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domingo, 10 de novembro de 2013

Revolução dos Beagles: Celebremos a Vida!



Ele amava os animais, as flores... toda a natureza.

E os desvalidos, os mais frágeis.

Chamavam-no de "louco".

Hoje é chamado de Santo.



Toda Vida é Sagrada.

Celebremos a Vida!


Irmão Sol, Irmã Lua







quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Instituto Royal fecha suas portas. Ativistas comemoram, Beagles agradecem !!!


TODA VIDA É SAGRADA.






NOTA DO INSTITUTO ROYAL




Em assembleia geral extraordinária realizada entre seus associados, o Instituto Royal, por meio de seu Conselho Diretor, vem a público informar a decisão de interromper definitivamente as atividades de pesquisa em animais, realizadas em seu laboratório de São Roque.

Tendo em vista as elevadas e irreparáveis perdas e os danos sofridos em decorrência da invasão realizada no último dia 18 - com a perda de quase todo o plantel de animais e de aproximadamente uma década de pesquisas -, bem como a persistente instabilidade e a crise de segurança que colocam em risco permanente a integridade física e moral de seus colaboradores, os associados concluíram que está irremediavelmente comprometida a atuação do Instituto Royal para dar continuidade à realização de pesquisa científica e testes mediante utilização de animais.

Por este motivo, o Instituto decidiu encerrar suas atividades na unidade de São Roque.

A interrupção acarretará o desligamento de funcionários, todos já comunicados da decisão. Mantém-se, por ora, o Comitê de Ética formado por colaboradores do laboratório, que conta com veterinários, biólogos e membros da Sociedade Protetora dos Animais, conforme a legislação vigente. A decisão, por ora, não afetará a unidade Genotox, de Porto Alegre, onde não se faz experimentação animal.

Com o intuito de preservar a integridade dos animais remanescentes que ainda estão sob seus cuidados, o Instituto Royal tomará as providências necessárias junto aos órgãos regulatórios competentes, para assegurar que continuem sendo dados a eles tratamento e destinação adequados.

Desde 2005, o Instituto Royal realiza testes pré-clínicos com vistas ao desenvolvimento de medicamentos para o tratamento de doenças como câncer, diabetes, hipertensão, epilepsia, entre outros. Com essa decisão, interrompe-se o trabalho do único Instituto laboratorial do Brasil capacitado e regulamentado para exercer este tipo de pesquisa. A partir de agora, qualquer empresa interessada na realização de testes para registro de medicamento será obrigada a realizar suas pesquisas fora do País, até que outro laboratório seja credenciado pelo CONCEA (Conselho Nacional de Controle e Experimentação Animal) para essa atividade.

Todos os testes desenvolvidos no Instituto Royal atendiam aos princípios de boas práticas de laboratório (BLP) e também às normas para cuidados dos animais do CONCEA, estando também regulamentadas por protocolos internacionais, tais como o da European Medicines Agency e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

O Instituto Royal acredita que as ações violentas ocorridas no dia 18 de outubro são resultado de dois fatores complementares: as inverdades disseminadas de forma irresponsável - e por vezes oportunista - associadas à falta de informação pré-existente. As consequências dos atos advindos dessa equação resultaram não somente em prejuízo para a instituição, que fecha suas portas, mas também e mais gravemente para a sociedade brasileira, que assiste à inutilização de importantes pesquisas em benefício da vida humana.

É inquestionável o direito de todo cidadão ou instituição expressar suas opiniões e propor à sociedade brasileira o debate sobre temas de interesse público. Não se pode anuir, contudo, com as atitudes de violência que cercaram os episódios envolvendo o Instituto Royal. Uma sociedade organizada e civilizada não pode aceitar que a pesquisa científica seja constrangida por grupos de opinião que preferem o uso da força e da violência em detrimento das vias institucionais e democráticas para travar debates.

O ambiente de insegurança gerou – e continuará gerando - prejuízos para a ciência brasileira, na medida em que não assegura aos cientistas um ambiente institucional adequado para o desenvolvimento de pesquisas cujo objetivo, em última análise, é o de salvar vidas. A consequência deste cenário de hostilidade é o desestímulo à fixação e permanência das melhores mentes científicas em nosso País.

O prejuízo causado ao Instituto Royal não é mensurável. Mas é certo que o Brasil inteiro perde muito com este episódio, lamentavelmente.



Instituto Royal




segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A Revolução dos Beagles


TODA VIDA É SAGRADA



"O Instituto Royal judiou dos cães e subestimou os humanos. Deu no que deu: de ativistas de direitos dos animais até os black blocs passando por atrizes e donos de canis, o apoio foi imenso à “ação direta” dos que resgataram os beagles, lá em São Roque, pertinho aqui de São Paulo. De quebra, coelhos e outros bichos lá do Instituto também foram levados. A polícia brasileira, educada para se interessar primeiro na proteção da propriedade material e só depois na vida, também estava lá. Empurrou, machucou e criou confusão. Aí teve de se ver com os mascarados, que completaram o serviço de repúdio à crueldade. (...)

Estão completamente errados os que vieram com aquele papo de sempre. “Hipócritas, por que não salvam os ratos?” Não havia ratos lá. Ou então: “Aposto que nem vegetarianos são, esses militantes”. Ora, ninguém foi tirar os beagles de lá por causa de alguma ameaça de um chinês comedor de cachorro! Cada luta tem o seu tempo porque cada emoção, que é o combustível, tem sua cota. (...)

