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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Os doutores de Cuba e a doença das elites brasileiras


"MAIS MÉDICOS" E "MAIS SOLIDARIEDADE"



"Um desembarque que em outros países seria motivo de festas, homenagens e bandas de música.

Aqui é emoldurado pelo espetáculo deprimente de uma classe média desprovida de discernimento sobre o país em que vive, o mundo que a cerca e as urgências da sociedade que lhe custeou o estudo.

Para que agora sabotasse a assistência cubana aos seus segmentos mais vulneráveis, aos quais ela se recusa a atender. (...)"


"Ética médica, solidariedade, internacionalismo e humanismo formam uma constelação incompreensível a quem divide o mundo entre consumidores e escravos."




Cubanos chegam e já diagnosticam a doença no Brasil


Saul Leblon

Eles desembarcaram há apenas quatro dias.

Ainda nem começaram a trabalhar. Mas alguma coisa de essencial já foi diagnosticada entre nós, apenas com a sua presença.

Uma foto estampada na Folha de S. Paulo desta 3ª feira sintetiza a radiografia que essa visita adicionou ao diagnóstico da doença brasileira.

Um médico negro avança altivo pelo corredor polonês que espreme a sua passagem na chegada a Fortaleza, 2ª feira.


O funil do constrangimento é formado por jovens de jaleco da mesma cor alva da pele.

Uivam, vaiam, ofendem o recém-chegado.

Recitam um texto inoculado diuturnamente em sua mente pelas cantanhêdes, os gasparis e assemelhados.

Centuriões de um conservadorismo rasteiro, mas incessante.

É força de justiça creditar a esse pelotão a paternidade da linhagem, capaz de cometer o que a foto cristalizou para a memória destes tempos.

“Escravo!” “Escravo!” “Escravo!”.

Ecoa a falange cevada no pastejo da semi-informação, do preconceito e das tardes em shopping center.

Foi programada para cumprir esse papel, entre outros, de consequências até mais letais para a democracia e a civilização entre nós.


Um desembarque que em outros países seria motivo de festas, homenagens e bandas de música.

Aqui é emoldurado pelo espetáculo deprimente de uma classe média desprovida de discernimento sobre o país em que vive, o mundo que a cerca e as urgências da sociedade que lhe custeou o estudo.

Para que agora sabotasse a assistência cubana aos seus segmentos mais vulneráveis, aos quais ela se recusa a atender.

Os alvos da fúria deixaram família, rotinas e camaradagem para morar e socorrer habitantes de localidades das quais nunca ouviram falar.

Mas que a maioria dos brasileiros também sequer desconfia que existam.

Com o agravante de que ali talvez jamais pousem seus pés. Coisa que os cubanos farão. Por três anos.


E que graças a eles, agora saberemos que existem.

Se o governo for safo – espera-se que seja – fará do Mais Médicos uma ponte de conexão de nós com nós mesmos.

O futuro da democracia agradecerá.

Os pilares dessa ponte, de qualquer forma, são os que transitam agora altivos diante da recepção que indigna o Brasil aos olhos do mundo.

Perfis médicos ainda improváveis entre nós, apesar do Prouni e das cotas satanizadas pela mesma cepa mental adestrada em compor corredores e funis.

Nem sempre físicos, como agora.

Mas permanentemente intolerantes, na defesa da exclusão e do privilégio.


Formados em uma ilha do Caribe desguarnecida de recursos, por uma escola de medicina que contorna a tecnologia cara, apurando a excelência do exame clínico – aquele em que o médico demora uma hora ou mais com o paciente, rastreando o seu metabolismo – eles passarão a cuidar da gente brasileira pobre e anônima. (Leia a excelente entrevista de Najla Passos com a doutora Ceramides Carbonell sobre a formação de um médico em Cuba).

Campos Alegres de Lourdes, Mansidão, Carinhanha, beira do São Francisco, Cocos, Sítio do Quinto, Souto Soares... Quem conhece esse Brasil?

É para lá que eles vão. E para mais 3.500 outras localidades.

Um Brasil esquecido, em muitos casos, mantido na soleira da porta, do lado de fora do mercado e da cidadania.

Que sempre esteve aí. Mas que agora, pasmem, terá um sujeito interessado em ouvir o que sua gente tem a dizer, esforçando-se por entender pronúncias que até nós, os locais, teríamos dificuldade de discernir.


