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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Vândalos serão tratados como organização criminosa


CIDADANIA, SIM. VIOLÊNCIA, NÃO!



"A Lei de Organização Criminosa é uma norma federal que entrou em vigor no mês passado, com punição de até 13 anos e 4 meses de prisão. Ela prevê que a reunião de quatro ou mais indivíduos para a prática de crimes cujas penas máximas sejam superiores a 4 anos, ou de caráter transnacional, seja autuada como organização criminosa."


                                                                                   Black Bloc RJ/Facebook


SP e Rio endurecem e vândalos serão tratados como organização criminosa

Após confrontos nas 2 capitais terem 29 detenções, governos querem usar lei federal que entrou em vigor no mês passado e prevê pena de até 13 anos e 4 meses de prisão

Bruno Paes Manso, Fábio Grellet e Luciano Bottini Filho

Os governos de São Paulo e Rio vão endurecer contra os manifestantes que praticarem atos de vandalismo. Suspeitos de integrarem o Black Bloc serão investigados em um único inquérito e passarão a ser enquadrados por associação criminosa. A cúpula de segurança paulista ainda liberou o uso de balas de borracha para conter manifestações violentas.

A Lei de Organização Criminosa é uma norma federal que entrou em vigor no mês passado, com punição de até 13 anos e 4 meses de prisão. Ela prevê que a reunião de quatro ou mais indivíduos para a prática de crimes cujas penas máximas sejam superiores a 4 anos, ou de caráter transnacional, seja autuada como organização criminosa. Nesta segunda-feira, 18 pessoas foram detidas por participar dos atos no Rio; em São Paulo, houve 11 detenções e 2 prisões.

Ainda não se sabe como as polícias vão tratar cada caso. Além disso, na noite de segunda-feira, a polícia paulista até usou a Lei de Segurança Nacional para prender um casal acusado de danificar um carro da Polícia Civil.

"Vamos criar um grupo de trabalho no regime de força-tarefa, envolvendo as Polícias Civil e Militar e o Ministério Público. O objetivo é impedir que uma minoria de baderneiros atrapalhe o direito democrático de livre manifestação. Lamentavelmente isso aconteceu na manifestação desta segunda. Basta de vandalismo e de baderna", disse o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira.

O procurador-geral do Estado, Márcio Elias, afirmou que entre as medidas judiciais a serem usadas estão "prisões temporárias para investigação", "prisões preventivas para cessar atos de violência" e "oferecimento de denúncia". "São condutas criminosas de extrema gravidade que colocam em risco o direito da livre manifestação", disse. A ofensiva do governo ocorreu em resposta aos protestos de segunda-feira, quando sete pessoas ficaram feridas, incluindo quatro policiais militares. De acordo com o secretário da Segurança, já existem muitos elementos de prova recolhidos contra os black blocs.

Serão usados inquéritos, boletins de ocorrência, relatórios de inteligência, fotografias e filmagens. "A ideia é pegar todo esse material, cruzar os dados, estabelecer parceria com outros ministérios públicos, para a partir daí saber como eles operam antes da prática do crime e como o crime é praticado", completou Elias Rosa.

Grella afirmou que um dos detidos na noite de segunda esteve nos protestos do Rio de Janeiro. O secretário justificou ainda a liberação das balas de borracha "contra pequenos grupos de baderneiros, que não são manifestantes, mas vândalos". Em junho, após protestos, a polícia reviu condutas e parou de usar as balas de borracha nas ruas.

Repercussão. O advogado criminalista Marcelo Feller criticou a estratégia de enquadrar os manifestantes por associação criminosa. "Só o fato de pegarem pessoas juntas não configura associação criminosa. Mas, sim, quando se juntam previamente para reiteradamente cometerem crimes. Isso causa também a discussão sobre a legitimidade dos black blocs. Em 1988, um alemão que arremessasse um martelo contra o muro de Berlim deveria ser processado por dano ao patrimônio?"

Já o jurista e professor Luiz Flávio Gomes defendeu a iniciativa. "Está juridicamente correto enquadrar por associação criminosa. É prudente, equilibrado. Tem de uniformizar. Não é o delegado inventar coisas da cabeça dele. É melhor uma única coisa. O juiz soma as penas para cada um depois", disse.

Estadão Online

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domingo, 8 de setembro de 2013

Por que o "maior protesto" virou o maior fiasco?


Em artigo publicado em sua página no Facebook, o jornalista Paulo Moreira Leite fala do evidente fracasso dos protestos de Sete de Setembro e da conexão artificiosa entre o "demônio das ruas" e o julgamento do "Mensalão", fomentada por veículos e colunistas da mídia golpista.


