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segunda-feira, 12 de março de 2012

SP: com apoio do Judiciário, familiares violam direitos da Blogueira Cidadã



DENÚNCIA


Cidade de São Paulo, bairro Penha de França, Engenheiro Goulart.

Sempre fui uma pessoa muito recolhida e discreta. Sou uma editora, uma escritora. Fui professora na USP e em outras universidades. Não sou exibicionista, não tenho por que me expor publicamente e estampar minha vida. Muito menos na mídia. Se passei a fazer isso meses atrás aqui no ABC! foi pelo fato das instituições (Polícia, Judiciário, Ministério Público), a quem venho recorrendo há muitos anos, não darem a resposta devida, efetiva e rápida de que preciso: reparação dos direitos violados e proteção para minha vida e integridade física, em risco.




Há cerca de 14 anos sofro VIOLAÇÃO DE DIREITO DE PROPRIEDADE. Há 4 anos processo os familiares que violam tal direito, e de 2 anos pra cá passei a sofrer ameaças de sequestro e/ou morte, violência moral e psicológica, tentativas de violência física, dentro da minha casa, sem contar a violência institucional: agentes públicos que apoiam tais violações de direito.

A violação de direito de propriedade é promovida por Roseli Aparecida Velucci de Amorim - ex-cunhada - e seus filhos, Geraldo José de Amorim Júnior, Adriana de Amorim Prudente e Ana Paula de Amorim Gonçalves, que me impedem de dispor livremente de imóvel a mim legado por meus pais, sob o qual eles não têm qualquer direito. Eu processo tais familiares desde o final de 2008, numa Ação de Obrigação de Fazer (Proc. n. 0113358-2), na 3a. Vara Cível do Foro Regional Penha de França, e neste momento a movimentação dentro do Judiciário é no sentido de EXTINÇÃO DO PROCESSO (!), ou seja: IMPUNIDADE PARA OS RÉUS!!!


                                     Tela do TJ-SP mostrando os dados principais do processo.

A VIOLAÇÃO DO DIREITO DE PROPRIEDADE, por si só, já é um ilícito muito grave: Direito de Propriedade é Direito Humano Fundamental, como declara o famoso artigo 5.o, caput e inciso XXII, da Constituição Federal, e artigo 17 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Mas há agravantes no caso da Blogueira: tal violação de direito se expande, se multiplica, em atitudes para SILENCIAR A BLOGUEIRA, impedindo-a de fazer denúncias, por meio de ameaças, constrangimento moral e psicológico, tentativas de agressão física - violências "terceirizadas", usando-se vizinhos, ex-inquilinos, servidores públicos e outros.

                               Objeto da Violação de Direito de Propriedade: casa antiga
                               e simples, que a Blogueira recebeu de seus pais.
                               Imagem: Google Maps.

Uma cidadã brasileira e paulistana, maior, de nível universitário, autora de livros e outros trabalhos publicados, está sendo privada do seu direito de propriedade, há 14 anos, por seus familiares. Na maior cidade do País, na cidade de São Paulo. Documentação consistente, irrefutável, foi oferecida pela cidadã em Juízo, para comprovar tal descalabro. Mas o Judiciário, para "felicidade geral da nação", ou seja, para júbilo dos réus, pretende EXTINGUIR O PROCESSO, prejudicando mais uma vez esta Cidadã Blogueira. Isso é grave, gravíssimo. 

Por outro lado, por causa dos meus relatos aqui no ABC!, tenho recebido denúncias, informações, vindas de outros cidadãos, lesados no mesmíssimo Fórum Penha. Pessoas que têm medo de fazer denúncias públicas, que se referem a um esquema criminoso atuante na região.

Existe este esquema no bairro, e tendo como epicentro o Fórum Penha de França? 

Socorro, Ministra Eliana Calmon e Polícia Federal !!! Se existe, não cabe a uma reles e pacata cidadã, pacifista, que sequer dispõe de uma espingarda de chumbinho, enfrentar sozinha esse esquema pesado, togado.

Com a palavra, ação e medidas urgentes, as autoridades constituídas, o Ministério Público, a Polícia Federal, o Conselho Nacional de Justiça, o Estado brasileiro.

Esta é a primeira das matérias de uma reportagem-denúncia que o ABC! publica, sem prejuízo dos posts sobre outros assuntos que o blog continua diariamente acompanhando. Não percam os próximos posts!

Tentativas de calar a Blogueira certamente virão. Fiquem atentos!

