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domingo, 13 de janeiro de 2013

O drama do ativista Cesare Battisti


Injustiçado até no Supremo Tribunal Federal, o ativista político italiano Cesare Battisti hoje goza de liberdade, após 4 anos de ilegal encarceramento no presídio da Papuda, em Brasília.

Carlos Lungarzo, pesquisador, ex-professor universitário e ativista da Anistia Internacional nos conta em livro a saga de Battisti, ferozmente perseguido na Itália e no Brasil.

"Lungarzo descreve o drama de Battisti em três atos: 1) o cenário de repressão e terrorismo da Itália – a verdadeira razão para a perseguição; 2) o segundo julgamento de Milão, o réu condenado ausente, defendido mediante procurações falsas de advogados desconhecidos, tempo em que os verdadeiros autores dos assassinatos de que foi acusado já estavam presos e condenados; 3) o julgamento no Supremo Tribunal Federal, no Brasil."



Battisti, a quem possa interessar 

Resenha do livro de Carlos Lungarzo

Apóllo Nátali*


O ódio coletivo e a perseguição obstinada sustentados a partir da Itália durante 32 anos contra o ex-ativista da esquerda Cesare Battisti se transformaram no que o psicólogo alemão Wilhelm Reich (1897-1957) chamou de “praga emocional”, termo que assume conotação terrificante na definição do real espírito da humanidade quando escrito em outro idioma: Emotionale Pest. Battisti foi alvo de uma “lei da ralé”, linchadora. Essa lei é “a mais violenta expressão de uma opinião pública insana, e mostra que a sociedade está podre até a medula”, no dizer de Timothy Thomas Fortune (1856-1928), jornalista afro-americano, militante antirracista e líder dos direitos civis. Assim amplamente nos fala Carlos Lungarzo, em sua via crucis para explicar a maré de linchamentos sofridos pelo italiano escritor, em “Os cenários ocultos do caso Battisti”, da Geração Editorial.
Constrangedora para os perseguidores principais de Battisti (o estado italiano) e os secundários (o resto do mundo) é a definição da Emotionale Pest: “Um estado de alienação que favorece o surto maciço de rancores, orientados por objetivos como racismo, imperialismo, genocídio, homofobia, misoginia e outros. Esses estados são deflagrados por deficiências psicossociais, especialmente (vejam só!) na vida sexual. Misoginia, para quem falta tempo para abrir o dicionário, significa aversão mórbida dos homens às relações sexuais, desprezo pelas mulheres. É com essa estrutura pessoal, impotente, que o torturador empala suas vítimas.
Lungarzo descreve o drama de Battisti em três atos: 1) o cenário de repressão e terrorismo da Itália – a verdadeira razão para a perseguição; 2) o segundo julgamento de Milão, o réu condenado ausente, defendido mediante procurações falsas de advogados desconhecidos, tempo em que os verdadeiros autores dos assassinatos de que foi acusado já estavam presos e condenados; 3) o julgamento no Supremo Tribunal Federal, no Brasil.
No seu primeiro antigo julgamento havia sido condenado por delitos políticos, sem acusação de mortes. Na ocasião fugiu da prisão, viveu no México, depois na França, onde o presidente Chirac derrubou o refúgio concedido por Mitterrand. Da França fugiu para o Brasil, onde ficou preso ilegalmente durante 4 anos, linchado pelo Supremo Tribunal Federal e finalmente obteve o asilo no último dia do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Este reduzido espaço é insuficiente para fazer as honras ao trabalho em três atos e quatro anos de pesquisa de Lungarzo. Ele foi integrado pelo ex-preso político Celso Lungaretti em 2008 ao círculo solidário solidificado no mundo contra a extradição de Battisti pelo Brasil. Destaca-se nesse círculo a escritora francesa e antropóloga Fred Vargas, que em defesa do asilo expôs ao mundo em powerpoint os papéis falsificados pelos tribunais italianos. Aprendeu a falar português durante mais de 20 viagens de Paris a Brasília em sua maratona humanitária. Há que se dispor de espaço para honrar o inteiro teor do trabalho de Carlos Lungarzo, a credibilidade desse argentino que vive no Brasil e que sofreu semelhantes perseguições durante as ditaduras do Cone Sul. Disponho de 10 linhas para isso.
Doutor em Ciências Sociais e Ciências Exatas e pós-doutor na área de sociologia matemática pela McGill University, de Montreal, Canadá, Carlos Lungarzo foi professor titular das Universidades Estaduais de Campinas (UNICAMP) em São Paulo e do Rio de Janeiro (UERJ) além de visitante em universidades de vários países. Foi pesquisador do CNPq do Brasil, entre 1988 e 2004. Escreveu artigos em periódicos especializados e publicou nove livros da sua área. É militante voluntário em organizações de direitos humanos e de organismos internacionais de refugiados há mais de 30 anos. Celso Lungaretti, o baluarte na defesa do asilo de Battisti, quem primeiro alertou Lungarzo para a tragicomédia fascista, escreveu mais de 300 artigos em seu blogue Náufrago da Utopia. Lungarzo, um tanto mais em seus blogues, além de outros dois livros, “Uma breve análise do caso Battisti”, 53 páginas e um primeiro “Os cenários invisíveis do caso Battisti”, 115 páginas.
Vamos ao resumo dos três atos das pesquisas de Lungarzo sobre a perseguição insana a Cesare Battisti, lembrando a impossibilidade de narrar em pormenores nestas poucas linhas a descrição dos personagens que assumiram a perseguição e os sombrios cenários em que atuaram, por último os cenários do Supremo Tribunal Federal. Senhores alienados, mal intencionados, os acometidos pela Emotionale Pest, melhor ainda, os bem intencionados deste mundo, os estudiosos sinceros das chagas da humanidade, procurem todos a descrição tenebrosa da perseguição e suas circunstâncias históricas na leitura paciente de "Os cenários ocultos do caso Battisti". Sim, Lungarzo é também um historiador.
