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domingo, 10 de novembro de 2013

A Revolução dos Beagles e o amor aos animais


TODA VIDA É SAGRADA



"Na covardia que toma conta da minha alma perante a visão do sofrimento animal, eu não teria ido a São Roque salvar os bichos das garras do Instituto Royal. Justamente por isso, aplaudo quem foi e fez o que tinha que ser feito. Tem horas que as leis dos homens precisam ser burladas."


Orgulho de ser ativista!


Por que me tornei um vegetariano

Carlos Amoedo*



O autor

Em meio à polêmica das pesquisas científicas em animais, a revista Época estampou na capa a foto de um cachorro da raça beagle. Fez a seguinte pergunta: “A vida dele vale tanto quanto a sua?”. Respondo por mim: vale! [idem!!!] Como dizia um saudoso amigo, que morreu cercado por gatos em seu velho casarão, no interior de Minas, “eu não pertenço a esse mundo” [idem!!!]. Isso começou a ficar mais claro quando, aos 40 anos (tenho 48 atualmente), tomei uma das mais radicais decisões da minha vida: parei de comer carne em respeito e amor que passei a nutrir pelos animais em geral, depois que ganhei dois cães. Eles fizeram com que eu enxergasse o mundo de uma forma diferente e logo se tornaram os filhos que nunca tive e meus melhores amigos.

Costumo dizer que o sentimento mais puro que passei a dedicar a outro ser vivo é a compaixão pelos bichos. Não consigo ter amor igual por qualquer humano. [idem!!!] Nos últimos 12 anos, abriguei inúmeros cachorros, a maioria de rua (tenho 11 atualmente), peixes, tartarugas e hamsters. Um dos cães não tem os olhos. Mas me ensina diariamente que é possível ser feliz em condições tão adversas. Sou fã dele.

Em casa, baratas e pernilongos são convidados a procurar outro abrigo [idem!!!], já que não tenho ainda a intenção de conviver com eles. Para não machucá-los, eu os enxoto com a mão ou com um jornal. E se alguém souber como faço para expulsar pulgas do corpo dos meus cães, sem ter que assassiná-las, eu agradeço. Recentemente, vivi uma cena patética por conta desse amor: salvei uma borboleta que caiu no vaso sanitário que eu acabara de usar. A operação foi, no mínimo, nojenta. Se faço essas, digamos, loucuras, como poderia comer um filé ou uma linguiça grelhada, cujo cheiro ainda me enche de vontade, sabendo que tais alimentos são resultado do abate de um animal?

Carne vermelha e de aves nunca foram o meu prato predileto, confesso. Difícil mesmo foi dispensar peixe e frutos do mar do cardápio. Mas até oito anos atrás, eu comia bicho sem remorso. Principalmente sabendo que a proteína vinda da carne animal era essencial para um malhador de carteirinha como eu. O nutrólogo que me atende diz que é errado, no meu caso, não comer carne. Eu peço para ele remediar o estrago que acha que a ausência desse alimento pode fazer, pois não pretendo voltar atrás na decisão tomada. Mesmo que eu tenha que pagar um preço alto no futuro, com minha saúde, quem sabe, estou disposto a bancar a escolha.

Felizmente, sei que a coisa não é tão dramática como pode parecer aos olhos dos carnívoros. É perfeitamente possível viver satisfatoriamente e com saúde, sem qualquer tipo de carne, desde que você saiba o que precisa comer. [idem!!!] Ao virar vegetariano, passei até a cuidar melhor da saúde, de forma a ter a certeza de que meu organismo responderá sempre bem à ausência de carne. Faço exames periódicos e consumo o que for preciso, inclusive suplementos, para aliviar a abstinência aos filés da vida. Até soja, que nunca caiu ou cairá no meu gosto.

Dá trabalho ser vegetariano? Sem dúvida. E olha que não sou dos mais radicais, a ponto de banir da mesa qualquer alimento produzido por um bicho, caso do ovo e do leite. O.K., só como ovo caipira. Afinal, sei que a galinha não foi forçada a abrir mão da vida dela para botar ovos, caso das espécies de granja que são confinadas em cubículos, iluminadas com luz artificial e sem direito ao sono. A caipira, para quem não sabe, cisca livremente e põe ovo quando quer.

Oras, prefiro não comer carne a ter a consciência pesada. Simples assim. Quando criança, eu assistia, indiferente, ao abate de animais pelas mãos de meu avô materno, que vivia do comércio de carne de porcos e de carneiros. As cenas do passado, bastante crueis, passam hoje pela minha mente como navalhas cortantes, das quais não consigo me livrar. E eu me pergunto: “Como pude ser tão insensível?”. Chegava a brincar com os cadáveres de porquinhos e carneirinhos que haviam sido retirados do ventre de suas mães, assassinadas pelo meu avô, que não sabia que elas estavam prenhas.

Também carrego, com dor, o olhar triste de um cachorro de um amigo, que ele abandonou em uma estrada, por achar que o pet estava doente. Outro dia, chorei copiosamente, no silêncio do chuveiro, ao lembrar a cena. Ainda me culpo por ter vivido isso sem nada fazer. Não tinha sequer remorso. Nem o fato de ter salvado alguns animais por conta de minha recente conscientização, de gastar muito dinheiro com meus cães tirados da rua em condições precárias e de viver em função deles a ponto de me isolar no meio do mato, é capaz de tirar esse peso que carrego nas costas. Na covardia que toma conta da minha alma perante a visão do sofrimento animal, eu não teria ido a São Roque salvar os bichos das garras do Instituto Royal. Justamente por isso, aplaudo quem foi e fez o que tinha que ser feito. Tem horas que as leis dos homens precisam ser burladas. [idem!!!]

Meu futuro é quase certo: viverei os últimos dias cercado de animais, sem nenhum humano por perto. [idem!!!]  Mas, não se enganem: esta escolha também é consciente. Estou longe de ser um São Francisco, mas se tem uma figura que admiro, mesmo combatendo as leis da igreja católica, essa figura é ele. No filme sobre a vida do santo (Irmão Sol, Irmão Lua, dirigido por Franco Zeffirelli, em 1972), Francisco diz para um de seus seguidores cheio de fome e que babava por um frango assado que não lhe pertencia: “Pelo menos você não vai comer uma criatura de Deus”.

O que me alivia, de certa forma, é acreditar que a minha ligação com o plano superior está nos animais. No meu mundo ideal, leões também seriam vegetarianos. Não haveria qualquer tipo de pesquisa com bichos. Animais não sofreriam jamais. [idem!!!] Como esse lugar não existe ou ainda não está ao meu alcance, tento viver nesse mundo dos homens. Triste e sem piedade para com os bichos.

Carlos Amoedo, jornalista, 48 anos, milita em São Paulo, e teve expressivas passagens por publicações como as revistas VIP e Men’s Health.


Pedrinho


Destaques do ABC!

*

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Instituto Royal fecha suas portas. Ativistas comemoram, Beagles agradecem !!!


TODA VIDA É SAGRADA.






NOTA DO INSTITUTO ROYAL




Em assembleia geral extraordinária realizada entre seus associados, o Instituto Royal, por meio de seu Conselho Diretor, vem a público informar a decisão de interromper definitivamente as atividades de pesquisa em animais, realizadas em seu laboratório de São Roque.

Tendo em vista as elevadas e irreparáveis perdas e os danos sofridos em decorrência da invasão realizada no último dia 18 - com a perda de quase todo o plantel de animais e de aproximadamente uma década de pesquisas -, bem como a persistente instabilidade e a crise de segurança que colocam em risco permanente a integridade física e moral de seus colaboradores, os associados concluíram que está irremediavelmente comprometida a atuação do Instituto Royal para dar continuidade à realização de pesquisa científica e testes mediante utilização de animais.

