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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Norambuena: a ditadura voltou e "esqueceram" de nos avisar?


VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS



Judiciário é instância criada para promover Justiça, ou seja, equilíbrio, equanimidade. Não é lugar para fomentar vendetta, vingança.

Vai muito longe, felizmente, o tempo das atrocidades cometidas sob o rótulo de "fazer justiça".

Carlos Lungarzo, extraordinário ativista da Anistia Internacional, denuncia a prisão absurda e ilegal a que está submetido no Brasil o chileno Maurício Hernandez Norambuena.

Aos detentores da "indignação justa" de que falava Gandhi: vamos mandar mensagens de protesto e pedidos de intervenção à ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, e aos senadores que fazem parte da Comissão de Direitos Humanos do Senado da República, entre eles o senador Eduardo Suplicy (PT-SP).

A propósito, para quem não conhece, recomendo um clássico da criminologia: Dos delitos e das penas, de Cesare Beccaria.




NORAMBUENA SOFRE "VINGANÇA EXTREMA" DAS AUTORIDADES, DENUNCIA LUNGARZO





O Caso Norambuena é o título do último artigo (acesse aqui) do professor Carlos Lungarzo, que há três décadas e meia atua como defensor dos direitos humanos em nosso continente e participou com destaque da luta contra a extradição do escritor italiano Cesare Battisti.

Vindo ao encontro do meu recente Não podemos nos omitir face à tortura continuada de Norambuena!!! (vide aqui), ele aponta várias incoerências e ilegalidades na sentença recebida por Maurício Hernandez Norambuena e nas condições carcerárias que lhe estão sendo impostas, por haver sido um dos sequestradores do publicitário Washington Olivetto, em 2001/2.

Questiona, primeiramente, sua condenação a 30 anos de prisão, já que o artigo 148 do Código Penal brasileiro estabelece para tais casos a pena máxima de cinco anos. "Isto inclui até o caso de sequestro de crianças e doentes, e casos em que o sequestrado é ferido durante sua captura", explica, destacando a inexistência de agravantes que tornassem pelo menos compreensível o rigor extremado da corte: 


"Apesar da animosidade da mídia, dos inimigos da esquerda brasileira e da elite empresarial, nunca foi dito que o magnata tivesse recebido coação física, salvo a de estar encerrado quase dois meses num pequeno quarto. Quando foi liberado, deu uma breve entrevista à imprensa, e seu estado físico, pelo menos de longe, parecia normal. Em sua entrevista, o mais substantivo que disse é que descobriu que os raptores não eram brasileiros, porque ninguém falou nunca do Corinthians".

Para Lungarzo, a condenação não só "é ilegal e desproporcional, como cruel e desumana, pois ela transcorre no que, com cínico eufemismo, se chama Regime Disciplinar Diferenciado" - o qual, na verdade, se constituiria num "método indireto de tortura (...), um método insano utilizado especialmente nas teocracias orientais, mas também em estados maniqueístas como os EUA e a Itália".




Uma observação importantíssima de Lungarzo sobre a utilização do RDD contra o prisioneiro chileno: "O RDD viola os acordos assinados pelo Brasil contra as penas cruéis, e também a própria Constituição, que proíbe os tratamentos degradantes".

Ele também assinala que o RDD foi introduzido pela Lei 10.792, de 01/12/2003, inexistente, portanto, no momento do crime. 


Além disto, acrescento eu, o RDD nunca passou de uma variante mais rigorosa do confinamento nas chamadas celas solitárias. Deveria servir apenas para a punição do prisioneiro que, conforme está especificado no artigo 52 da Lei 10.792, incidisse em "falta grave" que ocasionasse a "subversão da ordem ou disciplina internas". 


Mais: o texto legal diz que o RDD tem a "duração máxima de trezentos e sessenta dias, sem prejuízo de repetição da sanção por nova falta grave de mesma espécie, até o limite de um sexto da pena aplicada".


Ou seja, Norambuena não poderia estar sendo submetido ininterrupta e indefinidamente ao RDD, mas somente por períodos escalonados de 360 dias, a cada falta grave que cometesse. E a soma desses períodos não poderia ultrapassar cinco anos (um sexto da sua pena), mas já totaliza quase dez anos!!! Será que a ditadura voltou e esqueceram de nos avisar?!


Lungarzo não tem dúvidas de que Norambuena está sendo retaliado pelas autoridades brasileiras com "uma vingança extrema", até porque "nenhum chefe do narcotráfico sofreu RDD por tempo tão longo".


Ele sugere que tais arbitrariedades sejam imediatamente denunciadas à Comissão de Direitos Humanos da OEA, à Corte de Direitos Humanos da OEA (em San José de Costa Rica), à ONU e a outros organismos e ONGs internacionais.


Náufrago da Utopia

Destaques do ABC!

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Barbosa: Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço...


SUPREMOCRACIA



Judiciário tem que ser exemplo, dar exemplo.

