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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Celso Lungaretti desmascara Reinaldo Azevedo


"SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO MANIPULADO"



"O Reinaldo Azevedo está na carreira errada. Deveria partir para a literatura, criando enredos de ficção ligeiramente inspirados em acontecimentos reais. Tem talento para isso, mas o desperdiça como propagandista da extrema-direta, tentando fazer suas invencionices serem levadas a sério e quase sempre resvalando para o mais absoluto ridículo."



VEJA QUANTOS FUROS HÁ NAS INVENCIONES DO REINALDO AZEVEDO CONTRA A DILMA


Não adianta se desculpar, a pisada na bola foi feia.

O Reinaldo Azevedo está na carreira errada. Deveria partir para a literatura, criando enredos de ficção ligeiramente inspirados em acontecimentos reais. Tem talento para isso, mas o desperdiça como propagandista da extrema-direta, tentando fazer suas invencionices serem levadas a sério e quase sempre resvalando para o mais absoluto ridículo.

Escrevendo sobre a sabatina presidencial, ele cravou no título que houve "três momentos patéticos" (vide íntegra aqui). Eis o segundo deles, com meus comentários de testemunha ocular da História em maiúsculas vermelhas:


"Dilma, sob o codinome Estella, foi a mentora de um roubo milionário. Em julho de 1969, três carros com 11 guerrilheiros da VAR-Palmares estacionam em frente à casa no bairro carioca de Santa Teresa, onde morava um irmão de Ana Capriglioni, notória amante do ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros. Lá, executando uma operação minuciosamente planejada por 'Estella', que não tomou parte na ação, a VAR-Palmares roubou um cofre de chumbo pesando 300 kg, recheado com uma bolada de US$ 2,16 milhões.

DILMA NÃO FOI "MENTORA" NEM "MINUCIOSA PLANEJADORA", POIS TAL PAPEL COUBE AO JUAREZ GUIMARÃES DE BRITO, O MAIOR PLANEJADOR DE OPERAÇÕES DESTE TIPO DURANTE A LUTA ARMADA. ELE TINHA SIDO O CÉREBRO DO GRUPO TÁTICO DO COLINA E CONTINUOU SENDO-O DEPOIS QUE O COLINA SE FUNDIU À VPR, DANDO ORIGEM À VAR-PALMARES. 


Eis o real "mentor"

DILMA NÃO PARTICIPOU DA AÇÃO SIMPLESMENTE PORQUE SUAS FUNÇÕES NA ORGANIZAÇÃO ERAM POLÍTICAS, NADA TENDO A VER COM AS OPERAÇÕES ARMADAS (DAS QUAIS, POR QUESTÕES DE SEGURANÇA E ESPECIALIZAÇÃO, DESINCUMBIAM-SE OUTROS MILITANTES, SEMPRE OS MESMOS), AO CONTRÁRIO DO QUE CONSTA NA FICHA POLICIAL FAJUTA QUE A EXTREMA-DIREITA DISSEMINOU NA INTERNET PARA A CARACTERIZAR COMO "TERRORISTA/ASSALTANTE DE BANCOS". 

AS FANTASIAS MIRABOLANTES DO REINALDO AZEVEDO SÃO IDÊNTICAS ÀS DO TERNUMA: UTILITÁRIAS, E NÃO HISTÓRICAS.

"Pouco tempo depois, a VAR-Palmares se desintegra, por desentendimentos entre 'Estella' e Carlos Lamarca. A maior parte do grupo seguiu a agora presidente — na época, Cláudio, seu primeiro marido, partira para Cuba a bordo de um avião sequestrado, e Dilma já se enamorava de Carlos, o gaúcho da VAR-Palmares — com quem veio a se casar e com quem teve Paula, a única filha, hoje juíza do Trabalho em Porto Alegre — de quem se separou já depois da redemocratização.

A VAR-PALMARES RACHOU NO CONGRESSO DE TERESÓPOLIS (OUTUBRO DE 1969) COMO CONSEQUÊNCIA DO DESCONTENTAMENTO DOS CHAMADOS MILITARISTAS COM O QUE ACREDITAVAM SER UM DESVIO MASSISTA DOS MILITANTES ORIGINÁRIOS DO COLINA: NÃO ESTARIAM PRIORIZANDO DEVIDAMENTE A MONTAGEM DA COLUNA MÓVEL ESTRATÉGICA NEM AS AÇÕES DE PROPAGANDA ARMADA NAS CIDADES, POR ENTENDEREM SER NECESSÁRIA A MANUTENÇÃO DE ALGUNS ELOS COM OS MOVIMENTOS OPERÁRIO E ESTUDANTIL. 