Por este motivo, o Instituto decidiu encerrar suas atividades na unidade de São Roque.

A interrupção acarretará o desligamento de funcionários, todos já comunicados da decisão. Mantém-se, por ora, o Comitê de Ética formado por colaboradores do laboratório, que conta com veterinários, biólogos e membros da Sociedade Protetora dos Animais, conforme a legislação vigente. A decisão, por ora, não afetará a unidade Genotox, de Porto Alegre, onde não se faz experimentação animal.

Com o intuito de preservar a integridade dos animais remanescentes que ainda estão sob seus cuidados, o Instituto Royal tomará as providências necessárias junto aos órgãos regulatórios competentes, para assegurar que continuem sendo dados a eles tratamento e destinação adequados.

Desde 2005, o Instituto Royal realiza testes pré-clínicos com vistas ao desenvolvimento de medicamentos para o tratamento de doenças como câncer, diabetes, hipertensão, epilepsia, entre outros. Com essa decisão, interrompe-se o trabalho do único Instituto laboratorial do Brasil capacitado e regulamentado para exercer este tipo de pesquisa. A partir de agora, qualquer empresa interessada na realização de testes para registro de medicamento será obrigada a realizar suas pesquisas fora do País, até que outro laboratório seja credenciado pelo CONCEA (Conselho Nacional de Controle e Experimentação Animal) para essa atividade.

Todos os testes desenvolvidos no Instituto Royal atendiam aos princípios de boas práticas de laboratório (BLP) e também às normas para cuidados dos animais do CONCEA, estando também regulamentadas por protocolos internacionais, tais como o da European Medicines Agency e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

O Instituto Royal acredita que as ações violentas ocorridas no dia 18 de outubro são resultado de dois fatores complementares: as inverdades disseminadas de forma irresponsável - e por vezes oportunista - associadas à falta de informação pré-existente. As consequências dos atos advindos dessa equação resultaram não somente em prejuízo para a instituição, que fecha suas portas, mas também e mais gravemente para a sociedade brasileira, que assiste à inutilização de importantes pesquisas em benefício da vida humana.

É inquestionável o direito de todo cidadão ou instituição expressar suas opiniões e propor à sociedade brasileira o debate sobre temas de interesse público. Não se pode anuir, contudo, com as atitudes de violência que cercaram os episódios envolvendo o Instituto Royal. Uma sociedade organizada e civilizada não pode aceitar que a pesquisa científica seja constrangida por grupos de opinião que preferem o uso da força e da violência em detrimento das vias institucionais e democráticas para travar debates.

O ambiente de insegurança gerou – e continuará gerando - prejuízos para a ciência brasileira, na medida em que não assegura aos cientistas um ambiente institucional adequado para o desenvolvimento de pesquisas cujo objetivo, em última análise, é o de salvar vidas. A consequência deste cenário de hostilidade é o desestímulo à fixação e permanência das melhores mentes científicas em nosso País.

O prejuízo causado ao Instituto Royal não é mensurável. Mas é certo que o Brasil inteiro perde muito com este episódio, lamentavelmente.



Instituto Royal




terça-feira, 29 de outubro de 2013

Orgulho de ser ativista: Nina Rosa Jacob


ALMA ATIVISTA



Lutar pelos mais frágeis, humanos ou não. Falar pelos que não têm voz. Defender direitos de muitos, de vários, de todos, e não apenas os interesses próprios, nem sempre legítimos.


Assim são os ativistas.

Indignados, inconformados.

Nem sempre compreendidos, por sua ação firme, incansável, ousada, eles desestabilizam, perturbam, inquietam, põem o dedo na ferida, "desafinando o coro dos contentes".

É assim que o mundo avança.


Nina Rosa Jacob


De família rica, ex-modelo internacional, a extraordinária ativista e protetora Nina Rosa Jacob fundou o Instituto Nina Rosa, que com carinho e coragem e sob o lema "Projetos por Amor à Vida" atua vigorosamente na defesa dos animais.




Entrevista de Nina Rosa à Revista Época

Gisela Anauate

A senhora sempre gostou de animais?

Quando era pequena, tinha uma cadela dogue alemã, chamada Nora. Ela era uma grande paixão. Não me lembro muito bem da minha infância, mas meus irmãos contam que eu fiquei bem deprimida quando ela morreu. Eu tinha uns sete anos. Depois disso, nunca mais tive nenhum bicho de estimação, até os 40 anos de idade. Foi quando uma das minhas irmãs se mudou para a França e meus sobrinhos pediram que eu ficasse com sua cocker de estimação, que se chamava Cléo. Resisti um pouco, mas acabei aceitando. Ela deu cria e fiquei com um dos filhotes, a Chica. Gostava muito das duas, mas tinha uma vida muito enlouquecida como produtora de moda, e não podia dar tanta atenção. Talvez fosse o medo de me entregar e sofrer com uma nova perda. Mas quando a Cléo ficou doente e morreu, caiu a ficha. Na verdade, era mais uma tampa de bueiro! (risos). Mudei minha relação com a Chica e me entreguei totalmente. Foi até um exagero. Aí foi a vez da Chica adoecer e morrer. Sofri tanto, que me propus a não colocar tanto amor numa relação com um ser só. Decidi distribuir esse amor ao máximo de animais que pudesse. Foi o início do que seria muitos anos depois o Instituto Nina Rosa. Ele nasceu com o nome de Chicleo, a junção do nome das duas cadelinhas, mas uma amiga me convenceu a colocar meu nome.

Como descobriu sua vocação de protetora dos bichos?

Estava no auge da minha carreira de produtora de moda, organizando grandes desfiles. Mas sentia a necessidade de buscar algo que não sabia o que era. Era uma sensação. Decidi largar meu emprego com 47 anos. Passou um tempo e comecei um trabalho de protetora independente. Apareceu um cão sarnento na minha rua e levei-o a um veterinário. Como moro num apartamento, eu convenci um vizinho a deixá-lo no quintal de sua casa, onde eu poderia visitá-lo todos os dias para levar comida, dar injeção. O cachorro ficou tão lindo que ganhou o nome de Capitão. Ele andava todo imponente na rua. O dono da casa se apaixonou pelo Capitão e o adotou. Na mesma época, procurei uma organização de defesa dos animais para ser voluntária. Fui a uma entidade que hoje se chama Arca Brasil. 

Como era trabalhar com moda?

Antes de ser produtora, eu fui modelo fotográfica durante oito anos. Comecei essa carreira depois de me separar. Eu me casei com 27 anos - se bem que minha idade mental era de 17 - e fiquei três anos com meu marido. Como modelo, fiz muitos comerciais de TV e algumas fotos de moda. Não existiam agências de modelos no Brasil, e eu tinha que fazer tudo: arrumar trabalho, cobrar, fazer preço. Trabalhava bastante e foi uma época bem próspera. Fui morar em Nova York com intenção de trabalhar, mas senti que deveria reavaliar minha vida, como está acontecendo agora. Voltei quatro meses depois ao Brasil porque meu pai estava doente. Aqui, não quis continuar trabalhando como modelo, mesmo tendo até uma campanha negociada. Em 80, a Yeda Amaral, da Santista, me chamou para ser produtora de moda. Comecei uma empresa com o Paulo Ramalho, que idealizava os grandes desfiles de moda. Ele seria como o Paulo Borges de hoje (organizador da São Paulo Fashion Week). Mas sou sagitariana e, para mim, liberdade é a coisa mais importante do mundo. Então resolvi sair da sociedade e trabalhar como freelancer. Produzi durante quatro anos seguidos desfiles na Alemanha Oriental e na Hungria. Levei alguns modelos brasileiros, como a Sílvia Pfeiffer e o Vítor Fasano. A Sílvia acabou se tornando uma grande amiga pessoal. Nessa época, eu usava o nome de Nina de Almeida. Porém, o trabalho não tinha nada a ver comigo. Eu me dedicava muito, mas não me sentia realizada. Os desfiles eram como filhos que eu paria e enterrava logo depois de acabar. Foi o contato com os animais que trouxe de volta algo que estava embutido em mim. Tenho um amor incondicional pelos bichos, não importa quão doentes ou feios eles sejam. 

