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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Mídia golpista x Mídia cidadã - entrevista

O Abra a Boca, Cidadão! continua na sua incansável cruzada para esclarecimento do povo brasileiro a respeito das "ligações perigosas" entre mídia e poder, mídia e elites, ou seja, para mostrar ao cidadão os interesses inconfessáveis que estão nas sombras, por trás de boa parte do conteúdo veiculado pela mídia impressa e pelas emissoras de rádio e televisão.

Nesse sentido, reproduz aqui entrevista da filósofa e jornalista Bernadette (Baby) Siqueira Abrão, concedida ao Instituto Hypnos. Baby esmiuça essas relações mídia-poder-classes dominantes, e fala também da importante atuação dos blogueiros independentes na recente campanha eleitoral que acabou por eleger Dilma Presidente.


A mídia em debate

Anderson Felix 14 de novembro de 2010 - Posted in: Textos Hypnos
O Instituto Hypnos conversou com a jornalista Bernadette Siqueira Abrão para discutir a Mídia brasileira. No momento em que se encerra mais uma eleição e que se discute a regulamentação dos meios de comunicações, é mais do que necessário esclarecer alguns dos problemas que cercam a atividade jornalística.

Baby, como gosta de ser chamada, é graduada e pós-graduanda em Filosofia (USP), formação que lhe permite lançar um olhar mais profundo e crítico sobre a comunicação. Além disso, tem experiência na editoração de livros didáticos e paradidáticos de filosofia, além de manter os blogues parallaksis.blogspot.com e parallakismundo.blogspot.com. Acompanhe a entrevista a seguir.

Hypnos - A imprensa é formadora de opinião? Qual foi a influência da mídia nesse processo eleitoral?
Baby – Vou falar em mídia, como um todo, não apenas em imprensa (a mídia impressa). Eu diria que ela não “forma” opinião porque seu objetivo não é a formação de ninguém. “Formar” é um conceito que envolve educação, estímulo à elaboração criativa, e a mídia está muito longe de proporcionar isso.

O que ela faz é divulgar seu ideário em reportagens, editoriais, comentários, análises. Como a mesma mensagem é repetida à exaustão, em formatos diferentes, os leitores/ouvintes/telespectadores acabam se convencendo de que ela é verdadeira. Nesse sentido, o que a mídia faz é propaganda de sua ideologia. Isso não é formar opinião e sim impor ideias, valores. E não se trata de uma prática nova. É muito antiga e virou objeto de reflexão de muitos pensadores, como Niezstche, Marx e Engels, o pessoal da Escola de Frankfurt, Michel Foucault, Pierre Bourdieu, Noam Chomsky, Armand Mattelart, Gilles Deleuze, Jean Baudrillard…

Para usar uma linguagem marxista, o que a mídia faz é impor a ideologia da classe dominante à classe dominada até que esta se convença de que essa ideologia é sua e a defenda, e a reproduza.

Uma análise de Chomsky e Edward S. Herman da mídia estadunidense produziu um livro, Manufacturing Consent: The Political Economy of the Mass Media [Consenso fabricado: a economia política da comunicação de massa] e uma teoria: o modelo da propaganda.

O livro é o resultado das análises que ambos fizeram sobre os meios de comunicação dos Estados Unidos e mostra que esses meios são corporações submetidas ao jogo competitivo do mercado. Como dependem dos anúncios (de empresas e do governo), colocam os interesses corporativos e políticos acima do interesse público.

O modelo que Chomsky e Herman desenvolveram pode ser aplicado à indústria midiática da maioria dos países. Como indústria, ela precisa vender para lucrar; por isso, é guiada pela lógica e pelos poderes do mercado. Segundo Chomsky e Herman, isso a leva a selecionar as notícias que publica, bem como o tratamento que dá a elas.

Isso ficou claríssimo na campanha eleitoral deste ano. Os ataques à candidatura de Dilma Rousseff, a Lula e ao PT pareciam coordenados por um comando central que usava todos os meios à disposição (jornais, revistas, rádio, TV, internet) para divulgar e fazer repercutir as mesmas acusações, a mesma ladainha.

Um pesquisador do futuro, que decida entender o Brasil por meio dessa mídia, concluiria que vivemos numa ditadura conduzida por terroristas, sem liberdades civis, com a consciência seduzida pelo programa Bolsa Família, com a mídia amordaçada.

Esse pesquisador, ao confrontar o país produzido pela mídia com a realidade, teria enorme dificuldade em entender como os meios de comunicação que se diziam amordaçados tinham a liberdade de dizer tudo o que queriam; como o presidente criticado conseguia índices altíssimos de aprovação popular se era dominado por “forças terríveis”, como disse Serra em seu discurso de 31 de outubro, resgatando Jânio Quadros e a imagem que a mídia corporativa fazia de Lula; como uma terrorista conseguiu se eleger primeira presidente do Brasil e, o mais óbvio, como esse governo ditatorial, terrorista, manipulador, terrível, permitia a realização de eleições livres, o exercício sem restrições da democracia liberal. Esse pesquisador acabaria defendendo a tese de que a mídia, para impor sua ideologia, precisa distorcer a realidade.

H. A mídia não vê com bons olhos qualquer iniciativa do governo que vise melhorar a atividade jornalística, sob o argumento de que esse papel cabe apenas à sociedade. Por outro lado, o baixo nível educacional parece deixar essa mesma sociedade à mercê dos grandes grupos econômicos e de comunicação. Qual seria, então, o caminho para o aprimoramento do trabalho jornalístico?
B. Mas não é o governo que toma essas iniciativas, é a própria sociedade! As sugestões do Plano Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH3) e da 1ª. Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) foram dadas pela sociedade civil organizada, depois de muita discussão em consultas e audiências públicas em todo o país.