O primeiro ato, é preciso paciência para digerir, é o cenário de repressão e terrorismo na Itália e no mundo: o terrorismo de estado a varrer o comunismo do planeta, que uniu a OTAN e a CIA aos fascistas, aos militares e às sociedades secretas na Itália; o cenário equivalente na América Latina: a sobrevivência da ditadura brasileira no judiciário, no exército, na polícia e em grande parte do sistema político e empresarial; o cenário oculto da mídia, bem diferente do seu cenário visível, em ambos os países, Itália e Brasil, e mesmo na França, – a trama íntima da mídia incluiu distorção da verdade, omissão, autocensura, manipulação, sensacionalismo, difamação, desconstrução pessoal; o cenário teológico brasileiro, que é contraditório. Enquanto um pequeno grupo de católicos progressistas e alguns padres e monges marginalizados pela Igreja apoiam a causa do perseguido, a maioria dos fiéis e todo o aparato eclesial põem discretamente, com sua habitual modéstia, combustível na fogueira; o cenário da direita “legal”, especialmente no Brasil. Racistas, neoliberais, fazendeiros, jagunços, comunicadores, empresários, financistas empolgam-se com a esperança de um golpe contra o governo Lula e um mega banho de sangue maior ainda que o cotidiano massacre de populares. “Fracassei totalmente ao tentar indagar o cenário oculto das finanças. Nem os eficientes pesquisadores britânicos e franceses puderam me ajudar. Ele estava realmente oculto, com seus acessos fechados a sete chaves.”
O segundo ato é o segundo julgamento de Battisti em Milão, ele ausente, fugitivo pelo planeta, defendido por advogados munidos de representações falsificadas mediante o recurso do decalque de assinaturas antigas do perseguido. Neste ponto da caçada internacional, a família de Battisti é sequestrada e torturada. As procurações apócrifas estão denunciadas e comprovadas nas páginas 211 a 216 do livro de Lungarzo. A quem possa interessar. Quem lê vale mais. Em julgamentos montados pelos alucinados artífices fascistas da magistratura italiana, Battisti foi condenado duas vezes a prisão perpétua.
O terceiro ato é o linchamento de Battisti pelo Supremo Tribunal Federal, no Brasil, que o manteve preso ilegalmente durante 4 anos, aprovou a extradição e engoliu o seu cala boca por parte do governante a quem, pela lei brasileira de asilo, competia a decisão, o presidente Lula. Os sinceros que não fogem à procura da luz nestes episódios, procurem as páginas de 303 a 316, onde o assunto é dividido nos seguintes títulos sobre a perseguição do STF a Battisti: o pretoriano chefe, o inquisidor mestre, o círculo do mestre, a voz do amo, a preparação do julgamento, o processo inquisitorial, a anulação do refúgio, votando a extradição, quem decide extraditar.
Os quatro homicídios imputados falsamente a Battisti, num cenário de resistência ao terrorismo da direita, tempo em que os verdadeiros culpados já estavam julgados e presos, são o do carcereiro da prisão de Udine Antonio Santoro, o do açougueiro Lino Sabbadin, o do ourives Perluigi Torregiani e o do motorista da polícia Andréa Campagna. O primeiro, Santoro, era conhecido entre os internados de Udine e seus familiares como massacrador de detentos de longa data, sendo denunciado em vários documentos como organizador de tormentos e violador dos direitos dos presos. Sabbadin era filiado ao MSI, Movimento Socialista Italiano, o mais tradicional grupo neofacista italiano, que matava ladrões e outros marginais. Torregiani andava ostensiva e fortemente armado por Milão, e procurava confronto com os seus alvos como pretexto para matar. Exibia em sua loja uma foto do cadáver de uma de suas vítimas. O motorista da polícia Andréa Campagna era acusado de torturar presos. O mais conhecido entre os quatro mortos era o ourives Torregiani, com influência econômica e política, proximidade com a mídia, membro de um grande grupo parapolicial chamado Maggioranza Silenciosa (Maioria Silenciosa).
Battisti era contra a violência e por esse motivo foi expulso do seu grupo, acusado de traição. Um dos trechos de um julgamento de 1983 o menciona como ideólogo contra o sistema prisional, o que coincide com a crença de que os carcereiros o odiavam especialmente por ter denunciado as torturas aplicadas em Udine. Outro trecho se refere ao seu temperamento digno, pois havia sido expulso da sala de audiências por desacato verbal aos magistrados e sua negativa a se curvar ao ritual de reverência. Ambos os trechos do julgamento confirmam conjectura de Lungarzo de que a atitude de Battisti enraivecia seus algozes, que pensavam nele com especial animosidade, avivando a fúria de perseguição, o que não se percebe com nenhum dos outros réus. Pessoas com esse perfil irredutível são as que a primitiva Inquisição chamava de hereges penitentes relapsos. A esquerda combatia o fascismo com ações e não apenas com palavras e foi apoiada pela população marginalizada.
De brinde, o livro de Carlos Lungarzo termina com uma entrevista de Cesare Battisti, feita depois da conclusão do seu trabalho para não sofrer qualquer intromissão nas suas verdades pesquisadas. A quem possa interessar.