A revolução dos beagles, no final de semana que passou, teve muitos heróis. Integrou gente que pensava diferente. Deu oportunidade, inclusive, de conversarmos não só a respeito de direitos dos animais, mas também de como não podemos abrir mão de direitos humanos se queremos defender direitos dos animais. Proporcionou à classe média o experimento com a técnica da “ação direta”. Além disso, mobilizou jovens por uma causa nobre, que é a diminuição do sofrimento. E, principalmente, trouxe os beagles para uma vida melhor."



A revolução dos cachorros beagles - de São Roque para o Brasil


O que se faz nos laboratórios é alimento para a tecnologia, mas ciência, na verdade, se faz pouco, afirma o filósofo Paulo Ghiraldelli Jr.*


O Instituto Royal judiou dos cães e subestimou os humanos. Deu no que deu: de ativistas de direitos dos animais até os black blocs passando por atrizes e donos de canis, o apoio foi imenso à “ação direta” dos que resgataram os beagles, lá em São Roque, pertinho aqui de São Paulo. De quebra, coelhos e outros bichos lá do Instituto também foram levados. A polícia brasileira, educada para se interessar primeiro na proteção da propriedade material e só depois na vida, também estava lá. Empurrou, machucou e criou confusão. Aí teve de se ver com os mascarados, que completaram o serviço de repúdio à crueldade.


Black Bloc passa por viatura policial incendiada durante protesto em São Roque 

Alex Falcão/Futura Press

Uma classe média simpática aos bichos, mas também simpática à TV quando esta diz que os black blocs são vândalos, fez o mesmo que os professores cariocas: mudou de opinião em relação aos mascarados. Começou a tomá-los por parceiros, e não como “infiltrados”.


No entanto, na casa dos conservadores militantes, os de sempre, onde em geral até há algum cachorro, e bem tratado, a temperatura aumentou. Quem viu de perto conta que foi engraçado. Os donos dos cães vociferavam, enquanto que os cães, sorrateiramente, empurravam as crianças da casa para as redes sociais, para também participar da revolução. O que ocorreu lembrou um pouco a velha animação dos Estúdios Disney, sobre os dálmatas. Aliás, não podia ser diferente: mascarados lutando junto com loirinhas para salvar beagles! Quer imaginário melhor que este? Na “sociedade do espetáculo”, às vezes o espetáculo não é só o do dinheiro.

Estão completamente errados os que vieram com aquele papo de sempre. “Hipócritas, por que não salvam os ratos?” Não havia ratos lá. Ou então: “Aposto que nem vegetarianos são, esses militantes”. Ora, ninguém foi tirar os beagles de lá por causa de alguma ameaça de um chinês comedor de cachorro! Cada luta tem o seu tempo porque cada emoção, que é o combustível, tem sua cota.

Mas, alguns dos tais conservadores (sim, os de sempre, eu já disse) voltaram com os argumentos caducos: “Obscurantistas, querem parar a ciência”. Eis aí a confusão: tomam tecnologia por ciência. O que se faz nesses laboratórios é apenas alimento para reiteração de tecnologia. Agora, ciência, na verdade, se faz pouco.

A ciência avança pouco quando comandada pelo desejo de dinheiro que se quer ganhar no curto prazo, ela avança mais por meio de pressão popular, necessidades éticas e aleatoriedade. A ânsia por lucro no curto prazo tem a ver antes com a tecnologia que com a ciência. Os laboratórios testam ingredientes para produtos do mercado, que pouco têm a ver com benefício humano, mas, na maioria das vezes, com indução de consumo banal. Quando são pressionados positiva ou negativamente pela ética, materializada na vontade popular, aí sim entram na jogada os cientistas. Estes, diferentemente dos tecnólogos de laboratório, atuam na universidade e começam a fazer pesquisa de como desenvolver pesquisa. Pesquisam no campo da ciência para que a pesquisa no campo tecnológico responda à pressão popular e à ética (foi assim no caso das células-tronco, recentemente). Descobrem e inventam modos de fazer pesquisa menos agressiva, ao menos aos olhos da população. E também, no processo aleatório, criam subprodutos que, enfim, às vezes até se tornam grande fonte de lucro (o Viagra não nos deixa mentir). Por isso, os cientistas autênticos não reclamam da pressão ética e popular, eles a aproveitam para mudar, para fazer a ciência avançar.

Alguns industriais ficam bravos com esses cientistas, digamos assim, menos voltados para o campo produtivo imediato. Mas, depois percebem que o que deixaram de ganhar no curto prazo é mil vezes recompensado no prazo médio. Desse modo, eles vão às universidades buscar os resultados. Então, logo que conseguem reformular a tecnologia, adotam o novo e correm para cima dos políticos, de modo que estes transformem o novo em lei. Com isso, eliminam a concorrência dos que não acompanharam o novo. Nasce então uma lei do tipo: é proibido testes laboratoriais com beagles, que derruba os que não buscaram o novo. Claro! A essa altura, proibir seria desnecessário, pois já se tem uma prática melhor e mais lucrativa até, mas a proibição vem para derrubar de vez os que não puderam ou não quiseram investir no novo. Algumas empresas podem então posar de “Empresa amiga dos beagles”. Quer coisa melhor? Ser amiga do cachorrinho do Charlie Brown? Elas também podem, nesse mesmo momento, continuar matando labradores, mas os beagles ganharam proteção em forma da lei.