Quando se tornou vegetariana?

Em 76, quando estava em Nova York. Uma pessoa da alta sociedade reunia alguns artistas para um lanche nas noites de domingo. Lá, conheci uma garota que como eu estava sempre sozinha, e combinamos de almoçar no dia seguinte num restaurante vietnamita. Olhando o cardápio, a menina disse a seguinte frase: "Não como carne, pelos animais". Tinha amigos vegetarianos, mas jamais havia ouvido algo que fizesse tanto sentido. Desde então, nunca mais comi carne. A aceitação da minha família foi difícil. Meu pai era do Sul e fazia churrasco todos os domingos. Meu irmão cria bois como hobby! Mas me mantive firme e, com o tempo, comecei a perceber que não só a carne, mas outros produtos de origem animal também provinham da crueldade. Há 16 anos, virei vegana (vegetariana radical, que não come laticínios ou outros produtos de origem animal). Nunca mais vi aquela colega de Nova York, mas tenho muita gratidão por ela ter me aberto os olhos. 

Comer carne é necessariamente participar da crueldade contra os bichos?

Sim. Temos responsabilidade se consumimos um produto que provém da violência. Os animais criados nascem, crescem e morrem de forma cruel. E a questão é muito mais dramática que apenas o bem estar animal. Um dos maiores prejuízos do onivorismo é para o meio-ambiente, que está adoecendo tanto quanto as pessoas que comem carne. A pecuária extensiva causa muitos desmatamentos para criação de pastos. A imensa quantidade de bois que são criados provoca desequilíbrios: seus dejetos poluem os lençóis freáticos e até sua flatulência, que contém gás metano, contribui para o aumento do efeito estufa. Fora todos os malefícios para a saúde humana. Os animais ficam tão aterrorizados na hora do abate, que isso passa para o sangue e para a carne. Quem come carne come um cadáver.

Consumir outros produtos de origem animal também é prejudicial para a natureza?

Sim. A maioria das pessoas não sabe que adquire produtos da dor. A ordenha mecânica das vacas, por exemplo. Se a vaca tem alguma dor ou uma inflamação nas tetas, ninguém vê. Os criadores injetam hormônios para elas produzirem dez vezes mais leite do que produziriam para um filhote. Aliás, os bezerros são brutalmente separados das mães quando nascem. O mel das abelhas também não é inocente, assim como a lã das ovelhas. Muitos produtos da indústria farmacêutica, cosmética e até de limpeza são testados em bichos. Há chimpanzés que são infectados várias vezes com o vírus HIV. Coelhos e gatos são envenenados, forçados a ingerir altas quantidades de produtos para os cientistas comprovarem se são tóxicos ou não. No entanto, os testes com bichos já se provaram inseguros. Eles muitas vezes não têm reações que os humanos podem ter, ou reagem a substâncias que podem ser importantes para a saúde humana. Mas as empresas continuam utilizando, com o objetivo de se proteger de possíveis processos judiciais. Se alguém tem algum problema de saúde por conta de um produto, as indústrias alegam que testaram diversas vezes. Alguns animais são usados em tantos testes que seria preferível que morressem. 

Há alternativas para os testes em animais?

Testar em cobaias humanas é uma ideia. Mas ninguém ainda tem a resposta dessa pergunta. A ciência tem de pesquisar. O que se sabe é que testes em animais simplesmente não funcionam. 

Qual é o papel do Instituto Nina Rosa?

É valorizar a vida animal através da educação humanitária. Damos apoio e incentivo a outras ONGs de proteção aos bichos também. Não adianta só ficar recolhendo animais na rua. É preciso trabalhar com a educação da população. Temos um vídeo chamado "Fulaninho, o cão que ninguém queria", que ensina as crianças que os bichos são seres que merecem respeito e afeição. Desde 2000, mais de 400 mil crianças assistiram ao filme. Já o documentário "A carne é fraca", que tem feito sucesso, tem como objetivo dar liberdade de escolha para as pessoas na hora de se alimentar. Se ela não conhece a produção de carne, não pode escolher ser vegetariana. O objetivo não é converter as pessoas para esse estilo de vida, mas informar. Muitas pessoas que assistiram a "A carne é fraca" fizeram o seguinte raciocínio: "nunca mais vou querer participar disso". Cada um faz o que sente que deve fazer.

É verdade que a senhora era fumante?

Sim, fumei durante uns 30 anos dois maços de cigarro por dia e parei ainda depois de virar vegetariana. Sempre tive interesse na espiritualidade, em buscar auto-conhecimento. Antes de ser protetora dos animais, tentei me encontrar fazendo vários cursos, trabalhei com vidas passadas, fiz o processo Hoffman (curso de reeducação emocional). Comecei a pensar que meus anjinhos não iam conseguir ficar perto de mim com a fumaça do cigarro (risos). Na mesma época, minha cadelinha Chica estava viva e tinha um problema pulmonar. Parei de fumar pouco antes da Chica morrer, em 94. Queria muito parar. Quando percebi que fumar era um ato inconsciente, que acendia cigarro quando atendia o telefone, por exemplo, comecei a comprar fumo e a fazer meus próprios cigarros. Então, para fumar, eu precisava das duas mãos. Aos poucos fui diminuindo o cigarro, mas tive um sonho que foi fundamental. Se eu te contar o que sonhei, não vai fazer sentido algum. Mas sei que acordei e nunca mais toquei num cigarro. 

É adepta de alguma religião? 

Fui criada como católica e até casei na igreja, mas procurei diversas religiões tentando me encontrar. Frequentei o espiritismo de Alan Kardec, a igreja Seicho No Iê, o budismo, já fui a comunidades alternativas... Mas atualmente sou um apanhado das religiões, não me prendo a nenhuma. Acho ótimo, pois estou aberta para o novo.

Considera-se uma pessoa solitária?

Sim. Desde criança. Eu estudava no Colégio Rio Branco, em São Paulo, e tinha duas amigas inseparáveis. Quando uma delas morreu num acidente de carro, não quis mais ficar lá. Tinha 13 anos, pedi para minha mãe me colocar num colégio interno. Ela chorou, mas aceitou. Era uma necessidade de ficar sozinha. Quando comecei a me conhecer melhor, percebi que eu era bicho-do-mato, não me relacionava bem com gente. Por outro lado, tenho uma facilidade total em lidar com animais, seja uma formiga, um boi ou um cachorro. Sempre me senti fora do padrão, mas não entendia. Foi muito dura essa vivência, até eu me descobrir, me aceitar e me respeitar. Ser uma pessoa que não bebe, não fuma, não come carne, não come ovo, não usa couro, não usa mel, nenhum produto animal, não é fácil. Hoje sou muito feliz, pois me conheço e respeito isso. Mas posso dizer que vivi minha vida inteira tentando me adaptar a uma vida padrão. Não tinha consciência de que tinha direito de ser diferente. No momento que percebi que havia outras pessoas que pensavam como eu, foi maravilhoso. 

Como ganha a vida hoje?

