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sábado, 5 de abril de 2014

Apenas Mujica


O PRESIDENTE MAIS POBRE DO MUNDO (E O MAIS FELIZ)





Mujica


Presidente uruguaio frisa o espírito público que guia a atividade política


José Miguel Wisnick

O que primeiro me chamou a atenção, no momento em que me deparei com José “Pepe” Mujica, presidente do Uruguai, falando ao programa Canal Livre, da TV Bandeirantes, não foi o conteúdo da entrevista em si. Esta se dava ao ar livre, os três jornalistas sentados num banco de madeira sem encosto, num lugar rural, na boca do mato. Acomodada na relva, uma cachorra manca, que depois eu soube chamar-se Manuela, acompanhava a conversa com atenção relaxada. Um cachorro maior vinha, às vezes, lamber pachorrentamente a mão dos entrevistadores. A poltrona do presidente era uma dessas cadeiras velhas de jardim, de ferro, com estofado capitonê. A cena se passava na casa, meio sítio, onde ele mora. Trajava uma camisa qualquer, bermudão e chinelo de couro. O ambiente nem por isso deixava de ser um cenário de Estado. É que cada elemento da cena combinava intimamente com o discurso político que ali se enunciava.

Há lugares na Argentina, e mais ainda no Uruguai, talvez, onde se convive com uma atmosfera que nos soa pré-midiática, na qual a televisão não chegou a impor o bombardeio que conhecemos, e onde uma classe média de hábitos despojados respira uma atmosfera culta. Lembro o adorável serralheiro José Traine, meu amigo, sua casa na Boca, em Buenos Aires, e o refinadíssimo músico Carlos Aguirre, da cidade de Paraná, que toca divinamente piano, acordeom, flauta, e carrega as caixas de som que tem que levar ele mesmo para seus shows, dirigindo a perua cambaleante em que transporta a banda. Embora excepcionais na sua capacidade de expressão, e especiais como pessoas, não são casos isolados. Participam de um caldo de cultura letrado do qual o culto à celebridade está muito distante, seja como modelo a atingir, seja como força de pressão circundante.

Acho que a cena da entrevista de José Mujica, com tudo o que tem de surpreendente e autêntica, soaria extravagante ou forçada se não fosse representativa desses nichos culturais. Mujica, além do mais, é um homem maduro no sentido forte da palavra (diferentemente do Maduro venezuelano), que reflete com transparência sobre limites e possibilidades, que sabe que o Uruguai, um pequeno país de pouco mais de três milhões de habitantes, formado por um forte contingente de imigrantes exilados, dispõe de certa margem de manobra que lhe possibilita não se submeter completamente aos imperativos da sociedade de massas (e seus decorrentes marqueteiros). O Uruguai, aliás, é pioneiro no reconhecimento do divórcio, na jornada de trabalho de oito horas, no voto feminino, no casamento gay, na penalização dos castigos físicos infligidos às crianças, na eutanásia para o doente terminal que a deseje, no aborto como necessidade da saúde pública (minha amiga Rachel Gutierrez me transmite esse dados, tentada, por suas raízes sulinas e seu desencanto com o Brasil, a transferir-se para a banda oriental). Assim, um estadista pode chegar ao ponto de assumir sem maquiagem o lugar social de onde fala, com uma sinceridade inusual num mundo de retóricas muito demarcadas. Ao fazê-lo, Mujica frisa o lugar republicano da igualdade dos direitos e o espírito público que guia a atividade política (interesses particulares e desejo de riqueza, diz ele, devem se dirigir às finanças, à indústria e ao comércio).

Sobre a famigerada descriminalização e regulação da maconha no Uruguai, José Mujica sustenta termos que se propõem realistas e que se sabem experimentais: a guerra ao narcotráfico (que é pior que a droga) tem se mostrado incapaz de resolver um problema que só aumenta, multiplicando violência e corrupção em todas as camadas sociais. A estatização da produção da droga, regulada para consumidores inscritos, dentro de certa quantidade, visa a roubar astuciosamente esse mercado ao tráfico (ele o reconhece), e a tirar os usuários de uma clandestinidade sem limites que pode se tornar nefasta e destrutiva.

Sobre a herança da ditadura, diz que, no Uruguai, o Estado não se omitiu em relação aos crimes cometidos no passado, mas agindo dentro dos limites da lei, isto é, sem imitar a ditadura. Afirma que o mecanismo mais inteligente praticado, nesse sentido, foi o da África do Sul, guiado por Mandela e Tutu: a exigência da admissão pública, pelos torturadores, das torturas cometidas, perante os torturados e o país, e só mediante esse ato simbólico a anistia. (No Brasil, como sabemos, e ao contrário disso, decretou-se uma anistia sem qualquer admissão pública da verdade, que trava obscuramente a democracia e fomenta a continuidade subterrânea da ditadura.)

Sem desconhecer que não há o que não seja teatro e jogo de cena na comunicação humana, é raro ver um político não usando as mesmas máscaras que vedam já o primeiro grau de qualquer transparência. As palavras e a música da fala diziam isso, assim como um certo riso nos olhos, o lugar, o ar livre, sem esquecer a quietude de Manuela.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Lucélia Santos, a "Escrava Isaura": cultura e civilidade


TRISTES TRÓPICOS



Em Londres e outras tantas cidades do Primeiro Mundo, encontrar artistas, políticos, pessoas de elevado nível sócio-econômico no transporte público é muitíssimo comum. Exemplo de civilidade.