A mídia corporativa – essa mesma mídia que grita a favor da liberdade de desinformar, de enganar o público, e chama isso de “liberdade de expressão”, “liberdade de imprensa” e outras expressões vazias, não explicitadas, não conceituadas – foi convidada a participar desses debates mas recusou-se. Essa é uma questão importante. Em vez de levar suas propostas para uma discussão democrática, a mídia preferiu continuar aquartelada em suas trincheiras, de onde dispara jargões por meio de suas metralhadoras giratórias (repórteres, “comentaristas”, cronistas etc.), frases de efeito que agradam a certa classe média desinformada, que não conhece nem mesmo a história recente de seu país, que nunca ouviu falar dos pensadores que mostraram o funcionamento do jogo capitalista e em que tipo de manipulação, de imposição ele se apoia.

É um pessoal carente de cultura, de ideias, acrítico, que repete o que lê e assiste sem nunca parar para pensar se isso corresponde ou não à realidade. São os fantoches mergulhados na hiperrealidade, conceito de Jean Baudrillard que cabe com perfeição na mídia corporativa brasileira. Baudrillard também afirmou que os meios de comunicação de massa são um “discurso sem resposta”.

A comunicação, diz, pressupõe troca, interlocução e responsabilidade por aquilo que se diz, e isso não existe na relação mídia-público.

O problema, para Baudrillard, está no modelo elaborado pelo linguista suíço Ferdinand de Saussure (1857-1913), que se baseia na simples transmissão e recepção da informação. Nesse modelo, aquele que transmite a mensagem é ativo, ao passo que quem a recebe tem um papel passivo: apenas recebe, ou “sofre” (para usar um termo aristotélico), a ação.

Quando o receptor se transforma em transmissor, repete a mensagem recebida, reproduzindo o modelo. Veja como isso é sério, seriíssimo: esse tipo de comunicação não permite o diálogo, excluindo “a reciprocidade e o antagonismo entre os interlocutores”, como escreve Baudrillard no artigo Requiem for the Media [Réquiem para a mídia]. Por não permitir a troca, as mídias de massa promovem a não comunicação.

Elas falam, mas impedem a fala do outro.

É essa “natureza unilateral” da comunicação, segundo Baudrillard, a responsável pelo sistema que integra poder e controle social.

Como esse modelo se reproduz no mundo político e econômico, o público não tem espaço para se expressar, debater e influir nas decisões que afetam sua vida. Quando ele faz isso formalmente, em audiências públicas previstas pela legislação brasileira, a mídia corporativa desvirtua as propostas do público e as ataca como riscos à tal “liberdade de imprensa”. Ora, isso é fazer propaganda de seu próprio ideário, é impedir o debate democrático de fatos, modelos, ideias. É a tentativa de impedir a liberdade do público de se manifestar. Ou seja: a mídia pode falar e fazer o que quiser, o público não. Se isso for a democracia propalada pela mídia corporativa, fujamos dela!

Outra questão importantíssima é a concessão de licenças para rádio e TV. Vamos entender um pouco isso.

Para funcionar, rádios e TVs dependem de sinais eletromagnéticos, que constituem um espectro que é público, isto é, de todos nós, cidadãos brasileiros (no caso do Brasil, óbvio).

Esses sinais são concedidos às redes de rádio e TV pelo governo – que concede as licenças para uso dos sinais como representante dos cidadãos. Acontece que os critérios para a concessão de tais licenças são tudo, menos cidadãos. Só as consegue quem tiver ligações políticas privilegiadas, poder, muito dinheiro.

Na verdade, essas pessoas – incluindo políticos, o que é proibido por lei – obtêm as concessões para transformar as estações de rádio e TV em empresas privadas submetidas ao jogo do mercado, que fabricam os produtos que bem entendem, vendendo-os aos anunciantes por preços altíssimos. Esses preços são baseados na média de audiência dos produtos, isto é, os programas.

Ou seja, além de ser alijado da concessão das licenças, de não influir nos critérios para essas concessões, o público, com sua audiência, dá lucro às grandes redes de rádio e TV. E em troca, o que recebe? Uma programação que chega a ser bizarra, que usa e estimula o preconceito, a intolerância, o bullying, a violência…

As exceções são muito raras.

Os chefes de programação costumam dizer que o público gosta das bobagens que vão ao ar. Falácia. O público não tem é escolha. Não há um único canal comercial com programas realmente alternativos ao padrão que as próprias redes criaram. Então a cidadã e o cidadão que chegam em casa cansadas (os), que vão preparar o jantar para a família e querem uma distração, ligam a TV ou o rádio e acompanham o que lhe é oferecido. Dizer que isso é escolha é falsear a realidade.

No momento em que o público decide tomar para si o seu direito de dar ou renovar as concessões, que impõe critérios para ceder as licenças de uso do espectro eletromagnético, a mídia corporativa grita como se tivesse sido golpeada de morte.

Ora, o que quer o público? Vejamos algumas das propostas da Confecom.

Elas dizem respeito à veiculação de conteúdos nacionais e regionais produzidos de maneira independente e de conteúdos educativos, culturais, informativos e ambientais de países latino-americanos; à criação de núcleos comunitários de comunicação, para fornecer aparatos técnicos e instrumentais à sociedade e permitir que ela construa, socialize e discuta suas próprias produções; à criação de programas educativos, para jovens, que abordem os direitos das mulheres e coíbam a violência de gênero; à fiscalização e à punição para rádios e TVs que desvalorizem, depreciem ou estigmatizem crianças e minorias historicamente discriminadas e marginalizadas (negros, LGBTs, comunidades de terreiro, mulheres, pessoas com deficiência, idosos e indígenas, entre outros); a criação de redes locais e regionais de rádios públicas, estatais e comunitárias. Ou seja, são propostas que levam à abertura e à diversidade, ao respeito do outro, do diferente, à participação do público na programação, que retiram da mídia o que ela tem de estigmatizador e preconceituoso, que privilegiam a liberdade cidadã, não a imposição da ideologia dominante.

É por isso que a mídia grita. Porque a ela não interessa veicular conteúdo cidadão. Por quê? Porque esse conteúdo, teoricamente, ao não reproduzir a ideologia dominante, abrirá espaço para que as pessoas conheçam outros pontos de vista, outras realidades culturais, o que as levará a comparar, a distinguir – enfim, a pensar, e a pensar criticamente. E a exigir cada vez mais qualidade e isenção de uma mídia interessada apenas em seus próprios lucros e em seu próprio poder.

