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sábado, 14 de maio de 2011

Se alguém estiver olhando, a violência pára

O filósofo francês Michel Foucault afirmou que todos nós agimos de modo diferente se estivermos sendo vigiados. Exemplo: se estivermos num ambiente onde há câmeras por toda a parte, gravando, filmando a movimentação das pessoas, nosso comportamento muda.

Atos ilícitos podem ser inibidos se o infrator souber que sua ação está sendo monitorada.

Criminosos geralmente são covardes. E não pretendem ser descobertos. Violência física, moral, psicológica pode ser coibida se a vítima contar o que sofre para vizinhança, colegas de trabalho, familiares, conhecidos e outros.

As pessoas em geral têm medo de intervir, de tomar partido, de serem testemunhas. Mas às vezes basta um olhar incisivo, e o criminoso já se amedronta...

Vamos usar isso a nosso favor.

Está sofrendo violência? Denuncie, conte, comunique, abra a boca...

Ficou sabendo de violência? Não tenha medo, seja solidário. Mostre ao criminoso que você está vendo a violência que ele pratica.

A Anistia Internacional, organização que há 50 anos defende a liberdade e os direitos humanos no mundo, produziu um vídeo que mostra claramente essa situação.

Se alguém estiver olhando, a violência pára.







Videohttp://www.youtube.com/watch?v=bDGM4-AWGnw






Sobre poder e arrogância

Algumas reflexões sobre o poder, a arrogância e a arrogância do poder.


Os riscos da arrogância do Império

12/05/2011
 
Leonardo Boff, teólogo, filósofo, ambientalista
 
Conto-me entre os que se entusiasmaram com a eleição de Barack Obama para Presidente dos EUA, especialmente vindo depois de George Bush Jr., Presidente belicoso, fundamentalista e de pouquíssimas luzes. Este acreditava na iminência do Armagedon bíblico e seguia à risca a ideologia do Destino Manifesto, um texto inventado pela vontade imperial norte-americana, para justificar a guerra contra o México, segundo o qual os EUA seriam o novo povo escolhido por Deus para levar ao mundo os direitos humanos, a liberdade e a democracia. Esta excepcionalidade se traduziu numa histórica arrogância que fazia os EUA se arrogarem o direito de levarem ao mundo inteiro, pela política ou pelas armas, o seu estilo de vida e sua visão de mundo.

Esperava que o novo Presidente não fosse mais refém desta nefasta e forjada eleição divina, pois anunciava em seu programa o multilateralismo e a não hegemonia. Mas tinha lá minhas desconfianças, pois atrás do Yes, we can (“sim, nós podemos”) podia se esconder a velha arrogância. Face à crise econômico-financeira, apregoava que os EUA mostraram em sua história que podiam tudo e que iam superar a atual situação. Agora por ocasião do assassinato de Osama bin Laden ordenada por ele (num Estado de direito que separa os poderes, tem o Executivo o poder de mandar matar ou não cabe isso ao Judiciário que manda prender, julgar e punir?) caiu a máscara. Não teve como esconder a arrogância atávica.

O Presidente, de extração humilde, afrodescendente, nascido fora do Continente, primeiramente muçulmano e depois convertido evangélico, disse claramente: “O que aconteceu domingo envia uma mensagem a todo o mundo: quando dizemos que nunca vamos esquecer, estamos falando sério”. Em outras palavras: “Terroristas do mundo inteiro, nós vamos assassinar vocês”. Aqui está revelada, sem meias palavras, toda a arrogância e a atitude imperial de se sobrepor a toda ética.

