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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Dilma dá recado à velha mídia

"Gentileza gera gentileza."

"Pra bom entendedor, um pingo é letra."

Repercutindo ainda a entrevista dada pela presidenta eleita Dilma Rousseff ao jornal americano The Washigton Post, antes de falar a qualquer jornal brasileiro após sua vitória no final de outubro, o Abra a Boca, Cidadão! vê nessa atitude, além de um "tapa com luva de pelica", um recado para essa velha, mofada e esclerosada mídia tupiniquim, defenestrada pela presidenta eleita.

Depois do linchamento moral que sofreu na campanha, o ABC! torcia para que Dilma não se curvasse à Rede Globo e ao Jornal Nacional, que sempre têm tido prioridade nas entrevistas pós-eleições. E se regozijou ao ver a presidenta eleita, dias depois da vitória, conceder sua primeira entrevista exclusiva à TV para duas jornalistas mulheres da Rede Record, deixando às moscas a emissora do Botanic Garden...

Agora, novamente, o ABC! comemora outra atitude sobranceira de Dilma Rousseff, que na entrevista ao Post mostrou também que reconhece e defende os méritos e conquistas do governo Lula, mas tem um perfil autônomo e independente, pensando com a própria cabeça.

O ABC! reproduz abaixo mais um artigo a respeito da entrevista, publicado no Observatório da Imprensa (http://www.observatoriodaimprensa.com.br/).



ENTREVISTA DE DILMA
Ciúmes do Washington Post

Por Luciano Martins Costa em 6/12/2010
Comentário para o programa radiofônico do OI, 6/12/2010
Colunistas de jornais e revistas seguem garimpando semelhanças na composição que a presidente eleita Dilma Rousseff parece estar dando ao seu futuro gabinete em relação a atual governo. A tese que repousa como fundo dos comentários é a da continuidade sem retoques, ou seja, afirma-se explicitamente ou nas entrelinhas que a futura presidente vai reproduzir o governo Lula até mesmo na distribuição de cargos entre os partidos aliados.

Ao mesmo tempo, o noticiário desses mesmos jornais e revistas vai acumulando indícios de que, em variados assuntos, a presidente eleita manifesta não apenas opiniões, mas também atitudes diferentes daquelas que marcaram os dois mandatos de Lula da Silva.

Argumentar contra os fatos é tarefa que exige conhecimento acima do saber comum, e a repetição do bordão de que Dilma é uma criatura do seu antecessor – e, portanto, só pode produzir um governo que seja uma cópia daquele – revela apenas que esses colunistas não dispõem de fontes que os descolem das suposições e dos preconceitos que ainda sobrevivem desde a campanha eleitoral.


Primeira exclusiva

Os jornais do fim de semana reproduzem notícias que, aos poucos, vão mostrando a personalidade política da futura presidente. E ela não poderia ser mais distinta da do atual chefe de governo.

A imprensa nem precisaria esperar pelas manifestações de Dilma Rousseff para mudar de opinião e concluir que ela tem um perfil muito distinto do estilo de seu antecessor: suas biografias são extremamente diferentes e, além disso, ela deve assumir numa circunstância completamente diversa daquela em que Lula chegou ao poder.

Uma entrevista de Dilma Rousseff ao jornal americano The Washington Post, publicada no domingo (5/12), consolida algumas dessas diferenças e marca um novo estilo: a presidente eleita afirma, por exemplo, que não concordou com a decisão do governo Lula, que se absteve de apoiar uma resolução da ONU contra o apedrejamento de mulheres no Irã e que, se já estivesse no governo, teria adotado outra posição.

A declaração, feita na primeira grande entrevista exclusiva para um jornal, parece ter deixado a imprensa brasileira desconfortável, por duas razões: primeiro, porque revela que discordâncias são naturais no regime democrático, mesmo com relação ao patrono de uma carreira política. Segundo, a imprensa brasileira parece ter ficado enciumada porque a primeira entrevista exclusiva foi feita a um jornal estrangeiro.

Depois da lambança que aprontaram durante a campanha eleitoral, os jornalões ainda querem privilégios.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

PIG: Jornalismo ou Futricaria?

No post anterior, o Abra a Boca, Cidadão! se ocupou da entrevista dada pela presidente eleita Dilma Rousseff semana passada ao jornal americano The Washington Post, registrando alguns pontos importantes da fala de Dilma e deixando muito clara sua lealdade a Lula, mas também sua independência e autonomia.

