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quarta-feira, 21 de maio de 2014

Paulo Coelho ataca Copa, Ronaldo e governo e prevê iminente "explosão social" no Brasil


O grande mestre da literatura universal, autor de obras geniais, membro da Academia Brasileira de Letras e Mago, que faz chover e ventar, agora incorporado por algum Profeta do Apocalipse, vaticina:

A seleção ganhando ou não, eu tenho certeza que haverá uma explosão social. Haverá pessoas nos estádios e ainda mais pessoas que estarão nas ruas, quando o mundo terá os olhos no Brasil. O contexto é muito tenso. A violência voltou. A Copa do Mundo pode ser uma bênção e um momento de comunhão para nós como foi para a França ou a Alemanha. Mas é um desastre. O país quer mostrar uma face que não é a verdade. Há uma divisão entre o governo e o povo.

Por mera coincidência, em ano de bienal do livro em São Paulo, a fábrica de best-sellers está lançando novo e imperdível obra de sua já extensa e imprescindível lavra, oferecendo mais uma vez à humanidade as luzes de sua (lucrativa) genialidade.

O literato


“Vai haver uma explosão social”: como Paulo Coelho passou de entusiasta da Copa a profeta do Apocalipse


Kiko Nogueira*


Em 2007

Paulo Coelho tem usado seus poderes para prever o apocalipse no país. No mundo ideal, deveriam servir para que ele fosse impedido de escrever, mas seria esperar demais do oculto (toc, toc, toc).

O mago deu uma entrevista ao francês Le Journal Du Dimanche em que conta que teremos “uma explosão social no Brasil. Haverá pessoas nos estádios e ainda mais pessoas que estarão protestando. O contexto é muito tenso. A violência voltou. A Copa do Mundo poderia ser uma bênção e um momento de comunhão para nós, como foi para a França ou a Alemanha. Mas é um desastre”.

Avisou também que não irá aos estádios. “Fora de questão! Eu assisto aos jogos pela TV”, disse. “Nós poderíamos usar o dinheiro para construir algo diferente em um país que precisa de tudo: hospitais , escolas, transportes”. E deu uma cacetada no Fenômeno. “Ronaldo é um imbecil por dizer que não é o papel da Copa do Mundo construir essa infra-estrutura. Ele deveria ter calado a boca”.

PC não foi visto em nenhuma manifestação e passa seu tempo em sua casa em Genéve, na Suíça, onde pratica o tiro ao alvo com arco e flecha e posa para a Caras. Sua subida de tom nas críticas ao Brasil coincide com o momento do lançamento de sua nova obra, “Adultério”. Todas as entrevistas que deu, sem exceção, obedecem esse roteiro: começa com o livro e emenda no desencanto, ou algo que o valha, com o Brasil, o Mundial etc.

Veio num crescendo desde a história mal contada de sua desistência na participação na Feira do Livro de Frankfurt. Ele acusou “nepotismo”. O curador devolveu que PC queria levar “os amigos”.

Mas PC não foi sempre tão negativo. Em 2007, esteve em Zurique com Lula, a cúpula da CBF e alguns ministros defendendo a candidatura do país para sediar o torneio.

Chamou Blatter de “cher ami” e mandou: “A partir de hoje, começa uma vitória que durará sete anos. O que vemos na Seleção, vemos no povo. O trabalho árduo, a capacidade de sonhar e sua criatividade. Honraremos como povo brasileiro essa possibilidade”.

Só os tolos e os mortos não mudam de opinião, mas no caso de Paulo Coelho o achismo de Ney Matogrosso é elevado a outros patamares. Alguém sugeriu que Coelho fora “usado” pelo governo há sete anos. Ora, está para nascer a pessoa ou instituição capaz de “usar” o escritor, um dos maiores marqueteiros na história da literatura.

A cotovelada em Ronaldo é covarde. Além disso, de imbecil, ele não tem nada. Ronaldo é muito esperto, não necessariamente no bom sentido. O mesmo vale para PC.

Estamos combinados que ninguém é obrigado a achar a Copa uma maravilha, que há uma discussão sobre prioridades, sim — mas daí a apregoar o fim do mundo são outros quinhentos dólares. A razão para essa lenga-lenga é que, enquanto insistir nela, PC será manchete. É mais um lembrete de que o grande interesse de Paulo Coelho, o primeiro e o último, é ele mesmo, e o importante é manter o debate no mesmo nível da subliteratura que produz.

* Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.


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sábado, 26 de abril de 2014

Judiciário surrealista: juiz vai até o STF para ser chamado de "doutor"


Doutor é quem fez doutorado. Ponto.


