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quinta-feira, 21 de julho de 2011

Juiz beneficia assassinos de ativistas

Pois é. A história se repete. Mais um juiz com suas decisões estapafúrdias beneficia criminosos. Mais uma vez o Judiciário deixa a desejar.

E como não há controle da sociedade, nosso papel é o de ficar nas "arquibancadas", apreciando o "show". Ou, quem sabe, melhor ainda, ignorando o que se passa debaixo do nosso nariz...

Estamos cansados. Estamos exaustos. Estamos fartos. Não aguentamos mais isto. Vira-e-mexe, a história se repete.

Um casal de ativistas... vejam a foto abaixo. Gente simples, bonita, bem intencionada, lutando por direitos, seus e de outros, barbaramente assassinados. E os responsáveis pelo crime? Na jaula, como aconteceria em países civilizados? Não. Passeando por aí, flanando, "soltinhos da silva", graças ao "bom coração" de um juiz...

Chega de impunidade!



Decisões de juiz beneficiam matadores de casal extrativista de Nova Ipixuna



Após quase dois meses dos assassinatos de José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo Silva, a polícia civil do Pará concluiu as investigações e apontou como mandante dos crimes o fazendeiro José Rodrigues Moreira e como executores os pistoleiros Lindonjonhson Silva Rocha (irmão de José Rodrigues) e Alberto Lopes do Nascimento. Mesmo identificando os executores e um mandante do crime, nenhum deles foi preso, todos encontram-se livres em lugar não sabido, graças a decisões do juiz Murilo Lemos Simão da 4ª vara penal da comarca de Marabá. No curso das investigações, a polícia civil pediu a prisão temporária dos acusados, mesmo com parecer favorável do Ministério Público o juiz negou o pedido. De posse de novas provas sobre a participação dos acusados a polícia ingressou com um segundo pedido, dessa vez, requereu a prisão preventiva de todos, o pedido chegou novamente às mãos do juiz com parecer favorável do MP e, mais uma vez, o juiz negou o pedido. Na semana passada, no final das investigações, a polícia civil ingressou com um terceiro pedido de prisão e, até o momento da divulgação do nome dos acusados em entrevista coletiva, o juiz não tinha decidido sobre mais esse pedido.


Casal de ativistas assassinado                                                          France Presse


Ao negar a decretação da prisão dos acusados por duas vezes, o juiz contribuiu para que esses fugissem da região e, mesmo que sejam decretadas suas prisões, a prisão do grupo se torna ainda mais difícil. O mesmo juiz decretou o sigilo das investigações sem que o delegado que presidia o inquérito ou o Ministério Público tenha solicitado. Muitos outros crimes de grande repercussão já ocorreram no Estado do Pará (Gabriel Pimenta, Irmã Adelaide, massacre de Eldorado, José Dutra da Costa, Irmã Dorothy) e, em nenhum deles, foi decretado segredo de Justiça. As decisões do juiz Murilo Lemos constituem mais um passo em favor da impunidade que tem sido a marca da atuação do Judiciário paraense em relação aos crimes no campo no Estado.

Desde o início das investigações as testemunhas ouvidas já indicavam a possível participação de José Rodrigues como um dos mandantes do crime, ao lado de outros fazendeiros e madeireiros do município. José Rodrigues pretendia ampliar sua criação de gado para dentro da reserva extrativista. No entanto, a área que ele dizia ter comprado já estava habitada por três famílias extrativistas. Na tentativa de expulsar as famílias, José Rodrigues levou um grupo de policiais entre civis e militares até o local, expulsou os trabalhadores, ateou fogo em uma das casas e levou um trabalhador detido até a delegacia de Nova Ipixuna. Na delegacia o trabalhador foi pressionado pelos policiais e José Rodrigues a assinar um termo de desistência do Lote. José Cláudio e Maria além de denunciarem a ação ilegal dos policiais ao INCRA apoiaram a volta dos colonos para os lotes.