* Jornalista e escritor, é colaborador também em blogs progressistas.

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sábado, 12 de janeiro de 2013

Mulheres Canalhas, Mulheres no Crime



"Toda família tem uma canalha", afirma a jornalista Martha Mendonça, autora do livro Canalha, substantivo feminino, onde desvenda as canalhices do universo feminino.

Há famílias mais desafortunadas, que abrigam duas ou mais canalhas... Já imaginaram o drama?

Além da canalha-mor, cruel e cafajeste, na mesma família se encontrar uma outra, uma espécie de "canalha aprendiz", igualmente nociva e nefasta, com muitos traços da canalha original?! E tendo muitas vezes a canalha original como mestra?!

Eu conheço pelo menos duas canalhas na mesma família. Ambas predadoras, frias, calculistas, "alpinistas sociais", que usaram o casamento para "subir na vida", exibir casa nova, vestir roupas de grife, desfilar de nariz empinado dirigindo seus carros de luxo... Mas no caso em questão a "canalha-mor" é imbatível nas suas patifarias. Não tem pra ninguém. E não soube respeitar limites, descambando para o crime.


Essas mulheres canalhas, muitas delas psicopatas (insanidade moral), são adeptas do lema "Compro, logo existo". Muita vocação para a riqueza e nenhuma para o trabalho. Em geral sobem na vida "escalando calças masculinas", dando golpes, lesando por vezes uma família inteira, e vão adquirindo um ar de superioridade em relação ao resto da humanidade. Elas acham que podem tudo. Elas "chegaram lá", "venceram na vida". Não importa em quem "pisotearam".

                                         "Viúva Negra", "171" procurada pela Interpol.

Em seu livro, a "especialista em canalhas" Martha Mendonça narra seis estórias tendo por protagonistas mulheres de natureza amoral, trapaceiras, que se fazem de vítima, usam e abusam da chantagem emocional, mentem descaradamente para subjugar maridos, gerenciar amantes, fazer filho fora do casamento, manipular tudo e todos, auferir patrimônio, exibir seus podres poderes e até destruir suas vítimas, quando já nada têm para lhes oferecer.

A contragosto, eu também estou desenvolvendo uma certa "expertise em canalhas". Os crimes das que conheço devem render pelo menos mais um livro para alertar os incautos.

Abaixo reproduzo artigo sobre o livro das canalhas. Leia e aprenda a se proteger destas pestes. Aviso que não é fácil. Elas são exímias profissionais da empulhação e muitas vezes da criminalidade.