OU SEJA, OS PRIMEIROS TINHAM EM MENTE UMA VANGUARDA QUE CUMPRIRIA ESTRITAMENTE AS AÇÕES ARMADAS DA RESISTÊNCIA, DEIXANDO AS OUTRAS TAREFAS PARA OUTROS GRUPOS, ENQUANTO OS SEGUNDOS QUERIAM UMA ORGANIZAÇÃO QUE MANTIVESSE ALGUM ENRAIZAMENTO NAS MASSAS. 


Falsificações pululam

A IDEIA DE DESFAZER A FUSÃO E RECRIAR A VPR PARTIU DE DOIS COMANDANTES ESTADUAIS DE SÃO PAULO, O JOSÉ RAIMUNDO DA COSTA E EU, TENDO COMO PLATAFORMA TEÓRICA UM DOCUMENTO-PROPOSTA DO LADISLAU DOWBOR INTITULADO "TESES DO JAMIL". 

NO CONGRESSO DE TERESÓPOLIS, OS VERDADEIROS PROTAGONISTAS DA RUPTURA FORAM O LAMARCA, PELO LADO DOS MILITARISTAS; E O CARLOS FRANKLIN PAIXÃO DE ARAÚJO E O ANTÔNIO ROBERTO ESPINOSA, PELOS MASSISTAS. OS TRÊS ERAM COMANDANTES NACIONAIS. O CASAL JUAREZ GUIMARÃES E MARIA DO CARMO BRITO, IGUALMENTE DE PRIMEIRO ESCALÃO, TENTAVA APAZIGUAR OS ÂNIMOS E MANTER A ORGANIZAÇÃO UNIDA. DILMA SECUNDAVA OS LÍDERES MASSISTAS E FOI NESTA CONDIÇÃO QUE CONTESTOU EM ALGUNS MOMENTOS O LAMARCA. 

NO FINAL, A VPR RECRIADA TEVE A ADESÃO DE ALGUNS QUADROS DE ORIGEM COLINA (COMO O CASAL BRITO) E NA VAR-PALMARES PERMANECERAM MILITANTES DE ORIGEM VPR (COMO O ESPINOSA). FOI ENTÃO QUE SE ABRIRAM VAGAS NO COMANDO NACIONAL DA VAR E A DILMA A ELE ASCENDEU.

"Parte do dinheiro — US$ 1 milhão — teria sido doada aos rebeldes argelinos. O resto teria sido usado para financiar a guerrilha. Seja como for, uma das guardiãs da grana era… Dilma! Virá daí a sua fixação por dinheiro em moeda sonante?."

PURO SAMBA DO CRIOULO DOIDO. TUDO LEVA A CRER QUE REINALDO AZEVEDO TENHA SE LEMBRADO VAGAMENTE DESTA ENTREVISTA DE MARIA DO CARMO BRITO, PUBLICADA EM O ESTADO DE S. PAULO.



TÃO OBCECADO ESTAVA EM ATACAR DILMA QUE TROCOU AS BOLAS, ATRIBUINDO-LHE O PAPEL QUE MARIA DO CARMO BRITO AFIRMA TER DESEMPENHADO (HÁ QUEM FAÇA RESTRIÇÕES À SUA VERSÃO), RELATIVO À PARTE DO DINHEIRO QUE FICOU COM A VPR, NÃO À PARTE DA VAR. O REINALDO AZEVEDO OUVIU O GALO CANTAR, MAS NÃO SABE ONDE...

FINALMENTE, O US$ 1 MILHÃO NÃO FOI DOADO AOS REBELDES ARGELINOS, MAS SIM COLOCADO SOB A GUARDA DELES, PARA DEVOLUÇÃO QUANDO FOSSE NECESSÁRIA.

Resumo da opereta: creio ter escancarado a tendenciosidade e absoluta falta de rigor histórico do Reinaldo Azevedo. Que continue acreditando nele quem quiser... ser manipulado!