No Brasil, qualquer "jeca", deslumbrado com sua suposta "ascensão social", muitas vezes usa carro para alimentar seus "delírios de grandeza" e exibir pretensa superioridade sobre os demais.

Reles e dolorosa ignorância.



Lucélia Santos: cultura e civilidade


A foto de Lucélia Santos no ônibus e a ojeriza patética ao transporte público no Brasil


Kiko Nogueira*


Lucélia Santos no bumba

“O Brasil é o único país que conheço em que andar de ônibus é politicamente incorreto! Vai entender…”. 


Lucélia Santos merecia uma estátua. A atriz foi fotografada num coletivo no Rio de Janeiro. O fã postou a foto numa rede social. Ela começou a circular loucamente, junto com especulações acerca da carreira da atriz.

Lucélia estaria pobre, desempregada, passando fome, drogada, bebendo demais, morando de favor, enfim, numa draga — só isso explica uma pessoa famosa, ou ex-famosa, pegar um ônibus, que é claramente coisa de pobre.


Ela respondeu à falsa polêmica com uma série de frases em sua conta no Twitter:


. “Isso porque os ônibus aqui e transportes coletivos, de um modo geral, são precários e ordinários, o que mostra total desrespeito à população!


. “Em qualquer país civilizado, educado e organizado, é o contrário. As pessoas dão prioridade a transportes coletivos para proteger o meio ambiente”.

. “Os governos deveriam investir em transportes decentes para a população, com conforto e dignidade, e depois pretender fazer discursos”.

. “A imprensa deveria usar sua inteligência para divulgar campanhas para os transportes públicos coletivos de primeira grandeza”.

. “Terminando: o Brasil deveria ler mais, se instruir mais, desejar mais e sair da burrice de consumo idiota e descartável que lhe dá carros!”


Não disse uma bobagem. Uma. A reação à imagem de Lucélia veio, principalmente, dos milhares de jecas que se locupletam no transporte público quando viajam para o exterior e, de volta ao Brasil, não compram cigarro na padaria sem pegar o carro.


É um vício. Semana passada, num programa da rádio Bandeirantes, de manhã, a dupla de apresentadores comentava sobre algum assunto quando a jornalista fez um aparte. Obsequiosa, como se estivesse pedindo desculpas por um crime, ela contou que pegou um metrô, em São Paulo, e foi ótimo. Soava como uma confissão seguida de um arrependimento. Ora, o metrô de São Paulo, apesar da extensão de rede exígua, é bom. Limpo, rápido, eficiente. Os ônibus funcionam razoavelmente bem.

Por que a surpresa com Lucélia? Porque o transporte público está relegado a um papel secundário e é estigmatizado. A primeira providência que uma pessoa que deixou de ser pé-rapado toma é comprar um carro e cuspir em quem anda de buzum. Quem já pegou metrô em Nova York, Londres, Paris etc. deve ter visto atores, atrizes, políticos no vagão.

Os premiês britânicos Tony Blair e David Cameron foram fotografados inúmeras vezes sentados, numa boa, lendo seu jornal. O ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, também. Lembrando que Bloomberg é milionário.


Você vai falar que é demagogia. Provavelmente eles preferissem, mesmo, se locomover num Jaguar com motorista de luvas pretas. Mas e daí? Estão dando um exemplo, um recado fundamental, para a população. No Brasil, qual foi o último prefeito de cidade grande que utilizou transporte público para ir ao trabalho? E governador? Nenhum. O sujeito se elege e, junto com o pacote de benesses, vem a vantagem de nunca mais ter de olhar na cara de um cobrador pelo resto da vida.

[Aqui, um reparo da editoria do ABC!: Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, que mora na Vila Mariana, meses atrás, passou a ir trabalhar de ônibus, no prédio da Prefeitura, Viaduto do Chá, centro da cidade. Mas com o estouro da "Máfia dos Fiscais" pela Controladoria Geral do Município, o prefeito passou a sofrer ameaças de morte e teve que abandonar o uso de transporte público, ainda por cima reforçando sua segurança...]

Lucélia Santos deu uma amostra de civilidade. Escrava Isaura para presidente!



Bergoglio, papa Francisco, quando cardeal, 
no metrô de Buenos Aires 


David Bowie no metrô japonês 

Sergey Brin, um dos fundadores do Google 

David Cameron, Primeiro Ministro britânico 

* Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas. 

Mais fotos na matéria completa, no Diário do Centro do Mundo.


Destaques
do ABC! 


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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Dilma: quem esconde o rosto não é democrata


LIBERDADE DE EXPRESSÃO, SIM. VIOLÊNCIA, NÃO!



Defendo toda e qualquer manifestação democrática. Democratas são aqueles que exercem pacificamente seu direito e liberdade de exigir mudanças. (...) Mas repudio o uso da violência em manifestações e acho inadmissível atos de vandalismo e violência. Pessoas que escondem o rosto não são democratas.