Esse mesmo público, e não o governo, propôs, na Confecom, a criação de Conselhos de Comunicação nos âmbitos federal, estaduais e municipais, com membros eleitos, para garantir o direito humano à comunicação, a regulação de conteúdos veiculados pelas mídias, as políticas de concessão de licença de funcionamento de rádios e televisões. A mídia tem é que brigar com o público, não com o governo. Mas como brigar com o público significa perder audiência e, portanto, lucro, a mídia bate no governo e convence a audiência a ficar contra algo que só irá beneficiá-la. Isso é a “democracia” da mídia? Mais uma vez: fujamos dela.

Uma programação culturalmente diversificada, como quer a sociedade civil, não resolve o problema da educação no Brasil, mas ajuda a exercitar o pensamento ao oferecer informações variadas, pontos de vista diferentes – meios para o público fazer comparações, discernir, escolher aquilo com que se identifica e entender o porquê da identificação. Além disso, o público transforma o monólogo em diálogo ao participar diretamente da programação, ao elaborar conteúdo para ela. Tudo isso amplia o horizonte cultural de uma sociedade. A mídia, ao se opor a essas propostas, opõe-se a essa ampliação do horizonte cultural da sociedade brasileira. É preciso denunciar isso.

H. A imprensa se diz livre e democrática. Entretanto, casos como o da demissão da colunista Maria Rita Kehl do Estadão depois de publicar o artigo Duas medidas – que se opunha ao editorial de apoio a Serra -, parecem contradizer isso. Como você analisa esse aspecto comum à mídia brasileira?
B. É evidente, por tudo que foi dito até aqui, que a mídia só pode mesmo reivindicar a liberdade de desinformar, de impor seu ideário, de manter um monólogo prejudicial à sociedade. Ao distorcer as notícias segundo seus próprios critérios, a mídia impede o público de conhecer os vários aspectos que compõem um acontecimento, um fenômeno. Privado disso, da informação completa, isenta dos filtros midiáticos, o público não tem como exercer seu direito de livre pensamento, de livre expressão, de livre escolha. Suas avaliações ficam prejudicadas porque se baseiam em apenas um lado da história: o que a mídia quer que ele saiba. Seu conhecimento, sua capacidade de julgamento e sua consciência, portanto, são manipulados. Discuto esses tópicos e os perigos a que eles levam no meu novo livro, que sairá no ano que vem e que ainda não tem título definitivo.

Quanto à Maria Rita Kehl, para ser muito sincera, nunca entendi como o Estadão a convidou e menos ainda como ela aceitou o convite. São propostas de vida e de pensamento opostas, como ficou claro no episódio do desligamento dela do corpo de colaboradores. Uma pena, porque a Maria Rita é das poucas cabeças inteligentes com espaço na mídia corporativa.

A situação esclareceu o que o jornal entende por “liberdade de imprensa”. É essa a liberdade que queremos? Claro que não. Por isso é preciso discutir conceitos. O que é liberdade? O que é informação? O que é liberdade de informação? O que é liberdade de expressão e de imprensa? Quando essas coisas vierem a debate, a máscara da mídia cairá.

H. Qual a importância da internet para disponibilizar e democratizar o acesso à informação? Os jornalistas que se opõem à chamada grande imprensa utilizam a web para se comunicar?
B. Veja você que interessante é analisar a internet. É o típico exemplo que foge ao maniqueísmo, ao modelo que reduz a multiplicidade da vida a “bem” ou “mal”, a “bom” ou “mau”.

Analisar a internet é ser obrigado a colocar esse modelo de lado, a juntar bom e mau, bem e mal, a aprofundar a reflexão, levando-a ao campo da diversidade de premissas e de argumentações, a chegar a conclusões às vezes conflitantes e a elaborar um novo tipo de crítica. Isso leva ao exercício do pensamento, que faz muito bem à elaboração de juízos independentes do consenso fabricado e imposto pela mídia.

A internet é tudo aquilo que a crítica diz dela, mas também é tudo aquilo que os aficcionados afirmam dela. Bem, mal, mais ou menos – enfim, tudo cabe nela.

Na campanha eleitoral, por exemplo, só ficávamos sabendo da verdade dos fatos pela internet, pelos blogueiros independentes. A única exceção, em relação à mídia, é a Carta Capital, revista semanal dirigida por Mino Carta e com um corpo de jornalistas excelentes, que fazem jus ao título de jornalistas. Vão atrás da notícia e veiculam tudo que descobrem, sem sofrer censura do patrão e sem a orientação de publicar apenas aquilo que privilegia alguns e detona outros, segundo os caprichos dos acordos corporativos da classe dominante.

Fora a Carta Capital e o Brasil de Fato – este francamente à esquerda no espectro político –, foi nos blogues que a gente conseguia saber o que realmente acontecia nos bastidores das campanhas. Aí era possível ter a dimensão da tragédia, no sentido das alianças políticas, dos apoios, do que havia por trás de cada manchete da mídia corporativa.

Foi nos blogues e na Carta Capital que soubemos, por exemplo, do apoio da TFP e de grupos monarquistas à candidatura Serra, e dos factoides criados por esse pessoal de extrema direita – é preciso arranjar outro termo para classificá-los, porque “extrema direita” não diz exatamente quem é essa gente e o que postula; fascistas é uma expressão que talvez os defina mais adequadamente – para tumultuar e impedir o debate político, afastando os temas realmente relevantes naquele momento para apresentar visões dogmáticas e reducionistas de assuntos que remetem diretamente à laicidade do Estado e ao direito que cidadãs e cidadãos têm a decisões que dizem respeito a sua própria vida.