Supremo, guardião da Constituição da República, mais ainda.





quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A prisão ilegal e medieval de Norambuena


VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS



A editoria do Abra a Boca, Cidadão! já se manifestou à Ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, pedindo a intervenção da ministra na prisão ilegal de Maurício Norambuena.

Não podemos tolerar que em pleno século 21 discípulos de Torquemada atentem impunemente contra os direitos humanos.

Justiça ou Vingança?

Extradição já para Maurício Hernandez Norambuena!




Não podemos nos omitir face à tortura continuada de Norambuena !!!



Um bom companheiro me escreve chamando a atenção para o caso de Maurício Hernandez Norambuena, que continua preso em condições desumanas na Penitenciária Federal de Campo Grande, submetido ao famigerado Regime Disciplinar Diferenciado.

O site da Campanha de Solidariedade (acesse aqui) lista algumas características do confinamento a que Norambuena vem sendo submetido há quase 10 anos:

cela de 3x2 metros, banheiro incluído;
duas horas de banho de sol por dia num pátio pequeno;
visitas de três horas permitidas somente aos irmãos;
nenhum acesso aos veículos de comunicação;
possibilidade de receber apenas um livro por semana;
nenhum contato com os outros reclusos.


Mas, é do professor Carlos Lungarzo, tradicional defensor dos direitos humanos, que teve atuação destacada no Caso Battisti, a melhor descrição do RDD, num artigo (acesse aqui) sobre a permanência de rigores medievais nas prisões brasileiras:


"O RDD é um simples sistema de tortura, que se diferencia do clássico por não haver utilização de ação direta sobre o corpo da vítima, mas cujos efeitos são comparáveis.


O RDD restabelece oficialmente a tortura, (...) só que sob a hipocrisia de evitar a palavra tortura. Os efeitos dolorosos (que são procurados pelo torturador) estão todos presentes no RDD: isolamento de som, ausência de luz natural ou hiper luminosidade, bloqueio de funções motrizes com a mecanização de todos os movimentos do preso (como portas que são abertas de fora, e que impedem o detento girar uma maçaneta, contribuindo para a atrofia muscular), perda da noção de tempo e obliteração da memória em curto e médio prazos, o que acaba mergulhando a pessoa num autismo irreversível.

...A prisão perpétua normal pode acabar algum dia. Mas ninguém pode repor-se de um suicídio ou de uma psicose profunda irreversível".




E há mais. Segundo Júlio de Moreira Batista, colunista da revista Crítica do Direito (veja aqui), Norambuena está sendo VÍTIMA DE UMA GRITANTE ILEGALIDADE:

"Em dezembro de 2003, foi sancionada a Lei n. 10.792, que instituiu o Regime Disciplinar Diferenciado. Norambuena foi imediatamente transferido para a Penitenciária de Presidente Bernardes, e submetido a tal regime...


Ainda de acordo com a lei, o RDD só pode ser aplicado por até 360 dias, até o limite de um sexto da pena aplicada. Aqui vem a parte mais gritante da história: Norambuena está no RDD há quase 8 anos ininterruptos [o artigo é de 2011, mas a situação continua exatamente a mesma], e nada faz o Estado brasileiro para suprimir esta ilegalidade!


Não bastando as restrições temporais à aplicação do RDD, previstas na Lei n. 10.792/2003, o art. 112 da Lei de Execuções Penais (Lei n. 7.210/84) prevê a progressão para o regime semi-aberto após o cumprimento de 1/6 da pena, o que, no caso de Norambuena, deveria ter acontecido em 2007". TAL TRATAMENTO É CRUEL, DISCRICIONÁRIO, ABERRANTE, INCONCEBÍVEL E INACEITÁVEL, pouco importando a quem se aplique. NINGUÉM MERECE!


A esquerda brasileira, todos sabemos, faz restrições a Norambuena. Ele pegou em armas contra a ditadura de Augusto Pinochet e não as depôs quando sua pátria se redemocratizou. Em dezembro de 2001, liderou em São Paulo o sequestro do publicitário Washington Olivetto, cujo resgate seria em dinheiro (uma heresia para os antigos combatentes da luta armada no Brasil, pois só admitíamos o recurso à prática hedionda do sequestro em circunstâncias extremas, para salvar companheiros da tortura e da morte - "vida se troca por vida" era nosso lema). Foi preso em fevereiro de 2002.


As sementes de Torquemada frutificam no Brasil


Mas, mesmo na hipótese de que o sequestro de Olivetto visasse apenas à obtenção de recursos para a subsistência do grupo de foragidos, NÃO PODEMOS ADMITIR A TORTURA NEM DE PRISIONEIROS POLÍTICOS NEM DE PRESOS COMUNS, SEJAM LÁ QUAIS FOREM AS CIRCUNSTÂNCIAS, EM HIPÓTESE NENHUMA!


Então, exorto novamente os companheiros e os cidadãos com espírito de justiça a tomarem uma firme posição, colaborando com a campanha para o cumprimento da sentença de Norambuena em condições aceitáveis numa democracia, além de exigirem a imediata extinção do fascistoide RDD.