Aos que quiserem comentar os posts ou fornecer informações, a Blogueira garante SIGILO ABSOLUTO. Escrevam para o email particular da Blogueira:

escrevivendo@ig.com.br

*

Ditador Judiciário: Lobo em pele de cordeiro



Acompanhe aqui, no Abra a Boca, Cidadão!, reportagem-denúncia sobre a situação crítica em que esta Blogueira vive, dentro de sua casa, na cidade de São Paulo, acuada por familiares em conluio com advocacia de esgoto, bandidagem togada e outros agentes públicos. Ainda hoje o primeiro post da série. Não percam!


A ditadura do judiciário é uma ditadura sem armas, bem diferente das ditaduras de outrora, mas nem por isso menos cruel, pois pode cercear o bem maior do cidadão e cidadã – a sua liberdade. Astuto, o ditador camufla-se como um lobo, só que ao invés da pele de cordeiro, utiliza-se da toga, não mais como um símbolo da magistratura e sim como uma armadura para ostentar o poder e ser temido pelos meros mortais. 




Uma reflexão sobre a ditadura do Poder Judiciário Brasileiro


Joseval M. Santana*



A célebre doutrina da “separação dos poderes” de Montesquieu, baseada na constituição “mista” discutida por Platão, Aristóteles e Políbio, visou moderar o poder do Estado mediante a divisão de competências entre os órgãos: executivo, legislativo e judiciário. A vigilância da harmonia destes três poderes no Brasil começou a surgir no período republicano e se consolidou na carta magna de 1988 com a ampliação do papel do Ministério Público. Neste contexto, convém salientar a importância das entidades organizadas a exemplo da imprensa, da Ordem dos Advogados do Brasil, dos partidos políticos, das comissões dos direitos humanos, entre outras. É essa harmonia e os seus mecanismos de vigilância o sustentáculo da república e a manutenção da democracia.


A violação do princípio da harmonia entre os poderes faz resvalecer o manto da democracia e suscita o manto vil do poder – a ditadura. Neste regime, a singularidade do mal, a exemplo dos regimes provenientes do nazismo e do fascismo, não se difere em essência da pluralidade maléfica dos regimes militares que encabeçaram os longos anos da ditadura na América Latina e, em particular, no Brasil no século XX.


Se levarmos em conta somente este início de século, não há quem possa discordar que todos nós já presenciamos, pelos meios de comunicações, inúmeros escândalos provenientes das esferas dos três poderes. Indignados, por vezes indagamos - será que tais escândalos é o preço da pré-maturidade da nossa democracia? Certamente, se este for o caso, há de se questionar se os escândalos decairão drasticamente na medida em que a nossa democracia avança para a maturidade, ou se os mesmos já estão decaindo quando comparados aos do regime militar. Seja qual for a resposta a essas indagações, podemos crer ser impossível que os aludidos escândalos abalem de fato os alicerces da nossa democracia?


Não podemos negar que os escândalos que emanam dos três poderes constituem-se de forças negativas que, quase sempre, tendem a opor-se aos princípios democráticos. Se essas forças negativas forem tão poderosas a ponto de violar o princípio da harmonia entre os poderes, poderão fazer com que um poder venha a sobrepujar os demais, (res) surgindo assim a ditadura do poder sobrepujador.


Ao observarmos os escândalos dos poderes executivo, legislativo e judiciário, percebemos que as forças negativas dos dois primeiros poderes não foram suficientemente fortes para quebrar a harmonia entre os poderes, uma vez que não houve nenhuma evidência que um desses poderes tenha sobrepujado os demais. Quais seriam as causas que estão assegurando a harmonia proveniente desses poderes? Certamente que os princípios democráticos a que eles estão submetidos geraram forças positivas em intensidade suficientemente maior que as das forças negativas. Há que salientar que talvez a maior intensidade dessas forças positivas venha de um direito comum para os dois poderes - o sufrágio universal.


É pelo voto direto e secreto que o povo (re) elege os membros dos poderes legislativo e executivo. Dessa forma, o cidadão e a cidadã, em última instância, podem punir os membros desses poderes não os reelegendo, seja por terem ficados impunes, diante dos escândalos comprovados, ou por maus desempenhos políticos durante os seus mandatos.


E quanto aos escândalos do poder judiciário? Infelizmente, estes mostram algo mais sombrio. As indignações quanto à ineficiência do judiciário, extravio de processos, venda de sentenças, abuso de poder e a impunibilidade de inescrupulosos juízes geraram forças negativas em intensidades suficientes para desequilibrar a harmonia entre os três poderes, haja vista a constante interferência deste nos demais poderes. Parecem não haver dúvidas que estamos entrando em uma nova forma de ditadura – a ditadura do judiciário.