Hoje Folha e Estadão, este em manchete de primeira página, se aproveitando da posição contrária da presidente eleita em relação ao voto do Brasil na resolução da ONU sobre direitos humanos no Irã, manifestada na entrevista ao WP, tentam indispor Lula e Dilma.

O ABC! indaga: dá pra chamar de Jornalismo o que estes veículos fazem? Ou seria meramente a "boa" e velha Futricaria?

Leiam abaixo post esclarecedor publicado no blogue Os Amigos do Presidente Lula (http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/).


segunda-feira, 6 de dezembro de 2010


Estadão e Folha tentam usar Dilma para apedrejar Lula


Em entrevista ao jornal Washington Post, a presidente eleita Dilma Rousseff foi perguntada sobre a política brasileira em relação ao Irã, e malandramente o jornal introduziu na mesma pergunta a questão "Por que o Brasil apoia um país que permite que as pessoas sejam apedrejadas...?"


Dilma não caiu na armadilha, e deixou claro que existe uma diferença. Ela apoia a política brasileira de buscar a construção da paz no Oriente Médio (ou seja, o caminho do diálogo e não da guerra), e não apoia apedrejamento.


É exatamente a mesma posição adotada pelo governo Lula e pelo Itamaraty. Tanto é que o Presidente ofereceu asilo no Brasil para Sakineh Ashtiani (mulher iraniana condenada à morte por apedrejamento).


O repórter estadunidense insistiu no assunto, contestando: "Mas, o Brasil se absteve de votar sobre a recente resolução sobre os direitos humanos da ONU [contra o Irã]".


Dilma respondeu: "Eu não sou a presidente do Brasil [ainda], mas eu me sentiria desconfortável como uma mulher presidente eleita, para não dizer nada contra o apedrejamento. Minha posição não vai mudar quando eu tomar posse. Eu não concordo com a maneira como o Brasil votou. Não é minha posição."


Na resposta seguinte, defendeu o presidente Lula:


"O presidente Lula tem a sua própria história. Ele é um presidente que defendeu os direitos humanos, um presidente que sempre defendeu a construção da paz."


Dilma fez o certo ao reafirmar a posição dela e a posição brasileira, em defesa dos direitos humanos das mulheres, em todos os tratados internacionais.


Mas a imprensa demo-tucana destacou apenas sua frase onde diz "... não concordo com a maneira como o Brasil votou ..." - querendo "apedrejar" Lula, o Brasil e o Itamaraty.


Estadão chegou ao êxtase, ao publicar como principal manchete de capa. A Folha se conteve mais, e fez "apenas" manchete de capa menor.




Se observarmos bem a resposta, Dilma diz que ela não era a presidente do Brasil ainda. Percebe-se que as razões do voto na ONU deveriam ser perguntadas ao presidente Lula, pois foi quem analisou a fundo as razões junto à diplomacia brasileira; e que ela, pessoalmente, é contra o apedrejamento e, a princípio (sem estar na presidência, para ver todos os ângulos da questão), seria a favor de uma resolução como a citada.


Ora, não há de fato nenhuma controvérsia séria entre o que disse Dilma e a política externa do Presidente Lula, ainda que divergências até mesmo internas dentro de governos sejam perfeitamente normais, imagine entre sucessores, em conjunturas e circunstâncias diferentes.


Neste caso específico, nem o próprio Itamaraty, quando se absteve na ONU, ficou satisfeito com seu voto. O Itamaraty votaria contra apedrejamentos, mas em um texto honesto, sem exploração política, sem segundas intenções.


O apedrejamento é legal no Irã, Arábia Saudita, Paquistão, Sudão, Iêmen, Emirados Árabes Unidos e em 12 estados de maioria muçulmana do norte da Nigéria. Um texto discriminando unicamente um país, como o Irã, deixa de ser uma resolução por direitos humanos no âmbito da cooperação entre os povos na ONU, para ser mais um dos instrumentos políticos de preparação para intervenção militar imperialista no Irã. Se mudasse o texto, o Brasil poderia vir a apoiar.


Na época da abstenção, Celso Amorim declarou:


"A resolução não era de apedrejamento. Não havia uma resolução sobre apedrejamento. Houve uma resolução sobre o Irã onde havia a questão do apedrejamento. Claro que a condenamos e já falamos isso muitas vezes e de forma muito mais efetiva que outros países, porque falamos diretamente e temos condições de diálogo com o governo do Irã...