Meu pai era um industrial, dono de uma fábrica de pincéis. Ele deixou aos filhos - quatro mulheres e um homem - muitas ações e patrimônios. Também ganhei bastante dinheiro quando era modelo e produtora. Com esses recursos, mantenho o Instituto Nina Rosa. Já minha vida particular praticamente não existe. Além de ter muitos projetos, preciso de um tempo sozinha. Adoro sair para almoçar ou ao cinema sozinha. 

Como é sua rotina? 

Acordo cedo e trabalho, trabalho, trabalho. Tenho um caderno ao lado da cama, pois se tenho alguma ideia durante a noite para meus projetos, já coloco no papel. Valorizo muito minha intuição, e acho que é por isso que gosto de ficar quieta e sozinha.

O que gosta de fazer nas horas vagas?

Gosto de ler, de escrever, de ir ao cinema. Quando quero descansar, fujo dos temas de bichos, senão fico trabalhando o tempo todo. Leio biografias - é uma forma de me comunicar com as pessoas - romances, sagas. Não gosto de coisas densas, negativas. Sou uma pessoa positiva por princípio. Pratico tai-chi-chuan e vou ao meu sítio, na Serra da Bocaina, uma vez por mês. Lá tenho uma égua que salvei de maus-tratos, algumas vaquinhas, cães. Mas no sítio não se mata nem mosca. Quando os animais morrem naturalmente, são enterrados. 

Se o sistema de criação de animais em grande escala é cruel, seria legítimo um humano com um pequeno sítio dar o leite de uma vaquinha aos seus filhos?

Claro. O problema é a forma como isso é feito atualmente, em que animais são vistos como produtos, e não como seres vivos. É um mercado imoral.

E seria legítimo comer a carne da vaquinha?

Acho que os homens estão num estágio em que não é mais preciso matar um ser vivo para comer. Entre os animais, é natural, instintivo. Mas nós podemos plantar, colher, cozinhar.

O que gosta de comer?

Compro todos os produtos integrais e orgânicos. Os vegetarianos não precisam fazer sua dieta toda à base de soja. Hoje os supermercados têm cada vez mais oferecido produtos para quem não come carne ou laticínios. Têm surgido restaurantes veganos chiquérrimos. Já fiz quatro meses de crudivorismo (dieta alimentar em que se comem apenas alimentos crus), mas tenho pressão baixa e tive de parar. Pretendo voltar em breve, pois gostei muito. Há muita coisa boa para comer crua: castanhas, frutas secas...

Medicina natural ou alopatia?

Há duas semanas, machuquei o joelho numa queda e estou tomando antiinflamatórios. Mas geralmente me trato com terapias alternativas: homeopatia, acupuntura, florais e, se precisar, fitoterapia. Só comecei a ter convênio médico com 50 anos de idade, acredita? Era totalmente contra. Mas pensei que quando ficasse velha, não ter plano de saúde ia dar muito trabalho e despesa para quem fosse cuidar de mim. 

Como ser um consumidor consciente?

Aqui no instituto, além de não comermos carne e de não usarmos nada que tenha origem animal, tentamos reaproveitar o máximo de água possível. Só compramos material de limpeza biodegradável, o Biowash, e usamos sabão de coco. Não é preciso comprar limpa-vidro, limpa-chão, limpa-azulejo. Dá para usar um produto só sem poluir o ambiente. Usamos calçados e cintos sintéticos, e malhas de acrílico em vez de lã. 

É possível mudar o mundo assim?

É uma revolução individual, e é possível. Os fabricantes querem saber o que os consumidores querem. Se eles pararem de consumir produtos animais ou que desrespeitem o meio ambiente e exigirem produtos éticos, eles terão. Meu maior sonho é que exista a consciência de que toda a natureza é sagrada. Minhas ações mexem com muitos interesses. Preciso de proteção! Estou querendo tatuar um dragão no peito para cuidar de mim (risos).


Vídeo - Instituto Nina Rosa




domingo, 27 de outubro de 2013

Luísa Mell solta o verbo contra o Instituto Royal



VIOLÊNCIA CONTRA ANIMAIS



Por que autoridades governamentais defendem tanto o Instituto Royal?

Por que a grande imprensa insiste em criticar os ativistas que resgataram os beagles?

Por que o Instituto Royal, que é oscip, recebe verbas públicas?

Qual o destino dos 5 milhões de reais que saíram dos cofres públicos para o Instituto Royal? Que pesquisas científicas estes recursos financiaram?

O Instituto Royal faz testes em animais para indústrias de cosméticos e produtos de limpeza?

Quem são os clientes do Instituto Royal? Quais empresas, nacionais e internacionais, contratam os serviços do Instituto Royal?

A verdade. Nada além da verdade.

É o que pede a ativista Luísa Mell, "comandante" da invasão ao Instituto Royal, e todos nós, que repudiamos maus-tratos e atrocidades contra animais.





Saiba aqui a verdade! Por que o Instituto Royal é protegido pelo governo e grande parte da imprensa? Por lei, nós temos o direito de saber quem são os clientes do Instituto Royal... mas isso ninguém fala, né?

Amigos, confesso que fico muito emocionada com a quantidade de pessoas que estão me procurando para saberem quais marcas testam e quais não testam. O Brasil inteiro está discutindo o assunto. Tenho enteados de várias idades, e todos relataram que é o assunto nas escolas, no trabalho, nas Universidades!

Acho que uma das maneiras mais importantes de se mudar uma sociedade é sem dúvida nenhuma a discussão. Mas com argumentos sérios e verdadeiros. O que não acontece com o Instituto Royal, com parte da mídia e imprensa e principalmente com os órgãos do Governo responsáveis por tal assunto.

Chegou a ser vergonhosa a declaração do Ministro da Ciência e Tecnologia Marco Antônio Raupp: “Prefiro acreditar nos cientistas… do que ficar acreditando em ativistas. Ativistas têm opinião de todo tipo, mas o momento de se discutir isso (a legislação) já passou.”

Senhor ministro, gostaria de esclarecer ao senhor que não interessa em quem o senhor acredita. O senhor deve apurar os fatos. Já temos centenas de provas de maus tratos e crueldade. Temos provas contundentes que o dinheiro público foi repassado de maneira irregular, para um Instituto que até setembro deste ano só tinha alvará de canil, o Brasil inteiro está discutindo o assunto como relatei acima (em todas as faixas etárias e todas as classes sociais) e o senhor tem a coragem de dizer que a hora de discutir isso já passou ??????


Senhor Ministro Marco Antônio Raupp, ou o senhor vive em uma bolha, ou não sabe o que é democracia. Com todo o respeito, na minha opinião não sabe o que é ter um cargo público. Nem como deve agir alguém que tem o salário pago pelo povo.

Aliás, me parece que todos os envolvidos do governo neste caso, inclusive o Marcelo Marcos Morales, diretor do Consea (Conselho Nacional de Experimentação Animal), não entendem direito como funcionários públicos devem agir. Pois bem, ajudarei.

Vamos lá? O Instituto Royal é uma oscip.

O que é uma OSCIP?

OSCIP é uma organização da sociedade civil de interesse público o que, em outras palavras, é uma ONG que obtém um certificado emitido pelo Ministério da Justiça, comprovando o cumprimento de determinados requisitos estabelecidos na lei e, em contrapartida, pode celebrar com o poder público termos de parceria.

Para obter a qualificação de OSCIP, devem ser observados os seguintes requisitos estatutários:

1) Finalidade não lucrativa e empenho dos excedentes na consecução do objeto social

A lei que trata deste assunto é longa, mas dois artigos apenas já são suficientes para questionarmos o fato do Instituto Royal ser uma Oscip, fato que vocês podem notar não foi questionado, nem pela Rede Globo, nem Revista VEJA, nem todos que dizem fazer um jornalismo sério neste país.