Convocação para "O Maior Protesto da História do Brasil"
AnonymousBrasil/Facebook



Crocodilos derrotados

Paulo Moreira Leite



Nossos cronistas que tentam impedir que os condenados da Ação Penal 470 tenham direito a uma revisão adequada de suas penas e mesmo a uma segunda jurisprudência perderam um argumento depois de ontem [sábado, 7 de setembro].

Numa postura autoritária, que confundia seus desejos com a realidade, falavam do monstro, do ronco, do demônio das ruas para justificar a prisão imediata dos condenados.

Mas tivemos protestos de participação modesta, que confirmam não só a vergonhosa ignorância da fatia conservadora da elite de nossos meios de comunicação quanto às preocupações reais que afligem a maioria da população, mas também sua total falta de compromisso com a apuração e divulgação de fatos verdadeiros e informações confiáveis. 


Querem fazer propaganda, querem ideologia – e não é difícil entender a razão. 


Interessados num eventual proveito político do julgamento, tentam chantagear as instituições da democracia, sem importar-se, sequer, com outros prejuízos de natureza cultural que o estímulo à baderna possa produzir. 

Como observou Jânio de Freitas, pela primeira vez na história as pessoas saíram à rua num 7 de setembro sem “incluir, sequer remotamente, algo da ideia de nacionalidade, ou de soberania, de independência mesmo.”

Diz ainda Jânio: “pelo visto, não faria diferença se, em vez do Sete de Setembro, a celebração mais próxima fosse o Natal. Ou Finados.”
Lembrando que somos uma pátria de desiguais, o Grito dos
Excluídos disse a que veio. Mas só. 

Os demais não disseram nada, embora fosse sobre eles que se disse tudo – especialmente, que o STF deveria se acovardar. 

Há um componente maligno e manipulador nesse esforço para anunciar que um protesto será uma manifestação grandiosa.

Procura-se estimular o efeito manada naquele conjunto de cidadãos capazes de sair à rua porque acham que “todo mundo vai estar lá”. Numa sociedade pouco organizada como a nossa, onde os partidos políticos são o que são e as demais organizações sociais são aquilo que se conhece, muitas pessoas sentem-se desenraizadas e sem compromisso social maior. Ficam impressionadas com demonstrações de força. 

Tenta-se contaminar nestes indivíduos um sentimento de solidão e isolamento caso não acompanhem os atos daqueles que se quer transformar numa “maioria” que ninguém ouviu, nem diz onde mora nem sabe o que pensa – e muitas vezes nem pode ver o rosto, o que não é casual.

A leitura de Hanna Arendt, uma das mais fecundas estudiosas do nascimento de movimentos totalitários que levaram às piores ditaduras do século passado, permite interessantes comparações com aquilo que se diz e se faz no Brasil de hoje. Não tudo, mas boa parte, pelo menos.

Hanna Arendt explicou que os movimentos contra uma democracia ainda em gestação na Europa entre as duas Guerras precisaram de “uma grande massa desorganizada e desestruturada de indivíduos furiosos, que nada tinham em comum exceto a vaga noção de que as esperanças partidárias eram vãs; que, consequentemente, os mais respeitados, eloquentes e representativos membros da comunidade eram uns néscios e que as autoridades constituídas eram não apenas perniciosas, mas também obscuras e desonestas.” (“Origens do totalitarismo”, página 444).

É claro que, diante do fiasco comprovado de ontem [7], ninguém irá admitir que nunca houve uma relação direta nem clara entre a ação 470 e os protestos de junho. 

Havia, há dois meses, quem protestasse contra os condenados. Era muita gente, sem dúvida. Mas havia uma raiva mais ampla e generalizada, que envolvia o sistema político, a saúde pública e, como causa inicial, não vamos esquecer, o transporte público.

Reconhecer isso hoje seria aceitar que se fez uma descrição política interesseira, que pretende dar ao povo um tratamento de ralé, estimulando, acima de tudo, a busca de um líder autoritário – para empregar, mais uma vez, a análise de Hanna Arendt.

Para ela, povo é aquele movimento social articulado a partir de interesses concretos e definidos, inclusive de classe social, que reage para defender seus direitos quando são atacados – e por isso ela identifica povo com a democracia. 

Já a ralé, no sentido político, é formada por uma massa de cidadãos de várias classes, alimentados por uma “ amargura egocêntrica” que produz uma forma de “nacional tribal” e também o “niilismo rebelde."