É engraçado que as Igrejas, ao condenar o sexo antes do casamento e o uso da camisinha, ao satanizar as mães solteiras, obrigando muitas ao aborto, venha posar de “defensora da vida”. Ora, que vida? A da mãe não conta? E o que é vida? Coisas assim devem ser estabelecidas por lei ou pela consciência de cada um? Religião e Estado podem dizer ao cidadão quais devem ser suas preferências sexuais, com quem manter união conjugal, obrigá-lo a ter filhos indesejados? Será que ao Estado não compete pôr em prática políticas públicas de proteção a todos os segmentos da sociedade, não apenas àqueles que obedecem a um certo padrão cultural, de base judaico-cristã?

Voltando a nosso tema, quem denunciou o uso político dos preconceitos foram os jornalistas independentes, em seus blogues, e a mídia “não alinhada” ao poder corporativo midiático. Eles forneciam munição para nós, militantes, rebatermos as acusações da direita explicando o que havia por trás das ditas “denúncias”.

Esses jornalistas permitiram o desmonte dos factoides da mídia corporativa. Ao informar corretamente, eles prestaram um enorme serviço à república e à democracia, permitindo que a verdade viesse à tona e entrasse no debate, que de outro modo seria pautado pela mídia dominante.

A internet permite que isso aconteça. Eu, por exemplo, tenho dois blogues – um de defesa dos direitos dos palestinos e da Palestina, outro com análises sobre o mundo feitas por gente séria e renomada sem espaço na mídia corporativa – que veiculam coisas que a mídia omite.

Muita gente que tinha uma noção distorcida e fabricada da Palestina, do Hamás, do Hizbollah, me diz que só ficou sabendo do que acontecia no Oriente Médio, de verdade, depois de acompanhar meu blogue. Era gente que acreditava na propaganda sionista – e os sionistas dominam a indústria da comunicação e do entretenimento, entre outros setores-chave, dando somente a sua versão dos fatos. Não fosse a internet, essa propaganda danosa não só aos palestinos, mas ao mundo, continuaria soberana.

O drama é que o acesso à internet ainda é restrito, não alcança todo o público. Por outro lado, muita gente que navega procura portais da própria mídia corporativa. Assim, além de popularizar o acesso à web, é preciso mudar a educação, as bases da educação, o modo como ela é exercida, para que os cidadãos possam realmente se beneficiar da internet, como usuários e como elaboradores de conteúdo. Lembremos, porém, que tudo é processo: não existe “fim da história” e a ideia iluminista de progresso com happy end foi para o rol das utopias há muito tempo. Por isso, mãos à obra sempre, sem descanso, para ampliar os nossos espaços, o espaço público, deste país.

Outro fenômeno importante, forte, sobretudo nos EUA, é o fim dos jornais impressos, que passam a existir apenas na internet. Eles foram perdendo leitores até se tornar inviáveis economicamente, e a internet significa uma redução brutal de custos. Aqui, o Jornal do Brasil já adotou essa solução para continuar existindo. O que ainda precisa ser pesquisado é se os jornais e as revistas impressos perderam leitores porque é possível ler notícias na internet ou se as notícias obtidas na internet, de fontes múltiplas, acabaram revelando a pobreza dos noticiários de jornais e revistas, o que levou o público a parar de lê-los. Seja como for, a base dessa mudança radical foi e é, sem dúvida, a internet.

About the Author

Graduado e Mestrando em Filosofia pela PUC-SP, é professor da rede de ensino paulista. twitter.com/felixideia

Enviado pela Vila Vudu

Extraído de Instituto Hypnos

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Racismo, homofobia, mídia e política

A homofobia, o racismo, o preconceito contra pobres... tudo isso não é exclusividade de São Paulo. Quem já viajou ou já viveu em outros cantos do País sabe. Mas é esta cidade de São Paulo que sedia a parcela maior da mídia que fomenta isso, de um modo camuflado, claro. É desta cidade, dominada politicamente pelo tucanato, pela fina flor da socialdemocracia, que se irradiou pro Brasil todo a imunda campanha eleitoral semeando o separatismo, a divisão, o ódio entre regiões, estados e cidadãos, instigando o preconceito e a intolerância.

Nenhum de nós é ingênuo a ponto de desvincular as manifestações racistas na internet, protagonizadas por um bando de babacas, logo após declarada a vitória de Dilma no domingo 31 à noite, e a violência homofóbica na Avenida Paulista ontem, da guerra suja desencadeada pelo candidato da elite contra a candidata do governo.

E o problema maior é que nem ele nem a mídia que o sustenta aceitam a vontade soberana do povo. Este é problema. Esta é a "herança maldita" de uma campanha obscena e obscurantista. E não é leviano supor que tais aliados, indignados agora mais ainda pela derrota que não esperavam, tudo farão pra continuar provocando confronto, conflitos e instabilidade na sociedade.

A Blogosfera Cidadã, que já desempenhou papel importante nesta eleição, denunciando, desmentindo, desarticulando muitas armações, deverá aumentar sua influência nos próximos anos. Temos todos que continuar mobilizados, diariamente alertando, denunciando, promovendo manifestações públicas e manifestos online, cobrando as autoridades judiciárias, esclarecendo, educando, até...

Uma parcela considerável da população ainda é ingênua em relação aos meios de comunicação. Uma boa parte do povo acredita que jornais e redes de televisão têm compromisso com a verdade, com o País. Cabe a nós ajudar na informação e formação da cidadania. Tenhamos em mente isso o tempo todo. Deixemos de lado vaidades pessoais.

Pelo Brasil e pelo Povo Brasileiro, o Abra a Boca, Cidadão! não fugirá da luta, não abrirá mão do seu papel.

domingo, 14 de novembro de 2010

A MÍDIA GOLPISTA TRABALHA ASSIM...

Nem sempre mentindo. Muitas vezes, omitindo... E desinformando seus leitores, ouvintes ou telespectadores. Uma imagem, uma informação, uma notícia que "beneficie" o Presidente e sua então candidata simplesmente desaparecem do noticiário. Veja abaixo.