E na "Botocúndia" há doutorados e doutorados, por óbvio.

Conheço advogado doutorado que escreve "letígio" (risos) e outras asneiras do gênero...


A estranha saga do juiz que processou um condomínio porque queria ser chamado de “doutor”


Kiko Nogueira*



O caso do juiz Antônio Marreiros da Silva Melo Neto é exemplo de muitas coisas — sobretudo, talvez, do surrealismo da justiça brasileira. Marreiros teve negado no STF, esses dias, um recurso em que exigia ser tratado por “doutor” em seu condomínio.

O ministro Ricardo Lewandowski não quis dar seguimento à demanda. Foi uma briga num prédio que levou dez anos para ser resolvida. Nesse tempo, movimentou tribunais, advogados, dinheiro etc.

O quiproquó começou em 2004. Marreiros, titular da 6ª Vara Cível de São Gonçalo, no Rio, pediu para um funcionário do edifício ajudá-lo com um vazamento em seu apartamento. Sem permissão da síndica, o homem se recusou. Houve uma discussão e Marreiros afirma que foi tratado por “cara” e “você”, ao passo que a síndica era “dona”. Marreiros cobrava um “senhor” ou “doutor”. O porteiro respondeu: “Fala sério”.

E aí começou uma palhaçada kafkiana. Marreiros entrou com uma ação um mês depois da querela. Amealhava indenização por danos morais no valor de 100 salários mínimos. [!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!]


A síndica teve de aumentar o valor do condomínio para pagar as custas do processo.
Estafetas da vara de Marreiros escreveram uma carta em seu apoio, segundo a qual ele era “muitíssimo educado”.

Por absurdo que pareça, um desembargador concedeu-lhe uma liminar, decidindo que se tratava de “magistrado, cuja preservação da dignidade e do decoro da função que exerce, e antes de ser direito do agravante, mas um dever” blablablá.

Em 2005, finalmente, Marreiros teve sua primeira derrota, desta vez na 9ª Vara Cível de Niterói. De acordo com o juiz, “embora a expressão ‘senhor’ confira a desejada formalidade às comunicações — não é pronome —, e possa até o autor aspirar distanciamento em relação a qualquer pessoa, afastando intimidades, não existe regra legal que imponha obrigação ao empregado do condomínio a ele assim se referir. O empregado que se refere ao autor por ‘você’, pode estar sendo cortês, posto que “você” não é pronome depreciativo. Tratamento cerimonioso é reservado a círculos fechados da diplomacia, clero, governo, judiciário e meio acadêmico”.

Ele não se deu por vencido. Em 2006, enviou um recurso extraordinário ao Supremo, afirmando que a causa era constitucional porque envolvia “os princípios da dignidade da pessoa humana e da igualdade”. Envolvia, mas não como ele estava pensando. Apenas oito anos mais mais tarde a casa cairia definitivamente para Marreiros.


Sua obsessão com a própria pseudo superioridade é parente daquela exibida pelo desembargador que humilhou um garçom em Natal. É o país do “sabe com quem está falando?”, onde um sujeito que não sabe se portar num edifício quer enfiar seu déficit civilizatório goela abaixo de seres inferiores.


Marreiros terá agora de se acostumar com dois epítetos que arrumou desde a derrota no STF: “chefia” e “campeão”.


* Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.



Comentários selecionados ao artigo do Kiko no DCM:


anac

Metade pensa que é Deus, a outra metade tem certeza. Pior é que acrescentaram a esse rol dos sem noção os membros do MP.


El Cid 


Na minha opinião, Anac, é bem pior que isso: advogados pensam que são Deus... já os juízes pensam que eles é que criaram Deus...


Emir Ruivo

Surreal é a palavra certa.


Batista Neto Jose

Surreal é certo, mas, ao mesmo tempo real e preocupante. Porque é a prova da esquizofrenia que reina nas cabeças dos togados do judiciário brasileiro sobre cuja corte mais alta o Paulo Nogueira acaba de publicar um corajoso post nos revelando (o que poucos já haviam percebido) que o STF assumiu escancaradamente o comportamento de um partido politico. Eu diria mais, assumiu esse comportamento revelando ADESÃO a outro partido politico muito mais poderoso e nefasto para a sociedade que aspira evoluir e amadurecer: o Partido da Globo de Sonegações que abriga doleiros, banqueiros, investidores estrangeiros e um monte de gente sem mandato popular que controla e exerce muito mais poderes que os seus colegas eleitos.