É assim que nosso mundo tem girado: leis trabalhistas funcionam no Ocidente, mas o Ocidente compra produtos da China, que são mais baratos porque lá não há lei trabalhista nenhuma, o que há é o trabalho praticamente escravo de crianças. Ora, se existe trabalho que degrada a criança na China, eu posso tentar, aqui, boicotar o produto chinês. Mas não vou nunca, se não sou um idiota, dizer: “vamos tirar os direitos trabalhistas daqui para que nossa indústria se torne mais competitiva e derrube a da China”. Há tonto que pensa assim. Mas há sindicato e consciência política para barrar esse tonto.

Do mesmo modo, não temos que lamentar só conseguir uma lei de proteção para beagles. Não temos que dizer: “ah, vamos revogar essa lei que protege beagles porque as empresas continuam colocando os laboratórios para judiar de labradores”. Nada disso. Fazemos diferente. Dizemos: “agora vamos começar a luta pelos labradores”. Do mesmo modo que dizemos: “agora vamos convencer os chineses a viverem em democracia, e aí eles terão de colocar direitos trabalhistas também lá, e então a competitividade internacional pode se restabelecer”. Esse pensamento é o correto. E ele se faz na articulação com as chances - como a chance dada pelo Royal.

A revolução dos beagles, no final de semana que passou, teve muitos heróis. Integrou gente que pensava diferente. Deu oportunidade, inclusive, de conversarmos não só a respeito de direitos dos animais, mas também de como não podemos abrir mão de direitos humanos se queremos defender direitos dos animais. Proporcionou à classe média o experimento com a técnica da “ação direta”. Além disso, mobilizou jovens por uma causa nobre, que é a diminuição do sofrimento. E, principalmente, trouxe os beagles para uma vida melhor.

Todos que participaram positivamente saíram do episódio melhor do que entraram. Agora, é enfrentar a raiva, e até a inveja, de quem não participou. Pois há o conservador empedernido, que é contra tudo que implique na expressão “ser feliz”. Mas há também aquele que até seria a favor, caso ele fosse o líder. Como não houve líder, ele fica mais bravo do que o próprio conservador.

* Paulo Ghiraldelli Jr., 56, filósofo, escritor, cartunista e professor da UFRRJ.


Destaques do ABC!

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sábado, 19 de outubro de 2013

Resgate dos Beagles: Rebeldes com Causa!


Toda Vida é Sagrada.




Vamos lutar para acabar de uma vez com testes de laboratório utilizando animais.

É urgente acabar com a barbárie do Instituto Royal e empresas afins.

Chega de violência contra seres indefesos !

Basta de atrocidades contra os animais !!!

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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

SP: Ativistas resgatam cães maltratados


ALMA ATIVISTA



Toda Vida é Sagrada.

Ninguém tem o direito de assassinar, abandonar, maltratar, ferir, provocar dores e sofrimento em seres inocentes e indefesos. 

NINGUÉM.

Uma sociedade verdadeiramente avançada protege os animais.

É preciso acabar com esta barbárie.

Denuncie perversos e pervertidos que abandonam, maltratam e assassinam animais!

Boicote produtos que utilizem animais em testes!

Maus-tratos a animais é CRIME.

Código Penal nos criminosos!





Assine a petição contra o uso de animais pelo Instituto Royal clicando aqui.


Após denúncia de maus-tratos, ativistas levam animais de empresa

Manifestantes invadiram laboratório de São Roque. Empresa diz que realiza testes dentro de normas e exigências da Anvisa.


Ativistas levaram cachorros de laboratório 
(Foto: Edison Temoteo/ Futura Press/ Estadão Conteúdo)

Dezenas de ativistas invadiram, na madrugada desta sexta-feira (18), o laboratório do Instituto Royal, em São Roque, a 59 km de São Paulo, e levaram vários animais do complexo, informaram a Guarda Municipal da cidade e a Polícia Militar (PM) da região. A manifestação foi motivada por suspeitas de maus-tratos aos bichos no local.



Os manifestantes acusam o laboratório de maltratar animais como cães da raça beagle, ratos e coelhos usados em testes laboratoriais de produtos cosméticos e farmacêuticos. Os ativistas afirmaram nas redes sociais que a empresa pretendia sacrificar os animais.

Ao Bom Dia São Paulo, o Instituto Royal afirmou que realiza todos os testes com animais dentro das normas e exigências da Anvisa e que a retirada dos animais do prédio prejudica o trabalho que vinha sendo realizado. Segundo o laboratório, que classificou a invasão como ato de terrorismo, a ação dos ativistas vai contra o incentivo a pesquisas no país.

Manifestantes disseram que o laboratório tinha mais de 200 animais no local.

A Guarda Municipal da cidade informou que o protesto reuniu 120 pessoas, e que a maior parte invadiu o complexo após quebrar um portão por volta de 2 h. A corporação confirmou que muitos ativistas levaram em seus carros animais do laboratório.

