Tradutor

Mostrando postagens com marcador sociedade planetária. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sociedade planetária. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Cidadão Midiático incomoda elites retrógradas



Blogosfera, Facebook, Twitter... a comunicação deixou de ser monopólio, privilégio de poucos. Cada cidadão tem a possibilidade de criar um ou mais espaços na web e informar, emitir opinião, produzir e veicular conteúdo. Que num simples clique do mouse vai para o ciberespaço e pode ser acessado em todo o planeta.


Tecnologia a serviço da cidadania.


Para desdouro da velha mídia e das mentalidades tacanhas e autoritárias em geral.


Caminho sem volta.


Força da internet já assusta mídia tradicional


NESTA SEMANA, VEJA CIRCULA COM OITO PÁGINAS DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E UMA DOS CORREIOS; NO ENTANTO, BLOGUEIRO DA ABRIL, REINALDO AZEVEDO, CONDENA PUBLICIDADE EM MEIOS QUE FAZEM “UM TROÇO PARECIDO COM JORNALISMO”; NESTA QUARTA-FEIRA, FOI ARQUIVADO O INQUÉRITO CONTRA ERENICE GUERRA, AQUELA QUE VEJA AJUDOU A DETONAR, COM UM AMONTOADO DE MENTIRAS

247 – José Serra comprou uma briga inglória. Ao propor uma ação judicial contra a publicidade oficial em blogs de dois jornalistas que o criticam, Paulo Henrique Amorim e Luís Nassif, tudo o que ele conseguiu foi uma hashtag #SerraCensor que despontou entre os assuntos mais comentados do dia, além de um artigo de seu porta-voz informal, Reinaldo Azevedo.

O blogueiro da Abril publicou artigo em que condena publicidade em sites que fazem “um troço parecido com jornalismo” (leia mais aqui). Mas disse, no entanto, que veículos tradicionais, como Veja, por exemplo, não devem renunciar à publicidade oficial – já que ela está aí. Veja, de fato, não renuncia a ela. Na edição desta semana, seu maior anunciante é o Ministério da Educação, com oito páginas. Além disso, há também uma página dos Correios.

O movimento de Serra e Reinaldo, na verdade, não ocorre isoladamente. Trata-se de algo organizado. Antes deles, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tratou do tema numa coluna no Estado de S. Paulo. Depois, foi seguido por Eugênio Bucci, que, além de consultor de Roberto Civita, presidente da Abril, foi também citado na decisão do juiz Tourinho Neto que quase soltou Carlos Cachoeira – na decisão, Tourinho, sabe-se lá por que, determinou que o contraventor, em liberdade, não poderia se aproximar de dois jornalistas: Policarpo Júnior e o próprio Bucci.

Enquanto estiveram no poder, os tucanos jamais se incomodaram com a questão da publicidade oficial. Andrea Matarazzo, braço direito de Serra, foi um ministro da Secretaria de Comunicação de FHC muito querido por donos de empresas de mídia. Reinaldo Azevedo, quando foi empresário, teve apoio da Nossa Caixa e do ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, mas o projeto da revista Primeira Leitura acabou naufragando.

O que os incomoda, na verdade, é a nova realidade da informação no Brasil e no mundo. Antes, havia quatro ou cinco famílias relevantes no jogo da informação no Brasil. E os barões da mídia mantinham uma postura aristocrática, cuja cornucópia era alimentada por boas relações no setor público.

Hoje, com a internet, há muito mais vozes. O novo mundo é polifônico. E não apenas os governos, mas também as empresas privadas, já estão abraçando essa nova realidade. Nos Estados Unidos e na Inglaterra, por exemplo, a publicidade na web é muito maior do que nos jornais impressos. Na rede, a relação investimento/retorno é muito mais eficiente, além de mais transparente.


Um troço parecido com jornalismo

A investida do PSDB, com apoio de Reinaldo Azevedo, no entanto, veio em má hora. Nesta quarta-feira, os jornais noticiaram o arquivamento da denúncia contra a ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, por absoluta falta de provas.

Antes do segundo turno das eleições presidenciais de 2010, Veja fez uma denúncia sobre a entrega de malas de dinheiro na Casa Civil, a partir de um diz-que-diz em off, e a Folha de S. Paulo denunciou um lobby bilionário no BNDES feito por um personagem que não passaria pela catraca de segurança da sede do banco na Avenida Chile, no Rio de Janeiro.

Não era jornalismo. Era um troço parecido com jornalismo, que ajudou a levar as eleições presidenciais de 2010 para o segundo turno.