Diferentemente dos outros dois poderes, no poder judiciário inexistem as forças positivas oriundas do sufrágio universal. Este direito cedeu a princípios, também constitucionais, de entendimento que o poder judiciário para o exercício dos seus papeis necessita de garantias para que a magistratura possa desempenhar as suas funções com isenção.


O exercício do múnus da magistratura é sempre de responsabilidade social. Não se admite, portanto, que as garantias que asseguram ao juiz a independência sirvam para torná-lo imune aos seus atos que contrariem as leis e, sobretudo, ao espírito moral e ético delas. Entretanto, os escândalos têm evidenciado que alguns inescrupulosos juízes utilizam-se do “livre convencimento” para elastecer o entendimento das leis subjugando, disfarçadamente, o espírito ético e moral das mesmas. São eles os ditadores do judiciário. Estes se utilizam das garantias constitucionais para servirem de escudo de proteção para os seus atos ilícitos e o abuso de poder, em detrimento de todos e tudo, inclusive dos demais poderes.


Corroborando com parte desse entendimento, Moreira (2009), doutor em direito, salienta que: "Estamos para viver uma ditadura do judiciário. Será que agora o juiz é o novo Deus?"


A ditadura do judiciário é uma ditadura sem armas, bem diferente das ditaduras de outrora, mas nem por isso menos cruel, pois pode cercear o bem maior do cidadão e cidadã – a sua liberdade. Astuto, o ditador camufla-se como um lobo, só que ao invés da pele de cordeiro, utiliza-se da toga, não mais como um símbolo da magistratura e sim como uma armadura para ostentar o poder e ser temido pelos meros mortais. O som característico do malhete, que na mão de um verdadeiro juiz significa “a justiça foi feita”, agora reverbera vibrações desarmônicas de um rosnar que se traduz pela expressão (des) humana - “a minha vontade foi feita”.


Cabe ressaltar, e assim espera-se, que os ditadores do judiciário sejam em número menor do que os dos verdadeiros juízes. Mesmo assim, essa aparente vantagem numérica tem mostrado, até o presente momento, ser insuficiente para debelar esses ditadores. Por essa razão, tudo nos leva a crer que a ditadura do judiciário somente sucumbirá se houver um esforço comum, por parte do poder judiciário (mediante os verdadeiros juízes e um Conselho Nacional de Justiça mais atuante), do poder executivo, das entidades organizadas, especialmente a Ordem dos Advogados do Brasil, e da sociedade, para juntos com o poder legislativo promoverem mecanismos constitucionais que possam por fim a atual ditadura e assegurar o seu não ressurgimento. Este será um grande passo para a maturidade da nossa democracia e, quando chegarmos lá, teremos elevado a nossa carta magna cidadã ao status de carta magna da cidadania ética.


* Doutor em Desenvolvimento Regional e Urbano e professor da Universidade Federal de Sergipe/UFS. Artigo escrito em setembro de 2009.



domingo, 11 de março de 2012

sábado, 10 de março de 2012

Sobre homens e sábios



Nos tempos em que o ter suplantou o ser, o artigo abaixo poderá provocar um certo estranhamento a alguns. Mas quem sabe um pouco de alegria e cumplicidade a outros tantos...




Sobre Simplicidade e Sabedoria*


Rubem Alves**


Pediram-me que escrevesse sobre simplicidade e sabedoria. Aceitei alegremente o convite sabendo que, para que tal pedido me tivesse sido feito, era necessário que eu fosse velho. Os jovens e os adultos pouco sabem sobre o sentido da simplicidade. Os jovens são aves que voam pela manhã: seus vôos são flechas em todas as direções. Seus olhos estão fascinados por 10.000 coisas. Querem todas, mas nenhuma lhes dá descanso. Estão sempre prontos a de novo voar. Seu mundo é o mundo da multiplicidade. Eles a amam porque, nas suas cabeças, a multiplicidade é um espaço de liberdade. Com os adultos acontece o contrário. Para eles a multiplicidade é um feitiço que os aprisionou, uma arapuca na qual caíram. Eles a odeiam, mas não sabem como se libertar. Se, para os jovens, a multiplicidade tem o nome de liberdade, para os adultos a multiplicidade tem o nome de dever. Os adultos são pássaros presos nas gaiolas do dever. A cada manhã 10.000 coisas os aguardam com as suas ordens (para isso existem as agendas, lugar onde as 10.000 coisas escrevem as suas ordens!). Se não forem obedecidas haverá punições.


No crepúsculo, quando a noite se aproxima, o voo dos pássaros fica diferente. Em nada se parece com o seu voo pela manhã. Já observaram o voo das pombas ao fim do dia? Elas voam numa única direção. Voltam para casa, ninho. As aves, ao crepúsculo, são simples. Simplicidade é isso: quando o coração busca uma coisa só.