... Obviamente que condenamos o apedrejamento. Mas conseguimos falar com o interlocutor e isso é mais importante para a senhora (Sakineh) que está ameaçada que colocar um diploma na parede e dizer: Veja, aqui está, recebemos o aplauso...


... Há maneiras de atuar. É muito fácil seguir o que quer a imprensa que é dizer ´nós condenamos´, mas sem nenhum efeito prático", disse Amorim.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Dilma: "Não repetirei Lula"

Antes de conceder entrevista a qualquer jornal brasileiro após sua vitória em outubro, a presidente eleita Dilma Rousseff resolveu falar ao jornal americano The Washington Post.

Dilma, que já havia surpreendido ao deixar a Rede Globo e o Jornal Nacional de lado e conceder sua primeira entrevista exclusiva após a eleição à Rede Record/Jornal da Record, mostrou na entrevista ao WP que tem personalidade e fará diferente de Lula, na relação com a mídia e em outros aspectos.

Dilma falou da crise econômica mundial, criticou a política americana de desvalorização do dólar e colocou o Brasil no mesmo patamar dos Estados Unidos, ao sugerir que ambos os países têm um importante trabalho conjunto a desempenhar no mundo.

A presidente eleita fez questão de enfatizar que a posição do Brasil no cenário econômico mundial é muitíssimo diferente da dos Estados Unidos e Europa. "O Brasil não está em depressão", disse ela, afirmando que o governo Lula criou 15 milhões de empregos, tirou 28 milhões de pessoas da pobreza e colocou outras 36 milhões na classe média por meio de políticas de transferência de renda como o Bolsa Família.


"Meus desafios são outros desafios"

Dilma acredita que seu governo será diferente do de Lula, pois avançará a partir de uma base sólida criada por seu antecessor. Porque o Brasil hoje se encontra numa situação muito melhor, ela poderá se dedicar a outros desafios: melhorar a qualidade da saúde e segurança e expandir a infraestrutura no setor de estradas, ferrovias, portos e aeroportos.

Indagada sobre se preparará o Brasil para a Copa do Mundo e Olimpíadas, a presidente eleita lembrou que tem um compromisso muito mais importante: acabar com a pobreza absoluta, tirando 14 milhões de brasileiros da miséria.


"Eu não sou a Presidente do Brasil"


Dilma disse que é surpreendente, mesmo para ela, ser a primeira presidente mulher do Brasil, e acha que chegou a esta posição não por seus méritos, mas porque o País estava preparado para eleger uma mulher, após a administração bem-sucedida, diferente e inovadora do Presidente Lula. "Nós ouvimos as pessoas", afirmou.

E ao ser cobrada sobre a abstenção do Brasil em votação de resolução da ONU que pede o fim das sentenças de apedrejamento no Irã, Dilma lembrou que ainda não é presidente, que o governo Lula sempre defendeu os direitos humanos e a construção da paz, e deixou muito claro que ela considera "medieval" a prática do apedrejamento, que não concorda com a posição do Brasil e não mudará de opinião quando tomar posse.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Lula elogia Imprensa Internacional

Em sua última entrevista a correspondentes estrangeiros que atuam no Brasil, o Presidente Lula ressaltou a cobertura da imprensa internacional ao seu governo, afirmando que as matérias publicadas retratam com fidedignidade os avanços econômicos, políticos e sociais que o Brasil vem conseguindo nos últimos anos. Leia abaixo post do Blog do Planalto sobre os principais pontos da entrevista.


Entrevista a correspondentes estrangeiros: “Imprensa internacional é fiel aos fatos”