Tá mais do que na hora do brasileiro ficar esperto. Acorda, cidadão!...



domingo, 7 de novembro de 2010 

[do blog CloacaNews      http://cloacanews.blogspot.com/)


 A MARAVILHOSA FOTO QUE A IMPRENSA GOLPISTA E PESTILENTA DO BRASIL NÃO PUBLICOU – NEM VAI PUBLICAR

O nome desta senhora, ex-favelada do Rio de Janeiro, é Corina Edelvina Bento. Ela chora de emoção e sacode as chaves de sua casa nova, ao mesmo tempo que é beijada pelo presidente Lula. Dona Corina morava numa favela em precárias condições, e agora é uma das beneficiárias do programa Minha Casa, Minha Vida.
A fotografia é tão (politicamente) persuasiva que não foi publicada em nenhum jornal do Brasil, por razões óbvias. Foi publicada - acredite - no The Wall Street Journal, de propriedade do grupo midiático de Rupert Murdoch, que também detém o controle da famigerada Fox News, apoiadores do republicanismo conservador e do Tea Party. Para se ter uma ideia do que é a News Corp. (empresa controladora do grupo), José Maria Aznar, o protofascista ex-primeiro ministro da Espanha, é membro efetivo do board de 17 diretores do vasto grupo de entretenimento.
A fotografia foi tirada no dia 25 de outubro último, por Felipe Dana, da AP.
Nota expropriada do Diário Gauche

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

OLIGARQUIA/MÍDIA GOLPISTA X JORNALISMO CIDADÃO

Engana-se quem pensar que o exército da velha mídia e seus expoentes, transformados em partido político na recente, feroz e imunda campanha eleitoral presidencial, vá baixar suas armas e arrefecer seus ataques ao governo popular e sua presidenta eleita e à hombridade do verdadeiro jornalismo de alguns veículos independentes e também da Blogosfera Cidadã que fez o contraponto na cobertura da campanha.

"A luta continua", como decretou o candidato derrotado em seu discurso burocrático de perdedor. E seus "soldados" na classe política e nos meios de comunicação já começam a se organizar, a exercitar os primeiros golpes, a fazer os disparos iniciais... numa nova "guerra" que foi deflagrada já na noite do último 31 de outubro, por quem não aceitou a vontade soberana do povo. E esta nova guerra promete ser tão ou mais suja quanto a recém-finda campanha.

O recente episódio dos erros do ENEM, que prejudicaram segundo o Ministério da Educação cerca de 200 alunos no Brasil todo, num universo de milhões, é um dos primeiros rounds desta guerra, mostrando claramente a má-fé e a leviandade da mídia partidarizada, que transforma um fato corriqueiro num pandemônio, num caos, tentando enfraquecer o Ministro Haddad, manchar a política educacional do governo Lula e sua continuidade no governo Dilma, entre outros objetivos menos confessáveis...

O discurso do deputado Marcelo Itagiba [abaixo], contendo ataques virulentos aos jornalistas Mino Carta, Luiz Carlos Azenha, Leandro Fortes, Paulo Henrique Amorim, Luís Nassif e outros, chamados por ele de "velhacos", "párias", "energúmenos", "mitômanos", "estelionatários" e outros impropérios, dois dias atrás na tribuna da Câmara Federal, parece ser outro round dessa guerra suja. Logo em seguida reproduzo também a resposta de Mino Carta publicada agora a pouco no site da revista CartaCapital.

Como se vê, a "guerra" só está começando...



Profissionais da calúnia, da injúria e da difamação

por Marcelo Itagiba, futuro ex-deputado, discursando na tribuna da Câmara Federal em 10.11.2010 [do site Vi o Mundo  http://www.viomundo.com.br/]

A democracia que estamos vivendo há duas décadas, sem interrupções, é a maior conquista da população brasileira. Em 120 anos de República, o direito do povo de participar diretamente da vida política do país foi por várias vezes subtraído. Mas nas duas últimas décadas foram realizadas seis eleições livres e diretas para o cargo de Presidente da República. É um marco na história do nosso país. É o mais longo período de vida democrática da nossa história.

A máxima constitucional segundo a qual “o poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido” vem sendo respeitada e cumprida exemplarmente. E como não há democracia plena sem um Congresso Nacional forte, é necessário que se tenha uma oposição coerente, unida e responsável que faça com que as duas casas legislativas cumpram com a sua missão constitucional de fiscalizar o Poder Executivo, para impedir abusos, desvios e irregularidades.

É imprescindível uma oposição que promova o processo dialético da democracia e aja com responsabilidade e espírito republicano, ao contrário do que fez o PT na oposição. Eleitoreiramente, o PT se recusou a assinar a Constituição de 1988 e rejeitou a aprovação do Plano Real e da Lei de Responsabilidade Fiscal, duas medidas que foram decisivas para que o país atingisse o atual patamar socioeconômico e a consolidação da democracia.

O Brasil precisa de uma oposição que se mantenha vigilante em relação ao reaparecimento de mensaleiros e sanguessugas. Que fique de olhos bem abertos às tentativas de criação de novos impostos, de recriação da CPMF e de aumento dos gastos públicos.

O Brasil precisa de uma oposição que lute pela diminuição da carga tributária e do tamanho do Estado. E que detecte imediatamente qualquer movimentação que ameace a liberdade de expressão, de opinião e de imprensa. Ou seja, que ameace a democracia arduamente conquistada pelo povo brasileiro.

O Brasil precisa de uma oposição que respeite os adversários dos mais diferentes matizes e colorações, mas que rejeite os intolerantes e autoritários que, em determinados momentos históricos, pretenderam introduzir no país regimes totalitários, fossem eles de esquerda ou de direita.

O Brasil precisa de uma oposição que corresponda ao anseio popular depositado nas urnas, cuja apuração final revelou que 79 milhões dos 130 milhões de eleitores não votaram na candidata eleita.

Hoje, a democracia está consolidada e as instituições responsáveis pela defesa do cumprimento da Constituição Federal devem ser ainda mais fortalecidas. E como não há como separar a consolidação da democracia do livre exercício da liberdade de imprensa – pois são interdependentes – é preciso exaltar que, sem sombra de dúvida, os jornalistas e a imprensa têm contribuído, decisivamente, para a garantia e a preservação do regime democrático brasileiro.

