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sábado, 20 de novembro de 2010

MÍDIA TORTURA DILMA MAIS UMA VEZ

O blogue ABRA A BOCA, CIDADÃO! subscreve cada palavra da nota abaixo.



A Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores de Comunicação (Altercom) reunida nesta sexta-feira (19), em São Paulo, além de tratar de interesses da entidade, decidiu divulgar uma nota oficial criticando a campanha ardilosa da grande mídia comercial em torno dos arquivos da ditadura militar sobre a presidente eleita Dilma Rousseff. A nota afirma:



"MAIS UMA VEZ, A MÍDIA HEGEMÔNICA TORTURA DILMA"

Passados 19 dias desde a vitória de Dilma Rousseff sobre Serra, por uma vantagem de 12 milhões de votos, a oposição e seu dispositivo midiático não recolheram as garras um só minuto.

Cinco dias após o revés nas urnas, o candidato derrotado estava em Biarritz levando um 'por que no te callas', em resposta a tentativa de armar o palanque da oposição em território francês.

O jornalismo que lhe dá apoio irrestrito não deixa por menos e cumpre escancaradamente uma agenda de  terceiro turno. Dia sim, dia não, uma crise produzida e maquiada ganha as manchetes  da mídia conservadora  numa escalada  ao mesmo tempo sôfrega e frívola.

Não escapa ao observador mais criterioso que os temas são apenas um ornamento do estandarte antecipadamente empunhado. A intenção, clara, é minar a autoridade da Presidente eleita antes mesmo de sua posse.

Agora, o dispositivo midiático da oposição reedita o "pau-de-arara" e empenha-se em dar legitimidade 'jornalística' a um relatório produzido pela ditadura militar sobre a militância revolucionária de Dilma Rousseff nos anos 70.

O que se promove nessa espiral  é a reprodução simbólica das sessões de tortura perpetradas durante 22 dias seguidos contra uma jovem de 19 anos pelo regime de fato.

É aberrante do ponto de vista do fazer jornalístico emprestar credibilidade ao que foi transcrito por um Estado terrorista, concedendo força de prova ao que uma mulher declarou sob tortura.

Ademais, é um agravo à ética jornalística que uma mídia comercial ainda atue como aliada do extinto regime ditatorial, ao tomar seus documentos como válidos e legais.

Finalmente, constitui um escárnio em relação à história o fato de que a mesma mídia --os mesmos veículos --  que se esponjou em benefícios econômicos e políticos concedidos pela ditadura nunca ter demonstrado maior interesse em apurar e divulgar os crimes cometidos pelo regime. Todavia, empenha-se acintosamente em se associar novamente à matéria pútrida urdida sob o regime do pau-de-arara para atacar a honra de uma combatente da liberdade.

O enredo dessa trama está para o bom jornalismo, assim como o rio Tietê para a preservação do meio ambiente. A aposta em curso é a de que, uma vez Lula fora da cena política, não haverá força capaz de deter o trator oposicionista, cujas rodas em poucos meses pretendem transitar por cima do cadáver político do novo governo.

A mídia progressista repudia firmemente essa campanha ardilosa e coloca-se em prontidão para denunciá-la em respeito à vontade soberana do povo brasileiro.

São Paulo, 19 de novembro de 2010


ALTERCOM

MÍDIA DÁ INÍCIO A TERCEIRO TURNO

E "trechos selecionados" dos autos do processo que a ditadura militar instaurada pelo Golpe de 64 promoveu contra a jovem ativista Dilma Rousseff começam a aparecer em jornais da velha e carcomida mídia brasileira...

Depois de barbaramente seviciada durante 22 dias por imundos e covardes brutamontes, sofrendo todo tipo de violência física, psicológica e moral, nos anos 70, agora, quarenta anos depois, estes apoiadores e colaboradores do regime de exceção que vivemos pretendem na sua desfaçatez costumeira dar seguimento a tais horrores, maculando a imagem da vítima, agora presidenta eleita, tentando constrangê-la e quem sabe desestabilizar seu governo que nem iniciou.