Pepe

emir/kiko

Este episodio é tao somente um ponto fora da curva mas que, mesmo sendo fora da curva, deveria atiçar a curiosidade da midia pra ver o que se passa neste brasilzao e seu judiciario.

Por exemplo: SUAS EXCELENCIAS nao podem andar no mesmo elevador em que andam meros mortais. Sendo assim, ha elevadores exclusivos para eles. Pois bem, já vi fila imensa de pessoas esperando um elevador, inclusive idosos, enquanto do lado o "elevador de suas excelencias" estava vazio a espera dos deuses do judiciario.

No TJ RJ, a agencia do banco nele instalada nao atende ninguem que nao seja magistrado em dia de pagamento de suas excelencias. Uma conhecida, doente, teve que procurar uma agencia na rua em dia de chuva pois nao pode entrar naquele posto no tribunal.

Se formos pedir pras pessoas elencar exemplos, certamente esta caixa de comentarios batera recordes.


james

Caixas eletrônicos instalados na justiça federal de cidades do interior atendem única e exclusivamente funcionários da justiça. Como não há muitos funcionários nessas repartições, o investimento efetuado pelos bancos oficiais é desperdiçado. Em benefício de "doutores".


Alberto Antonio Porem Junior

Continuo batendo na tecla que o Brasil é um país de castas como a Índia. A única diferença entre Brasil e Índia é a hipocrisia reinante.


Lulu Chan

cafonice. pior que tem uns três loucos assim no meu prédio que se referem a si mesmos como dr. fulano. e sicrano. eu sempre os cumprimento pelo primeiro nome e sinto que querem me matar, mas o que podem fazer? estou sendo educada, desejando um bom dia e tal. é muito divertido. os porteiros amam. eles e a ala dos comunistas, sim, tem três senhores que padeceram na ditadura e são muito divertidos. a gente sempre ri muito da cara deles, porque, além da vontade de marcar lugar no latifúndio, eles têm ideias bem loucas, dá para imaginar, não? nós sempre conversamos com eles e, depois, ficamos rindo muito das tais ideias tortas. bem, é divertido, mas meio trágico tb.


Buque17

Idade Média seu nome é Brasil...

Andre_V


Uma vez uma madame deu um chilique no hospital que eu trabalhava. ela queria uma nota fiscal. mas queria que a menina do caixa pusesse DOUTORA na frente do nome dela. a menina do caixa retrucou que na identidade dela [ que ela havia pedido pra fazer a nota ] não tinha doutora nenhum antes do nome. A madame queria chamar a policia. Dai entrou a turma do deixa disso.

Elias Pacheco


Medonho...

Dee Nunes

Bom dia!! V. Ex. Führer Antônio Marreiros da Silva Melo Neto!! era o sol que me faltava! kkk


Marcio H Silva

Por que estes caras tem nome tão grande?

Amanda

"Você sabe com quem está falando?"

Cortella explica. http://www.youtube.com/watch?v...


Euclides Rodrigues Moraes 

Vocês não têm a menor ideia do que se passa no Judiciário. Essa arrogância prepotente é natural, esse é o ar que respiram, se acham acima dos demais, porque entendem que são eles que decidem os destinos dos demais seres humanos inferiores, só que aparentam tanta pureza, mas quando se começa a levantar um pouco da casca é que verificasse a podridão. Todos falam dos políticos, até porque esses estão expostos, mas façam uma investigação no Judiciário e Ministério Público, em qualquer das suas instâncias e verão o que de fato é corrupção. Quem já ouviu falar em CPF, não é o Cadastro de Pessoa Física da Receita Federal, mas, Comissão Por Fora, para fazer processo andar.


Weslei

E queria 100 salários mínimos?? absurdo!

sayuri

Deveria ser condenado a indenizar os condominos e o porteiro, ou melhor, ser condenado a trabalhar como porteiro durante algumas horas por dia durante o tempo que durou a ridicula acao por ele movida. Sujeitinho asqueroso esse cara de nome Marreiros.


Carlos N Mendes

Casa Grande e Senzala versão século XXI. Serviçal falando para dotô 'fala sério'? Onde foram parar o chicote e o pelourinho?


sithan

Num país em que Ministro do STF mantém preso ladrão de galinha e condena um réu, José Dirceu, porque ele não provou sua inocência o que vocês queriam que saísse do Judiciário?


jonios

A atitude do senhor Marreiros revela os fortes resquícios colonialistas que ainda permeiam o tecido social brasileiro. Uma bobagem infinita. O título de doutor é acadêmico, reservado àqueles que realizaram curso de doutoramento em instituição educacional de nível superior. Não sei se é o caso do senhor Marreiros. Mesmo assim, é uma cabal demonstração de preconceito exercida por quem se julga acima das outras pessoas. Um bobo, enfim.