O ‘doutor de Cuba’ de fala estrangeira e jeito parecido com a gente estará ali.

A examinar, apalpar dores, curar vermes, prescrever cuidados, encaminhar cirurgias, ouvir e confortar.

Com remédios, atenção e esperança.

Houve um tempo em que essas expedições a um Brasil distante do mar eram feitas por brasileiros, e de classe média.

Protagonistas de um relato épico, de nacionalismo não raro ingênuo. Mas que aproximava e treinava o olhar do país sobre ele mesmo.

Coisa que a hiper-conexão disponível agora poderia fazer até melhor.


Não fosse a determinação superior de afastar e dissimular, o que muitas vezes se alcança destacando o pitoresco.

Em detrimento do principal: as questões do nosso tempo, do nosso desenvolvimento, as escolhas que elas nos cobram. E os interesses que as bloqueiam.

Tivemos a Coluna Prestes, nos anos 20. 

Os irmãos Vilas Boas, apoiados por malucos como Darcy Ribeiro e entusiastas como Antonio Calado, fizeram isso nos anos 40/50 e início dos 60, quando foi criado o Parque Nacional do Xingu.

Trouxeram a boca do sertão para mais perto do olhar litorâneo e urbano.

Desbastavam distâncias a facão. 

Na raça, traziam horizontes, aproximavam rios, tribos, desafios e, de alguma forma, semeavam um espírito de pertencimento a algo maior que a linha do mar e a calçada de Copacabana. 

A utopia geográfica, se por um lado borrava os conflitos de classe, ao mesmo tempo colidia com o país real que os esperava em cada socavão, de trincas sociais, fundiárias, étnicas e econômicas avessas à neblina da glamurização.

Paschoal Carlos Magno, a UNE e o CPC, o Centro Popular de Cultura, fariam o mesmo nos anos 60, antes do golpe militar.

As famosas ‘Caravanas do CPC’ rasgaram o mapa do sertão.

Desceriam o São Francisco nas gaiolas lendárias para garimpar e irradiar a cultura popular em lugares onde agora, possivelmente, um doutor cubano irá se instalar.

Caso de Carinhanha, por exemplo, um dos mais belos entardeceres do São Francisco.

Onde foi que a seta do tempo se quebrou?


Por que já não seduz a grande aventura de nossa própria construção?

Uma leitora de Carta Maior, Odette Carvalho de Lima Seabra, resume em comentário enviado ao site o núcleo duro do problema. 

“A geração dos nossos jovens doutores”, escreve, “ jamais compreenderá de que se trata. Foram criados nos shopping centers. A escola secundária limitadíssima no seu alcance humanístico os fez também vítimas sem que o saibam que são. Uma revolução que durou vinte anos e cujo sentido era o de esvaziar de sentido a vida de todos nós deixou no seu rescaldo, esse bando de jovens, como são os nossos doutores, muito alienados. É tempo de aprender com os cubanos”, conclui Odette.

Colocado nos seus devidos termos, o impasse readquire a clareza histórica de que se ressente a busca de soluções.

Entre indignado e estupefato, o conservadorismo nega aos visitantes cubanos outra referência de exercício da medicina que não a dos valores argentários.

Ética médica, solidariedade, internacionalismo e humanismo formam uma constelação incompreensível a quem divide o mundo entre consumidores e escravos.

À esquerda, no entanto, cabe também evitar simplificações.

Se quiser enxergar a real abrangência das tarefas em curso, é preciso admitir que não estamos diante de uma batalha entre anjos e demônios.

Os médicos do Caribe não nascem bonzinhos. Tampouco endemoninhados, os dos trópicos.

Eles são formados assim. Por instituições.

A escola, por certo, mas a mídia, sem dúvida, que a completa pelo resto da vida.

É vital que o governo, lideranças sociais e os intelectuais compreendam o fundamental em jogo.

Se quisermos colher frutos duradouros com o ‘Mais Médicos’, o passo seguinte do programa terá que ser a reforma universitária brasileira.

Que reaproxime universidade e a juventude das grandes tarefas coletivas do nosso tempo.

As diferenças entre a formação do cubano hostilizado na chegada a Fortaleza, e aqueles que o ofendiam não são apenas de ordem técnica.

Mas, sobretudo, de discernimento diante do mundo.