Pode-se discutir a qualidade do jornalismo na internet, assim como nos veículos impressos.

Mas o que a mídia tradicional busca é apenas uma reserva de mercado. E demonstra medo crescente diante da força da internet.

O resto é conversa fiada.


Brasil 247


*

terça-feira, 17 de julho de 2012

Bandidagem Engravatada X Todos Nós, Cidadãos



Grande Santayana! Que acaba de vocalizar o que vimos sempre falando aqui: o Poder do Cidadão na Sociedade Midiática.


Cada cidadã e cidadão pode ser um produtor de conteúdo: notícias, informação, conhecimento, opinião... e transformar todo o descalabro na sociedade. E "puxar o tapete" da bandidagem endinheirada, engravatada, de colarinho branco... Chegou a hora!


A Revolução Mundial já começou!!!



Estamos no início de uma revolução de caráter ético, bem diferente de outras do passado. A Revolução Francesa foi o resultado da circulação de mais de duzentos jornais em Paris e nas províncias. Hoje, com a internet, cada um de nós pode ser, ao mesmo tempo, jornalista, impressor e distribuidor de informações e opinião. Ainda que a rede esteja sendo usada pelos centros internacionais de poder, a fim de semear a discórdia e impor a sua vontade, a ação coordenada dos cidadãos pode vencer a batalha da informação.
                
OS BANDIDOS E A POLÍTICA



(CM) - Em um de seus melhores ensaios sobre Política e Criminalidade (Politik und Verbrechen), o pensador contemporâneo Hans Magnus Enzensberger, conta que Al Capone, em 1930, chegara a seu apogeu, sem que fosse incomodado pelas instituições do Estado. Ao contrário, eram notórias suas relações com os políticos, com a polícia e com os jornalistas, e todos cultivavam o seu poder e se nutriam de seu dinheiro.

Era um mito ou, como melhor explica Enzensberger, um paramito, criação dos tempos modernos, que não passam de uma miragem dos tempos realmente heróicos, nos quais os mitos nasceram. Os turistas pagavam para, de ônibus, percorrer os bairros em que a quadrilha de Scarface exercia, de fato, o poder de estado, sob o olhar indiferente dos moradores e de seus asseclas – da mesma forma que os visitantes, com a permissão dos narcotraficantes de hoje, passeiam pelas favelas cariocas.

Nesse ano de 1930, segundo as fontes do escritor alemão, a Warner Bros, que crescera com os mitos que criava e vendia, ofereceu uma fortuna a Al Capone para que, em um filme sobre o gângster, interpretasse o próprio Al Capone, o que ele recusou. O criminoso novaiorquino, que se transferira para Chicago aos 20 anos, fizera fulgurante carreira e, aos 30, já reunira cem milhões de dólares daquele tempo - uma quantia equivalente a muito mais de três bilhões de dólares em nossos dias. Tal como em nosso tempo, com o neoliberalismo, a globalização liberal dos anos 30 criara a crise de confiabilidade na moeda e nas instituições políticas. Só Roosevelt, com o New Deal, restabeleceria a confiança no Estado.

Al Capone queria ser o homem mais rico e mais poderoso dos Estados Unidos. Como se sabe, um ano depois a Justiça pegou Capone, porque não pagava imposto de renda. Condenado a 11 anos, transferido para um hospital, acometido de demência provocada pela sífilis, Capone morreu aos 48 anos, em uma propriedade sua na Flórida. Já naquele tempo, havia laranjas, e com a doença do gângster, a maior parte de sua imensa fortuna se distribuiu, naturalmente, entre os prepostos. Os que lhe mantiveram fidelidade garantiram o seu bem-estar possível, mesmo na demência, até o fim.

A criminalidade se exerce em todos os setores da sociedade, e um de seus objetivos é o controle ilegítimo das instituições do estado. A elas podem chegar, mediante a compra de votos e outros recursos, ou controlando alguns políticos mediante o suborno, a corrupção. Os políticos, quando honrados, buscam conquistar o mando mediante a confiança dos cidadãos, e se dedicam a promover o bem comum. Os criminosos se preocupam em construir o seu poder mediante os meios conhecidos, entre eles os da violência sem limites. Um traço comum aos chefes de gângsters é o da “generosidade”. Os defensores de Cachoeira, a começar pela mulher, dizem que ele está sempre disposto a ajudar os outros. Desde, é claro, que os outros o obedeçam. Capone se considerava o grande benfeitor de Chicago, oferecendo dinheiro para iniciativas sociais e obras de caridade.