O Instituto Royal tem uma lista de clientes, o que já nos parece estranho pois se são uma oscip, por que tem clientes? Isto ninguém responde, né?

Apesar de todo o escândalo envolvendo o Instituto, até agora não foi divulgada a lista de clientes que contratam os serviços do Instituto Royal. Nós ativistas já tentamos conseguir de todas as maneiras legais.

E isso também é contra a lei da OSCIP !!! Vejam o artigo:

CAPÍTULO III

DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS

Art. 16. É vedada às entidades qualificadas como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público a participação em campanhas de interesse político-partidário ou eleitorais, sob quaisquer meios ou formas.

Art. 17. O Ministério da Justiça permitirá, mediante requerimento dos interessados, livre acesso público a todas as informações pertinentes às Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público.


Ou seja, por que ainda não foram abertos todos os dados que nós ativistas pedimos se nos é garantido por lei??? Por que nenhum grande jornal noticia a verdade????? Cadê a imprensa séria deste país?

E amigos, isto é só a ponta do iceberg!

Em discurso ontem na Câmara dos Deputados, o deputado Fernando Capez mostrou documentos que comprovam que o Instituto Royal tinha apenas alvará de canil em 2012, mesmo assim recebeu mais de 5 milhões do dinheiro público! Mesmo não tendo alvará para funcionar, nem realizar teste em animais!!!!

O mais estranho é que nenhum grande portal, nenhum jornal deu esta notícia!!

Liguei para um jornalista para questionar tal fato e ele me disse: "Ah, mas já tinham feito o pedido…" Isso é alguma piada? Juristas do meu Brasil se manifestem!

O Marcelo do Consea, órgão público que deveria fazer o controle da experimentação no Brasil, logo saiu em defesa do Royal. Aliás, em nenhum momento falou que iria investigar ou teve o comportamento de um funcionário público! Muito pelo contrário, apareceu em programas de televisão (inclusive o da Fátima Bernardes) como defensor do Instituto ????????????????????????

Outra dúvida que realmente não sai da minha cabeça:

Nossa, estava quase encontrando a cura do câncer? Isto quer dizer que já estava sendo testado em humanos, né? Até porque qualquer leigo no assunto sabe que o cientista só pode afirmar isso depois de ter realizado testes com seres humanos, pois a maioria dos medicamentos agem de formas diferentes em animais e humanos.

Junto com o tipo de câncer, qual medicamento, qual a empresa que contratou este serviço? Também exigimos saber quais pessoas participaram dos testes.

Como o Instituto Royal é uma oscip, temos o direito de saber absolutamente tudo, e devido a repercussão do caso imediatamente.
Bom, pelo visto este caso ainda vai longe. Apesar de toda corrupção no nosso país eu ainda acredito no nosso judiciário!

Minha decepção é com a imprensa!

Olhem o que esta jornalista (?!??) falou em rede nacional:


Sua ignorante e mentirosa! A Comunidade Européia proibiu teste em animais em cosméticos este ano! Assim como Israel e vários outros países.

Infelizmente pessoas como essa têm um microfone na mão para deixar o povo brasileiro cada vez mais ignorante. Assim é mais fácil de ser manipulado!

Vergonha!

Para finalizar, como nenhum órgão da imprensa deu espaço para cientistas que são contrários a Vivissecção, resolvi finalizar com a declaração do George Guimarães:

“Existem, sim, testes alternativos para todos aqueles testes que o Instituto Royal realiza hoje com cães e outros animais. O que há é o interesse econômico na indústria da vivissecção e não falta de tecnologia.”

E agora o relato de uma cientista que testava em animais:

Valquíria Koloss     A ciência por um cientista

Sou cientista e sou contra o uso de animais em experimentos. Por quê? O primeiro motivo é que a ciência que as pessoas olhavam como sinônimo de evolução e inteligência morreu há muito tempo. Hoje a ciência é exata: quem paga mais, leva, ou seja, a empresa pública ou privada que liberar mais recursos para a pesquisa é a empresa que deterá o poder da ciência. Pensa em um leilão “embaixo do pano”, é exatamente assim que funciona. Reparem que disse “deterão o poder da ciência”, porque o poder da patente, que é o que interessa, porque é o que entra no mercado para a população, o produto em si, isso já é uma outra longa história, que inúmeras vezes joga a pesquisa no lixo, porque é uma burocracia tão grande, que muitos nem tentam obter patente.

Quando falamos em cientista, logo lembramos de Einstein, extremamente dedicado em seus estudos, passando dias e noites em um mesmo estudo até conseguir um resultado, também essa imagem não existe mais. Hoje precisa-se de rapidez, porque se você, cientista, não faz, outro vai roubar sua ideia e vai fazer, e aí começa então o 1º round na Luta da Ciência. Além disso, leva “o prêmio” de melhor cientista aquele que tiver mais trabalho publicado e todos querem ser o melhor, porque se você não tiver tantos trabalhos publicados, você não é um bom pesquisador, esse é o 2º round.

E os animais? Eles são uma ferramenta rápida e barata para serem utilizados nos estudos. Porque se alguém indagar que se seu método é garantido, você responde que foi testado em animais. Isso eleva seu trabalho para o topo. Mas o teste em si não é garantia de segurança e eficiência, porque a fisiologia das cobaias é bastante diferente da do ser humano. Se fosse garantia, seria obrigatório e não opcional, como é. Países classificados como desenvolvidos, e para essa classificação é levada em consideração o nível científico do país, não utilizam animais em testes. Qual a lógica do Brasil usar animais em testes e buscar se desenvolver cientificamente, para ser considerado desenvolvido, se não é assim que os países desenvolvidos fazem?

Engraçado que 100% dos cientistas com quem trabalhei tinham animais de estimação em casa, matavam diversas espécies de animais durante o dia e chegavam em casa à noite e amavam seus animais. Nunca entendi a lógica disso. Quem eram esses cientistas na verdade? Um matador ou um amante de animais? Acho que nem eles sabem responder.

Os experimentos passam sim por um Comitê de Bioética para serem aprovados, mas como não há fiscalização, os pesquisadores submetem projetos com metodologia (como irão fazer os experimentos) distinta do que eles realmente irão executar, ou omitindo informações que “ferem a ética” (não sei a qual ética remetem). Quem fiscaliza se matou a cobaia com anestesia ou sem anestesia é você mesmo. E daí começa o 3º round. A gente aprende a ter ética na ciência na teoria, mas, na prática, você não pode perder tempo, porque tempo é dinheiro, é gente fazendo a pesquisa que você está demorando pra fazer, é gente publicando mais trabalho enquanto você ainda está executando o seu. É um verdadeiro hospício interno. E diria mais, a ciência hoje é a verdadeira “massagem de ego”, você tem que ser o melhor , senão não tem vez.

Cientista e ex-matadora de animais.



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sábado, 26 de outubro de 2013

Resgate dos Beagles: Animal !!!


ATIVISTAS, GRAÇAS A DEUS!



Abaixo, mais argumentos de especialistas que dão respaldo à invasão da Filial do Inferno (Instituto Royal) no histórico Resgate dos Beagles.

Toda Vida é Sagrada.





Animais!


Acompanhei, através da transmissão feita pelos próprios ativistas, o resgate dos animais do Instituto Royal. A qualidade das imagens, feitas num celular, estava entre o péssimo e o sofrível, mas a sua carga de emoção foi maior do que a de muita superprodução. A cada coelho ou cachorrinho que saía do inferno, o público que acompanhava a ação na internet comemorava, mandando congratulações e palavras de estímulo e agradecimento aos heróis da madrugada.