Analisando a estratégia de um dos mais cruéis líderes de um movimento em si monstruoso como o nazismo, Arendt fala que Himmler procurava recrutar integrantes das SS entre cidadãos que não estavam interessados em “problemas do dia a dia” mas somente em questões ideológicas de quem acredita trabalhar “numa grande tarefa que só aparece uma vez a cada dois mil anos.”

Vejam algumas semelhanças entre as coisas. 

No livro “ A Cozinha Venenosa, no qual estuda a emergência do nazismo a partir da história de um jornal socialdemocrata de Munique, a jornalista Silvia Bittencourt lembra uma frase do hino da SS: “a Alemanha desperta”. 

Descrevendo a “atomização social e a individualização extrema”, Hanna Arendt fala de massas que, “num primeiro desamparo de sua existência, tenderam para um nacionalismo especialmente violento”. 

Avaliando o comportamento dos partidos que tinham uma postura de cumplicidade nos ataques à democracia, diz que agiam assim “por motivos puramente demagógicos, contra seus próprios instintos e finalidades”. 

Na verdade, a falta de disposição espontânea para transformar o 7 de setembro numa jornada de confronto político real, como ocorreu em junho, não era tão difícil assim de ser percebida.

Em 4 de setembro registrei neste espaço minhas dúvidas sobre o tão falado monstro e seu “ronco”, como dizem os adoradores de todo movimento capaz de ser usado para causar prejuízos ao condomínio Lula-Dilma.

Falando dos crocodilos que rondam o Supremo, escrevi:

“Tenho certeza absoluta de que muitos brasileiros querem a prisão dos condenados pela ação penal 470. São sinceros e estão convencidos de seus motivos. Acho que o massacre dos meios de comunicação, tendenciosos, tem muito a ver com isso.

Não custa lembrar, contudo, que o Brasil não se resume a essas pessoas. Todos os deputados indiciados na ação penal 470 e que disputaram cargos eleitos em 2010 tiveram boa votação. Em 2012 a lei ficha limpa tirou João Paulo Cunha do pleito em Osasco. Senão, teria sido eleito prefeito. Não pode concorrer e emplacou um substituto no posto. Dirceu só não foi eleito em 2010 porque perdeu os direitos políticos no Congresso.

(...)

O “povo”, “a rua”, “o monstro” compareceu em massa às urnas em 2006, 2010, 2012. Em nenhuma dessas ocasiões a ação penal 470 derrotou qualquer candidato a presidente, a governador, a prefeito. Ocorreram derrotas e vitórias espetaculares. Sei da opinião de quem vai aos protestos. Mas basta andar pela rua e perguntar a opinião da população sobre Dilma. Ou sobre Lula.”

Seria ilusório, no entanto, esperar por um balanço politicamente honesto deste 7 de setembro. Ninguém irá aplicar o mesmo critério e reconhecer que a população não está com tanta pressa assim – e dar uma folga na chantagem sobre o Supremo, deixando que, nos últimos dias, seja capaz de encarar os fatos e reconhecer que tem o dever de abrir o debate para a discussão dos embargos infringentes, uma possibilidade de assegurar a pelo menos uma parcela dos réus o direito de uma revisão de suas penas.

As “ruas “ e o "monstro" eram apenas pretextos convenientes para justificar uma postura autoritária para mobilizar a população, de qualquer maneira, para exigir punições exemplares. Não deu certo e agora se mudará de assunto para perseguir o mesmo alvo, que é criminalizar as mudanças ocorridas no país nas últimas décadas. Como se faz sempre, a retórica consiste em transformar o bom e regular em ruim, o ruim em péssimo – e dizer que tudo o que há de ótimo saiu da cartola da oposição, enxotada do Planalto com uma popularidade negativa de 13 pontos.

A transmissão ao vivo do julgamento, ainda no ano passado, destinava-se a transformar uma decisão que deveria ser tomada num ambiente de serenidade e recolhimento num espetáculo público com várias demonstrações de autoritarismo e intolerância. 

Tivemos um ministro relator que jamais foi um juiz, mas um aliado da acusação e, em vez de ser questionado a respeito, foi aplaudido exatamente por isso.

Este comportamento permitiu várias distorções e abusos. No último exemplo, o ministro Ricardo Lewandovski demonstrou, com dados irrefutáveis, o agravamento artificial das penas com a finalidade de impedir que, apesar das denúncias injustas, da falta de provas, da fraqueza de tantas acusações, os réus pudessem beneficiar-se de um direito universal – a prescrição de penas depois de determinado prazo de investigação.