É o que estamos constatando, mais uma vez, nas relações de Carlos Cachoeira com parlamentares e personalidades do poder executivo. São tantas as evidências que não é arriscado identificar, no empresário goiano, o epicentro de uma vasta rede de jogos ilícitos e de assalto aos bens públicos, com a prática de corrupção política, e, talvez, de delitos mais graves. A ministra Carmem Lúcia teve um momento de desabafo ao se referir à Lei da Ficha Limpa: ninguém suporta mais tanta corrupção.

Os senadores respiraram, aliviados, a decapitação de Demóstenes Torres. Provavelmente, alguns dos que comemoraram o sacrifício do bode expiatório estejam sendo precipitados. Estamos no início de uma revolução de caráter ético, bem diferente de outras do passado. A Revolução Francesa foi o resultado da circulação de mais de duzentos jornais em Paris e nas províncias. Hoje, com a internet, cada um de nós pode ser, ao mesmo tempo, jornalista, impressor e distribuidor de informações e opinião. Ainda que a rede esteja sendo usada pelos centros internacionais de poder, a fim de semear a discórdia e impor a sua vontade, a ação coordenada dos cidadãos pode vencer a batalha da informação.

Como nos ensina a dialética, a quantidade faz a qualidade.


Mauro Santayana




*

sábado, 23 de junho de 2012

A Rio+20 e a Cidadania Planetária



Na Idade da Informação e do Conhecimento, em tempos de Revolução Mundial, na era da sociedade planetária e midiática, cidadãos do mundo todo, compartilhando a mesmíssima preocupação - salvar o planeta - se encontraram na cidade do Rio de Janeiro, para buscar soluções, trocar experiências, comungar vivências, denunciar, protestar, falar, ouvir... e celebrar a diversidade humana.


Somos todos iguais. Temos os mesmos sonhos, os mesmos direitos e obrigações, fragilidades semelhantes e um destino planetário comum. E a capacidade de nos mobilizar, arregaçar as mangas e fazer acontecer.


Esse nos parece o legado maior da Rio+20.




A Revolução Mundial em andamento. 


Que os mandatários, chefes de estado e de governo e demais autoridades  abram bem os olhos e ouvidos para o que aconteceu do lado de fora das reuniões oficiais, e deixem a cidadania planetária construir o novo mundo, onde o Poder será compartilhado e a diversidade celebrada em espaços múltiplos e públicos.

Rostos da Rio+20


Conferência reuniu 191 nacionalidades no Rio de Janeiro.
Veja os rostos que passaram pelo Riocentro durante esta semana.


                   Diversidade de rostos e culturas na Rio+20. (Foto: Alexandre Durão/G1)
G1
*

sábado, 16 de junho de 2012

Pequena Blogueira Cidadã incomoda poderosos na Escócia



Desafinando o Coro dos Contentes...


Sou muito crítica e combativa no geral, o que pode passar a impressão de ser pessimista, negativa... Não! Sou muito otimista. Considero que a Revolução Mundial já teve início, estamos em plena Era da Informação e do Conhecimento, vivendo já na Sociedade Midiática, onde a tônica é a Cidadania Planetária.


Essa matéria que reproduzo a seguir me deixa mais otimista e contente ainda! Uma pequena cidadã blogueira, usando a web, a blogosfera, para defender direitos e mostrar irregularidades. Nove anos e já sabe ser cidadã!


Como disse a ministra Eliana Calmon, "corruptos temem a mídia". O cidadão tem que aprender e se dispor a abrir a boca e mandar bala, criticando, denunciando, apontando as mazelas e exigindo mudanças. Esse é o caminho na Sociedade Planetária.


Parabéns à Pequena Blogueira Cidadã Martha Payne. Esse é só o começo. Guardem esse nome!



Aluna que fez blog com críticas é proibida 
de fotografar merenda

Martha Payne avaliava qualidade e quantidade de merenda e atraiu atenção internacional

Da BBC


A estudante escocesa Martha Payne (Foto: BBC)

A menina escocesa de nove anos que provocou mudanças na alimentação de sua escola depois do sucesso de um blog que avaliava a qualidade da merenda foi proibida de fotografar as refeições servidas.

Martha Payne fez um blog que teve mais de 2 milhões de visitações em poucas semanas e acabou rendendo um tuíte de apoio do conhecido chef Jamie Oliver.

Desde o dia 30 de abril, ela fotografava seus lanches com a permissão da escola e postava as fotos diariamente no blog chamado 'Never Seconds' ("Nunca repetir o prato", em tradução adaptada), com comentários e notas para a refeição.