Não aceitam a vontade soberana do povo brasileiro expressa nas urnas em 31 de outubro último. E buscam dar início a um terceiro turno.

O Abra a Boca, Cidadão!, defensor da ampla, geral e irrestrita liberdade de imprensa, repudia a ação golpista, inescrupulosa e deletéria desta mídia. E indaga: Você, leitor e cidadão, acreditaria na palavra de criminosos?

Leia abaixo artigo do Professor Emir Sader a respeito.


Quanto vale a palavra de torturadores?

17/11/2010

por Emir Sader, no seu blog em Carta Maior

[Reproduzido a partir do blog Vi o Mundo http://www.viomundo.com.br/politica/emir-sader-quanto-vale-a-palavra-de-torturadores.html]

O Superior Tribunal Militar abriu o processo da Presidenta eleita, Dilma Rousseff, que um órgão da imprensa – aquele cuja executiva disse que a mídia é o partido político da oposição – buscava afoitamente na reta final da campanha eleitoral.

O que teremos nesse processo? A versão que os torturadores davam das suas vítimas, dos torturados. Essa mesma imprensa que reclamava, com razão, da censura, vai agora acreditar no que os verdugos diziam do crime monstruoso da tortura, que praticavam? E do comportamento das vítimas indefesas desse crime hediondo?

É como se levassem a sério o que os censores devem ter escrito sobre as publicações que censuravam e os jornalistas. Nós nunca os tomaríamos a sério, utilizamos os documentos da censura para denunciar ainda mais o obscurantismo da ditadura.

O processo tem que ser mais um instrumento de denúncia da tortura – crime imprescritível – e não instrumento de manipulação política justo do jornal que emprestou carros para que órgãos da ditadura, disfarçados de jornalistas, cometessem suas atrocidades. O mesmo órgão que considerou que não tivemos uma ditadura, mas uma “ditabranda”.

O processo é um testemunho dos agentes do terror, daqueles que assaltaram pela força o Estado, destruíram a democracia e se apropriaram dos bens públicos para transformá-los em instrumentos dos crimes hediondos que cometeram – em nome da “democracia”.

Nas mãos de democratas, se transformará em mais uma prova da brutalidade dos crimes cometidos pela ditadura militar contra seus opositores. Nas mãos dos que foram complacentes e se beneficiaram da ditadura, será instrumento político torpe. A mídia que acreditar no que diziam os torturadores, será conivente com eles, ao invés de denunciar os crimes que eles cometeram.

Para os que se sujaram com a ditadura é insuportável que houve gente que se comportou com heroísmo e dignidade. Querem enlamear a todos, porque se houve tanta gente que resistiu à ditadura, mesmo em condições limites, havia alternativa que não a conciliação e a conivência com a ditadura.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O QUE QUER A FOLHA DE S. PAULO?

Em qualquer país do mundo civilizado, uma pessoa que enfrenta corajosamente uma feroz e sanguinária ditadura militar, como o fez Dilma Rousseff aos vinte e poucos anos, sendo barbaramente torturada, é motivo de reverência, de respeito, de orgulho nacional.

Para o jornalismo nefasto perpetrado pela Folha de S. Paulo, ao que tudo indica, a presidente eleita Dilma Rousseff deve receber tratamento oposto, sendo publicamente execrada, vilipendiada.

O que quer a raivosa Folha de S. Paulo, na sua sanha para obter acesso aos autos da ação contra Dilma? Como este enfurecido jornal usará as informações contidas no processo? De um veículo de comunicação que apoiou os algozes pode-se esperar alguma dignidade em relação à vítima?

O artigo reproduzido abaixo, publicado no blogue Vi o Mundo, de Luiz Carlos Azenha, analisa este fato gravíssimo e suas eventuais consequências para a estabilidade institucional e para o próprio jornal.

Qual será a manchete da Folha?


Publicado em 17/11/2010   Vi o Mundo  http://www.viomundo.com.br/

por Mair Pena Neto, em Direto da Redação


Qual será a manchete da Folha de S.Paulo quando tiver acesso aos autos do processo da ditadura contra a presidente eleita Dilma Rousseff, garantido pelos ministros do Superior Tribunal Militar? “Dilma participou do assalto a cofre de Ademar de Barros”, “Dilma tomou parte de assalto a banco que resultou na morte de inocentes”, “Dilma delatou companheiros”?