Marcelo Melgaço Costa


O Judiciário brasileiro se acha. E que doutorado ele fez para esperar ser chamado de "doutor"?! Tenho ABSOLUTA certeza que nenhum.

É pior ainda nas "repartições públicas" da triste vida brasileira, em que semianalfabetos colocados nos famosos "cargos de confiança" são chamados de "dotô".



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terça-feira, 25 de março de 2014

Conselhos para ser um anticomunista de sucesso


50 ANOS DO GOLPE MILITAR NO BRASIL



"O anticomunismo está na moda, como na Guerra Fria. Com uma novidade: nunca tantos malucos foram tão barulhentos, ao menos no Facebook e em marchas. Não é preciso muito: basicamente, você só tem de ser relativamente ignorante e repetir feito um papagaio algumas poucas palavras e expressões como “petralha ladrão”, “lulopetista”, “Miami é que é bom”, “isso aqui não tem jeito”. Esse é um bom começo.

Mas a verdade é que os socialistas estão batendo às nossas portas, ameaçando as nossas famílias e, se você quiser fazer sucesso numa festa de gente burra e sem noção da realidade, eis alguns conselhos importantes para se tornar um novo anticomunista." 

16 conselhos para você fazer sucesso como um novo anticomunista

Kiko Nogueira*


A ameaça vermelha é real. Denuncie toda atividade comunista suspeita.


O anticomunismo está na moda, como na Guerra Fria. Com uma novidade: nunca tantos malucos foram tão barulhentos, ao menos no Facebook e em marchas. Não é preciso muito: basicamente, você só tem de ser relativamente ignorante e repetir feito um papagaio algumas poucas palavras e expressões como “petralha ladrão”, “lulopetista”, “Miami é que é bom”, “isso aqui não tem jeito”. Esse é um bom começo.

Mas a verdade é que os socialistas estão batendo às nossas portas, ameaçando as nossas famílias e, se você quiser fazer sucesso numa festa de gente burra e sem noção da realidade, eis alguns conselhos importantes para se tornar um novo anticomunista. 

1. Insista que o marxismo está desacreditado, desatualizado e totalmente morto e enterrado. Em seguida, faça uma carreira lucrativa batendo nesse cavalo morto pelo resto da sua vida. 

2. Comunismo ou marxismo é o que você quiser que seja. Sinta-se livre para rotular países, movimentos e regimes como “comunistas”, independentemente de coisas como ideologia, relações diplomáticas, política econômica etc. 

3. Se houver um conflito envolvendo comunistas, todas as mortes devem ser culpa do comunismo. Tenha cuidado ao aplicar isto à Segunda Guerra Mundial. Fascistas que lutaram contra os soviéticos tudo bem, mas tente não elogiar abertamente a Alemanha nazista. Deixe isso para conversas privadas. 

4. Cite constantemente George Orwell. Fale da “Revolução dos Bichos” ou de “1984”. Diga que Lula é o Grande Irmão. 

5. Cite Reinaldo Azevedo, Rodrigo Constantino, Olavo de Carvalho. Cite Nelson Rodrigues, que você nunca leu e não entende muito bem, mas isso não vem ao caso. 

6. Mencione quantidades maciças de “vítimas do socialismo” sem se importar com demografia ou consistência. 3 milhões de pessoas mortas de fome? 7 milhões? 10 milhões? 100 milhões no total? Você não precisa se preocupar com ninguém verificando se é verdade, o que é bom já que você não tem a menor ideia. 

7. Diga que o petismo, o socialismo, o marxismo ou o psolismo são um tipo de fé religiosa, messiânica, ou qualquer outra besteira que possa inventar. Quando as pessoas disserem que é possível traçar semelhanças entre qualquer ideologia política e uma religião, ignore-as. 

8. Duas palavras: natureza humana. O que é a natureza humana? Para seus propósitos, a natureza humana é uma maneira rápida de explicar por que as idéias políticas de que você não gosta estão erradas. 

9. Use palavras como “liberdade” e “democracia” constantemente. Não aceite qualquer desafio para definir esses termos. 

10. Você não quer um golpe, você quer uma intervenção militar, o que está garantido na Constituição. Não está, mas repita essa frase. 