Mas, na quinta-feira, a estudante informou pelo blog que foi chamada pela diretora da escola durante uma aula.

"Nesta manhã, (na aula de) matemática fui tirada da sala pela minha diretora e levada para a sala dela. Ela me falou que eu não poderia mais tirar fotos da minha merenda devido a uma manchete em um jornal de hoje", escreveu Martha em um post chamado "Adeus".

"Eu escrevo apenas no meu blog, não em jornais e estou triste por não ter mais a permissão para tirar as fotos. Vou sentir falta de dividir e avaliar minha merenda e também vou sentir falta (das fotos de) merendas que vocês me enviam."


Foto de comida postada por Martha Payne em seu blog (Foto: BBC)

Decisão do conselho

A decisão pela proibição foi tomada pelo conselho municipal depois que o jornal escocês Daily Record publicou uma foto de Martha junto com o chef escocês Nick Nairn e a manchete "Hora de demitir a merendeira".

O blog foi estabelecido por Martha Payne com a ajuda de seu pai, Dave. Depois da proibição, ele postou uma explicação no blog.

"A escola de Martha tem sido brilhante e dado apoio desde o começo, eu gostaria de agradecer a todos eles."

"Entrei em contato com o Conselho de Argyll e Bute (autoridade local) quando Martha me disse o que aconteceu hoje na escola e eles me disseram que foi decisão deles proibir as fotos de Martha", acrescentou.

"É uma vergonha que um blog que hoje conseguiu 2 milhões de acessos, que inspirou debates aqui e em outros países e levantou quase 2.000 libras (mais de R$ 6.000 l) para caridade seja obrigado a acabar."

O secretário de Educação da Escócia, Mike Russell, também criticou a proibição das fotos no blog de Martha.

Em sua conta no Twitter, Russel afirmou que a decisão foi "tola e vou pedir que o diretor-executivo do Conselho que revogue isto".

O Conselho de Argyll e Bute até o momento não respondeu à polêmica sobre o blog de Martha.

Mas, em uma declaração divulgada em maio, o conselho afirmou que "nosso fornecimento de merendas segue os padrões nutricionais impostos no país."

"Jovens escolhem a partir de pelo menos duas refeições e salada, verduras, iogurte e opções de queijo, disponíveis todos os dias."


Realidade

De acordo com o blog de Martha Payne, a realidade das merendas não era exatamente como o conselho informou.

No começo do blog, as refeições, sempre em porções pequenas, incluíam pizza, hambúrgueres, frituras, poucas verduras e nenhuma fruta.

E, entre os aspectos avaliados pela menina, estavam a qualidade da comida, a quantidade de "garfadas" em uma porção e o número de fios de cabelo encontrados.

Alertado por internautas sobre o projeto, o chef Jamie Oliver chegou a mandar uma mensagem para a menina através do Twitter: "Blog chocante, mas inspirador. Continue! Com amor, Jamie".

A repercussão do blog fez com que o Conselho Municipal de Argyll e Bute, na Escócia, se pronunciasse sobre o assunto e fizesse uma visita à escola da menina, e a qualidade das refeições melhorou, mesmo que temporariamente, de acordo com o pai de Martha, Dave.

Pai e filha foram convidados para um encontro realizado pelo chef escocês Nick Nairn, autor de diversos livros e apresentador de programas de TV.



G1

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Juiz defende Judiciário Cidadão



Nós também. Aliás, não há outro caminho. É só uma questão de tempo. Renovar ou morrer. Na Era da Informação e do Conhecimento, na Sociedade Planetária e Midiática, não haverá outra alternativa, a não ser a Cidadania Plena. Direitos iguais, inclusive e principalmente dentro do Judiciário.


O artigo a seguir é de autoria do juiz federal Roberto Wanderley Nogueira, de Recife. O autor é Doutor em Direito Público, Professor-adjunto da Faculdade de Direito do Recife e do Programa de Mestrado em Direito da UNICAP.
Cotas no Judiciário e exercício da cidadania

“Elites terão de repensar os conceitos e eliminar o ranço de superioridade”, diz juiz

É na história presente que se edifica o futuro. E ele bate inexoravelmente à nossa porta, clamando por transformações sociais inadiáveis, inclusive no setor judicial. Por isso, será debatido no CNJ, aliás, tardinheiramente, a política de cotas para vagas no Poder Judiciário. Sobre isto, vozes que habitam esse ambiente institucional já começam a resistir de um modo que remete à escatologia. Absurdo dos absurdos!