Qualquer que seja a escolha do jornal paulista diante do que poderá constar no processo, qual será a intenção de publicá-la? Fiz a mesma pergunta aqui neste espaço, antes do segundo turno das eleições presidenciais, quando estava evidente o objetivo da Folha de tentar interferir na votação de 31 de outubro com algum fato que pudesse macular a imagem da então candidata. E a repito agora, com Dilma eleita, para tentar compreender até onde está disposto a ir o jornal na sanha de deslegitimar a candidata escolhida pela maioria do povo brasileiro.

Não há nenhum problema em recuperar o passado de pessoas públicas, mesmo que este as denigra, desde que baseado em fatos e fontes confiáveis. Apresentar o papa Bento 16 como ex-integrante da juventude nazista, por exemplo, é indiscutível, pois imagens e registros atestados historicamente o comprovam. Isso não impede que os católicos o reconheçam como líder máximo da sua Igreja, contextualizando o ocorrido no tempo e no espaço.

O problema no caso de Dilma é que a Folha parece afoita em dar vazão a registros que foram obtidos em circunstâncias excepcionais. Dilma não compareceu a uma delegacia para prestar esclarecimentos, acompanhada de seu advogado, e nem respondeu a um processo legítimo. Muito do que consta nos autos de seu processo provavelmente foi obtido enquanto estava pendurada num pau de arara ou sentada na cadeira do dragão sendo barbaramente torturada.

Uma publicação jornalística com o mínimo de seriedade teria que levar isso em conta e não reproduzir simplesmente o que diz um processo suspeito, produzido por um governo que rompeu a ordem constitucional do país e adotou a tortura como instrumento de obter confissões, contrariando os princípios mais básicos dos direitos humanos. Foi esta conduta que os jornais adotaram quando a ditadura tentou apresentar a morte do jornalista Vladmir Herzog como suicídio. Ninguém, talvez com exceção da empresa que publica a Folha, aceitou a versão como verdade. O que provinha da ditadura não era confiável sob nenhuma hipótese.

Confissões sob tortura não têm valor jurídico. E reproduzi-las pura e simplesmente, escudando-se no fato de se tratarem de documentos oficiais, seria de uma leviandade ímpar. Outro agravante de tal divulgação seria legitimar a ditadura militar, um dos períodos mais cruéis e trágicos da história brasileira, confiando exclusivamente na veracidade dos documentos que produziu. O Brasil ainda não fechou a página do que se passou naqueles 25 anos para aceitar passivamente fatos originados nos porões do regime.

Não espero que a Folha não o faça. O jornal publicou coisa muito pior, como a ficha falsa de Dilma antes mesmo de a campanha começar. Talvez seja até uma tentativa de encontrar algo que repare a “barriga” do jornal ao publicar, sem nenhum critério de verificação, a tal ficha, proveniente de um site de ultradireita. Ou então, iniciar um terceiro turno, apresentando as armas para o combate sem tréguas que desempenhará nos próximos quatro anos.

Seja qual for o propósito, ele parece tudo, menos jornalístico. O empenho do jornal se coaduna muito mais com os seus próprios interesses do que com os interesses do país. Seja lá o que contiverem os autos, a sua publicação servirá, sobretudo, para diminuir ainda mais o tamanho da Folha de S. Paulo, que já saiu bem reduzida da recente eleição.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

LULINHA, ESPELHO DA ERA LULA

Mídia + Política + Verdade = Jornalismo Cidadão


O jornal O Dia desta quinta-feira inicia uma reportagem especial, bem sacada, interessantíssima, sobre a saga do menino Luiz Inácio Matias da Silva, o Lulinha, como retrato dos 8 anos de governo Lula. A matéria mostra como a realidade transformada por políticas públicas e programas sociais da Era Lula associada à criatividade e verdade factual podem render bom jornalismo. Os ingredientes a mídia conhece. Basta querer fazer.   

http://odia.terra.com.br/portal/brasil/html/2010/11/especial_luiz_inacio_matias_da_silva_o_lulinha_do_camarista_meier_125256.html

 

E veja abaixo post do Mídia Mundo, considerando a matéria do Lulinha a melhor de 2010.



