Tradutor

sábado, 22 de março de 2014

"O Golpe é a corrupção", diz juiz Marcelo Semer


50 ANOS DO GOLPE MILITAR NO BRASIL



"Uma das grandes sandices dos saudosistas da ditadura, ou daqueles que evocam a nostalgia do que jamais conheceram, é pregar por “um golpe militar contra a corrupção”. (...)

Mas um golpe militar jamais será contra a corrupção. O golpe é a própria corrupção."

                                                                        Marcelo Semer, juiz e escritor





Não existe golpe militar contra corrupção; golpe é a corrupção


Uma das grandes sandices dos saudosistas da ditadura, ou daqueles que evocam a nostalgia do que jamais conheceram, é pregar por “um golpe militar contra a corrupção”.

Nessas toscas, porém não ingênuas, chamadas para uma marcha com Deus, família, liberdade e canhões, a ideia se repete com uma irritante constância.

Mas um golpe militar jamais será contra a corrupção. O golpe é a própria corrupção.

Não bastasse o fato de corromper a ideia em si do estado de direito (que cede ao estágio da força bruta), e ser, portanto, uma violência contra a democracia, a ditadura por essência se opõe aos princípios mais básicos do combate a qualquer corrupção: transparência e igualdade.

Nada disso existe quando o poder é absoluto.


Não passa de um mito, construído pelo marketing da mentira e pela estratégia da ocultação, a ideia de que não houve corrupção na ditadura.

Pequenas notícias, grandes fortunas.

Quantos não foram os empreendedores pró-militares que enriqueceram, enquanto o país se endividava brutalmente?

O que não havia na ditadura era liberdade da imprensa para divulgar, nem a de órgãos de controle para averiguar ilícitos.

A ideia de república pressupõe o controle do poder; a ditadura, ao revés, se baseia no uso do poder como controle.

Reportagem recente do jornal O Globo - insuspeito no assunto, porque foi um dos mais persistentes no apoio aos militares - aponta que a Comissão Geral de Investigação criada pela ditadura arquivou inúmeras denúncias contra amigos do regime ao mesmo tempo em que se detinha em vasculhar a vida de seus opositores.

Enquanto arquivos pessoais de Leonel Brizola e João Goulart eram devassados (sem sucesso) pelos investigadores atrelados ao governo, denúncias contra José Sarney e Antônio Carlos Magalhães, por exemplo, foram simplesmente arquivadas sem qualquer tipo de apuração.

Os amigos do poder tinham mais que direitos; os inimigos, bem menos do que a lei.

Pode-se encontrar violência, privilégios e obediência pelo medo nos desvãos da nossa ditadura.

Mas não uma polícia isenta, um Ministério Público com autonomia ou a plena independência judicial.

A promiscuidade entre empresários e membros do regime militar é, aliás, um dos pontos que tem chamado a atenção da Comissão Nacional da Verdade recentemente. Já foram levantados vários apontamentos de visitas de representantes de entidades de industriais a locais de repressão.

O documentário Cidadão Boilesen (2009, direção Chaim Litewsky) aborda o tema com farto material histórico, relatando o subsídio empresarial para a manutenção de centros de tortura – uma espécie de parceria público privada para uma operação ilegal, ao mesmo tempo no coração e à margem do sistema.

Alguns aderiram à promiscuidade como forma de não serem alijados de licitações ou grandes contratos; outros justamente para poder se aproveitar das oportunidades que se abriam com essas ligações escusas - o documentário avoluma dados sobre as conexões entre o grupo do executivo e a Petrobrás.

Com a aproximação do aniversário de cinquenta anos do golpe militar, que mergulhou o país em mais de duas décadas de sombras, proliferam-se manifestações nostálgicas, estimuladas pelo negacionismo de historiadores reacionários.

A ditadura, de fato, tinha menos paciência com rebeliões de políticos aliados. E nenhuma tolerância contra os inimigos do regime.

Mas daí não resulta qualquer mérito. Ao revés, a intolerância do poder foi devastadora.

Muitas famílias acabaram destroçadas. E as marchas que vieram a partir do golpe não desaguaram nem em Deus nem nas liberdades. Apenas espalharam violência.

Há quem esteja predestinado a repetir a história como farsa. Mas há muita gente ainda de olho na tragédia.


Destaques do ABC!

*

50 anos do Golpe de 64: Ditadura Nunca Mais !!!


