Cidadania, Comunicação e Direitos Humanos * Judiciário e Justiça * Liberdade de Expressão * Mídia Digital Editoria/Sônia Amorim: ativista, blogueira, escritora, professora universitária, palestrante e "canalhóloga" Desafinando o Coro dos Contentes...
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segunda-feira, 26 de maio de 2014
A Copa do Mundo e a estupidez humana
VAI TER COPA
"Por que será que no Brasil, terra da jabuticaba, um movimento por melhores salários do magistério se expõe a aventuras como essa de hostilizar os jogadores da Seleção em sua apresentação na Granja Comary? (...)
É claro, por exemplo, que o ex-jogador Ronaldo combinou com Aécio Neves a divulgação de seu apoio eleitoral, logo depois de chamar a atenção da mídia dizendo que tinha vergonha do Brasil.
Até fevereiro, dizia que a “Copa é um grande negócio para o país”. (...)
Está ficando evidente para todo o povão que a Copa, primeiro, e a Seleção, agora, estão sendo exploradas com finalidades eleitorais.
Como se tornar um estúpido
Fernando Brito
Em qualquer parte do mundo, qualquer movimento político ou sindical quer o apoio da sociedade.
Por que será que no Brasil, terra da jabuticaba, um movimento por melhores salários do magistério se expõe a aventuras como essa de hostilizar os jogadores da Seleção em sua apresentação na Granja Comary?
Diz a Folha que “no local havia aproximadamente 200 pessoas entre manifestantes do Sindicato Estadual dos Professores do Rio e militantes do PSTU, e do PSDB e torcedores, segundo a polícia. Eles entoam cânticos e exibem faixas contra a realização da Copa do Mundo no Brasil. “Brasil vamos acordar, professor ganha menos do que o Neymar”, era um dos cânticos.”
Por isso tomei emprestado o título do ótimo livro de Martin Page (recomendo a quem quiser ótima literatura moderna) para definir o que essa turma está fazendo.
Tirante os coxinhas inveterados e os tucanos empedernidos, não há um cidadão que olhe com gosto um time de futebol nacional ser engolfado pela política.
E, curiosamente, não é o Governo quem está fazendo isso.
É claro, por exemplo, que o ex-jogador Ronaldo combinou com Aécio Neves a divulgação de seu apoio eleitoral, logo depois de chamar a atenção da mídia dizendo que tinha vergonha do Brasil.
Até fevereiro, dizia que a “Copa é um grande negócio para o país”.
Fez muito bem a polícia de controlar, sem violência, o grupo levado pela estranha aliança PSTU-PSDB e anarquistas tipo “black-bloc” ao local. Então podem ir para a porta do ônibus da seleção gritar e se recusar a ir à audiência de negociação convocada pelo STF, que mediou o acordo no ano passado?
Está ficando evidente para todo o povão que a Copa, primeiro, e a Seleção, agora, estão sendo exploradas com finalidades eleitorais.
E também não é preciso ser gênio para saber que este tipo de atitude tem consequências terríveis para quem o faz.
Tijolaço
Destaques do ABC!
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sábado, 5 de abril de 2014
Apenas Mujica
O PRESIDENTE MAIS POBRE DO MUNDO (E O MAIS FELIZ)
Mujica
Presidente uruguaio frisa o espírito público que guia a atividade política
José Miguel Wisnick
O que primeiro me chamou a atenção, no momento em que me deparei com José “Pepe” Mujica, presidente do Uruguai, falando ao programa Canal Livre, da TV Bandeirantes, não foi o conteúdo da entrevista em si. Esta se dava ao ar livre, os três jornalistas sentados num banco de madeira sem encosto, num lugar rural, na boca do mato. Acomodada na relva, uma cachorra manca, que depois eu soube chamar-se Manuela, acompanhava a conversa com atenção relaxada. Um cachorro maior vinha, às vezes, lamber pachorrentamente a mão dos entrevistadores. A poltrona do presidente era uma dessas cadeiras velhas de jardim, de ferro, com estofado capitonê. A cena se passava na casa, meio sítio, onde ele mora. Trajava uma camisa qualquer, bermudão e chinelo de couro. O ambiente nem por isso deixava de ser um cenário de Estado. É que cada elemento da cena combinava intimamente com o discurso político que ali se enunciava.