Também acompanhei, no dia seguinte, os depoimentos dos diretores do instituto, que negam a existência de maus tratos nas suas dependências. Uma nota divulgada pela instituição, aliás, chegou a afirmar que os bichos teriam, lá, “as melhores condições de vida, com saúde, conforto, segurança e recreação”.

Que me desculpem os senhores diretores, mas é impossível levar a sério quem acredita que se podem usar tais termos em relação a animais que passam a vida em gaiolas, sendo submetidos a toda sorte de experiências dolorosas. Melhores condições de vida? Saúde? Conforto? Se a nota foi redigida de boa fé, mostra um completo distanciamento da realidade; se não foi, revela uma perigosa falta de compromisso com a verdade.

Aliás, há várias perguntas sem resposta em relação ao instituto. A primeira, e mais importante, é saber quem são os seus clientes. Como o Royal recebe verbas públicas, tem a obrigação de revelar para quem trabalha. Com isso se esclareceria boa parte das dúvidas que cercam a natureza dos testes lá realizados. Testar cosméticos e material de limpeza em animais, por exemplo, é prática condenada num número crescente de países. Na União Européia a legislação é tão severa que, no começo deste ano, foi proibida até a comercialização de produtos testados em animais, ainda que importados.

o O o

Sou contra a realização de testes em animais — mas não tenho formação científica, e minha opinião sobre o assunto é, consequentemente, só isso, uma opinião. Por esse motivo, passo a palavra para o especialista Sérgio Greif, biólogo formado pela Unicamp, com mestrado na mesma universidade, co-autor do livro “A verdadeira face da experimentação animal: a sua saúde em perigo” e autor de “Alternativas ao uso de animais vivos na educação: pela ciência responsável”:

“Se um pesquisador propusesse testar um medicamento para idosos utilizando como modelo moças de vinte anos; ou testar os benefícios de determinada droga para minimizar os efeitos da menopausa utilizando como modelo homens, certamente haveria um questionamento quanto à cientificidade de sua metodologia.

Isso porque assume-se que moças não sejam modelos representativos da população de idosos e que rapazes não sejam o melhor modelo para o estudo de problemas pertinentes às mulheres. Se isso é lógico, e estamos tratando de uma mesma espécie, por que motivo aceitamos como científico que se testem drogas para idosos ou para mulheres em animais que sequer pertencem à mesma espécie?

Por que aceitar que a cura para a AIDS esteja no teste de medicamentos em animais que sequer desenvolvem essa doença? E mesmo que o fizessem, como dizer que a doença se comporta nesses animais da mesma forma que em humanos? Mesmo livros de bioterismo reconhecem que o modelo animal não é adequado.

Dados experimentais obtidos de uma espécie não podem ser extrapolados para outras espécies. Se queremos saber de que forma determinada espécie reage a determinado estímulo, a única forma de fazê-lo é observando populações dessa espécie naturalmente recebendo esse estímulo ou induzi-lo em certa população.

Induzir o estímulo esbarra no problema da ética e da cientificidade. Primeira pergunta: será que é certo, será que é meu direito pegar indivíduos e induzir neles estímulos que naturalmente não estavam incidindo sobre eles? Segunda pergunta: será que é científico, se o organismo receber um estímulo induzido, de maneira diferente à forma como ele naturalmente se daria, será ele modelo representativo da condição real?”

A íntegra deste artigo pode ser lida na internet, em bit.ly/17HLVZn. Já a dra. Preci Grohman, médica, é professora aposentada da UFRJ, e fez cursos de pós-graduação nas universidades de Toronto e Londres. Ela escreveu o seguinte:

“Quando estudante, fiz experimentos com animais, recebendo bolsa do CNPq. Na época acreditava nessa prática. Já em Toronto e Londres utilizei cultura de células humanas.

Os cientistas, com seus experimentos, conseguem títulos de mestre ou doutor, o que resulta em promoções e aumento de salários. Isso os torna mais competitivos no mercado de trabalho. Seus supervisores também são agraciados com títulos e prestígio.

A criação de plantéis de animais para pesquisa também é muito lucrativa. Certas drogas, inócuas em animais, já causaram grandes desgraças quando usadas em humanos. A mais conhecida foi a Talidomida. Macacos não desenvolvem câncer de pulmão mesmo sendo obrigados a tragar cigarros continuamente. Se a diversidade genética entre indivíduos da mesma espécie já é significativamente grande para levar a respostas diversas após um mesmo estímulo, o que se pode esperar entre diferentes espécies?

Pesquisas já são feitas com voluntários, podem ser feitas em criminosos que desejem reduzir suas penas ou ainda em culturas de células humanas. Se forem necessárias outras técnicas, os seres humanos devem ser competentes o suficiente para desenvolvê-las. Um exemplo de desperdício na ciência é o descarte diário de milhares de cordões umbilicais, ricas fontes de células.

A manutenção até os dias de hoje de experimentos em animais visa puramente interesses financeiros, e já deveria ter sido abolida há decadas”.

(O Globo, Segundo Caderno, 24.10.2013)


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terça-feira, 22 de outubro de 2013

O Resgate dos Beagles e a indústria de horrores


A VERDADE E A MENTIRA SOBRE OS TESTES EM ANIMAIS



" (...) sofrimento atrai sofrimento. Os testes submetem nossos parceiros de vida na Terra a dores e incômodos inauditos. Não se trata de feridas apenas. Muito menos a barbárie é só a de arrancar um olho ou forçar um animal a comer até explodir. O que ocorre é a produção de tumores cancerígenos, deformações internas e externas, mal estar durante toda uma vida. Esse sofrimento todo é pago no altar do bem estar humano? Não! A maior parte dos laboratórios que lidam com testes, no mundo todo, fazem pesquisas encomendadas direta ou indiretamente antes pelos setores militares que pelos ditos setores da saúde. 

(...) mas uma parte dos laboratórios que se utiliza de testes em animais o faz em função das demandas do setor de saúde, não é verdade? Não! A parte da pesquisa que não é direta ou indiretamente atrelada ao campo militar, serve antes ao dinheiro que à saúde. (...) mais de 70% das pesquisas que envolvem testes com animais, e que se diz desligada da área militar, se faz não em torno da busca para curas de doenças, mas em torno da criação de variações de produtos que possam induzir novos consumos. (...) As drogarias são supermercados - todos sabem disso. Mas os conservadores fingem não ver. (...)

As indústrias de cosméticos e higiene pessoal, alimentos, suplementos alimentares, drogaria para a geriatria e mesmo a indústria da produção de remédios trabalham com a perspectiva de lucro imediato como prioridade, colocando a questão da descoberta da cura de doenças que realmente nos aflige em segundo plano - às vezes em plano nenhum. (...)

Não há lado bom nessa história. Não há mocinho nesse faroeste."


Indústria de Horrores, Indústria da Morte, Indústria da Dor e do Sofrimento, 
Indústria do Dinheiro...

"Animais & Solidariedade"/Facebook

Juntos somos fortes!

Boicote produtos de empresas que promovem testes em animais!

Assine as petições!


A verdade (e a mentira) sobre utilidade dos testes com animais


Para filósofo, as pesquisas realizadas com animais servem mais para estimular o mercado de consumo com novos produtos que para melhorias na saúde dos seres humanos

A “revolução dos beagles de São Roque” está rendendo. E muito bem. Já estava mesmo na hora de discutirmos nacionalmente também essa questão, a da utilidade ou não de determinados tipos de pesquisa e o envolvimento com a educação para a crueldade, que pode muito estar atrelada ao modo como se prepara a mão de obra para os laboratórios.

Coloquemos então na mesa a questão objetiva do debate: os testes com animais são mesmo uma necessidade?