Estimulando atitudes de quem se coloca acima da lei, improvisa soluções sob encomenda a seus interesses, o que se quer é outra coisa. 

Convencer o “niilismo rebelde” e o “nacionalismo tribal” que é possível desrespeitar a democracia pois ninguém será capaz de reagir. Estamos sendo submetidos a um teste. 

Através do ataque aos direitos de 25 condenados, pretende-se atingir os direitos do povo inteiro É um plano para um prazo mais longo, amplo e profundo.

Se, em outubro de 2014, Dilma Rousseff e Lula confirmarem o que dizem as pesquisas eleitorais de hoje, cravando uma quarta vitória eleitoral consecutiva sobre a “a amargura egocêntrica” das elites, nós poderemos saber exatamente o que estava em jogo no espantalho do monstro de 7 de setembro -- obter, fora das urnas, fora do respeito devido às instituições democráticas, vitórias que só a soberania popular pode assegurar.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Anonymous ou "Ridiculous"?


"O que querem os Anonymous, afinal?

(...) você não pode acreditar em nada que venha do Anonymous, posto que jamais poderá verificar a fonte verdadeira."



 

Os protestos do 7 de setembro e o problema do Anonymous


KIKO NOGUEIRA


Mudar o mundo é sempre uma boa, mas na maioria das vezes o autor da ideia era conhecido.

É nóis

Os Anonymous estão planejando manifestações em 140 cidades brasileiras no dia 7 de setembro. É o que eles mesmos chamam de “o maior protesto na história do Brasil”. A primeira reivindicação é a prisão dos mensaleiros. Também exigem a renúncia de Renan Calheiros e o fim do voto obrigatório.

E também a volta do regime militar. E o aborto. E a pena de morte. E a redução da maioridade penal. E o enquadramento da corrupção como crime hediondo. E o voto distrital. Etc.

O que querem os Anonymous, afinal?

Esse é o problema do “movimento”. Se não há liderança, se é tudo “horizontal”, se todo mundo é Anonymous, como conhecer a pauta realmente?

Há pelo menos 50 páginas brasileiras dos Anonymous no Facebook. Tem, como diz aquele odioso clichê das reportagens de turismo, para todos os gostos e bolsos. Em comum, elas exibem aqueles vídeos pretensiosos, com locução do Google Tradutor sobre uma música ruim de filme de ação. Todas elas exibem orgulhosamente links das matérias que os mencionaram na grande mídia inimiga da causa — afinal, apesar de anônimos, eles são famosos (tu-dum).

Não dá para ninguém ser membro, não dá para reclamar com o chefe, não dá para elogiar. E há outra questão: se ninguém, ou todo mundo, faz parte do, vá lá, grupo, como saber se o fulano que está sendo entrevistado num protesto é realmente do Anonymous e não simplesmente alguém que resolveu sair com uma máscara do Guy Fawkes porque ficou sem Internet em casa?

Anonymous virou disfarce para tudo. Qual é a conta que vale? A que prega o ataque aos “símbolos do poder” ou a que fala em protestos pacíficos? A dos gaúchos ou a dos mineiros? O tuíte do Anonymous que diz que a conta de Alckmin foi invadida deve ser levado a sério? Ou pode ser, digamos, o Serra na calada da noite, enquanto o Frontal não faz efeito?

Em última análise, você não pode acreditar em nada que venha do Anonymous, posto que jamais poderá verificar a fonte verdadeira. A ideia de “mudar o mundo” é muito boa e circula há bastante tempo. Mas, na maioria das vezes, tinha a assinatura do autor.


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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Breve História do Brasil: da Ditadura ao "Feicismo"


GOLPE EM ANDAMENTO





A história e o fascínio do "Feicismo" do "Anonymous", o novo partido único da direita, dirigido de Londres


Rogerio Mattos Costa, de Madrid


História breve do Brasil – da Ditadura ao “Feicismo” – , dedicada aos jovens que estão nas ruas fazendo o país avançar, mas que não querem ser usados pela CIA para fazer o Brasil voltar atrás.


1. Nos anos 50, eles se agrupavam num partido chamado UDN, que defendia sempre os interesses dos Estados Unidos no Brasil, a ponto de seu presidente, o tristemente célebre deputado Mangabeira, quando na presidência do Congresso Nacional, ter beijado a mão do General americano Dwight Eisenhower, candidato a presidente daquele país, como se pode ver nessa foto.