Foto: Divulgação 

Mulheres canalhas

Elas são muito piores que os cafajestes

Bem ou mal, eu sempre acreditei que homens e mulheres são essencialmente semelhantes. Ao contrário da longa tradição conservadora, que, desde a Bíblia, imputa às mulheres pensamento e sentimentos opostos aos dos homens, eu sempre defendi, de forma totalmente intuitiva, que, afora a biologia, as diferenças entre homens e mulheres são apenas culturais – nada que uma geração ou duas de igualdade não fosse capaz de varrer da face da Terra.

Por pensar assim, eu me surpreendo profundamente com as sugestões de diferenças inconciliáveis entre sexos, sobretudo quando apresentadas pelas próprias mulheres – como acontece no livro Canalha, substantivo feminino, escrito pela minha colega Martha Mendonça, a gentil, ferina e bem-humorada repórter da sucursal do Rio de Janeiro de ÉPOCA.

Publicado pela Editora Record, o livro reúne contos sobre mulheres que fazem os cafajestes masculinos parecerem coroinhas. Cada uma dessas histórias é um pequeno compêndio de maldades – maldades que, pela forma e pelo conteúdo, parecem intrinsecamente femininas, ainda que muitas delas não sejam exclusivas das mulheres.

Há uma estagiária de 20 anos, Larissa, que seduz o chefe quarentão até levá-lo a um estado de loucura, pelo prazer egoísta de testar o próprio poder. Há uma loira sensual, Ingrid, que sobe na vida sem trabalhar usando os homens friamente, como degraus da sua escalada social. Há uma arquiteta de 30 anos, Mariana, que arrasta o marido da antiga rival de colégio para um motel apenas pelo gosto de humilhar a beldade envelhecida.

Todas essas histórias têm em comum uma perversidade que eu não vejo no universo masculino. Os homens fazem coisas torpes, mas, tanto quanto eu percebo, agem na vida privada movidos pela paixão dos sentimentos. Seus atos, vistos de fora, são impulsivos e primitivos, de tão óbvios.

Em oposição, as mulheres de Martha são racionais, calculistas, oblíquas como o olhar de Capitu. A mãe seduz o namorado da filha para sentir-se jovem e desejada. Sem hesitação e sem remorsos. A noiva entrega-se a todos os homens, menos ao seu prometido, por quem sente um mal disfarçado desprezo. A mulher planeja e leva a cabo o assassinato do marido por lento e penoso envenenamento.

De onde vem isso? Em primeiro lugar vem da Martha. Como boa carioca, ela parece ter bebido nas águas turvas do Nelson Rodrigues, o grande sintetizador do universo imoral brasileiro. As personagens de Martha são pecadoras de classe média baixa, criaturas infames do repertório da família degradada que o autor de Vestido de Noiva e Beijo no Asfalto reconheceria instantaneamente.

Mas há nelas também, como apontou uma amiga, um toque atemporal de Lolita – a adolescente sensual do livro de Vladimir Nabokov, capaz de manipular o desejo de um homem adulto até reduzi-lo ao estado (ainda servil) de trapo. Como Lolita, as mulheres de Martha são exímias manipuladoras, que usam o corpo delas e a imaginação dos homens como armas.

Os homens, tanto quanto eu percebo, são incapazes de operar nesse universo de sutilezas, por uma razão essencial: não é fácil manipular o desejo das mulheres.

Homens são facilmente controláveis pelo zíper. Não é preciso ser uma beldade para fazer isso. Basta ser sensual e gostar de sentir-se assim. E ter em si um grama de maldade. O roteiro é velho e batido: quando o sujeito quer, a moça não quer. Queria ontem, mas hoje não tem certeza. Aproxima-se, mas, depois, muda de ideia e se afasta. Enquanto isso, mantém o corpo desejado a uma distância impossível de ignorar, mas difícil de tocar. É fácil e simples.

Quantos homens vocês conhecem que são capazes de manter uma mulher na rédea com esse tipo de ardil? Eu não conheço nenhum. Nas únicas situações em que vi esse tipo de coisa acontecendo, a mulher estava completamente apaixonada. Mulheres apaixonadas parecem perder o controle. Homens perdem o controle por luxúria, por lascívia, por desejo, por tesão – sentimentos muito mais corriqueiros neste mundo de meu deus. A gente vê isso acontecendo todos os dias.

Outra coisa que distingue as mulheres da Martha dos homens reais é que elas operam numa esfera que eu chamaria de contra-poder.