Jesus contava parábolas sobre a simplicidade. Falou sobre um homem que possuía muitas joias, sem que nenhuma delas o fizesse feliz. Um dia, entretanto, descobriu uma joia, única, maravilhosa, pela qual se apaixonou. Fez então a troca que lhe trouxe alegria: vendeu as muitas e comprou a única.


Na multiplicidade nos perdemos: ignoramos o nosso desejo. Movemo-nos fascinados pela sedução das 10.000 coisas. Acontece que, como diz o segundo poema do Tao-Te-Ching, "as 10.000 coisas aparecem e desaparecem sem cessar". O caminho da multiplicidade é um caminho sem descanso. Cada ponto de chegada é um ponto de partida. Cada reencontro é uma despedida. É um caminho onde não existe casa ou ninho. A última das tentações com que o Diabo tentou o Filho de Deus foi a tentação da multiplicidade: "Levou-o ainda o Diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a sua glória e lhe disse: 'Tudo isso te darei se prostrado me adorares.' " Mas o que a multiplicidade faz é estilhaçar o coração. O coração que persegue o "muitos" é um coração fragmentado, sem descanso. Palavras de Jesus: "De que vale ganhar o mundo inteiro e arruinar a vida?" (Mateus 16.26).

O caminho da ciência e dos saberes é o caminho da multiplicidade. Adverte o escritor sagrado: "Não há limite para fazer livros, e o muito estudar é enfado da carne" (Eclesiastes 12.12). Não há fim para as coisas que podem ser conhecidas e sabidas. O mundo dos saberes é um mundo de somas sem fim. É um caminho sem descanso para a alma. Não há saber diante do qual o coração possa dizer: "Cheguei, finalmente, ao lar". Saberes não são lar. São, na melhor das hipóteses, tijolos para se construir uma casa. Mas os tijolos, eles mesmos, nada sabem sobre a casa. Os tijolos pertencem à multiplicidade. A casa pertence à simplicidade: uma única coisa.

Diz o Tao-Te-Ching: "Na busca do conhecimento a cada dia se soma uma coisa. Na busca da sabedoria a cada dia se diminui uma coisa".

Diz T. S. Eliot: "Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento?"

Diz Manoel de Barros: "Quem acumula muita informação perde o condão de adivinhar. Sábio é o que adivinha".

Sabedoria é a arte de degustar. Sobre a sabedoria Nietzsche diz o seguinte: “A palavra grega que designa o sábio se prende, etimologicamente, a sapio, eu saboreio, sapiens, o degustador, sisyphus, o homem do gosto mais apurado. “A sabedoria é, assim, a arte de degustar, distinguir, discernir. O homem dos saberes, diante da multiplicidade, "precipita-se sobre tudo o que é possível saber, na cega avidez de querer conhecer a qualquer preço". Mas o sábio está à procura das "coisas dignas de serem conhecidas". Imagine um bufê: sobre a mesa enorme da multiplicidade, uma infinidade de pratos. O homem dos saberes, fascinado pelos pratos, se atira sobre eles: quer comer tudo. O sábio, ao contrário, para e pergunta ao seu corpo: "De toda essa multiplicidade, qual é o prato que vai lhe dar prazer e alegria?" E assim, depois de meditar, escolhe um...

A sabedoria é a arte de reconhecer e degustar a alegria. Nascemos para a alegria. Não só nós. Diz Bachelard que o universo inteiro tem um destino de felicidade.

O Vinícius escreveu um lindo poema com o título de "Resta..." Já velho, tendo andado pelo mundo da multiplicidade, ele olha para trás e vê o que restou: o que valeu a pena. "Resta esse coração queimando como um círio numa catedral em ruínas..." "Resta essa capacidade de ternura..." "Resta esse antigo respeito pela noite..." "Resta essa vontade de chorar diante da beleza...". Vinícius vai, assim, contando as vivências que lhe deram alegria. Foram elas que restaram.

As coisas que restam sobrevivem num lugar da alma que se chama saudade. A saudade é o bolso onde a alma guarda aquilo que ela provou e aprovou. Aprovadas foram as experiências que deram alegria. O que valeu a pena está destinado à eternidade. A saudade é o rosto da eternidade refletido no rio do tempo. É para isso que necessitamos dos deuses, para que o rio do tempo seja circular: "Lança o teu pão sobre as águas porque depois de muitos dias o encontrarás..." Oramos para que aquilo que se perdeu no passado nos seja devolvido no futuro. Acho que Deus não se incomodaria se nós o chamássemos de Eterno Retorno: pois é só isso que pedimos dele, que as coisas da saudade retornem.