Os testes de laboratório com animais, de um modo geral, apontam para uma única “moral da história”: sofrimento atrai sofrimento. Os testes submetem nossos parceiros de vida na Terra a dores e incômodos inauditos. Não se trata de feridas apenas. Muito menos a barbárie é só a de arrancar um olho ou forçar um animal a comer até explodir. O que ocorre é a produção de tumores cancerígenos, deformações internas e externas, mal estar durante toda uma vida. Esse sofrimento todo é pago no altar do bem estar humano? Não! A maior parte dos laboratórios que lidam com testes, no mundo todo, fazem pesquisas encomendadas direta ou indiretamente antes pelos setores militares que pelos ditos setores da saúde.

O que se quer saber é o que é que pode dizimar o homem, fazer o homem sofrer, e quanto o homem pode aguentar tendo ingerido substâncias X ou Y. O que se quer é saber como matar de modo mais eficiente. Isso é tão verdade que, hoje, nenhum cientista responsável arrisca afirmar que o HIV, que provoca a AIDS, não foi produzido em laboratórios ligados a tarefas militares.

Bem, mas uma parte dos laboratórios que se utiliza de testes em animais o faz em função das demandas do setor de saúde, não é verdade? Não! A parte da pesquisa que não é direta ou indiretamente atrelada ao campo militar, serve antes ao dinheiro que à saúde. Os próprios cientistas têm insistido nesse dado: mais de 70% das pesquisas que envolvem testes com animais, e que se diz desligada da área militar, se faz não em torno da busca para curas de doenças, mas em torno da criação de variações de produtos que possam induzir novos consumos. Em muitos casos, até parecem ter a ver com doenças. Mas não tem. O que ocorre é que, criado o produto, aí então se inventa uma deficiência orgânica, ou seja, alguma “doença”, e em seguida mostra-se a cura. Em alguns casos a doença é criada junto com a cura! As drogarias são supermercados - todos sabem disso. Mas os conservadores fingem não ver.

As indústrias de cosméticos e higiene pessoal, alimentos, suplementos alimentares, drogaria para a geriatria e mesmo a indústria da produção de remédios trabalham com a perspectiva de lucro imediato como prioridade, colocando a questão da descoberta da cura de doenças que realmente nos aflige em segundo plano - às vezes em plano nenhum. Mesmo as universidades públicas, no mundo todo, têm trabalhado nesse sistema. Os financiamentos saem antes para a pesquisa que busca criar produtos para a indução de consumo que para a pesquisa que visa a solução de problemas de saúde da população. Nem mesmo as pesquisas para “doenças de ricos” têm prioridade diante da prioridade da criação de produtos que possam ampliar as possibilidades de consumo.

Desse modo, o supérfluo do supérfluo governa de um lado, o necessário para a indústria da morte governa do outro. Os animais sofrem para que nós, depois, possamos sofrer com a ideia da “guerra segura” e com a péssima ideia de que precisamos comprar mais coisas do que necessitamos. Não há lado bom nessa história. Não há mocinho nesse faroeste.

É bobagem dizer “isso é o capitalismo”. Sim, é. E daí? Dizer isso é dizer o nada. Ou melhor, é dizer o tudo em um grau tão genérico que é dizer o nada. O que é necessário é perceber que nenhum dos dois grandes blocos de interesses - o militar e o financeiro - que sustentam os laboratórios que, por sua vez, causam sofrimentos nos animais, diz a verdade sobre a necessidade de testes em animais. Ter animais em laboratórios nem é uma solução “a mais barata”. Os animais estão lá porque o tipo de pesquisa que se faz não é para nos curar de algo, mas para a guerra e para a ampliação inchada do mercado.

Estamos diante da maior mentira do século. Uma mentira contada por gente que está atrelada à fabricação da paz, que é na verdade a indústria da guerra e da morte. Uma mentira também contada por gente que está atrelada à fabricação do bem estar, que é na verdade a indústria do dinheiro e do falso bem estar.
Os estudantes que entram nas universidades em cursos que fornecem mão de obra para os grandes laboratórios do mundo todo devem falar a mesma língua. O jogo é duro. Uma única pequena conversa dissidente, questionando o sofrimento dos animais, e o estudante que a promoveu é visto como “não tendo vocação”. É fundamental que o estudante seja antes de tudo um vocacionado para a tortura, caso não, é tido não como uma pessoa sadia mentalmente, mas como um incompetente para as ciências. Os que negam isso são, dentro dos departamentos das universidades, os que mais zelam para que isso aconteça. O policiamento nesse ambiente é uma constante.

Não é necessária uma revolução mundial comandada por algum Che Guevara para parar isso de modo a redirecionar tal indústria de horrores. Basta que a cada dia possamos fazer protestos como os que foram feitos contra o Royal, e que apavorou toda a parte da mídia mais à direita (calando a esquerda, que não raro, na sua parte tradicional, é adepta de um iluminismo tacanho). Ali, no protesto contra o Instituto Royal, um nível de consciência pelos direitos dos animais reapareceu em novo patamar. São passos assim que criam níveis diferenciados e ampliados de consciência. É comum que pessoas de formação científica, inteligentes, diante dos protestos, voltem para as suas casas e comecem a pesquisar sobre o assunto, e então entrem para as fileiras dos que já não podem mais admitir o espalhamento da crueldade como algo banal.

Os protestos não clareiam as coisas somente de um lado, mas de todo tipo de lado. E o número de pessoas que acha que sairá ganhando com a indústria da morte e com a indústria do dinheiro-que-falseia-a-felicidade paulatinamente decresce - isso é uma tendência mundial. Nosso desenvolvimento moderno tem sido assim. Temos reformulado e melhorado nossas práticas de vida, em vários setores, dessa maneira.

Deixaremos de usar animais em teste do mesmo modo que temos procurado nos livrar de agrotóxicos e do mesmo modo que não suportamos ver uma pessoa pertencente a uma minoria ser humilhada. Faremos isso exatamente porque sabemos onde está a mentira, e vamos, em cada luta setorial, conquistar mais gente pelo coração, e integrá-los no trabalho da razão. Essas coisas vão andar mais rápido do que se imagina. E a ciência não vai perder com isso, ao contrário, vai sair ganhando.

Nietzsche dizia que a ciência não pode ser deixada sozinha, sem comando. É verdade! Temos de tirá-la do comando que hoje está nas mãos da Morte e do Dinheiro. Temos de colocá-la sob o nosso comando, os que não querem que para se criar um esmalte ou um tônico capilar fajuto para uma seborreia fajuta, um cão tenha que ter o fígado inchado durante 6 anos, mantido no cativeiro com dores intensas.


Paulo Ghiraldelli, 56, filósofo, escritor, cartunista e professor da UFRRJ

IG

Destaques do ABC!

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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A Revolução dos Beagles


TODA VIDA É SAGRADA



"O Instituto Royal judiou dos cães e subestimou os humanos. Deu no que deu: de ativistas de direitos dos animais até os black blocs passando por atrizes e donos de canis, o apoio foi imenso à “ação direta” dos que resgataram os beagles, lá em São Roque, pertinho aqui de São Paulo. De quebra, coelhos e outros bichos lá do Instituto também foram levados. A polícia brasileira, educada para se interessar primeiro na proteção da propriedade material e só depois na vida, também estava lá. Empurrou, machucou e criou confusão. Aí teve de se ver com os mascarados, que completaram o serviço de repúdio à crueldade. (...)

Estão completamente errados os que vieram com aquele papo de sempre. “Hipócritas, por que não salvam os ratos?” Não havia ratos lá. Ou então: “Aposto que nem vegetarianos são, esses militantes”. Ora, ninguém foi tirar os beagles de lá por causa de alguma ameaça de um chinês comedor de cachorro! Cada luta tem o seu tempo porque cada emoção, que é o combustível, tem sua cota. (...)