Outra possibilidade a ser considerada é a execução imediata, por motivos humanitários, da extradição de Norambuena para o Chile, já autorizada pelo STF mas postergada para depois do término da pena brasileira. Lá também ele terá sentença a cumprir, mas não em cárceres que parecem haver saído da imaginação doentia de um Torquemada.


Náufrago da Utopia

Destaques do ABC!

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"Tio Rei" e Tavinho: escrito nas estrelas...


FEITOS UM PARA O OUTRO




"Caso do acaso
Bem marcado
em cartas de tarô
Meu amor, esse amor
De cartas claras
sobre a mesa
É assim

                                                                                        

                                                                                        Signo do destino
                                                                                        Que surpresa
                                                                                        ele nos preparou
                                                                                        Meu amor, nosso amor
                                                                                        Estava escrito 

                                                                                        nas estrelas
                                                                                        Tava, sim."



                                                                                             (Tetê Espíndola)


Náufrago da Utopia

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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Os Beagles e a Revolução Mundial


ATIVISTAS, GRAÇAS A DEUS!



O mundo passa por um momento histórico, uma grande virada.

Assassinos de Animais  X  Protetores de Animais é "apenas" uma batalha do embate planetário rumo à evolução.

Brucutus  X  Cidadãos.

Trogloditas movidos pelo vil metal  X  Cidadãos movidos pela Ética Planetária.

Ignorância  X  Cidadania Global.

Revolução Mundial.

Guerreiros do Terceiro Milênio


A verdade sobre o Instituto Royal, sobre os testes em animais e o que podemos fazer para acabar com essas atrocidades

Luisa Mell

Amigos, por favor não se deixem enganar pela imprensa comprada e pelas mentiras que são contadas pelos diretores do Instituto Royal. Percebam que a própria Globo teve que dar um desmentido depois que a Anvisa exigiu, para contestar mais uma mentira do Instituto Royal.

“A Anvisa emitiu uma nota afirmando que não tem ligação com o Instituto Royal, ao contrário do que afirma a representante da instituição Silvia Ortiz. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária, em nota, afirma que não exige teste em animais e que apóia testes substitutivos ao uso de animais.”

E essa não é a primeira mentira do Instituto. O Instituto esconde o que faz atrás daqueles portões. Perceberam que ninguém até hoje conseguiu entrar lá a convite deles? Só a rede Globo, né? Por que eles escondem a todo custo as empresas que são clientes? Por que são uma oscip? Receberam cinco milhões do governo Federal (do meu, do seu, do nosso dinheiro!!) e se negam a mostrar o que fazem? Se negam a revelar quais os clientes que contratam o seu serviço? Queremos saber, temos o direito de saber!!! Aliás, se as empresas pagam para eles, por que são uma oscip??? ALGUÉM PODE RESPONDER?????

Vários políticos, deputados, vereadores, tentaram entrar no instituto para conversar. TODOS FORAM IMPEDIDOS!!!!!!!! Em todas as reportagens que saíram (inclusive no G1, portal da rede globo) falaram que o Instituto Royal realiza testes para cosméticos e para produtos de limpeza. Mas depois de verem toda a repercussão que isto causou na sociedade eles têm a cara de pau de irem no Fantástico dizerem que não existe teste de cosméticos em animais! Uma das maiores mentiras já contadas em rede nacional, e em nenhum momento questionada pelo chamado jornalismo sério da emissora global! Se o jornalista tivesse dado um google, teria se informado que a Comunidade Européia proibiu neste ano teste em animais para cosméticos, que países como Israel estão já abolindo, teria tido conhecimento da extensa lista divulgada pelo PETA das empresas de cosméticos que testam em animais. E ele vem dizer que não existe!!!!!!

Ongs internacionais já entraram em contato comigo, dizendo que aquela raspagem que os cachorros resgatados apresentavam é típica de teste para cosméticos.

Cada vez temos mais certeza da sujeira que é esse Instituto Royal. O que eles descobriram de tão importante durante os dez anos que torturam animais??Alguém viu isto em algum lugar?? Não, né, eles só dizem que atrapalhamos dez anos de estudo.

O diretor do Concea, Marcelo Marcos Morales,  declarou que se abolirem os animais terão que importar tecnologia para substituir. Ele afirmou isto para o site G1. Ora, ele acabou de confirmar que estão cometendo crimes!!!! A LEI É CLARA: se existe método substitutivo é crime praticar teste em animais.


O mais estranho de tudo isto é que este mesmo Marcelo apareceu em entrevista para Fátima Bernardes, defendendo o Royal. Parecia que era advogado deles. Quem tiver dúvidas é só assistir. Agora, amigos, pensem comigo: Ele é um funcionário público, pago por nós. O Instituto nem mandou um representante, só o Marcelo. Bom, não preciso dizer que o programa me entrevistou, mas, claro, cortou !!!! Não foi ao ar!!!