Ando pelas cavernas da minha memória. Há muitas coisas maravilhosas: cenários, lugares, alguns paradisíacos, outros estranhos e curiosos, viagens, eventos que marcaram o tempo da minha vida, encontros com pessoas notáveis. Mas essas memórias, a despeito do seu tamanho, não me fazem nada. Não sinto vontade de chorar. Não sinto vontade de voltar.

Aí eu consulto o meu bolso da saudade. Lá se encontram pedaços do meu corpo, alegrias. Observo atentamente, e nada encontro que tenha brilho no mundo da multiplicidade. São coisas pequenas, que nem foram notadas por outras pessoas: cenas, quadros: um filho menino empinando uma pipa na praia; noite de insônia e medo num quarto escuro, e do meio da escuridão a voz de um filho que diz: "Papai, eu gosto muito de você!"; filha brincando com uma cachorrinha que já morreu (chorei muito por causa dela, a Flora); menino andando a cavalo, antes do nascer do sol, em meio ao campo perfumado de capim gordura; um velho, fumando cachimbo, contemplando a chuva que cai sobre as plantas e dizendo: "Veja como estão agradecidas!" Amigos. Memórias de poemas, de estórias, de músicas.

Diz Guimarães Rosa que "felicidade, só em raros momentos de distração..." Certo. Ela vem quando não se espera, em lugares que não se imagina. Dito por Jesus: "É como o vento: sopra onde quer, não sabes donde vem nem para onde vai..." Sabedoria é a arte de provar e degustar a alegria, quando ela vem. Mas só dominam essa arte aqueles que têm a graça da simplicidade. Porque a alegria só mora nas coisas simples. (Concerto para corpo e alma, p. 9.)



* Em A casa de Rubem Alves.
** Rubem Alves é educador, escritor, psicanalista e professor emérito da Unicamp.


Valsa das Flores, Tchaikovsty




Link do vídeo
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sexta-feira, 9 de março de 2012

Alberto Dines: o mestre sempre inconformado



Eu também fui leitora "fascinada" de Alberto Dines e do "Jornal dos Jornais", coluna que ele mantinha na Folha de S. Paulo nos anos 70. Ali ele fazia uma crítica afiada, precisa, primorosamente redigida, de matérias publicadas por outros veículos. O espaço de um sempre mestre.


Dines escreveu também um clássico, O papel do jornal, um pequeno livro mas uma grande introdução a esse mundo fascinante que é o jornal impresso.


Muito do que eu aprendi de jornalismo e de texto em geral me veio pelo autodidatismo, lendo os bons profissionais e principalmente os mestres, como Alberto Dines. Portanto, abro aqui um espaço para homenageá-lo pelos 80 anos de vida e pelo jornalista apaixonado pela informação, pela clareza e sobriedade do texto, sempre inquieto e inconformado.


Felizmente pra todos nós ele continua em atividade, no imperdível Observatório da Imprensa.



Alberto Dines: "O jornal vai continuar 

como referência"


Foto: André Mourão / Agência O Dia

POR Bruno Trezena - Fernando Molica

Rio - Jornalista adora dizer que jornal velho só serve para embalar peixe. Aos 80 anos, completados no último dia 19, Alberto Dines garante que não faltará papel para os embrulhos: afirma que o jornal não deixará de existir. “O jornal é que amarra os fatos”, diz. Ex-ocupante de cargos de chefia na ‘Manchete’, ‘Última Hora’, ‘Jornal do Brasil’ e ‘Folha de S. Paulo’, Dines é fundador do ‘Observatório da Imprensa’, que, na Internet e na TV Brasil, avalia o trabalho dos jornalistas. Nesta entrevista, ele faz críticas à imprensa, analisa a Internet e defende um controle sobre a mídia eletrônica.

O DIA: Quando você foi para o ‘Jornal do Brasil’?

DINES: Cheguei no JB em 1962, depois da reforma que mudou o jornal. E o Brito (Manoel Francisco do Nascimento Brito, diretor do jornal) queria que eu desfizesse a reforma, eu me recusei. Disse que, aos poucos, faria alguns avanços, sem chocar o leitor.

O DIA: Por que ele não gostava da reforma?

DINES: Ele implicava com tudo que era bom, queria acabar com tudo de grandioso que a reforma trouxe. Os jornais brasileiros ficaram com essa mania de mudar. Hoje, se faz de propósito, para chocar o leitor, que acaba ficando baratinado com tantas mudanças. Criou-se uma velocidade que é devoradora.