Cães dentro do laboratório de São Roque que foi invadido na madrugada 
(Foto: Reprodução/TV Tem)

A PM de Sorocaba, que atende a região, informou que 50 pessoas entraram no imóvel, depredaram áreas do complexo e levaram vários animais em carros particulares.

Até por volta das 4 h, não havia registro de confronto entre policiais e manifestantes. A PM, no entanto, pretendia levar para a delegacia local representantes do movimento, que poderiam, segundo a polícia, serem enquadrados por invasão, depredação e roubo de animais. Mas até esse horário ninguém havia sido detido.

O protesto começou por volta das 20 h, e ganhou maior adesão no fim da noite. Os ativistas passaram boa parte da madrugada no local.

Segundo relatos de manifestantes, foi possível ouvir latidos supostamente de dor de cães.

No fim da noite de quinta-feira (17), a Polícia Civil de São Roque informou que registrou um boletim de ocorrência sobre a denúncia de maus-tratos.

Segundo manifestantes, havia mais de 200 animais no local 
(Foto: Reprodução/TV Tem)

Os manifestantes cercaram o complexo e tentaram vistoriar veículos do laboratório. Houve um princípio de confusão porque um dos motoristas da empresa se negou a abrir o carro.

A Guarda Municipal enviou quatro equipes ao local, duas para cada portão da empresa. A PM informou que deslocou 6 equipes por volta das 3h30.

O protesto acontece desde sábado (12), mas ganhou adesões nesta quinta por causa de boatos de que a empresa estava preparando a retirada e o sacrifício dos animais, depois que três vans e um caminhão de pequeno porte entrarem no laboratório durante a tarde.


Uma reunião estava marcada para o fim da tarde desta quinta-feira, com a presença de ativistas dos direitos dos animais, funcionários da prefeitura e representantes do laboratório. O encontro foi cancelado porque a empresa informou que, por segurança, não mandaria um representante.


G1

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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Não ande nos dromedários de Genipabu (RN)


CIDADES

Esta blogueira-ativista que vos escreve morou no Nordeste alguns anos, no início da década de 90, e teve oportunidade de conhecer bastante bem a cidade de Natal e a região belíssima do litoral norte potiguar, em especial as praias de Genipabu e Pitangui.

As belezas naturais do Rio Grande do Norte, seu mar estupendamente maravilhoso, o povo, a culinária, a cultura... tudo isso é mais que o bastante para sustentar o turismo e os empresários que dele vivem.

Não há qualquer necessidade de se explorar animais, como os dromedários importados e usados na praia de Genipabu para transporte e diversão de turistas.

Participe desta campanha, assine a petição no site da Avaaz, se manifeste de alguma forma à prefeitura de Extremoz, ao governo do Rio Grande do Norte, ao Ministério Público e demais autoridades.

Toda Vida é Sagrada.

Indo a Genipabu, não ande nos dromedários!




Irritado com uso de dromedários no turismo, jovem angaria 31 mil apoios na internet

Morador de São Paulo ficou indignado com a prática da praia de Genipabu, no Rio Grande do Norte, e quer audiência com secretário de Turismo para discutir o caso

Rodrigo Gomes, Rede Brasil Atual


Irritado com uso de dromedários no turismo, jovem angaria 31 mil apoios na internet
A empresa afirma que os animais são bem tratados e o governo estadual diz que se trata de uma boa atração turística (Foto: Carla Salgueiro. Flickr)
São Paulo – Indignado com o uso de dromedários para passeios turísticos nas dunas de Genipabu, no município de Extremoz, no Rio Grande do Norte, o jovem vegetariano Fábio Chaves, de 30 anos, morador de São Paulo, criou uma petição on-line no site Avaaz.org, em 8 de dezembro do ano passado, exigindo o fim do que considera exploração animal. O objetivo dele era conseguir 10 mil assinaturas e levar a reivindicação ao conhecimento do governo do estado nordestino. No entanto, a causa foi bastante apoiada e já conta com quase 31 mil adesões.

Segundo o autor da petição, o objetivo da ação é acabar com a exploração de animais para o lazer e o lucro. O jovem teve conhecimento dos dromedários nas dunas durante uma viagem feita ao Nordeste. “Tem tantas coisas belas nesse local, não tem necessidade de usar os animais. Não é uma petição por maus-tratos, até porque eu não presenciei nada assim, é pela liberdade dos animais. É possível ter outras formas de passeio, como o bugue, que eu pretendo propor ao poder público do Rio Grande do Norte”, explica Chaves. O jovem espera poder discutir o caso tanto com o poder público como com a Dromedunas, responsável pelo passeio.

A empresa iniciou as atividades com os animais em 2000, ao importar nove deles das Ilhas Canárias, com custo de R$ 150 mil. Os animais trabalham das sete da manhã até o pôr-do-sol e o passeio com duração de 15 minutos custa R$ 40. Cleide Batista, uma das proprietárias da empresa, não atendeu aos pedidos de conversa. A secretária dela, Cleonice Tavares, disse que os animais são bem tratados e que têm assistência veterinária 24 horas por dia. Além disso, afirmou que não sofrem qualquer tipo de maus-tratos e que são acostumados à vida com sol forte e areia.