Mas é preciso separar o joio do trigo, pois há uma meia-dúzia de desprezíveis que se dizem jornalistas. Embora evidentemente não representem a classe e não ofereçam, por sua insignificância, qualquer risco à democracia e à liberdade de imprensa, eles devem ser desmascarados porque vivem da prática de atentados contra a moralidade, o espírito público e a honra de cidadãos.

Errar é humano e qualquer um tem o direito de errar. Mas a persistência no erro é fruto de incompetência ou de má-fé, ou as duas coisas. Agem com má-fé alguns que se dizem jornalistas, mas não são capazes de reconhecer quando erram.

Na verdade, são pseudojornalistas, pois abandonaram os ditames da profissão e passaram, criminosamente, a se dedicar, muitos deles à custa do erário público, à atividade impiedosa e covarde de tentativa de assassinatos de reputações alheias.

Eles são, no campo da imprensa, o equivalente aos cangaceiros ou pistoleiros de aluguel. Na verdade, são parajornalistas que jogaram no lixo os princípios da ética e nunca sequer folhearam os manuais de redação, para ao menos ler as primeiras linhas das recomendações básicas feitas ao profissional do jornalismo.

Optaram por dar as costas aos fundamentos da profissão e se especializaram em produção de falsas notícias, com o objetivo de escarnecer pessoas que com eles não se alinham ideologicamente ou não se coadunam em suas negociações espúrias.

São ex-profissionais que não dão mais ouvidos ao outro lado – se é que um dia o praticaram convictamente. Afinal, a julgar pelo desprezo que manifestam pela verdade, se ouviram o outro lado algum dia, o fizeram, no máximo, de forma meramente protocolar e desinteressada, ignorando a importância que o equilíbrio entre as partes deve ter na publicação de uma notícia.

Eles se tornaram mercenários da informação, no mais das vezes bancados por interesses espúrios. Não há mais código de ética que os contenha nas suas ações difamantes, caluniosas e injuriosas. Somente o Código Penal pode detê-los.

Eles são minoria, mas sua existência profissional é uma grande ameaça à honra das pessoas honestas. Hoje, esses ex-jornalistas investem na perseguição aos que criticam os governos de cujos cofres eles retiram o seu sustento. Agem com a mesma sofreguidão com que os sindicalistas que integram as hostes do neo-peleguismo brasileiro avançam sobre o dinheiro público.

Eles são os párias do jornalismo brasileiro. São pseudojornalistas que se apresentam, falsamente, como repórteres em busca da verdade, mas agem no sentido contrário do princípio básico do jornalismo. O que realmente lhes interessa é a distorção deliberada dos fatos, com vistas a construir a versão que melhor se encaixa nas suas pretensões político-financeiras.

Eles fogem dos fatos como o diabo da cruz. Eles têm pavor da luz que jorra da verdade, pois são como vampiros que sobrevivem do sangue alheio. Seus textos são redigidos nas trevas da maledicência, na escuridão da ausência de caráter e no túnel sem saída dentro do qual os medíocres se encurralam para sempre.

Embora se resumam a uma meia-dúzia de ex-jornalistas alijados da imprensa séria por inépcia, má-fé ou as duas coisas, são profundamente graves os danos morais que eles procuram impingir às suas vítimas, sobretudo quando estas não reagem à altura. Contra eles, é preciso recorrer aos instrumentos legais de reparação disponibilizados pelo Código Penal.

Eu, principalmente como servidor público de carreira com quase 30 anos de serviços prestados como delegado do Departamento de Polícia Federal, e também como servidor público eleito para o cargo de deputado federal, já enfrentei diversas vezes, sem recuo, de peito aberto e cabeça erguida, a sanha desses energúmenos.

O primeiro foi o mentecapto que atende por Bob Fernandes. Sem apresentar uma única prova sequer que sustentasse a sua mirabolante história publicada na Carta Capital, na edição 142, de 14 de março de 2001, o caluniador travestido de repórter me envolveu na sua ficção a respeito de um dossiê que teria sido produzido contra o então ministro da Educação, Paulo Renato Souza, numa suposta tentativa de desqualificá-lo como pré-candidato do PSDB à Presidência da República.

Em meus quase 30 anos de carreira como delegado do Departamento de Polícia Federal, jamais fiz dossiês, arapongagens ou quaisquer ações incompatíveis com os ditames das leis. Por princípio e por dever público assumido, sempre fui um ferrenho e irredutível defensor do cumprimento das determinações legais.

Dentro das prerrogativas do cargo, o que sempre realizei foram inquéritos policiais devidamente instaurados e destinados a reunir provas concretas que levassem à cadeia os criminosos. Inclusive os de colarinho branco com os quais muitos desses falsos jornalistas mantêm uma ligação umbilical para sugar a energia financeira que lhes garante a existência física, pois a intelectual, humana e afetiva eles nunca tiveram.

Enquanto, como delegado da Polícia Federal, sempre busquei a verdade dos fatos, me utilizando dos instrumentos legais que o Estado e as leis vigentes punham à disposição do meu exercício no cargo, os parajornalistas, como Bob Fernandes, sempre visaram à mentira, se utilizando de meios e argumentos fraudulentos para distorcer a verdade.

O desqualificado Bob Fernandes, um ano depois, na mesma Carta Capital, faria uso de velhas premissas inverídicas. A partir delas, construiu um novo silogismo, tão sólido quanto um castelo de cartas, para tentar sustentar a sua conclusão mentirosa, irresistível a um pequeno sopro da verdade, de que eu teria participado da Operação Lunus.

O único fato concreto presente na matéria é o de que, à frente da Gerência Geral de Segurança e Investigações da Anvisa, subordinada ao Ministério da Saúde, na gestão de José Serra, fui o responsável pelas operações exitosas que resultaram no desmantelamento das quadrilhas de fraudadores de remédios que grassavam o país. O resto é um conjunto de ilações, difamações e mentiras.