11. Diga “Vai pra Cuba, vagabundo” a qualquer pessoa que discordar de você sobre qualquer assunto. 

12. Esquerdistas podem ser usados a favor ou contra o que for mais adequado no momento. Se você estiver numa turma mais conservadora, os esquerdistas são gayzistas. Se você estiver no meio de gente mais descolada, os esquerdistas são homofóbicos. Essencialmente, os esquerdistas são degenerados e puritanos ao mesmo tempo. 

13. O Mais Médicos é parte de um plano de infiltração cubana no Brasil. 

14. Você não precisa saber o que é bolivarianismo para acusá-lo de ser responsável por tudo o que está errado na América do Sul. O bolivarianismo destruiu a Venezuela e destruirá o Brasil. É uma espécie de saúva. 

15. O papa é comunista. 

16. Nova Ordem Mundial. Quando se esgotarem todos os argumentos, diga: “Nova Ordem Mundial”. E saia para não ser obrigado a explicar que se trata de uma teoria conspiratória estúpida.


* Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.
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quarta-feira, 19 de março de 2014

Lucélia Santos, a "Escrava Isaura": cultura e civilidade


TRISTES TRÓPICOS



Em Londres e outras tantas cidades do Primeiro Mundo, encontrar artistas, políticos, pessoas de elevado nível sócio-econômico no transporte público é muitíssimo comum. Exemplo de civilidade.

No Brasil, qualquer "jeca", deslumbrado com sua suposta "ascensão social", muitas vezes usa carro para alimentar seus "delírios de grandeza" e exibir pretensa superioridade sobre os demais.

Reles e dolorosa ignorância.



Lucélia Santos: cultura e civilidade


A foto de Lucélia Santos no ônibus e a ojeriza patética ao transporte público no Brasil


Kiko Nogueira*


Lucélia Santos no bumba

“O Brasil é o único país que conheço em que andar de ônibus é politicamente incorreto! Vai entender…”. 


Lucélia Santos merecia uma estátua. A atriz foi fotografada num coletivo no Rio de Janeiro. O fã postou a foto numa rede social. Ela começou a circular loucamente, junto com especulações acerca da carreira da atriz.

Lucélia estaria pobre, desempregada, passando fome, drogada, bebendo demais, morando de favor, enfim, numa draga — só isso explica uma pessoa famosa, ou ex-famosa, pegar um ônibus, que é claramente coisa de pobre.


Ela respondeu à falsa polêmica com uma série de frases em sua conta no Twitter:


. “Isso porque os ônibus aqui e transportes coletivos, de um modo geral, são precários e ordinários, o que mostra total desrespeito à população!


. “Em qualquer país civilizado, educado e organizado, é o contrário. As pessoas dão prioridade a transportes coletivos para proteger o meio ambiente”.

. “Os governos deveriam investir em transportes decentes para a população, com conforto e dignidade, e depois pretender fazer discursos”.

. “A imprensa deveria usar sua inteligência para divulgar campanhas para os transportes públicos coletivos de primeira grandeza”.

. “Terminando: o Brasil deveria ler mais, se instruir mais, desejar mais e sair da burrice de consumo idiota e descartável que lhe dá carros!”


Não disse uma bobagem. Uma. A reação à imagem de Lucélia veio, principalmente, dos milhares de jecas que se locupletam no transporte público quando viajam para o exterior e, de volta ao Brasil, não compram cigarro na padaria sem pegar o carro.


É um vício. Semana passada, num programa da rádio Bandeirantes, de manhã, a dupla de apresentadores comentava sobre algum assunto quando a jornalista fez um aparte. Obsequiosa, como se estivesse pedindo desculpas por um crime, ela contou que pegou um metrô, em São Paulo, e foi ótimo. Soava como uma confissão seguida de um arrependimento. Ora, o metrô de São Paulo, apesar da extensão de rede exígua, é bom. Limpo, rápido, eficiente. Os ônibus funcionam razoavelmente bem.

Por que a surpresa com Lucélia? Porque o transporte público está relegado a um papel secundário e é estigmatizado. A primeira providência que uma pessoa que deixou de ser pé-rapado toma é comprar um carro e cuspir em quem anda de buzum. Quem já pegou metrô em Nova York, Londres, Paris etc. deve ter visto atores, atrizes, políticos no vagão.

Os premiês britânicos Tony Blair e David Cameron foram fotografados inúmeras vezes sentados, numa boa, lendo seu jornal. O ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, também. Lembrando que Bloomberg é milionário.


Você vai falar que é demagogia. Provavelmente eles preferissem, mesmo, se locomover num Jaguar com motorista de luvas pretas. Mas e daí? Estão dando um exemplo, um recado fundamental, para a população. No Brasil, qual foi o último prefeito de cidade grande que utilizou transporte público para ir ao trabalho? E governador? Nenhum. O sujeito se elege e, junto com o pacote de benesses, vem a vantagem de nunca mais ter de olhar na cara de um cobrador pelo resto da vida.