Dilma: Repudio o uso da violência em manifestações


A presidenta Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira (19), em entrevista às rádios 96 FM e Jornal AM de Alagoas, que repudia a violência nas manifestações e considera inadmissível atos de vandalismo praticados por pessoas que escondem o rosto.

“Defendo toda e qualquer manifestação democrática. Democratas são aqueles que exercem pacificamente seu direito e liberdade de exigir mudanças. São democratas aqueles que lutam por mais qualidade de vida, defendem com paixão as ideias que têm, a grande maioria dos manifestantes. Mas repudio o uso da violência em manifestações e acho inadmissível atos de vandalismo, violência, pessoas que escondem o rosto não são democratas”.

Dilma revelou que o governo defende a aprovação de uma lei para coibir toda forma de violência em manifestações. Ela também disse que o governo tem como meta que o Brasil disponha de um regramento unificado que defina melhor o uso proporcional da força por parte da polícia.

“Órgãos de segurança devem coibir qualquer espécie de vandalismo, de acordo com a lei, protegendo manifestantes e a vida dos cidadãos. Mas é preciso reforçar a lei e aplicar a Constituição, que garante liberdade de manifestação do pensamento, enfim, garante todas as liberdades, mas veda o anonimato. Então estamos trabalhando numa legislação para coibir toda forma de violência em manifestações, que já levou a morte de um pai de família. Também estamos buscando protocolo comum de atuação das PMs em manifestações. Isso tem sido discutido com secretários de segurança e comandantes da PM do Brasil”.

Em relação à Copa do Mundo, a presidenta disse que foram investidos quase R$ 2 bilhões para reforçar a segurança nas cidades-sede e que há uma série de medidas planejadas para garantir a segurança dos torcedores durante o evento.


Ouça a entrevista da presidenta clicando aqui.

Blog do Planalto

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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

CDH: Diga "NÃO" ao troglodita Jair Bolsonaro !!!


DIREITOS HUMANOS




Do blog Náufrago da Utopia, do amigo jornalista e blogueiro Celso Lungaretti:


Bolsonaro quer tocar rebu na Comissão de Direitos Humanos



A Câmara Federal está prestes a definir os novos presidentes de suas comissões técnicas.

Disputa acirrada está prevista para a Comissão de Direitos Humanos, após sua porta ter sido arrombada em 2013 pelos que detestam, boicotam e torpedeiam os DH.

As hordas de desumanos adoraram dispor de um palco iluminado para a difusão das posições neofascistas e a articulação de campanhas de ódio, daí seu forte empenho em emplacarem mais um ano como estranhos no ninho.

Os deputados efetiva ou teoricamente comprometidos com os valores humanistas e os ideais de esquerda não terão, desta vez, a desculpa de terem sido pegos de surpresa e não haverem percebido o risco de entrega de uma trincheira de grande significado moral para os brucutus.

Mesmo porque o pior deles faz campanha ostensiva e repulsiva para suceder o homófobo e racista Marco Feliciano, com total apoio das bancadas conservadoras e reacionárias.




Jair Bolsonaro promete, p. ex.: 

brigar pela introdução da pena de morte ("Sei que é uma cláusula pétrea da Constituição. Mas minha vida ou a sua não são cláusulas pétreas e estão sujeitas aos criminosos");

brigar pela redução da maioridade penal, de 18 para 16 anos, embora preferisse sua fixação em 14 anos (mas, diz ele, neste patamar a proposta não teria chance de ser aprovada);

combater a adoção de crianças por casais do mesmo sexo;


promover audiências públicas com a parentela dos militares que morreram defendendo a ditadura de 1964/85 das ações dos resistentes;


incrementar o planejamento familiar ("O governo não faz planejamento familiar porque acha que, quanto mais pobre existir, melhor. Porque serão mais eleitores amarrados nos seus programas assistencialistas").


Para que não haja dúvida a respeito das baixarias que marcariam sua gestão, ele dispara:

"Se eu virar presidente da Comissão de Direitos Humanos, as pessoas vão sentir saudades do Feliciano. Porque, comigo na presidência, não vai adiantar pressão de grupos de defesa de homossexuais dentro da comissão. E quem tem visto minha trajetória no Congresso sabe que, sozinho, eu toco um rebu contra PT, PSOL ou qualquer outro partido." 



Também toca porrada num desafeto como o senador Randolfe Rodrigues - que, além de surpreendido pela agressão covarde e traiçoeira, não tinha porte físico para enfrentar tal brutamontes de igual para igual.

Se o Congresso Nacional levasse a sério seu dever de zelar pelo decoro parlamentar, Bolsonaro já teria perdido o mandato.

E a Câmara Federal, caso venha a permitir que um ferrabrás destes toque rebu na Comissão de Direitos Humanos, virará piada no mundo civilizado.