A ponto de um não achar estranho sair de seu país para ajudar um outro.

Nem considerar despropositado que parte de seu ganho se transforme em fundo público de reinvestimento.

O oposto das convicções dos que o agraciavam com o corolário de sua própria servidão.

Esse talvez seja o aspecto mais chocante da visita que acaba de chegar.

E, sobretudo, o mais instrutivo.

Ela escancara a doença social que corrói o nosso metabolismo. E adverte para as limitações que irradia.

Na sociedade que estamos construindo.

Na mentalidade que vai se sedimentando. No risco que ela incide sobre o todo.

Para que o ‘Mais Médicos’ um dia possa ser dispensável, o Brasil precisa se tornar ele próprio um grande ‘Mais Solidariedade’.

Como faz Cuba desde 1959, com todos os seus erros, acertos e percalços.


*

Médicos cubanos: "escravos da saúde e dos doentes"


MAIS MÉDICOS




                                                                                                Facebook


Xenofobia, racismo, assédio moral.

É isso o que os médicos cubanos estão sofrendo ao desembarcar para trabalhar legalmente no Brasil, trazidos pelo programa Mais Médicos, do governo federal.

Gente que se julga civilizada, elitezinha metida a besta, totalmente sem noção de cidadania, promovendo hostilidades e um festival de ignorância e selvageria.

Ordenamento jurídico neles!

Vejam o vídeo.





"SEREMOS ESCRAVOS DA SAÚDE E DOS DOENTES"


:
A frase foi dita pelo médico cubano Juan Delgado, de 49 anos, que foi vaiado e hostilizado por médicos do Ceará, numa imagem que envergonhou o Brasil e, postada no 247, foi compartilhada por 185 mil pessoas; ao desembarcar no Brasil, foi chamado de "escravo" e se disse "impressionado" com a manifestação. "Isso não é certo, não somos escravos. Os médicos brasileiros deveriam fazer o mesmo que nós: ir aos lugares mais pobres para prestar assistência"; que sirva de lição aos médicos que agiram com selvageria em Fortaleza e também a seus detratores na mídia brasileira; Conselho Federal de Medicina ainda não condenou agressão, que descamba para xenofobia e racismo


Leia mais no Brasil 247 clicando aqui.


terça-feira, 27 de agosto de 2013

São Paulo terá Casa da Mulher Brasileira


VIOLÊNCIA CONTRA MULHER



Tolerância Zero com a Violência contra Mulheres, determina a Presidenta Dilma Rousseff.

Prefeito Fernando Haddad acentua a importância da Justiça, do Judiciário, para coibir esta gravíssima violação de direitos.

Chega de Impunidade !!!

                                                                                                      Fábio Arantes/SECOM


Capital ganhará unidade da Casa da Mulher Brasileira

Equipamento especializado para o atendimento de mulheres vítimas de violência integra o programa do Governo Federal, "Mulher, Viver sem Violência". Município também firmou o Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra a Mulher


A região central da cidade ganhará nos próximos meses uma unidade da Casa da Mulher Brasileira, equipamento especializado para o atendimento de mulheres vítimas de violência. A instalação na capital foi anunciada após a assinatura do termo de adesão nesta segunda-feira (26), pelo município e Estado de São Paulo, ao programa do Governo Federal "Mulher, Viver sem Violência".

O projeto prevê a criação de centros integrados de serviços especializados, cooperação técnica com o sistema de justiça e campanhas educativas de prevenção e enfrentamento à violência de gênero. "Vamos ter um equipamento de primeira grandeza para atender às mulheres do município de São Paulo e de outras cidades", afirmou o prefeito Fernando Haddad. A unidade recebida pela cidade será instalada em até 120 dias no Cambuci.

O prefeito Fernando Haddad lembrou que a Justiça tem um papel bastante importante para a efetivação do programa do Governo Federal. "Nós precisamos muito da ação da Justiça para esses casos. Não nos basta simplesmente os equipamentos e serviços disponíveis. O acolhimento é fundamental, mas a punição é uma necessidade para coibir os abusos que são verificados no Brasil em relação às mulheres. Temos de lutar contra os opressores, contra as pessoas que usam da violência para impor os seus desejos e lutar pela dignidade da mulher paulistana", disse.