A melhor matéria do ano é de O Dia

Uma boa reportagem precisa de planejamento. O Dia (Rio de Janeiro, RJ) planejou por 8 anos a fantástica matéria sobre o menino Luiz Inácio Matias da Silva, que completará 8 anos no último dia de governo de seu homônimo Presidente da República.

Lulinha é um personagem urbano descoberto pelo jornal. Sua vida, a melhoria de vida de sua família, é o retrato perfeito de um período em que o Brasil cresceu. Nenhuma estatística é melhor que essa história.

Uma reportagem como essa precisa de inteligência criativa, de apostas, de disposição. Primeiro para achar o personagem, depois para segui-lo por 8 longos anos.

O Dia merece todos os prêmio de jornalismo por essa sensacional matéria. Pena ter dado mais peso na capa à subida do salário mínimo do que à melhor história do ano. Erro de edição logo no dia em que não poderia errar.

O "LADO" EM QUE SEMPRE ESTIVE...

Eu tenho um lado. Eu não mudei de lado.

Portanto, como autora, editora deste espaço, este blogue tem um lado.

Chamem de esquerda, progressista, alternativo, independente... Eu chamo de cidadão.

Este é um Blogue Cidadão. E procura atuar na construção e em defesa da cidadania.


Minha História de Vida

Não fui presa nem torturada. Mas dentro dos espaços que tive nos anos 70 e 80, como estudante da mais importante universidade brasileira e como filha de pai nordestino, operário de mente progressista, combati o estado de exceção em que vivíamos, ajudei com muito orgulho a derrubar a feroz e sanguinária ditadura militar instalada pelo Golpe de 64, assinando manifestos, frequentando assembleias, atos públicos, passeatas, fugindo muitas vezes da repressão policial... Nos anos 90 e 00, fui patrulhada, perseguida, prejudicada e demitida de duas universidades públicas em que trabalhei. Nunca sofri violência física. "Apenas" violência psicológica e linchamento moral.

Se um dia eu tivesse atuado na grande (?!) imprensa, certamente não teria "durado" muito lá... Tenho perfil independente. Escrevo aquilo em que acredito. Não tenho vocação pra subserviência e abomino sabujice.

Estou aqui pra fazer minha parte. Sem arrogância, sem ilusões. Mas com convicção.

Este não é um blogue intelectual. De vez em quando posto aqui artigos escritos por intelectuais, por gente que pensa o País. Os objetivos (ambiciosos?) do blogue são: trazer informação clara, correta, que muitas vezes não aparece na mídia tradicional; informar os leitores sobre direitos básicos do cidadão, que muitos desconhecem; estimular a discussão de temas que envolvem Comunicação, Mídia e Poder, abrindo espaço para quem quiser se manifestar de modo educado sobre os assuntos tratados aqui; denunciar a atuação danosa da mídia corporativa, velha mídia, mídia tradicional contra o povo brasileiro e a soberania do País;  por meio de ideias, palavras e ação, monitorar, esclarecer, informar, denunciar, mobilizar; colaborar para a democratização da comunicação no Brasil.

Este é um Blogue Cidadão. Este blogue se filia à Blogosfera Cidadã.


quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O que a Folha realmente comemora?


Está aberto o processo da ditadura contra Dilma

17 de novembro de 2010 às 12:58h


Superior Tribunal Militar acata pedido do jornal e libera acesso ao arquivo. Quais serão as consequências da divulgação das informações agora?

por Celso Marcondes, em CartaCapital




“STM libera processo da ditadura contra Dilma”: essa é manchete de capa da edição desta quarta-feira 17 do jornal Folha de S.Paulo. A matéria principal ocupa quase toda a página 4 e na abertura já comemora: “advogada da Folha diz que resultado é vitória ‘de toda a sociedade’ ”.