2. Sempre derrotados pelos trabalhistas, chefiados primeiro por Vargas e depois por Brizola e Juscelino, em 1959 eles chegam à conclusão que precisariam deixar de parecer partido das elites e tinham que conseguir um candidato que parecesse ser do povo se quisessem ganhar as eleições presidenciais.

3. Em 1960, finalmente, eles tinham vencido uma eleição para presidente, tendo como candidato Jânio Quadros, um candidato que, nos comícios, comia na frente do microfone um grande sanduíche de mortadela para parecer popular e usava uma vassoura na mão como símbolo de que iria acabar com a corrupção.

4. Mas seu presidente, Jânio Quadros, renunciou seis meses depois de tomar posse. Eles e os militares queriam impedir que o vice tomasse posse, que na época era eleito em separado, João Goulart, também um trabalhista.

5. Em 1962 e 1963 eles tentaram, por três vezes, sem sucesso, aplicar um novo golpe de estado. Seu chefe era Carlos Lacerda, jornalista financiado pela Agência Central de Inteligência, a CIA, que teve um papel chave na deposição e morte de Getúlio Vargas em 1954.

1. Aproveitando-se da grande religiosidade do povo, eles criaram programas religiosos nas principais rádios do Brasil, nos quais pretensos “padres americanos”, na verdade agentes da CIA infiltrados na igreja católica, chefiados por Patrick Peiton, diziam que a “Virgem Maria os havia enviado ao Brasil para salvar o país de vocês do comunismo”.

2. Finalmente, aliados a alguns generais brasileiros e chefiados por Lacerda, então governador da Guanabara, e pelo embaixador americano Lincoln Gordon, em 1º de abril de 1964, eles derrubaram, com o total apoio dos seus veículos de comunicação, não apenas o presidente trabalhista, João Goulart, mas o regime democrático.

3. Entre outros “crimes”, eles acusavam Goulart de defender a reforma agrária e principalmente por ter aumentado em 100% o salário mínimo, congelado por oito anos, o que era um sinal de que o presidente eleito “queria implantar o comunismo no Brasil”.

4. Com seus rádios e TVs, num mesmo dia, eles convocaram uma “Marcha com Deus pela Democracia”, que levou às ruas dezenas de milhares de pessoas, principalmente da classe média, para “pedir a intervenção dos militares”. Tal como ocorre hoje em dia no Egito, no Brasil, na Turquia, através do “Facebook”.

5. Para dar o golpe, eles e os generais revoltosos cometeram vários crimes. Entre eles o principal, de traição de sua pátria, conspirando contra seu próprio governo, dentro da embaixada americana no Rio de Janeiro, planejando o golpe com a ajuda de generais estadunidenses, chefiados por Vernon Walters, que era da CIA.

6. Para perpetrar o golpe, eles contaram com a ajuda do porta-aviões, dos navios e dos bombardeiros da Sétima Frota da Marinha dos Estados Unidos, deslocada do Caribe para dar apoio militar aos generais que traíram seus próprios camaradas de armas, como provam estas gravações entre o presidente estadunidense Lyndon Johnson e seus auxiliares.

7. Caso o golpe não tivesse sucesso, o comando da Sétima Frota recebeu, dos generais brasileiros aliados dos golpistas, as informações precisas sobre onde atacar as tropas que permanecessem leais ao presidente eleito.

8. Por meio de mapas e fotos aéreas, os golpistas apontaram aos militares americanos onde estavam os quartéis dos nossos soldados, nossas baterias anti-aéreas e de artilharia de costa, cometendo assim um autêntico ato de traição à pátria.

9. Eles apontaram ainda, como alvos principais que precisavam ser destruídos para minar a resistência do governo, a Refinaria Duque de Caxias da Petrobrás, a Usina Siderúrgica Nacional e a Fábrica Nacional de Motores, empresas estatais contra cuja criação, seu partido, a UDN, sempre havia se oposto “para não fazer concorrência com as empresas privadas”, a grande maioria estrangeiras.

10. Após consolidado o golpe, eles e os generais que com apoio entusiástico de seus jornais haviam roubado o poder para “defender a Democracia com a Ajuda de Deus”, traíram suas promessas e nunca mais realizaram eleições diretas para presidente, governador e prefeitos das capitais.

11. Eles fecharam o congresso, cassaram mandatos, prenderam prefeitos, vereadores, parlamentares adversários. A alguns como o deputado comunista Gregório Bezerra amarraram na traseira de um Jeep do exército e arrastaram meio morto, algemado, pelas ruas de Recife.