[Aqui, um reparo da editoria do ABC!: Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, que mora na Vila Mariana, meses atrás, passou a ir trabalhar de ônibus, no prédio da Prefeitura, Viaduto do Chá, centro da cidade. Mas com o estouro da "Máfia dos Fiscais" pela Controladoria Geral do Município, o prefeito passou a sofrer ameaças de morte e teve que abandonar o uso de transporte público, ainda por cima reforçando sua segurança...]

Lucélia Santos deu uma amostra de civilidade. Escrava Isaura para presidente!



Bergoglio, papa Francisco, quando cardeal, 
no metrô de Buenos Aires 


David Bowie no metrô japonês 

Sergey Brin, um dos fundadores do Google 

David Cameron, Primeiro Ministro britânico 

* Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas. 

Mais fotos na matéria completa, no Diário do Centro do Mundo.


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segunda-feira, 10 de março de 2014

Mestre Mujica: humildade e humanidade


UM FILÓSOFO NA POLÍTICA



"Ninguém é mais que ninguém, começando pelo governante."

"Eu simpatizo com os protestos, mas não levam a lugar nenhum. Não construíram nada. Para construir, há de se criar uma mente política, coletiva, de longo prazo, com ideias, disciplina, e com método."


"A política tem de ser feita com carinho, a política tem a ver com a harmonia das contradições que há na sociedade, tem de lutar para harmonizar este mundo frágil e cheio de contradições que estamos vivendo."


"Eu não sou nada, sou um camponês com senso comum. Sem dúvida, estou vivendo uma peripécia. Talvez, se não tivesse passado tantos anos preso com tempo para pensar, fosse diferente."





A matéria completa, no Diário do Centro do Mundo:

"Eu não sou nada”: o que se esconde sob a humildade de Pepe Mujica


Kiko Nogueira*



Ele

No início da “Divina Comédia”, Dante encontra Virgílio, seu guia no inferno, e lhe diz: “Mestre, para mim, são tão certos e me impõem tanta confiança os teus arrazoados, que os demais me parecem carvões apagados.”

Pepe Mujica, o presidente do Uruguai, erra muito pouco. Em sua última entrevista, ao jornal “O Globo”, explicou como pretende lidar com as visitas de turistas a seu país para fumar maconha (como se sabe, o Uruguai legalizou o comércio da erva). Falou muito mais. E, como costuma acontecer, transcende as questões comezinhas e dá a qualquer conversa um tom filosófico. Nas palavras de Vargas Llosa, é um velhinho estadista que fala com sinceridade insólita para um governante.

Queremos tirar o mercado do narcotráfico, queremos tirar-lhes o motivo econômico, queremos que o narcotráfico tenha um competidor forte e não seja o monopolista do mercado. Ao mesmo tempo, tentamos incitar as pessoas a atuarem do ponto de vista médico”, disse ele. “Mas temos que ter muito cuidado, porque não é uma legalização como as pessoas supõem no exterior, não vai ter um comércio, os estrangeiros não poderão vir aqui ao Uruguai para comprar maconha. Não vai existir o turismo da maconha. A decisão tomada não tem nada que ver com esse mundo boêmio. É uma ferramenta de combate a um delito grave, o narcotráfico, é para proteger a sociedade. É muito sério”.

Sobre seu exemplo como líder: “Pretende ser um mini-ato de protesto. As repúblicas não vieram ao mundo para estabelecer novas cortes, as repúblicas nasceram para dizer que todos somos iguais. E entre os iguais estão os governantes. Têm uma responsabilidade implícita e penso que devem viver de forma bastante similar à maneira de viver da maioria do seu povo. Ninguém é mais que ninguém, começando pelo governante.”

Sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo: “O casamento homossexual, por favor, é mais velho que o mundo. Tivemos Julio Cesar, Alexandre, O Grande, por favor. Dizer que é moderno, por favor, é mais antigo do que nós todos. É um dado de realidade objetiva, existe. Para nós, não legalizar seria torturar as pessoas inutilmente”.

Sobre trabalho: “Temos que lutar para que todos trabalhem, mas trabalhem menos, todos devemos ter tempo livre. Para quê? Para viver, para fazer o que gostam. Isto é a liberdade. Agora, se temos de consumir tanta coisa, não temos tempo por que precisamos ganhar dinheiro para pagar todas essas coisas. Aí vamos até que pluff, apagamos.”