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

"Tio Rei" e Tavinho: escrito nas estrelas...


FEITOS UM PARA O OUTRO




"Caso do acaso
Bem marcado
em cartas de tarô
Meu amor, esse amor
De cartas claras
sobre a mesa
É assim

                                                                                        

                                                                                        Signo do destino
                                                                                        Que surpresa
                                                                                        ele nos preparou
                                                                                        Meu amor, nosso amor
                                                                                        Estava escrito 

                                                                                        nas estrelas
                                                                                        Tava, sim."



                                                                                             (Tetê Espíndola)


Náufrago da Utopia

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domingo, 23 de dezembro de 2012

"Rola-Bosta" é eleita a palavra do ano


Empregado pelo teólogo, filósofo e ambientalista Leonardo Boff em artigo para defender Oscar Niemeyer, atacado pelo blogueiro da Veja Reinaldo Azevedo, o termo pegou e agora designa colunistas da mídia golpista como Merval Pereira, Augusto Nunes, Ricardo Noblat e outros tantos. 



Por que rola bosta é a palavra do ano no dicionário político brasileiro

PAULO NOGUEIRA 


O inseto alcançou notoriedade súbita em 2012 graças à defesa que Boff fez de Niemeyer

 
O subitamente popular inseto em ação


Não gosto de palavreado ofensivo em debate. Empobrece-o, na minha opinião.

Já escrevi no Diário minha baixa opinião sobre as expressões “petralha” e “PIG”. Remetem a discussões de arquibancadas, nas quais há excesso de calor e falta de lógica racional.

Dito isso, faço aqui o elogio de uma palavra que, no debate político que se trava no Brasil, simplesmente pegou, porque é leve, divertida e, não obstante, incisiva. É uma bofetada, e não um tiro. Daí o poder, daí o encanto.

É, para mim, a palavra do ano no Dicionário Político Brasileiro: rola-bosta.

Quem a trouxe foi Leonardo Boff para rebater um artigo de Reinaldo Azevedo que chamava Niemeyer de metade idiota por ser de esquerda.

Escreveu Boff:

A figura que me ocorre deste articulista (…) é a do escaravelho, popularmente chamado de rola-bosta. O escaravelho é um besouro que vive dos excrementos de animais herbívoros, fazendo rolinhos deles com os quais, em sua toca, se alimenta. Pois algo semelhante fez o blog de Azevedo na VEJA online: foi buscar excrementos de 60 e 70 anos atrás, deslocou-os de seu contexto (…) e lançou-os contra Oscar Niemeyer. Ele o faz com naturalidade e prazer, pois é o meio no qual vive e se realimenta continuamente.

Na internet, rola-bosta virou mania, para designar colunistas de direita.

Agora mesmo, se você vai ao twitter, vai vê-la aplicada a Ferreita Gullar e a Augusto Nunes. A Gullar porque defendeu a candidatura de Joaquim Barbosa à presidência. A Nunes porque arrolou – numa lista de caráter ético duvidoso, pois num regime como o que o Brasil teve por tantos anos a partir de 1964 poderia levar à perseguição – Luís Fernando Veríssimo como “apoiador de Lula” na categoria do jornalismo “esgotosférico”.

Não sou quem vai defender Veríssimo. Sua obra e sua biografia defendem-no melhor que ninguém.

Mas é curioso comparar “rola-bosta” e “esgotosférico”. Esgotosférico não vai pegar: é grosseiro, de mau gosto, vulgar. É falsamente engraçado, é falsamente espirituoso, é falsamente criativo.

Rola-bosta pegou porque é o oposto disso.

No futuro, é possível que jovens descendentes de jornalistas como Merval Pereira e Ricardo Noblat perguntem a seus pais: “Por que estão dizendo na escola que sou bisneto de rola-bosta?”


Paulo Nogueira é jornalista e está vivendo em Londres. Foi editor assistente da Veja, editor da Veja São Paulo, diretor de redação da Exame, diretor superintendente de uma unidade de negócios da Editora Abril e diretor editorial da Editora Globo.


Destaques do ABC!

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domingo, 9 de dezembro de 2012

"Tio Rei": o "besouro 'rola-bosta' da Veja"


O filósofo e teólogo Leonardo Boff desanca o "Blogueiro da Veja", Reinaldo Azevedo, e lava a alma de todos nós, ofendidos e injuriados pelo pérfido, infame ataque do mequetrefe ao genial Oscar Niemeyer.