12. Eles implantaram o regime de exceção, que governava por decretos e não por leis, que seus jornais, rádios e TVs aplaudiram e louvaram por 21 anos.

13. A ditadura que eles apoiaram proibiu a existência de partidos políticos, estabeleceu a censura a livros, revistas, músicas, poesias, rádios e jornais que deveria aprovar, antes, qualquer coisa antes de ser publicada. Centenas de jornalistas foram presos, torturados, mortos ou processados naquela época.

14. A ditadura que eles apoiaram fechou milhares de sindicatos em todo o Brasil, cassou mandatos de senadores e deputados adversários, prendeu sem ordem judicial, sequestrou, torturou e matou seus opositores e qualquer pessoa que continuasse defendendo a democracia.

15. Em 1968, devido a manifestações estudantis muito menores do que as atuais, que eles classificavam de “perigoso atentado terrorista”, eles aplaudiram o fechamento do congresso e a cassação do deputado federal Márcio Moreira Alves.

16. Eles interviram no Supremo Tribunal Federal, colocando lá advogados ambiciosos que prestavam serviços às suas empresas, que, agradecidos pela fama e pelos salários, não se importaram nada com as violências contra as instituições democráticas e os direitos individuais.

17. Eles sempre quiseram interferir na memória da juventude, sempre jogaram muito na alienação dos estudantes, na sua cooptação para que se esquecessem do que haviam presenciado. E principalmente no repúdio e no esquecimento dos jovens quanto à nossa música, à nossa cultura.

18. E aqui começa algo que iria se repetir ao longo de mais de quarenta anos: a sucessiva troca de nome dos partidos usados por eles.

19. A coisa funcionava assim: na medida em que o povo, nas eleições, derrotava seus partidos, pois identificava a sua sigla com os que atuaram sempre contra os trabalhadores e a favor dos interesses de empresas e do governo dos Estados Unidos, eles mudavam o nome dos seus partidos.

20. UDN, ARENA, PDS, PFL, DEM, PSDB… Imagino que você já ouviu falar nesses nomes de partidos, é claro. Mas é sempre bom conhecer mais um pouco.

21. Uma vez que a UDN, seu primeiro partido, já tinha ficado conhecida pelo povo como partido que atentou contra a democracia e como partido dos golpistas, aliados das empresas americanas, eles trocaram seu nome e a velha UDN passou a chamar-se ARENA, ou “Aliança Renovadora Nacional”.

22. Através de suas estações de televisão, eles promoveram uma verdadeira lavagem cerebral em massa, ganhando, de uma só vez, centenas de concessões de rádio e TV, em todo o país, formando uma rede de veículos de comunicação.

23. Nos 21 anos que se seguiram, eles ganharam fortunas imensas, medidas em bilhões de dólares, como pagamento da publicidade oficial que faziam dos governos da ditadura, sem qualquer tipo de licitação.

24. Através do emprego de equipamentos de televisão de última geração e do vídeo tape e com recursos quase ilimitados, eles passaram a produzir programas e telenovelas de qualidade muito elevada para a época, que passaram a hipnotizar a classe média.

25. Nas eleições eles sempre apoiaram descaradamente a ARENA, que era a antiga UDN. Faziam isso como hoje em dia, sem nenhuma preocupação em manter um mínimo de imparcialidade. Eles simplesmente ignoravam a existência do único partido de oposição que era permitido, que era o MDB.

26. Nas eleições para vereadores e deputados, as únicas permitidas, os candidatos ou qualquer um que criticasse o governo era simplesmente preso, torturado, e vários simplesmente desapareceram. Muitos foram mortos sob tortura e seus corpos jogados do alto de aviões, sobre o mar.

27. Assim mesmo, a partir de 1974, a máscara começou a cair e a ARENA começou a ser reconhecida como o partido da ditadura, e então, para tentar enganar os eleitores, eles mudaram seu nome, que já tinha sido UDN, agora para PDS ou “Partido Democrático Social”.

28. Em 1978, quando através de greves e manifestações os trabalhadores protestaram contra o arrocho salarial, eles ficaram contra os trabalhadores e a favor da repressão aos operários. Suas emissoras de TV mostravam Lula e os trabalhadores em greve como terroristas, bandidos e arruaceiros, e aplaudiram sua prisão e o fechamento dos sindicatos paulistas.

29. Em 1979, quando Lula propôs a criação de um partido da classe trabalhadora, eles com seus veículos de informação fizeram de tudo para impedir, ridicularizando a iniciativa e dizendo que nunca isso seria possível, já que seus membros seriam ignorantes, incultos e semi-analfabetos.