Os homens têm o dinheiro, o prestígio social e o comando, nas empresas e no mundo. As mulheres têm aspirações. Contra o óbvio poder social dos homens, elas lançam mão de estratagemas e subterfúgios, atalhos que, nos enredos de Martha, passam quase invariavelmente pelo sexo. Mesmo a quarentona gostosa que seduz o namorado adolescente da filha está marcando um tento contra o poder masculino – aquele que escolhe favorecer o corpo da mulher jovem em detrimento da mulher mais velha. Há sempre uma ponta de afirmação no poder paralelo das mulheres canalhas.

Ao terminar o livro, que li de uma vez só, encantado, tive várias sensações.

A primeira foi de alívio. Aos 50 anos, eu ainda não encontrei uma das mulheres más que Martha descreve. Já vi algumas inebriadas com o seu poder de seduzir e outras que ensaiaram subir na vida escalando as calças masculinas, mas eram amadoras.

A segunda sensação com que o livro me deixou remete ao começo deste texto: mulheres, afinal, talvez sejam diferentes de nós, homens. O mundo do poder masculino criou tipos dominantes que são agressivos e toscos em seus métodos. Óbvios, enfim. O universo da submissão feminina inventou mulheres sutis e ardilosas, bem mais difíceis de mapear e entender.

Essas não são diferenças no interior do cérebro ou da alma, porém. São diferenças sociais que, de tão velhas, passaram a fazer parte de nós – até que sejam varridas da face da Terra por uma ou duas gerações criadas em igualdade.

Revista Época


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O "apagão jornalístico" e o golpe em andamento


Eles não erram. Eles são mal-intencionados. E não produzem jornalismo, mas ativismo político-partidário.

"Eles" são os veículos da dita "grande imprensa": Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, Veja... que constituem o que alguns chamam de "PIG" (porco, em inglês): Partido da Imprensa Golpista. E também o Jornal Nacional, claro, e coisas do gênero.

"Eles", proclamando isenção, têm lado. Sempre tiveram. E não é o lado do Povo Brasileiro.

Desinformar para confundir, tumultuar, dividir, dominar.

"Eles" são porta-vozes históricos das "elites podres" de que falou a ministra Eliana Calmon, classes privilegiadas, gente mesquinha, ignorante, apátrida, que não aceita o Brasil sob o comando de governos trabalhistas, populares, cujas políticas contemplam sobretudo os mais frágeis. 

"Eles", as forças do atraso, do retrocesso, do golpismo, já estão em campanha para 2014. Ou antes. Não se enganem: os setores retrógrados, elitistas e patrimonialistas do Judiciário (e STF) estão com "eles", no embate contra Lula, Dilma e todas as forças progressistas, que querem um Brasil para todos.




A semana dos grandes erros na grande imprensa



Primeiro, a Folha noticiou uma reunião de emergência sobre o setor elétrico, que era rotineira. O Estadão, em letras garrafais, anunciou que o Ministério Público investigaria o ex-presidente Lula. E o Globo avisou que empresários já estariam fazendo seu próprio racionamento. Três exemplos "wishful thinking", em que a vontade política dos editores se impõe à objetividade dos fatos. Se isso não bastasse, Veja também derrapou feio ao anunciar uma megafusão bancária que não houve

247 - Wishful thinking. A expressão inglesa é a melhor tradução para o comportamento dos grandes jornais brasileiros na semana que passou e expressa um dos principais erros do pensamento, que é o de transformar desejos em realidade. Em vez de narrar os fatos como eles são, a história é contada como gostaríamos (ou gostariam) que fosse.

Entre pessoas comuns, o erro é perdoado. Mas quando se trata de grandes jornais, que têm o dever da objetividade, a questão se complica. A semana que passou, para a grande imprensa, foi também a semana dos grandes erros. Não pequenos deslizes, mas erros colossais, que, em alguns casos, foram escritos em letras garrafais – fugindo até ao padrão gráfico das publicações.

O jogo dos erros começou com a Folha de S. Paulo, dos Frias, que, na segunda-feira, anunciou: "Escassez de luz faz Dilma convocar o setor elétrico". No subtítulo, a mensagem de que, na "reunião de emergência", seriam discutidas medidas contra o racionamento, sob a imagem de uma vela acesa na escuridão. Este era o desejo – o wishful thinking. A realidade, no entanto, é que a reunião não era emergencial nem haverá racionamento.