Vamos agora pensar juntos: O governo dá mais de cinco milhões para o Instituto realizar pesquisas com animais, eles são isentos de pagar IPTU, impostos e outras coisas. Quando fazem alguma coisa vendem para as empresas e vamos supor que realmente fazem algum tipo de remédio também. Esses remédios não são doados para a população e sim VENDIDOS com os preços absurdos que conhecemos!!!! Que vantagem a população leva nisso???Acho que por isso também estão com tanto medo de divulgarem os clientes, né? Pois assim a população saberia que fomos nós que pagamos o desenvolvimento destes medicamentos, mas quando precisamos temos que comprar por preços absurdos para o Instituto Royal ficar cada vez mais rico e poderoso.

Ativistas que participaram do resgate dos cães do Instituto Royal, atenção:



Os diretores do Instituto Royal nos acusam de terrorismo; quem está fazendo terrorismo com os ativistas e com toda sociedade são eles!

1 - Falaram que os cachorros podem transmitir doenças para as pessoas.

Resgates como esse já foram feitos em vários países do mundo, em nenhum local aconteceu nenhuma contaminação das pessoas.

Se o Instituto Royal diz isso, é porque eles estão fazendo coisas muito perigosas para toda a sociedade: CRIANDO DOENÇAS EM LABORATÓRIO????? Isso tem que ser investigado como um outro crime. E urgentemente. Se o Brasil fosse um país sério seriam interditados imediatamente e obrigados a relatar tudo o que fizeram.

2 - Falam que os cachorros são chipados, por isso serão encontrados.

Mais uma ação terrorista do Instituto, querem deixar a população amedrontada. E é uma GRANDE MENTIRA!

Chip não tem gps!! Pensem, amigos, se isto existisse não haveria mais casos de cães perdidos!! O chip só funciona se passar por um leitor! E existem vários tipos de chips e de leitores! Sei disso pois pesquiso há um tempo para tentarmos fazer em SP um leitor único.

3 - Falam que quem adotar poderá até ser preso!

Não se amedrontem, amigos! Os bandidos são eles. Nós entramos baseados na Constituição, que é clara quando diz que se está ocorrendo maus tratos, se o animal está em risco, podemos entrar. E entramos junto com a polícia!!! O que pode ser verificado em todas as gravações que aconteceram lá dentro.

Conseguiremos advogados para todos os ativistas!

Como saber se produtos testam ou não em animais?

Acreditem, a lista de cosméticos que ainda testam em animais é imensa. Principalmente por conta da alienação da maioria dos consumidores. Mas acredito que estamos conseguindo mudar isso.

Algumas marcas do mundo são praticantes dessa barbárie: M.A.C., Maybelline, Johnson & Johnson, Avon, Clean & Clear, Dove, L’Oreal, Revlon, L’Occitane, LaRoche Posay, Neutrogena, Pantene e outras. Há muitas empresas (principalmente as brasileiras) que já aboliram tal prática e fabricam seus produtos de maneira ética. Procure a lista do Peta para marcas internacionais.

O problema aqui no Brasil é que não temos nenhum órgão controlador para verificar se as empresas realmente não testam em animais. Contamos somente com a palavra delas! E como o Instituto Royal esconde de todas as maneiras quem são os clientes, despertou em todos nós mais desconfiança ainda sobre empresas que dizem não testar.

Qual a solução então?

Eu realmente acho que quando o mundo tem que mudar o Universo conspira a favor. Há alguns meses venho conversando com a ong Cruelty-Free International.



Para quem não conhece, é uma ong inglesa (uma das mais antigas e sérias do mundo em defesa dos animais). Eles fazem uma auditoria nas empresas de cosméticos, em todas as fases do produto. Se averiguarem que não tem nenhum tipo de teste com animais, dão aquele famoso selo do coelho. E assim nós consumidores podemos ter a certeza de que aquela empresa e o produto que formos comprar é realmente livre de crueldade.



VAMOS PRECISAR DA AJUDA DE TODOS PARA QUE AS EMPRESAS ACEITEM ESTA AUDITORIA DA ONG!

Amigos, acreditem, esta mudança, esta libertação animal só irá ocorrer realmente por pressão da sociedade. Imploro que não desanimem, que não me deixem só!!! Milhares de animais, entre eles macacos, cachorros, gatos, coelhos, ratos… estão sendo torturados neste momento. Eles não podem se defender, não podem nem pedir ajuda! Estão lá nos Campos de Concentração que os pesquisadores criaram. Existe muito, mas muito dinheiro envolvido nesta macabra forma de testar produtos.



Sei que esta foto é forte, mas é real! Amigos, não é só pelos beagles! Todos os animais são submetidos a torturas como esta!!!

E, acreditem, os testes substitutivos são muito mais eficientes e confiáveis. Mas é claro que muitos pesquisadores que ganham milhões com essa barbárie não querem que a população saiba disto.

Para cosméticos, não podemos mais esperar! Tem que ser proibido no Brasil, assim como fez a Comunidade Européia.