Essa “vitória” que o jornal encampa em nosso nome começou a ser organizada em setembro deste ano, quando a Folha protocolou mandado de segurança no Superior Tribunal Militar. Na ocasião, ela argumentou que era direito de todos os brasileiros saber o histórico da candidata antes que as urnas presidenciais fossem abertas.

No STM, o julgamento foi suspenso duas vezes, mas a Folha não se fez de rogada, em 19 de outubro apelou para o Supremo Tribunal Federal, na esperança de que ele determinasse a abertura dos arquivos antes da realização do segundo turno. Relatora do caso, a ministra Cármem Lúcia, devolveu o caso ao STM, que só agora, por 10 votos contra 1, liberou o acesso do ávido jornal paulistano ao processo.

Na próxima semana será publicada a ata da sessão e a partir daí os repórteres da Folha poderão se deliciar com a leitura de tudo o que os ditadores e seus funcionários escreveram sobre nossa presidenta eleita quando ela tinha cerca de 20 anos.

Até aqui, o que, em síntese, todos sabem, é que Dilma Rousseff combateu a ditadura militar desde muito jovem. Militou numa organização guerrilheira chamada Vanguarda Armada Revolucionária – Palmares, ficou presa por mais de dois anos, foi torturada barbaramente e depois de libertada retomou sua vida no Rio Grande do Sul.

Do meu ponto de vista, é o suficiente, não preciso saber mais. Fico satisfeito em ter conhecimento que, mesmo usando de métodos que nunca aprovei, ela teve a coragem de combater os terroristas que tomaram de assalto o governo e o Estado brasileiro em 1964. Eram eles, como se sabe, militares, apoiados e sustentados por civis, entre os quais muitos empresários, inclusive da área de comunicação.

No entanto, para muita gente conhecer este resumo daquela fase da vida de Dilma não bastou. Desde o momento em que ela foi cogitada como candidata do presidente Lula, a internet foi dominada por uma onda de mensagens que questionavam o currículo militante da candidata. Taxada de cara como “terrorista” até uma ficha falsa foi montada, a descrever os atentados, sequestros e assaltos a banco nos quais ela teria se metido.

A mesma Folha, na época, foi o único jornal que embarcou na história da suposta ficha e a publicou em primeira página, com os devidos comentários desairosos. Sem ouvir antes a acusada. Revoltada, Dilma reagiu, pediu direito de resposta, o jornal foi obrigado a lhe dar espaço e a recuar na denúncia, reconhecendo que não tinha atestado a autenticidade da peça montada não se sabe aonde, o que se constituiu num dos episódios mais vergonhosos da história recente do jornal.

Porém, seus proprietários não pararam por aí e durante toda a campanha eleitoral colocaram jornalistas para investigar este período de sua vida. Não faltaram entrevistas com ex-companheiros de militância, nem com ex-militares ou carcereiros que teriam tido contato com Dilma nos anos 70. O que se buscava então era, digamos, algo mais concreto no currículo da militante: teria participado de algum sequestro ou assalto? Atirado ou matado alguém? Delatado companheiros? Em nenhum momento, porém, qualquer jornalista, depois de muitas entrevistas e pesquisas em outros arquivos que existem pelo País, conseguiu qualquer prova de participações ou atos da jovem de 20 anos em eventos semelhantes.

O que imaginavam os que pretendiam “conhecer melhor a história” da candidata era que, se acusada concretamente de participação numa ação violenta, haveria material de combustão suficiente para abalar sua campanha eleitoral. Numa sociedade pronta para ser comovida por campanhas conservadoras incentivadas por parte da grande mídia, é fácil imaginar a repercussão que teria uma manchete do tipo “Dilma participou de assalto que ocasionou morte de inocente”.

Esta manchete – ou similares – nunca chegou à televisão ou aos grandes jornais, embora tenha frequentado à exaustão a internet. Durante a campanha de José Serra, porém, cansamos de assistir a insinuação: “no meu currículo não há manchas, nem zonas obscuras”, ele dizia sempre, a deixar claro que o candidato “do bem” não tinha nada a esconder, mas a “do mal” deveria ter.