No dia seguinte, foi a vez do Estadão, principal concorrente da Folha, que não ficou atrás. O sonho da família Mesquita, que controla o jornal, talvez seja ver o ex-presidente Lula atrás das grades. E a manchete "MPF vai investigar Lula" veio em negrito e letras gigantes como se anunciasse que a Alemanha nazista foi derrotada pelos aliados. Mais um exemplo de wishful thinking. No mesmo dia, a "informação" foi negada pelo procurador-geral Roberto Gurgel.

O Globo, dos Marinho, naturalmente, não poderia ficar de fora da festa e anunciou que grandes grupos empresariais já planejam racionar energia. Outra demonstração de um desejo – na quinta-feira, após uma reunião com a presidente Dilma, os principais empresários do País deram demonstrações públicas de que não estão trabalhando com a hipótese de apagão.

Se tudo isso não bastasse, houve também a barriga de Veja Online, que, também nesta semana, anunciou a fusão entre Bradesco e Santander. Neste caso, não era wishful thinking. Apenas um erro de informação e os jornalistas responsáveis foram demitidos.

De todo modo, a semana foi exemplar ao escancarar os riscos que se corre quando a vontade política dos editores se sobrepõe à objetividade dos fatos.

PS: até agora, apenas a Folha admitiu o erro, ainda que em letras miúdas.


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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Promotor não é Engavetador e MP não é Arquivo...


Promotor de Justiça existe para Promover Justiça. Logo, Promotor de Justiça não deveria ser Promotor de Injustiça.

Promotor não é Engavetador e Ministério Público não é Arquivo de Denúncias.

Ministério Público é Fiscal da Lei, Defensor da Cidadania e da Sociedade.




Conheça o trabalho do Ministério Público e do Promotor de Justiça clicando aqui.

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Venezuela: sem Chávez, com Chávez


Milhares de cidadãos foram ontem às ruas em várias cidades da Venezuela, para defender a Revolução Bolivariana e promover a "posse simbólica" do presidente Hugo Chávez, que se encontra internado em Cuba para tratamento de um câncer.

Todos Somos Chávez!

                                                                                                                                        Foto: AP


Dezenas de milhares marcam posse simbólica de Chávez nas ruas de Caracas


Reunida do lado de fora do Palácio Miraflores, multidão gritou "Todos somos Chávez", no que pode ser o primeiro capítulo de movimento chavista sem a presença do líder venezuelano

Nada até agora havia mostrado de forma tão clara quanto Hugo Chávez se agarra ao poder quanto sua ausência em sua própria cerimônia de posse nesta quinta-feira. A Venezuela reuniu aliados do exterior e dezenas de milhares de partidários para celebrar o início do quarto mandato do presidente venezuelano, que está muito doente em Cuba para poder voltar para casa e fazer o juramento ao cargo.


Partidário do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, segura 
faixa com seu retrato durante manifestação em Caracas  AP

De muitas formas, pareceu o tipo de comício que o líder protagonizou várias vezes durante seus 14 anos no poder. A face do presidente apareceu em camisetas, placas e faixas. Partidários fervorosos dançaram e cantaram as músicas que saíam de caixas de som posicionadas em caminhões. Quase todos vestiram vermelho, a cor do movimento da Revolução Bolivariana.

Mas, dessa vez, não havia nenhum Chávez no balcão no Palácio de Miraflores.

Essa foi a primeira vez na história da Venezuela que um presidente perdeu sua posse, disse o historiador Elias Pino Iturrieta. Em relação à simbólica manifestação de rua, Pino afirmou: "Talvez esse seja o primeiro capítulo do que eles chamam de Chavismo sem Chávez."

Apesar disso, muitos na multidão do lado de fora do palácio presidencial insistiram que Chávez ainda estava presente em seus corações, testemunhando seu sucesso em forjar um forte senso de identidade com milhões de venezuelanos pobres.

A multidão gritou: "Todos somos Chávez!" Alguns usaram recortes de papel da amarela, azul e vermelha faixa presidencial para mostrar que simbolicamente assumiam o cargo eles mesmos, no lugar de Chávez.

"Um período histórico desta segunda década do século 21 está começando, com nosso comandante na liderança", disse o vice-presidente Nicolás Maduro , apontado por Chávez como seu sucessor.

O líder venezuelano, normalmente no centro da atenção nacional, está tão doente depois de sua quarta cirurgia relativa a um câncer que não fez nenhuma declaração televisiva em mais de um mês e não apareceu em uma única foto. Autoridades não especificaram que tipo de câncer ele tem ou em qual hospital é tratado.