30. Quando, em 1986, a população saiu às ruas em todo o país para exigir a realização de eleições diretas para presidente e governadores, eles simplesmente não transmitiam nenhuma imagem, nem noticiavam nenhuma manifestação.

31. Sabendo que não iriam poder manter aquela situação por mais tempo, e vendo que haveria eleições diretas, eles trocaram novamente o nome do seu partido, que, de PDS, passou a chamar-se PFL – “Partido da Frente Liberal”.

32. Para auxiliar o PFL, que já nasceu muito “manjado” como partido da ditadura, eles criaram outro partido, chamado PSDB, chefiado por Fernando Henrique Cardoso, sociólogo que também era financiado pela Agência Central de Inteligência, como contou a escritora Francis Stonor Sauders em seu livro “Quem pagou a conta?”

33. Em 1989, eles criaram a figura de Fernando Collor como o Caçador de Marajás, apoiando sua campanha de forma descarada, pois ele mesmo era um membro de sua rede de TVs.

34. Quando Lula enfrentou Collor nas eleições em 1989 e chegou ao segundo turno, eles editaram o debate na TV, retirando partes onde Collor foi mal e retirando os momentos onde Lula foi bem.

35. Nas quatro eleições presidenciais em que Lula concorreu, eles ficaram abertamente a favor de Collor, FHC e Serra.Na última eleição, eles ficaram contra Dilma, com todas as suas televisões apoiando Alckmin, e foram mais uma vez derrotados.

36. O PFL, seu partido, ficou tão desmoralizado que só ganhou as eleições para governador em um único Estado. E de nada adiantou, mais uma vez, eles terem mudado seu nome para Democratas, ou DEM, pois o povo, com a ajuda da internet, começou a seguir seus passos nessa floresta de siglas e nomes de partidos que eles criaram para confundir o povo.

37. Mas eles nunca desistem. Derrotados nas urnas a cada dois anos desde 2002, com seus líderes e seus partidos totalmente desacreditados, eles tentam novamente, sempre contando com apoio decidido da Agência Central de Inteligência e do Governo dos Estados Unidos.

38. O governo americano e suas empresas monopolistas não admitem que o Brasil tenha crescido do 10º para o 6º lugar entre as maiores economias do mundo, nem que sejamos os maiores produtores de vários produtos industriais e agrícolas do mundo. E nem que tenhamos um governo que não obedeça a tudo que eles mandam.

39. Eles e seus patrões americanos não suportam a ideia de que um metalúrgico e uma ex-guerrilheira tenham colocado 1,5 milhão de jovens pobres nas universidades e construído 240 escolas técnicas federais, criando 18 milhões de empregos em dez anos.

40. Eles e seus patrões americanos não suportam a ideia de que apenas esses dois presidentes tenham tirado 28 milhões de pessoas da miséria absoluta com o Bolsa Família e 31 milhões tenham passado da pobreza para a classe média.

41. Mas os tempos são outros. Agora, na era da informática e da internet, em todo o mundo, basta ver os telejornais para perceber que eles não usam apenas tanques de guerra, soldados, nem só jornais, rádios e TVs para derrubar governos.

42. Manejando programas de internet como “Facebook”, desenvolvidos por encomenda do próprio governo dos Estados Unidos, eles tentam, agora, derrubar a Presidenta Dilma.

43. Em vez de usar tanques de guerra e a sétima frota da Marinha Americana, eles agora tentam um golpe de tipo novo, com ajuda de programas que também são encontrados em versões comerciais, que simulam serem autênticos, mas que enviam de um único computador milhares de mensagens por minuto.

44. Percebendo que iriam perder as próximas eleições em 2014, eles pretendem tornar realidade, mais uma vez, seu velho sonho: como seus partidos estão desmoralizados, querem acabar com os outros partidos políticos e implantar a sua ditadura mais uma vez.

45. E, novamente, dar um golpe de estado, novamente com a ajuda da CIA, que criou o Facebook e os sistemas usados como ferramenta de controle e de mobilização de milhares de pessoas “adicionadas”, que recebem mensagens de “seus amigos”, sem saber que podem não ser verdadeiras, como denunciaram Julien Assange e Edward Snowden.

46. No “Facebook”, pessoas identificadas com eles dizem que querem acabar com os partidos políticos.

47. E que querem criar uma “Democracia Direta”, que funcionaria pela internet, através do “Facebook”. Eles querem que Dilma renuncie, que os partidos sejam fechados.