Quanto a medicamentos: milhares de cientistas no mundo também são contra.
Afirmam que os testes em animais não servem para nada e ainda atrapalham a evolução da ciência.

Uma rápida busca pelo google nos trará fatos assustadores de como os testes em animais prejudicaram a humanidade:

“De acordo com o Dr. Albert Sabin, pesquisas em animais prejudicaram o desenvolvimento da vacina contra a pólio. A primeira vacina contra pólio e contra raiva funcionou bem em animais, mas matou as pessoas que receberam a aplicação. Albert Sabin reconhece que o fato de haver realizado pesquisas em macacos Rhesus atrasou em mais de 10 anos a descoberta da vacina para a pólio.”


“As perigosas drogas Talidomida e DES foram lançadas no mercado depois de serem testadas em animais. Dezenas de milhares de pessoas sofreram com o resultado.”


Já existem inúmeros métodos substitutivos eficientes e eficazes que podem e já estão sendo usados nessa área. Isso sem falar dos modernos processos de análise genômica e sistemas biológicos in vitro, que vêm sendo muito bem utilizados por pesquisadores brasileiros. Sem falar que culturas de tecidos, provenientes de biópsia, cordões umbilicais ou placentas descartadas, dispensam o uso de animais. Vacinas também podem ser fabricadas a partir da cultura de células do próprio homem.

A vivissecção envolve basicamente interesses financeiros e políticos, e nem tanto científicos, como se pensava.


http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/pesquisa-com-animais-e-uma-falacia

Blog da Luisa Mell


Destaques do ABC!

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terça-feira, 22 de outubro de 2013

O Resgate dos Beagles e a indústria de horrores


A VERDADE E A MENTIRA SOBRE OS TESTES EM ANIMAIS



" (...) sofrimento atrai sofrimento. Os testes submetem nossos parceiros de vida na Terra a dores e incômodos inauditos. Não se trata de feridas apenas. Muito menos a barbárie é só a de arrancar um olho ou forçar um animal a comer até explodir. O que ocorre é a produção de tumores cancerígenos, deformações internas e externas, mal estar durante toda uma vida. Esse sofrimento todo é pago no altar do bem estar humano? Não! A maior parte dos laboratórios que lidam com testes, no mundo todo, fazem pesquisas encomendadas direta ou indiretamente antes pelos setores militares que pelos ditos setores da saúde. 

(...) mas uma parte dos laboratórios que se utiliza de testes em animais o faz em função das demandas do setor de saúde, não é verdade? Não! A parte da pesquisa que não é direta ou indiretamente atrelada ao campo militar, serve antes ao dinheiro que à saúde. (...) mais de 70% das pesquisas que envolvem testes com animais, e que se diz desligada da área militar, se faz não em torno da busca para curas de doenças, mas em torno da criação de variações de produtos que possam induzir novos consumos. (...) As drogarias são supermercados - todos sabem disso. Mas os conservadores fingem não ver. (...)

As indústrias de cosméticos e higiene pessoal, alimentos, suplementos alimentares, drogaria para a geriatria e mesmo a indústria da produção de remédios trabalham com a perspectiva de lucro imediato como prioridade, colocando a questão da descoberta da cura de doenças que realmente nos aflige em segundo plano - às vezes em plano nenhum. (...)

Não há lado bom nessa história. Não há mocinho nesse faroeste."


Indústria de Horrores, Indústria da Morte, Indústria da Dor e do Sofrimento, 
Indústria do Dinheiro...

"Animais & Solidariedade"/Facebook

Juntos somos fortes!

Boicote produtos de empresas que promovem testes em animais!

Assine as petições!


A verdade (e a mentira) sobre utilidade dos testes com animais


Para filósofo, as pesquisas realizadas com animais servem mais para estimular o mercado de consumo com novos produtos que para melhorias na saúde dos seres humanos

A “revolução dos beagles de São Roque” está rendendo. E muito bem. Já estava mesmo na hora de discutirmos nacionalmente também essa questão, a da utilidade ou não de determinados tipos de pesquisa e o envolvimento com a educação para a crueldade, que pode muito estar atrelada ao modo como se prepara a mão de obra para os laboratórios.

Coloquemos então na mesa a questão objetiva do debate: os testes com animais são mesmo uma necessidade?

Os testes de laboratório com animais, de um modo geral, apontam para uma única “moral da história”: sofrimento atrai sofrimento. Os testes submetem nossos parceiros de vida na Terra a dores e incômodos inauditos. Não se trata de feridas apenas. Muito menos a barbárie é só a de arrancar um olho ou forçar um animal a comer até explodir. O que ocorre é a produção de tumores cancerígenos, deformações internas e externas, mal estar durante toda uma vida. Esse sofrimento todo é pago no altar do bem estar humano? Não! A maior parte dos laboratórios que lidam com testes, no mundo todo, fazem pesquisas encomendadas direta ou indiretamente antes pelos setores militares que pelos ditos setores da saúde.