Há lugares na Argentina, e mais ainda no Uruguai, talvez, onde se convive com uma atmosfera que nos soa pré-midiática, na qual a televisão não chegou a impor o bombardeio que conhecemos, e onde uma classe média de hábitos despojados respira uma atmosfera culta. Lembro o adorável serralheiro José Traine, meu amigo, sua casa na Boca, em Buenos Aires, e o refinadíssimo músico Carlos Aguirre, da cidade de Paraná, que toca divinamente piano, acordeom, flauta, e carrega as caixas de som que tem que levar ele mesmo para seus shows, dirigindo a perua cambaleante em que transporta a banda. Embora excepcionais na sua capacidade de expressão, e especiais como pessoas, não são casos isolados. Participam de um caldo de cultura letrado do qual o culto à celebridade está muito distante, seja como modelo a atingir, seja como força de pressão circundante.
Acho que a cena da entrevista de José Mujica, com tudo o que tem de surpreendente e autêntica, soaria extravagante ou forçada se não fosse representativa desses nichos culturais. Mujica, além do mais, é um homem maduro no sentido forte da palavra (diferentemente do Maduro venezuelano), que reflete com transparência sobre limites e possibilidades, que sabe que o Uruguai, um pequeno país de pouco mais de três milhões de habitantes, formado por um forte contingente de imigrantes exilados, dispõe de certa margem de manobra que lhe possibilita não se submeter completamente aos imperativos da sociedade de massas (e seus decorrentes marqueteiros). O Uruguai, aliás, é pioneiro no reconhecimento do divórcio, na jornada de trabalho de oito horas, no voto feminino, no casamento gay, na penalização dos castigos físicos infligidos às crianças, na eutanásia para o doente terminal que a deseje, no aborto como necessidade da saúde pública (minha amiga Rachel Gutierrez me transmite esse dados, tentada, por suas raízes sulinas e seu desencanto com o Brasil, a transferir-se para a banda oriental). Assim, um estadista pode chegar ao ponto de assumir sem maquiagem o lugar social de onde fala, com uma sinceridade inusual num mundo de retóricas muito demarcadas. Ao fazê-lo, Mujica frisa o lugar republicano da igualdade dos direitos e o espírito público que guia a atividade política (interesses particulares e desejo de riqueza, diz ele, devem se dirigir às finanças, à indústria e ao comércio).
Sobre a famigerada descriminalização e regulação da maconha no Uruguai, José Mujica sustenta termos que se propõem realistas e que se sabem experimentais: a guerra ao narcotráfico (que é pior que a droga) tem se mostrado incapaz de resolver um problema que só aumenta, multiplicando violência e corrupção em todas as camadas sociais. A estatização da produção da droga, regulada para consumidores inscritos, dentro de certa quantidade, visa a roubar astuciosamente esse mercado ao tráfico (ele o reconhece), e a tirar os usuários de uma clandestinidade sem limites que pode se tornar nefasta e destrutiva.
Sobre a herança da ditadura, diz que, no Uruguai, o Estado não se omitiu em relação aos crimes cometidos no passado, mas agindo dentro dos limites da lei, isto é, sem imitar a ditadura. Afirma que o mecanismo mais inteligente praticado, nesse sentido, foi o da África do Sul, guiado por Mandela e Tutu: a exigência da admissão pública, pelos torturadores, das torturas cometidas, perante os torturados e o país, e só mediante esse ato simbólico a anistia. (No Brasil, como sabemos, e ao contrário disso, decretou-se uma anistia sem qualquer admissão pública da verdade, que trava obscuramente a democracia e fomenta a continuidade subterrânea da ditadura.)
Sem desconhecer que não há o que não seja teatro e jogo de cena na comunicação humana, é raro ver um político não usando as mesmas máscaras que vedam já o primeiro grau de qualquer transparência. As palavras e a música da fala diziam isso, assim como um certo riso nos olhos, o lugar, o ar livre, sem esquecer a quietude de Manuela.