Isso me faz lembrar uma frase de um teólogo que serviu por 12 anos como assessor da ex-Inquisição em Roma e que veio me prestar solidariedade por ocasião do processo doutrinário que lá sofri. Confessou-me: ”Aprenda da minha experiência: a ex-Inquisição, não esquece nada, não perdoa nada e cobra tudo; prepare-se”. Efetivamente assim foi o que senti. Pior ocorreu com um teólogo moralista, queridíssimo em toda a cristandade, o alemão Bernhard Hâring, com câncer na garganta a ponto de quase não poder falar. Mesmo assim foi submetido a rigoroso interrogatório na sala escura daquela instância de terror psicológico por causa de algumas afirmações sobre sexualidade. Ao sair confessou: “O interrogatório foi pior do que aquele que sofri com a SS nazista durante a guerra”. O que significa: pouco importa a etiqueta, católico ou nazista, todo sistema autoritário e totalitário obedece à mesma lógica: cobra tudo, não esquece e não perdoa. Assim prometeu Barack Obama e se propõe levar avante o Estado terrorista, criado pelo seu antecessor, mantendo o Ato Patriótico que autoriza a suspensão de certos direitos e a prisão preventiva de suspeitos sem sequer avisar aos familiares, o que configura sequestro. Não sem razão escreveu Johan Galtung, norueguês, o homem da cultura da paz, criador de duas instituições de pesquisa da paz e inventor do método Transcend na mediação dos conflitos (uma espécie de política do ganha-ganha): tais atos aproximam os EUA ao Estado fascista.

O fato é que estamos diante de um Império. Ele é consequência lógica e necessária do presumido excepcionalismo. É um império singular, não baseado na ocupação territorial ou em colônias, mas nas 800 bases militares distribuídas pelo mundo todo, a maioria desnecessária para a segurança americana. Elas estão lá para meter medo e garantir a hegemonia no mundo. Nada disso foi desmontado pelo novo Imperador, nem fechou Guantánamo como prometeu e ainda mais, enviou outros trinta mil soldados ao Afeganistão para uma guerra de antemão perdida.

Podemos discordar da tese básica de Abraham P. Huntington em seu discutido livro O choque de civilizações. Mas nele há observações, dignas de nota, como esta: “A crença na superioridade da cultura ocidental é falsa, imoral e perigosa” (p. 395). Mais ainda: “A intervenção ocidental provavelmente constitui a mais perigosa fonte de instabilidade e de um possível conflito global num mundo multicivilizacional” (p. 397). Pois as condições para semelhante tragédia estão sendo criadas pelos EUA e pelos seus súcubos europeus.

Uma coisa é o povo norte-americano, bom, engenhoso, trabalhador e até ingênuo que admiramos, outra é o Governo imperial, que não respeita tratados internacionais que vão contra seus interesses e é capaz de todo tipo de violência. Mas não há impérios eternos. Chegará o momento em que ele será um número a mais no cemitério dos impérios mortos.

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A arrogância do poder

Mestre e discípulo conversavam numa esquina, quando uma velha os abordou:

“Saiam da frente da minha vitrine!”, gritou a velha. “Vocês estão atrapalhando os fregueses”.

O mestre pediu desculpas, e mudou de calçada.

Continuaram a conversa, quando um oficial aproximou-se.

“Precisamos que o senhor se afaste desta calçada”, disse o oficial. “O conde irá passar por aqui daqui a pouco.”

“Que o conde use o outro lado da rua”, respondeu o mestre, sem se mover. Depois se virou para seu discípulo:

“Não esqueça: jamais seja arrogante com os humildes. E jamais seja humilde com os arrogantes”.

O Mago

sexta-feira, 13 de maio de 2011

12 de Maio de 2011

Ontem foi um dia muito especial pra mim. Logo cedo publiquei um post com o nome do mantra da compaixão. Por problemas no Blogger/Google, o post saiu do ar ao longo do dia e desapareceu. Só agora o Blogger foi restaurado. Republico o post abaixo, reformulado.

Om Mani Padme Hum

Salve a Jóia no Lótus!

 

Minha foto


As sementes da iluminação estão no mundo.

Pratiquem a bondade. Não criem sofrimento. Dirijam a própria mente.

Por uma revolução espiritual!





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quarta-feira, 11 de maio de 2011

Om Mani Padme Hum

Salve a Jóia no Lótus!




 




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Denuncie crimes de corrupção!

No meu post de ontem, "Mulheres que violentam mulheres", eu estimulei todas as mulheres a denunciarem violências de que são vítimas: violência física, moral, psicológica, sexual, patrimonial... Denúncias que deverão ser encaminhadas a delegacias da mulher, Judiciário, defensorias públicas e outras instâncias.