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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Sampa: Haddad cria 120 espaços de wi-fi livre


CIDADANIA



Wi-Fi livre em 120 espaços públicos da cidade


Praças e parques ganharão pontos de internet sem fio gratuitos e de qualidade. Pateo do Collegio e Mercado Central, no Centro, e praça Dilva Gomes Martins, em Arthur Alvim, já estão com o serviço em funcionamento


Secretaria Executiva de Comunicação


Cento e vinte espaços públicos de todas as regiões da cidade terão wi-fi livre neste ano. A ação faz parte do projeto Praças Digitais, que levará internet de qualidade, gratuita e sem fio para 36 pontos na Zona Leste, 28 na Zona Sul, 23 no Centro, 18 na Zona Norte e 15 na Zona Oeste. No Mercado Municipal e no Pateo do Collegio, no Centro, e na praça Dilva Gomes Martins, em Arthur Alvim, o serviço já está em funcionamento.

A praça na Zona Leste fica dentro da Cohab de Arthur Alvim, onde residem mais de 46 mil pessoas. A instalação deste ponto reafirma o princípio de universalidade e descentralização que norteia o projeto desde a sua concepção.

Pontos tradicionais da cidade, como o Parque Dom Pedro II, a Praça da Sé, o Parque da Independência (Ipiranga) e a praça Silvio Romero (Tatuapé), o vão livre do MASP e praça Benedito Calixto, em Pinheiros, serão os próximos a oferecer internet grátis para a população.

Para se conectar à internet gratuita, o usuário deve clicar na rede Wi-Fi Livre SP e efetuar a autenticação por meio do browser (navegador de internet) instalado no celular.


Conexão

De acordo com a Coordenadoria de Conectividade e Convergência Digital (CCCD), da Secretaria Municipal de Serviços, as 120 unidades deverão atender 11.775 usuários ao mesmo tempo, a uma velocidade de 512 kbps efetivos para download e upload.



Privacidade

Para garantir a privacidade dos usuários, a CCCD está elaborando um documento, a partir de dados e informações coletados por meio de uma consulta pública, que garanta aos usuários do Wi-Fi Livre navegarem sem ter seus dados coletados ou usados sem a devida autorização e conhecimento.


Os únicos dados que serão coletados são os que dizem respeito ao controle da qualidade do serviço como velocidade de conexão, usuários simultâneos, consumo total de banda e pontos de acesso. Outro dado que garante a privacidade do usuário é a não exigência de cadastro para a navegação.


Licitação

A Prodam concluiu no dia 8 de novembro o processo de licitação dos 120 pontos de Wi-Fi para a cidade. O valor do contrato anual ficou em R$ 9,2 milhões, cerca de 40% inferior ao valor inicial estimado, que era de R$ 15 milhões.


O processo de licitação dividiu as praças em quatro lotes, sendo que cada empresa participante poderia ser vencedora de no máximo dois lotes. As empresas vencedoras foram a WCS (Lotes 1 e 2 – zonas Leste e Centro) e a ZIVA Tecnologia (Lotes 3 e 4 – zonas Norte, Oeste e Sul). Ambas apresentaram o menor preço para cada um dos lotes. Ao todo, oito empresas participaram da disputa.

O preço médio de cada praça digital será de R$ 6,4 mil por mês. O valor dos contratos com as duas empresas é de R$ 27,5 milhões para três anos de contrato.

Confira aqui o preço médio dos contratos por região.


Saiba quais serão os locais que terão wi-fi livre.



wi-fi em Arthur Alvim                                                          SECOM/PMSP


Portal PMSP

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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Os "rolezinhos" e a sociedade malvada


OPINIÃO



" (...) os rolezinhos não querem apenas consumir. Não são animaizinhos famintos. Eles têm fome sim, mas fome de reconhecimento, de acolhida na sociedade, de lazer, de cultura e de mostrar o que sabem: cantar, dançar, criar poemas críticos, celebrar a convivência humana. E querem trabalhar para ganhar sua vida. Tudo isso lhes é negado, porque, por serem pobres, negros, mestiços, sem olhos azuis e cabelos loiros, são desprezados e mantidos longe, na margem."



Os rolezinhos nos acusam: somos uma sociedade injusta e segregacionista

LEONARDO BOFF

Esse tipo de sociedade pode ser chamada ainda de humana e civilizada? Ou é uma forma travestida de barbárie? Esta última lhe convém mais


O fenômeno dos centenas de rolezinhos que ocuparam shoppings centers no Rio e em São Paulo suscitaram as mais disparatadas interpretações. Algumas, dos acólitos da sociedade neoliberal do consumo que identificam cidadania com capacidade de consumir, geralmente nos jornalões da mídia comercial, nem merecem consideração. São de uma indigência analítica de fazer vergonha.

Mas houve outras análises que foram ao cerne da questão como a do jornalista Mauro Santayana do JB on-line e as de três especialistas que avaliaram a irrupção dos rolês na visibilidade pública e o elemento explosivo que contêm. Refiro-me à Valquíria Padilha, professora de sociologia na USP de Ribeirão Preto: "Shopping Center: a catedral das mercadorias" (Boitempo 2006), ao sociólogo da Universidade Federal de Juiz de Fora, Jessé Souza, "Ralé brasileira: quem é e como vive" (UFMG 2009) e de Rosa Pinheiro Machado, cientista social com um artigo "Etnografia do Rolezinho", no Zero Hora de 18/1/2014. Os três deram entrevistas esclarecedoras.