Ainda assim, a oposição, que se recupera de duas derrotas eleitorais, parece impotente para efetivamente desafiá-lo, e críticos veem sua impotência na batalha sobre a posse como um exemplo de quanto o presidente pode ignorar a Constituição.

Apesar das alegações da oposição de que a Constituição exige uma posse em 10 de janeiro, a Assembleia Nacional chavista prorrogou a cerimônia, e a Suprema Corte endossou essa decisão na quarta, dizendo que ele poderia assumir o quarto mandato perante essa corte em uma outra data.

A parlamentar opositora Maria Corina Machado classificou essas medidas de "um golpe bem planejado contra a Constituição venezuelana" e ecoou as suspeitas de outros críticos de que aliados estrangeiros estão influenciando eventos no país: "Isso tem sido dirigido de Cuba, por cubanos", disse.


Pôster do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anexado 
à imagem de Jesus, é visto durante manifestação do lado 
de fora do Palácio de Miraflores em Caracas   Reuters

Líderes da oposição convocaram protestos para 23 de janeiro, o aniversário da última ditadura do país em 1958. Mas não está claro quanto apoio as reclamações da oposição podem atrair em meio a um jorro de simpatia pública pelo líder doente, e com vizinhos latino-americanos apoiando a posição do governo ou relutantes em se intrometer nas questões domésticas do país.

O governo convidou líderes estrangeiros para acrescentar um peso político ao evento desta quinta. Os presidentes do Uruguai, Jose Mujica, da Bolívia, Evo Morales, e da Nicarágua, Daniel Ortega, compareceram.

Muitos disseram que mantinham a esperança de que o presidente possa voltar eventualmente vivo para a Venezuela, embora reconheçam que parece que ele enfrenta uma batalha difícil. "Viemos para mostrar apoio, para que ele saiba que sua nação está com ele", disse Anny Marquez, uma secretária e voluntária de uma milícia civil que Chávez montou em anos recentes. "Estamos com ele nos momentos bons ou ruins."

Mas enquanto alguns projetaram a confiança na resiliência do movimento socialista, alguns reconheceram a possibilidade de mudanças futuras. "Infelizmente Chávez não pode estar conosco hoje", disse o professor Marcelo Villegas. "Mas nós, o povo, representamos Chávez. Ele é e sempre será nosso líder."

Portal IG, com adaptações


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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Apagão Jornalístico: a velha mídia em estado terminal


O que eles produzem não é jornalismo. Faltam verdade, fidedignidade, objetividade. E sobra leviandade. Eles só se sustentam graças ao aparato corporativo. E aos interesses inconfessáveis a que servem.

O que promovem é desinformação. Ativismo político, como disse alguém. 

O governo da presidenta Dilma precisa se dar conta de que Mídia é Quarto Poder. Não dá pra brincar com isso. Eles são profissionais e estão jogando pesado no tumulto, na desestabilização. Estão em estado terminal, acreditamos. Mas ainda podem fazer muitos estragos.

A mídia digital, emancipadora, planetária, feita por todos nós, aos poucos irá ocupando espaços. Caminho sem volta.

Comunicação Cidadã.


                                        O Apagão Jornalístico da Cantanhede e colegas.


O desafio da comunicação pública

Luis Nassif

Coluna Econômica

Em qualquer grande organização privada, a comunicação pública é peça central. Não apenas para combater momentos de crise como para orientar públicos interno e externo, consumidores, funcionários e acionistas sobre objetivos, filosofia da empresa, estratégias etc.

Por isso mesmo, é impressionante o desaparelhamento do setor público brasileiro, em todos os níveis, em relação a esse tema, ainda mais nesses tempos de Internet, redes sociais e notícias online.

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Há duas características fatais no jornalismo:

1. A tendência histórica de escandalização de cada tema. Mesmo quando as informações são verdadeiras, basta forçar um enfoque - especialmente nos temas mais técnicos - para desvirtuar totalmente seu sentido.

2. Com as redes sociais, há o fenômeno da expansão viral das notícias, que tende a crescer exponencialmente.

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Por tudo isso, o monitoramento diuturno das redes sociais - e a pronta resposta às notícias ali disseminadas - faz parte da estratégia de toda grande organização.

O caso Speedy-Telefonica foi um divisor de águas. As reclamações começaram nas redes sociais, ganharam o Twitter e criaram uma avalanche, antes de chegar aos jornais, pegando a empresa no contrapé.

Hoje em dia, toda grande empresa tem uma assessoria monitorando tudo o que sai sobre ela na rede, classificando as notícias como positivas, negativas ou neutras, gerando gráficos em tempo real para identificar as negativas e atuando decididamente sobre notas potencialmente críticas.