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
A irresistível sedução da política
OPINIÃO
"É delegado virando deputado. É juiz virando vereador. É ministro virando prefeito. É bilionário virando senador. A política deve ter alguma coisa que interesse 'muito'. Mas muito mesmo. Ou então vive-se um momento de altíssima dedicação sôfrega e cidadania eleitoral potencializada à qual figuras ilustres aceitam ganhar menos e se sacrificar pela melhoria de vida do povo com a contribuição pessoal na política."
Brito, Calmon, JB, Luislinda: o Judiciário vai fechar!
JEAN MENEZES DE AGUIAR
É delegado virando deputado. É juiz virando vereador. É ministro virando prefeito. É bilionário virando senador. A política deve ter alguma coisa que interesse "muito"
Vive-se uma crise ética. Ou moral. Até aí nada de mais. A sociedade se acostumou a dizer "dane-se" para qualquer coisa, ou sua corruptela que começa por "f" mais deliciosa de se falar. Mas a quarentena que garantia certa compostura a "autoridades", jamais cumprida, deveria ser algo de foro íntimo. Para muitos continua sendo. Entretanto, para outros, não poucos, além de não existir, é o próprio cargo público que estranhissimamente é usado como trampolim.
Ayres Brito, Eliana Calmon, Joaquim Barbosa, Luislinda Valois são meros exemplos de magistrados que, ao que tudo indica, se lançaram às coxas quentes da política e sua sedução hipnótica. Algo aí está errado. Tanto mais estará quanto a defesa para a possibilidade política for formalista e autoritária. Do tipo: "não há nada ilegal, não há crime, a lei não proíbe".
O problema com certos cargos não é o que a lei proíbe, mas o que uma moral média deve nortear. Não se buscam santos. Não se tenta o primarismo mental farisaico da santidade ou da pureza. Mas uma dose visível de comedimento com a política partidária. Sim, ela. A menos que tudo já tenha virado um oba oba e esqueceram de avisar.
Por que a imprensa vem "denunciando" essas situações eleitorais de autoridades como escândalos jornalísticos? Será que a imprensa enlouqueceu? Há aí uma carniçaria jornalística demente? Certamente não. Um quantum de indecorosidade indefensável está no ar com essas situações.
Ou então estipula-se um combinado social: acabou, de vez, a tal respeitabilidade de certos cargos públicos no sentido de que há um vale tudo. O sujeito pode estar trabalhando no seu pomposo cargo, exigindo respeitosidades venerandas, quase papais, e estar de olho mundano e popular, bem popular, numa preocupação carnal com sua candidatura, cabos eleitorais, reuniões, jantares, conchavos e favores. Mais conchavos e favores do que tudo o mais. O ambiente normal da política. Tempo para isso parece não ser o problema. Nem um pouquinho.
O "famigerado" site Conjur fez a "odiosa" conta que causou tanta revolta, ira e ódio em não poucas "autoridades". Lê-se, sobre o cálculo temporal das delícias e folgas: "A revista Consultor Jurídico já fez de quantos dias o juiz trabalha por ano, de acordo com a previsão legal. Subtraídos finais de semana, feriados, férias, recessos e outras folgas, sobram apenas seis meses por ano para o Judiciário trabalhar". Quiseram prender os jornalistas, fechar o site, demonizar o editor. O segredo revelado foi infame. Mas aí deve estar um exemplo matemático de que a matemática erra. Certamente foi isso, erro de matemática, e ficamos combinados.
E o CNJ? Vai bem, obrigado.
É delegado virando deputado. É juiz virando vereador. É ministro virando prefeito. É bilionário virando senador. A política deve ter alguma coisa que interesse "muito". Mas muito mesmo. Ou então vive-se um momento de altíssima dedicação sôfrega e cidadania eleitoral potencializada à qual figuras ilustres aceitam ganhar menos e se sacrificar pela melhoria de vida do povo com a contribuição pessoal na política.
Não há qualquer sinal de mudança ou melhora neste quadro complicado. Ao contrário, a crise se agudiza a cada dia. A "vingança" social é a revelação pública dos fatos numa imprensa livre. Pelo menos com a democracia eles podem ser contados.
Brasil 247
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