Eu por minha parte interpreto da seguinte forma tal irrupção:

Em primeiro lugar, são jovens pobres, das grandes periferias, sem espaços de lazer e de cultura, penalizados por serviços públicos ausentes ou muito ruins como saúde, escola, infra-estrutura sanitária, transporte, lazer e segurança. Veem televisão cujas propagandas os seduzem para um consumo que nunca vão poder realizar. E sabem manejar computadores e entrar nas redes sociais para articular encontros. Seria ridículo exigir deles que teoricamente tematizem sua insatisfação.

Mas sentem na pele o quanto nossa sociedade é malvada porque exclui, despreza e mantém os filhos e filhas da pobreza na invisibilidade forçada. O que se esconde por trás de sua irrupção? O fato de não serem incluídos no contrato social. Não adianta termos uma "constituição cidadã", que neste aspecto é apenas retórica, pois implementou muito pouco do que prometeu em vista da inclusão social. Eles estão fora, não contam, nem sequer servem de carvão para o consumo de nossa fábrica social (Darcy Ribeiro). Estar incluído no contrato social significa ter garantidos os serviços básicos: saúde, educação, moradia, transporte, cultura, lazer e segurança. Quase nada disso funciona nas periferias. O que eles estão dizendo com suas penetrações nos bunkers do consumo? "Oia nóis na fita"; "nóis não tamo parado"; "nóis tamo aqui para zoar" (incomodar). Eles estão com seu comportamento rompendo as barreiras do apartheid social.

É uma denúncia de um país altamente injusto (eticamente), dos mais desiguais do mundo (socialmente), organizado sobre um grave pecado social pois contradiz o projeto de Deus (teologicamente). Nossa sociedade é conservadora e nossas elites altamente insensíveis à paixão de seus semelhantes, e por isso cínicas.

Continuamos uma Brasilíndia: uma Bélgica rica dentro de uma Índia pobre. Tudo isso os rolezinhos denunciam, por atos e menos por palavras.

Em segundo lugar, eles denunciam a nossa maior chaga: a desigualdade social cujo verdadeiro nome é injustiça histórica e social. Releva constatar que com as políticas sociais do governo do PT a desigualdade diminuiu, pois segundo o IPEA os 10% mais pobres tiveram entre 2001-2011 um crescimento de renda acumulado de 91,2%, enquanto a parte mais rica cresceu 16,6%. Mas esta diferença não atingiu a raiz do problema, pois o que supera a desigualdade é uma infraestrutura social de saúde, escola, transporte, cultura e lazer que funcione e seja acessível a todos. Não é suficiente transferir renda; tem que criar oportunidades e oferecer serviços, coisa que não foi o foco principal no Ministério de Desenvolvimento Social.

O "Atlas da Exclusão Social" de Márcio Poschmann (Cortez 2004) nos mostra que há cerca de 60 milhões de famílias, das quais cinco mil famílias extensas detém 45% da riqueza nacional. Democracia sem igualdade, que é seu pressuposto, é farsa e retórica. Os rolezinhos denunciam essa contradição. Eles entram no "paraíso das mercadorias" vistas virtualmente na TV para ve-las realmente e senti-las nas mãos. Eis o sacrilégio insuportável pelos donos dos shoppings. Eles não sabem dialogar, chamam logo a polícia para bater e fecham as portas a esses bárbaros. Sim, bem o viu T.Todorov em seu livro "Os novos bárbaros": os marginalizados do mundo inteiro estão saindo da margem e indo rumo ao centro para suscitar a má consciência dos "consumidores felizes" e lhes dizer: esta ordem é ordem na desordem. Ela os faz frustrados e infelizes, tomados de medo, medo dos próprios semelhantes que somos nós.

Por fim, os rolezinhos não querem apenas consumir. Não são animaizinhos famintos. Eles têm fome sim, mas fome de reconhecimento, de acolhida na sociedade, de lazer, de cultura e de mostrar o que sabem: cantar, dançar, criar poemas críticos, celebrar a convivência humana. E querem trabalhar para ganhar sua vida. Tudo isso lhes é negado, porque, por serem pobres, negros, mestiços, sem olhos azuis e cabelos loiros, são desprezados e mantidos longe, na margem.

Esse tipo de sociedade pode ser chamada ainda de humana e civilizada? Ou é uma forma travestida de barbárie? Esta última lhe convém mais. Os rolezinhos mexeram numa pedra que começou a rolar. Só parará se houver mudanças.


Brasil 247

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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Cracolândia: Haddad conversa; Alckmin manda bala


GOVERNO POPULAR  X  GOVERNO ELITISTA



Daniel Mello - Repórter da Agência Brasil

A prefeitura de São Paulo disse que a ação da Polícia Civil hoje (23) na região da Cracolândia pode comprometer a Operação Braços Abertos lançada no último dia 14 para atender a dependentes químicos do centro paulistano. Agentes do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) usaram balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo contra os usuários de drogas. Funcionários da prefeitura que faziam assistência aos dependentes também foram atingidos.

“A prefeitura repudia esse tipo de intervenção, que fez uso de balas de borracha e bombas de efeito moral contra uma multidão formada por trabalhadores, agentes públicos de saúde e assistência e pessoas em situação de rua, miséria, exclusão social e grave dependência química”, ressalta o comunicado divulgado na noite de hoje. A nota destaca ainda que o programa iniciado na semana passada tem como base a não violência. “A prisão de traficantes deve ser feita sem uso desproporcional de força”.