"A luta contra a violência à mulher não é uma luta nossa, apenas", afirmou a ministra Eleonora. "É uma luta de toda a sociedade brasileira. Ela transcende o Estado brasileiro e as mulheres que estão sofrendo. E essa luta tem mobilizado corações e mentes para que ela, de fato, se torne passado em breve no nosso país. Se a impunidade contra a violência às mulheres terminar, sem dúvida nenhuma, nós teremos dado um passo para acabar com todas as impunidades do Brasil".

O programa na capital, que ficará sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, concentrará no mesmo espaço físico os principais serviços especializados e multidisciplinares de atendimento às mulheres em situação de violência, nas áreas de justiça, prevenção, saúde, serviços públicos de segurança, acolhimento, atendimento psicossocial, abrigamento e promoção de autonomia e geração de trabalho, emprego e renda.

A Casa da Mulher Brasileira funcionará 24 horas por dia e terá espaço para atender, em média, 200 mulheres diariamente. As obras, os equipamentos e o mobiliário, orçados no valor de R$ 4,3 milhões, serão financiados pelo Governo Federal. Ao todo, 27 casas serão construídas em todo o território nacional, sendo uma por capital.

O termo de adesão foi firmado pela ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República; pelo governador Geraldo Alckmin; pelo prefeito Fernando Haddad; pelo presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ivan Sartori; pelo procurador-geral do Ministério Público, Márcio Fernando Elias Rosa; e pela defensora pública-geral de São Paulo, Daniela Cembranelli.

"Se nós queremos acabar com a violência, temos de acabar com a impunidade, pois é a impunidade que a estimula", afirmou o governador Geraldo Alckmin, lembrando que o poder judiciário estará dentro da Casa da Mulher Brasileira. No equipamento, será também instalada a 130ª Delegacia da Mulher do Estado.


Pacto

Na ocasião, também foi assinado o termo de adesão ao Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra a Mulher, parceria que tem como intuito fortalecer as políticas públicas de enfrentamento a violência contra a mulher, visando ampliar e integrar os serviços de acolhimento e orientação às mulheres nessa situação.

"O pacto vai integrar as ações entre as três esferas de governo e as instituições do poder público que atuam nesta área, com o objetivo de consolidar uma rede de enfrentamento contra a violência à mulher", afirmou a secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Denise Dau.

De acordo com a secretária, em recente pesquisa divulgada neste mês pelo Instituto Patrícia Galvão, sob a percepção da sociedade em relação à violência e assassinato de mulheres, 98% dos entrevistados afirmaram conhecer a Lei Maria da Penha. Porém, 58% afirmaram a necessidade de maior apoio por parte do poder público para as mulheres que denunciam.

"O conjunto de programas que têm sido implementados por meio da criação de espaços institucionais e de controle social da sociedade, aliados à previsão de orçamento, apoio técnico e institucional, estruturam uma política de estado para as mulheres. E essa é uma política pública fundamental para a superação das desigualdades e a construção de uma sociedade justa e sem opressão de gênero", afirmou Denise.


Programa Federal

Lançado em março deste ano, o programa "Mulher, Viver sem Violência" conta com investimento de R$ 265 milhões e estabelece ações para a melhoria da coleta de vestígios de crimes sexuais; a transformação da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, da SPM, em disque-denúncia para acionamento imediato da Polícia Militar e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu); a criação de seis centros de referência nas fronteiras secas do Brasil com a Bolívia, a Guiana Inglesa, o Paraguai e o Uruguai; e a construção da Casa da Mulher Brasileira - uma unidade desta em cada capital do país.



Portal PMSP

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Ao Vivo: Dilma e a Violência contra Mulher


VIOLÊNCIA CONTRA MULHER



(transmissão encerrada às 13:10 h)

A presidenta Dilma Rousseff recebeu hoje, em sessão solene no Senado, o Relatório Final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito sobre Violência contra Mulher.

Violência contra Mulher pode ser física, moral, psicológica, patrimonial e outras. Promovida por familiares ou não. De modo ostensivo ou silencioso, camuflado.

Nem sempre violência contra mulher é promovida por homens. Muitas mulheres desferem agressões contra mulheres. Há até as que usam terceiros, comparsas, para praticar tais patifarias, chefiando verdadeiras quadrilhas.