50 ANOS DO GOLPE MILITAR NO BRASIL


Participe, de alguma forma, dos atos de REPÚDIO ao Golpe Militar de 1964, que faz 50 anos em 31 de março/1 de abril. Manifestações no Brasil todo e em vários países. 
Veja a programação completa no link abaixo:

http://programacao50anos.blogspot.com.br/


Ditadura Nunca Mais !!! 

VIVA O POVO BRASILEIRO !!!

Convocação para o Ato de Paris

*

quinta-feira, 20 de março de 2014

Geraldo Alckmin: "Choque de Incompetência"


TUCANATO: DO CHOQUE DE GESTÃO AO CHOQUE DE INCOMPETÊNCIA



São Paulo: Palco da abertura da Copa do Mundo. 

E as torneiras? Secas. Vazias. Nem uma gota...

Já imaginaram?

E os responsáveis por este descalabro querem voltar à Presidência da República.

Que Deus ilumine o Povo Brasileiro!





Seca à vista: a escassez de água em São Paulo é fruto da sucessão de erros do governo Alckmin



Edson Domingues*


Reservatório do Sistema Cantareira


Geraldo Alckmin está testando na população suas habilidades de médico anestesista. Em 1º de fevereiro, o DCM apontou os riscos que o Sistema Cantareira corria por diversas razões. Diante da inércia da gestão do sistema hídrico paulista, o quadro só se agravou após 45 dias. Vacilante sobre que medidas tomar com relação ao racionamento, o governo optou pelo caríssimo bombardeio de nuvens em busca de chuva artificial.

Sem efeito, partiu para “deixar estar para ver como é que fica” e os primeiros resultados começaram a aparecer: obra emergencial para uso do chamado “volume morto” (cerca de 300 bilhões de litros que ficam no fundo dos reservatórios), falta de água em centenas de bairros da periferia e região metropolitana, possibilidade de paralisação da atividade industrial e risco de demissões, malabarismo no comércio e a aurora da seca antes mesmo do período de estiagem se estabelecer.

Nunca a falta d’água foi um problema tão grave na região metropolitana de São Paulo em razão da inércia da Sabesp. Recursos públicos estão sendo despejados para manter água na torneira da dona de casa. Antecipação desastrada pela busca de água no combalido Rio Ribeira de Iguape, projeto da década de 70, faz o governo correr para o licenciamento ambiental no Vale do Ribeira como forma de dar resposta à opinião pública diante do desabastecimento que se avizinha. Ao menos 60 meses serão necessários para a água do Ribeira subir para a região metropolitana. O mundo estará com os olhos voltados para São Paulo, palco da abertura da Copa do Mundo, num cenário que inclui a escassez nas torneiras.

O contorcionismo faz com que sejam remanejados volumes de outros Sistemas, como Guarapiranga e Alto Tietê. Fora o esforço que a população faz para economizar.

O volume morto tem problemas demais para ser tratado como vem sendo pela Sabesp. Cada vez mais as águas do Sistema Cantareira demandam forte tratamento químico para sua potabilidade, já comprometida pelo uso e ocupação do solo irregular por imóveis padrão “Beverlly Hills” construídos a despeito da “fiscalização” da Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

Pesquisadores da UNESP de Sorocaba, em convênio com a USP, apontam que as águas do Sistema Cantareira têm sulfato de cobre, fungicida utilizado no sistema de tratamento de captação de água para combater algas. Seu uso excessivo pode acarretar danos ao sistema hepático em caso de ingestão contínua. Sua aplicação no Sistema Cantareira pode ter deixado concentrações acima dos níveis recomendados.

Segundo pesquisadores da UNESP, outros componentes químicos são ameaçadores: cádmio, níquel, zinco, chumbo, cobre, cromo, arsênio, ferro e alumínio já são encontrados em invertebrados nas represas que compõem o Sistema.

Os acionistas da SABESP na Bolsa de Valores certamente ainda não sabem, mas apostaram no tão propagandeado investimento no saneamento ambiental do Estado de São Paulo. Apostaram assim como no jogo do bicho. Certamente vai dar camelo no primeiro prêmio.

* Edson Domingues, 45 anos, é escritor, ambientalista e autor de projetos de sustentabilidade na periferia de São Paulo. Formado pela Fundação Escola de
Sociologia e Política de São Paulo, FESPSP.


Destaques do ABC!

quarta-feira, 19 de março de 2014

Lucélia Santos, a "Escrava Isaura": cultura e civilidade


TRISTES TRÓPICOS



Em Londres e outras tantas cidades do Primeiro Mundo, encontrar artistas, políticos, pessoas de elevado nível sócio-econômico no transporte público é muitíssimo comum. Exemplo de civilidade.