A prefeitura informou que expressou seu posicionamento diretamente ao governo estadual, ao qual a Polícia Civil está subordinada. “A administração reafirma seu empenho na solução deste problema da cidade e manifesta sua preocupação com este tipo de incidente, que pode comprometer a continuidade do programa”, diz o comunicado.

O programa da prefeitura acolhe dependentes químicos em hotéis da região central e oferece uma bolsa para que eles trabalhem no serviço de limpeza de ruas, calçadas e praças no centro da cidade. Cada usuário recebe um salário mínimo e meio, que inclui os gastos com alimentação, hospedagem, além de R$ 15 por dia de trabalho. Os dependentes foram retirados da favela instalada na Alameda Dino Bueno, na região da Cracolândia.


No início de 2012, uma operação policial também tentou retirar os dependentes das ruas do centro paulistano. A operação conjunta da gestão anterior da prefeitura e o governo estadual foi criticada por defensores dos direitos humanos. O Ministério Público chegou a ingressar com uma ação contra o governo do estado alegando que foi usada violência excessiva contra os usuários de drogas. A Justiça acatou o pedido do órgão para que a Polícia Militar fosse proibida de empregar ações “vexatórias, degradantes ou desrespeitosas” contra os dependentes.



A ação policial

Policiais do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), da Polícia Civil, fizeram uma operação nesta quinta-feira (23), na região da Cracolândia, em São Paulo, sem comunicar à Prefeitura nem a Polícia Militar, na região onde está em curso a Operação Braços Abertos, aposta do prefeito Fernando Haddad (PT) para reabilitar os dependentes de crack.

Por volta de 16h, cerca de dez viaturas cercaram os dependentes de crack que não estão inseridos no programa assistencial e estavam concentrados na Rua Barão de Piracicaba. Os policiais civis atiraram balas de borracha e jogaram diversas bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo na multidão, que correu a esmo e revidou jogando pedras. O quarteirão estava lotado de dependentes.

Agentes da Secretaria de Saúde e de Assistência Social, que também não sabiam da ação, ficaram no fogo cruzado. A ação ocorreu pouco tempo depois de policiais civis à paisana terem feito uma prisão de um dependente no local. Nesta primeira ação, uma dependente acabou ferida na cabeça com bala de borracha.

Entre os dependentes, o clima foi de revolta. Muitos gritavam desesperados, chorando diante da ação surpresa.


Brasil 247

Destaques do ABC!

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sábado, 4 de janeiro de 2014

Retrato do Judiciário brasileiro (e da mídia também)


CIDADANIA, JUSTIÇA E MÍDIA



"Os juízes acham que são deuses. Os desembargadores, têm certeza..." 
                                                                         (piada corrente no mundo do direito)


A seguir, reproduzo dois posts de veículos de grande credibilidade da mídia digital, alternativa, que mostram um pouco da prepotência de muitos membros do Poder Judiciário, aqueles que esquecem que são servidores do povo e da sociedade e se comportam como seres diferenciados, até "divinizados", acima do Bem e do Mal.


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Lula e Dilma: muito além do Bolsa Família


CIDADANIA




Dilma é Lula e Lula é Dilma


Força de Lula e Dilma no interior está longe de ser só o “Bolsa Família”


Fernando Brito


Brizola contava, volta e meia, seu diálogo com o líder da independência de Moçambique, Samora Machel, quando perguntou-lhe quantos eram, afinal, os moçambicanos, já que havia incerteza quanto à população do país.

Machel disse-lhe: bem, os das cidades sabemos. Os outros são como os elefantes: só os vemos quando saem da selva.

O Brasil das metrópoles – imenso – não conhece mais o Brasil das pequenas cidades, dos sertões e matas, que é imenso também.

Tornaram-se escondidos e seguiam esquecidos.

A ausência do poder público federal – nas grandes cidades, município e estado suprem, em parte, este vácuo – deixou-os fora do processo de modernização da vida do país.

Os governos Lula e Dilma impulsionaram as parcerias diretas com os mais de 5.500 municípios brasileiros.


90% deles têm menos de 50 mil habitantes e, somados, reúnem um terço da população brasileira.

Em entrevista publicada hoje [ontem] no Estadão, o cientista político Vitor Marchetti diz que é um erro atribuir a popularidade de ambos, nas pequenas cidades – os famosos “grotões” – ao Bolsa Família.

Para ele, é “pouco verdadeiro atribuir ao Bolsa Família o avanço que o PT teve em regiões mais pobres, em municípios pequenos e médios do interior do País.”