A Secretaria de Turismo do Rio Grande do Norte informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a empresa tem todas as licenças ambientais para operar o serviço. Chaves afirmou ter sido contatado pelo secretário de Turismo do estado, Renato Fernandes, que marcaria uma reunião para discutir o caso. A assessoria informou que Fernandes está afastado por problemas de saúde e que não tinha conhecimento deste contato, além de ressaltar que os dromedários são uma boa atração turística para o estado, não sendo papel da secretaria intervir.
A petição continua aberta no site Avaaz.org e o jovem afirma que vai levar o documento impresso para a governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini (DEM), além de entregá-lo ao secretário de Estado do Meio Ambiente, Antônio Gilberto de Oliveira Jales, ao Prefeito de Natal, Paulo Eduardo da Costa Freire (PP), ao Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte e ao próprio secretário do turismo.
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sábado, 18 de agosto de 2012

SP: Beagles pedem ajuda; ativistas vão à luta



Toda Vida é Sagrada. E a dos animais vítimas da bestialidade humana mais ainda!

Uma estupidez inominável: o uso de animais em experimentos científicos, para o enriquecimento das multinacionais farmacêuticas, indústrias de cosméticos e porcarias afins.

Vamos lá, gente! Amanhã, saindo do MASP-SP, Avenida Paulista, caravana de ativistas rumo a São Roque, cidade aprazível, montanhosa, há 66 km da capital, onde cães beagle podem estar sofrendo atrocidades no Instituto Royal, sob investigação do Ministério Público de São Paulo.



Leiam mais abaixo e acessem a página dos ativistas no Facebook clicando aqui.


Uso de cães beagle em testes de remédios vira alvo de protestos

TALITA BEDINELLI
ENVIADA ESPECIAL A SÃO ROQUE (SP)

THIAGO AZANHA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA


Um grupo de ativistas fará amanhã uma manifestação em São Roque (a 66 km de São Paulo) para protestar contra o uso de cães da raça beagle em testes feitos por um instituto que trabalha para farmacêuticas.

Os cães são usados em pesquisas de medicamentos que serão lançados. O objetivo é verificar a existência de possíveis reações adversas, como vômito, diarreia, perda de coordenação e até convulsões.


Editoria de arte/Folhapress
Em muitas das pesquisas, os cães acabam sacrificados antes mesmo de completarem um ano, para que se possa avaliar os efeitos dos remédios nos órgãos dos bichos. Quando isso não é necessário, os cães são colocados para adoção, diz a empresa.

O Instituto Royal, alvo da manifestação, passou a ser investigado pelo Ministério Público de São Paulo, que recebeu denúncias de maus-tratos aos animais.
Ao menos 66 beagles são mantidos em canis. A maior parte deles é reprodutora dos filhotes que serão testados.

O Royal diz que, em breve, fornecerá animais para testes em outros institutos.

"Recebemos a denúncia de que esses animais são acondicionados em condições irregulares", afirma Wilson Velasco Jr., promotor do Meio Ambiente em São Roque.

Velasco Jr. esteve na empresa na terça para acompanhar vistoria de uma veterinária. Ele aguarda laudo da visita para decidir se chama o instituto para firmar um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) ou instaurar ação civil pública.


QUESTÃO POLÊMICA

O uso de cães em pesquisas é permitido e regulado por normas internacionais.

Protetores de animais, no entanto, questionam as normas. "As indústrias sequestram a vida dos animais, que nunca mais terão um comportamento normal", diz Vanice Teixeira Orlandi, presidente da União Internacional Protetora dos Animais.

Segundo o vice-diretor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, Francisco Javier Hernandez Blazquez, os cães da raça beagle são os mais utilizados para experimentos no exterior, pois são animais de médio porte e já criados para a pesquisa.

No Brasil, ratos e camundongos são os bichos mais usados em pesquisas feitas em laboratórios.

"Todo e qualquer experimento realizado por docentes e pesquisadores em animais deve passar por uma comissão de ética para analisar se o animal sofrerá e qual a finalidade do projeto", diz.

O protesto, organizado pelo Facebook, já tem cerca de 300 pessoas confirmadas. Um comboio sairá de São Paulo às 9h, do Masp, na avenida Paulista, região central.

OUTRO LADO

O Instituto Royal diz que segue todos os protocolos nacionais e internacionais voltados para pesquisas com animais em laboratórios.

Eles afirmam que são uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) e que recebem verba de instituições públicas de fomento à pesquisa. O protocolo dos testes é aprovado por essas instituições antes de os estudos começarem.

O instituto diz ainda que os testes só são feitos nos cães depois de serem realizados em roedores. Por isso, os efeitos adversos apresentados nos beagles não são agudos.

Eles afirmam que sempre que a reação ao medicamento é constatada, um dos nove veterinários do local intervém.

A etapa da pesquisa em cães é a última antes de o medicamento passar a ser testado em voluntários humanos, de acordo com o Royal, que afirmou que os testes realizados nos cães não podem ser substituídos por técnicas in vitro (sem o uso de animais).

A empresa também negou que houvesse maus-tratos aos animais e abriu o espaço onde os beagles ficam para a reportagem.

Os cães são divididos em baias que contêm de três a quatro animais cada. O local estava limpo e climatizado no momento da visita da Folha.

Alguns beagles aparentavam estar assustados, tremiam e se afastavam ao verem as pessoas por perto. Outros se aproximavam da grade em busca de carinho. Muitos deles estavam obesos.