No Brasil, qualquer "jeca", deslumbrado com sua suposta "ascensão social", muitas vezes usa carro para alimentar seus "delírios de grandeza" e exibir pretensa superioridade sobre os demais.

Reles e dolorosa ignorância.



Lucélia Santos: cultura e civilidade


A foto de Lucélia Santos no ônibus e a ojeriza patética ao transporte público no Brasil


Kiko Nogueira*


Lucélia Santos no bumba

“O Brasil é o único país que conheço em que andar de ônibus é politicamente incorreto! Vai entender…”. 


Lucélia Santos merecia uma estátua. A atriz foi fotografada num coletivo no Rio de Janeiro. O fã postou a foto numa rede social. Ela começou a circular loucamente, junto com especulações acerca da carreira da atriz.

Lucélia estaria pobre, desempregada, passando fome, drogada, bebendo demais, morando de favor, enfim, numa draga — só isso explica uma pessoa famosa, ou ex-famosa, pegar um ônibus, que é claramente coisa de pobre.


Ela respondeu à falsa polêmica com uma série de frases em sua conta no Twitter:


. “Isso porque os ônibus aqui e transportes coletivos, de um modo geral, são precários e ordinários, o que mostra total desrespeito à população!


. “Em qualquer país civilizado, educado e organizado, é o contrário. As pessoas dão prioridade a transportes coletivos para proteger o meio ambiente”.

. “Os governos deveriam investir em transportes decentes para a população, com conforto e dignidade, e depois pretender fazer discursos”.

. “A imprensa deveria usar sua inteligência para divulgar campanhas para os transportes públicos coletivos de primeira grandeza”.

. “Terminando: o Brasil deveria ler mais, se instruir mais, desejar mais e sair da burrice de consumo idiota e descartável que lhe dá carros!”


Não disse uma bobagem. Uma. A reação à imagem de Lucélia veio, principalmente, dos milhares de jecas que se locupletam no transporte público quando viajam para o exterior e, de volta ao Brasil, não compram cigarro na padaria sem pegar o carro.


É um vício. Semana passada, num programa da rádio Bandeirantes, de manhã, a dupla de apresentadores comentava sobre algum assunto quando a jornalista fez um aparte. Obsequiosa, como se estivesse pedindo desculpas por um crime, ela contou que pegou um metrô, em São Paulo, e foi ótimo. Soava como uma confissão seguida de um arrependimento. Ora, o metrô de São Paulo, apesar da extensão de rede exígua, é bom. Limpo, rápido, eficiente. Os ônibus funcionam razoavelmente bem.

Por que a surpresa com Lucélia? Porque o transporte público está relegado a um papel secundário e é estigmatizado. A primeira providência que uma pessoa que deixou de ser pé-rapado toma é comprar um carro e cuspir em quem anda de buzum. Quem já pegou metrô em Nova York, Londres, Paris etc. deve ter visto atores, atrizes, políticos no vagão.

Os premiês britânicos Tony Blair e David Cameron foram fotografados inúmeras vezes sentados, numa boa, lendo seu jornal. O ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, também. Lembrando que Bloomberg é milionário.


Você vai falar que é demagogia. Provavelmente eles preferissem, mesmo, se locomover num Jaguar com motorista de luvas pretas. Mas e daí? Estão dando um exemplo, um recado fundamental, para a população. No Brasil, qual foi o último prefeito de cidade grande que utilizou transporte público para ir ao trabalho? E governador? Nenhum. O sujeito se elege e, junto com o pacote de benesses, vem a vantagem de nunca mais ter de olhar na cara de um cobrador pelo resto da vida.

[Aqui, um reparo da editoria do ABC!: Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, que mora na Vila Mariana, meses atrás, passou a ir trabalhar de ônibus, no prédio da Prefeitura, Viaduto do Chá, centro da cidade. Mas com o estouro da "Máfia dos Fiscais" pela Controladoria Geral do Município, o prefeito passou a sofrer ameaças de morte e teve que abandonar o uso de transporte público, ainda por cima reforçando sua segurança...]

Lucélia Santos deu uma amostra de civilidade. Escrava Isaura para presidente!



Bergoglio, papa Francisco, quando cardeal, 
no metrô de Buenos Aires 


David Bowie no metrô japonês 

Sergey Brin, um dos fundadores do Google 

David Cameron, Primeiro Ministro britânico 

* Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas. 

Mais fotos na matéria completa, no Diário do Centro do Mundo.


Destaques
do ABC! 