O "tiozinho" poderia ter passado sem essa...



sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Eleições 2012: afinal, quem é o "moleque"?


15 pontos na frente de José Serra, como indicam as mais recentes pesquisas para o segundo turno daqui a 2 dias, em São Paulo, Fernando Haddad criaria uma maracutaia dessas? A troco do quê? Só se fosse burro... E sabemos que o ex-ministro da Educação é um homem preparadíssimo, um intelectual, um professor doutorado... Enquanto o "outro lado", sim, encontra-se desesperado. E como vimos na sórdida campanha eleitoral para a Presidência da República, José Serra não tem escrúpulos. É capaz de todo o tipo de baixaria para conseguir o que quer.

Com o apoio, claro, da mídia golpista e seus "pit bulls"...





REINALDO DIZ QUE MERCADANTE É UM “MOLEQUE”


E insinua que o próprio PT pode ter plantado o boato de cancelamento do Enem, que ocorre uma semana após as eleições, para colocar a Polícia Federal na jogada, acusar José Serra de baixaria e faturar eleitoralmente. 
Uma dúvida: com 20 pontos de vantagem, Fernando Haddad precisaria disso?

247 – Reinaldo Azevedo perdeu de vez as estribeiras. Num post publicado nesta manhã, ele chama o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, de “moleque”. Literalmente. Tudo porque Mercadante pediu apoio da Polícia Federal para investigar a origem da mentira que se viralizou na internet sobre o cancelamento do Enem – uma informação falsa, que prejudicaria milhões de estudantes. Reinaldo insinua ainda que a mentira pode ter sido plantada pelo PT, para depois se beneficiar eleitoralmente. Quem tem vinte pontos de vantagem (60% a 40% no Datafolha) precisa disso?

Abaixo o post de Reinaldo:

Que tal este título: “Campanha de Haddad espalha o boato de que Enem vai ser adiado só para gerar tumulto e poder acusar a campanha de Serra”?


Isso que vai no título aconteceu, leitor? Vamos ver.

Quando a própria presidente da República sobe num palanque, como fez em Salvador, e, na prática, ameaça os eleitores, acaba dando sinal verde para que seus ministros se comportem como chicaneiros. É o que fez hoje, e não estou surpreso, o titular da Educação, Aloizio Mercadante. Por quê?

Ontem, circulou um boato na rede segundo o qual o Enem, que acontece nos dias 3 e 4 de novembro, seria adiado. Era tudo conversa mole, típica dessas coisas que circulam nas redes sociais, sempre abertas a molecagens. Quem não pode se comportar como moleque é ministro de estado.

E Mercadante, infelizmente, é um deles. Lula nunca teve esta irresponsabilidade ao menos: jamais levou o rapaz para o primeiro escalão. Dada a boataria, o que fez Mercadante? Acusou a campanha do candidato do PSDB à Prefeitura, José Serra, de ser a fonte: “O que resta a eles hoje é a sabotagem”. Que evidência ele tem? Nenhuma! Que apuração ele fez? Nenhuma! O título deste post, pois, é um exercício de texto que simula o método Mercadante de apuração: eu apenas mudei o agente — e tenho tantas provas quantas ele tem.

Ora, se existe alguém querendo lucrar com o saldo do boato, por que o larápio seria Serra e não Haddad? Vamos pensar? Digamos que isso pudesse passar pela cabeça de um tucano… O dia ideal para lançar o ruído seria o próprio domingo, certo? Por que um troço como esse na quinta, havendo ainda sexta, sábado e o próprio domingo para desfazer a mentira?

É questão de lógica elementar. Se o boato teve origem política (notem bem: SE…), isso só interessa a quem lucra com o desmentido. E quem está tentando lucrar com o desmentido? A frase de Mercadante fala por si: é o PT! Estou sustentando que foram os petistas? Estou sustentando que o episódio interessa mais a Haddad do que a Serra. A estratégia não seria estranha ao PT: vivem acusando os adversários de jogo sujo para justificar o seu… jogo sujo!