O DIA: O que mudou com o Golpe Militar de 1964?

DINES: Não mudou nada, até porque os jornais apoiaram o golpe, com exceção da ‘Última Hora’. O que mudou foi em 1968, com o AI-5 (Ato Institucional Número 5, que suspendia as garantias constitucionais). Passamos a ter uma ditadura: censura, Congresso Nacional fechado. Eu então pedi ao Brito para avisar o leitor que o jornal estava sob censura. Chegaram os censores militares, eles mandaram trocar algumas páginas, mas, na oficina, mudamos tudo. (Na primeira página do dia seguinte, ao lado do logotipo do jornal, havia o lembrete: “Ontem foi o Dia dos Cegos”. Também na capa, a nota sobre o tempo informava: “Tempo negro. Temperatura sufocante. O ar está irrespirável. O país está sendo varrido por fortes ventos.”).

O DIA: E você foi preso...


DINES: Fui levado para a Polícia Federal e, depois, para a Vila Militar. Fui solto na véspera de Natal e tive que me reapresentar no dia seguinte. Voltei e fiquei mais dois dias. Em janeiro, tive que depor por cinco horas.

O DIA: Como surgiu a histórica capa do jornal que noticiou, em 1973, a derrubada do presidente chileno Salvador Allende?

DINES: Os militares não queriam dar impacto à morte do Allende, proibiram manchete. Então decidi fazer a primeira página sem manchete, sem foto. O impacto acabou sendo muito maior.  



O DIA: Sua atitude teve consequências...

DINES: Sim, fui demitido.

O DIA: Para citar o título de um de seus livros: qual é hoje, na era da Internet, o papel do jornal?

DINES: Esse papel não mudou, o jornal é a referência dos acontecimentos. O período em que o jornal vive é o de 24 horas, quando o dia nasce e morre. É um período noticioso completo. O jornal tem essa característica, fecha o ciclo com lógica, costura tudo, arruma, edita, seleciona, hierarquiza. Isso, a Internet não pode fazer porque é um fluxo contínuo. Esta característica da Internet tem consequências diretas na profundidade da matéria, vai no fígado da profundidade da matéria. O fluxo contínuo, como na Internet, é muito bom para se saber o que está acontecendo. Mas isso não permite ao leitor entender o que ocorre; o jornal do dia seguinte, sim.



                                                                                                Foto: André Mourão / Agência O Dia


O DIA: A preocupação de diretores de jornais de todo o mundo é com o futuro do jornal impresso diante das novas tecnologias...

DINES: Eles estão discutindo algo que não é discutível. Ficam falando de modelo de negócio, não tem nada disso. O Gutemberg, que inventou os tipos móveis, e o impressor Aldo Manucio, que criou o livro, não estavam pensando em criar modelo de negócios, uma coisa pré-fabricada. O negócio vai sendo construído aos poucos.


O DIA: Mas você acha que os jornais impressos vão acabar?


DINES: Eu acho que não, o jornal vai continuar como referência. É o jornal que amarra os fatos, não surgiu outra mídia periódica capaz de dar esta amarrada. Se não houver a sistematização da notícia, você perde a referência, perde a análise. Você pode pegar um papel de 400 anos e ver que tem algo ali. Não sei se o que é escrito nas novas mídias vai sobrar. Os originais do meu livro sobre a Inquisição estão em um disquete grande. Resultado: não há como ler o que está escrito lá.


O DIA: O que o jornal tem que fazer para sobreviver?


DINES: Ele vai absorver outras ferramentas. O jornal absorveu o telégrafo, a fotografia. E vai absorver a Internet, muitos jornais e revistas estão fazendo isso. A versão digital do ‘The Economist’ está muito interessante. Desenvolve alguns assuntos, o leitor do papel sabe o que está sendo informado e pode acessar o conteúdo na Internet.


O DIA: Os jornais terão de ser mais profundos?


DINES: Têm que ser. Se o jornal baixar o nível para ser efêmero, ele perderá sua função. Não precisa falar de filosofia todas as semanas, mas precisa dar essa amarração, esse sentido às mudanças. Estamos falando de mudanças, a notícia é uma mudança. O jornal tem que ser diferente da Internet, se começar a ser igual a Internet, estaremos ferrados. Por enquanto, a Internet vende audiência, não vende consistência.


O DIA: Você acha que a liberdade de imprensa no Brasil está ameaçada?


DINES: Tem uns malucos, aloprados que se acham de esquerda, mas não são, que defendem a necessidade de forças “progressistas” editarem jornais. Isto, dizem eles, para evitar a maré neoliberal. Mas eles nunca conseguiram fazer isso, até porque não têm competência, não têm um veículo com credibilidade. Mas, em outros países da América Latina, há uma corrente caudilhesca que busca mesmo a supressão da liberdade.