- O que tem impacto eleitoral é um conjunto de políticas públicas que começaram a ser adotadas no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que são focadas em regiões onde a presença do Estado sempre foi muito fraca, como o Norte e o Nordeste do País. Falam do Bolsa Família mas esquecem do Luz Para Todos, que leva energia elétrica para o sertão nordestino, para as regiões mais esquecidas da região Norte. Esse programa é um exemplo do movimento que intensificou a presença do governo federal nas regiões mais carentes. O fenômeno político importante a ser analisado no momento é esse: o gigantesco aumento das parcerias do governo federal feitas diretamente com os municípios. Isso aconteceu porque os municípios tinham assumido várias prerrogativas que não tinham condições de cumprir. (…) Os municípios assumiram a responsabilidade, entre outras coisas, pela construção de creches e os serviços básicos de saúde. Mas eles não têm condições para isso. O que o Lula fez, então? Intensificou as alianças do governo federal com os municípios. O repasse direto de recursos federais para eles, nas áreas da saúde e educação, aumentou muito. Quase todos os municípios estão construindo creches atualmente, mas quem verificar com atenção a origem dos recursos irá constatar, quase invariavelmente, que provêm de algum programa específico do governo federal para o setor. Eles revelam o quanto o governo federal pegou atalhos para se tornar mais presente na vida do cidadão, no seu cotidiano. Isso aconteceu principalmente em municípios do Norte e Nordeste.

O Brasil “invisível” começou a ser visto, e é isto que o conservadorismo brasileiro não vê.

Num país com a nossa extensão e complexidade, o Governo Federal não pode ser apenas o gestor da macropolítica ou da macroeconomia, como querem os tecnocratas, e mero repassador de recursos para os municípios.

Tem de fazê-lo, mas, ao mesmo tempo, tem de ser o indutor da aplicação destes recursos, direcionando-os de forma exclusiva, com contrapartidas administrativas e direcionamento de projetos.

O “Mais Médicos” é um dos muitos exemplos de programas operacionalizados pelas prefeituras, com recursos federais, e regras definidas.

Do contrário, a simples descentralização de recursos e da administração será, como sempre foi, um mero processo de cooptação de chefes políticos locais.


Tijolaço

Destaques do ABC!

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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

SP: Haddad quer cidadão "abrindo a boca"


GESTÃO PARTICIPATIVA



É isso o que propôs o prefeito Fernando Haddad (PT) desde os tempos da campanha eleitoral de 2012 e é isso o que vem implementando, de várias formas, em diversos setores da administração municipal.

O prefeito quer ouvir a população, quer promover políticas públicas a partir das necessidades dos cidadãos. E quer que o cidadão fiscalize as ações de governo. E para isso criou o Conselho Participativo Municipal, cujos membros foram escolhidos em eleição direta que aconteceu na região das 32 subprefeituras, no último domingo.




Banco de Imagens/PMSP


Conselho Participativo Municipal: mais transparência, mais participação popular


A Prefeitura de São Paulo, por meio da Comissão Eleitoral Central designada pelo Prefeito Fernando Haddad em conjunto com a Secretaria Municipal de Relações Governamentais, anuncia, nesta data, o resultado oficial da eleição para o Conselho Participativo Municipal ocorrida nas diversas regiões da cidade de São Paulo no último domingo (8/12/2013).

Esta foi uma eleição marcada pela ampliação dos canais de participação popular e dos mecanismos de transparência da administração pública com a escolha – pelo voto direto e voluntário de cerca de 120 mil cidadãos e cidadãs – de representantes da sociedade civil que assumirão a tarefa de acompanhar as ações de governo nos territórios. Foram registrados quase 600 mil votos num pleito realizado com transparência e tranquilidade nas 32 Subprefeituras de São Paulo.

O pleito contou com o suporte técnico do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP). A votação foi feita por meio de urnas eletrônicas em 99,02% dos votos. Apenas 0,98% da votação foi registrada em cédulas de papel, índice compatível com os parâmetros verificados em eleições majoritárias e proporcionais realizadas pela Justiça Eleitoral nacionalmente.

Além da Justiça Eleitoral, o pleito teve o suporte na área de Tecnologia da Informação da Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação da Prefeitura de São Paulo (PRODAM).

Sobre o processo de apuração dos votos, a PRODAM destacou que “concluiu com sucesso, no início da madrugada de segunda-feira, dia 9, a totalização das urnas eletrônicas”.

A propósito do processo de totalização dos votos, a empresa esclareceu que “domingo, durante a apuração, no lançamento da primeira parcial, às 19h, foi verificada uma inconsistência no algoritmo de totalização dos votos, que foi corrigida imediatamente e os dados corretos divulgados”. E concluiu: “Todo o procedimento eleitoral foi realizado de forma transparente e a totalização eletrônica realizada pela PRODAM é consistente e pode ser plenamente auditada, garantindo total fidelidade aos resultados das urnas”.

Vale ressaltar o apoio e a participação de diversas entidades da sociedade civil antes, durante e depois do processo eleitoral, tais como as representações da Rede Nossa SP, do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, de um membro do Ministério Público Estadual e de diversas secretarias do governo municipal, as quais cederam servidores, recursos e estrutura para garantir o sucesso da eleição.

O Conselho Participativo Municipal é um organismo da sociedade civil no território geográfico das Subprefeituras. Terá o papel de avaliar, propor, sugerir e fiscalizar os atos da administração municipal nos territórios. Será, certamente, a força política que pretende espelhar o que a nossa sociedade deseja em matéria de qualidade de vida, transparência administrativa, uso racional dos recursos públicos e construção de políticas públicas que melhorem a vida de todos nós.