Hoje eu recebi email do ex-delegado da Polícia Federal, deputado federal Protógenes Queiroz, do PCdoB, trazendo ótima notícia para todos nós cidadãs e cidadãos de bem: a população poderá fazer denúncias por email, diretamente ao deputado, que foi eleito relator da Subcomissão para Investigação de Denúncias com prioridade para corrupção de funcionários públicos. 

Abaixo mais detalhes. 



Protógenes convoca a população para denunciar crimes de corrupção

A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado instalou quatro subcomissões sobre temas como crime organizado, financiamento da área de segurança, carreira policial e controle de armas. O deputado Delegado Protógenes (PCdoB-SP) foi eleito o relator da Subcomissão Permanente para a Investigação de Denúncias e Acompanhamento de Operações Policiais sobre Crime Organizado, Tráfico de Drogas e Armas, Contrabando, Crimes em Fronteiras, Pirataria, Corrupção, Lavagem de Dinheiro, Violência Rural e Urbana e Situações Conexas Pertinentes à Segurança Pública.

Protógenes afirmou que a sua prioridade, na Subcomissão Especial, será a fiscalização de crimes contra a administração pública, principalmente os de corrupção e desvio de dinheiro público. O delegado licenciado da Polícia Federal está incentivando a população a participar da Subcomissão fazendo denúncias de crimes desta natureza pelo seu email: dep.delegadoprotogenes@camara.gov.br.

O deputado está também numa cruzada, em todo o Brasil, para colher assinaturas para o Projeto de Lei 21 de 2011, de sua autoria, que pretende igualar as penas dos crimes de corrupção aos de homicídio qualificado e dá prioridade na tramitação das ações. Caso seja aprovado, quem desviar dinheiro público poderá pegar 30 anos de cadeia e o processo será analisado com muito mais rapidez no judiciário. O objetivo das assinaturas é pressionar os parlamentares a aprovarem o projeto que busca tornar muito mais rígidas as penas para os crimes contra a administração pública.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Mulheres que violentam mulheres


Quando se fala em violência contra a mulher, pensa-se imediatamente no estereótipo, no mais comum, no tipo de violência visível, que muitas vezes chega até à mídia: mulheres feridas, machucadas, espancadas, ensanguentadas, violentadas em agressões promovidas por maridos ou companheiros. Um festival covarde, feroz, por vezes com requintes de crueldade, de tapas, socos, pontapés, acompanhados de ofensas, xingamentos, ameaças.

Violência contra a mulher, para a maioria da população, é sinônimo de agressões físicas desferidas por um macho brutamontes contra uma mulher frágil e indefesa.

A maior parte dos casos que chegam às delegacias e à mídia realmente corresponde a este tipo de violência. Mas há muitos outros agentes que podem praticar violência contra mulheres, além de maridos e companheiros. E há outras tantas formas de violência covarde contra mulheres, além da violência física.

Violência contra a mulher está acontecendo todo dia, o dia todo... perpetrada muitas vezes por outras mulheres! E, acreditem, muitas vezes mulheres da própria família da vítima!

Vejam só o absurdo da situação: mulheres ferindo, agredindo, violentando outra mulher. Mulheres predadoras. Mulheres truculentas. Mulheres canalhas. Algumas, com traços evidentes de psicopatia. Isso é gravíssimo.

Violência moral também é violência igualmente torpe, baixa, covarde, hedionda. Até porque, em geral é silenciosa, camuflada, disfarçada.


Familiares que ao longo de anos, com fraudes e subterfúgios, impedem cidadã de dispor livremente de imóvel cometem violência patrimonial contra mulher.

Violência moral, psicológica e patrimonial contra mulher também é CRIME, é VIOLAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES.

Da Declaração Universal dos Direitos Humanos, passando por dispositivos da Constituição Federal e do Código Penal, e chegando-se à famosa Lei Maria da Penha, há ordenamento jurídico suficiente para enquadrar estes criminosos e promover a devida reparação.