Para os que ainda não compreendem a lógica da política de cotas, transitória, circunstancial, compensatória, deve ser anotado, com emergência, que não pode haver mérito maior do que a Justiça, e Justiça efetivamente distribuída e possibilitada, sem tutelas oligárquicas ou elitistas.

O resto vem na decorrência da justificação dos meios e atitudes. O homem e a mulher são sempre capazes, quaisquer que sejam eles ou elas, provenham de onde provierem, tenham a condição que tiverem, pois a diversidade é o que obtempera o que há de essencial na humanidade: sua própria dignidade que se mede individualmente e vale indistintamente a todos. Por isso, desde o pós-guerra os direitos humanos foram consolidados em principiologia fundamental do Estado contemporâneo e das sociedades hodiernas que reúnam padrão civilizatório.

Basta apenas que as pessoas tenham iguais oportunidades para que elas floresçam em plenitude. O problema com o qual se objeta às ações afirmativas, então, é social e não subjetivo. Dessa tomada de consciência – primeiro passo à transformação social – decorre que é melhor que vamos logo nos acostumando com esse novo paradigma de sustentação das instituições públicas e privadas, pois só de pessoas com deficiência no Brasil (física, sensorial, intelectual ou múltipla), a propósito, temos uma população de mais de 45 milhões, de acordo com o último Censo (IBGE/2010).

Se contabilizarmos os familiares dessas pessoas, as quais em regra sofrem explícito ou velado ‘apartheid’ (inacessibilidade física, informacional e comunicacional), logo essa densidade se eleva a mais da metade, pelo menos, da população brasileira. Isto, porém, não deve causar espanto. Espantosa é a falta, até agora, de uma política massiva e sistemática de emancipação, e a sua consequente efetividade, de todo esse pessoal e, sobretudo, a permanência de uma cultura de insensibilidade espraiada por todo o território nacional que desconhece o potencial de toda essa gente que, juntamente com outros grupos humanos igualmente excluídos socialmente, merecem exercitar, por inteiro, sua cidadania.

E foi com um esforço incomum e o propósito de erradicação das desigualdades sociais que o Governo Federal instituiu recentemente o Plano Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência (‘Viver sem Limites’), o qual envolve 15 órgãos das entidades de direito público interno, através de cujas atividades deverão ser criadas, pelo menos, umas 150 mil vagas para cursos do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC). Além do mais, esse Plano tem um orçamento de R$ 7,6 bilhões até 2014. É um esforço de fato considerável, dir-se-ia mesmo histórico, que visões sectárias não devem de modo algum impedir sua eficácia ou obscurecê-lo. O Conselho Nacional de Justiça tem editado normas para a garantia de acessibilidade nas repartições de Justiça no Brasil, mas essa determinação não tem sido efetivada na justa medida de sua importância e extensão. Ignorância e desinteresse (descaso) acabam se traduzindo como duas das mais eloquentes barreiras atitudinais que se abatem no poder público contra o livre exercício dos direitos das pessoas costumeiramente excluídas.

A propósito, acessibilidade é um conceito inclusivista que não se esgota nos aspectos físicos e arquitetônicos dos espaços públicos que vão receber a todos os cidadãos, indistintamente e com igualdade de condições de trânsito pessoal, informacional e de comunicação. Desse modo, é vedado ao poder público instituir rotinas de trabalho, por exemplo, que excluam determinados segmentos da sociedade de compartilhar dos seus benefícios, a exemplo da implantação de sistemas informáticos para os processos em geral sem a salvaguarda da interoperabilidade e de programas de apoio e compensação para quem não os lê por alguma limitação dos sentidos.

A política de cotas integra, ademais, a problemática compensatória no contexto de desigualdades sociais crônicas, historicamente observadas.

Para aqueles que ainda consideram que não adianta falar em face da contingência de uma nova conjuntura de escala planetária que evidencia a necessidade de emancipação dos povos, dos grupos e das pessoas, de fato, não adianta falar mesmo, enquanto a fala sofrer de um preconceito do qual até os que falam dele desconhecem. Nada obstante, é da genealogia de nossa própria sociedade que o fenômeno ainda esteja acontecendo, mas isso tem de ser superado, haja vista razões de Justiça sem a qual não há paz e nem concórdia. Sem nada disso, tampouco se espere por desenvolvimento e prosperidade.