Além de aposentarem (alguns, muito cedo) o interesse pela verdade em troca do apego incorrigível à mentira, uma outra marca característica comum entre esses ex-jornalistas é a de que fazem uso mútuo das leviandades que elaboram. A mentira circula entre eles como os produtos ilegais no mercado negro.

Exemplo disso é o famigerado Leandro Fortes, que, recorrendo às inverdades publicadas na Carta Capital por seu companheiro do ramo da fabricação de mentiras, utilizou-as, mesmo sabendo-as falsas, na sua reportagem no Jornal do Brasil, em 2002, sobre o caso Lunus.

Até hoje eles não apresentaram um único indício sequer que comprovasse qualquer participação minha no referido episódio, pelo simples fato de que ela não ocorreu. Não abro mão da dignidade, da correção e da integridade com que sempre exerci cargos públicos. Desafio todos esses ex-jornalistas a comprovarem com fatos as suas peças ficcionais. Jamais conseguirão, pois agem à maneira de Joseph Goebbels, para quem a mentira devia ser repetida mil vezes para que parecesse ser a verdade.

O emprego desse ardil no Caso Lunus induziu o senador José Sarney, à época, a fazer um pronunciamento desconectado da realidade dos fatos, tratando como verdadeiras informações mentirosas e sendo secundado em discurso pela puxa-saco de plantão Ideli Salvatti.

O mitômano Leandro Fortes, anos depois, com a comprovação de sua incontestável capacidade de criar notícias ao bel prazer do dono do veículo que o remunera, foi acolhido na Carta Capital pelos braços do velhaco Mino Carta. Contratação perfeitamente compreensível. Afinal, Mino Carta, em sua trajetória venal, ganhou notoriedade pelas práticas parajornalísticas das quais devem ser mantidos distantes, a bem do jornalismo sério, os estagiários dos cursos de Comunicação Social.

Aliás, o Leandro Fortes, que poderia mudar sua assinatura para Leandro Fracos, haja vista a fragilidade sempre presente nas matérias com que pratica o denuncismo, tem sido muito útil às vilanias da Carta Capital. Ele assinou uma série de reportagens que tinha o propósito de defender autoridades envolvidas em irregularidades e crimes no exercício de suas profissões, conforme comprovou a Comissão Parlamentar de Inquérito das Escutas Telefônicas, por mim presidida na Câmara Federal.

A CPI demonstrou, irrefutavelmente, que alguns delegados de polícia, promotores e juízes, num conluio perigoso para o estado democrático de direito, se sobrepunham aos ditames legais. Ao arrepio das leis vigentes no país, se utilizavam de forma indevida da interceptação telefônica para atingir objetivos nem sempre confessáveis. Comprovadamente, fizeram mau uso de um instrumento de fundamental importância para a obtenção de provas contra criminosos, sobretudo os do crime organizado.

As trajetórias editoriais de veículos como a Carta Capital e também a IstoÉ falam por si mesmas. Mas podem ser complementadas com informações sobre as muitas reparações judiciais que lhes foram impostas, como a que resultou de ação movida e vencida por mim contra a segunda.

Esses falsos jornalistas tentaram das mais diversas formas apoiar investigações policiais marcadas, sabidamente, graças à CPI, por desmandos de autoridades que, tais quais os ex-jornalistas, seguem a cartilha segundo a qual os fins justificam os meios, desde que aqueles que eles consideram inimigos sejam atingidos, não se importando com os limites determinados pela lei, pela ética e pela moral.

Outro proxeneta da informação, que tem por hábito prostituir as palavras para que elas façam o que ele quer, ainda que contra a sua vontade semântica, é o tal do Palmério Dória. Na edição nº 146 da revista Caros Amigos, de maio de 2009, ele lançou mão de informações velhas e falsas, devidamente pulverizadas pela verdade dos fatos por mim apresentada, e reescreveu (requentou, no jargão jornalístico) afirmações largamente desacreditadas.

Palmério Dória é um recalcitrante profissional da mentira. É um dos que ficaram inconformados com o meu parecer favorável, na CPI, ao indiciamento por falso testemunho do delegado Protógenes Queiroz, do ex-diretor da Abin, Paulo Lacerda, e do ex-diretor-adjunto da Abin, Milton Campana; como também do banqueiro Daniel Dantas, este pelo crime de interceptação ilegal.

“Honoráveis bandidos”, o mais recente livro de Palmério Dória, ao contrário do que sugere o título, não é uma obra autobiográfica com trechos de delação premiada em que as cabeças dos comparsas são oferecidas pelo réu-confesso para livrar a própria das lâminas da guilhotina da verdade.

Ficam salvos, assim, os pescoços de contumazes propagadores de mentiras, calúnias, difamações e injúrias, como o crápula Paulo Henrique Amorim, o inepto Luiz Carlos Azenha, o estelionatário Luis Nassif e o hidrófobo Marcelo Auller. Esses quatro fazem da vilania a arma com que atacam reputações de pessoas honradas e usam da condescendência com os áulicos para suprir suas necessidades fisiológicas.

Por fim, há o covarde do Amaury Ribeiro Júnior, mais um ex-jornalista que abandonou a profissão e enveredou no campo da arapongagem, e que por isso foi contratado pelo grupo de espionagem formado por inescrupulosos incrustados no PT, para colaborar com a produção de dossiês falsos destinados a atentar contra a honra de adversários políticos.
O inquérito policial a que respondem o covarde jornalista e os inescrupulosos do PT foi instaurado a partir de notícia-crime protocolada por mim no Departamento de Polícia Federal, solicitada à Presidência da Câmara e requerida ao Ministério Público Federal.

Respeito as divergências ideológicas, porque considero necessárias tanto a crítica para o aperfeiçoamento das posições, quanto a dialética para a busca da verdade. Mas abomino os que se escondem por trás de uma caneta ou de um computador, muitas vezes remunerados por recursos espúrios ou pela máquina do Estado, e criam histórias fantasiosas que não guardam relação com a realidade, a serviço de seus próprios interesses ou de terceiros.