Sobre manifestações: “Eu simpatizo com os protestos, mas não levam a lugar nenhum. Não construíram nada. Para construir, há de se criar uma mente política, coletiva, de longo prazo, com ideias, disciplina, e com método. E isso é antigo, ou parece antigo. Mas sem interesses coletivos, é difícil mudar. Não são os grandes homens que mudam as sociedades, mudam quando os protestos se organizam, disciplinam, têm métodos de longo prazo. Estes movimentos de protesto têm a vantagem do novo, e tentam alguma coisa nova porque desconfiam de todos os velhos, especialmente os partidos, por que perderam a confiança neles. Mas as primaveras têm se transformado em inverno por que não sabem onde ir.”

Sobre política: “Temos de revalorizar o papel da política. Mas no mundo real, muita gente se mete na política por que gosta de dinheiro, estes devem ser expulsos porque prostituem a política. A política tem de ser feita com carinho, a política tem a ver com a harmonia das contradições que há na sociedade, tem de lutar para harmonizar este mundo frágil e cheio de contradições que estamos vivendo.”

Sobre seu reconhecimento: “Não é que me achem tão excepcional, me usam como uma maneira de criticar os outros. A última vez que estive na ONU escutei discursos de um presidente de um país europeu [Hollande, da França] pelo qual temos um respeito enorme pela cultura, por suas tradições, pelo que significou no mundo. Fiquei assustado, porque parecia um discurso neo-colonialista. Eu não sou nada, sou um camponês com senso comum. Sem dúvida, estou vivendo uma peripécia. Talvez, se não tivesse passado tantos anos presos com tempo para pensar, fosse diferente.”

Sobre o Brasil e a América Latina: “Brasil vai fazer um campeonato do mundo lindo. Brasil deve apreciar o melhor que tem, não é a Amazônia nem o petróleo, é o experimento social de ser o país mais mestiço do mundo. E tem uma grande alegria de viver, mesmo com as dificuldades e isso deve à África. Por isso, a luta é que brasileiros sejam mais latino-americanos.”

A admiração de Llosa é genuína, mas há algo de condescendente em sua consideração. Mujica é também mais que um camponês com senso comum. É alguém em quem sempre vale a pena prestar atenção. Um mestre. Como disse Dante: “Com aquela medida que o homem usa para medir a si mesmo, mede as suas coisas”.

* Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.


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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Bláblárina ganha Prêmio "Conversa Pra Boi Dormir"


"PERDER-SE TAMBÉM É CAMINHO" (Clarice Lispector)



Sempre admirei muito a ex-ministra do Meio Ambiente e senadora Marina Silva, por sua história de vida e sua luta como ambientalista, reconhecida no mundo todo. Mas infelizmente o exacerbado sentimento de vingança conduziu a ex-ministra a um caminho sem volta, fazendo-a aliada do que há de mais obtuso e sinistro na política brasileira.


Foto: Max Haack/BN/Google


A “heteroestima” de Marina Silva e o Prêmio Conversa Para Boi Dormir


Kiko Nogueira*

Ela

O Prêmio Doublespeak foi inventado em 1974 pelo Conselho Nacional de Professores de Inglês dos Estados Unidos. Como a entidade define, trata-se de uma “homenagem irônica a oradores públicos que perpetuaram uma linguagem grosseiramente enganosa, evasiva, eufemística, confusa ou autocentrada”.

Nesses 40 anos, a lista de premiados incluiu Bushs pai e filho, Bill Clinton, o Departamento de Estado americano, Ronald Reagan, a indústria do tabaco, a Exxon e a Associação Nacional do Rifle. A CIA foi agraciada com a honraria por anunciar que não iria mais usar o termo “matar” em seus relatórios. Em seu lugar, entraria a expressão “privação ilegal ou arbitrária da vida”. Em 2013, quem ganhou foi o prefeito de Chicago, Rahm Emanuel.

É preciso criar algo parecido aqui. O Prêmio CPBD, Conversa Para Boi Dormir. O primeiro vencedor é relativamente batata. Marina Silva. Pelo conjunto da obra e, especialmente, por seu último artigo na Folha. É um texto que cabe na definição de George Orwell num ensaio: feito para dar “aparência de solidez a vento puro”.

Vamos a alguns trechos da coluna que mereceu o Prêmio CPBD:

Em meio aos abraços amigos e desejos de feliz Ano-Novo, costumamos reconhecer a sinceridade dos desejos para além das palavras, pois estas são, muitas vezes, gastas e repetidas. As palavras necessitam de gestos que recuperem e sustentem seu sentido.