*

segunda-feira, 17 de março de 2014

O linchamento midiático de Dirceu e o golpe em andamento


MÍDIA GOLPISTA



"Cinquenta anos depois do golpe de 1º de abril de 1964, paralelos surgem de todos os lados. Um governo com rótulo de popular, lideranças conservadoras insatisfeitas com tanto tempo longe do Planalto, uma nova derrota eleitoral se desenhando no horizonte. Há diferenças importantes, contudo. Algumas: no momento presente, não se fala da estatização de empresas, reforma agrária radical e ampliação de mecanismos de poder da população. Os donos do dinheiro não têm muito do que reclamar. Agora, ficar esperto não atrapalha ninguém. Nunca é bom dar sopa para o azar." 





O linchamento de José Dirceu 



Ricardo Melo*

Irritados com o que consideram manipulação da mídia, vários interlocutores afirmam ter deixado de ler a publicação x ou y. Trata-se de um luxo vedado a jornalistas.

Concordando ou discordando, somos permanentemente obrigados a passar os olhos, que seja, pelo maior número possível de publicações. Até para poder comentar, criticar, elogiar ou simplesmente nos informar.

Ainda assim, é difícil encarar com naturalidade a cobertura dispensada a presos do chamado mensalão. Sim, é dela mesma que eu falo: da reportagem de capa da revista de maior circulação nacional sobre a vida na cadeia do ex-ministro José Dirceu e outros condenados.

Com um tom acusatório, a revista brinda os seus leitores com frases do tipo: "Lá ele [José Dirceu] gasta o tempo em animadas conversas, especialmente com seus companheiros do mensalão [....] só interrompe as sessões de leitura para receber visitas, muitas delas fora do horário regulamentar e sem registro oficial algum, e para fazer suas refeições, especialmente preparadas para ele e os comparsas. "O cardápio? 'Aqui já teve até picanha e peixada feitas exclusivamente para eles', conta um servidor".

A lista de pretensas mordomias não tem fim, bem como o ridículo da reportagem. "Como o lugar fica longe dos olhos dos presos comuns, os mensaleiros podem desfrutar o tratamento especial sem que seus colegas de prisão reclamem. Dentro da cela, já foram recolhidos restos de lanche do McDonald's". Não, não escrevi errado. A transcrição está exata. Prova do tratamento diferenciado, especial, transgressor, ilegal dos presos estão "restos de lanche do McDonald's"!

A coisa não fica por aí. "No banheiro, em vez da latrina encravada no chão, que os detentos chamam de 'boi', há um civilizado vaso sanitário." A reportagem não esclarece se entre os privilégios está o uso de papel higiênico. Mas Dirceu não é o único alvo. Sobra também para o ex-deputado petista José Genoino. "Numa conversa entreouvida por um servidor, um médico que atendia Genoino revelou ter escutado do próprio petista a admissão de que deixara de tomar alguns remédios para provocar uma arritmia cardíaca e, assim, poder pleitear a prisão domiciliar."

O sigilo de fontes é salvaguarda crucial para o trabalho dos jornalistas e geralmente é usado como ponto de partida de uma investigação. Deve ser defendido incondicionalmente. Isso não isenta o autor de medir a gravidade do que escreve. O malabarismo verbal costuma ser uma defesa antecipada de quem faz denúncias impactantes sem ter como prová-las. Exemplo: "Uma conversa entreouvida por um servidor" serve de base para acusar um preso de arriscar a própria vida para ter acesso a benefícios aos quais, por sua vez, já teria direito.

Tão espantoso quanto tudo isso é o fato de, em nenhum momento, a reportagem lembrar ao distinto público que José Dirceu está preso ilegalmente. Mérito do julgamento à parte, queira-se ou não, concorde-se ou não, o ex-ministro foi condenado ao regime semiaberto. Pois bem: desde que a sentença foi promulgada, Dirceu vive em regime fechado ao arrepio da lei. "Ah, mas ele come McDonald's"...

Cinquenta anos depois do golpe de 1º de abril de 1964, paralelos surgem de todos os lados. Um governo com rótulo de popular, lideranças conservadoras insatisfeitas com tanto tempo longe do Planalto, uma nova derrota eleitoral se desenhando no horizonte. Há diferenças importantes, contudo. Algumas: no momento presente, não se fala da estatização de empresas, reforma agrária radical e ampliação de mecanismos de poder da população. Os donos do dinheiro não têm muito do que reclamar. Agora, ficar esperto não atrapalha ninguém. Nunca é bom dar sopa para o azar.