Meses antes de suas mortes, José Cláudio e Maria denunciaram as ameaças que estavam sofrendo e apontavam fazendeiros e madeireiros como os ameaçadores. As dezenas de depoimentos colhidos durante as investigações apontam para a participação de outras pessoas na decisão de mandar matar José Cláudio e Maria. Razão pela qual as entidades abaixo relacionadas defendem a continuidade das investigações. As entidades esperam ainda que o inquérito presidido pela Polícia Federal, e não concluído ainda, possa avançar na identificação de outros acusados pelos crimes.

Pelo exposto exigimos: a decretação das prisões de todos os acusados e suas prisões imediatas, o fim da impunidade e a conclusão das investigações das mortes dos trabalhadores assassinados na região após a morte de José Cláudio e Maria.

Marabá, 19 de julho de 2011.

Comissão Pastoral da Terra – CPT Marabá.


FFETAGRI Regional Sudeste

Dignitatis



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7 comentários:

  1. Ele deve estar recebendo boa grana...

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  2. Sonia:

    No Pará o descaramento é total e suprapartidário.

    A ex-governadora, Ana Júlia Carapeba, PROMOVEU todos os 108 SOLDADOS envolvidos no massacre de Eldorado dos Carajás PARA A PATENTE DE cabo!

    Na época eu questionei e recebi um e-mail da assessoria de imprensa recheado de abobrinhas e nenhuma explicação.

    Em se tratando de "grilagem" já faz parte do DNA do judiciário paraense protegê-los...

    Como cidadãos ficamos de mãos atadas o espetáculo do sistema das capitanias hereditárias que ainda existem em todo o Brasil.

    A impressão que temos ao final é que "assistimos da plateia", mas na verdade nós gritamos e não somos ouvidos por quem de direito...

    TODO DONATÁRIO QUE SE PREZA TEM CAPATAZES PARA FAZEREM O TRABALHO SUJO!!!

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  3. Rsrssss... Pois é. A corrupção no Judiciário é um verdadeiro câncer que a cidadania organizada precisa urgentemente extirpar. Obrigada pelo comentário, Castor. Abraços.

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  4. Sonia:
    (Creio o o meu 1º comentário se perdeu...)

    No Pará os grileiros são protegidos independentemente do partido que governa.

    A ex-governadora, Ana Júlia Carapeba, PROMOVEU 107 SOLDADOS envolvidos no massacre de Eldorado dos Carajás para a patente de CABO!

    É a velha tradição das Capitanias Hereditárias e todo Donatário que se preza tem capatazes para fazer o "trabalho sujo", no caso esse papel já está impregnado no DNA da maioria do judiciário paraense!

    Mas acho que "nós" não ficamos assistindo da arquibancada não!

    Os nossos gritos é que não encontram eco em quem de direito poderia e deveria fazer algo.

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  5. Oi, Giba. Aqui só recebi esse comentário teu. Essa Ana Júlia é petista... promover assassinos... isso é de lascar! Acho que me expressei mal. Esse papel de ficar assistindo é o que eles gostariam que fizéssemos. É o que a velha mídia sempre fez, com o seu "rabo preso". Mas nós que fazemos a nova mídia, a blogosfera verdadeiramente progressista e cidadã, temos mais é que "botar o dedo na ferida"... Olha a foto do José Cláudio e da Maria, gente do Bem, gente boa, gente simples, de caráter, brutalmente assassinados por esses trogloditas. E protegidos por esses juizinhos canalhas... A luta continua. Abraços.

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  6. Eu sei que a Ana Júlia é do PT, tanto que estranhei...

    Na época, há dois anos atrás, enviei e-mail e recebi resposta da sua assessria de imprensa com muito blá-blá-blá e nada mais.

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  7. Essa é a atitude que as cidadãs e os cidadãos devem ter. No nosso caso, de comunicadores e blogueiros, denunciar, "tocar a trombeta", informar, dar exemplo... e também nos valendo de nosso status de comunicadores, nos manifestarmos como você fez. Somos blogueiros ativistas. Noticiamos mas também tomamos partido em alguns casos. E a maravilha da nova tecnologia nos permite isso. Num "clic", você se coloca, por exemplo, dentro do Gabinete da Presidenta Dilma... Precisamos nos valer mais disso, Gilberto! Abração.

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