dorothy foi sepultado. Durante a manhã e a tarde acontecerão atividades com agricultores/as e entidades parceiras. Já em Fortaleza, Ceará, região Nordeste do Brasil, uma missa será rezada às 18h do domingo (12), na Paróquia de Santo Afonso (Igreja Redonda).
De acordo com Dinailson, nas atividades realizadas no Pará, haverá espaço para debates sobre temas ambientais como a hidrelétrica de Belo Monte, planejada para ser construída no Rio Xingu. Dorothy também militava contra a construção do mega-projeto, que, segundo o coordenador do Comitê, só trará problemas para a população do Estado.
Entenda o caso
Irmã Dorothy era uma missionária norte-americana que atuava com projetos de reflorestamento e proteção à floresta Amazônica. Também trabalhava junto aos agricultores/as e lutava pela redução dos conflitos fundiários, muito comuns nesta parte do Brasil. Em 12 de fevereiro de 2005, após receber várias ameaças de morte em decorrência de seus trabalhos, a missionária foi assassinada com seis tiros, em Anapu.
Sete anos depois, os julgamentos ainda não chegaram ao fim, mas os culpados já estão pagando suas penas. Regivaldo Pereira Galvão, um dos principais envolvidos, apontado como mandante, teve, nesta semana, o pedido de liminar para ser posto em liberdade negado. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), na pessoa do relator do caso, o desembargador Adilson Vieira Macabu, considerou não haver elementos que justificassem a libertação do réu antes da análise do mérito do habeas corpus que sua defesa impetrou no STJ.
Regivaldo foi condenado a 30 anos de reclusão. O Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), após rejeitar a apelação da defesa, decretou a prisão cautelar do acusado, apesar de o advogado de Regivaldo assegurar que não havia risco de fuga.
Esta semana que passou o ABC! esteve meio "pesado" alguns dias. Eu senti necessidade de compartilhar com vocês as violências que sofro, desferidas por uma psicopata estelionatária e seus cúmplices em conluio com agentes públicos do bairro em que vivo. Eu me policio, mas infelizmente nem sempre é possível tratar disso sem usar uma linguagem baixa como estes seres sombrios e malignos. Como falar de crimes e criminosos usando uma linguagem refinada?
Aí eu procuro nos finais de semana "compensar" a mim e a meus leitores, escrevendo sobre coisas elevadas, Vida Infinita, como disse ontem, trazendo um pouco de Beleza, Suavidade e Encantamento aos leitores deste bravo blog.
Na web vocês encontrarão muita informação qualificada e científica sobre o fenômeno da Aurora Boreal, um verdadeiro show de luzes que acontece nos pólos (há também Aurora Austral) por ocasião das tempestades solares. A NASA vem divulgando fotos e vídeos das imagens captadas pela Estação Espacial Internacional (ISS) no final de janeiro. Vejam aqui.
Meu irmão Geraldo, falecido em 2005, foi a maior vítima deste Ser das Trevas de que falei no início do post. Ele gostava muito de música, principalmente de "Carruagens de Fogo", do Vangelis. Para ele, que era uma pessoa do Bem e que deve estar na Luz depois de três décadas e meia de espoliação, e pra vocês todos, meus amigos e leitores, ofereço esta música belíssima e imagens deslumbrantes.