O que se quer saber é o que é que pode dizimar o homem, fazer o homem sofrer, e quanto o homem pode aguentar tendo ingerido substâncias X ou Y. O que se quer é saber como matar de modo mais eficiente. Isso é tão verdade que, hoje, nenhum cientista responsável arrisca afirmar que o HIV, que provoca a AIDS, não foi produzido em laboratórios ligados a tarefas militares.

Bem, mas uma parte dos laboratórios que se utiliza de testes em animais o faz em função das demandas do setor de saúde, não é verdade? Não! A parte da pesquisa que não é direta ou indiretamente atrelada ao campo militar, serve antes ao dinheiro que à saúde. Os próprios cientistas têm insistido nesse dado: mais de 70% das pesquisas que envolvem testes com animais, e que se diz desligada da área militar, se faz não em torno da busca para curas de doenças, mas em torno da criação de variações de produtos que possam induzir novos consumos. Em muitos casos, até parecem ter a ver com doenças. Mas não tem. O que ocorre é que, criado o produto, aí então se inventa uma deficiência orgânica, ou seja, alguma “doença”, e em seguida mostra-se a cura. Em alguns casos a doença é criada junto com a cura! As drogarias são supermercados - todos sabem disso. Mas os conservadores fingem não ver.

As indústrias de cosméticos e higiene pessoal, alimentos, suplementos alimentares, drogaria para a geriatria e mesmo a indústria da produção de remédios trabalham com a perspectiva de lucro imediato como prioridade, colocando a questão da descoberta da cura de doenças que realmente nos aflige em segundo plano - às vezes em plano nenhum. Mesmo as universidades públicas, no mundo todo, têm trabalhado nesse sistema. Os financiamentos saem antes para a pesquisa que busca criar produtos para a indução de consumo que para a pesquisa que visa a solução de problemas de saúde da população. Nem mesmo as pesquisas para “doenças de ricos” têm prioridade diante da prioridade da criação de produtos que possam ampliar as possibilidades de consumo.

Desse modo, o supérfluo do supérfluo governa de um lado, o necessário para a indústria da morte governa do outro. Os animais sofrem para que nós, depois, possamos sofrer com a ideia da “guerra segura” e com a péssima ideia de que precisamos comprar mais coisas do que necessitamos. Não há lado bom nessa história. Não há mocinho nesse faroeste.

É bobagem dizer “isso é o capitalismo”. Sim, é. E daí? Dizer isso é dizer o nada. Ou melhor, é dizer o tudo em um grau tão genérico que é dizer o nada. O que é necessário é perceber que nenhum dos dois grandes blocos de interesses - o militar e o financeiro - que sustentam os laboratórios que, por sua vez, causam sofrimentos nos animais, diz a verdade sobre a necessidade de testes em animais. Ter animais em laboratórios nem é uma solução “a mais barata”. Os animais estão lá porque o tipo de pesquisa que se faz não é para nos curar de algo, mas para a guerra e para a ampliação inchada do mercado.

Estamos diante da maior mentira do século. Uma mentira contada por gente que está atrelada à fabricação da paz, que é na verdade a indústria da guerra e da morte. Uma mentira também contada por gente que está atrelada à fabricação do bem estar, que é na verdade a indústria do dinheiro e do falso bem estar.
Os estudantes que entram nas universidades em cursos que fornecem mão de obra para os grandes laboratórios do mundo todo devem falar a mesma língua. O jogo é duro. Uma única pequena conversa dissidente, questionando o sofrimento dos animais, e o estudante que a promoveu é visto como “não tendo vocação”. É fundamental que o estudante seja antes de tudo um vocacionado para a tortura, caso não, é tido não como uma pessoa sadia mentalmente, mas como um incompetente para as ciências. Os que negam isso são, dentro dos departamentos das universidades, os que mais zelam para que isso aconteça. O policiamento nesse ambiente é uma constante.

Não é necessária uma revolução mundial comandada por algum Che Guevara para parar isso de modo a redirecionar tal indústria de horrores. Basta que a cada dia possamos fazer protestos como os que foram feitos contra o Royal, e que apavorou toda a parte da mídia mais à direita (calando a esquerda, que não raro, na sua parte tradicional, é adepta de um iluminismo tacanho). Ali, no protesto contra o Instituto Royal, um nível de consciência pelos direitos dos animais reapareceu em novo patamar. São passos assim que criam níveis diferenciados e ampliados de consciência. É comum que pessoas de formação científica, inteligentes, diante dos protestos, voltem para as suas casas e comecem a pesquisar sobre o assunto, e então entrem para as fileiras dos que já não podem mais admitir o espalhamento da crueldade como algo banal.

Os protestos não clareiam as coisas somente de um lado, mas de todo tipo de lado. E o número de pessoas que acha que sairá ganhando com a indústria da morte e com a indústria do dinheiro-que-falseia-a-felicidade paulatinamente decresce - isso é uma tendência mundial. Nosso desenvolvimento moderno tem sido assim. Temos reformulado e melhorado nossas práticas de vida, em vários setores, dessa maneira.