Não há espaço para os profissionais da canalhice na imprensa séria, responsável e comprometida com a sua missão pública. O bom jornalismo os dispensa. A maioria dos leitores os ignora. E o Código Penal os aguarda, porque só sabem andar de braços dados com as péssimas companhias da calúnia, da injúria e da difamação.

PS do Viomundo: Não conheço o deputado Itagiba. Nunca o entrevistei. Não sei a que devo a honra de figurar na lista ao lado de tanta gente boa. Acho que o discurso pode ter relação com esta nota, publicada pelo Nassif hoje:

A condenação de Protógenes

O juiz Ali Mazloum foi vítima de uma das operações da Polícia Federal, que liquidou com seus sonhos de carreira no Judiciário. Na época, defendi-o e voltaria a defendê-lo. Mas essa circunstância deveria ser suficiente para que se considerasse impedido de julgar o caso do delegado Protógenes. É evidente que não tem a isenção necessária. E não se trata de julgar sistemas, histórico de pessoas, mas casos específicos em cima de provas objetivas.

Agora se tem, simultaneamente, a) O livro do Raimundo Pereira; b) a ofensiva midiática de jornalistas ligados a Dantas, procurando repercutir o máximo possível o livro; c) A suspensão do julgamento de Ricardo Sérgio pelo STF, em cima de operações envolvendo Daniel Dantas; d) a sentença de Ali Mazloum.

Pode ser coincidência.

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E abaixo a manifestação de Mino Carta hoje no site da CartaCapital:



A despedida de um jagunço



Está claro quem é o coronel que inspirou. Por Mino Carta. Foto:Sérgio Lima/Folhapress

Na Câmara Federal, o ex-deputado tucano Marcelo Itagiba, ex-emedebista, ex-policial, deita falação para injuriar alguns jornalistas, precisamente aqueles que atuaram do lado oposto à compacta campanha de ódio a favor de José Serra desencadeada pela mídia nativa. Luiz Carlos Azenha é inepto, Bob Fernandes é mentecapto, mercenário desqualificado. Leandro Fortes, famigerado mitômano. Palmério Doria, profissional da mentira. Paulo Henrique Amorim, crápula. Luis Nassif, estelionatário. Marcelo Auler, hidrófobo. Quanto a mim, sou um velhaco de trajetória venal.

Creio que para os colegas ofendidos as injúrias de Itagiba equivalham a outros tantos reconhecimentos de honradez e qualidade profissional. O acima assinado passará a incluir as definições desse sabujo da tucanagem despenada entre as mais favoráveis que recebeu ao longo da sua vida de jornalista. Uma do colega Nirlando Beirão, companheiro de diversas jornadas: “Nunca o vi vacilar à frente dos poderosos”. A outra do então ditador aposentado João Baptista Figueiredo, pronunciada em 1988: “Ele é um chato que questiona tudo, reescreveria até os Evangelhos, Geisel o detestava, mas não tem rabo preso”.

Meu modelo é nonno Luigi,  toscano, pai da minha mãe, falecido aos 56 anos, antes do meu nascimento. Perseguido pelo fascismo, afastado da direção de um diário genovês, esgrimista, desafiava os desafetos para duelos. Sabia ganhar e perder, certa vez foi ferido da ponta da orelha esquerda à base do pescoço, escapou por um triz.

Mas quem ousaria contestar o ex-esbirro-Itagiba, que se permite condenar Paulo Lacerda ou Protógenes Queiroz? Há de ser velhaco e venal quem ao sair da direção de Veja  em fevereiro de 1976 teve de inventar os seus empregos porque não existiria barão midiático disposto a lhe oferecer trabalho. E ainda quem nunca deixou de defender a verdade factual e expor desabridamente suas opiniões.

Tenho pena de figuras como a de Marcelo Itagiba, jagunços de um poder no ocaso. Sinto no seu ataque a admirável interpretação do papel de janízaro, a cumprir a ordem do sultão humilhado, incapaz de conter a sede de vingança, o rancor inextinguível contra a vida e o mundo. No seu discurso federal, o porta-voz do ódio levanta casos de muitos anos atrás, todos a convergir em uma única direção. Basta segui-la para entender em nome de quem ele age. Boa pista para mentecaptos, ineptos, mitômanos e assim por diante.

Inclusive para velhacos e venais. Arrisco um palpite: trata-se da mesma personagem que acionou a procuradora Cureau contra CartaCapital.

FALEMOS DE REGULAÇÃO

O ministro Franklin Martins define como “fantasma” a assertiva bastante comum de que a liberdade de imprensa sofre ameaça no Brasil de Lula e Dilma. Também diz que a regulação da mídia é necessidade inadiável. Primeiro: respeita a verdade factual, nunca a mídia nativa foi tão livre de deturpar os fatos como se deu durante a campanha eleitoral. Segundo: o avanço tecnológico justifica plenamente a regulação da comunicação eletrônica, de sorte a adaptar à situação atual leis e regras superadas, ou seja, obsoletas.

O anteprojeto que o ministro pretende aprontar antes do fim do mandato do presidente Lula tratará dessa atualização técnica, sem risco algum para a liberdade de expressão. Temos aqui outro aspecto da questão, e o ministro passa por ele à margem do seminário internacional de Brasília, realizado nesta semana, ao condenar um conflito de interesse insuportável em um país democrático: inúmeros parlamentares são donos de instrumentos midiáticos, de jornais a rádios e tevês, ou contam com os préstimos de laranjas para esconder o verdadeiro proprietário.

No caso, o ministro volta a acertar. Trata-se de permitir outra regulação, a determinar de forma democrática os poderes e os alcances da mídia brasileira. Cabe ao Congresso a aprovação de uma lei que circunscreva claramente o raio de ação dos patrões (é aceitável que alguém seja dono de tudo?) e valorize os profissionais, a resguardá-los da prepotência medieval de serem comandados por um diretor de redação por direito divino.

Perguntava Joana D’Arc na peça de Bernard Shaw: “Quando, ó Deus, esta terra estará em condições de receber os seus santos?” Seria demais esperar pelos santos: bastariam deputados e senadores de boa-fé democrática, conscientes das suas responsabilidades.