* Ricardo Melo, 58, é jornalista. Na Folha, foi editor de 'Opinião', editor da 'Primeira Página', editor-adjunto de 'Mundo', secretário-assistente de Redação e produtor-executivo do 'TV Folha', entre outras funções. Também foi chefe de Redação do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão), editor-chefe do 'Diário de S. Paulo', do 'Jornal da Band' e do 'Jornal da Globo'. Na juventude, foi um dos principais dirigentes do movimento estudantil 'Liberdade e Luta' ('Libelu'), de orientação trotskista.


Folha Online

*

Dilma proíbe comemorações militares nos 50 anos do Golpe de 64


"Por orientação de Dilma, uma ex-combatente da luta armada contra o regime dos generais, o ministro da Defesa, Celso Amorim, chamou os comandantes militares e passou o recado: o governo não vai tolerar manifestações do pessoal da ativa.

As punições podem ir da simples advertência à prisão e exclusão das Forças Armadas. Amorim recebeu a garantia dos chefes militares de que não haverá nada de iniciativa do pessoal da ativa."




Presidenta Dilma Rousseff, ex-guerrilheira presa e barbaramente torturada, Comandante Suprema das Forças Armadas, passando em revista as tropas, no memorável dia de sua posse: 1 de janeiro de 2011



Presidenta não vai aceitar que militares comemorem o Golpe de 64


Após 50 anos, o golpe militar de 31 de março de 1964 é uma lembrança a cada dia mais tênue na memória nacional, mas também uma história sem ponto final que ainda hoje contamina com rancor e ódio o ambiente político.





O conflito é particularmente visível na relação do atual governo com as Forças Armadas, sobretudo com militares da reserva, e na Comissão Nacional da Verdade, criada em 2011 para investigar e esclarecer o que ocorreu com 153 militantes de esquerda desaparecidos durante a ditadura militar (1964-1985).

Antecipando-se a eventuais celebrações, o governo tomou providências para evitar uma nova crise com o meio militar, como se deu em 2012 e 2013 por ocasião do aniversário de 31 de março.

Por orientação de Dilma, uma ex-combatente da luta armada contra o regime dos generais, o ministro da Defesa, Celso Amorim, chamou os comandantes militares e passou o recado: o governo não vai tolerar manifestações do pessoal da ativa.

As punições podem ir da simples advertência à prisão e exclusão das Forças Armadas. Amorim recebeu a garantia dos chefes militares de que não haverá nada de iniciativa do pessoal da ativa.

A rigor, desde o governo de Lula o 31 de março foi banido do calendário de comemorações militares, o que nem sempre impediu um ou outro oficial de levantar a voz para fazer a apologia da “Redentora” – o apelido da “Revolução de 31 de março de 1964″, como se referiam ao golpe os militares e civis que apoiaram a deposição do ex-presidente João Goulart (1961-1964).
Atualmente, os bolsões que combatem o governo do PT falam em “contrarrevolução”.

O Palácio do Planalto também autorizou “conversas do alto escalão” das Forças Armadas com o pessoal da reserva reunido em torno dos clubes militares. O mais importante deles é o do Exército, chamado de Clube Militar – a Casa da República.

Há um “entendimento” para que a “Casa” evite se manifestar. Realisticamente, no entanto, na avaliação do Ministério da Defesa o simbolismo da data – os 50 anos – é muito forte: o pessoal da ativa e até o Clube Militar, eventualmente, podem ser mantidos sob rédea curta. 
Mas dificilmente o grupo mais radical – ligado aos porões da repressão – deixará de celebrar o 31 de março.


Fonte: Diário do Centro do Mundo


Vermelho

*


sábado, 15 de março de 2014

O "estranho fascínio" de Veja por José Dirceu


JORNALISMO DE ESGOTO






SEM PROVAS E EM "OFF", VEJA APONTA REGALIA DE DIRCEU


:
Reportagem deste fim de semana sobre José Dirceu, por quem Veja nutre um estranho fascínio, é mais um exemplo da esculhambação da imprensa e da Justiça no País; todo o texto está ancorado em relatos de supostos servidores da Papuda que teriam falado sem se identificar, o que configura o chamado "off" no jornalismo; essas "fontes" teriam dito que Dirceu vem tendo direito a picanha e lanches do McDonald's na Papuda, além de um podólogo para tratar uma unha encravada; reportagem de Veja será usada numa manobra para enviar Dirceu a um presídio de segurança máxima, contrariando a decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal, que lhe garante o regime semiaberto

Leia a matéria toda no Brasil 247.

*