E também há a violência institucional contra mulher, ou seja, desferida por órgãos e agentes públicos, inclusive mulheres, que ultrajam as leis do País, promovendo violação em vez de proteção e defesa de direitos.

A questão é complexa, grave e preocupante.

Violência contra Mulher é CRIME. E Violação dos Direitos Humanos das Mulheres.

Denuncie!

Acompanhem conosco este momento histórico!





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"Médicos" brasileiros vaiam MÉDICOS cubanos


Eles não querem deixar regiões nobres das grandes e médias cidades brasileiras para trabalhar em regiões pobres e afastadas.

Eles querem que o povão se dane, viva aos trancos e barrancos, morra à míngua, sem atendimento.

Eles não aceitam que médicos estrangeiros sejam contratados pelo governo federal para atender cidadãos brasileiros que moram em localidades longínquas onde eles não querem ir.

Eles atacam, hostilizam, ameaçam médicos cubanos que colocam o humanitarismo e a solidariedade em primeiro lugar.

Eles se dizem médicos, mas são na verdade mercadores, comerciantes, uma elitizinha metida a besta, que tem nojo de pobre, que usa seus diplomas, muitos conseguidos em universidades públicas, para alcançar status social e econômico e alimentar seus delírios de grandeza.

E você? Gostaria de ser atendido por uma dessas?



MÉDICOS BRASILEIROS ENVERGONHAM O PAÍS


(3931) Armando Paiva: FORTALEZA, CE, 26.08.2013: MAIS MÉDICOS/CE -  Manifestantes ligados ao Sindicato dos Médicos do Ceará (Simce) , realizam protesto durante a saída do grupo de 79 médicos selecionados pelo programa Mais Médicos, do governo Federal, participavam de curso na
A foto acima diz tudo; um médico cubano negro, que chegou ao Brasil para trabalhar em um dos 701 municípios que não atraíram o interesse de nenhum profissional brasileiro, foi hostilizado e vaiado por jovens médicas brasileiras; com quem a população fica: com quem se sacrifica e vai aos rincões para salvar vidas ou com uma classe que lhe nega apoio?

Leia a matéria completa no Brasil 247, clicando aqui.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

"Mais Médicos" cubanos e "Menos Mercadores" brasileiros


Não nos importa o salário. Mais do que enriquecer, cumpre ao médico salvar vidas e prestar serviços humanitários.

Assim pensam os médicos cubanos que estão desembarcando no Brasil, contratados pelo governo federal no programa Mais Médicos.

Médicos verdadeiros, não representantes de elites mesquinhas, egocêntricas, que fazem do exercício da medicina trampolim para manter ou aumentar seu status social, que têm nojo de pobre, e que se recusam a prestar serviços em localidades distantes e até nas periferias das grandes cidades, mesmo com altos salários.

Que venham los hermanos cubanos!

Viva Cuba !!!







Médico cubano, doutor coxinha e ódio ideológico da direita

DAVIS SENA FILHO



Como uma pessoa pode ser contra a contratação de médicos estrangeiros se os médicos daqui não querem sair dos lugares onde estão? Como pode uma pessoa ser contra o atendimento médico a brasileiros que não têm acesso a eles?

{Há oito meses fui ao médico}. Estou com tendinite em um dos joelhos. Sinto dor e mal consigo pisar no chão. A dor é lancinante. Estou em uma clínica em Copacabana à espera de ser atendido há mais de três horas. A clínica é uma associação e atende um público acima dos 40 anos. O paciente paga por consulta. Quando lá fui desembolsei R$ 40,00. Muitos idosos que não podem pagar por um plano de saúde procuram ser atendidos nessa clínica. Enfim, o médico chega. Espero alguns minutos e sou chamado.

Abro a porta. Cumprimento o doutor; e ele pede para eu sentar. O médico me olha e diz: "Desculpe pelo atraso, mas eu fiquei preso em um engarrafamento", ao tempo em que completa: "O que você tem?" Informo-lhe da tendinite e a dor. Ele pede para eu me deitar. Começa a examinar o joelho. Mal toca nele. Pergunto-lhe se ele quer que eu levante a calça para ele ver melhor o joelho.

Ele balança a cabeça negativamente, e diz: "Não é preciso. Já sei do que se trata." O doutor senta, pega a caneta e prescreve uma receita, um analgésico para dor. Saio espantado e nunca mais voltei lá. Não generalizo, porque não seria justo, mas são esses os médicos brasileiros que tratam as pessoas com desdém e desconsideração. Não fui pego de surpresa, pois sei dessa conduta praticada pelos médicos há muito tempo, tanto no setor público quanto no privado.