Às vésperas da realização do segundo turno, a liminar da Folha de S. Paulo endereçada ao STF gerou uma onda de rumores nas campanhas. Esperava-se que uma “grande novidade” vinda da abertura do processo causasse comoção suficiente para abalar a trajetória da candidata rumo à vitória nas urnas. A sabedoria da ministra Cármem Lúcia, porém, tirou do Supremo a responsabilidade pela decisão e inviabilizou o final da história antes do pleito.

Dentro de alguns dias o caso terá seu desfecho. Todo o Brasil saberá o que está escrito na ficha real de Dilma Vana Rousseff guardada no cofre militar até aqui. Saberemos finalmente se a presidenta eleita – não diplomada ainda -, no auge dos seus 20 anos, participou ou não de assaltos, sequestros e atentados. Conheceremos também como foi seu comportamento nas masmorras.

Estará tudo lá, escrito, bonitinho, preto no branco, apenas marcado pela ação do tempo. Com carimbos, assinaturas, rubricas e protocolos. Também pareceres, fotos, recortes de jornais, talvez. Tudo com as devidas chancelas de Humberto de Alencar Castelo Branco, Arthur da Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici e Ernesto Geisel.

Os jornalistas da Folha devorarão avidamente as informações do processo e nos brindarão com um resumo delas. Outros órgãos de imprensa, como já fizeram no dia de hoje com a decisão do STM, repercutirão tudo.

Aí então, uma parte dos brasileiros dirá: nada me toca, continuo a admirar a coragem que a presidenta tinha aos seus 20 anos. Se ela de fato participou de algum ato violento, seus algozes já a fizeram pagar por isso. Mesmo assim, não reconheço nenhuma credibilidade nos arquivos infectos e nos processos manchados de sangue dos generais que escreveram o pior momento da nossa história. E credibilidade é matéria prima da imprensa.

Porém, haverá quem vá dizer: não avisamos? Vocês elegeram uma terrorista.

O efeito que este debate irá causar ninguém sabe medir. É fato, porém, que a Folha comemora hoje a “vitória de toda a sociedade”. Enquanto ela comemora, muitos arquivos e processos continuam fechados. E torturadores e seus mandantes caminham impunes por nossas ruas. Ou morrem de velhice.


* Celso Marcondes é jornalista, editor do site de CartaCapital e diretor de Planejamento da revistal.

[a partir do Blog Vi o Mundo, de Luiz Carlos Azenha   http://www.viomundo.com.br/]

O que quer a mídia golpista ?

                                         
Eles brigam com os fatos.

Eles não aceitam a derrota.

Eles não respeitam a VONTADE SOBERANA DO POVO BRASILEIRO.

Eles - os veículos da grande (?!), velha e apodrecida mídia. Eles - as elites, as classes dominantes. Eles - o candidato e os partidos derrotados na eleição presidencial.

O que eles tentaram ao longo da campanha eleitoral?

Fomentar um clima de terror, obscurantismo, conflagração... semeando ódio, preconceito, intolerância...

O que eles tentam agora, após a eleição, depois de declarada a vitória de Dilma Rousseff?

Criar dois brasis: o Brasil "bem-nascido", o Brasil do avanço, o Brasil "cheiroso" (o deles, claro), que teria como presidente "o mais preparado", "o mais competente", "o mais experiente", e o Brasil do atraso, da ignorância, da vagabundagem (o dos nordestinos, o dos pobres do Bolsa-Família, o dos eleitores de Dilma).

O que eles buscam nos autos do processo contra a jovem subversiva?

Informações "comprometedoras", que permitam afirmar que a presidente eleita pegou em armas, matou, roubou...

O que eles querem com isso tudo?

Dar sequência ao linchamento moral iniciado na campanha. Conspurcar, manchar, emporcalhar, difamar, injuriar, caluniar, constranger, desestabilizar, inviabilizar...

Dar continuidade a séculos de dominação, esbulho, privilégios.

Há algo de muito podre no reino da Dinamarca...