Felicitamos a todos e todas que se envolveram neste processo inédito para a construção de uma cidade de São Paulo melhor, humana, solidária e mais igualitária. E desejamos a todos (as) os eleitos (as) sucesso no exercício de suas atividades no biênio 2014-2015.

São Paulo, 10 de dezembro de 2013.

CONSELHO PARTICIPATIVO MUNICIPAL
COMISSÃO ELEITORAL CENTRAL


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domingo, 8 de dezembro de 2013

Voz do Povo: São Paulo elege 1125 cidadãos


CIDADANIA



"A criação de um Conselho Participativo nos mostra que o governo está nos levando a sério, querendo ouvir, de fato, o que a população quer e precisa."                            Ketelin Benedito, eleitora


Ketelin Benedito, cidadão eleitora  Foto: Banco de Imagens/PMSP


São Paulo elege mais de mil conselheiros; resultado sai neste domingo

Eleições para o Conselho Participativo aconteceram em regiões das 32 subprefeituras da cidade. Serão escolhidos 1.125 conselheiros da sociedade civil para o órgão, que irá avaliar e propor políticas públicas para cada distrito da cidade. Resultado será divulgado ainda neste domingo

A população de São Paulo escolheu neste domingo (8) representantes das 32 subprefeituras para o Conselho Participativo, órgão que irá avaliar e propor políticas públicas para cada distrito da cidade. A eleição teve início às 9h e estendeu-se até as 17h em Centros Educacionais Unificados (CEUs) e escolas da rede municipal. A apuração dos votos já foi iniciada e os nomes dos conselheiros eleitos devem ser divulgados ainda hoje. Até as 19h30, 50% dos votos haviam sido apurados, com aproximadamente 1,5 milhão de votos e 300 mil eleitores. Isso porque cada eleitor pôde votar em até 5 candidatos.

Dos 2,8 mil candidatos inscritos, 1.125 serão escolhidos como conselheiros. Na média, será eleito um representante para cada 10 mil habitantes, divididos proporcionalmente em cada região.



Democracia 

O inspetor escolar Luiz Carlos dos Santos, de 48 anos, foi um dos paulistanos que saiu de sua casa neste domingo para votar na EMEF Theo Dutra, na Zona Norte da cidade. Morador da Brasilândia há mais de 45 anos, Santos afirma que o seu envolvimento com educação foi o que o levou a buscar candidatos que defendessem a causa. "Os conselheiros eleitos serão extremamente importantes para a comunidade, pois são os que conhecem, de fato, as nossas carências", disse.

"Trata-se de uma voz a mais. Uma voz que está mais perto do povo. Serão representantes que estarão intermediando e levando os problemas que enfrentamos no nosso dia a dia diretamente à Prefeitura", completou Elza de Souza, de 38 anos, que foi à escola votar junto a sua filha e seu marido.

"Os conselheiros terão uma voz importante. Se muitos deles já brigam pelas necessidades da comunidade sem estarem, de fato, ligados a um órgão da Prefeitura, imagine só o que não farão depois de eleitos", afirmou a eleitora Rosimeri de Almeida, de 48. Profissional autônoma e envolvida com iniciativas de voluntariado na região, Rosimeri tem a esperança de que o bairro melhore com a atuação do Conselho e reitera o seu papel de cidadã. "Se nós não lutarmos por nossas demandas, ninguém fará isso por nós. Precisamos nos envolver também. Temos um papel muito importante enquanto eleitores", afirmou.

Para a eleitora Ketelin Benedito, de 22 anos, tão importante quanto a oportunidade de ser ouvida, é também a forma como a administração pública tem encarado as necessidades do município. "A criação de um Conselho Participativo nos mostra que o governo está nos levando a sério, querendo ouvir, de fato, o que a população quer e precisa."

Figura atuante no bairro, o pastor João Batista Lima, de 62, resolveu se candidatar a conselheiro com a esperança de ajudar ainda mais a comunidade na qual vive há mais de 50 anos. Na sua opinião, o hospital na região, promessa do prefeito Fernando Haddad, deve ser encarado como prioridade número zero dos conselheiros da região. "Precisamos agir de modo que consigamos agilizar a construção do Hospital da Brasilândia", afirmou. O equipamento deve ser licitado ainda no primeiro semestre de 2014, segundo o prefeito.


Descentralização

O Conselho Participativo Municipal é formado exclusivamente por representantes da sociedade civil eleitos pelos moradores de cada distrito da cidade de São Paulo. O número de conselheiros varia de acordo com a distribuição da população das subprefeituras e seus distritos. Cada conselho local terá, no mínimo, 19 representantes e, no máximo, 51 representantes.

O tempo de mandato será de 2 anos a partir do primeiro dia útil após a cerimônia de posse, que está prevista para o dia 25 de janeiro do próximo ano. Os conselheiros serão responsáveis por exercer o controle social e serão consultados no planejamento e fiscalização das ações e gastos públicos nas regiões, oferecendo sugestões de ações e políticas públicas nos territórios. Por se tratar de um colegiado independente, os eleitos terão autonomia para acessar informações públicas, sugerir medidas e contestar atos do poder público nas regiões para as quais forem escolhidos pela população local.

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