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domingo, 22 de janeiro de 2012

São Paulo vai às ruas por Justiça aos animais



Como dizemos sempre aqui: Toda Vida é Sagrada.


Marcha pede leis mais rigorosas 
nos maus-tratos a animais


Protestos reúnem milhares de pessoas em todo o país em favor do direito dos animais

Chris Bertelli, iG São Paulo 


                                                                                       Foto: Edu Cesar/Fotoarena

Manifestantes percorreram a Avenida Paulista, em São Paulo, pedindo leis mais rígidas


O domingo foi de manifestações em cerca de 150 cidades brasileiras. As pessoas saíram às ruas para protestar contra a violência aos animais e pedir punições mais rigorosas para quem comete maus tratos. “Precisamos de leis mais severas. A população está indignada com o que tem acontecido e agora nós estamos dizendo chega”, afirmou Fernanda Barros, organizadora do movimento Crueldade Nunca Mais, que convocou a marcha.


Em São Paulo, cerca de sete mil pessoas, segundo a Polícia Militar, tomaram a Avenida Paulista com cartazes, apitos e gritos pedindo justiça e fim aos atos de crueldade. “Nós não podemos ver as imagens, saber que esse tipo de coisa acontece e não fazer nada, cruzar os braços. Precisamos de um milhão e meio de assinaturas para que a Lei Lobo passe a valer e estamos mobilizando as pessoas em torno disso”, disse a modelo Giane Albertoni, que participou da manifestação.


O ator Marcelo Médici também deu apoio à causa. “Precisamos de leis mais rígidas. Quando acontecem casos como os que temos visto, cresce a sensação de revolta e impunidade. A cena do yorkshire sendo agredido foi uma das piores que eu já vi. Aquela mulher envergonhou nosso país, agora estamos mostrando nossa indignação e força”, afirmou.


Luisa Mel, apresentadora e notória defensora dos animais, chegou a se emocionar. “A revolta precisa ter rosto, por isso temos que sair às ruas e pedir justiça. Agora, é preciso que escutem a nossa voz”, pediu.


A passeata saiu da frente do MASP, fez a volta na Praça do Ciclista e voltou pela via oposta. Alguns levaram seus bichos de estimação a tiracolo, como o estudante Nicolas Hue, 15 anos. “Tenho dois cachorros e fico pensando como me sentiria se alguém fizesse uma maldade com eles. Então vim protestar”, afirmou. A mãe, Flávia, que incentivou o filho a participar, completou: “Tem que ter cidadania desde cedo. Precisamos de um país mais humano.”


A administradora de empresas Mariana Rocha, 31 anos, também quis dar o exemplo. “Temos presenciado absurdos. Trouxe minha filha para ela desde pequena ter consciência de que é preciso lutar pelo que acreditamos”, afirmou, com Maria Catarina, de apenas nove meses, nos braços. O garoto Cauan Collins, de 4 anos, mãos dadas com a mãe e já um tanto cansado da caminhada disse que se vestiu de superherói “para salvar os animais".


Seriedade bem-humorada toma conta da Av. Paulista


Os manifestantes encontraram cada um sua própria forma de expressão. Os mais sérios vestiram roupas pretas, cobriram o rosto com capuz e exibiram fotos de animais machucados. Já os mais extrovertidos preferiram fantasias, maquiagem, máscaras e chapéus. O estudante Felipe Florenço usou uma máscara de porco para lembrar que a causa não contempla apenas cães e gatos, mas também animais usados para pesquisas em laboratórios.


Em meio ao protesto, os manifestantes ajoelharam e fizeram um momento de silêncio em respeito às vítimas. “As pessoas ficam mais sensíveis à questão e denunciam”, acredita Karen Cisne, empresária, dona de quatro gatos.


A professora Vilma Salim, indignada, percorreu todo o percurso com um balde na mão. “Para quem olha é só um balde, mas para mim é a representação de toda a revolta que está na minha alma”, afirmou.


A protetora dos animais, Anita Hagge, chamou a atenção ao se vestir de jaleco branco manchado de vermelho, balde na cabeça e um cachorro de pelúcia sobre ele, em referência à enfermeira de Goiás que matou o yorkshire da família a chutes. “Precisamos alertar às pessoas: matar um animal é assassinato!”, protestou.


Entenda a história toda


O ano de 2011 foi marcado por casos de maus tratos a animais e chamaram a atenção da sociedade. Em novembro, o rottweiller Lobo morreu depois de ser arrastado preso a um carro por vários quarteirões, em Piracicaba, a 160 km da cidade de São Paulo. O cão virou símbolo da luta contra a crueldade e deu nome à petição pública que pede mudanças na legislação. Em dezembro, um yorkshire foi morto de tanto apanhar da dona, uma enfermeira. A agressão, filmada e postada no YouTube, gerou comoção e revolta.



                                              Manifestantes carregam cartazes - Foto: Edu Cesar/Fotoarena


Portal iG


Destaques do ABC!


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sábado, 17 de dezembro de 2011

O assassinato do Yorkshire e a barbárie no Facebook



Eu queria mesmo tratar deste assunto.


Eu queria compartilhar com vocês o sentimento de revolta e indignação que me tomou ontem quando "passei os olhos" sobre aquela violência estúpida, de uma enfermeira covarde e doente, contra um animalzinho indefeso, estampada em vários sites e portais.