O DIA: O que você acha da criação de um conselho de comunicação?


DINES: O conselho não vai fazer nada, até porque se tentar fazer será censório. Existe sim a necessidade de regulação da mídia, eu sou a favor do que o presidente Franklin Roosevelt, em 1934, criou nos Estados Unidos, o Federal Communications Commission, um órgão controlador da mídia. Eu acredito nisso, a mídia eletrônica é uma concessão e não pode fazer o que quer. Vamos tentar fazer aquele mínimo que fizeram nos Estados Unidos. Na Inglaterra, na Câmara dos Comuns, tramita a possibilidade de criação de um sistema de autorregulação, com poder de convocar jornalistas para depor. Seria um comitê formado não por jornalistas, mas pela sociedade.


O DIA: Esse controle seria em que sentido?


DINES: Pra evitar o que foi feito pelo Murdoch (Rupert Murdoch, dono de jornais que utilizaram meios ilegais para obter informações). O ‘The Economist’, que é super conservador, reconheceu que é preciso haver um órgão regulamentador. O Brasil começou a pisar na bola em matéria de imprensa ao criar um organismo supraempresarial que estabeleceu uma disparidade sócio-político-cultural, a ANJ (Associação Nacional de Jornais). A ideia é legítima, que as empresas tivessem uma entidade onde se encontrassem e discutissem seus problemas. Mas a entidade não poderia fazer lobby, atuando fora de seus veículos, teria que permitir o direito de discordância. A imprensa brasileira não se discute. Não precisa xingar a mãe como se fazia antes, mas tem que haver discordância entre os jornais. É isso que faz com que os aloprados digam que é preciso criar um polo contrário, acaba funcionando como pretexto. Se existe esse polo (a ANJ), eles decidem criar outro polo. A ANJ atua de forma deletéria, tem posições que anulam as posições dos jornais.


O DIA: Como você avalia a imprensa brasileira hoje?


DINES: O problema é a concentração muito grande, não temos imprensa comunitária. Sempre tivemos e hoje ela está desaparecendo. Essa concentração vai lá pra cima, com o agravante que hoje ela se confunde, nos estados, com o coronelismo político.


O DIA: Pegando o mote do ‘Observatório da Imprensa’. Como você lê jornal?


DINES: Eu leio como crítico, é essencial. A beleza desse mote é que ele contém a semente do ceticismo. É importante espalhar a ideia de que o jornal precisa ser discutido.


O DIA: De onde vem este espírito crítico e inquieto?


DINES: Pode ter algo genético. Eu sou profundamente judeu, sem ser praticante. O judeu é um inconformado. Jesus Cristo, na cruz, reclama: “Deus, por que me abandonaste?”. Isso é muito judaico, arguir, contestar. O jornalista precisa ser inconformado.


O DIA: O que você mudaria nos jornais brasileiros? O que faria se, agora, o telefone tocasse e você fosse chamado para chefiar um jornal?


DINES: A primeira resposta seria dizer: “Aceito”. Em seguida, teria que ver o que fazer, analisar o veículo, o público. Eu tenho ideias, mas, para mostrá-las, tenho que ser chamado.


http://odia.ig.com.br


quinta-feira, 8 de março de 2012

A mulher que me deu caráter e coragem



8 de março de 2012: Dia Internacional da Mulher


Estava pensando em falar das mulheres que admiro, das que me inspiram, me orgulham e me fortalecem. Poderia falar da presidenta Dilma, da aguerrida ministra-corregedora Eliana Calmon, de mulheres admiráveis na Justiça, na política, nas artes...


Mas é o momento de homenagear uma em especial, extraordinária: a que me trouxe ao mundo, a que me deu caráter e hombridade, a que me ensinou princípios e valores imperecíveis. A mulher que lutou a vida inteira, com trabalho e honestidade, junto com meu pai, para me deixar uma casa, que hoje seus netos e nora, unidos em bando, roubam descaradamente da Blogueira.


A lembrança de minha mãe, Geralda de Carvalho Amorim, me traz coragem para enfrentar TUDO, até este embate duríssimo para reaver a propriedade plena de minha casa.




Minha mãe já há muitos anos não está mais comigo fisicamente. Mas em mim ela vive e tem continuidade, pela dignidade, integridade e caráter que me legou.


Mulher simples, de origem camponesa, de raízes no mundo rural, de família pobre do Vale do Paraíba, interior de São Paulo. Mulher com pouquíssima instrução, sem o primário completo, sem diplomas. Lia bem, mas tinha dificuldade para escrever até o próprio nome. 