Presidente Lula, entre o governador Sérgio Cabral e o ministro Franklin Martins, durante entrevista a correspondentes estrangeiros, no Rio. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Após oito anos, o presidente Lula voltou a conceder uma entrevista a correspondentes estrangeiros que atuam no Brasil, para falar sobre política, economia, esportes, combate à violência e o futuro pós-Presidência. O encontrou foi realizado na manhã desta sexta-feira (3/12) num hotel da zona sul do Rio de Janeiro e o presidente aproveitou para elogiar a cobertura do Brasil feita pelos jornalistas estrangeiros, afirmando que as reportagens publicadas pelos veículos internacionais são bastante fiéis ao que está acontecendo no País atualmente – com bom acompanhamento da evolução política, econômica e social.
Certamente nós não resolvemos todos os problemas brasileiros, mas nós demos passos extraordinários para resolver problemas que pareciam insolúveis, pareciam crônicos e que ninguém iria consertar, nós começamos a consertar. E eu acho que hoje o grau de otimismo, eu acredito que é o mais extraordinário de qualquer país do mundo hoje. Acho que não tem mais ninguém, no mundo, mais otimista que os brasileiros.
Coube à presidente da Associação dos Correspondentes de Imprensa Estrangeira (ACIE), Mery Galanternyck, a primeira questão. Ela perguntou sobre os planos do presidente Lula a partir de 2011, quando deixará a Presidência da República. Lula recordou que durante entrevista concedida a blogueiros, no Palácio do Planalto, utilizou o termo “desencarnar” para explicar que iria se afastar das atividades políticas por uns meses para só depois retomar o trabalho e, deste modo, ajudar a presidente Dilma Rousseff naquilo que for necessário.
Eu já estou sendo convidado para inaugurar obra. Eu não sou mais presidente. Teve um companheiro que falou: “Presidente, embora o senhor não seja presidente, em fevereiro vai inaugurar tal obra, o senhor não quer vir?”. Eu não posso ir. Querer, eu quero, mas eu não posso. Então, por isso que eu utilizei a palavra “desencarnar”. Eu quero me livrar do mandato presidencial para poder voltar a ser o Lula que eu era antes de ser presidente da República. É isso.
Depois, Lula foi indagado por Thomas Mills (ARD), da Alemanha, sobre pontos altos e decepções nos dois mandatos. Lula explicou, então, que não gostaria de ficar respondendo sobre os pontos positivos e os negativos de sua administração. Segundo Lula, após deixar o comando do Brasil “é como se você estivesse colocando água num recipiente para decantar”. E continuou:
Você vai passar por um processo de decantação e você vai se dar conta de coisas importantes que você fez e de coisas importantes que você deixou de fazer. Então, eu acho que nós não conseguimos fazer tudo o que nós queríamos fazer, mas eu acho que nós fizemos mais do que em qualquer outro momento da história deste país. Acho que nós fizemos muito em todas as áreas, muito, muito, muito. Eu, se for comparar com outros governantes, não existe comparação, e eu quero que a Dilma, quando tomar posse, ela comece a comparar o governo dela com o meu e ela faça muito mais, porque aí nós vamos acreditar que é possível cada vez fazer mais e cada vez fazer melhor.
O jornalista Igor Varlamov (agência Itar-Tass), da Rússia, aproveitou o tema do dia e o gosto de Lula pelo futebol. Ele indagou sobre a escolha da Fifa por Rússia e Catar para sedes, respectivamente, das Copas do Mundo de 2018 e 2022. “Vai ser muito interessante, quando terminar a Copa do Mundo aqui, a final aqui no Rio de Janeiro, saber que o Brasil estará se preparando para ir jogar em Moscou numa época do ano em que a Rússia está muito bonita, muito verde, nada de neve, nada de frio, e eu achei extraordinário e achei sabedoria da Fifa – e possivelmente tenha a ver com todo o debate que nós fizemos para a Copa do Mundo no Brasil e para as Olimpíadas – é que é preciso descentralizar a Copa do Mundo”, disse.
Então, acho que a Rússia é um país grande, nunca tinha feito uma Copa do Mundo, é justo que a Rússia faça a Copa do Mundo. Portanto, eu dou os parabéns à Fifa por ter escolhido a Rússia, e também o Catar. Fazer uma Copa do Mundo naquela região do mundo, que muitas vezes aparece na imprensa apenas a violência no Oriente Médio ou a quantidade de petróleo. Quem conhece o Catar como eu conheço e alguns de vocês conhecem, sabe que embora seja um país pequeno, eles têm poderio econômico para realizar uma Copa do Mundo excepcional.
Ainda na entrevista, Lula falou sobre a operação das tropas federais e do estado do Rio no morro do Alemão, o apoio dos Estados Unidos à indicação da Índia para o Conselho de Segurança da ONU, bem como os vazamentos recentes de telegramas de representações diplomáticas dos Estados Unidos por ONG estrangeira. Segundo ele, a relação entre Brasil e Estados Unidos foi boa com todos os últimos presidentes das duas nações e será mantida com a presidente Dilma Rousseff. Porém, Lula pediu que o governo norte-americano deve dar mais atenção aos países da América Latina e América do Sul.