Agora, vamos à pergunta que não quer calar: você acredita mesmo que os jornalistas da imprensa de mercado, os políticos tucanos e os médicos brasileiros corporativistas e elitistas estão preocupados com a saúde do povo brasileiro e com a capacidade profissional dos médicos cubanos?

Vamos a outra pergunta que insiste em não se calar: você acha que a gritaria e o histerismo que acontece é porque o Programa Mais Médicos, além de ter o apoio majoritário da população, é também um processo que pode render muitos votos e por causa disso a direita brasileira, a pior do mundo, está tentando boicotar e sabotar o programa do Governo trabalhista?

Quem respondeu "sim" para as duas perguntas acertou, e, como tirou a nota 10, deve saber também que a criação do Programa Mais Médicos é uma resposta contundente às manifestações de junho, que exigiram dos governos estaduais, das prefeituras e do Governo Federal um Sistema Único de Saúde (SUS) que preste serviços de melhor qualidade para o povo brasileiro.

Evidentemente, a direita escravocrata deste País aproveitou a oportunidade que lhes deram as manifestações para achincalhar e desqualificar o Governo trabalhista, mas o tiro saiu pela culatra, porque a presidenta Dilma Rousseff, segundo as pesquisas, voltou a melhorar seus índices de aprovação, bem como seu governo se deslocou mais à esquerda e tratou de reconquistar a credibilidade por pouco tempo parcialmente perdida com o Programa Mais Médicos.

Além do Mais Médicos, outros programas já existentes estão a ser incrementados e melhorados, bem como o Governo Dilma está prestes a lançar o Programa Mais Professores, o que, indubitavelmente, vai fazer com que os políticos do PSDB e os seus aliados fiquem mais desesperados do que já estão, e consequentemente, com o apoio da imprensa de negócios privados, os tucanos vão recrudescer seus ataques aos principais líderes do PT e autoridades do Governo, a ter ainda como parte do arsenal de acusações e pretensas denúncias as reportagens direcionadas e seletivas de Veja, O Globo, Estadão e Folha de S. Paulo, depois repercutidas pelos jornais da TV Globo e da Globo News.

Os questionamentos da direita brasileira ao Programa Mais Médicos são os mais estapafúrdios possíveis e inquestionavelmente paradoxais. O ódio e o preconceito ideológico movimentam as mentes e as ações desses grupos conservadores, que lutam contra o tempo, a história e a evolução da humanidade. Eles não querem dividir, distribuir, para que possamos ter um Brasil justo e democrático. Apostam na divisão da sociedade e por causa disso manipulam e distorcem a realidade com o apoio da imprensa burguesa.

Acontece que o Programa Mais Médicos vai propiciar o atendimento médico a 701 municípios que foram renegados pelos médicos brasileiros, a maioria oriunda de classes privilegiadas e ex-estudantes de universidades públicas e também particulares, que oferecem cursos de Medicina dos mais caros. Temos um corpo médico alienado socialmente e divorciado das necessidades e dos problemas do povo brasileiro, que, juntamente com os sucessivos maus governos, são também responsáveis pela crise na saúde, afinal quem cuida do setor da saúde são os médicos.

O Brasil tem centenas de municípios sem a presença de médicos. Muitos cidadãos brasileiros nunca foram atendidos por um profissional de saúde formado em Medicina. Nunca os médicos capitalistas e consumistas e que através do tempo esqueceram o juramento de Hipócrates se preocuparam em atender os brasileiros pobres das periferias e das favelas das grandes cidades, bem como se negam a ir para o interior, como demonstrou, inapelavelmente, as inscrições para o Programa Mais Médicos.

Simplesmente os médicos brasileiros, muito deles preconceituosos, de caráteres duros e frios com os seus pacientes, preferem ficar em suas cidades, trabalhar em três empregos e faltar ao trabalho quando são servidores da saúde pública, bem como formar sociedades em clínicas e, por conseguinte, ganhar dinheiro, muito dinheiro em prol de uma vida materialmente estável e prazerosa quando de férias e na hora de se divertir.