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Tenho dois exemplos:

1. Meses atrás soltei um Twitter reclamando da lentidão de minha linha de banda larga. Imediatamente fui contatado por um representante da empresa querendo saber o que estava acontecendo e dispondo-se a corrigir o problema.

2. No meu Blog há uma nota antiga sobre as dificuldades de se romper o contrato com determinada companhia de TV por assinatura. A cada três dias alguém tenta colocar um comentário novo em uma nota antiga. Certamente faz parte da estratégia da empresa concorrente.

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E o que não dizer das organizações públicas, mais amplas, complexas e desorganizadas do que qualquer organização privada?

Tomem-se episódios recentes.

Uma matéria da Folha sustentando que houve uma convocação extraordinária do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, tendo em vista o risco de apagão. Uma comunicação profissional logo de manhã soltaria uma nota para todos os sites e blogs noticiosos explicando que a reunião estava marcada há meses. Mataria o boato no nascedouro. Permitiu-se prosperar durante todo o dia.

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Hoje em dia, o jogo não comporta mais amadorismo e passa pelas seguintes etapas:

1. Em organizações complexas (como as públicas) há a necessidade de assessorias descentralizadas mas obedecendo a uma orientação única.

2. Cabe à coordenação central utilizar ferramentas para monitoramento contínuo das notícias, identificação dos pontos críticos, montagem de estratégias de comunicação para temas mais polêmicos.

3. Há que se ter treinamento, padronização de respostas, compromisso com a objetividade e a veracidade dos dados, indicadores de eficácia.

Nesses períodos de transformação profunda, a comunicação é essencial. E não dá mais para se limitar a marcar audiência com a respectiva autoridade.


Luis Nassif Online

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Blogueira Paulistana: mais vigiada que a Blogueira Cubana


Como muitos de vocês sabem, Yoani Sánchez, a mundialmente famosa blogueira cubana, crítica do regime implantado em Cuba por Fidel Castro, mantém um blog onde relata sua vida e dia a dia em Havana. Yoani já foi detida algumas vezes, dizem que recebe dinheiro dos EUA para escrever contra os irmãos Castro, mas não consta que tenha sua vida particular devassada por câmeras. Yoani, que vive num país comunista e se coloca claramente como inimiga do regime, não é vítima de violação de privacidade como esta blogueira paulistana que vos escreve aqui.

Há mais de um ano, venho sendo monitorada 24 horas por dia por câmeras instaladas na casa ao lado. Minhas movimentações, entradas e saídas de casa, a pé e de carro, visitas que eventualmente receba... tudo é bisbilhotado e controlado pelas câmeras instaladas na casa ao lado, no alto, ilícito denunciado e até o momento ignorado.

Por que existe tanto interesse em vigiar minha vida? Por que existe interesse em saber se estou em casa, se saí, quando saí, com que roupa fui, se voltei, quem me visita... Com que direito bisbilhotam minha vida? 

Diante da inércia das autoridades devidamente informadas deste e de outros ilícitos, não me restou alternativa a não ser expor publicamente tais fatos e as violências que venho sofrendo.

A Constituição da República protege a PRIVACIDADE das pessoas. 

VIOLAÇÃO DE PRIVACIDADE é VIOLÊNCIA, DELITO, sancionado por lei.

Agora, vejam algumas imagens das câmeras que vigiam a Blogueira Paulistana. 

E antes que me esqueça: VIVA CUBA !!!





Câmera instalada na coluna amarela (garagem da casa vizinha), 
cobrindo toda a frente e jardim da casa da blogueira (12 metros). 
Foto feita da garagem da casa da blogueira. 


Câmera instalada na entrada da casa vizinha, 
cobrindo o jardim e o portão de entrada da casa da blogueira.


Câmera nos fundos da casa vizinha, cobrindo o quintal 
da casa da blogueira e sua saída pela garagem.


A mesma câmera anterior, vista de outro ângulo. Observem a
posição dela, claramente direcionada para o quintal da blogueira.


Além da câmera da esquerda, há outra, na viga de sustentação 
do telhado de área de serviço da casa vizinha. Ambas
direcionadas à casa da blogueira.

Câmera instalada no alto e nos fundos da casa vizinha, 
cobrindo todo o quintal e os acessos da casa 
da blogueira ao quintal e garagem.


Observem o direcionamento das duas câmeras: claramente 
voltadas para a casa e o quintal da blogueira.



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