Releio Hannah Arendt, para melhor refletir sobre a possibilidade de restaurar a capacidade humana de lidar com as desconfianças e incertezas causadas pela ameaça do imprevisível, por meio do milagre da “promessa”. Na dimensão política da crise civilizatória que vivemos, a crise de confiança é o centro do problema.

Ainda é possível refazer a confiança, dentro de um espaço de heteroestima política, social, cultural, como indivíduos e como povo? Temos motivo para descrer, num mundo fragmentado em que as relações se liquefazem e escorrem, sem estabilidade. Mesmo as novas formas de relacionamento e comunicação que inventamos, muitas vezes parecem ser uma desesperada tentativa de agarrarmo-nos uns aos outros, multiplicando conexões frágeis e superficiais na ausência de laços de confiança efetivos e afetivos.


É um clássico da “linguagem evasiva e autocentrada”. No meio do blablablá, surge uma palavra chave: heteroestima. Não está no dicionário. Consta que é o oposto de autoestima, segundo Fátima Bernardes e Ana Maria Braga.

Podemos, sim, superar a fragmentação do mundo em crise compondo novas sínteses baseadas em novas harmonias. Se já não confiamos naqueles que prometeram tudo, eis aí o sinal para que nossa nova promessa seja um acordo, simples e claro, naquilo que é essencial. A confiança vem do que é sustentável.

Esse último parágrafo foi colocado no Google Tradutor, mas o aplicativo não reconheceu o idioma. É possível que Marina fale a língua dos seus eleitores. Mas, ainda assim, é duvidoso que eles entendam tudo. Hannah Arendt, que ela afirma ter relido, disse o seguinte: “O problema de mentir e enganar é que sua eficiência depende inteiramente de uma noção clara da verdade que o mentiroso e enganador deseja esconder”.

* Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

Diário do Centro do Mundo

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terça-feira, 3 de setembro de 2013

Anonymous ou "Ridiculous"?


"O que querem os Anonymous, afinal?

(...) você não pode acreditar em nada que venha do Anonymous, posto que jamais poderá verificar a fonte verdadeira."



 

Os protestos do 7 de setembro e o problema do Anonymous


KIKO NOGUEIRA


Mudar o mundo é sempre uma boa, mas na maioria das vezes o autor da ideia era conhecido.

É nóis

Os Anonymous estão planejando manifestações em 140 cidades brasileiras no dia 7 de setembro. É o que eles mesmos chamam de “o maior protesto na história do Brasil”. A primeira reivindicação é a prisão dos mensaleiros. Também exigem a renúncia de Renan Calheiros e o fim do voto obrigatório.

E também a volta do regime militar. E o aborto. E a pena de morte. E a redução da maioridade penal. E o enquadramento da corrupção como crime hediondo. E o voto distrital. Etc.

O que querem os Anonymous, afinal?

Esse é o problema do “movimento”. Se não há liderança, se é tudo “horizontal”, se todo mundo é Anonymous, como conhecer a pauta realmente?

Há pelo menos 50 páginas brasileiras dos Anonymous no Facebook. Tem, como diz aquele odioso clichê das reportagens de turismo, para todos os gostos e bolsos. Em comum, elas exibem aqueles vídeos pretensiosos, com locução do Google Tradutor sobre uma música ruim de filme de ação. Todas elas exibem orgulhosamente links das matérias que os mencionaram na grande mídia inimiga da causa — afinal, apesar de anônimos, eles são famosos (tu-dum).

Não dá para ninguém ser membro, não dá para reclamar com o chefe, não dá para elogiar. E há outra questão: se ninguém, ou todo mundo, faz parte do, vá lá, grupo, como saber se o fulano que está sendo entrevistado num protesto é realmente do Anonymous e não simplesmente alguém que resolveu sair com uma máscara do Guy Fawkes porque ficou sem Internet em casa?

Anonymous virou disfarce para tudo. Qual é a conta que vale? A que prega o ataque aos “símbolos do poder” ou a que fala em protestos pacíficos? A dos gaúchos ou a dos mineiros? O tuíte do Anonymous que diz que a conta de Alckmin foi invadida deve ser levado a sério? Ou pode ser, digamos, o Serra na calada da noite, enquanto o Frontal não faz efeito?

Em última análise, você não pode acreditar em nada que venha do Anonymous, posto que jamais poderá verificar a fonte verdadeira. A ideia de “mudar o mundo” é muito boa e circula há bastante tempo. Mas, na maioria das vezes, tinha a assinatura do autor.


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