Evidentemente que não há problema algum de uma pessoa ou profissional querer ganhar dinheiro e viver de forma confortável. O meu desejo é que todos os brasileiros tenham uma vida assim. Mas não é a realidade que se apresenta e a responsabilidade social é também tão importante quanto a vida boa que os nossos médicos burgueses têm e não abrem mão por um segundo para cooperar com o País e atender àqueles que não têm acesso a quase nada, inclusive ao atendimento médico e hospitalar.

É verdadeiramente lamentável ao tempo que surreal a ação e a conduta de jornalistas conservadores, a exemplo de Eliane Cantanhêde, Augusto Nunes, Reinaldo Azevedo e Ricardo Noblat, que não estão nem aí para o Brasil e o seu povo. Considero também ridículo, extremamente cínico e até mesmo pérfido os ataques de políticos como Aécio Neves, Roberto Freire e Álvaro Dias ao programa que vai levar saúde para os rincões deste País — o Brasil profundo. É um despropósito dessa gente, além de ignomínia inominável.

Os jornalistas e os políticos de direita consideram a vinda dos médicos perigosa. Essa gente é tão ideológica e perversa que cinicamente diz acreditar que tais médicos vão servir como espiões do comunismo internacional. Esses caras, por conveniência política, resolvem voltar à época da Guerra Fria para sabotar não somente o Programa Mais Médicos, mas, sobretudo, os interesses do povo brasileiro, principalmente o pobre, que não tem condições de pagar pela saúde privada, que a classe média coxinha optou, como preferiu também a escola particular, e depois perceber que deu com os burros n'água, porque sustentar durante décadas os vorazes capitalistas desse segmento é dose para mamute quando não para leão.

A verdade é que a imprensa alienígena mente; os políticos do PSDB mentem e parte da classe média coxinha acredita nessas mentiras e repercute no cotidiano de sua vida. Contudo, não tem jeito, e o Programa Mais Médicos tem a aprovação da população brasileira, que na hora da enfermidade quer ficar curada da doença que a vitimou e lhe causa preocupação. A doença não espera e a dor também.


E o que importa é que os médicos cubanos estão entre os melhores, pois eles trabalham no mundo inteiro, a realizar a medicina social e não de fundo capitalista como acontece no Brasil, porque, sem generalizar, os nossos médicos são oriundos de classes privilegiadas, tornaram-se frios e oferecem uma medicina de má qualidade e, o que mais me estarrece, francamente desumanizada.


Os médicos deste País são os maiores responsáveis pela crise na Saúde. E eles sabem por quê. Quando você vê um sem número de médicos bater o ponto e sumir do trabalho, percebemos que tais profissionais se dedicam à causa de somente ganhar dinheiro, em um país fortemente capitalista cuja elite é a propagadora para que sejamos uma sociedade individualista, consumista e indelevelmente egocêntrica, em que se valoriza o que você tem e não quem você é. Os médicos brasileiros são o retrato desse sistema que somente se preocupa com o ter e não com o ser.


E é exatamente por isso que o Conselho Federal de Medicina (CFM), os Conselhos Regionais de Medicina (CRM) e a Associação Médica Brasileira (AMB) estão a gritar, a berrar e a tentar sabotar o Programa Mais Médicos, com a cumplicidade de uma imprensa completamente alienada e voltada para os interesses empresariais. Os médicos coxinhas se recusam a ir para o interior e a periferia, mas, contraditoriamente, não querem que os médicos estrangeiros ocupem as vagas que eles desprezaram. Não é um caso para o Sigmund Freud explicar?


Esses playboys realizam passeatas, inclusive a mostrar faixas e cartazes com dizeres infames, mas não querem que o Governo resolva a falta de médicos. São os médicos pequenos burgueses de vida mansa e que se tornam feras quando têm de defender a reserva de mercado. Tão capitalistas e privatistas quando se trata de apoiar programas e receitas econômicas de políticos que somente tiram do povo, ao tempo que tão cônscios de seus interesses, ainda mais quando o Governo trabalhista, em quem eles não votam, quer distribuir a população médica em todo o País.