Quanto a Mercadante, dizer o quê? Ele ao menos conhece de perto a sabotagem. Em 2006, disputou o governo de São Paulo com Serra, que o venceu no primeiro turno. Um assessor do agora ministro transportou uma mala com R$ 1,7 milhão em dinheiro vivo — petistas, como sabem os mensaleiros, gostam de notas — para pagar o dossiê dos aloprados.

Vejam que coisa curiosa! Também naquele caso, o que se queria era incriminar Serra. E o braço direito de Mercadante atuava nada menos com caixa da operação criminosa.

Vejam lá a imagem. Tudo parece não ter passado mesmo de uma dessas correntes meio bobocadas próprias das redes sociais. Está lá no alto uma espécie de confissão. Isso só evidencia o tamanho da irresponsabilidade de Aloizio Mercadante, um ministro de estado!!!


Brasil 247

Destaques do ABC!

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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Fogueira de Vaidades no Supremo: Prolixidade não é profundidade

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Ministros do Supremo têm de ser capazes de dizer “sim” ou “não” diante de um Chicabon!!! Ou: Prolixidade não é profundidade

Quem acompanhou o julgamento ontem sabe quanto tempo se perdeu no caso das tais “preliminares” — no geral, esse substantivo, para nós, traz evocações mais doces e excitantes. Vá lá. Muitas das questões eram puro despropósito. Se acatadas, seria o caso de perguntar o que faziam todos ali. Mas é uma fase necessária do processo. Como se viu (ler posts abaixo), ficou evidenciado que o direito de defesa de um dos réus, Carlos Alberto Quaglia, havia, de fato, sido cerceado. Estava, pois, em curso um erro processual, o que deveria ter sido percebido pelo relator, Joaquim Barbosa, e apontado pelo revisor, Ricardo Lewandowski. Afinal, se este foi capaz de redigir 70 páginas para decidir uma simples questão de ordem, certamente dispôs de tempo para averiguar os aspectos técnicos do processo, a sua função principal como revisor. Como se viu, ele não propôs revisão nenhuma. Deixou tudo para o seu voto — que já anunciou, para nosso espanto, ser um ponto de vista alternativo ao do relator.

A questão que mais tomou tempo dos ministros foi a preliminar proposta por três advogados de defesa — Antonio Sérgio de Moraes Pitombo, Leonardo Magalhães Avelar e Conrado Almeida — que pediram a suspeição de Joaquim Barbosa, acusando-o de parcialidade. A tese, obviamente, foi rejeitada por unanimidade. Mas aí o ministro exorbitou e cobrou que o tribunal apresentasse uma representação contra os profissionais junto a Ordem dos Advogados do Brasil. E expôs os seus motivos: “Afirmam que eu teria agido de forma parcial no processo, proferindo decisões de forma midiática. Ultrapassam o limite da deselegância e da falta de lealdade que se exige de todos os atores do processo, se aproximando da pura ofensa pessoal”.

Barbosa sugeriu que, no documento original, havia outras ofensas. Bem, é claro que não era mesmo o caso de encaminhar um pedido de punição, ainda que certas posturas tenham sido, com efeito, notavelmente arrogantes — ontem, por exemplo, mesmo sem a autorização de Ayres Britto, Pitombo tomou a palavra… Muito bem! Assim como os ministros rejeitaram a suspeição, rejeitaram também o pedido do ministro — e por bons motivos nesse particular.

Certo! Indago: Celso de Mello precisava mesmo se estender por quase meia hora para votar um pedido de suspeição feito pelos advogados e as providências cobradas por Joaquim Barbosa??? Essa tradição palavrosa dos tribunais brasileiros não deriva do exercício do talento, não deriva do cuidado dedicado ao direito, não deriva do apreço diligente pelas leis… É uma herança de um beletrismo que obscurece o pensamento. Dia desses, no tribunal, um dos advogados citou: “A clareza é a cortesia do filósofo”, atribuindo a frase a um tal Ortega… Não deve ser Daniel Ortega, o das orelhas grandes. Certamente se referia ao filósofo espanhol Ortega Y Gasset (1883-1955), que a pronunciou citando Goethe (1749-1832), que, por sua vez, citava Vauvenargues (1715-1747), para quem “a clareza é a boa-fé dos filósofos”.