Há uma mulher na Presidência da República. Uma ex-guerrilheira corajosa e combativa, que em seus discursos de posse afirmou claramente que "não compactuará com malfeito nem com violação de direitos humanos".

A hora é essa. Mulheres violentadas: procurem ajuda no Judiciário, nas defensorias públicas nos estados, em ongs feministas e de direitos humanos, no governo federal (Secretaria Especial de Direitos Humanos e Secretaria Especial de Políticas para Mulheres da Presidência da República), em comissões e conselhos de direitos humanos em vários níveis, com parlamentares (deputados estaduais, deputados federais, senadores) comprometidos com a causa dos direitos humanos, na blogosfera cidadã e outros.

Não se cale! O silêncio só protege os criminosos. Torne públicas as agressões que sofre e os nomes dos covardes agressores! Denuncie!

Basta de Violência Contra as Mulheres!

Chega de Violação dos Direitos Humanos!




Link do video: http://www.youtube.com/watch?v=qXvKE_sHnu8










segunda-feira, 9 de maio de 2011

Mulheres canalhas



"Toda família tem uma canalha", é o que afirma a jornalista Martha Mendonça, autora do livro Canalha, substantivo feminino, onde desvenda as canalhices do universo feminino.

Há famílias mais desafortunadas, que abrigam em suas fileiras duas ou mais canalhas... Já imaginaram o drama?

Além da canalha-mor, cruel e cafajeste, na mesma família se encontrar outra, uma canalha em formação, igualmente nociva e nefasta, com muitos traços da canalha original. E tendo muitas vezes a canalha-original como mestra?

Eu conheço pelo menos duas, na mesma família. Predadoras, alpinistas sociais, que usaram da instituição casamento para subir na vida, exibir casa nova, vestir roupas de grife, desfilar de nariz empinado dirigindo seus carros de luxo...

Em seu livro a "canalhóloga" Martha Mendonça narra seis estórias tendo por protagonistas mulheres de natureza amoral, trapaceiras, que se fazem de vítima, usam e abusam da chantagem emocional, mentem descaradamente para subjugar companheiros, aumentar patrimônio pessoal, destruir suas vítimas e exibir seus podres poderes.

Abaixo reproduzo artigo sobre o livro das canalhas. Leia e aprenda a se proteger destas pestes.

 
Foto: Divulgação 

Mulheres canalhas
Elas são muito piores que os cafajestes

Bem ou mal, eu sempre acreditei que homens e mulheres são essencialmente semelhantes. Ao contrário da longa tradição conservadora, que, desde a Bíblia, imputa às mulheres pensamento e sentimentos opostos aos dos homens, eu sempre defendi, de forma totalmente intuitiva, que, afora a biologia, as diferenças entre homens e mulheres são apenas culturais – nada que uma geração ou duas de igualdade não fosse capaz de varrer da face da Terra.

Por pensar assim, eu me surpreendo profundamente com as sugestões de diferenças inconciliáveis entre sexos, sobretudo quando apresentadas pelas próprias mulheres – como acontece no livro Canalhas, substantivo feminino, escrito pela minha colega Martha Mendonça, a gentil, ferina e bem-humorada repórter da sucursal do Rio de Janeiro de ÉPOCA.

Publicado pela Editora Record, o livro reúne contos sobre mulheres que fazem os cafajestes masculinos parecerem coroinhas. Cada uma dessas histórias é um pequeno compêndio de maldades – maldades que, pela forma e pelo conteúdo, parecem intrinsecamente femininas, ainda que muitas delas não sejam exclusivas das mulheres.

Há uma estagiária de 20 anos, Larissa, que seduz o chefe quarentão até levá-lo a um estado de loucura, pelo prazer egoísta de testar o próprio poder. Há uma loira sensual, Ingrid, que sobe na vida sem trabalhar usando os homens friamente, como degraus da sua escalada social. Há uma arquiteta de 30 anos, Mariana, que arrasta o marido da antiga rival de colégio para um motel apenas pelo gosto de humilhar a beldade envelhecida.

Todas essas histórias têm em comum uma perversidade que eu não vejo no universo masculino. Os homens fazem coisas torpes, mas, tanto quanto eu percebo, agem na vida privada movidos pela paixão dos sentimentos. Seus atos, vistos de fora, são impulsivos e primitivos, de tão óbvios.