Agora a moda é dizer que os médicos cubanos vão ser escravizados. Jornalistas de direita como Augusto Nunes, Eliane Cantanhêde e políticos como Álvaro Dias e Aécio Neves, dentre muitos outros, têm a insensatez e a cretinice de afirmar que o Governo de uma socialista e trabalhista como a presidenta Dilma Rousseff vai escravizar os médicos cubanos. É de um nonsense só. Então, os governos (Lula e Dilma) que mais distribuíram renda e riqueza, que não venderam o patrimônio público, que preservaram as leis trabalhistas vão tornar os cubanos escravos. Inacreditável, não? A verdade é que gente de imprensa como essa perdeu totalmente a razão e a noção do que é até mesmo razoável falar.

O negócio é o seguinte: até para ser cara de pau tem limite e má-fé intelectual também. Só que esses tucanos travestidos de gente preocupada com o destino e o futuro da Nação se contradizem, porque não são sinceros, pois sabemos, como seres humanos, que as pessoas que defendem um mundo para poucos privilegiados têm de mentir, dissimular, manipular e distorcer a verdade e a realidade dos acontecimentos e dos fatos.

Como uma pessoa pode ser contra a contratação de médicos estrangeiros se os médicos daqui não querem sair dos lugares onde estão? Como pode uma pessoa ser contra o atendimento médico a brasileiros que não têm acesso a eles? Não dá para ser contra, concorda? "Então, o que fazer?" — perguntam os reacionários de direita. E eu respondo: "Minta, distorça, manipule e dissimule. Só que não vai dar certo, porque o povo quer médicos e apoia programas como o Mais Médicos por não saber de suas necessidades". Ponto.

A Associação Médica Brasileira se mostrou tão corporativa, elitista e distanciada das realidades do povo brasileiro que entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), no STF, contra o Programa Mais Médicos. A AMB realmente é um órgão de essência empresarial, mas vai perder, porque mesmo com um Supremo de juízes conservadores, tal Tribunal não vai se mostrar tão imprudente a ponto de ser contrário aos interesses do povo brasileiro. Seria demais os juízes se insurgirem contra a população carente para fazer mais uma vez política de oposição ao Governo trabalhista.

Para finalizar, vamos esclarecer: ninguém vai ser escravizado. Os governos trabalhistas foram os que mais combateram o trabalho escravo no Brasil. Quem duvida, que tenha a disposição de consultar os números e índices do Ministério do Trabalho. Então, esse papo da direita e da imprensa alienígena de escravidão dos cubanos é balela, mentira, cinismo e maledicência. Além disso, a remuneração dos médicos de Cuba é paga ao governo cubano porque esses profissionais de saúde são funcionários públicos e estão em missão oficial e no exterior. Não é um trabalho autônomo, como se fosse de um profissional liberal. Ponto.

Por seu turno, é necessário salientar que Cuba é um país socialista e que a população aceita e considera normal que os recursos conseguidos no exterior por uma categoria profissional, a exemplo dos médicos, sejam investidos na sociedade. O trabalho dos médicos no exterior ou de qualquer outra categoria profissional é considerado como dividendos de exportação de serviços e por isso são compartilhados. As empresas brasileiras, notadamente as de engenharia que exercem atividades no exterior, também têm procedimento semelhante em relação aos seus profissionais.

Mesmo assim a direita midiática joga pedras em qualquer iniciativa do governo trabalhista de Dilma Rousseff, a exemplo do que fez com o ex-presidente Lula. Não consideram nada e não se importam com as pessoas, a não ser com os seus patrões, porque precisam garantir seus empregos e privilégios e, por conseguinte, defender os interesses políticos e econômicos dos magnatas bilionários que desejam fazer do Brasil um clube VIP para poucos privilegiados. A preocupação da direita é meramente eleitoral. São os votos do Mais Médicos que deixam os reacionários nervosos e agressivos. 

Bem-vindos os médicos cubanos. É isso aí.

Brasil 247

Destaques do ABC!

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domingo, 25 de agosto de 2013

Mais Médicos para o Brasil: Viva Cuba!


“O mais importante é colaborar com os médicos brasileiros e ajudar na qualidade de vida do povo daqui. Também é importante a irmandade entre o povo cubano e o povo brasileiro, que existe há muito tempo.”
                                                                 Oscar Gonzales Martinez, médico cubano


“Queremos ajudar e dar saúde a todos aqueles que não têm acesso aos serviços médicos. Queremos dar amor e queremos receber amor.”
                                                                                   Jaiceo Pereira, médica cubana

Viva Cuba !!!