Na última parte da entrevista, Lula falou dos investimentos que acontecem no Brasil bem como as obras de infraestrutura. O presidente brasileiro detalhou, por exemplo, empreendimentos nos setores de refino de petróleo, de ferrovias e de petróleo e energia. Na avaliação do presidente, os números mostram “o volume e a envergadura da solidez do desenvolvimento da economia brasileira. Ou seja, as coisas estão prontas, e vocês podem ter certeza, eu espero que vocês fiquem muito tempo sendo correspondentes aqui no Brasil, de preferência no Rio de Janeiro. Agora, com o Rio de Janeiro mais pacificado, vocês vão poder andar mais na praia, sem ter nenhuma preocupação”.
E dizer para vocês que esse é o cartão de garantia que a companheira Dilma Rousseff terá para o período do seu governo. Ela vai pegar o Brasil andando a 120 por hora, ela não está com o carro parado no estacionamento, com a bateria estragada, não. Ela está com o carro andando a 120 por hora. Se ela quiser, ela pode apertar um pouquinho o acelerador, chegar a 140, 150, se ela quiser ela vai a 120, e só não pode sair da pista, porque as coisas estão andando bem. Então é esse o Brasil, companheiros, que nós entregaremos à companheira Dilma Rousseff, ao povo brasileiro, no dia 31 de dezembro: um Brasil sólido, um Brasil com perspectiva de se transformar nos próximos seis anos na quinta economia mundial.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Blogosfera Cidadã: uma "estrela" do Quinto Poder?

Além de comemorar os marcos históricos na comunicação brasileira que foram as entrevistas do Presidente Lula aos novos atores da mídia - blogueiros "progressistas" e rádios comunitárias - o Abra a Boca, Cidadão! considera que se faz necessário também pensar, entender esse momento e os desafios que se apresentam a todos nós, produtores e consumidores de conteúdo alternativo, independente, desatrelado dos tradicionais grupos midiáticos. E se pergunta que posição ocupará a chamada Blogosfera Independente, Cidadã, Progressista, nesse novo cenário... Alguém arrisca um palpite?

Para oferecer subsídios ao debate e estimular a reflexão de todos nós sobre o papel da Blogosfera e de blogueiros independentes dentro da nova mídia e na sociedade da informação, o ABC! reproduz artigo do jornalista, professor e estudioso Carlos Castilho, publicado em maio último.


Depois do Quarto, surge agora o Quinto Poder

(http://carloscastilho.posterous.com/?page=4)


O batismo oficial no novo jargão aconteceu esta semana em São Petersburgo, na Florida, Estados Unidos durante uma conferência de dois dias entre blogueiros autônomos, especialistas universitários, gurus da internet, empreendedores virtuais e jornalistas profissionais.

A imprensa tradicional, tida como um quarto poder por sua enorme influência na área nacional dominada pelos três outros poderes  (executivo,legislativo,judiciário), tem agora ao seu lado um eclético e emergente quinto poder, formado pelos novos protagonistas da comunicação digital.

Esta é a segunda versão da Sense Makers Conference (literalmente Conferência dos que Criam Sentido) [1], uma reunião destinada a debater as novas tendências na comunicação, a partir de contribuições tanto de especialistas como dos chamados practitioners [2]. O evento é patrocinado pelo Instituto Poynters e na sua versão 2010 contou com 26 participantes.

Ao contrário dos outros quatro poderes, o novo “poder”  não é uma instituição formal, e provavelmente nunca o será, mas um aglomerado cuja marca registrada parece ser o ecletismo dos participantes, a forma quase caótica com que eles se agrupam e a agenda pouco convencional, em termos jornalísticos.

O que estamos assistindo é a emergência de um novo ator dentro da arena da comunicação pública e que pode vir a disputar espaços com a mídia convencional. Se o Quarto Poder era conformado basicamente pelas empresas e indústrias ligadas a produção jornalística, o Quinto Poder seria um aglomerado difuso dos novos produtores independentes de noticias e informações.

Um dos temas mais discutidos em São Petersburgo foi a ausência de objetividade e o caráter militante de blogs, twits e sites comunitários que não ocultam suas opiniões e nem preferências políticas, contrariando as normas do jornalismo profissional.