Mas que grande bagagem ética e estofo moral tinha a Dona Geralda! Quantos valores  e ensinamentos a partilhar, a transmitir! Infelizmente, os netos, que cresceram em seu convívio, nada quiseram aprender com a avó, preferindo trilhar o caminho tortuoso e sombrio do ilícito...


Família Carvalho. Foto de meados dos anos 20 do século passado. Minha mãe, Geralda, é a segunda, da direita para a esquerda, junto do meu avô, Olímpio, de minha avó, Júlia, e de meu bisavô, Adolfo. A primeira à direita, tia Maria Olímpia, eu não conheci. À esquerda, a saudosa tia Leonor, e ao lado dela o Zeca, falecido em criança.


Mulher de caráter, uma das coisas que minha mãe me ensinou logo nos primeiros anos: "Não fazer ao outro o que não quer para si"... ensinamento básico da boa convivência entre cidadãos, princípio fundamental da ética planetária.


Mulher de fibra, às vezes séria, às vezes dura, mas acolhedora dos mais frágeis, me ensinou também a solidariedade: "Fazer o Bem e não olhar a quem", ela dizia.


Apesar dos percalços que enfrento, me considero uma pessoa feliz, bem estruturada, sem grandes conflitos. Venho de uma "árvore" abençoada. Sou ramo de árvore sagrada, símbolo de força, coragem, firmeza, resistência, lealdade, que não se verga diante de intempéries.


Na Grécia antiga, o carvalho era associado a Zeus, entre os romanos, a Júpiter, e também foi cultuado entre celtas, druidas, nórdicos... A madeira do carvalho era usada em rituais mágicos e para acender o fogo sagrado.




O carvalho era considerado Árvore da Vida na era pré-cristã. As folhas e os frutos do carvalho propiciavam força, liderança, sucesso nas batalhas.


Em Roma, coroas feitas com folhas de carvalho eram concedidas aos generais bem-sucedidos nos empreendimentos bélicos.

                            
Diz-se que ao pé de um carvalho Abraão recebeu as revelações de Deus. Ou seja,a árvore foi um instrumento de comunicação entre o Céu e a Terra.

O carvalho é árvore-símbolo de hospitalidade e acolhimento. Seus galhos e folhagem parecem abraçar os que nela procuram abrigo.





E vejam só que coisa mais interessante: o carvalho é usado por botânicos e geólogos para medir catástrofes naturais. Se querem saber o índice de temporais e tempestades numa floresta, eles observam o carvalho, pois é a árvore que mais absorve as consequências dos temporais.


Quanto mais tempestades e intempéries o carvalho enfrenta, mais suas raízes se aprofundam na terra, mais seu tronco se enrijece, mais forte ele fica, sendo impossível arrancá-lo ou derrubá-lo! 


Muitas vezes, depois de passar por tantas agressões naturais, o carvalho fica com uma aparência triste. Mas quando uma tempestade se avizinha, lá está ele de novo, firme e forte, para encarar o novo desafio.
 

O carvalho é símbolo da Vida e da verticalidade, em eterna evolução e ascensão para os céus. Árvore feminina, nutridora, muitos a associam à Grande Mãe.



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Mulheres que Comandam o Brasil



8 de Março de 2012: Dia Internacional da Mulher

Dia de Comemoração e de Luta.

Comemoremos as dignas, corajosas e competentes mulheres que comandam o Brasil.




Presidenta DILMA ROUSSEFF, ex-guerrilheira, presa e barbaramente torturada pela ditadura militar no início dos anos 70. Economista, duas vezes ministra do governo do Presidente Luiz Inácio LULA da Silva.





Gleisi Hoffmann, graduada 
em Direito.

Ministra da Casa Civil.







Miriam Belchior, Mestra em Administração e Professora.

Ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão.






Maria do Rosário Nunes, Pedagoga.
Ministra de Direitos Humanos.










  Tereza Campello, Economista e Professora. 
   Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.



Eleonora Menicucci, Socióloga e Professora. 
Ministra de Políticas para as Mulheres.

                                                    Isabella Teixeira. Ministra do Meio Ambiente.


Ana de Hollanda, Cantora, Compositora e Gestora Cultural.
Ministra da Cultura.


                                             Luiza Helena de Bairros, Administradora Pública e de Empresas.
                                             Ministra da Promoção da Igualdade Racial.



Ideli Salvatti, Licenciada em Física e Professora. 
Ministra das Relações Institucionais.

                                     Helena Chagas, Jornalista. Ministra da Comunicação Social


Imagens: Portal da Presidência da República.

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