Adicionalmente, é absolutamente equivocado acreditar que alguém, por ter sido submetido à exclusão social o tempo inteiro, tenha poucas chances, talvez nenhuma de superar os seus próprios limites e se tornar, por exemplo, um grande Jurista, um bom médico, um qualificado engenheiro. Há exemplos de sobra que desmentem esse veredicto corporativista e de classe. Um deles, pelo que se conhece, milita com muito brilho, pujança e independência na Suprema Corte do país.

Precisamos abandonar esse sentimento – os Juízes, principalmente – pois ele não é um sentimento nobre, não infunde igualdade e está em descompasso com a Constituição e com a vida na pós-modernidade. Depois que forem guarnecidas satisfatoriamente as populações – todas elas! – de plenas oportunidades de crescimento, testaremos o mérito com linearidade cartesiana. Enquanto prevalecer o contexto das desigualdades sociais, o argumento meritocrático é, sobretudo, uma falácia, pois iguala os desiguais.

Por enquanto, propende um balanço que exige a equalização dos desiguais. As elites terão de repensar os próprios conceitos e eliminar de vez o ranço de superioridade que, pelo fato de se ter tido tudo na vida – de casa e comida a afeto familiar e escolaridade plena – achar que se é melhor ou mais meritório do que aqueles que nada disso tiveram em suas vidas até então miseráveis. Essa atitude do sentimento de classe equivale a condenar os segmentos vulneráveis à própria miséria o tempo inteiro e, ao mesmo tempo, a garantir blindagem social aos privilégios, em face do espectro de alguma perda mais ou menos consistente que nem falta sequer realmente fará. Esta é que é a realidade!

Sobretudo, essa é uma exigência, a par de constitucional, da Cristandade, que traduz, em síntese, o esteio moral em que se assenta o Ordenamento Jurídico brasileiro, nada obstante laico. A propósito, precisamos reconhecer de uma vez por todas que os nossos semelhantes, quaisquer que sejam, são nossos semelhantes, simplesmente, e existem conforme a natureza que comporta a todo o ser humano, sujeito de direito interno e internacional. Portanto, todos são dignos das primícias da vida, conforme a ideia do desenho universal que reenquadra, conceitualmente, o valor da maioria para identificá-la com o todo (a maior parte).

Com efeito, não devemos consolidar essa vergonha em nossos patrimônios, que evoca o período escravocrata, para, antes, tratar de uma autocrítica séria que se nos humanize mais e mais.

Que a vida seja plena para todos! É o brado inclusivista dos homens e mulheres de boa vontade deste país.

Blog do Fred

*

sábado, 9 de junho de 2012

Juízo Final: hora de separar joio e trigo



Ser é quase nada. Parecer é quase tudo. 

Quase.

Ao que tudo indica, estamos em pleno Apocalipse, vivendo um "final dos tempos", um fim de ciclo e início de algo novo no planeta. Cada um de nós, e isto inclui particulares, autoridades e instituições, está sendo "convidado" a se posicionar diante do velho e do novo, do estreito e do largo, do egoísmo e do altruísmo, do ter e do ser.

Ganância, Ladroagem, Corrupção... esta falta de compostura, esta "deselegância" toda, tudo isso pertence a um mundo arcaico, apodrecido, que está rachando, ruindo, desmoronando. As entranhas malcheirosas desse mundo estão sendo expostas, escancaradas à luz do dia.

Não basta usar celular de última geração, se a essência é suja e mesquinha.

Voar ou ciscar o dia todo? Águias ou galinhas?

Na Sociedade Planetária, moderno é ser Cidadão.




Não há figura relevante, no Brasil de hoje, que não esteja sendo julgada

Leonardo Attuch

A proximidade do encerramento do processo do mensalão, considerado por muitos o “julgamento do século”, criou uma situação inédita e inusitada no Brasil. Não há figura relevante no País que não esteja sendo julgada pela sociedade. A começar pelos próprios ministros do Supremo Tribunal Federal. Será que o ministro Ricardo Lewandovski, ao não apresentar seu relatório, joga deliberadamente pela prescrição dos crimes? Será que José Antônio Dias Toffoli, que já advogou para o PT, terá isenção para participar do julgamento? Será que Gilmar Mendes, com a sua notória compulsão pelo microfone, não estaria falando demais? E assim por diante.

Esse julgamento do STF tem sido feito pelos próprios meios de comunicação, que nem sempre revelam sua agenda política, mas se julgam no direito de também pressionar a mais alta corte do País. Por isso mesmo, quem julga também vem sendo julgado. O que há por trás desse artigo? Qual é a intenção velada que existe por trás daquele? Por que A fala com B, com C ou com D?