Consultando os blogs e twits dos participantes é possível verificar que eles colocam a questão da objetividade num contexto específico. Ela estaria na avaliação do conjunto de perspectivas expressas na diversidade de plataformas digitais de notícias e não compactadas num único veículo, como se propõe a imprensa. A objetividade não seria mais uma responsabilidade dos jornais mas uma tarefa do leitor.

Só aí, já temos muito pano para manga porque se de um lado temos o Quarto Poder reivindicando uma posição privilegiada na definição do que é verdadeiro ou falso, do outro temos uma situação inédita em matéria de certificação de credibilidade, causada pela avalancha de informações produzidas pelos blogs, por exemplo.

Tecnicamente seria muito difícil sintetizar milhões de percepções diferentes numa única. Até mesmo os jornais reconhecem esta dificuldade quando criaram o recurso de ouvir os dois lados de um problema. Só que hoje há muito mais do que dois lados e é praticamente impossível um veículo processar todas as versões que circulam na web.

A realidade está mostrando que a alegada objetividade e isenção da imprensa é cada vez menos viável, mas em compensação também não fornece elementos mínimos para estimar o grau de dificuldade que o público terá para peneirar o conteúdo de tantos blogs, twitters, chats, fóruns, listas de discussão e páginas web.

A certificação de credibilidade é um dos grandes desafios da comunicação na era digital. Em questões mais simples, como o comércio eletrônico, ela já está funcionando   bem com base nos chamados sistemas de reputação. Mas para áreas mais complexas como a da informação jornalística, o sistema ainda é sujeito a falhas. A nova alternativa são os algoritmos de autoridade, microsoftwares apoiados em leis da estatística e probabilidade, que já servem de base para os sistemas de reputação.

Ambos ainda são possibilidades, o que deixa muito espaço para a grande conversa entre o quarto e o quinto “poderes”. 

[1] Sense Makers é uma expressão inglesa para designar pessoas capazes de identificar e atribuir significados relevantes a fatos, processos ou dados.
[2] Practitioner é uma pessoa dotada de uma grande experiência numa determinada área e que procura dar uma base teórica a sua prática. É a definição corrente na internet. No dicionário, practitioner é traduzido por praticante. 


quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Lula: "Ativistas da Comunicação, se preparem!"

Mais um encontro histórico. Outro marco na democratização da comunicação.

O Presidente Lula recebeu hoje de manhã para entrevistá-lo no Palácio do Planalto oito comunicadores populares que atuam nas rádios comunitárias: Inês Fortes, Rádio Maria Rosa, de Curitibanos (SC); Geronino Barbosa, Rádio Heliópolis, São Paulo (SP); João Moreno, Rádio Líder, Recanto das Emas (DF); Jerry Oliveira, Rádio 8 de Dezembro, Vargem Grande Paulista (SP); Alexandre Nery, Rádio Santa Luzia, Santa Luzia (MG); Mamede Leão, Rádio Cidade, Ouvidor (GO); Mara Rodrigues, Rádio Fercal, Sobradinho (DF); e Alan Camargo, Rádio Integração, Santa Cruz do Sul (RS). A entrevista foi transmitida pelo Blog do Planalto, emissoras comunitárias e vários blogues.


                                    Secretaria de Imprensa/PR  (Foto: Ricardo Stuckert)

O tema COMUNICAÇÃO dominou a entrevista: cinco dos oito comunicadores fizeram ao Presidente indagações relativas a ações repressivas contra rádios comunitárias no governo Lula, refundação do Ministério das Comunicações com o estabelecimento de um novo marco regulatório, financiamento de novas emissoras, papel fundamental da comunicação comunitária no aprofundamento das conquistas populares e outros.

Lula, que demonstrou apreciar ser entrevistado por gente com cara de povo, menos engravatada e "sem voz empostada", "desaforados e reivindicadores", reconheceu as dívidas que seu governo deixa com a democratização dos meios de comunicação, lembrou dos avanços na pulverização e regionalização da publicidade governamental, chamou a atenção para o fato de uma rádio comunitária poder concorrer hoje "até com a BBC de Londres", e mais de uma vez dirigiu uma espécie de "convocatória" aos ativistas da comunicação, lembrando que o grande debate sobre o marco regulatório que Dilma conduzirá será duríssimo, e exigirá empenho por parte de toda a sociedade.