Falo que "passei os olhos" porque não consigo ler este tipo de notícia. E muito menos ver o vídeo do assassinato cometido por esta besta enfurecida.


A indignação é imensa diante da atrocidade contra o animal, mas ao mesmo tempo brota em mim o estranhamento pela reação irracional de internautas que promovem um verdadeiro linchamento público e sumário da assassina.


Espero que a Polícia, o Judiciário, o Ministério Público cumpram com suas obrigações constitucionais, façam valer a Lei de Crimes Ambientais e outros dispositivos legais e sancionem este ser estúpido e ignorante, que cometeu esta barbaridade e ainda se vangloria nas redes sociais (apologia a crime). E alerto para que fiquemos atentos às nossas atitudes, para não nos deixarmos contaminar pela atmosfera de bestialidade e enveredarmos por insanidades semelhantes.


Toda Vida é Sagrada!




Civilização e barbárie
A era dos homo facers

Durante algum tempo, homens e animais dividiram os mesmos espaços e as mesmas angústias. Não existiam gandulas de supermercado, mas, em compensação, não havia outras preocupações na vida a não ser “o que vou comer no almoço”, “o que devo caçar”, “como conseguir o alimento com menos tempo e menos esforço”.

Era o tempo da racionalidade. O corpo tinha fome e o instinto nos levava à caça, à pesca, à colheita de frutos. Homens e iguanas poderiam sentar numa mesma mesa de bar, se houvesse bar naquele tempo, para compartilhar as mesmas queixas sobre um dia árduo. “Rapaz, deixei aquele mosquito escapar, mas foi por pouco. Tive que me contentar com um caqui podre que já estava no chão. Meu filho ficou puto porque não aguenta mais comer caqui”.



O homo facer: de dia compartilha bons sentimentos, à noite, pede sangue em nome de justiça

Ambos eram caça, ambos eram caçadores (a onça corria mais, mas os dois podiam se esconder na árvore).

E assim não caminhava a humanidade até o dia em que o sujeito de barba, ereto, observou um osso jogado no chão e percebeu que podia fazer daquele instrumento uma arma. Foi quando resolveu domesticar os animais para a sua alimentação e companhia. De um lado, atendia aos apelos do estômago, que teimava em sentir fome; de outro, atendia ao apelo da alma, para que desse um jeito na solidão.

Deste último grupo não havia melhor representante que os cães, que eram mais leais que o vizinho barbudo da casa ao lado. Eram tão dóceis quanto os elefantes e menos pegajosos do que as iguanas; só eles tinham porte para cuidar do nosso quintal e vigiar nossas posses sem estragos além dos inevitáveis. Criou-se o conceito de amizade.

Passa a fita e o sujeito barbudo abandona o osso e passa a fabricar armas. Fabrica também casas, indústrias, estradas, dutos, aviões e até lâminas de barbear. Fabrica também noções de justiça e regras de convivência. Quando viu, o homem já não era o lobo do homem, mas um ser atento a um novo jogo de sobrevivência. Permanecia falso como um camaleão, mas ciente de que um passo errado o colocaria em problemas com o delegado, com o juiz e até mesmo com o advogado, que viu naquilo tudo um negócio mais rentável do que vender ossos a prestação.

Era o tempo da evolução. Enquanto isso as iguanas e os cães seguiam lá: leais, mas à espera de que alguém os alimentasse.

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Fato é que, tanto tempo depois, o ser humano já aprendeu a lidar com quase tudo. Já foi pra Lua, começou e encerrou muitas guerras, construiu a ponte estaiada sobre a marginal, botou muito vírus e muita bactéria para correr. Só não aprendeu a lidar com o elemento humano que definitivamente o diferencia do animal que domestica. Porque o animal, quando tem fome, come; quando tem sono, dorme; mas o ser humano, desde que o mundo é mundo, tem mania de complicar tudo. Por isso, toma remédios para emagrecer quando deve comer, e bebe energético ou café com guaraná quando precisa dormir.

É o ser humano que, movido a paixões, mata pai, mãe, tio ou irmão quando é contrariado. Só ele possui propriedades ainda inexistentes no mundo mineral e animal, como o ciúme, a ingratidão, a raiva, a vingança, a indignação. Por isso gasta-se tanto tempo para entender, em vão, atitudes impensadas (ou pensadas, mas fora do script do que se considera normal), como jogar a filha pela janela do apartamento ou invadir um haras para matar a tiros a amante.



O cão, que assiste de camarote 
à involução humana




Anos de evolução e revoluções (da industrial à tecnológica) e páginas impressas de vã filosofia não bastaram para eliminar as barbáries do período primitivo. As barbáries, como os animais, foram apenas domesticadas. Estão sob eterna vigilância de um conjunto de regras e noções sobre ação e reação – que impedem, ou deveriam impedir, que irmãos matem irmãos impunemente. Mesmo assim, não impedem.


E quando não impedem, quando voltamos a nos comportar como animais, tentamos entender e racionalizar o que aconteceu. Quando isso é impossível, a coisa trava. Como uma máquina. Não conseguimos emitir resposta, a cabeça começa a esquentar, a soltar fumaça, como um computador à espera do Control + Alt + Del para começar tudo de novo.