Em oposição, as mulheres de Martha são racionais, calculistas, oblíquas como o olhar de Capitu. A mãe seduz o namorado da filha para sentir-se jovem e desejada. Sem hesitação e sem remorsos. A noiva entrega-se a todos os homens, menos ao seu prometido, por quem sente um mal disfarçado desprezo. A mulher planeja e leva a cabo o assassinato do marido por lento e penoso envenenamento.

De onde vem isso? Em primeiro lugar vem da Martha. Como boa carioca, ela parece ter bebido nas águas turvas do Nelson Rodrigues, o grande sintetizador do universo imoral brasileiro. As personagens de Martha são pecadoras de classe média baixa, criaturas infames do repertório da família degradada que o autor de Vestido de Noiva e Beijo no Asfalto reconheceria instantaneamente.

Mas há nelas também, como apontou uma amiga, um toque atemporal de Lolita – a adolescente sensual do livro de Vladimir Nabokov, capaz de manipular o desejo de um homem adulto até reduzi-lo ao estado (ainda servil) de trapo. Como Lolita, as mulheres de Martha são exímias manipuladoras, que usam o corpo delas e a imaginação dos homens como armas.

Os homens, tanto quanto eu percebo, são incapazes de operar nesse universo de sutilezas, por uma razão essencial: não é fácil manipular o desejo das mulheres.

Homens são facilmente controláveis pelo zíper. Não é preciso ser uma beldade para fazer isso. Basta ser sensual e gostar de sentir-se assim. E ter em si um grama de maldade. O roteiro é velho e batido: quando o sujeito quer, a moça não quer. Queria ontem, mas hoje não tem certeza. Aproxima-se, mas, depois, muda de ideia e se afasta. Enquanto isso, mantém o corpo desejado a uma distância impossível de ignorar, mas difícil de tocar. É fácil e simples.

Quantos homens vocês conhecem que são capazes de manter uma mulher na rédea com esse tipo de ardil? Eu não conheço nenhum. Nas únicas situações em que vi esse tipo de coisa acontecendo, a mulher estava completamente apaixonada. Mulheres apaixonadas parecem perder o controle. Homens perdem o controle por luxúria, por lascívia, por desejo, por tesão – sentimentos muito mais corriqueiros neste mundo de meu deus. A gente vê isso acontecendo todos os dias.

Outra coisa que distingue as mulheres da Martha dos homens reais é que elas operam numa esfera que eu chamaria de contra-poder.

Os homens têm o dinheiro, o prestígio social e o comando, nas empresas e no mundo. As mulheres têm aspirações. Contra o óbvio poder social dos homens, elas lançam mão de estratagemas e subterfúgios, atalhos que, nos enredos de Martha, passam quase invariavelmente pelo sexo. Mesmo a quarentona gostosa que seduz o namorado adolescente da filha está marcando um tento contra o poder masculino – aquele que escolhe favorecer o corpo da mulher jovem em detrimento da mulher mais velha. Há sempre uma ponta de afirmação no poder paralelo das mulheres canalhas.

Ao terminar o livro, que li de uma vez só, encantado, tive várias sensações.

A primeira foi de alívio. Aos 50 anos, eu ainda não encontrei uma das mulheres más que Martha descreve. Já vi algumas inebriadas com o seu poder de seduzir e outras que ensaiaram subir na vida escalando as calças masculinas, mas eram amadoras.

A segunda sensação com que o livro me deixou remete ao começo deste texto: mulheres, afinal, talvez sejam diferentes de nós, homens. O mundo do poder masculino criou tipos dominantes que são agressivos e toscos em seus métodos. Óbvios, enfim. O universo da submissão feminina inventou mulheres sutis e ardilosas, bem mais difíceis de mapear e entender.

Essas não são diferenças no interior do cérebro ou da alma, porém. São diferenças sociais que, de tão velhas, passaram a fazer parte de nós – até que sejam varridas da face da Terra por uma ou duas gerações criadas em igualdade.

 

Revista Época


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