E se não bastasse o mensalão, há ainda a CPI do caso Cachoeira, que já tem dois governadores convocados: o tucano Marconi Perillo, que terá que explicar a venda de sua casa, e o petista Agnelo Queiroz, que falará dos contatos de assessores com pessoas ligadas à construtora Delta. Mas não são apenas eles. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, também pode vir a ser alvo de uma ação por crime de responsabilidade. E até mesmo o advogado mais caro do País, Marcio Thomaz Bastos, vem sendo questionado por estar recebendo R$ 15 milhões de um contraventor.

São tantos “réus”, no Executivo, no Judiciário, no Legislativo, na imprensa e na advocacia, que quem deve estar rindo à toa diante de tudo isso é o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Quase ninguém fala dos seus crimes, que ao que tudo indica não são poucos. Há tantos pecadores espalhados por aí, que um dos mais notórios, o senador Demóstenes Torres, desandou a falar de Deus e de sua fé no dia do depoimento no Conselho de Ética. Parecia uma freira no convento.

Ao que dizem, no fim dos tempos, no grande Armagedom, o filho de Deus voltará à Terra para julgar “os vivos e os mortos”. Será que esse dia do juízo final já chegou e ainda não fomos avisados?

Brasil 247
*

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Ativistas atentos: ameaçada liberdade na internet



Liberdade na internet está sob ataque, 
diz Richard Stallman

No lançamento da 13ª edição do Fórum Internacional de Software Livre, em Porto Alegre, um dos criadores do movimento advertiu para crescentes ameaças à liberdade digital. Para Richard Stallman, coisas muito sérias estão acontecendo na sociedade digital. “A inclusão digital pode ser boa ou ruim. Depende de onde a sociedade será incluída. O que vemos hoje é que a liberdade está sendo atacada de várias maneiras. Talvez tenhamos que diminuir a nossa inclusão para preservar nossas liberdades”

Marco Aurélio Weissheimer

Porto Alegre - O criador do movimento software livre, Richard Stallman, participou nesta segunda-feira (4), no Palácio Piratini, do lançamento da 13ª edição do Fórum Internacional Software Livre, que será realizada de 25 a 28 de julho, no Centro de Eventos da PUC-RS, em Porto Alegre. Em um ato que contou com a presença do governador Tarso Genro, Stallman falou sobre as crescentes ameaças à liberdade na sociedade digital.


Em uma rápida intervenção no início da cerimônia, o governador gaúcho disse que o movimento em defesa do software livre representa hoje “uma das lutas mais importantes para recuperar a densidade da democracia que hoje se encontra esvaziada”. Tarso agradeceu e destacou o empenho de ativistas como Marcelo Branco em defesa da liberdade digital. “Quando eu era ministro da Justiça, foi ele que me advertiu sobre a necessidade de entrarmos no debate sobre o projeto restritivo e de censura que tramitava então no Congresso Nacional. Conseguimos bloquear a votação desse projeto e ajudamos a estimular um debate nacional sobre o tema”.


A fala de Richard Stallman foi marcada por graves advertências acerca das crescentes restrições na internet. Para o criador do Projeto GNU, iniciado em 1983 nos Estados Unidos, coisas muito sérias estão acontecendo na sociedade digital. “A inclusão digital pode ser uma coisa muito boa ou muito ruim. Depende de onde a sociedade será incluída. O que vemos hoje é que a liberdade está sendo atacada de várias maneiras. Talvez tenhamos que diminuir um pouco a nossa inclusão para preservar as nossas liberdades”, sugeriu.


Após um período de euforia e liberdade, os usuários da internet devem começar a se policiar, pois tudo o que fazem está sendo gravado e classificado. A palavra “tudo”, aqui, não é força de expressão. É “tudo” mesmo. Stallman citou os casos do Facebook, do Google e do Google Analytics como exemplos de um sistema de vigilância que está sendo feito em vários níveis. O mais perigoso, defendeu, é aquele controlado pelos governos.


“Grandes empresas privadas como Amazon, Microsoft, Apple e grandes empresas de telefonia também têm seus sistemas de vigilância. Nós podemos controlar isso usando software livre, por exemplo. Mas quando se trata de governos, a situação é mais complicada. Na Inglaterra, há um sistema que diz onde está cada automóvel do país pelo controle da placa. É algo que Stálin não teve, mas que gostaria de ter”, brincou.