A revolução dos beagles, no final de semana que passou, teve muitos heróis. Integrou gente que pensava diferente. Deu oportunidade, inclusive, de conversarmos não só a respeito de direitos dos animais, mas também de como não podemos abrir mão de direitos humanos se queremos defender direitos dos animais. Proporcionou à classe média o experimento com a técnica da “ação direta”. Além disso, mobilizou jovens por uma causa nobre, que é a diminuição do sofrimento. E, principalmente, trouxe os beagles para uma vida melhor."



A revolução dos cachorros beagles - de São Roque para o Brasil


O que se faz nos laboratórios é alimento para a tecnologia, mas ciência, na verdade, se faz pouco, afirma o filósofo Paulo Ghiraldelli Jr.*


O Instituto Royal judiou dos cães e subestimou os humanos. Deu no que deu: de ativistas de direitos dos animais até os black blocs passando por atrizes e donos de canis, o apoio foi imenso à “ação direta” dos que resgataram os beagles, lá em São Roque, pertinho aqui de São Paulo. De quebra, coelhos e outros bichos lá do Instituto também foram levados. A polícia brasileira, educada para se interessar primeiro na proteção da propriedade material e só depois na vida, também estava lá. Empurrou, machucou e criou confusão. Aí teve de se ver com os mascarados, que completaram o serviço de repúdio à crueldade.


Black Bloc passa por viatura policial incendiada durante protesto em São Roque 

Alex Falcão/Futura Press

Uma classe média simpática aos bichos, mas também simpática à TV quando esta diz que os black blocs são vândalos, fez o mesmo que os professores cariocas: mudou de opinião em relação aos mascarados. Começou a tomá-los por parceiros, e não como “infiltrados”.


No entanto, na casa dos conservadores militantes, os de sempre, onde em geral até há algum cachorro, e bem tratado, a temperatura aumentou. Quem viu de perto conta que foi engraçado. Os donos dos cães vociferavam, enquanto que os cães, sorrateiramente, empurravam as crianças da casa para as redes sociais, para também participar da revolução. O que ocorreu lembrou um pouco a velha animação dos Estúdios Disney, sobre os dálmatas. Aliás, não podia ser diferente: mascarados lutando junto com loirinhas para salvar beagles! Quer imaginário melhor que este? Na “sociedade do espetáculo”, às vezes o espetáculo não é só o do dinheiro.

Estão completamente errados os que vieram com aquele papo de sempre. “Hipócritas, por que não salvam os ratos?” Não havia ratos lá. Ou então: “Aposto que nem vegetarianos são, esses militantes”. Ora, ninguém foi tirar os beagles de lá por causa de alguma ameaça de um chinês comedor de cachorro! Cada luta tem o seu tempo porque cada emoção, que é o combustível, tem sua cota.

Mas, alguns dos tais conservadores (sim, os de sempre, eu já disse) voltaram com os argumentos caducos: “Obscurantistas, querem parar a ciência”. Eis aí a confusão: tomam tecnologia por ciência. O que se faz nesses laboratórios é apenas alimento para reiteração de tecnologia. Agora, ciência, na verdade, se faz pouco.

A ciência avança pouco quando comandada pelo desejo de dinheiro que se quer ganhar no curto prazo, ela avança mais por meio de pressão popular, necessidades éticas e aleatoriedade. A ânsia por lucro no curto prazo tem a ver antes com a tecnologia que com a ciência. Os laboratórios testam ingredientes para produtos do mercado, que pouco têm a ver com benefício humano, mas, na maioria das vezes, com indução de consumo banal. Quando são pressionados positiva ou negativamente pela ética, materializada na vontade popular, aí sim entram na jogada os cientistas. Estes, diferentemente dos tecnólogos de laboratório, atuam na universidade e começam a fazer pesquisa de como desenvolver pesquisa. Pesquisam no campo da ciência para que a pesquisa no campo tecnológico responda à pressão popular e à ética (foi assim no caso das células-tronco, recentemente). Descobrem e inventam modos de fazer pesquisa menos agressiva, ao menos aos olhos da população. E também, no processo aleatório, criam subprodutos que, enfim, às vezes até se tornam grande fonte de lucro (o Viagra não nos deixa mentir). Por isso, os cientistas autênticos não reclamam da pressão ética e popular, eles a aproveitam para mudar, para fazer a ciência avançar.

Alguns industriais ficam bravos com esses cientistas, digamos assim, menos voltados para o campo produtivo imediato. Mas, depois percebem que o que deixaram de ganhar no curto prazo é mil vezes recompensado no prazo médio. Desse modo, eles vão às universidades buscar os resultados. Então, logo que conseguem reformular a tecnologia, adotam o novo e correm para cima dos políticos, de modo que estes transformem o novo em lei. Com isso, eliminam a concorrência dos que não acompanharam o novo. Nasce então uma lei do tipo: é proibido testes laboratoriais com beagles, que derruba os que não buscaram o novo. Claro! A essa altura, proibir seria desnecessário, pois já se tem uma prática melhor e mais lucrativa até, mas a proibição vem para derrubar de vez os que não puderam ou não quiseram investir no novo. Algumas empresas podem então posar de “Empresa amiga dos beagles”. Quer coisa melhor? Ser amiga do cachorrinho do Charlie Brown? Elas também podem, nesse mesmo momento, continuar matando labradores, mas os beagles ganharam proteção em forma da lei.

É assim que nosso mundo tem girado: leis trabalhistas funcionam no Ocidente, mas o Ocidente compra produtos da China, que são mais baratos porque lá não há lei trabalhista nenhuma, o que há é o trabalho praticamente escravo de crianças. Ora, se existe trabalho que degrada a criança na China, eu posso tentar, aqui, boicotar o produto chinês. Mas não vou nunca, se não sou um idiota, dizer: “vamos tirar os direitos trabalhistas daqui para que nossa indústria se torne mais competitiva e derrube a da China”. Há tonto que pensa assim. Mas há sindicato e consciência política para barrar esse tonto.

Do mesmo modo, não temos que lamentar só conseguir uma lei de proteção para beagles. Não temos que dizer: “ah, vamos revogar essa lei que protege beagles porque as empresas continuam colocando os laboratórios para judiar de labradores”. Nada disso. Fazemos diferente. Dizemos: “agora vamos começar a luta pelos labradores”. Do mesmo modo que dizemos: “agora vamos convencer os chineses a viverem em democracia, e aí eles terão de colocar direitos trabalhistas também lá, e então a competitividade internacional pode se restabelecer”. Esse pensamento é o correto. E ele se faz na articulação com as chances - como a chance dada pelo Royal.

A revolução dos beagles, no final de semana que passou, teve muitos heróis. Integrou gente que pensava diferente. Deu oportunidade, inclusive, de conversarmos não só a respeito de direitos dos animais, mas também de como não podemos abrir mão de direitos humanos se queremos defender direitos dos animais. Proporcionou à classe média o experimento com a técnica da “ação direta”. Além disso, mobilizou jovens por uma causa nobre, que é a diminuição do sofrimento. E, principalmente, trouxe os beagles para uma vida melhor.

Todos que participaram positivamente saíram do episódio melhor do que entraram. Agora, é enfrentar a raiva, e até a inveja, de quem não participou. Pois há o conservador empedernido, que é contra tudo que implique na expressão “ser feliz”. Mas há também aquele que até seria a favor, caso ele fosse o líder. Como não houve líder, ele fica mais bravo do que o próprio conservador.

* Paulo Ghiraldelli Jr., 56, filósofo, escritor, cartunista e professor da UFRRJ.


Destaques do ABC!

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