Era no que eu pensava enquanto era carregado pelos fumos da retórica de Celso de Mello, ali a exaltar, com evocações quase condoreiras, a importância dos advogados para o estado de direito e por que suas prerrogativas não poderiam ser feridas — como ele parecia entender ser a pretensão de Barbosa. Estávamos diante de uma escalada de reações desproporcionais: Barbosa reagia com exagero ao que, no fundo, lamento, é uma contestação legal (ainda que arrogante nos termos); Mello reagia com exagero ao exagero do colega, como se, numa simples preliminar, fosse preciso revisar todos os fundamentos da democracia, do estado de direito, do princípio da defesa, da liberdade de expressão… Por isso escrevi ontem um texto afirmando que ele tem de ler Horácio. Assim como o poeta não precisa contar a origem das musas e o surgimento do mundo para dizer “eu te amo”, o ministro não precisa percorrer a Suma Teológica para dizer se acredita ou não em Deus.

A impressão que se tem, muitas vezes, é que muitos de nossos ministros, se indagados, na praia, se querem ou não um Chicabon, responderiam de pronto:
— Veja bem… Um Chicabon!!! Mas o que é um Chicabon? É preciso que reflitamos se estamos falando do Chicabon como objeto que se esgota em si mesmo ou se devemos considerá-lo como a manifestação presente de um continuum, de um Chicabon que existe além de si, que é, antes de mais nada, um conceito. Sendo o Chicabon em si uma manifestação temporal — com história determinada — de um Chicabon que existe num outro plano, havemos de considerar que não se trata de uma resposta simples. Na verdade, excelências [referindo-se à mulher e aos netos na praia], escolher o Chicabon que há, que se oferece à nossa experiência, corresponde a renunciar à procura de um Chicabon que é perfeito no mundo das ideias…
— Tá bom, vô! Então toma tipo um de coco!

Nossa corte não é a única do mundo. Sólidas democracias se construíram por aí. Mesmo que seja para salvar a América, dificilmente um juiz fala mais de uma hora nos EUA. Imaginem, então, falar 3, 4, 5 dias… Reclama-se, e com razão — nem entrarei agora no mérito —, que é excessivo o número e a variedade de processos que chegam ao Supremo, o que é fruto da nossa Constituição, que dá pitaco em tudo. Com alguma licença, por aqui, qualquer coisa vira “matéria constitucional”. Por isso mesmo, nas questões que não são de mérito, nos aspectos periféricos de um processo, é preciso, santo Deus!, aprender a dizer “sim” ou “não” — até porque raramente vi um ministro mudar de ideia só porque o outro decidiu se encantar com o som da própria voz.

Se o fizerem, estarão operando a serviço de quem? Dos brasileiros. Ademais, aí está a Internet. Votos podem ser sintetizados, e sua íntegra posta à disposição dos brasileiros enquanto mesmo estão sendo pronunciados. Mas não… Ontem, depois do programa que fizemos na VEJA.com, tomava um café com o professor Marco Antônio Villa. Conversamos sobre a conveniência, sim, de as sessões do Supremo serem televisionadas. Isso tem servido para que a gente analise posturas, falas, comportamentos etc. Trata-se de um verdadeiro coquetel antropológico. Do gestual aos esgares, há muito do que somos, como país, concentrado ali. Como já escrevi, o notório Kakay é o mais perfeito emblema de Brasília como capital política e administrativa.

Mas também há um lado negativo: exacerbam-se vocações exibicionistas e histriônicas, em prejuízo, aí sim, do processo. Porque usar o tempo de forma racional, dedicando-o ao que, de fato, é relevante, também constitui um cuidado com o devido processo legal, senhores ministros! Noto que, ontem, Ayres Britto ainda tentou abreviar a fala de Celso de Mello — ou haveria o risco de questões preliminares sobrarem para esta quinta. Ele rejeitou de pronto a iniciativa do outro, dizendo não estar preocupado com o tempo. Mas, na terça, ele estava — tanto que rejeitou a continuidade da sessão, no tempo regulamentar, alegando excesso de trabalhos outros, não ligados ao mensalão.

Sim, senhores! Quero que os ministros votem com todo o cuidado. Mas convém não confundir prolixidade com profundidade, excesso de citações com evidências inquestionáveis, retórica caudalosa com cultura. Nos EUA, eles deixam para Deus a tarefa de salvar a América. Por aqui, há quem se pergunte intimamente: “Deus? Quem é esse?”.



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