Mergulhados numa era de competição feroz, e cansados de apertar os parafusos que nos garantem o orgulho de ser alguém na vida, entramos de cabeça num período confuso, de pura contradição. Lemos livros de auto-ajuda e falamos de bons sentimentos, mas damos cotoveladas homéricas em quem se aproximar do nosso parafuso e nossos quintais. O outro, o vizinho, o colega e até a esposa e o marido são sempre uma ameaça. Sempre podem produzir algo que não consta do script, da trairagem à traição. Porque são humanos, e não devolvem sorrisos quando fazemos cafuné neles. Alguns te engolem no dia seguinte, e ainda ameaçam colocar no YouTube aquele vídeo em que você aparece em posição constrangedora.

Vai ver é por isso que, para compensar nossa incapacidade de se desanimalizar (tenho a impressão de que essa palavra não existe), façamos tanto esforço para humanizar aqueles que ainda têm jeito na vida. No caso, os animais – aquele parceiro de caça de outrora e que hoje nos distrai e nos faz companhia na hora da novela, da sopa, e na hora em que precisamos quebrar o gelo da casa para não lembrar que somos sozinhos, vazios e incapazes de nos relacionar com alguém da nossa espécie.

É compreensível. Um animal bem cuidado jamais vai ser traiçoeiro. Vai, enquanto for vivo, cumprir tudo o que se espera dele. Jamais vai te contestar nem esperar seu sono para ligar para outros donos. Vai ser sempre leal, parceiro, dócil. Um ser, enfim, que devolve amor quando a ele dedicamos amor. Bem diferente dos filhos, para passarem metade da vida ouvindo regras e a outra metade as descumprindo. Adão e Eva estão aí para mostrar que não existe paraíso que compense a delícia de ser oposição (com o perdão a Machado de Assis).

Com quase 30 anos nas costas, não me lembro até hoje de ter conhecido ser humano mais leal do que o Tupi, um pastor belga parceiro de dias e noites num dos períodos mais saudosos da minha infância. E não me lembro até hoje de ter sentido uma tristeza mais aguda do que o dia em que nos despedimos dele, num centro veterinário de Jaboticabal, onde meus pais foram informados de que não havia outra cura para seus tumores a não ser sacrificá-lo. Nunca me esqueci do Tupi, que uma hora dessas deve estar roçando as pernas de São Francisco de Assis.

Mesmo assim, acho que até ele se preocuparia se visse, do céu, a reação de bípedes conectados que, numa ação conjunta articulada pela internet, resolveram pedir o linchamento público de uma mulher filmada agredindo um cão até a morte. A cena é lamentável e a comoção, como diante de qualquer crime, parece inevitável.

O crime é, como qualquer crime, um ponto fora da curva das regras de convivência. Racionais que somos, não estamos preparados para absorver algo que não faça sentido (um ser humano maltratar até a morte um ser indefeso). E, como uma máquina de computador que não codifica a mensagem e passa a soltar fumaça, voltamos à pré-história. O tal Control + Alt + Del.

Em coro, juntamente até com o novelista da tevê, vamos às redes sociais com tridentes, escopetas, facas nos dentes para pedir justiça. Não a justiça resultante de anos de evolução, com processo, direito de defesa, ressocialização, espaço para o arrependimento, ação corretiva. Mas a justiça dos antepassados, que expurgavam os pontos fora da curva com apedrejamento e sangue.

Na era virtual, não basta cobrar justiça. É preciso expor a agressora, mostrar a cara, o número do celular, o endereço e o aviso: procura-se viva ou morta. Se amanhã ela for presa, processada e punida, não sentiremos a menor saciedade. Sangue se paga com sangue, e é assim desde que homens e animais engatinhavam juntos nos tempos áureos.

Nada mais representativo dos nossa era atual. Nos últimos anos, o Twitter e o Facebook permitiram que encontrássemos eco para nossas ideias mais pessoais, algumas inconfessáveis em períodos normais da história.

Fosse vivo, Benito Mussolini mediria sua popularidade pelo botão de “curtir”, e não seria pouca. O usuário da internet, sabendo que é uma legião, perdeu até a vergonha de relinchar em público. Ganhou uma plateia para as causas justas (como a defesa da dignidade dos animais) e para as suas causas duvidosas (como uma certa vontade, assumida ou não, de passar o trator na cracolândia). O meio é a mensagem e a mensagem é, no mínimo, estranha: por que vemos tanto espírito no pet e nenhum no marginal?

A verdade é que, juntos, o sentimento de revolta e o compartilhamento de simpatias pela barbárie deram outra dimensão à ideia de justiça. Em defesa dos animais, passamos a pedir a eliminação do ser humano, numa tentativa vã de extirpar do nosso convívio o elemento humano, aquele imprevisível, ingrato, incompreensível, que nos leva ao crime e à barbárie.

A indignação e a revolta nos ajudam a lembrar que somos humanos, e não máquinas indiferentes. Mas, como humanos, nos lembram que estamos sujeitos à mesma barbárie, seja como vítimas, seja como carrascos. Contra a covardia, respondemos com mais covardia. E assim a humanidade segue, no seu inevitável caminho de volta ao tempo em que ainda rastejava.



Matheus Pichonelli


CartaCapital 


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