Deixaremos de usar animais em teste do mesmo modo que temos procurado nos livrar de agrotóxicos e do mesmo modo que não suportamos ver uma pessoa pertencente a uma minoria ser humilhada. Faremos isso exatamente porque sabemos onde está a mentira, e vamos, em cada luta setorial, conquistar mais gente pelo coração, e integrá-los no trabalho da razão. Essas coisas vão andar mais rápido do que se imagina. E a ciência não vai perder com isso, ao contrário, vai sair ganhando.

Nietzsche dizia que a ciência não pode ser deixada sozinha, sem comando. É verdade! Temos de tirá-la do comando que hoje está nas mãos da Morte e do Dinheiro. Temos de colocá-la sob o nosso comando, os que não querem que para se criar um esmalte ou um tônico capilar fajuto para uma seborreia fajuta, um cão tenha que ter o fígado inchado durante 6 anos, mantido no cativeiro com dores intensas.


Paulo Ghiraldelli, 56, filósofo, escritor, cartunista e professor da UFRRJ

IG

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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A Revolução dos Beagles


TODA VIDA É SAGRADA



"O Instituto Royal judiou dos cães e subestimou os humanos. Deu no que deu: de ativistas de direitos dos animais até os black blocs passando por atrizes e donos de canis, o apoio foi imenso à “ação direta” dos que resgataram os beagles, lá em São Roque, pertinho aqui de São Paulo. De quebra, coelhos e outros bichos lá do Instituto também foram levados. A polícia brasileira, educada para se interessar primeiro na proteção da propriedade material e só depois na vida, também estava lá. Empurrou, machucou e criou confusão. Aí teve de se ver com os mascarados, que completaram o serviço de repúdio à crueldade. (...)

Estão completamente errados os que vieram com aquele papo de sempre. “Hipócritas, por que não salvam os ratos?” Não havia ratos lá. Ou então: “Aposto que nem vegetarianos são, esses militantes”. Ora, ninguém foi tirar os beagles de lá por causa de alguma ameaça de um chinês comedor de cachorro! Cada luta tem o seu tempo porque cada emoção, que é o combustível, tem sua cota. (...)

A revolução dos beagles, no final de semana que passou, teve muitos heróis. Integrou gente que pensava diferente. Deu oportunidade, inclusive, de conversarmos não só a respeito de direitos dos animais, mas também de como não podemos abrir mão de direitos humanos se queremos defender direitos dos animais. Proporcionou à classe média o experimento com a técnica da “ação direta”. Além disso, mobilizou jovens por uma causa nobre, que é a diminuição do sofrimento. E, principalmente, trouxe os beagles para uma vida melhor."



A revolução dos cachorros beagles - de São Roque para o Brasil


O que se faz nos laboratórios é alimento para a tecnologia, mas ciência, na verdade, se faz pouco, afirma o filósofo Paulo Ghiraldelli Jr.*


O Instituto Royal judiou dos cães e subestimou os humanos. Deu no que deu: de ativistas de direitos dos animais até os black blocs passando por atrizes e donos de canis, o apoio foi imenso à “ação direta” dos que resgataram os beagles, lá em São Roque, pertinho aqui de São Paulo. De quebra, coelhos e outros bichos lá do Instituto também foram levados. A polícia brasileira, educada para se interessar primeiro na proteção da propriedade material e só depois na vida, também estava lá. Empurrou, machucou e criou confusão. Aí teve de se ver com os mascarados, que completaram o serviço de repúdio à crueldade.


Black Bloc passa por viatura policial incendiada durante protesto em São Roque 

Alex Falcão/Futura Press

Uma classe média simpática aos bichos, mas também simpática à TV quando esta diz que os black blocs são vândalos, fez o mesmo que os professores cariocas: mudou de opinião em relação aos mascarados. Começou a tomá-los por parceiros, e não como “infiltrados”.


No entanto, na casa dos conservadores militantes, os de sempre, onde em geral até há algum cachorro, e bem tratado, a temperatura aumentou. Quem viu de perto conta que foi engraçado. Os donos dos cães vociferavam, enquanto que os cães, sorrateiramente, empurravam as crianças da casa para as redes sociais, para também participar da revolução. O que ocorreu lembrou um pouco a velha animação dos Estúdios Disney, sobre os dálmatas. Aliás, não podia ser diferente: mascarados lutando junto com loirinhas para salvar beagles! Quer imaginário melhor que este? Na “sociedade do espetáculo”, às vezes o espetáculo não é só o do dinheiro.

Estão completamente errados os que vieram com aquele papo de sempre. “Hipócritas, por que não salvam os ratos?” Não havia ratos lá. Ou então: “Aposto que nem vegetarianos são, esses militantes”. Ora, ninguém foi tirar os beagles de lá por causa de alguma ameaça de um chinês comedor de cachorro! Cada luta tem o seu tempo porque cada emoção, que é o combustível, tem sua cota.