48. Em vez de eleições diretas, votação pela internet. Em vez de Congresso Nacional, votação pela internet. Mas qual a garantia de segurança e autenticidade da votação?

49. Isso “eles” não explicam.

50. O único partido admitido seria o “Partido do Facebook”, como se em qualquer lugar não se pudesse comprar e baixar programas que votam dezenas de vezes em qualquer “pesquisa”, que enviam milhares de mensagens automáticas em nome de milhares de pessoas diferentes.

51. Eles querem que acreditemos que quem não defende o “Feicismo” é antiquado, “careta” e atrasado. Eles querem incentivar inúmeros conflitos no seio do povo, jogando jovens contra “velhos”. Querem jogar evangélicos contra gays. Querem jogar os que são a favor do aborto contra os que são contra o aborto. Eles querem dividir o povo e desviar a atenção das verdadeiras questões.

52. Por exemplo, na questão do transporte coletivo, eles e seus meios de comunicação nem tocaram na questão do excessivo e abusivo lucro e sinais exteriores de riqueza das empresas que dominam, por meio de cartéis fechados, o negócio em cada capital do país.

53. Eles estimulam, através do “Feice” e da televisão, cenas de violência, de preconceito, de intolerância. Enquanto isso tentam manipular e orientar as manifestações de rua através do “Anonymous”, uma empresa privada, com sede em Londres, criada pela CIA para contratar jovens de classe média entusiasmados com computadores e jovens desempregados do terceiro mundo.

54. É preciso reagir a essa tentativa da inteligência militar norte-americana, inglesa e israelense de manipular os movimentos de rua, divulgando informações verdadeiras.

55. Eles devotam um ódio irracional contra Lula por não poderem admitir que um operário tenha, em oito anos, criado mais de 15 milhões de empregos, tirado 28 milhões de pessoas da faixa da miséria e passado 31 milhões de pessoas da pobreza para a classe média.

56. Eles estimulam o preconceito racial, o ódio religioso, o preconceito contra nordestinos e todo tipo de pensamento que seja mesquinho, egoísta, conservador e reacionário.

57. Reparem como eles propagam o ódio ao Brasil e o elogio a tudo que venha dos Estados Unidos ou da Inglaterra. Eles estimulam a que tenhamos vergonha de sermos brasileiros, que não tenhamos em nós qualquer traço de patriotismo, que consideram coisa atrasada. Mas que sempre elogiam e admiram nos americanos.

58. Eles estão agora no Brasil, atacando o Brasil através de agentes brasileiros contra as nossas conquistas, contra a democracia, contra qualquer coisa que seja brasileira, são contra qualquer política social compensatória como o Bolsa Família, que mantém as crianças nas escolas e vacinadas, propiciando mais dignidade a milhões de famílias, principalmente aquelas dirigidas por mulheres.

59. Eles são contra as cotas sociais e raciais nas universidades, que já permitiram que mais de um milhão e meio de jovens pobres e descendentes de vítimas da escravidão tivessem condição de formar-se médicos, engenheiros, advogados, etc.

60. Aproveitando a lavagem cerebral promovida pela TV durante esses 50 últimos anos, bem como a falta de qualquer preocupação do governo e do PT em dar educação política ao povo, em ter qualquer meio de comunicação que não esteja sob o controle do capital americano, inglês ou israelense, eles querem culpar Lula, Dilma e o PT pelo enorme atraso do Brasil. Que, por ironia, são exatamente aqueles que mais fizeram pela diminuição dessas desigualdades.

61. Trabalhando para eles, comandados por eles, vicejam dentro do “Face” inúmeros agrupamentos que usam o “charme da clandestinidade” para atrair os incautos e os mais distanciados da realidade. Será que alguém ainda acredita que um grupo de valentes cidadãos anônimos teria tanto dinheiro e recursos para produzir centenas de vídeos contra o governo brasileiro como o tal “Anonymous”?

62. Alguns grupos são extremamente preparados, controlados de fora do país como o “Anonymous”, formado pela CIA, pelo Mossad e pelo M-16, os serviços secretos de Israel e da Inglaterra.

63. Usando jovens mascarados, são eles que tentam conduzir e direcionar as manifestações, e com a ajuda da TV e de vídeos postados no Youtube, impor a elas suas palavras de ordem e as suas pautas, bem como sugerir seus trajetos, estimular os atos de violência.

64. Será que a essa altura, você já sabe quem são “eles”?

Parabéns!

Se souber, você já passou para o outro nível de nosso Curso Breve de História.

Agora é só aguardar.

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