Ao ser perguntado sobre "se rádio comunitária derruba avião ou derruba tubarão", sem menosprezar o risco de acidentes provocados por interferência na comunicação das aeronaves o Presidente ficou com a segunda opção, deixando claro os grandes interesses que estão em jogo.

A MÁ-FÉ DA VELHA E APODRECIDA MÍDIA



A cara do governo



Marcos Coimbra

Correio Braziliense - 01/12/2010

Sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi



Ninguém votou em Dilma para que o “dilmismo” vencesse o “serrismo”. Só quem quis que a eleição fosse essa foi o próprio Serra, que sabia que perderia se o foco da escolha se alargasse.

A reação de parte da imprensa às informações sobre a composição do governo Dilma é curiosa. Em alguns veículos, chega a ser cômica.

Outro dia, um dos jornais de São Paulo estampou em manchete que Dilma estava “montando o núcleo de seu ministério com lulistas”. O que será que o editor imaginava? Que ela fosse recrutar “serristas” para os postos-chave de sua administração?

Como ensinam os manuais do jornalismo, essa não é uma notícia. Ou será que algo tão óbvio merece destaque? “Cachorro come linguiça” não é um título para a primeira página. No dia em que a linguiça comer o cachorro, aí sim teremos uma notícia (que, aliás, deverá ser impressa em letras garrafais).

Na mesma linha, um jornal carioca achou que era necessário alertar os leitores para o fato de que “Lula está indicando várias pessoas para o governo Dilma”. Em meio a estatísticas sobre quantos nomes já havia emplacado, a matéria era de franca desaprovação.

Na verdade, tanto nessa, quanto na manchete do jornal paulista, estava implícita quase uma denúncia, como se um duplo malfeito estivesse sendo cometido. Por Lula, ao “se meter” na formação do novo governo, ao “tentar interferir” onde, aparentemente, não deveria ter voz. Por Dilma, ao não reagir à intromissão e o deixar livre para apontar nomes.

Quem publica coisas assim dá mostras de não ter entendido a eleição que acabamos de fazer. Não entendeu como Lula, seu principal arquiteto, a concebeu, como Dilma encarnou a proposta, e como a grande maioria do eleitorado a assimilou.

Tudo mundo sabe que, quando Lula formulou o projeto da candidatura Dilma, a ideia central era de continuidade: do governo, de suas prioridades, de seu estilo. Ele nunca disse o contrário e insistiu no uso de imagens que caracterizavam, com clareza, o que ela representava. Para que ninguém tivesse dúvidas, chegou a afirmar que votar em Dilma era a mesma coisa que votar nele. Foi explícito nos palanques, nas declarações, na televisão.

Dilma sempre falou a mesma coisa. Mostrou-se à vontade como representante de Lula e do governo, seja por sua lealdade para com o presidente, seja pela boa razão de que o governo era dela também. Apresentar-se ao país como candidata de continuidade nunca a deixou desconfortável, pois significava defender aquilo a que havia se dedicado nos últimos oito anos.

Isso foi bem entendido pelos eleitores. Desde o primeiro momento e até o fim da eleição, as pessoas olharam para Dilma sabendo qual era a natureza de sua candidatura. Muitas descobriram suas qualidades pessoais, mas o núcleo da decisão de votar em seu nome foi outro, como mostraram as pesquisas.

Ninguém votou em Dilma para que o “dilmismo” vencesse o “serrismo”. Só quem quis que a eleição fosse essa foi o próprio Serra, que sabia que perderia se o foco da escolha se alargasse, se os eleitores olhassem para o que cada candidato representava e não se limitassem a fazer a velha comparação de biografias.

Agora, quando Dilma escuta Lula na montagem do governo, ela apenas cumpre a promessa fundamental de sua candidatura, a razão principal (para alguns eleitores, a única) de ela ter sido votada. Quando dá mostras de que manterá ministros e dirigentes, faz apenas o natural. Se, por exemplo, se comprometeu durante a campanha com a preservação de determinada política, porque razão não seria adequado que o responsável permanecesse?

O governo que está sendo organizado terá a cara da continuidade, política e administrativa. Terá a cara de Lula, do PT e das outras forças partidárias que venceram a eleição. Terá a cara da atual administração, que é aprovada pela maioria da sociedade. Terá a cara de Dilma, pois é ela que o chefiará.

É isso que foi combinado com o país.



(do blogue O Terror do Nordeste  http://terrordonordeste.blogspot.com  postado em 01.12.2010)