Mas, alguns dos tais conservadores (sim, os de sempre, eu já disse) voltaram com os argumentos caducos: “Obscurantistas, querem parar a ciência”. Eis aí a confusão: tomam tecnologia por ciência. O que se faz nesses laboratórios é apenas alimento para reiteração de tecnologia. Agora, ciência, na verdade, se faz pouco.

A ciência avança pouco quando comandada pelo desejo de dinheiro que se quer ganhar no curto prazo, ela avança mais por meio de pressão popular, necessidades éticas e aleatoriedade. A ânsia por lucro no curto prazo tem a ver antes com a tecnologia que com a ciência. Os laboratórios testam ingredientes para produtos do mercado, que pouco têm a ver com benefício humano, mas, na maioria das vezes, com indução de consumo banal. Quando são pressionados positiva ou negativamente pela ética, materializada na vontade popular, aí sim entram na jogada os cientistas. Estes, diferentemente dos tecnólogos de laboratório, atuam na universidade e começam a fazer pesquisa de como desenvolver pesquisa. Pesquisam no campo da ciência para que a pesquisa no campo tecnológico responda à pressão popular e à ética (foi assim no caso das células-tronco, recentemente). Descobrem e inventam modos de fazer pesquisa menos agressiva, ao menos aos olhos da população. E também, no processo aleatório, criam subprodutos que, enfim, às vezes até se tornam grande fonte de lucro (o Viagra não nos deixa mentir). Por isso, os cientistas autênticos não reclamam da pressão ética e popular, eles a aproveitam para mudar, para fazer a ciência avançar.

Alguns industriais ficam bravos com esses cientistas, digamos assim, menos voltados para o campo produtivo imediato. Mas, depois percebem que o que deixaram de ganhar no curto prazo é mil vezes recompensado no prazo médio. Desse modo, eles vão às universidades buscar os resultados. Então, logo que conseguem reformular a tecnologia, adotam o novo e correm para cima dos políticos, de modo que estes transformem o novo em lei. Com isso, eliminam a concorrência dos que não acompanharam o novo. Nasce então uma lei do tipo: é proibido testes laboratoriais com beagles, que derruba os que não buscaram o novo. Claro! A essa altura, proibir seria desnecessário, pois já se tem uma prática melhor e mais lucrativa até, mas a proibição vem para derrubar de vez os que não puderam ou não quiseram investir no novo. Algumas empresas podem então posar de “Empresa amiga dos beagles”. Quer coisa melhor? Ser amiga do cachorrinho do Charlie Brown? Elas também podem, nesse mesmo momento, continuar matando labradores, mas os beagles ganharam proteção em forma da lei.

É assim que nosso mundo tem girado: leis trabalhistas funcionam no Ocidente, mas o Ocidente compra produtos da China, que são mais baratos porque lá não há lei trabalhista nenhuma, o que há é o trabalho praticamente escravo de crianças. Ora, se existe trabalho que degrada a criança na China, eu posso tentar, aqui, boicotar o produto chinês. Mas não vou nunca, se não sou um idiota, dizer: “vamos tirar os direitos trabalhistas daqui para que nossa indústria se torne mais competitiva e derrube a da China”. Há tonto que pensa assim. Mas há sindicato e consciência política para barrar esse tonto.

Do mesmo modo, não temos que lamentar só conseguir uma lei de proteção para beagles. Não temos que dizer: “ah, vamos revogar essa lei que protege beagles porque as empresas continuam colocando os laboratórios para judiar de labradores”. Nada disso. Fazemos diferente. Dizemos: “agora vamos começar a luta pelos labradores”. Do mesmo modo que dizemos: “agora vamos convencer os chineses a viverem em democracia, e aí eles terão de colocar direitos trabalhistas também lá, e então a competitividade internacional pode se restabelecer”. Esse pensamento é o correto. E ele se faz na articulação com as chances - como a chance dada pelo Royal.

A revolução dos beagles, no final de semana que passou, teve muitos heróis. Integrou gente que pensava diferente. Deu oportunidade, inclusive, de conversarmos não só a respeito de direitos dos animais, mas também de como não podemos abrir mão de direitos humanos se queremos defender direitos dos animais. Proporcionou à classe média o experimento com a técnica da “ação direta”. Além disso, mobilizou jovens por uma causa nobre, que é a diminuição do sofrimento. E, principalmente, trouxe os beagles para uma vida melhor.

Todos que participaram positivamente saíram do episódio melhor do que entraram. Agora, é enfrentar a raiva, e até a inveja, de quem não participou. Pois há o conservador empedernido, que é contra tudo que implique na expressão “ser feliz”. Mas há também aquele que até seria a favor, caso ele fosse o líder. Como não houve líder, ele fica mais bravo do que o próprio conservador.

* Paulo Ghiraldelli Jr., 56, filósofo, escritor, cartunista e professor da UFRRJ.


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