Durante a sua fala, Stallman anunciou, em tom de lamento, que amanhã (terça-feira) estará visitando a Argentina pela última vez em virtude de um sistema de gravação das impressões digitais de todas as pessoas que entram ou saem do país. “Será meu último voo para a Argentina. Algumas coisas não podem ser toleradas. O Estado não pode saber tudo sobre todos. A polícia secreta da União Soviética não tinha esse controle sobre a vida das pessoas”, protestou o fundador da Free Software Foundation, que acrescentou. “Numa sociedade livre, não pode ser fácil para a polícia saber tudo sobre todas as pessoas. Se for fácil, então não estaremos vivendo em uma sociedade livre”.


Stallman citou também como ameaça à liberdade a tentativa de censura na internet em vários países, mas essa luta, segundo ele, parece que está sendo vencida pela internet. “A censura existe muito antes do computador, mas parece que a internet está ganhando da censura. Muitos países têm tentado exercer a censura por meio de filtros e outros mecanismos, mas não estão conseguindo”. Outra forma de controle, apontou, é o uso de formatações sigilosas de dados para limitar o acesso. “Essa prática vem sendo usada por empresas para barrar a competição, com programas que restringem o acesso dos usuários. Vídeos estão sendo distribuídos dessa forma, com formatos secretos, para que não haja livre difusão”.


O ativista defendeu a necessidade de um maior engajamento político nesta luta contra as ameaças à liberdade no contexto da chamada sociedade digital. “Muitas pessoas não querem se envolver nos aspectos políticos dessa luta, o que é um erro. Num certo sentido, precisamos mais de ativistas do que de programadores hoje”, afirmou. Stallman defendeu, por fim, que os governos e as agências governamentais passem a usar prioritariamente softwares livres, o que não acontece hoje.


As ameaças que pairam sobre a liberdade na internet no Brasil

As ameaças sobre a liberdade na internet que pairam sobre o contexto brasileiro foram tema de uma intervenção de Marcelo Branco, logo após a fala de Stallman. Militante da causa da liberdade na internet há vários anos, Marcelo Branco apontou um conjunto de problemas e ameaças que já são reais no Brasil.


As empresas operadoras de telefonia, assinalou, representam hoje uma ameaça à liberdade na internet, pois querem quebrar a neutralidade da rede. Essa neutralidade significa que todas as informações que trafegam na rede devem ser tratadas da mesma forma, navegando a mesma velocidade. Trata-se de um princípio que garante o livre acesso a qualquer tipo de informação na rede e impede, por exemplo, que as operadoras possam “filtrar” o tráfego, definindo que tipo de dados pode andar mais ou menos rápido. Para Marcelo Branco, a neutralidade na rede não precisa de regulamentação. Ou ela existe, ou não existe. O grande risco, apontou, é que essa regulamentação seja feita pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) que seria “sensível” ao lobby das operadoras.


Em segundo lugar, Marcelo Branco apontou a indústria do copyright como outra ameaça à liberdade na internet. “As empresas que compõem essa indústria querem uma internet vigiada que criminalize o usuário. Empresas como Google e Facebook podem ser nossas aliadas neste item, mas, por outro lado, ameaçam a nossa privacidade”. Neste tema (do copyright), o ativista criticou a atual gestão do Ministério da Cultura, classificando-a como “reacionária e conservadora”.


A pressão pela criminalização na internet vem crescendo em vários níveis. Marcelo Branco considerou um absurdo querer responsabilizar um provedor por um eventual crime cometido por um usuário. “É como querer responsabilizar uma operadora de celular por um crime cometido por um bandido que utilizou o telefone durante o delito ou para praticar o mesmo”. Ele também criticou a retirada de conteúdo de páginas da internet sem mandado judicial. “Isso é inaceitável em um Estado Democrático de Direito”.


Por fim, Marcelo Branco criticou a iniciativa do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) de realizar uma consulta pública sobre patenteamento de softwares. “Foi um vacilo do governo Dilma. Uma das maiores lutas do movimento de software livre mundial foi justamente contra a implementação de patentes de software na Europa. Em 2005, a Europa rejeitou a possibilidade do software ser patenteado. Patente de software é uma ameaça à inovação, ao software livre e à liberdade do conhecimento. O Brasil não pode seguir esse caminho", defendeu.


Foto: Caroline Bicocchi/Palácio Piratini


Carta Maior


*

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Lula: agora também no Facebook



Na sociedade planetária e midiática em que estamos todos imersos, o extraordinário Estadista Global não poderia ficar de fora...


Companheiro Lula, também no Facebook!


Veja o vídeo abaixo, anote aí e acesse: www.facebook.com/lula






Link do vídeo


*